“Os Dias Eram Assim” tem boa trilha sonora em CD duplo

A história de Os Dias Eram Assim começa no dia da final da copa de 70. Agora, a trama está em 1984, no momento da votação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria as eleições diretas para presidente.

Já nas lojas em edição física, O CD duplo com a trilha da super série da Globo é bom painel da música brasileira do período.

Lançado pela Som Livre, o álbum contém 27 faixas.

Há músicas gravadas exclusivamente para a trilha (Aos Nossos Filhos, na voz dos atores principais. Tempo Perdido, com Tiago Iorc), mas predominam gravações da época em que se passa a trama.

Mesmo que o ouvinte não goste de alguns fonogramas compilados, não custa reconhecer que todos eles funcionam muito bem no conjunto. Até para quem não acompanha a série.

Há escolhas nada óbvias: Novos Baianos (Linguagem do Alunte), Walter Franco (Feito Gente, Mixturação), Vanusa (Atômico Platônico), Toni Tornado (Podes Crer, Amizade).

Outras são mais previsíveis, mas muito boas: Chico Buarque (Deus Lhe Pague), Chico e Milton Nascimento (Cálice), Elis Regina (Deus Lhe Pague, ao vivo), Gilberto Gil (Aquele Abraço), Mutantes (Ando Meio Desligado), Gal Costa (Divino Maravilhoso), Raul Seixas (Sociedade Alternativa).

Roberto Carlos está presente com Nossa Canção, tema dos personagens Renato e Alice. Secos e Molhados aparecem em quatro momentos: Sangue Latino, Flores Astrais, Amor e Fala. Baby Consuelo canta Menino do Rio. Erasmo Carlos, É Preciso Dar um Jeito Meu Amigo.

Quando o repertório avança para os anos 1980, temos Marina (Não Sei Dançar) e Legião Urbana (Índios).

O Bêbado e a Equilibrista (Elis), Coração de Estudante (Milton) e Caminhando (Geraldo Vandré) foram ouvidas na série, mas não entraram no CD.

A logo com letras verdes que a Som Livre usava na década de 1970 foi resgatada. Dá a impressão de que estamos manuseando um disco antigo.

“Os Dias Eram Assim” não precisa dizer que Globo apoiou a ditadura

Em 1992, Anos Rebeldes situou seus personagens entre os momentos que antecederam o golpe de 1964 e as primeiras lutas que se seguiram à volta dos exilados.

Foi marcante. Ajudou a colocar os caras pintadas nas ruas. O Brasil se redemocratizara, e, pela primeira vez, a Globo dedicava uma obra de ficção ao período da ditadura militar. Os que estiveram no poder eram os vilões. Os que lutaram pela redemocratização eram os mocinhos.

No momento em que Anos Rebeldes foi ao ar, o primeiro presidente eleito depois de 64 estava prestes a sofrer um impeachment.

Passados 25 anos, uma nova série da Globo trata do período em que o Brasil esteve sob governos de exceção.

Os Dias Eram Assim é chamada de super série. No fundo, tem as características de uma novela. No texto, na atuação do elenco, na fotografia, edição, uso de músicas que compõem a trilha sonora, etc. Tem as virtudes do padrão que a Globo há muito atingiu na sua teledramaturgia e, naturalmente, tem as limitações que os críticos das telenovelas costumam enxergar.

Os dois primeiros capítulos se passam durante a conquista da Copa do Mundo do México, em 1970, no Brasil do Ame-o ou deixe-o. A trama se estenderá até a primeira metade dos anos 1980, à época da campanha pelo restabelecimento das eleições diretas para presidente.

Os Dias Eram Assim coincide com um momento em que alguns (muitos?, poucos?) defendem a volta dos militares ao poder. Se Anos Rebeldes ajudou a botar os caras pintadas nas ruas, Os Dias Eram Assim reforçará o argumento tão imprescindível de que as ditaduras são sempre indesejáveis.

