Ei, ela é gay!, disse Paul McCartney ao pai da garota

A cena ocorreu num show de Paul McCartney no estado americano da Georgia.

Na plateia, a jovem Becka exibia um cartaz.

Estava escrito:

Por favor, me ajude a dizer à minha família que eu sou gay!

O beatle mandou chamar a garota ao palco. Perguntou se havia mais alguém da família na plateia. Ela disse que sim: o pai!

Paul, então, foi rápido e certeiro:

Ei, pai, ela é gay!

Becka ficou emocionada e ganhou um autógrafo.

Vejam o vídeo.

O gesto confirma. Paul McCartney envelheceu (está com 75 anos) fiel aos muitos sonhos de liberdade da sua geração.

Os Beatles nasceram há 60 anos no salão de festas de uma igreja

O dia era seis de julho de 1957. Portanto, há 60 anos. Se há uma data que pode ser tomada como a do nascimento dos Beatles, é essa.

Foi quando John Winston Lennon e James Paul McCartney se conheceram. John ainda não tinha 17 anos. Paul acabara de fazer 15.

John levou a banda dele – The Quarry Men – para se apresentar num evento no jardim de uma igreja, em Liverpool.

Era tudo muito rudimentar. Os garotos mal tocavam seus instrumentos. Ninguém podia imaginar que em poucos anos o líder daquele grupo de skiffle se transformaria numa das figuras mais importantes da música popular do seu tempo.

Paul estava na plateia. Ele e sua guitarra, com a qual tinha muito mais intimidade do que o futuro parceiro. Depois do show, os dois foram apresentados por um amigo comum no salão de festas da igreja.

Inicialmente, Lennon não foi tão receptivo. Mas não resistiu ao talento musical de McCartney quando ouviu a voz de autêntico rocker e viu os acordes e riffs da sua guitarra em Twenty Flight Rock, sucesso de Eddie Cochran.

A música que Paul tocou para John é esta que vemos no vídeo a seguir:

John Lennon tocava guitarra com alguns acordes de banjo ensinados por Julia, sua mãe. Paul McCartney conhecia melhor o instrumento e já aprendera os acordes corretos para tocar rock’n’roll.

Os dois tinham os mesmos sonhos. Queriam ser músicos, formar uma banda, tocar rock.

O encontro naquele remoto seis de julho de 1957 mudou as suas vidas. Ali, começou uma grande amizade, além de uma extraordinária parceria musical e da formação dos Beatles.

O resto é História.

O rock será o que nós fizermos dele – disse John Lennon.

E foi!

Paul McCartney, solo, em cinco discos

Nos 75 anos de Paul McCartney, escolhi cinco discos dele para reouvir neste domingo.

BAND ON THE RUN

VENUS AND MARS

TUG OF WAR

FLOWERS IN THE DIRT

FLAMING PIE

Paul McCartney, o mais musical dos Beatles, faz 75 anos

Paul McCartney faz 75 anos neste domingo (18).

É um dos grandes compositores de música popular do seu tempo. Nos Beatles ou longe deles, Paul escreveu canções que o tornaram autor de um invejável songbook, realizando um sonho que talvez tenha começado quando seu pai, músico amador, lhe apresentou ao cancioneiro americano da primeira metade do século passado. Um parâmetro e tanto para quem queria compor.

Paul McCartney é amado e respeitado no mundo inteiro. É praticamente uma unanimidade. Mas nem sempre foi assim.

Na segunda metade dos anos 1960, no momento em que os Beatles trocaram o palco pelo estúdio e produziram seus discos mais criativos, não era pequeno o número de fãs que queriam atribuir a John Lennon, e não a McCartney, todas as ideias inteligentes que enxergavam no grupo. Como se Paul fosse apenas um bom moço com talento para compor melodias bonitas. Não sabiam dos vínculos que estabeleceu com o que havia de mais contemporâneo no mundo das artes na Londres daquela época, nem do seu interesse pelas vanguardas da música erudita.

