Rolling Stones voltam desnudados, mas plugados

Em meados dos anos 1990, os especiais unplugged, da MTV, estavam na moda. O artista, desplugado, tocava para uma pequena plateia. Eric Clapton fez, Paul McCartney, Bob Dylan, Rod Stewart, até o Nirvana. Era um sucesso absoluto.

Em 1995, em meio à turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones resolveram aderir ao modismo. Como são politicamente incorretos, fizeram ao modo deles. Nem unplugged, nem na MTV. Foram intimistas, sim, mas apenas desnudados. Meio elétricos, meio acústicos.

O disco “Stripped” foi lançado no final de 1995, no mesmo momento em que o primeiro volume da antologia dos Beatles chegava às lojas.

Agora, passados 21 anos, o “Stripped” está de volta e se chama “Totally Stripped”. No Brasil, a Som Livre já colocou no mercado a edição standard com um CD e um DVD.

Durante a turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones fizeram alguns shows para pequenas plateias e algumas regravações em estúdio. Esse conteúdo gerou o disco de 1995 e um documentário exibido na televisão.

O “Totally Stripped” revisita todo o material. Mas a edição brasileira contém apenas um DVD com o documentário da época e um CD com 14 faixas.

O “Stripped” de 1995 era mais acústico. O “Totally” de 2016 é menos. O de 1995 era mais lado B. O de 2016 tem diversos lados A. Não faz diferença, se você é fã da banda!

O essencial é: os Rolling Stones estão irresistíveis no formato. Vamos traduzir assim: plugados e desnudados!

 

 

 

 

No quesito música, abertura da Olimpíada calou os que criticaram por antecipação

Nos dias que antecederam a abertura da Olimpíada, li muitas críticas à escalação dos artistas que participariam da cerimônia.

Uma delas chamou minha atenção. Dizia mais ou menos assim: Londres teve Paul McCartney, o Rio vai ter Anitta, Ludmilla e Wesley Safadão.

Escrevi a respeito. Disse que a geração de Paul McCartney estaria muito bem representada por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulinho da Viola. E que o funk era uma manifestação legítima da cidade do Rio de Janeiro.

Passada a festa, volto ao tema.

A cerimônia calou os que criticaram por antecipação. Vou me ater ao quesito música.

A Copa do Mundo tem um país como sede. Os jogos olímpicos têm uma cidade. Nada mais natural, portanto, que o Rio mostrasse sua música ao mundo. E que música!

Do Gilberto Gil de Aquele Abraço ao Marcos Valle de Samba de Verão. Ou ao Chico Buarque de Construção.

Tom, o maestro soberano, foi lembrado pelo neto Daniel Jobim. Garota de Ipanema, voz e piano. Enquanto Gisele Bundchen desfilava evocando a Helô que inspirou Tom & Vinícius.

Mestres do samba em cena. Paulinho da Viola cantando o Hino Nacional. Jorge Ben, que modernizou o gênero, trouxe a extraordinária força rítmica de País Tropical. Zeca Pagodinho veio como uma voz mais contemporânea. E Wilson das Neves chamou as entidades.

Elza Soares, que é de ontem e de hoje, releu o Canto de Ossanha, de Baden & Vinícius. “O homem que diz dou, não dá”. Um afro-samba com a pegada do pop atual do Rio de Janeiro.

No final, a apoteose. Ary Barroso, o mineiro que melhor cantou o Rio, nas vozes tropicalistas de Caetano e Gil. Com Anitta cantando e dançando entre os dois. Por que não?

Sim. Londres teve Paul McCartney. O Rio teve a grande música popular ali produzida. Por mestres cariocas ou não cariocas que adotaram a cidade para viver.

Ao mostrar a nossa força e as nossas belezas, a cerimônia de abertura da Olimpíada acaba falando do Brasil que não deu certo.

A vaia a Temer não é diferente da vaia a Dilma na Copa do Mundo. Os dois, mesmo que em lados opostos, estão vinculados a um modelo que precisa ser superado.

Só assim, teremos, de fato, uma promessa de vida em nossos corações! 

 

 

 

LP “Revolver”, dos Beatles, foi lançado há 50 anos

Nesta sexta-feira (05), faz meio século que os Beatles lançaram o LP “Revolver”.

A ingenuidade dos tempos da Beatlemania ficava definitivamente para trás. O que havia sido esboçado no disco anterior (“Rubber Soul”) se tornava realidade. O quarteto estava na vanguarda do pop/rock internacional com um repertório brilhante, rico, ousado, criativo. Ninguém era tão bom quanto os Beatles. Nem Dylan, nem os Stones, nem o Who.

A edição oficial do “Revolver”, a do Reino Unido, contém 14 faixas, três a mais do que a que foi lançada nos Estados Unidos. A capa é assinada por Klaus Voorman, artista plástico que os Beatles conheceram na Alemanha antes da fama.

Revolver capa

O repertório traz alguns clássicos do grupo. De “Eleanor Rigby” a “For No One”, de “Taxman” a “Here, There and Everywhere”, de “Yellow Submarine” a “Tomorrow Never Knows”.