Entre os artigos que li sobre a super série, ao menos um afirmava, desqualificando a produção, que a Globo não dirá, na trama, que apoiou a ditadura. Ora, isso não é segredo para ninguém. Os méritos das empresas da família Marinho existem a despeito desse apoio – raciocínio que vale para outros grupos brasileiros de comunicação.

A Globo, ao retratar os anos da ditadura do jeito que está fazendo em Os Dias Eram Assim, não precisa fazer nenhum mea culpa. Inaceitável seria se, a essa altura, produzisse uma série para enaltecer os governos militares.

A Globo acertou, mas muita gente não quer reconhecer!

Indefensável o comportamento de José Mayer!

Admirável e corajosa a postura da figurinista!

Importante o protesto das mulheres dentro da Globo!

Correta a decisão da emissora de afastar o ator!

Estranho o silêncio de muita gente em relação à Globo!

Freixo, Crivella, Collor e o som de Lula

Partamos do pressuposto de que, por natureza, o jogo político nem sempre é muito verdadeiro. Consideremos que o que há são limites que não deveriam ser ultrapassados.

Vou dar um exemplo.

No debate histórico entre Collor e Lula, na eleição de 89, Collor ultrapassou esse limite quando disse que não tinha condições de possuir um aparelho de som igual ao de Lula.

Que bobagem, dirão alguns. Não! Não era bobagem! Collor, um homem rico. Lula, um homem pobre. Como este tinha um aparelho de som que aquele não poderia ter?

Até hoje, não sei ao certo o que levou Collor a fazer aquela afirmação, mas, para mim, ela teve uma grande força simbólica. Era como se ele fosse capaz de dizer (ou fazer) qualquer coisa, mesmo que fosse a mais descabida das mentiras. Mesmo o que não pode ser feito. Nem no jogo político.

Lembrei dessa história vendo, na Globo, o debate entre os Marcelos que disputam neste domingo (30) a prefeitura do Rio.

freixo-e-crivella

Freixo, o candidato do PSOL, partiu para o ataque. Crivella, do PRB, jogou na defensiva. Freixo parecia estar atuando dentro do que é permitido. Crivella, não.

As falas de Crivella davam a impressão de que, como Collor, ele faria (faz) qualquer coisa. A despeito do seu discurso religioso e do seu vínculo com uma igreja cristã. O episódio envolvendo a viúva de Amarildo é, no mínimo, nebuloso. E – convenhamos – não foi bem explicado pelo candidato.

Como show de televisão, o debate foi mais atraente do que muitos que tenho visto nos últimos tempos. As provocações, as acusações, o cinismo e a ironia como armas de defesa – tudo isso prende o telespectador. Ideias para a cidade, propostas, programa de governo? – não era o mais importante!

Freixo diz coisas nas quais é preciso acreditar nesses tempos de pouca crença no jogo político. Crivella atua num território que faz lembrar a história de Collor e o som de Lula. A julgar pelas pesquisas, é nas mãos dele que a prefeitura do Rio estará nos próximos quatro anos. A não ser que ocorra um milagre.

Primeiro jornal da TV Cabo Branco foi ao ar há 30 anos

Antes que o mês termine, quero fazer um registro: o primeiro jornal da TV Cabo Branco foi ao ar há 30 anos, em outubro de 1986. Foi apresentado por Geraldo Oliveira (foto) e Bertrand Freire.

Conto um pouco dessa história.

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A TV Cabo Branco, primeira emissora de televisão de João Pessoa, entrou no ar em caráter definitivo, como afiliada da Rede Globo, no primeiro dia de janeiro de 1987. Mas, antes, houve uma fase experimental, que durou pouco menos de três meses, entre outubro e dezembro de 1986.

Nessa fase experimental, a emissora transmitia o sinal da Band. Muitos dos seus profissionais estavam experimentando o veículo pela primeira vez. Eram jornalistas que vinham de outras plataformas e jovens recrutados na Escola Técnica para postos operacionais. Todos haviam passado por um treinamento que durou alguns meses e, de fato, teriam a oportunidade de “treinar” no ar, antes que a TV passasse a operar como afiliada da Globo.

