Piratas do Caribe é “prova” de que Paul morreu? Segue a lenda!

No post anterior, contei a história da “morte” de Paul McCartney. Foi criada por um DJ americano e já tem quase 50 anos.

As “provas” da morte do músico estariam nas capas dos discos e nas canções dos Beatles.

Milhares e milhares de pessoas já trataram do assunto desde que este se tornou público em 1969.

E eis que, agora, surge mais uma “prova”!

Estaria no cartaz do novo Piratas do Caribe, que tem Paul McCartney no elenco.

Vejam o cartaz do filme e prestem atenção nas palavras e letras circuladas em vermelho.

Elas formam que frase?

Ora, PAUL IS DEAD!

Paul McCartney morreu! Você acredita nessa história?

O Sgt. Pepper, o disco mais importante dos Beatles, está prestes a fazer 50 anos. Aproveito para contar uma pequena história. Lembranças do tempo em que Paul McCartney “morreu”.

17 de dezembro de 1969. A principal notícia daquela quarta-feira foi a morte de Arthur da Costa da Silva, afastado da presidência da República desde que sofrera um AVC. Eu tinha apenas dez anos, e, na minha memória, a data está associada também a uma morte que não ocorreu. Foi criada por um DJ americano.

Ouvi a notícia dias antes no programa de rádio “Diário Íntimo da Cidade”. O jornalista Carlos Aranha contou todos os detalhes. O DJ Russ Gibb assegurava que o beatle Paul McCartney morrera num acidente de carro em 1966 e que um sósia assumira o lugar dele. As “provas”, segundo o DJ, estavam nas capas dos discos e nas canções dos Beatles. E eram fartas. A canção “A Day in the Life”, ouvida do final para o começo, reproduzia os sons do acidente, enquanto a depois célebre capa do LP “Abbey Road” encenava o cortejo fúnebre.

No programa radiofônico, Carlos Aranha tocou “A Day in the Life” do final para o começo. Como o fez manualmente, a rotação ficou instável. Meu pai fez tecnicamente melhor e levou a gravação para a emissora. Fui junto. Passei a noite na discoteca da rádio, maravilhado com o acervo, enquanto Aranha e meu pai falavam de política. No estúdio, ouvi o programa ao vivo. De um lado, a notícia da morte de Costa e Silva. Do outro, os sons da canção dos Beatles.

“Eu enterrei Paul” – diz John Lennon no meio dos ruídos de “Strawberry Fields Forever”. Só que o que parece “I buried Paul” é, na realidade, “cranberry sauce”. As “pistas” são muitas. Da decisão pelo fim das turnês à capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Da letra de “A Day in the Life” (“He didn’t notice that the light had changed”) à capa de “Abbey Road”. Sim, a capa de “Abbey Road”.

Os Beatles cruzando a faixa de pedestres em frente ao estúdio londrino da EMI.

Na foto, John Lennon, vestido de branco, é o pastor. Ringo Starr, de preto, o agente funerário. A posição da mão direita sugere que ele está segurando o caixão. Paul McCartney tem os pés descalços e o passo trocado em relação aos outros. É o morto. E George Harrison, de jeans, o coveiro. Como a de Ringo, sua mão direita também segura o caixão. A placa do Fusca estacionado na calçada é IF 28. “If” é “se”, e 28, a idade que Paul teria se estivesse vivo. Mas, aí, o DJ errou: McCartney tinha 27 anos quando o disco foi lançado, no segundo semestre de 1969.

O próprio Paul, em 1993, brincou com a lenda.

A capa de um CD gravado ao vivo traz uma foto dele atravessando a faixa de pedestres de Abbey Road. E o título garante: “Paul Is Live”. Ninguém, com um mínimo de bom senso, pode acreditar nesta história da “morte” de McCartney”, mas ela continua associada ao fenômeno Beatles. E, na nossa memória, está tão viva quanto Paul, que em junho vai fazer 75 anos.

Ver Paul ao vivo é experiência mágica! Não tem preço!

Paul McCartney está de volta ao Brasil. Faz quatro shows em outubro. No texto de hoje, falo um pouco da experiência de vê-lo ao vivo.

