Minha avó “censurou” Quero que Vá Tudo pro Inferno antes do Rei!

Detalhes inaugura a fase adulta. Jesus Cristo é sua canção de inspiração religiosa mais marcante. Emoções é um autorretrato tirado aos 40. Quero que Vá Tudo pro Inferno é a melhor tradução da rebeldia juvenil do Rei.

São canções inesquecíveis de Roberto Carlos. Há outras dezenas e dezenas guardadas na memória afetiva do povo brasileiro.

Quero que Vá Tudo pro Inferno é do final de 1965. Foi um sucesso avassalador. Os contemporâneos sabem o quanto havia de transgressão naquele quase rock.

Sempre que ouço, lembro de uma história. Peço licença para contar.

Minha avó Stella (na foto, com Egberto Gismonti) era católica fervorosa.

Aos sábados, eu e meus primos tínhamos o hábito de cantar para ela. À noite, na cozinha da sua casa em Jaguaribe. Garotos fazendo um “show” particular para a Vovó.

De repente, a canção de Roberto Carlos se transforma numa febre nacional.

Resolvemos incluí-la no set list do próximo “show” doméstico.

Ensaiamos. Estava tudo pronto quando recebemos a advertência. Minha avó, guiada pelos rigores da igreja, determinou:

Podem cantar, mas não pronunciem a palavra inferno! 

E assim fizemos!

Vovó, sem saber, antecipou em anos a censura a que, entre a fé e o transtorno obsessivo compulsivo, o rei acabou por se impor.

Censura extinta nesta sexta-feira (23), quando Roberto Carlos, afinal, voltou a cantar Quero que Vá Tudo pro Inferno.

Roberto Carlos dribla TOC e canta Quero que Vá Tudo pro Inferno

Roberto Carlos quebrou, faz tempo, a tradição do seu disco de final de ano. Gostando ou não do artista, os discos eram essenciais nos natais brasileiros e marcaram milhões de pessoas.

Roberto Carlos, aos 75 anos, mantém a tradição do especial natalino na Rede Globo. São mais de quatro décadas.

O programa exibido nesta sexta-feira (23) foi gravado num ambiente menor, com uma plateia menos numerosa. Ficou mais intimista e, por isso, recebeu o nome de Simplesmente Roberto Carlos.

O momento mais importante do especial foi quando Roberto Carlos cantou Quero que Vá Tudo pro Inferno. A canção, uma das mais icônicas da sua carreira, fora banida do seu repertório por causa do TOC (transtorno obsessivo compulsivo), doença que atormenta o Rei.

Voltar a cantar (e pronunciar a palavra “inferno”) essa música que conquistou o Brasil há mais de 50 anos é uma vitória pessoal do artista e uma alegria para os seus fãs.

Só quem foi contemporâneo de Quero que Vá Tudo pro Inferno conhece a força dessa canção e sabe o quanto ela foi transgressora.

O especial teve outros grandes momentos.

Destaco o encontro de Roberto Carlos com Caetano Veloso e Gilberto Gil, amigos e companheiros de geração. Comovente ouvir os três cantando Coração Vagabundo e Marina.

Marisa Monte, com Dadi à guitarra, cantou De que Vale Tudo Isso como se fosse sua.

E Zeca Pagodinho fez o Rei cair no samba. Só assim, ouvimos, na sua voz, Noel, Lupicínio e Cartola!

Roberto Carlos vem de regiões profundas do ser do Brasil, diz Caetano Veloso. Isso, ninguém tira dele. Os seus defeitos são infinitamente menores do que as suas virtudes. Basta vê-lo num programa de televisão!

