Não acompanhar a cena cultural não descredencia o jornalista

Gente ligada à cena cultural (sobretudo a musical) de João Pessoa – artistas, produtores, público – me critica porque não vou aos shows dos artistas e grupos que estão em evidência na cidade.

Mais do que isso: porque não conheço o trabalho deles.

Em alguns, a queixa exposta nas redes sociais é cordial, civilizada.

Em outros, é grosseira, agressiva.

Alguém até sugeriu, com muito senso de humor, uma campanha que poderia ser chamada de Sílvio Osias saia de casa. Ou coisa parecida.

Vou confessar: me senti mais importante do que na verdade sou.

Sim. Porque sou apenas um jornalista.

Passei 40 anos dentro de redações, vivendo do meu salário, sem nunca ter recorrido (como alguns) a métodos duvidosos para ganhar (muito) dinheiro. E hoje, aposentado e chegando ao limiar da velhice, continuo fazendo o que sempre fiz: escrevendo.

Um comentário chamou minha atenção porque dizia que a ausência descredencia minha opinião.

É necessário falar sobre isto.

O autor do comentário pretendia descredenciar minha opinião em relação a outros assuntos. Não só àqueles relacionados à atual cena musical pessoense. É o que está dito no post.

Já disse e vou repetir: não sou obrigado a acompanhar esta cena musical.

O que não posso fazer é escrever sobre o que não vi, sobre o que não conheço. E isto, nunca fiz.

Para comentar a letra de uma canção de Chico Limeira (ouvi a música, vi o video, li a letra) ou para dizer que Seu Pereira não soube tocar Blowin’ in the Wind à guitarra (vi o vídeo), sejamos honestos, não preciso ir ao show deles.

Não conheço o trabalho dos dois.

Vi Chico Limeira e Seu Pereira pela primeira vez na homenagem que fizeram aos 30 anos das afiliadas da Rede Globo na Paraíba. Eles encerraram dois dos três especiais chamados Tempo de 30, exibidos no ano passado pelas TVs Cabo Branco e Paraíba.

De Chico, ouvi rapidamente algumas canções e gostei muito. De Seu Pereira, nunca ouvi nada.

Não escreverei, portanto, sobre o trabalho deles. Até que os conheça. Se, um dia, os conhecer. Se quiser conhecê-los. Com a liberdade de escolha que todos nós, jornalistas ou não jornalistas, temos.

Já atuei profissionalmente acompanhando a cena cultural da cidade. Os que hoje querem me descredenciar nem eram nascidos. Há muitos anos, deixei de acompanhar. Não tenho interesse.

Hoje, quem tem dever profissional de ver tudo é Gi Ismael, jovem repórter da TV Cabo Branco que todos os sábados diz na telinha qual é a boa na cidade.

Eu, não!

O tempo e a experiência me deram a liberdade de escolher sobre o que escrevo.

E escrevo sobre o que conheço.

Esses jovens açodados que escrevem tolices nas redes sociais me remetem a jovens açodados de 30 ou 40 anos atrás. Como não havia redes sociais, eles falavam tolices semelhantes na mesa de bar.

Hoje, cinquentões, votam em Bolsonaro!

Transferiram a intolerância e o ódio deles da esquerda para a direita!

Globo acerta ao afastar William Waack. Racismo é abominável!

Na infância, perguntei à minha mãe o que eram símbolos.

Ela respondeu que podiam ser coisas pequenas que falavam de coisas grandes.

E recomendou que eu prestasse atenção a eles.

Sobre William Waack, acusado de racismo e agora afastado da apresentação do Jornal da Globo:

Num ao vivo, após a solenidade de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, ele entrevistou Anitta, que acabara de se apresentar ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

A postura de Waack não foi respeitosa. Em síntese, parecia que ele humilhava a cantora com suas perguntas.

Na hora, lembrei dos símbolos da minha mãe. E passei a prestar atenção às posturas dele.

Por isso, talvez, não tenha me surpreendido com a fala abominável que ontem viralizou na Internet e rapidamente provocou o seu afastamento da bancada do JG.