O rock, as grandes baladas, o experimentalismo, a música indiana, as cordas vindas da música erudita – há um pouco de tudo isso no “Revolver”.

As cordas acompanham Paul McCartney num dos momentos mais sublimes da Era Beatles: “Eleanor Rigby”. Uma guitarra saturada e estranhos ruídos acompanham John Lennon num experimento de um único acorde: “Tomorrow Never Knows”. Os instrumentos da música indiana chegam aos ouvidos ocidentais através de George Harrison em “Love You To”. A voz que se ouve em “Yellow Submarine”, que parece uma canção infantil, é de Ringo Starr.

O disco flagra a extraordinária evolução dos quatro Beatles, mas nada seria possível sem a musicalidade do maestro e produtor George Martin.

O ano era 1966. Os Beatles abandonavam as turnês e, com o “Revolver”, preparavam o terreno para o momento mais importante da carreira deles, o LP “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Apenas dez meses separavam um do outro.

 

Tem MPB e funk na abertura da Olimpíada. Não vejo problema algum!

Leio no Facebook críticas à escolha dos artistas que vão se apresentar na cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio.

Uma delas dizia algo mais ou menos assim: em Londres tinha Paul McCartney, no Rio tem Anitta e Ludmilla.

Procurei a lista dos convidados. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho, Ludmilla, Anitta e Marcelo D2.

Não vejo problema algum!

A geração de Paul McCartney (para ficar no argumento que li no Facebook) está muitíssimo bem representada por Caetano, Gil e Paulinho da Viola. Paulinho cantará o Hino Nacional acompanhado ao violão.

Tem o samba de Zeca Pagodinho e Diogo Nogueira. Duas gerações. Diogo, filho de João Nogueira.

Tem o rapper Marcelo D2. E as duas representantes do funk carioca (Anitta trilhando um caminho mais pop). Por que não?

O motivo das críticas é a presença do funk? Se for, a visão me parece preconceituosa. O funk – gostem ou não dele – é uma expressão legítima da música popular que se produz atualmente no Rio de Janeiro. Não há porque ignorar.

 

Cássia Eller não era só do rock. Nunca é tarde para ouvir sua voz

Depois de “Elis, a Musical”, o público de João Pessoa vai ver “Cássia Eller, o Musical”. O espetáculo fica em cartaz sexta (29), sábado (30) e domingo (31) no Teatro Paulo Pontes, do Espaço Cultural.

Cássia Eller entrou em cena quando o rock brasileiro dos 1980 começava a sair. Marisa Monte lançava seus primeiros discos e oferecia um modelo de ecletismo que os ouvintes da MPB talvez não enxergassem em Cássia Eller porque o negócio desta parecia ser só o rock. Não era. Ela, de fato, tinha uma “pegada” rock’n’ roll predominante em boa parte do que gravou, mas seus discos estão cheios de registros que apontam para várias direções.

De Ataulfo Alves a Itamar Assumpção, de Chico Buarque a Arrigo Barnabé, de Edith Piaf a Otis Redding, de Caetano Veloso a Djavan, de Riachão a Gilberto Gil. Com a vantagem de que, nela, a diversidade soa mais espontânea, muito menos planejada.

Nos anos 1990, Cássia Eller gravou muito rock brasileiro da década anterior. Dedicou um disco inteiro a Cazuza (“Veneno AntiMonotonia”), interpretou Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs. Atualizou o repertório deles, recriou, tirou a “pasteurização” que marcou tão negativamente as gravações da década de 1980.

Através da sua voz, em versões fortes e personalíssimas, o rock dos 1980 ficou em evidência quando a onda já havia passado. Ganhou uma outra sonoridade. “Malandragem” foi um grande hit após a morte do seu autor, no registro desta cantora que interpretava Cazuza e Renato Russo como se os olhasse a distância, com jeito de fã, embora tivesse quase a mesma idade deles.

Gosto muito do que Cássia Eller canta em Inglês. Ela foi felicíssima ao gravar Beatles. Incorporou seu toque, não repetiu, foi criativa – do McCartney de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” ao Lennon de “Julia”, do Paul de “Get Back” ao John de “Come Together”. Ou da balada feminista “Woman Is the Nigger of the World”.

Também gravou Jimi Hendrix (“If Six Was Nine”, “Hear My Train a Coming”, “Little Wing”) e Otis Redding (“Try a Little Tenderness”). Quando foi para o Francês, surpreendeu seu público cantando Edith Piaf. É “Non, Je Ne Regrete Rien” que abre o “Acústico MTV”, o último disco que gravou. Com a formação unplugged, percorreu o país em 2001, na derradeira excursão que realizou.

Com Cássia Eller, “Oriente”, de Gilberto Gil, virou um blues. “Saudade Fez um Samba”, de Carlos Lyra, é bossa mesmo. Não são fonogramas da discografia oficial. Estão em songbooks. São bons porque apontam para outros caminhos fora do rock. Como “Partido Alto”, de Chico Buarque, que está no disco acústico, e “Gatas Extraordinárias”, de Caetano Veloso, que aparece em “Com Você, Meu Mundo Ficaria Completo”, seu último disco de estúdio.