Roberto Carlos fez música para um exilado pela ditadura

Hoje (23) é dia de ver o especial de Roberto Carlos na Globo. Esse ano, o Rei canta com Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Por isso, conto essa história:

Um pouco antes do Tropicalismo, Maria Bethânia sugeriu a Caetano Veloso que prestasse atenção em Roberto Carlos e na Jovem Guarda. Ele conta, no livro de memórias Verdade Tropical, que “Bethânia, cujo não alinhamento com a Bossa Nova a deixava livre para aproximar-se de um repertório variado, me dizia explicitamente que seu interesse pelos programas de Roberto Carlos se devia à vitalidade que exalava deles, ao contrário do que se via no ambiente defensivo da MPB respeitável”. Caetano seguiu o conselho da irmã e incorporou a vitalidade que Bethânia enxergava em Roberto e na Jovem Guarda ao Tropicalismo, o movimento que, em 1968, lideraria ao lado de Gilberto Gil.

Sempre que voltamos aos tropicalistas, identificamos em Gil o interesse pela música nordestina, fruto, sobretudo, da temporada que passou no Recife pouco antes de se transformar num artista de dimensão nacional. O vínculo com Roberto Carlos e a Jovem Guarda deve ser atribuído a Caetano. É ele, afinal, que costuma mencionar a influência que o Rei exerceu no momento em que o Tropicalismo foi esboçado. Foi ele que mais assumiu uma postura de valorização do trabalho de Roberto Carlos, arriscadíssima no universo resguardado da esquerda pós-Bossa Nova. A gratidão de Roberto seria traduzida numa canção.

Preso (junto com Gil) em dezembro de 1968, depois confinado em Salvador e, finalmente, exilado na Inglaterra entre 1969 e 1972, Caetano Veloso, um dia, recebeu a visita de Roberto Carlos na sua casa em Londres. “Roberto veio com Nice, sua primeira mulher, e nós sentimos nele a presença simbólica do Brasil”, relata em Verdade Tropical. Caetano lembra que, “como um rei de fato, ele claramente falava e agia em nome do Brasil com mais autoridade (e propriedade) do que os milicos que nos tinham expulsado, do que a embaixada brasileira em Londres e muito mais do que os intelectuais, artistas e jornalistas que a princípio não nos entenderam e nos queriam agora mitificar: ele era o Brasil profundo”.

Durante a visita, Roberto Carlos levou Caetano às lágrimas quando, ao falar do seu novo disco (o LP que começa com As Flores do Jardim da Nossa Casa, lançado no Natal de 1969), pegou o violão e cantou As Curvas da Estrada de Santos, “dizendo, sem nenhuma insegurança, que iria nos agradar”. Caetano recorda que “essa canção extraordinária, cantada daquele jeito por Roberto, sozinho ao violão, na situação em que todos nós nos encontrávamos, foi algo avassalador para mim”. E diz que usou a barra do vestido preto de Nice para assoar o nariz e enxugar as lágrimas, enquanto, com ternura, o Rei o chamava de bobo. Roberto Carlos voltou para o Brasil pensando em Caetano e o homenageou com uma canção.

A música é Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, lançada no final de 1971 no disco que tem Detalhes. Na época, pouca gente sabia que a canção havia sido composta para Caetano Veloso e falava do dia em que ele retornaria ao Brasil. A maioria achava que a letra era sobre uma mulher. A tristeza de um exilado que desejava voltar não fazia parte das conversas dos fãs do Rei. Do mesmo modo que a esquerda não atribuiria a Roberto Carlos a disposição de dedicar uma música a um artista que havia sido preso e mandado para fora do país. O seu distanciamento da MPB engajada parecia assegurar que ele não agiria assim.

“Uma história pra contar de um mundo tão distante” ou “você olha tudo e nada lhe faz ficar contente/você só deseja agora voltar pra sua gente”. Ou ainda: “você anda pela tarde e o seu olhar tristonho/deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho”. Os versos soaram claros quando Caetano, aos 50 anos, revelou a origem da canção. No período mais duro do regime militar, Roberto fez música para um exilado e foi seu porta-voz ao gravar Como Dois e Dois. De um lado, o gesto solidário que vale por muitas canções engajadas. Do outro, o intérprete trazendo para o Brasil profundo o que Caetano sentia no exílio: “tudo vai mal, tudo/tudo é igual quando eu canto e sou mudo”.

Roberto Carlos tem um paraibano em sua corte! Vocês sabiam?

