“O problema não é ser de direita. O problema é ser burro”

Em 1989, fui à Mesbla comprar o disco novo de Paul McCartney.

Flowers in the Dirt era o título.

Paul, até então, nunca tinha vindo ao Brasil. Permanecia como uma figura inacessível para todos nós (diferente do cara que, mais tarde, eu vi de perto, a uma distância de dois metros). Bem como era razoável pensar que ele também vivia desconectado dos problemas brasileiros.

Pois bem, fui ouvir Flowers in the Dirt, que, com My Brave Face, começava de um jeito tão Beatle. Sabem aquela audição cuidadosa, faixa a faixa, lendo o encarte? Foi o que fiz.

Quando cheguei na faixa 11, um reggae de branco chamado How Many People, vi que havia uma dedicatória:

Dedicated to the memory of Chico Mendes, brazilian rain forest campaigner 

Traduzindo: Dedicada à memória de Chico Mendes, ativista brasileiro da floresta pluvial.

Claro! McCartney é um artista do mundo, preocupado com a vida do planeta. Cidadão engajado nas lutas pela preservação do meio ambiente e pela sobrevivência dos animais. Daí a dedicatória a Chico Mendes.

Paul McCartney veio pela primeira vez ao Brasil em abril de 1990, em duas noites inesquecíveis no Maracanã. Eu estava lá.

No último show, em 21 de abril, houve um momento em que ele falou do seu engajamento e bradou:

CHICO MENDES!

A plateia (pouco mais de 180 mil pessoas, está no Guinness), traumatizada semanas antes com o confisco da poupança pelo presidente Collor, respondeu com um inequívoco “Lula-lá”.

*****

Conto essa história por causa de Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro (vejam/ouçam a entrevista dele ao Roda Viva).

O resumo – simples assim – é:

Há 30 anos, Paul McCartney, cidadão do Reino Unido, sabia o que, em 2019, o ministro brasileiro do Meio Ambiente (sim!, do Meio Ambiente!) não sabe.

Ou finge não saber.

Serei mais enfático:

Ao desconsiderar a importância de Chico Mendes e sua luta, Ricardo Salles se revela um ignorante na área em que está atuando.

Ignorante. Aquele que ignora.

O ministro do Meio Ambiente ignora Chico Mendes.

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Fecho com o que ouvi de um amigo:

“NO BRASIL DE HOJE, O PROBLEMA NÃO É SER DE DIREITA. O PROBLEMA É SER BURRO”. 

Em apoio a Bolsonaro, Let It Be vira Ele Sim. Afronta aos Beatles

Começo com um vídeo.

Paul McCartney cantando Let It Be ao vivo em Nova York.

Let It Be é uma das mais belas canções dos Beatles. Deu título também ao último LP do grupo, lançado em maio de 1970, e ao documentário que retrata os estertores do quarteto. Leva a assinatura Lennon/McCartney, mas foi composta somente por Paul McCartney.

Let It Be nasceu de um sonho. Num momento de aflição, Paul sonhou com sua mãe, Mary, que morreu de câncer quando ele tinha 14 anos. Ela disse a ele que não se preocupasse, que tudo daria certo. “Eu me senti abençoado por haver tido esse sonho”, conta o músico.

Sobre a canção, Hunter Davis, biógrafo oficial dos Beatles, escreveu:

“Lançada num single em março de 1970, antes de o próprio álbum sair, é de longe a música mais comercial do LP. Embora seja quase um pastiche de hino religioso, com alusões e conotações bíblicas como hora da escuridão e uma luz que brilha sobre mim e, claro, a imagem de sua mãe associada à de Nossa Senhora, é sincera e comovente. Hoje, quando Paul a toca, as luzes são diminuídas e o público em geral acende velas e isqueiros ou levanta celulares ligados. Quase se tem a impressão de estar num encontro religioso nessa hora”.

Na época em que os direitos sobre as canções dos Beatles estiveram nas mãos de Michael Jackson, Paul McCartney temia que sua canção fosse dessacralizada, transformando-se, por exemplo, em trilha de um comercial qualquer.

Não imaginava ele que, tantos anos depois, seria muito pior. Let It Be ganhou uma letra em Português, foi chamada de Ele Sim e é divulgada nas redes sociais em apoio ao candidato Jair Bolsonaro.

Guto Sállen assina a versão, cujo refrão diz: “Melhor Jair se acostumando, ele sim”.

Que tristeza. Let It Be, a bela balada de Paul McCartney, virou Ele Sim.

Paul McCartney, aos 76, volta ao topo dos discos mais vendidos

Egypt Station, lançado há pouco, colocou Paul McCartney no topo dos discos mais vendidos nos Estados Unidos.