Nunca é tarde para ouvir (e reouvir) Cássia Eller.

Túnel do tempo: Lucy Alves canta Beatles. Veja o vídeo

Gosto muito das coisas que apontam para a universalidade da música (e da arte).

Como Paul McCartney, no estádio do Arruda, no Recife, dizendo: “Salve a terra de Luiz Gonzaga!”

Como a nossa Lucy Alves cantando “Ob-la-di Ob-la-da”, uma música de McCartney, e incorporando à canção a sua sanfona e uma “pegada” bem nordestina.

Encontrei mexendo no Youtube.

A gravação é de 2012. Lucy e suas irmãs (Laryssa e Lizete) gravaram para um desafio proposto pelo Fantástico.

Vejam o vídeo:

Embora assinada pela dupla Lennon & McCartney, “Ob-la-di Ob-la-da” foi composta por Paul McCartney. É um reggae que os Beatles gravaram em 1968 e incluíram no “Álbum Branco”. Naquela época, o ritmo jamaicano ainda não havia conquistado o prestígio internacional que obteve na década de 1970 a partir da consagração de Bob Marley & The Wailers.

Coletânea de Paul McCartney (de tão boa) é irresistível!

O mercado de discos está repleto de coletâneas. A qualidade delas muitas vezes depende de um conceito. “O melhor de…” não é o suficiente para tornar atraente uma compilação.

Vejamos o caso de Paul McCartney. Aniversariante de junho (fez 74 anos), o beatle lançou uma caixa com quatro discos (no Brasil, temos a versão simplificada, com dois CDs).

“Pure McCartney” (Universal Music) teve o próprio Paul como curador. O conceito é dele: uma seleção para ouvir no carro durante uma longa viagem, em casa num final de tarde ou numa festa com os amigos.

O conceito é banal. Poderia ser outro: um extenso painel do cancioneiro solo de Paul McCartney montado por ele.

Mas o fato é que “Pure McCartney” desmente um pouco essa tese de conceito. As canções são tão boas que a coletânea se torna irresistível.

Uma das virtudes é que Sir Paul misturou lado A com lado B. Fora da ordem cronológica, canções menos óbvias se fundem aos grandes sucessos numa sequência de 39 números (na edição brasileira). Eles confirmam McCartney como um dos melhores do seu tempo quando o assunto é o artesanato da canção.

E fazem de “Pure McCartney” um excelente songbook.

Projeto McCartney é atração neste sábado no café da Usina Cultural

Waldir Dinoá

The McCartney Project é o show que Waldir Dinoá faz neste sábado (02) em João Pessoa. O repertório, com 29 músicas, reúne canções da época dos Beatles, do grupo Wings e da carreira solo de Paul McCartney.

O show, com duração de duas horas e meia, será apresentado às 21h no café da Usina Cultural da Energisa, no bairro de Tambiá.

Waldir Dinoá não é só um fã dos Beatles. É um estudioso do trabalho do quarteto e também da carreira solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Ele já apresentou The McCartney Project no Recife e agora está trazendo o show para João Pessoa.

Segundo Dinoá, o conceito do projeto é o mesmo em que se baseiam os shows que Paul McCartney vem realizando há mais de dez anos em suas turnês ao redor do mundo. Não faltarão homenagens a John Lennon e George Harrison, garante Waldir Dinoá.

No show, Dinoá, que toca baixo, guitarra e teclado, é apoiado por quatro músicos: Duda Jorge (guitarra e baixo), André Casimiro (guitarra), Nuno Mello Jr. (teclados) e Edu Montenegro (bateria).

No repertório, ele próprio destaca clássicos compostos por Paul na época dos Beatles (como “Let it Be” e “Get Back”), do grupo Wings (como “Band on the Run” e “Jet”) e na carreira solo (como “Coming Up”).

Aos fãs dos Beatles, Waldir Dinoá avisa: “we’re gonna have a party!”.

Sir Paul maduro e um pouco triste

Na sessão “Meus discos”, vou escrever sobre aqueles discos que me são mais caros. Os que têm um lugar especial na minha discoteca. Começo com um de Paul McCartney, aniversariante do dia.

TUG OF WAR

Paul McCartney

De 1982. Para mim, está na lista dos melhores discos de Paul McCartney. Marca o reencontro dele com o produtor dos Beatles, George Martin, e é o primeiro trabalho depois da morte de John Lennon. Sempre me pareceu muito maduro e um pouco triste. Tem os duetos com Stevie Wonder e Carl Perkins, tem a balada “Wanderlust” (que soa como se fosse Beatles) e a declaração de amor a John em “Here Today”. Rock, balada, country, soul, um pouco de funk – McCartney lida com uma diversidade de gêneros com igual competência. Composições, vozes, arranjos, execuções, é tudo primoroso no disco. Ainda mais sob a batuta do maestro George Martin.

Tug