Jô Soares entrevistou Roberto Carlos sexta-feira passada.

No meio da conversa, ele comentou a presença de alguém na plateia.

Era Genival Barros, da equipe do Rei. E soltou o apelido do cara:

Quém Quém! 

Foi Jô que passou a chamá-lo assim. Desde os tempos da velha TV Record.

Conheci Genival Barros no final do ano 2000. O show de Roberto Carlos em João Pessoa fora remarcado duas vezes, e ele veio na frente dizer ao público que ficasse tranquilo. A apresentação estava confirmada.

Em poucos minutos de conversa, descobri quem era: um campinense que trocara sua cidade por São Paulo no início dos anos 1960 e que, na segunda metade daquela década, passara a trabalhar com Roberto Carlos. Era um paraibano na corte do Rei.

Genival sempre vem na frente. Checa cada detalhe: o palco, a plateia, o espaço onde será montado o camarim do artista.O Rei é um perfeccionista, e as casas de shows têm que estar prontas para recebê-lo.

Desde que o conheci, tenho o hábito de procurá-lo no dia do show de Roberto Carlos. Genival e suas histórias. Do tempo em que trabalhou como controlista da Rádio Caturité, em Campina Grande. Da grande aventura que foi a sua ida para São Paulo, em 1961. Das passagens pelas rádios Bandeirantes, Excelsior e Record. Da chegada à TV Record.

Genival estava no lugar certo, na hora certa. Testemunhou um momento de grande efervescência na música popular do Brasil – os festivais, a Jovem Guarda, o Fino da Bossa – e atuou como técnico de som da emissora de televisão que reunia em seus programas os melhores artistas da geração que se revelou a partir de meados da década de 1960.

Foi na Record que conheceu Roberto Carlos. E foi lá que recebeu o convite para trabalhar com ele. O garoto que saíra de Campina Grande só com a passagem de ida, sem saber o que faria em São Paulo, entrava para a corte do Rei. Está lá há quase 50 anos. E fala com orgulho do artista de quem todos nós também nos orgulhamos muito.

Em outubro de 2007, na noite do show de Roberto Carlos em João Pessoa, Genival Barros me deu um presente. No backstage, colocou uma pulseira no meu braço e disse que a minha vez havia chegado.

Em seguida, me conduziu ao camarim do Rei.

Roberto Carlos, Jô Soares e Michel Temer!

Quando estava no SBT, Jô Soares convidou Roberto Carlos para ir ao seu talk show.

Roberto Carlos, contratado da Globo, pediu autorização a Boni. E conseguiu.

Pouco antes da gravação, ligou para Jô e disse que não ia mais. Boni tinha viajado e não deixara nada por escrito.

O Gordo, então, deu um conselho ao amigo. Sugeriu que, todos os dias, ao acordar, ele se pusesse diante de um espelho e dissesse várias vezes:

Eu sou Roberto Carlos!

Eu sou Roberto Carlos!

Eu sou Roberto Carlos!

Despediram-se. Minutos depois, o Rei liga e diz:

Jô, eu vou ao seu programa!

Jô Soares contou essa história sexta passada ao entrevistar Roberto Carlos.

Lembrei do Brasil.

Precisamos de um presidente que vá ao espelho e diga:

Eu sou o presidente da República!

Eu sou o presidente da República!

Eu sou o presidente da República!

Claro que não é Michel Temer!

Roberto Carlos usa Facebook para testar conhecimentos dos fãs

Roberto Carlos vai usar o Facebook para testar os conhecimentos dos seus milhões de fãs.

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A ação, que vai se chamar Canal Emoções, começa neste domingo (11) no perfil oficial do Rei no Facebook.

Quase seis milhões de seguidores do artista vão conversar com a página pelo Messenger e receber mensagens com desafios. Esses desafios mostrarão o quanto as pessoas conhecem sobre a carreira de Roberto Carlos.