O vídeo, minutos (ou segundos) antes de um ao vivo durante a cobertura das eleições americanas (a Casa Branca está ao fundo), mostra Waack reclamando de uma buzina:

Tá buzinando por quê, seu merda do cacete? Não vou nem falar porque eu sei quem é. É preto. É preto!

A resposta da Globo foi rápida, acertada e coerente com um caminho adotado pela Rede.

Há uns dois anos, o Jornal Nacional abriu espaço para que Maria Júlia Coutinho se defendesse de ofensas racistas disseminadas nas redes sociais.

Recentemente, tivemos o caso de José Mayer, punido sob acusação de assédio sexual a uma figurinista, sua colega de trabalho.

Agora, William Waack.

A Globo fez o que deve ser feito! E ainda noticiou!

Intolerância, homofobia, misoginia, racismo! São coisas absolutamente abomináveis!

Sempre criticada por razões políticas e ideológicas, a Globo tem um posicionamento admirável em relação a esses temas, afinada com os avanços do mundo civilizado e da contemporaneidade.

Pena que tantos não queiram reconhecer!

Zezé Di Camargo, eu vi a ditadura sexta à noite na Rede Globo!

Para mim, foi um dos assuntos da semana:

Zezé Di Camargo, em entrevista a Leda Nagle, disse que não houve ditadura no Brasil.

Para ele, foi militarismo vigiado.

Fez pior: defendeu que os militares voltem para arrumar a casa e depois devolvam aos civis.

Repito o que já escrevi aqui:

O cantor perdeu uma grande chance de ficar calado!

Vendo TV, nesta sexta (15) à noite, pensei na entrevista de Zezé, a quem respeito como representante do nosso sertanejo pop.

Primeiro, por causa do penúltimo capítulo da super série Os Dias Eram Assim.

Durante uns cinco meses (vi todos os capítulos!), o tema ditadura militar no Brasil esteve presente na trama das 11 da noite da Globo.

É importante! É uma história que não pode ser apagada!

Antes que muitos repitam por aí o que Zezé Di Camargo disse.

Depois, vi Pedro Bial entrevistando Caetano Veloso.

Uma conversa que se estendeu por 60 minutos. Caetano e seus filhos, Moreno, Zeca e Tom, agora reunidos num show que estreia em outubro.

E lá estava também o tema ditadura militar no Brasil.

Conversando com Bial sobre a nova edição do livro de memórias Verdade Tropical, Caetano falou do período em que foi preso pelos militares. Ele e Gilberto Gil.

O episódio da prisão é minuciosamente narrado num dos capítulos do livro.

Pois bem, Zezé, houve ditadura militar no Brasil, sim!

A foto que escolhi para fechar esse post é uma das mais fortes imagens da violência do regime de exceção que se estendeu por 21 anos:

O jornalista Vladimir Herzog morto no DOI-CODI, em São Paulo.

“Os Dias Eram Assim” tem boa trilha sonora em CD duplo

A história de Os Dias Eram Assim começa no dia da final da copa de 70. Agora, a trama está em 1984, no momento da votação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria as eleições diretas para presidente.

Já nas lojas em edição física, O CD duplo com a trilha da super série da Globo é bom painel da música brasileira do período.

Lançado pela Som Livre, o álbum contém 27 faixas.

Há músicas gravadas exclusivamente para a trilha (Aos Nossos Filhos, na voz dos atores principais. Tempo Perdido, com Tiago Iorc), mas predominam gravações da época em que se passa a trama.

Mesmo que o ouvinte não goste de alguns fonogramas compilados, não custa reconhecer que todos eles funcionam muito bem no conjunto. Até para quem não acompanha a série.

Há escolhas nada óbvias: Novos Baianos (Linguagem do Alunte), Walter Franco (Feito Gente, Mixturação), Vanusa (Atômico Platônico), Toni Tornado (Podes Crer, Amizade).

Outras são mais previsíveis, mas muito boas: Chico Buarque (Deus Lhe Pague), Chico e Milton Nascimento (Cálice), Elis Regina (Deus Lhe Pague, ao vivo), Gilberto Gil (Aquele Abraço), Mutantes (Ando Meio Desligado), Gal Costa (Divino Maravilhoso), Raul Seixas (Sociedade Alternativa).