O primeiro telejornal se chamou Câmera 7. O 7 era uma alusão ao horário em que ia ao ar e ao canal da emissora.

Estávamos no Brasil do Plano Cruzado, do governo Sarney, e às vésperas de uma eleição. O deputado federal Tarcísio Burity seria eleito governador pelo PMDB.

As primeiras edições do Câmera 7 falavam das eleições, das ações da Sunab para garantir o êxito do Plano Cruzado, cobriam os eventos esportivos, a agenda cultural da cidade. Dava ao pessoense a oportunidade de se ver todas as noites num telejornal.

Campina Grande, com a TV Borborema, teve uma emissora de televisão em 1963. João Pessoa demorou muito para ter o seu primeiro canal. Vivíamos do que as repetidoras nos ofereciam. Basicamente, do que era produzido no Recife. A chegada da TV Cabo Branco foi, portanto, um marco na vida da cidade.

O Câmera 7 era, por certo, um telejornal cheio de limitações. Mas era o resultado do esforço de uma equipe consciente de que desempenharia o papel histórico de por no ar a primeira emissora de televisão de João Pessoa.

Não posso mencionar todos os envolvidos, mas há alguns nomes que quero registrar:

Dos repórteres Joanildo Mendes, Saulo Moreno, Gisa Veiga, Karla Almeida, Naná Garcez e Ruth Avelino. Outros, que chegaram logo depois, ainda não estavam nesses primeiros dias.

Dos editores de imagens Carlos Alberto e Bernadete de Oliveira, que editaram comigo o Câmera 7.

Do editor geral, Erialdo Pereira, e do chefe de reportagem, Rubens de Abreu. Do gerente operacional, Cacá Martins.

Não havia computadores, muito menos internet. Usávamos máquinas de datilografia e um tele-prompter doméstico. Além de grandes fitas U-matic. As equipes que acompanhavam os repórteres tinham um cinegrafista, um operador de VT e um iluminador.

Muitos dos garotos e garotas da geração Y, que hoje dividem conosco os espaços de uma redação, ainda nem eram nascidos.

Trilha sonora está entre as qualidades de “Velho Chico”

Há quanto tempo não ouvíamos Elomar numa novela da Rede Globo?

Lembro da voz dele em “Gabriela”, aquela dos anos 1970 estrelada por Sônia Braga.

Pois é! E Geraldo Vandré?

Nem lembro dele em nenhuma novela!

Mérito de “Velho Chico”. Colocar no horário nobre da televisão brasileira vozes como as de Elomar, Geraldo Vandré e Xangai.

Mas não somente eles.

Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico César, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Legião Urbana, Maria Bethânia, Raul Seixas. E outros mais. Suas vozes, suas canções, compondo a trilha sonora de uma telenovela.

Muito já se falou das qualidades de “Velho Chico”. Acrescente-se mais esta.

Uma telenovela onde ouvimos a Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo, e o Réquiem Para Matraga, de Geraldo Vandré. Incelença pro Amor Retirante, de Elomar, e Triste Bahia, de Caetano Veloso. Ou, ainda, Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país.

Que luxo! Uma novela na qual, todas as noites, esses versos de Caetano Veloso eram ouvidos logo na abertura.

Para ilustrar o texto, escolho uma das belezas da trilha. Barcarola do São Francisco, um dos três “movimentos” da Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo.

A trilha de “Velho Chico” está registrada em três CDs, um deles dedicado aos temas instrumentais.

Na reta final, “Velho Chico” é marco da telenovela brasileira

“Velho Chico” entra em sua última semana nesta segunda-feira (26).

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A novela chega ao final marcada por um episódio trágico. A morte do ator Domingos Montagner entristeceu milhões de pessoas e fez pensar na finitude de cada um de nós, como bem lembrou Zélia Duncan num artigo muito sensível em O Globo.