As mensagens serão enviadas todos os dias aos participantes. São perguntas sobre capas de discos, versos das canções, trechos de áudios e vídeos. Uma estrofe a ser completada corretamente, o título de um disco a ser descoberto apenas pela capa – muitas questões que vão mostrar se você realmente conhece a trajetória do Rei.

Os usuários participantes serão premiados. Dependendo do desempenho deles, somarão pontos e receberão distintivos de acordo com os assuntos que mais dominarem. São mais de 25 distintivos temáticos.

A ação será desenvolvida numa parceria do artista com a Sony Music.

Gilberto Gil não fez críticas a Sérgio Moro. Equipe GG desmente notícias

No fim de semana passado, postei aqui na coluna uma nota da assessoria de Roberto Carlos. O objetivo da nota: desmentir notícias segundo as quais o artista teria feito críticas ao juiz Sérgio Moro e, por isso, estaria perdendo seguidores nas redes sociais.

Nesta terça-feira (22), foi a vez de Gilberto Gil. No seu perfil no Facebook, através da equipe GG, o compositor também divulgou nota desmentindo as notícias de que teria criticado Moro, chamando-o de juizinho e terrorista.

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Transcrevo a nota assinada pela equipe GG:

MENTIRA! Atenção: ao longo dos últimos dias voltaram a circular notícias falsas atribuídas a Gil.

Defendemos o direito de que todos devem ter sua opinião política respeitada, mas além de imoral e antiético, aproveitar-se da imagem de um cidadão para divulgar causas próprias, associando-a a declarações mentirosas com o intuito de gerar discórdia, constitui crime de injúria e difamação, passível de punição.

Pedimos a todos que chequem as fontes das informações antes de propagá-las, e, em caso de dúvidas, nos enviem a origem do material para que possamos atestar sua veracidade. As devidas providências estão sendo tomadas contra esses irresponsáveis.

Muito obrigado pela compreensão. Aquele abraço, equipe GG.

Roberto Carlos, que não costuma falar de política, dificilmente faria críticas ao juiz.

Gilberto Gil, que sempre se posicionou politicamente, não chamaria Moro de juizinho e terrorista. Não combina com ele.

É a era dos que, no uso das redes sociais, sobrepõem à verdade os seus interesses políticos, partidários, ideológicos.

Vale para a esquerda e para a direita. Não há diferença entre os que recorrem a esses expedientes.

Essa manipulação grosseira da verdade é inaceitável!

Roberto Carlos não criticou Sérgio Moro. Notícia falsa, diz assessoria

Roberto Carlos não fez críticas ao juiz Sérgio Moro. A notícia é falsa, diz em nota a assessoria do artista.

O episódio ocorreu na mesma semana em que o Dicionário de Oxford escolheu pós-verdade como a palavra de 2016.

Estamos na era da pós-verdade. Post-truth. A pós-verdade ajudou a eleger Donald Trump presidente dos Estados Unidos.

As mentiras disseminadas nas redes sociais se sobrepõem às verdades. As pessoas se deixam guiar pelo que não é verdadeiro.

Os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos às emoções e às crenças pessoais.

Em 1989, no debate às vésperas da eleição, Collor disse que não tinha dinheiro para comprar um equipamento de som como o de Lula. Collor mentiu. O eleitor acreditou nele. Se fosse hoje, a afirmação dele se enquadraria no conceito de pós-verdade.

O caso de Roberto Carlos: uma “notícia” no Facebook dizia que o artista estava perdendo seguidores nas redes sociais depois de criticar o juiz Sérgio Moro e apoiar o PT. Não é verdade.

A assessoria do Rei divulgou nota que está em seu perfil no Facebook.

O teor da nota: “Roberto Carlos, como a maioria dos brasileiros, tem orgulho do trabalho do juiz Sérgio Moro e de todos da equipe do Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público envolvidos na operação Lava Jato, exemplos de dignidade e competência. Novamente a internet é usada para divulgar notícias falsas e estamos tomando providências jurídicas para que fatos como este não tornem a acontecer”.

Roberto Carlos tem 75 anos, quase 60 de carreira. Ele não costuma se envolver com política. Direito dele. O que é grande nesse artista que chamamos de Rei é a singularíssima relação da sua música com milhões de brasileiros.