Não se trata de diminuir a importância de Lennon, sua inquietação, sua ligação com as artes de vanguarda através de Yoko Ono, seu engajamento político. Não. Apenas de dimensionar corretamente o papel desempenhado por McCartney dentro dos Beatles.

Ele era o mais musical dos quatro, o que melhor se desenvolveu como compositor, o que escreveu o maior número de grandes canções.

Não foi à toa que, em 1967, concebeu o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, marco na carreira do grupo e em todo o pop/rock. O álbum é sua obra-prima, uma suíte que enobrece o rock com seu repertório e sua sonoridade.

Aos 23 anos, em 1965, McCartney escreveu a canção mais gravada da era do disco. Yesterday, que gravou acompanhando-se ao violão, com cordas arranjadas pelo maestro George Martin, pode ter sido o primeiro sinal de que os Beatles iriam amadurecer rapidamente e deixar para trás a ingenuidade que os seguiu no início da carreira.

No ano seguinte, assinava canções como Eleanor Rigby, Here, There and Everywhere e For No One. E, logo depois, Penny Lane, inspirada evocação da infância em Liverpool. Nas muitas baladas, mas também nos rocks, há uma fluidez melódica e um domínio do artesanato da canção no seu trabalho que o colocam no topo, se pensarmos nos demais compositores populares daquela geração.

McCartney brilhou como beatle e continuou brilhando após a dissolução do grupo. Criou o Wings, excursionou com a nova banda até que ela se dissolvesse e permaneceu em atividade intensa, sempre dividido entre os estúdios e os palcos. Flertou com a música erudita, mas sua praia é mesmo o popular de extremo bom gosto.

É um dos grandes artistas do século XX por tudo o que compôs e gravou. Aos 75 anos, continua percorrendo o mundo com seu show, carismático e generoso com os que têm a alegria de vê-lo de perto.

Tributo de McCartney é ao american songbook e ao pai

Mexendo nos discos de Paul McCartney.

Lembrando dos 75 anos que o mais musical dos quatro Beatles completa neste domingo (18).

Curiosamente, começo por um disco de exceção. O Kisses on the Bottom, em que Paul presta tributo ao american songbook.

O disco de Paul McCartney traz canções americanas que ele ouviu na infância, geralmente apresentadas pelo pai, que era músico amador. É um acerto com sua memória afetiva. O título é uma expressão de duplo sentido. Um deles, “beijos no traseiro”. É a tradução que fazemos assim que vemos o título na capa. A foto, no entanto, contrasta com o seu caráter chulo: Paul cheio de flores nas mãos, como um autêntico amante à moda antiga, prestes a fazer a felicidade da mulher que ama.

Paul McCartney é um roqueiro que, no fundo, sempre quis fazer canções como Cole Porter e os irmãos Gershwin. E bem que tentou, algumas vezes. Na época dos Beatles, em When I’m Sixty Four e Honey Pie. Ou Your Mother Should Know. Depois, na carreira solo, em You Gave Me the Answer e Baby’s Request. Há outras, mas essas são as principais. Também usou, em Here, There and Everywhere e Honey Pie, uma introdução cantada antes da melodia propriamente dita, modelo que temos tanto em Home como em Always ou Bye Bye Blackbird (que estão no CD). São lembranças inevitáveis quando se ouve Kisses on the Bottom. E a confirmação da presença dessas músicas na vida de Paul.

É gigantesca a lista dos que já gravaram os standards da música americana. Os grandes cantores dos Estados Unidos, negros ou brancos, adoram essas canções. Mas não só os de lá. Há mais de 10 anos, Caetano Veloso se debruçou num disco inteiro sobre o cancioneiro americano (A Foreign Sound), incluindo músicas mais recentes e não apenas aquelas anteriores ao advento do rock’n’ roll. Rod Stewart achou que um era pouco e fez cinco CDs, não disfarçando o caráter ultra comercial da empreitada de qualidade duvidosa. Paul McCartney tinha o dever de não repetir Stewart. Era necessário produzir algo muito melhor. Kisses on the Bottom confirma que ele, felizmente, conseguiu.