Mas hoje, aqui, quero falar um pouco sobre a novela.

“Velho Chico” é um marco da telenovela brasileira. Uma produção inovadora num gênero que tem dificuldades para se reinventar.

O modo com que a cor foi usada, os enquadramentos incomuns na televisão, o tempo da narrativa, o ritmo da montagem, o tom teatral muitas vezes adotado na encenação, a influência do cinema brasileiro dos anos 1960, a escolha da trilha sonora.

Juntos, esses elementos são mais do que suficientes para fazer de “Velho Chico” um grande feito da televisão brasileira.

E, se pensarmos em conteúdo, a novela trouxe para o horário nobre temas que são o inverso do que dizem os muitos críticos da Rede Globo.

Para nós, paraibanos, “Velho Chico” ainda teve a notável presença dos nossos conterrâneos no elenco.

São tantos! Todos sintam-se representados na menção a duas atrizes: Zezita Matos, grande nome do nosso teatro, impecável na construção da personagem Piedade, e Lucy Alves, que já nos conquistara com seu talento musical, agora também como significativa revelação na teledramaturgia.

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E, por falar em elenco, há o Bento de Irandhir Santos, que vimos nos filmes de Kleber Mendonça Filho. E o padre de Carlos Vereza, sempre excepcional. E a Encarnação de Selma Egrei, que está na memória afetiva de quem viu o cinema de Walter Hugo Khouri. E Fagundes, Pitanga, Serrado. Muitos!

E, claro, o Santo de Montagner. A afeição do público pelo personagem pôde ser dimensionada na morte trágica do ator.

“Velho Chico” vai deixar saudades!

Ir à parada LGBT é pouco. O político precisa ter o direito de assumir que é gay

João Pessoa realizou a parada do orgulho LGBT.

Vejo que candidatos às eleições municipais de outubro marcaram presença.

Foram em busca de votos ou pelo real significado da manifestação?

Costumam ir em ano não eleitoral?

O envolvimento dos políticos, do jeito que ele se deu, pode até ser importante, mas não é tudo.

Antes de concluir, vou ao passado:

No início dos anos 1980, Marta Suplicy conquistou projeção nacional falando de sexo na TV Mulher, um programa matinal da Rede Globo. Muito da imagem que ela construiu veio dali. Da liberdade com que abordava temas tão importantes, mas tão evitados, da coragem revelada em algumas posturas, etc.

Muitos anos depois, Marta maculou a sua biografia ao insinuar, numa disputa eleitoral em São Paulo, que seu adversário era gay e que isso era negativo. Lembram?

Menciono Marta Suplicy como ilustração de como essas coisas se dão na política brasileira.

Volto ao presente para concluir:

Ir à parada LGBT é importante, mas não é tudo.

Bom mesmo será quando o candidato (não me refiro a militantes da causa) puder assumir a sua homoafetividade sem que isso lhe tire votos.

Ou o seu ateísmo (FHC perdeu a eleição para Jânio Quadros porque disse que era ateu).

Ou a defesa que faz do aborto (feministas mudam o discurso durante a campanha com medo do eleitor conservador).

Aí, sim! Teremos um grande avanço no nosso processo civilizatório! E no nosso jogo político!

O que há por enquanto ainda é muito pouco!

Morreu Geneton Moraes Neto. Era sinônimo do melhor jornalismo!

Morreu nesta segunda-feira (22) aos 60 anos o jornalista Geneton Moraes Neto.

Caetano e Geneton

Estive com ele pela primeira vez no Recife, no dia cinco de agosto de 1982. Dois dias depois, Caetano Veloso faria 40 anos, e, num hotel em Boa Viagem, fomos apresentados enquanto esperávamos pelo artista para uma entrevista coletiva.