A última vez foi há 36 anos, em 1982, quando ele lançou Tug of War.

Na época de Tug of War, Paul tinha 40 anos.

Foi o primeiro disco que gravou depois do assassinato de John Lennon.

É lá que está a canção Here Today, feita em homenagem ao parceiro do tempo dos Beatles.

Egypt Station flagra McCartney na velhice. Ele tem 76 anos e continua percorrendo o mundo com seu show.

Para lançar o novo trabalho, Paul fez uma grande divulgação.

Tug of War é um dos seus melhores trabalhos.

E Egypt Station?

O tempo dirá.

PAUL McCARTNEY NÃO SABE FAZER MÚSICA BRASILEIRA!

Em 1959, Chuck Berry fez Back in The USA.

Em 1968, Paul McCartney fez Back in The USSR, que abre o Álbum Branco dos Beatles.

O rock de Paul é um pastiche de Berry e também dos Beach Boys.

Foi sugerido ao autor por um dos integrantes dos Beach Boys. Seria (e é) uma versão soviética do rock de Berry.

50 anos se passaram, e Paul McCartney agora fez Back in Brazil.

A música foi composta numa das muitas passagens dele pelo Brasil.

Paul conta que compôs a música num piano que havia no quarto do hotel onde estava hospedado. Era dia de folga, sem show, e ele escreveu a canção.

Back in Brazil tenta parecer música brasileira. Se quisermos, remete a uma entrevista em que McCartney disse que queria tomar uma lições de Bossa Nova. A julgar pela canção, não deve ter tomado.

Paul McCartney é maravilhoso! É um dos meus heróis! Mas, definitivamente, não sabe fazer música brasileira. Do mesmo modo que Mick Jagger e Keith Richards, que, há 50 anos, fizeram Sympathy for the Devil pretendendo que fosse um samba.

O Brasil de Paul McCartney, em Back in Brazil, é o Brasil visto por um turista estrangeiro que está muitíssimo longe de saber quem somos.

O gesto do grande músico é bacana, é simpático, mas o resultado é de uma superficialidade que incomoda. Ainda mais quando a gente assiste ao vídeo da canção.

Back in The USSR virou um clássico dos Beatles.

Duvido que Back in Brazil vire um clássico de Paul McCartney.

Single dos Beatles com Hey Jude e Revolution foi lançado há 50 anos

Segunda-feira, 26 de agosto de 1968.

Nos Estados Unidos, ainda com o selo Capitol, é lançado o novo single dos Beatles.

No lado A, Hey Jude. No lado B, Revolution.

Sexta-feira, 30 de agosto de 1968.

Já com o selo Apple, Hey Jude e Revolution chegam às lojas do Reino Unido.

50 anos depois, qualquer garoto dirá que Apple é o nome da empresa de produtos eletrônicos fundada por Steve Jobs.

Meio século atrás, era outra coisa. Apple era o nome da empresa fundada pelos quatro Beatles para, fundamentalmente, comercializar os discos do grupo e lançar novos artistas.

Os singles (no Brasil, compactos simples) da Apple eram lindos.

No lado A, o verde da maçã ainda inteira.

No lado B, o branco da maçã partida ao meio.

Hey Jude/Revolution foi o primeiro single com o selo Apple.

Hey Jude é uma balada de Paul McCartney. Letra e música de Paul, apesar da assinatura Lennon/McCartney.

Revolution é um rock de John Lennon. Letra e música de John, apesar da assinatura Lennon/McCartney.

Hey Jude – O Jude do título na verdade é Julian, filho de Lennon que sofria com a separação dos pais. McCartney escreveu a canção pensando no garoto, que estava com cinco anos. É uma das suas melodias mais marcantes. E tem o “na-na-na-na” do longo coro que fecha a gravação. Hey Jude dura sete minutos, mas isto não impediu o seu sucesso radiofônico. A música atravessou meio século e ainda hoje fecha os shows de Paul McCartney, emocionando plateias do mundo inteiro.

Revolution – É a resposta dos Beatles aos acontecimentos de 1968, ao tema da revolução. Essa resposta só podia vir de Lennon, o mais politizado dos quatro. Como há duas versões (a do single e, em seguida, a do Álbum Branco), Lennon preferiu a ambiguidade. Podem contar com ele para a revolução? Uma versão diz que sim, a outra diz que não. No compacto, Revolution é um rock visceral, pesado, cheio de guitarras saturadas – do jeito que John gostava.

50 anos se foram e cá estamos nós falando de Hey Jude e Revolution.

Parece que os Beatles faziam boa música, não é?

Venus and mars are all right tonight!

Vênus está aparecendo no poente, depois que escurece.