Vi Paul McCartney ao vivo pela primeira vez em abril de 1990, em duas noites no Maracanã. Também era a primeira vez dele no Brasil. Estava às vésperas de completar 48 anos e corria o mundo numa excursão em que resgatava muitas canções dos Beatles, como ainda não havia feito depois da dissolução do quarteto. O tempo passava, e o músico começava a sentir saudade da juventude. O longo vídeo que abria o show tinha a assinatura de Richard Lester, o cineasta que levara os Beatles ao cinema em A Hard Day’s Night e Help!. E seria dele o documentário (Get Back) com o registro da turnê. O set list ia do rock (novíssimo) Figure of Eight ao medley final do Abbey Road.

Voltei a ver Macca ao vivo em dezembro de 1993, no Pacaembu, em São Paulo. O lugar era menor e dava ao público a sensação de estar num show um pouco mais intimista. O longo set acústico reforçava a ideia. Era resultado do unplugged que o artista gravara para a MTV. Ele e a banda se juntavam num pequeno espaço, no meio do palco, e faziam vários números com violões e um pouco de percussão. Músicas novas, canções dos Beatles, clássicos da primeira geração do rock, soul music – Paul oferecia ao público um espetáculo que parecia ainda mais eficiente do que o da excursão anterior. E difundia, no vídeo de abertura, sua luta em defesa dos animais e do meio ambiente.

A doença e a morte de Linda McCartney tiraram o marido da estrada. O retorno coincidiu com a virada do século. Primeiro, com uma banda de garagem num pocket show no Cavern Club, em Liverpool. Puro rock’n’ roll. Um homem no limiar da velhice experimentava uma volta aos territórios da adolescência. Depois, em longas turnês semelhantes àquelas que haviam passado pelo Brasil em 1990 e 1993. Só que melhores. Tudo se aprimorara: o som, a luz, os músicos. E a ação do tempo ajudava. Paul já tinha idade suficiente para ver as coisas de longe. Como seu público. O resultado era muito mais tocante. Os fãs que o seguiam há décadas incorporavam filhos e netos à plateia.

No mercado, há vários registros disponíveis das turnês de Paul McCartney na primeira década do século XXI. Não só nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Também na Rússia, onde, com a derrocada do comunismo, ele pôde, afinal, cantar. E, com o presidente Putin no meio do público, fazer a Praça Vermelha tremer ao som de Back in the U.S.S.R., o rock outrora banido. Seus shows se consolidaram como extraordinárias celebrações de música, alegria e (para os mais velhos) saudade. Performances impecáveis nas quais Sir Paul não frustra ninguém. Passa três horas em cima do palco apresentando um repertório sem similar no universo da música pop. Com a vitalidade de um jovem roqueiro.

Em 2010, vi McCartney mais uma vez ao vivo em duas noites no Morumbi. Dois anos depois, no Recife. Vi pensando naquele vento abstrato e belo que os Beatles representaram na década de 1960. Testemunhar essas coisas após os 50 é certamente melhor, mas um pouco melancólico. Porque remete ao tempo que passou. Uma balada ingênua como All My Loving agora evoca uma época. Um hino pacifista como Give Peace a Chance traz a lembrança de John Lennon e dos sonhos de uma geração.

“Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” fazem 50 anos!

O single (no Brasil, compacto simples) dos Beatles com Strawberry Fields Forever e Penny Lane está fazendo 50 anos.

Nos Estados Unidos, foi lançado no dia 13 de fevereiro de 1967. No Reino Unido, no dia 17.

As duas canções (uma de John Lennon, outra de Paul McCartney) eram o prenúncio de algo extraordinário que estava em gestação: o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em junho daquele ano.

Strawberry Fields Forever e Penny Lane são reminiscências da infância em Liverpool. Os Beatles fazem a música nova do presente falando do passado.

Strawberry Fields Forever, embora assinada por Lennon/McCartney, foi composta por John Lennon a partir das lembranças que ele tinha de um orfanato do Exército da Salvação.

O registro inicial não indicava que a canção pudesse se transformar num dos pontos altos da discografia do grupo e num marco indiscutível do rock psicodélico. Os diversos registros (há até um bootleg com eles) confirmam que a canção cresceu no estúdio, enquanto era gravada. E, aí, temos que somar a melodia enigmática de John ao arranjo deslumbrante de George Martin.

Seguem áudio e vídeo, para reouvir e rever.

Penny Lane, igualmente atribuída à dupla Lennon/McCartney, foi composta por Paul McCartney.