Guiados por Jomard Muniz de Britto, nosso mestre, tínhamos objetivos diferentes. Eu participaria da coletiva. Ele colheria um depoimento exclusivo de Caetano sobre Glauber Rocha.

Na minha memória afetiva, Geneton está muito associado a Caetano, Gil, Jomard, aos tropicalistas de um modo geral. Ao Recife e aos meus vínculos com essa cidade de tradições culturais tão fortes.

Mas está associado principalmente a um exercício jornalístico de grande qualidade que ele desenvolveu por onde passou, sobretudo na Rede Globo.

Jornalismo memorialista. Sua obsessão pelas pautas ligadas à memória sempre me pareceu muito atraente, bem como seu gosto pelas entrevistas.

A pesquisa histórica, os temas políticos, a investigação – tudo em Geneton era feito com as marcas de quem tinha admirável domínio de um ofício tão aviltado quanto o nosso.

De quem de fato dignificava o jornalismo!

Muitas lembranças dele: Geneton entrevistando Roberto Carlos, ou o maestro George Martin. Os livros, os longos textos em seu blog. A voz em off no Fantástico com o sotaque pernambucano que nunca perdeu.

Nosso último encontro foi há uns dois anos na sede da TV Cabo Branco, em João Pessoa. Falamos do seu Canções do Exílio e do filme que estava realizando sobre Glauber.

Que coincidência! Quis o destino que Geneton Moraes Neto nos deixasse no mesmo 22 de agosto e na mesma Clínica São Vicente onde, há 35 anos, morria Glauber Rocha!

Na foto, Geneton, adolescente, entrevista Caetano na primeira passagem pelo Recife após o exílio londrino.

 

Xangai, que está em “Velho Chico”, lança CD de voz e violão

Elomar não gosta de televisão. Como Xangai está sempre muito associado a Elomar, é fácil imaginar que ele também não gosta.

Surpresa! Xangai aparece em “Velho Chico”. Faz uma ponta como ator. E sua bela voz é ouvida na trilha da novela das nove.

Numa noite dessas, uma sequência de “Velho Chico” foi toda ilustrada por uma música de Elomar na voz de Xangai.

Pois bem, enquanto ouvimos sua voz na novela da Globo, temos o lançamento do seu novo disco. Chama-se apenas “Xangai”, tem a chancela do selo Kuarup e foi gravado à base de voz & violão. No encarte, ele conta os detalhes.

Conheci Xangai no Projeto Pixinguinha de 1979. Ficamos amigos. Produzi seu primeiro show em João Pessoa (1980) e acompanho com admiração sua carreira. Respeito muito suas escolhas, mesmo quando discordo delas.

Xangai é um daqueles artistas que correm por fora. E o faz como opção, por convicção de que deve ser assim. É uma necessária reserva de qualidade e independência.

Os que gostam ficam felizes quando ouvem a voz de Xangai na novela das nove porque, no fundo, torcem para que sua música chegue a um público mais numeroso. Ou porque é importante tê-lo onde parece improvável que isto aconteça.

Mas a praia de Xangai será sempre outra.

O CD traz o Xangai que ouvimos há quase 40 anos. Voz bela e expressiva, adornada por falsetes e por um modo de fazer a divisão que vem de Jackson do Pandeiro e passa por Gilberto Gil.

É a primeira vez que ele faz um disco só com voz e violão. Teve receio porque sabe das suas limitações com o instrumento, mas ficou muito bom.

Tem o Ataulfo Alves de “Meus Tempos de Criança” e o Zé Dantas de “Forró em Caruaru”. O Renato Teixeira de “Pequenina” e o Geraldo Azevedo de “Espiral do Tempo”. Jessier Quirino aparece em “Bolero de Isabel” enquanto Ivanildo Vila Nova é seu parceiro em “Ino no Cangaço”.

Revisitadas, “Estampas Eucalol” e “Água” me trazem a lembrança do Xangai de 35 anos atrás.

Um abraço saudoso pra ti, Eugênio Avelino!