Uma première na terra dos Beatles: Eight Days a Week, the touring years

Abro espaço na coluna para um texto exclusivo do professor doutor Lauro Meller, acadêmico da área de letras, nascido em João Pessoa, professor da UFRN. Atualmente, Lauro mora em Liverpool e, nesta quinta-feira (15), assistiu, como convidado, à estreia mundial do novo filme sobre os Beatles.

Eight days cartaz

Uma première na terra dos Beatles: Eight Days a Week, the touring years

Lauro Meller, de Liverpool

Na última quinta-feira, estendeu-se um tapete azul em frente ao FACT Picturehouse, em Liverpool, para a première mundial do filme Eight Days a Week: the touring years, dirigido por Ron Howard. Enquanto o acesso não era liberado, uma pequena multidão de sexagenários, septuagenários e até octogenários, todos muito bem vestidos, começou a se aglomerar em frente ao cinema. O público local, que passava pela Bold Street e observava com curiosidade a presença de câmeras de televisão e da estrutura de isolamento com o nome do filme, não imaginava que, dentre aqueles recatados senhores e senhoras que aguardavam o início do filme, estavam Colin Hanton, Len Garry e Rod Davies, três dos membros originais dos Quarrymen, a primeira banda de John, imortalizados numa foto hoje histórica; Julia Baird, irmã de John Lennon; Joe Flannery, ex-sócio de Brian Esptein e booking agent dos Beatles em seus primórdios; e Allan Williams, primeiro empresário da banda e dono do Jacaranda, um bar a duas quadras dali, na Slater Street, onde os rapazes se apresentaram no início da carreira

Dirigido por Ron Howard, o filme traz o enfoque específico dos Beatles em turnê, desde o indispensável aprendizado nos cabarés de Hamburgo até a roda-viva que os levou a desistir dos palcos, quando a histeria das fãs os transformou numa caricatura de si próprios. Diante de tudo que já se disse, filmou e escreveu sobre os Beatles, é muito raro surgir uma perspectiva nova sobre o tema, e Eight Days a Week nos deixa a impressão de ser “mais do mesmo”, principalmente para quem assistiu aos episódios da série Anthology, lançada em 1995.

Nesse “novo” filme, não há surpresas nem revelações, e repetem-se os relatos das noites estafantes na Alemanha, do papel crucial de Brian Epstein como o empresário que soube criar uma imagem vendável de seus rapazes, da precária estrutura de apoio para “cair na estrada”, da piada que era tocar para 50 mil pessoas utilizando amplificadores de 100 watts, hoje utilizados por qualquer banda de garagem. Repetem-se, também, as mesmas histórias sobre os protestos que os Beatles enfrentaram ao tocarem no Budokan, em Tóquio, um templo de artes marciais, e sobre eles terem, supostamente, ignorado o convite de Imelda Marcos para uma recepção oficial, o que quase lhes custou a vida. A polêmica declaração de John sobre os Beatles serem mais populares que Jesus Cristo é relembrada, bem como a repercussão negativa que isso gerou em solo norte-americano, principalmente nos Estados do Sul. Mas, apesar de as histórias serem as mesmas, há muitas imagens inéditas, o que é impressionante ao lembrarmos que os Beatles pararam de excursionar há exatos 50 anos, no show do Candlestick Park, em São Francisco.

Para a estreia em Liverpool, que começou meia hora antes da de Londres, foi apresentado um vídeo introdutório ao filme – e que poderia perfeitamente fazer parte do corpo principal da obra -, com entrevistas dos ainda residentes na cidade ligados aos Fab Four e à sua história. Sem dúvida, boa parte da “mágica” dessa noite foi saber que as pessoas falando na telona estavam ali, sentadas praticamente ao seu lado.

Ringo Starr e Paul McCartney gravaram um curto recado ao público de Liverpool, exibido durante a sessão; preferiram comparecer à estreia em Londres, talvez por praticidade, talvez pelo glamour da capital. Esse gesto foi recebido com uma ponta de ressentimento por alguns dos presentes, e compreensivelmente. Apesar de serem hoje megaestrelas, e de terem conquistado todo sucesso por seus próprios méritos, Liverpool foi o marco zero da jornada que colocou os Beatles para sempre no mapa da cultura ocidental.