A pós-verdade sempre existiu. O que assusta é sermos dominados por ela.

Em “Alucinação”, agora relançado, Belchior é injusto com tropicalistas

Belchior fez 70 anos em outubro. Seu melhor disco, lançado há 40 anos, voltou às lojas num CD afinal remasterizado (a edição anterior era inaudível). O tempo passou, mas Alucinação permanece um grande disco.

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Em 1976, quando lançou Alucinação, Belchior tinha 30 anos incompletos. Sua Mucuripe (parceria com Fagner) havia sido gravada por Elis Regina e por Roberto Carlos. E seu primeiro disco, numa gravadora pequena, era praticamente desconhecido.

Elis, então, cuidou de projetar Belchior nacionalmente ao gravar Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, duas canções do cearense que, na voz dela, ganharam versões definitivas.

Alucinação saiu pela Philips. Belchior assinou contrato para apenas um LP. Fez um grande disco, entrou para a história da MPB com ele.

Apenas um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, A Palo Seco – algumas das suas canções mais importantes e mais populares estão no breve repertório de dez faixas.

Em letras antológicas, Belchior dialoga com a sua geração na noite brasileira. Está antenadíssimo com o universo pop do Brasil e do mundo, também com as referências que o ajudariam a construir a sua poesia cantada.

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Mas há um equívoco pouco mencionado nesse grande disco: chamar de velhos os tropicalistas.

Está na letra de Apenas um Rapaz Latino Americano. O antigo compositor baiano é Caetano Veloso, autor da letra (a música é de Gilberto Gil) de Divino, Maravilhoso, a canção na qual Belchior diz não acreditar.

Ora, antigo é uma palavra que não cabia em Caetano em 1976, quando ele tinha pouco mais de 30 anos e era um dos responsáveis por parte significativa das transformações operadas na música popular do Brasil daquela época.

Divino, Maravilhoso é uma canção identificada com a turbulência do ano de 1968 e tem um refrão antológico:

É preciso estar atento e forte/não temos tempo de temer a morte.

Se prestarmos atenção, o verso permanece atual!

“Teresa Cristina Canta Cartola” é um dos melhores discos do ano

Uma voz feminina, um violão de sete cordas a acompanhá-la, o repertório de um compositor. Juntos, os três elementos falam da grandeza do samba do Brasil. “Teresa Cristina Canta Cartola” (CD e DVD) é um dos melhores lançamentos do ano.

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Teresa Cristina surgiu na cena carioca, em plena Lapa, há uns 15 anos ou um pouco mais. Com o grupo Semente, gravou um songbook duplo de Paulinho da Viola que marcou o início da sua carreira e a projetou nacionalmente.

Desde cedo, foi identificada como cantora de samba. Mas Teresa gosta de black music americana, de rock pesado e de Roberto Carlos.

O disco Melhor Assim, de 2010, indicava que ela seguiria outros caminhos além do samba. A confirmação viria em 2012: com o grupo indie Os Outros, fez um disco de rock todo dedicado ao repertório de Roberto Carlos. Saudável ousadia para uma sambista tradicional.

Agora, volta à tradição do samba num registro ao vivo lançado primeiro no mercado americano.

A portelense se debruça sobre o repertório do mangueirense Cartola com uma doçura e uma sensibilidade singulares. O violão de Carlinhos Sete Cordas mistura a tradição à modernidade do violão brasileiro e oferece a parceria perfeita para a voz da cantora.

Teresa Cristina (agora em turnê com Caetano Veloso) traz para os nossos dias a música de Cartola. O compositor, que morreu em 1980, já estava em cena nos anos 1930. Seus sambas atravessam o tempo com um frescor invejável. A extraordinária beleza da sua música encontra na voz da nova intérprete algo que não é passado, nem precisa ser presente. É permanência.

Quem disse que Teresa Cristina é uma princesa do samba? Deve ter sido Caetano Veloso. Acertou. É isso mesmo o que ela é!