Roberto Carlos está presente com Nossa Canção, tema dos personagens Renato e Alice. Secos e Molhados aparecem em quatro momentos: Sangue Latino, Flores Astrais, Amor e Fala. Baby Consuelo canta Menino do Rio. Erasmo Carlos, É Preciso Dar um Jeito Meu Amigo.

Quando o repertório avança para os anos 1980, temos Marina (Não Sei Dançar) e Legião Urbana (Índios).

O Bêbado e a Equilibrista (Elis), Coração de Estudante (Milton) e Caminhando (Geraldo Vandré) foram ouvidas na série, mas não entraram no CD.

A logo com letras verdes que a Som Livre usava na década de 1970 foi resgatada. Dá a impressão de que estamos manuseando um disco antigo.

“Os Dias Eram Assim” não precisa dizer que Globo apoiou a ditadura

Em 1992, Anos Rebeldes situou seus personagens entre os momentos que antecederam o golpe de 1964 e as primeiras lutas que se seguiram à volta dos exilados.

Foi marcante. Ajudou a colocar os caras pintadas nas ruas. O Brasil se redemocratizara, e, pela primeira vez, a Globo dedicava uma obra de ficção ao período da ditadura militar. Os que estiveram no poder eram os vilões. Os que lutaram pela redemocratização eram os mocinhos.

No momento em que Anos Rebeldes foi ao ar, o primeiro presidente eleito depois de 64 estava prestes a sofrer um impeachment.

Passados 25 anos, uma nova série da Globo trata do período em que o Brasil esteve sob governos de exceção.

Os Dias Eram Assim é chamada de super série. No fundo, tem as características de uma novela. No texto, na atuação do elenco, na fotografia, edição, uso de músicas que compõem a trilha sonora, etc. Tem as virtudes do padrão que a Globo há muito atingiu na sua teledramaturgia e, naturalmente, tem as limitações que os críticos das telenovelas costumam enxergar.

Os dois primeiros capítulos se passam durante a conquista da Copa do Mundo do México, em 1970, no Brasil do Ame-o ou deixe-o. A trama se estenderá até a primeira metade dos anos 1980, à época da campanha pelo restabelecimento das eleições diretas para presidente.

Os Dias Eram Assim coincide com um momento em que alguns (muitos?, poucos?) defendem a volta dos militares ao poder. Se Anos Rebeldes ajudou a botar os caras pintadas nas ruas, Os Dias Eram Assim reforçará o argumento tão imprescindível de que as ditaduras são sempre indesejáveis.

Entre os artigos que li sobre a super série, ao menos um afirmava, desqualificando a produção, que a Globo não dirá, na trama, que apoiou a ditadura. Ora, isso não é segredo para ninguém. Os méritos das empresas da família Marinho existem a despeito desse apoio – raciocínio que vale para outros grupos brasileiros de comunicação.

A Globo, ao retratar os anos da ditadura do jeito que está fazendo em Os Dias Eram Assim, não precisa fazer nenhum mea culpa. Inaceitável seria se, a essa altura, produzisse uma série para enaltecer os governos militares.

A Globo acertou, mas muita gente não quer reconhecer!

Indefensável o comportamento de José Mayer!

Admirável e corajosa a postura da figurinista!

Importante o protesto das mulheres dentro da Globo!

Correta a decisão da emissora de afastar o ator!

Estranho o silêncio de muita gente em relação à Globo!

Freixo, Crivella, Collor e o som de Lula

Partamos do pressuposto de que, por natureza, o jogo político nem sempre é muito verdadeiro. Consideremos que o que há são limites que não deveriam ser ultrapassados.

Vou dar um exemplo.

No debate histórico entre Collor e Lula, na eleição de 89, Collor ultrapassou esse limite quando disse que não tinha condições de possuir um aparelho de som igual ao de Lula.

Que bobagem, dirão alguns. Não! Não era bobagem! Collor, um homem rico. Lula, um homem pobre. Como este tinha um aparelho de som que aquele não poderia ter?