Lauro Meller

Lauro Meller, o autor do texto, também é músico e estuda a obra dos Beatles sob a perspectiva acadêmica. Professor da UFRN com doutorado em Letras pela PUC-Minas, bolsista CAPES em estágio pós-doutoral no Institute of Popular Music – University of Liverpool.

Paul e Ringo vão juntos à estreia de documentário sobre os Beatles

Paul McCartney e Ringo Starr foram à estreia, nesta quinta-feira (15) em Londres, do documentário Eight Days a Week: The Touring Years.

A viúva de John Lennon, Yoko Ono, e a viúva de George Harrison, Olivia, também estavam na sessão, além do guitarrista Eric Clapton.

O filme trata dos anos da Beatlemania e tem direção de Ron Howard, o cineasta de Apollo 13.

Estive com a brasileira que gravou com os Beatles e não conversei com ela

Estive com a única brasileira que gravou com os Beatles, cara a cara, e não pude conversar com ela. É Lizzie Bravo. Vocês conhecem a história dela?

Lizzie

Lizzie foi para Londres no início de 1967, com pouco mais de 15 anos. Com uma amiga que já estava lá, passou a dar plantão em frente ao estúdio dos Beatles. A histeria da Beatlemania havia passado, e não havia mais garotas se rasgando por eles nas ruas.

Lizzie passou a ver os Beatles chegando e saindo do estúdio. Cumprimentava, tirava fotos, conversava.

Um ano mais tarde, no começo de 1968, foi abordada por Paul McCartney. “Você é capaz de dar uma nota aguda?”, perguntou Paul. Ou algo assim.

Lizzie e outra garota terminaram no estúdio fazendo vocais na gravação de “Across the Universe”, canção de John Lennon que os Beatles estavam gravando para um projeto do Unicef.

É tudo verdade.

Se formos à “Ultimate Beatles Encyclopedia”, organizada por Bill Harry, a história está lá. “Bravo, Lizzie” é um dos verbetes. A gravação foi no dia quatro de fevereiro de 1968.

Se consultarmos “The Complete Beatles Chronicle”, de Mark Lewison, também temos o registro da participação de Lizzie Bravo em “Across the Universe”.

Voltando ao começo. Estive com Lizzie Bravo, frente a frente, e não pude conversar com ela.

Foi em 1979. Egberto Gismonti fazia show no Projeto Pixinguinha, em João Pessoa. No último dia da temporada, levei minha avó Stella, então com 80 anos, para conhecer Egberto. Ela ficara encantada com a música dele.

Na porta do camarim, fomos recebidos por Lizzie, que era da trupe de Gismonti. Reconheci na hora. Olhei pra ela e disse: “Você é Lizzie, a garota que gravou com os Beatles!”. Ela confirmou e perguntou como eu sabia. Eu respondi: “Ora, sou louco pelos Beatles!”.

Mas não deu para continuar a conversa. A prioridade era levar minha avó para ver Egberto Gismonti.

Valeu a pena. Naquele encontro, nasceu uma belíssima amizade. Mas isso já é uma outra história.

John Lennon/Plastic Ono Band é o melhor disco solo de um ex-beatle

No Facebook, alguns amigos me convocam para escolher um disco que me marcou. Trago o desafio do Face aqui para a coluna.

Eis a capa:

John Lennon Plastic Ono Band, de John Lennon

Um pequeno texto sobre o disco:

Em 1970, “John Lennon/Plastic Ono Band” surge como um dos grandes discos do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos mínimos, o grito primal transportado do divã de Arthur Janov para o estúdio, os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração.

Após a dissolução dos Beatles, ninguém (nem o George Harrison de “All Things Must Pass”, nem o Paul McCartney de “Band on the Run”, muito menos Ringo Starr) fez nada parecido.

E ainda havia “God”, em cuja letra negava tudo e todos. A religião, os mitos, os heróis, os ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém é poupado.

Na parte final da canção, John pronuncia a frase que se tornaria emblemática para uma geração: o sonho acabou.

As ideias generosas que marcaram a década de 1960 não seriam postas em prática num mundo pragmático e desigual.

E o vídeo com a canção “God”:

A lua como inspiração, dos clássicos aos populares

A lua é cheia nesta quinta-feira (18). Uma leitora sugere uma lista de músicas que tenham a lua como inspiração. Essas escolhas são sempre incompletas e insatisfatórias. Mas faço uma, que amanhã já pode ser outra.