McCartney já tinha gravado standards. No disco destinado ao mercado soviético, na década de 1980, tem Don’t Get Around Much Anymore e Summertime. Mas executados por uma banda de rock, ao lado de vários clássicos do rock’n’ roll primitivo. Em Kisses on the Bottom, à exceção de duas canções de sua autoria, dedicou um disco completo aos standards. E com ao menos três escolhas muito positivas. A primeira: convidou um grupo de jazz (o da pianista canadense Diana Krall) para acompanhá-lo. A segunda: não cedeu à tentação, como quase todos, de escolher um repertório óbvio. A terceira: atuou apenas como cantor. E ainda se deu ao luxo de usar o mesmo microfone de Nat King Cole.

Se quisermos, poderemos procurar os defeitos do disco. McCartney não está na praia dele, dirão alguns. Por isto, não fica totalmente à vontade com o repertório, nem com a sonoridade da banda de Diana Krall. Ou: gravou canções que são muito melhores com outras vozes, das damas negras do jazz aos cantores brancos como Sinatra. É tudo verdade. Mas estes argumentos não diminuem o charme do CD. Nós, que amamos os Beatles, sabemos o quanto o american songbook foi fundamental na formação musical de Paul. E que, um dia, ele inevitavelmente se dedicaria a este repertório. Nem que fosse só para prestar um tributo ao pai. Bom que tenha deixado para fazer na velhice.

O Sgt. Pepper botou a banda pra tocar há 50 anos!

Nesta quinta-feira (01/06), faz 50 anos do lançamento do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (o álbum saíra seis dias antes no Reino Unido).

Prefiro o Abbey Road, o Álbum Branco, o Revolver. Muitos fãs preferem.

Mas o Pepper é o disco mais importante dos Beatles. O mais ousado, o mais influente, o mais marcante. Aparece quase sempre como o disco mais importante do rock.

O álbum é uma suíte pop com 13 faixas coladas.

Nasceu quando os Beatles gravaram Strawberry Fields Forever (de Lennon) e Penny Lane (de McCartney). As duas lembranças da infância em Liverpool ficaram de fora do LP, saíram em single, mas estão para sempre associadas ao impulso criativo que gerou o Pepper.

Sgt. Pepper é disco de uma banda. Se há, porém, alguém que pode ser de fato mencionado como autor do projeto, esse alguém é Paul McCartney.

A ideia é mais dele do que dos outros. O conceito, a capa. A predominância do autor no repertório. É fruto do interesse de Paul pelos eruditos contemporâneos, pela arte de vanguarda, pelo que ele viu e ouviu na Londres da sua juventude. (Está tudo no livro Many Years From Now).

A despeito disso, há grandes momentos autorais de John Lennon (Lucy, Mr. Kite) e um número de música indiana que insere George Harrison no projeto de forma brilhante. Ringo Starr faz seu número com uma pequena ajuda dos amigos.

O Pepper é diferente do que os Beatles faziam até então, apesar dos sinais claros que estavam no Revolver. É, a um só tempo, novo e velho. Ou vai buscar o novo no velho.

Sempre me pareceu assim. Rompe, define caminhos, diz como vai ser dali por diante. Mas evoca a bandinha da cidade interiorana, o espetáculo de circo, as cordas e a harpa a acompanhar um lied de um tempo remoto, o ritmo americano que embalava o pai de Paul.

Tudo dando forma a um produto que era, naquele junho de 1967, o que havia de mais contemporâneo no rock.

O ponto alto, a coda dessa grande suíte pop, se chama A Day in the Life. Duas canções distintas (uma de John, outra de Paul) que foram fundidas como se fossem uma só. A orquestra de muitos músicos, soando atonal, produzindo música aleatória, conduz o ouvinte ao majestoso acorde final.

O maestro e produtor George Martin, peça fundamental na engrenagem do Pepper, conta a história do disco no livro Summer of Love, The Making of Sgt. Perpper, leitura importante para quem ama os Beatles.