Até hoje, não sei ao certo o que levou Collor a fazer aquela afirmação, mas, para mim, ela teve uma grande força simbólica. Era como se ele fosse capaz de dizer (ou fazer) qualquer coisa, mesmo que fosse a mais descabida das mentiras. Mesmo o que não pode ser feito. Nem no jogo político.

Lembrei dessa história vendo, na Globo, o debate entre os Marcelos que disputam neste domingo (30) a prefeitura do Rio.

freixo-e-crivella

Freixo, o candidato do PSOL, partiu para o ataque. Crivella, do PRB, jogou na defensiva. Freixo parecia estar atuando dentro do que é permitido. Crivella, não.

As falas de Crivella davam a impressão de que, como Collor, ele faria (faz) qualquer coisa. A despeito do seu discurso religioso e do seu vínculo com uma igreja cristã. O episódio envolvendo a viúva de Amarildo é, no mínimo, nebuloso. E – convenhamos – não foi bem explicado pelo candidato.

Como show de televisão, o debate foi mais atraente do que muitos que tenho visto nos últimos tempos. As provocações, as acusações, o cinismo e a ironia como armas de defesa – tudo isso prende o telespectador. Ideias para a cidade, propostas, programa de governo? – não era o mais importante!

Freixo diz coisas nas quais é preciso acreditar nesses tempos de pouca crença no jogo político. Crivella atua num território que faz lembrar a história de Collor e o som de Lula. A julgar pelas pesquisas, é nas mãos dele que a prefeitura do Rio estará nos próximos quatro anos. A não ser que ocorra um milagre.

Primeiro jornal da TV Cabo Branco foi ao ar há 30 anos

Antes que o mês termine, quero fazer um registro: o primeiro jornal da TV Cabo Branco foi ao ar há 30 anos, em outubro de 1986. Foi apresentado por Geraldo Oliveira (foto) e Bertrand Freire.

Conto um pouco dessa história.

geraldo-oliveira

A TV Cabo Branco, primeira emissora de televisão de João Pessoa, entrou no ar em caráter definitivo, como afiliada da Rede Globo, no primeiro dia de janeiro de 1987. Mas, antes, houve uma fase experimental, que durou pouco menos de três meses, entre outubro e dezembro de 1986.

Nessa fase experimental, a emissora transmitia o sinal da Band. Muitos dos seus profissionais estavam experimentando o veículo pela primeira vez. Eram jornalistas que vinham de outras plataformas e jovens recrutados na Escola Técnica para postos operacionais. Todos haviam passado por um treinamento que durou alguns meses e, de fato, teriam a oportunidade de “treinar” no ar, antes que a TV passasse a operar como afiliada da Globo.

O primeiro telejornal se chamou Câmera 7. O 7 era uma alusão ao horário em que ia ao ar e ao canal da emissora.

Estávamos no Brasil do Plano Cruzado, do governo Sarney, e às vésperas de uma eleição. O deputado federal Tarcísio Burity seria eleito governador pelo PMDB.

As primeiras edições do Câmera 7 falavam das eleições, das ações da Sunab para garantir o êxito do Plano Cruzado, cobriam os eventos esportivos, a agenda cultural da cidade. Dava ao pessoense a oportunidade de se ver todas as noites num telejornal.

Campina Grande, com a TV Borborema, teve uma emissora de televisão em 1963. João Pessoa demorou muito para ter o seu primeiro canal. Vivíamos do que as repetidoras nos ofereciam. Basicamente, do que era produzido no Recife. A chegada da TV Cabo Branco foi, portanto, um marco na vida da cidade.

O Câmera 7 era, por certo, um telejornal cheio de limitações. Mas era o resultado do esforço de uma equipe consciente de que desempenharia o papel histórico de por no ar a primeira emissora de televisão de João Pessoa.

Não posso mencionar todos os envolvidos, mas há alguns nomes que quero registrar:

Dos repórteres Joanildo Mendes, Saulo Moreno, Gisa Veiga, Karla Almeida, Naná Garcez e Ruth Avelino. Outros, que chegaram logo depois, ainda não estavam nesses primeiros dias.