Começando pelos eruditos, há a Sonata ao Luar, de Beethoven, e Clair de Lune, de Debussy. A lua a inspirar um gênio absoluto, que passou pelo clássico e pelo romântico, e um impressionista.

No grande cancioneiro popular americano do século XX, é imediata a lembrança de Blue Moon e Fly Me To The Moon. A primeira, com Ella Fitzgerald. A segunda, com Frank Sinatra. Embora tenha recebido letra, é como tema instrumental que Moonlight Serenade foi imortalizada pela orquestra de Glenn Miller.

Nos Beatles, George Harrison fez Here Comes The Sun. Sozinho, compôs Here Comes The Moon. Paul McCartney fez C Moon. Os Rolling Stones, Moonlight Mile.

E na música popular do Brasil? A lista é extensa.

Desde o Catulo da Paixão Cearense de Luar do Sertão. Ou a Chiquinha Gonzaga de Lua Branca. Ou o Sílvio Caldas de Noite Cheia de Estrelas. “Lua, manda a tua luz prateada despertar a minha amada”.

O original é italiano, mas foi na voz de Celly Campello que Banho de Lua incorporou-se ao nosso cancioneiro, nos primórdios do rock nacional. E o “eu vou perguntar, se na lua há um broto legal pra me namorar”? É o jovem Roberto Carlos.

Caetano Veloso é logo lembrado por Lua de São Jorge. Mas ele também fez Lua, Lua, Lua, Lua. E Shy Moon. E Canto do Povo de um Lugar. “Quando a noite, a lua mansa, e a gente dança venerando a noite”.

E o Gilberto Gil de Lunik 9? A conquista espacial a ameaçar os poetas, os seresteiros, os sonhos dos namorados. “É chegada a hora de escrever e cantar, talvez as derradeiras noites de luar”. Muito mais tarde, Gil diria que “a gente precisa ver o luar”.

Tem o nosso Cassiano, soul man, com A Lua e Eu. Tem o Milton Nascimento de A Lua Girou. O Chico Buarque de Mar e Lua. “Uma andava tonta, grávida de lua, e outra andava nua, ávida de mar”, verso de beleza infinita.

A lista já passa de 20 títulos. Está bom. Pelo menos para a lua cheia de hoje!

 

 

 

Com Usain Bolt no Brasil, dá vontade de ouvir reggae!

O velocista jamaicano Usain Bolt me motiva a reouvir o reggae. Claro que a partir de Bob Marley!

Não é de Marley, contudo, a primeira lembrança da Jamaica e da sua música. E sim das imagens e dos sons de “Dr. No”, o filme que, em 1962, inaugurou a série do agente 007. Ainda não é reggae o que ouvimos na aventura de James Bond, são algumas das suas fontes.

Reggae mesmo, ouvi quando o single “Vietnam”, de Jimmy Cliff, se incorporou à minha discoteca, por volta de 1970. E já ouvira, sem saber do que se tratava, em 1968, ano em que os Beatles gravaram “Ob-la-di Ob-la-da”. Uma versão branca do ritmo que Marley mostrou ao mundo.

A gravação dos Beatles não tem a “pegada” dos originais jamaicanos. Falta molho. Aponta, porém, para a força do fenômeno. E inaugura o que se consolidaria na década de 1970: a inequívoca adesão dos brancos à invenção que veio da Jamaica.

Paul Simon, Paul McCartney, Rolling Stones, Eric Clapton, Elton John, Led Zeppelin, Bob Dylan. Todos gravaram o reggae.

Numa entrevista que me deu há uns 25 anos, Cliff fez duras críticas à versão branca do reggae, mas não custa reconhecer que os grandes nomes do pop/rock internacional ajudaram a popularizar ainda mais a música criada pelos negros jamaicanos.

O melhor do reggae está em Marley, nos discos que gravou durante a década de 1970. Eles sintetizam a força do ritmo que os jamaicanos ofertaram ao mundo da música popular, exercendo uma influência notável sobre muito do que foi produzido depois por negros e brancos.

Cliff pode até ter razão na crítica ao que os astros brancos do pop/rock fizeram com o reggae. Pode estar certo ao afirmar que ninguém faz tão bem quanto os negros, que criaram e têm o domínio total da fórmula. Mas é necessário admitir que a adesão de artistas como Clapton e Dylan, Beatles e Stones, deu uma projeção internacional ao ritmo jamaicano que não pode ser desconsiderada.