A letra fala de uma rua de Liverpool. É uma balada com as marcas do inspirado melodista que Paul sempre foi, desde muito jovem. O solo de trompete de David Mason remete ao barroco e às influências da música erudita que os Beatles, via George Martin, incorporaram ao trabalho deles.

Vamos rever o vídeo oficial.

Strawberry Fields Forever e Penny Lane se completam em suas diferenças. São tão belas que formam um compacto sem lado B. Na época, a canção de Lennon provocou uma certa estranheza em alguns ouvintes, o que não ocorreu com a de McCartney. A passagem do tempo as fez igualmente poderosas.

Foram gravadas para o Sgt. Pepper, mas acabaram ficando de fora.

Flagram os Beatles num impasse. Depois do LP Revolver, após o fim das turnês, o que restaria a eles?

A resposta veio nesse single agora cinquentenário.

Com todos os significados que encerram, Strawberry Fields Forever e Penny Lane continuam fascinantes!

George Harrison, o mais discreto dos Beatles, morreu há 15 anos

Nesta terça-feira (29), faz 15 anos que morreu o beatle George Harrison.

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Numa banda em que o comando era disputado por John Lennon e Paul McCartney, para George Harrison, o mais discreto e também o mais místico dos quatro Beatles, só havia lugar de coadjuvante. Mesmo que ele fosse o guitarrista solo, como se chamava na época. No começo, quando os Beatles gravavam covers de outros artistas, Harrison fazia o vocal principal de algumas canções. Como “Chains” e “Roll Over Beethoven”. Depois, os discos do quarteto traziam uma música de sua autoria, ou duas. Três no “Revolver”. Quatro no “Álbum Branco” porque era duplo. John e Paul, trabalhando juntos ou separados, escreviam a maior parte das canções, e o maestro e produtor George Martin dava preferência a elas.

Há quem defenda o argumento de que, nos Beatles, George Harrison desempenhou papel semelhante ao de Brian Jones nos Rolling Stones. Com a diferença de que Brian foi aniquilado porque tentou ser o líder. George ficou meio à margem, mas, a despeito disto, o quarteto não pôde prescindir da sua contribuição. Foi ele que apresentou a música indiana aos companheiros de banda e ajudou a difundi-la no Ocidente. Não ouviríamos Ravi Shankar se não fosse George Harrison. Deve-se a ele a presença de um instrumento como o sitar em incontáveis manifestações musicais do mundo ocidental, não só no universo do rock. O mesmo sitar que aparece em algumas gravações dos Beatles.

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George era melhor instrumentista do que John. Sua guitarra é muito marcante na produção do quarteto. No início, fortemente influenciada pelo rock da década de 1950, pelos solos criados por Chuck Berry e Carl Perkins. Depois, com cores próprias. O músico inventou o seu jeito de tocar o instrumento. Um modo choroso de se expressar. “Enquanto minha guitarra chora gentilmente”, diz o título da canção que gravou em 1968, no “Álbum Branco”, com solo não dele, mas do amigo Eric Clapton. Não tinha virtuosismo, mas era um perfeccionista. Um músico aplicado que criou belos solos para as canções dos Beatles.

Se fôssemos escolher uma música, diríamos que o melhor do autor está em “Something”. Foi composta sob inspiração de Ray Charles. A gravação dos Beatles beira a perfeição. O vocal de George, as vozes de John e Paul, o solo de guitarra, as notas graves do piano, o caminho percorrido pelo baixo, as cordas arranjadas e conduzidas por George Martin. Há muitos registros de “Something”. De Joe Cocker, cover branco de Charles. De Elvis Presley, de Frank Sinatra, que, uma vez, atribuíu a autoria a Lennon e McCartney. Nenhum supera o dos Beatles. Foi a única composição de Harrison a ocupar o lado A de um single do grupo.

Longe dos Beatles, George gravou o antológico álbum “All Things Must Pass”, seu maior feito. Reuniu os amigos no concerto para Bangladesh, precursor dos grandes eventos voltados para o combate à fome no mundo. Produziu pouco e se manteve distante do show business. Deixou saudades, além de belas e melancólicas canções.

“Michelle” vira “Michel Pastel”. Os Beatles não merecem!

Está nas redes sociais. No Brasil de hoje, “Michelle”, a linda canção afrancesada dos Beatles, virou “Michel Pastel”.

OK! Não vou tirar as razões de quem fez a letra, mas, convenhamos, o resultado é infame! Os Beatles não merecem!