À exceção do Sol e da Lua, é o corpo celeste mais brilhante que vemos aqui da Terra.

Com algum esforço, pode ser observado até durante o dia, sem ajuda de nenhum aparelho ótico.

Numa região sem nenhuma luz artificial, chega a provocar sombras.

Marte está avermelhando as nossas noites.

Agora, mais perto da Terra, como não acontecia há uns bons 15 anos.

Olhe para o céu e procure.

Quando encontrar uma estrela vermelha de brilho intenso, não é uma estrela. É Marte!

Se quiser trilha sonora, ouça a canção de Paul McCartney.

Venus and Mars are all right tonight.

Brasileira gravou com os Beatles há 50 anos

A data é quatro de fevereiro de 1968, um domingo de inverno em Londres.

Fez 50 anos neste domingo.

A brasileira Lizzie Bravo gravou com os Beatles.

Tomemos a Ultimate Beatles Encyclopedia, organizada por Bill Harry.

Na página 120, Lizzie Bravo é verbete:

Bravo, Lizzie

A Brazilian girl, Lizzie was sixteen years and a student living in Company Gardens.

E segue a história.

No Diário dos Beatles, de Barry Miles, temos no dia quatro de fevereiro de 1968:

Duas fãs que estavam em frente a Abbey Road foram levadas para dentro do estúdio para gravar os falsetes para a banda.

O quarteto gravava Across the Universe, canção de Lennon.

The Beatles Chronicle, de Mark Lewisohn, conta em detalhes como foi a gravação.

E lá surge novamente o nome de Lizzie Bravo:

Paul did just this, selecting Lizzie Bravo, a 16-years-old from Brazil, and Gayleen Pease, 17, a Londoner. 

Não é lenda. É História, assim com H Maiúsculo.

Lizzie e Gayleen estavam na entrada do estúdio da EMI, onde os Beatles gravavam seus discos. Paul apareceu na porta e perguntou se elas sustentariam uma nota aguda. As garotas disseram que sim e foram levadas para o estúdio de número 03. Fizeram vocal em Across the Universe, num registro destinado a um disco beneficente. Lizzie cantou com o rosto colado em John, no mesmo microfone.

Em 1982, nos 20 anos de Love Me Do, a própria Lizzie contou essa história incrível num LP promocional distribuído no Brasil.

Lizzie Bravo, a única brasileira que gravou com os Beatles.

Na volta ao Brasil, foi casada com o compositor Zé Rodrix.

Lizzie e Rodrix tiveram uma filha: Marya Bravo, vigorosa cantora.

Os fãs brasileiros dos Beatles reverenciam Lizzie Bravo!

O psicopata Charles Manson roubou “Helter Skelter” dos Beatles

O psicopata Charles Manson morreu neste domingo (19) na Califórnia. Tinha 83 anos.

Manson cumpria prisão perpétua como líder da seita (a “Família Manson”) que assassinou a atriz Sharon Tate e mais sete pessoas.

Os crimes, ocorridos em 1969, transformaram Charles Manson num dos assassinos mais conhecidos do mundo.

Atriz de A Dança dos Vampiros, Sharon Tate era casada com o diretor do filme, o cineasta Roman Polanski.

Ela tinha somente 26 anos e estava grávida de oito meses e meio quando foi assassinada, no dia nove de agosto de 1969.

Em sua absoluta loucura, Charles Manson acreditava que os Beatles se comunicavam com ele através das letras das canções.

A música mais emblemática dessa “comunicação” é o rock Helter Skelter, de Paul McCartney, gravado e lançado em 1968 no Álbum Branco.

Helter Skelter, que McCartney canta até hoje em seus shows, é um rock sujo e pesado, que muitos consideram o marco zero do heavy metal.

Na abertura do documentário Rattle and Hum, de 1988, antes de cantar Helter Skelter, Bono Vox, o então jovem líder da banda irlandesa U2, diz:

Essa música, Charles Manson “roubou” dos Beatles. Nós a “roubamos” de volta!

Vejam o vídeo.

Agora, com Paul McCartney.

Fecho com uma lembrança da época do assassinato de Sharon Tate.

Eu tinha dez anos.

Numa banca, mostrei ao meu pai a cara de Manson na capa de uma revista e ouvi dele algo mais ou menos assim:

Não permita que, em você, esse crime horrível manche tudo o que há de importante na cultura hippie!

Antes de falar mal do funk, é preciso ouvir algumas coisas

“Funk-se quem puder

É imperativo dançar

Sentir o ímpeto

Jogar as nádegas

Na degustação do ritmo”

(Gilberto Gil, Funk-se Quem Puder)

Num desses concursos para escolher fãs que seriam recebidos por Paul McCartney, um dos vencedores foi um rapaz que gravou uma versão totalmente funk de A Hard Day’s Night.