O primeiro artista brasileiro a colocar a palavra reggae na letra de uma canção foi Caetano Veloso. Em “Nine Out of Ten”, composta e gravada no exílio londrino. Está no LP “Transa”, de 1972. A descoberta, no entanto, não foi dele, e sim de Gilberto Gil em suas andanças pela Londres da virada dos anos 1960 para os 1970.

Mais tarde, Gil verteria para o Português “No Woman No Cry”, do repertório de Bob Marley, que, em 1979, nos extertores da ditadura brasileira, transformou-se num dos hinos da anistia. Foi ele que apresentou o reggae a Dominguinhos, durante a turnê “Refazenda”, e ouviu do sanfoneiro uma definição tão simples quanto verdadeira: “É um xotezinho safado”.

O comentário de Dominguinhos remete a uma semelhança fácil de ser constatada. E antecipa o que ocorreria muito tempo depois. No início dos anos 2000, Gil gravou dois tributos: um a Luiz Gonzaga, o outro a Bob Marley. Um deu sequência ao outro. Mais do que isto: em algumas versões das músicas de Marley, Gil inseriu elementos da música nordestina. No ritmo, na melodia, até no uso da sanfona.

Mesmo que muitos cantem e toquem reggae no Brasil, é de Gilberto Gil o mérito de tê-lo difundido entre nós. Sua versão de “No Woman No Cry” acabou por incorporar-se ao seu repertório como se a canção tivesse sido escrita por ele.

Rolling Stones voltam desnudados, mas plugados

Em meados dos anos 1990, os especiais unplugged, da MTV, estavam na moda. O artista, desplugado, tocava para uma pequena plateia. Eric Clapton fez, Paul McCartney, Bob Dylan, Rod Stewart, até o Nirvana. Era um sucesso absoluto.

Em 1995, em meio à turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones resolveram aderir ao modismo. Como são politicamente incorretos, fizeram ao modo deles. Nem unplugged, nem na MTV. Foram intimistas, sim, mas apenas desnudados. Meio elétricos, meio acústicos.

O disco “Stripped” foi lançado no final de 1995, no mesmo momento em que o primeiro volume da antologia dos Beatles chegava às lojas.

Agora, passados 21 anos, o “Stripped” está de volta e se chama “Totally Stripped”. No Brasil, a Som Livre já colocou no mercado a edição standard com um CD e um DVD.

Durante a turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones fizeram alguns shows para pequenas plateias e algumas regravações em estúdio. Esse conteúdo gerou o disco de 1995 e um documentário exibido na televisão.

O “Totally Stripped” revisita todo o material. Mas a edição brasileira contém apenas um DVD com o documentário da época e um CD com 14 faixas.

O “Stripped” de 1995 era mais acústico. O “Totally” de 2016 é menos. O de 1995 era mais lado B. O de 2016 tem diversos lados A. Não faz diferença, se você é fã da banda!

O essencial é: os Rolling Stones estão irresistíveis no formato. Vamos traduzir assim: plugados e desnudados!

 

 

 

 

No quesito música, abertura da Olimpíada calou os que criticaram por antecipação

Nos dias que antecederam a abertura da Olimpíada, li muitas críticas à escalação dos artistas que participariam da cerimônia.

Uma delas chamou minha atenção. Dizia mais ou menos assim: Londres teve Paul McCartney, o Rio vai ter Anitta, Ludmilla e Wesley Safadão.

Escrevi a respeito. Disse que a geração de Paul McCartney estaria muito bem representada por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulinho da Viola. E que o funk era uma manifestação legítima da cidade do Rio de Janeiro.

Passada a festa, volto ao tema.

A cerimônia calou os que criticaram por antecipação. Vou me ater ao quesito música.

A Copa do Mundo tem um país como sede. Os jogos olímpicos têm uma cidade. Nada mais natural, portanto, que o Rio mostrasse sua música ao mundo. E que música!

Do Gilberto Gil de Aquele Abraço ao Marcos Valle de Samba de Verão. Ou ao Chico Buarque de Construção.

Tom, o maestro soberano, foi lembrado pelo neto Daniel Jobim. Garota de Ipanema, voz e piano. Enquanto Gisele Bundchen desfilava evocando a Helô que inspirou Tom & Vinícius.