Dos editores de imagens Carlos Alberto e Bernadete de Oliveira, que editaram comigo o Câmera 7.

Do editor geral, Erialdo Pereira, e do chefe de reportagem, Rubens de Abreu. Do gerente operacional, Cacá Martins.

Não havia computadores, muito menos internet. Usávamos máquinas de datilografia e um tele-prompter doméstico. Além de grandes fitas U-matic. As equipes que acompanhavam os repórteres tinham um cinegrafista, um operador de VT e um iluminador.

Muitos dos garotos e garotas da geração Y, que hoje dividem conosco os espaços de uma redação, ainda nem eram nascidos.

Trilha sonora está entre as qualidades de “Velho Chico”

Há quanto tempo não ouvíamos Elomar numa novela da Rede Globo?

Lembro da voz dele em “Gabriela”, aquela dos anos 1970 estrelada por Sônia Braga.

Pois é! E Geraldo Vandré?

Nem lembro dele em nenhuma novela!

Mérito de “Velho Chico”. Colocar no horário nobre da televisão brasileira vozes como as de Elomar, Geraldo Vandré e Xangai.

Mas não somente eles.

Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico César, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Legião Urbana, Maria Bethânia, Raul Seixas. E outros mais. Suas vozes, suas canções, compondo a trilha sonora de uma telenovela.

Muito já se falou das qualidades de “Velho Chico”. Acrescente-se mais esta.

Uma telenovela onde ouvimos a Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo, e o Réquiem Para Matraga, de Geraldo Vandré. Incelença pro Amor Retirante, de Elomar, e Triste Bahia, de Caetano Veloso. Ou, ainda, Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país.

Que luxo! Uma novela na qual, todas as noites, esses versos de Caetano Veloso eram ouvidos logo na abertura.

Para ilustrar o texto, escolho uma das belezas da trilha. Barcarola do São Francisco, um dos três “movimentos” da Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo.

A trilha de “Velho Chico” está registrada em três CDs, um deles dedicado aos temas instrumentais.

Na reta final, “Velho Chico” é marco da telenovela brasileira

“Velho Chico” entra em sua última semana nesta segunda-feira (26).

domingos-montagner-no-mais-voce

A novela chega ao final marcada por um episódio trágico. A morte do ator Domingos Montagner entristeceu milhões de pessoas e fez pensar na finitude de cada um de nós, como bem lembrou Zélia Duncan num artigo muito sensível em O Globo.

Mas hoje, aqui, quero falar um pouco sobre a novela.

“Velho Chico” é um marco da telenovela brasileira. Uma produção inovadora num gênero que tem dificuldades para se reinventar.

O modo com que a cor foi usada, os enquadramentos incomuns na televisão, o tempo da narrativa, o ritmo da montagem, o tom teatral muitas vezes adotado na encenação, a influência do cinema brasileiro dos anos 1960, a escolha da trilha sonora.

Juntos, esses elementos são mais do que suficientes para fazer de “Velho Chico” um grande feito da televisão brasileira.

E, se pensarmos em conteúdo, a novela trouxe para o horário nobre temas que são o inverso do que dizem os muitos críticos da Rede Globo.

Para nós, paraibanos, “Velho Chico” ainda teve a notável presença dos nossos conterrâneos no elenco.

São tantos! Todos sintam-se representados na menção a duas atrizes: Zezita Matos, grande nome do nosso teatro, impecável na construção da personagem Piedade, e Lucy Alves, que já nos conquistara com seu talento musical, agora também como significativa revelação na teledramaturgia.

zezita-matos-e-lucy-alves

E, por falar em elenco, há o Bento de Irandhir Santos, que vimos nos filmes de Kleber Mendonça Filho. E o padre de Carlos Vereza, sempre excepcional. E a Encarnação de Selma Egrei, que está na memória afetiva de quem viu o cinema de Walter Hugo Khouri. E Fagundes, Pitanga, Serrado. Muitos!

E, claro, o Santo de Montagner. A afeição do público pelo personagem pôde ser dimensionada na morte trágica do ator.

“Velho Chico” vai deixar saudades!