Leia o livro, ouça o disco. Celebre os 50 anos do Pepper!

Moore! Roger Moore!

Morreu o ator Roger Moore. Aos 89 anos, travou uma breve luta contra o câncer, informam as agências.

Moore se notabilizou no papel de James Bond, o agente 007.

Teve a difícil tarefa de substituir Sean Connery, o primeiro e o melhor de todos. O eterno Bond!

Cumpriu bem. Foi o segundo melhor da franquia.

Fez sete filmes. Quando deixou o papel, já tinha quase 60 anos.

Era Sir Roger Moore. Marcou uma época.

Fecho com Paul McCartney: Live and Let Die.

Piratas do Caribe é “prova” de que Paul morreu? Segue a lenda!

No post anterior, contei a história da “morte” de Paul McCartney. Foi criada por um DJ americano e já tem quase 50 anos.

As “provas” da morte do músico estariam nas capas dos discos e nas canções dos Beatles.

Milhares e milhares de pessoas já trataram do assunto desde que este se tornou público em 1969.

E eis que, agora, surge mais uma “prova”!

Estaria no cartaz do novo Piratas do Caribe, que tem Paul McCartney no elenco.

Vejam o cartaz do filme e prestem atenção nas palavras e letras circuladas em vermelho.

Elas formam que frase?

Ora, PAUL IS DEAD!

Paul McCartney morreu! Você acredita nessa história?

O Sgt. Pepper, o disco mais importante dos Beatles, está prestes a fazer 50 anos. Aproveito para contar uma pequena história. Lembranças do tempo em que Paul McCartney “morreu”.

17 de dezembro de 1969. A principal notícia daquela quarta-feira foi a morte de Arthur da Costa da Silva, afastado da presidência da República desde que sofrera um AVC. Eu tinha apenas dez anos, e, na minha memória, a data está associada também a uma morte que não ocorreu. Foi criada por um DJ americano.

Ouvi a notícia dias antes no programa de rádio “Diário Íntimo da Cidade”. O jornalista Carlos Aranha contou todos os detalhes. O DJ Russ Gibb assegurava que o beatle Paul McCartney morrera num acidente de carro em 1966 e que um sósia assumira o lugar dele. As “provas”, segundo o DJ, estavam nas capas dos discos e nas canções dos Beatles. E eram fartas. A canção “A Day in the Life”, ouvida do final para o começo, reproduzia os sons do acidente, enquanto a depois célebre capa do LP “Abbey Road” encenava o cortejo fúnebre.

No programa radiofônico, Carlos Aranha tocou “A Day in the Life” do final para o começo. Como o fez manualmente, a rotação ficou instável. Meu pai fez tecnicamente melhor e levou a gravação para a emissora. Fui junto. Passei a noite na discoteca da rádio, maravilhado com o acervo, enquanto Aranha e meu pai falavam de política. No estúdio, ouvi o programa ao vivo. De um lado, a notícia da morte de Costa e Silva. Do outro, os sons da canção dos Beatles.

“Eu enterrei Paul” – diz John Lennon no meio dos ruídos de “Strawberry Fields Forever”. Só que o que parece “I buried Paul” é, na realidade, “cranberry sauce”. As “pistas” são muitas. Da decisão pelo fim das turnês à capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Da letra de “A Day in the Life” (“He didn’t notice that the light had changed”) à capa de “Abbey Road”. Sim, a capa de “Abbey Road”.

Os Beatles cruzando a faixa de pedestres em frente ao estúdio londrino da EMI.

Na foto, John Lennon, vestido de branco, é o pastor. Ringo Starr, de preto, o agente funerário. A posição da mão direita sugere que ele está segurando o caixão. Paul McCartney tem os pés descalços e o passo trocado em relação aos outros. É o morto. E George Harrison, de jeans, o coveiro. Como a de Ringo, sua mão direita também segura o caixão. A placa do Fusca estacionado na calçada é IF 28. “If” é “se”, e 28, a idade que Paul teria se estivesse vivo. Mas, aí, o DJ errou: McCartney tinha 27 anos quando o disco foi lançado, no segundo semestre de 1969.