Mestres do samba em cena. Paulinho da Viola cantando o Hino Nacional. Jorge Ben, que modernizou o gênero, trouxe a extraordinária força rítmica de País Tropical. Zeca Pagodinho veio como uma voz mais contemporânea. E Wilson das Neves chamou as entidades.

Elza Soares, que é de ontem e de hoje, releu o Canto de Ossanha, de Baden & Vinícius. “O homem que diz dou, não dá”. Um afro-samba com a pegada do pop atual do Rio de Janeiro.

No final, a apoteose. Ary Barroso, o mineiro que melhor cantou o Rio, nas vozes tropicalistas de Caetano e Gil. Com Anitta cantando e dançando entre os dois. Por que não?

Sim. Londres teve Paul McCartney. O Rio teve a grande música popular ali produzida. Por mestres cariocas ou não cariocas que adotaram a cidade para viver.

Ao mostrar a nossa força e as nossas belezas, a cerimônia de abertura da Olimpíada acaba falando do Brasil que não deu certo.

A vaia a Temer não é diferente da vaia a Dilma na Copa do Mundo. Os dois, mesmo que em lados opostos, estão vinculados a um modelo que precisa ser superado.

Só assim, teremos, de fato, uma promessa de vida em nossos corações! 

 

 

 

LP “Revolver”, dos Beatles, foi lançado há 50 anos

Nesta sexta-feira (05), faz meio século que os Beatles lançaram o LP “Revolver”.

A ingenuidade dos tempos da Beatlemania ficava definitivamente para trás. O que havia sido esboçado no disco anterior (“Rubber Soul”) se tornava realidade. O quarteto estava na vanguarda do pop/rock internacional com um repertório brilhante, rico, ousado, criativo. Ninguém era tão bom quanto os Beatles. Nem Dylan, nem os Stones, nem o Who.

A edição oficial do “Revolver”, a do Reino Unido, contém 14 faixas, três a mais do que a que foi lançada nos Estados Unidos. A capa é assinada por Klaus Voorman, artista plástico que os Beatles conheceram na Alemanha antes da fama.

Revolver capa

O repertório traz alguns clássicos do grupo. De “Eleanor Rigby” a “For No One”, de “Taxman” a “Here, There and Everywhere”, de “Yellow Submarine” a “Tomorrow Never Knows”.

O rock, as grandes baladas, o experimentalismo, a música indiana, as cordas vindas da música erudita – há um pouco de tudo isso no “Revolver”.

As cordas acompanham Paul McCartney num dos momentos mais sublimes da Era Beatles: “Eleanor Rigby”. Uma guitarra saturada e estranhos ruídos acompanham John Lennon num experimento de um único acorde: “Tomorrow Never Knows”. Os instrumentos da música indiana chegam aos ouvidos ocidentais através de George Harrison em “Love You To”. A voz que se ouve em “Yellow Submarine”, que parece uma canção infantil, é de Ringo Starr.

O disco flagra a extraordinária evolução dos quatro Beatles, mas nada seria possível sem a musicalidade do maestro e produtor George Martin.

O ano era 1966. Os Beatles abandonavam as turnês e, com o “Revolver”, preparavam o terreno para o momento mais importante da carreira deles, o LP “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Apenas dez meses separavam um do outro.

 

Tem MPB e funk na abertura da Olimpíada. Não vejo problema algum!

Leio no Facebook críticas à escolha dos artistas que vão se apresentar na cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio.

Uma delas dizia algo mais ou menos assim: em Londres tinha Paul McCartney, no Rio tem Anitta e Ludmilla.

Procurei a lista dos convidados. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho, Ludmilla, Anitta e Marcelo D2.

Não vejo problema algum!

A geração de Paul McCartney (para ficar no argumento que li no Facebook) está muitíssimo bem representada por Caetano, Gil e Paulinho da Viola. Paulinho cantará o Hino Nacional acompanhado ao violão.

Tem o samba de Zeca Pagodinho e Diogo Nogueira. Duas gerações. Diogo, filho de João Nogueira.

Tem o rapper Marcelo D2. E as duas representantes do funk carioca (Anitta trilhando um caminho mais pop). Por que não?

O motivo das críticas é a presença do funk? Se for, a visão me parece preconceituosa. O funk – gostem ou não dele – é uma expressão legítima da música popular que se produz atualmente no Rio de Janeiro. Não há porque ignorar.