Para não restar dúvida: também acho detestável quando gente de direita faz esse tipo de coisa com as canções de Chico Buarque!

Fiquem, agora, com Paul McCartney, o autor da música, cantando “Michelle” na Casa Branca. Para Michelle Obama, claro! Que se diverte ao lado do presidente Barack Obama!

Influência dos Beatles é marcante na música de Washington Espínola

Estou ouvindo The King’s Dream, o novo CD de Washington Espínola, músico paraibano radicado na Suíça desde a segunda metade dos anos 1990.

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Antes de falar do disco, um pouco de memória.

Conheci Washington e sua guitarra no comecinho dos anos 1980. No tempo em que ele, sem saber, deu uma contribuição ao rock brasileiro daquela década.

Conto essa história:

Herbert Vianna não sabia o que fazer no futuro. Seria músico?

De férias em João Pessoa, encontrou um rapaz tocando Beatles em Manaíra. Puxou conversa. Era Washington. Ficaram amigos. Mais do que isso: aquele encontro, segundo o que Herbert mesmo conta, foi decisivo na sua vida. Ajudou a definir o seu vínculo com a música.

Em resumo: sem ele, talvez não tivéssemos Paralamas do Sucesso.

A formação musical de Washington vem do dedicado ouvinte de rock que ele sempre foi.

Na década de 1980, formou um power trio, o Washington Espínola Trio. Ao lado do baixista Sérgio Galo e do bateria Glauco Andreza, fazia shows e tocava na noite pessoense.

Seu trabalho autoral era mais voltado para os temas instrumentais. Fusion, jazz rock, guitar heroes. Solos velozes, improvisação jazzística.

As canções foram chegando aos poucos. O desejo de cantar em estúdio também veio mais tarde.

The King’s Dream parece ser, até agora, o ponto alto desse caminho que Washington construiu depois que foi morar em Genebra.

O rock permanece como principal matriz do seu trabalho.

No novo CD, toca todos os instrumentos e se sai muito bem.

Se quisermos, identificaremos diversas influências. Fico com os Beatles, a mais nítida. Uns acordes que remetem a John Lennon, uma melodia que lembra Paul McCartney, mas, sobretudo, soluções harmônicas e melódicas que confirmam o amor de Washington pela música de George Harrison.

Até algo da melancolia do mais discreto dos quatro beatles se pode identificar nas canções de Washington Espínola.

Em alguns momentos, há solos de guitarra que lembram o Washington de anos atrás. Mas o predomínio é das canções. Compostas e executadas por um músico maduro.

Ouço The King’s Dream com alegria, pelo resultado obtido, e saudade do amigo!

Santana e Washington

(Na foto, no Festival de Montreux, Washington encontra Carlos Santana, um dos seus heróis)

Capas que inspiraram outras capas no mundo do disco

No mundo dos discos, capas inspiraram outras capas. Um deleite para os colecionadores.

Vejam Let it Be, dos Beatles, e Qualquer Coisa, de Caetano Veloso.

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Double Fantasy serviu de referência para Milk and Honey, do casal Lennon.

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Abbey Road, dos Beatles, motivou Paul McCartney a fazer Paul is Live.

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Saindo dos Beatles: Tutu, de Miles Davis, e Minas, de Milton Nascimento.

Aí, Milton inspirou Miles.

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Paul McCartney está morto! Paul McCartney está vivo!

Os Beatles lançaram Abbey Road em 26 de setembro de 1969.

Quando o disco  chegou às lojas, a notícia da “morte” de Paul McCartney, difundida por um DJ americano, tomou conta da imprensa mundial. O beatle teria morrido num acidente. Um sósia assumira o seu lugar.

O DJ apresentava as “provas”. Elas estavam nas canções e nas capas dos discos dos Beatles.

Na capa de Abbey Road, o quarteto encenava o cortejo fúnebre. John Lennon, à frente, de branco, é o padre. Ringo Starr, de preto, é o agente funerário. Paul McCartney, com os pés descalços e o passo trocado em relação aos outros, é o morto. George Harrison, de jeans, é o coveiro. As mãos de Ringo e de George seguram as alças do caixão.

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Em 1993, o próprio Paul McCartney brincou com a lenda. O beatle apareceu atravessando a mesma faixa de pedestres, em frente ao estúdio da EMI, na capa de um disco gravado ao vivo. E o título garantia: Paul is Live!

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