O próprio Paul, em 1993, brincou com a lenda.

A capa de um CD gravado ao vivo traz uma foto dele atravessando a faixa de pedestres de Abbey Road. E o título garante: “Paul Is Live”. Ninguém, com um mínimo de bom senso, pode acreditar nesta história da “morte” de McCartney”, mas ela continua associada ao fenômeno Beatles. E, na nossa memória, está tão viva quanto Paul, que em junho vai fazer 75 anos.

Ver Paul ao vivo é experiência mágica! Não tem preço!

Paul McCartney está de volta ao Brasil. Faz quatro shows em outubro. No texto de hoje, falo um pouco da experiência de vê-lo ao vivo.

Vi Paul McCartney ao vivo pela primeira vez em abril de 1990, em duas noites no Maracanã. Também era a primeira vez dele no Brasil. Estava às vésperas de completar 48 anos e corria o mundo numa excursão em que resgatava muitas canções dos Beatles, como ainda não havia feito depois da dissolução do quarteto. O tempo passava, e o músico começava a sentir saudade da juventude. O longo vídeo que abria o show tinha a assinatura de Richard Lester, o cineasta que levara os Beatles ao cinema em A Hard Day’s Night e Help!. E seria dele o documentário (Get Back) com o registro da turnê. O set list ia do rock (novíssimo) Figure of Eight ao medley final do Abbey Road.

Voltei a ver Macca ao vivo em dezembro de 1993, no Pacaembu, em São Paulo. O lugar era menor e dava ao público a sensação de estar num show um pouco mais intimista. O longo set acústico reforçava a ideia. Era resultado do unplugged que o artista gravara para a MTV. Ele e a banda se juntavam num pequeno espaço, no meio do palco, e faziam vários números com violões e um pouco de percussão. Músicas novas, canções dos Beatles, clássicos da primeira geração do rock, soul music – Paul oferecia ao público um espetáculo que parecia ainda mais eficiente do que o da excursão anterior. E difundia, no vídeo de abertura, sua luta em defesa dos animais e do meio ambiente.

A doença e a morte de Linda McCartney tiraram o marido da estrada. O retorno coincidiu com a virada do século. Primeiro, com uma banda de garagem num pocket show no Cavern Club, em Liverpool. Puro rock’n’ roll. Um homem no limiar da velhice experimentava uma volta aos territórios da adolescência. Depois, em longas turnês semelhantes àquelas que haviam passado pelo Brasil em 1990 e 1993. Só que melhores. Tudo se aprimorara: o som, a luz, os músicos. E a ação do tempo ajudava. Paul já tinha idade suficiente para ver as coisas de longe. Como seu público. O resultado era muito mais tocante. Os fãs que o seguiam há décadas incorporavam filhos e netos à plateia.

No mercado, há vários registros disponíveis das turnês de Paul McCartney na primeira década do século XXI. Não só nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Também na Rússia, onde, com a derrocada do comunismo, ele pôde, afinal, cantar. E, com o presidente Putin no meio do público, fazer a Praça Vermelha tremer ao som de Back in the U.S.S.R., o rock outrora banido. Seus shows se consolidaram como extraordinárias celebrações de música, alegria e (para os mais velhos) saudade. Performances impecáveis nas quais Sir Paul não frustra ninguém. Passa três horas em cima do palco apresentando um repertório sem similar no universo da música pop. Com a vitalidade de um jovem roqueiro.

Em 2010, vi McCartney mais uma vez ao vivo em duas noites no Morumbi. Dois anos depois, no Recife. Vi pensando naquele vento abstrato e belo que os Beatles representaram na década de 1960. Testemunhar essas coisas após os 50 é certamente melhor, mas um pouco melancólico. Porque remete ao tempo que passou. Uma balada ingênua como All My Loving agora evoca uma época. Um hino pacifista como Give Peace a Chance traz a lembrança de John Lennon e dos sonhos de uma geração.