Olhem ele aí, o de camisa branca.

McCartney postou o vídeo nas redes sociais.

Chamou sua atenção?

A minha, não!

O beatle Paul tem muita coisa funkeada nos seus discos.

Exemplos? Coming Up Dress Me Up As a Robber. A primeira, de 1980. A segunda, de 1982. Ele sabe o que é funk.

Não só ele.

O maestro Leonardo Bernstein, grande músico erudito, fã do jazz e dos Beatles, também sabia.

Isto é funkeado!

É o que ele, ao piano, diz às cantoras líricas com quem aparece, num documentário, ensaiando, no seu apartamento no Dakota, em Nova York, para a gravação de West Side Story.

O vídeo é de meados dos anos 1980.

Miles Davis, um dos gênios consumados do jazz, era outro que sabia. Basta ouvir On The Corner, de 1972. 

Vejam a capa.

Foi nesse disco que Gilberto Gil se inspirou para compor Essa É Pra Tocar no Rádio, gravada com Dominguinhos e o baixo estupendo de Rubão Sabino no nordestiníssimo Refazenda.

Tem muito funk em Quincy Jones, Stevie Wonder e Michael Jackson!

Tem também nos Rolling Stones! Black and Blue.

Tem no nosso inigualável Jorge Ben!

No Herbie Hancock de Head Hunters, notável demarcador de territórios.

E no bossanovista João Donato!

A Bad Donato, sua pshycodelicfunkyexperience.

Ah! Tem funk em tanta gente!

Por que, então, depreciamos o povo do Rio de Janeiro que releu o funk e, ao seu modo, fez deste uma das suas legítimas expressões?

Eu não deprecio!

Começo a semana com essas pequenas anotações estimulado pelo gesto de Paul McCartney.

Para ele, por muitos motivos, a versão funk de A Hard Day’s Night feita por aquele rapaz é criativa, inteligente, tem conteúdo social, liberdade – vai muito além dos vídeos (mesmo os melhores) com covers dos Beatles fiéis aos originais.

Paul é um extraordinário músico popular do seu tempo e compreende bem todas essas coisas.

Por que nós, seus ouvintes, não podemos compreender?

Salve o funk!

Estive a dois metros de Paul McCartney e fiquei paralisado!

Paul McCartney está no Brasil mais uma vez. Já fez Porto Alegre, São Paulo, hoje (17) faz Belo Horizonte e, em seguida, Salvador.

Uma vez, estive perto dele e fiquei paralisado. Verdade!

Conto essa história.

Paul McCartney ainda era muito jovem quando começou a se imaginar como um compositor de verdade. Talvez por influência do maestro George Martin, que lhe abrira os códigos da música erudita. Também por causa do pai, músico amador, que lhe despertara o gosto pelos grandes autores populares americanos.

Mesmo que pretendesse, Paul jamais seria um erudito, até porque não tinha formação para isto, mas um brilhante artesão da canção popular. Fazendo o artesanato do seu tempo e não o do tempo do seu pai. Um autor contemporâneo de canções pop, de melodias feitas sob medida para a sua voz de sereia sílfide (a definição é do maestro Bernstein).

Um dia, McCartney conversou via Internet com gente do mundo inteiro. Tentei fazer uma pergunta, mas não consegui. Ele seria um novo Cole Porter? Porter como um referencial apontado pelo pai do beatle. Um tipo de compositor que fez, em seu tempo, algo que guarda certa semelhança com o que Paul criou muitos anos depois.

Canção popular bem feita, bonita, de fácil assimilação, que casa perfeitamente letra e melodia. E que gruda para sempre nos nossos ouvidos. Pensemos em I’ve Got You Under My Skin na voz de Sinatra. Ou em Penny Lane no registro dos Beatles.

Fiquei com isto na cabeça. Paul McCartney é um Cole Porter moderno. Claro que não custa reconhecer que Porter era muito mais talentoso, menos vulgar. Mas, afinal, Paul é um rocker.

Em 2010, estive a dois metros dele na frente do Morumbi, em São Paulo. Encostado numa grade de segurança, ao lado de mais umas 40 pessoas, vi o músico sair do carro que o levava para o hotel, 24 horas antes do primeiro show que faria na cidade, e nos cumprimentar com um aceno.

Tive vontade de gritar: “Sir Paul, you are a modern Cole Porter!”. Mas faltou coragem. Ou iniciativa, tal foi o impacto de estar somente a dois passos do mais musical dos Beatles.

Perdi uma oportunidade única de pronunciar a frase diante dele. Seria ridículo? Qual seria a sua reação? Ficaria feliz com a comparação? Diria um “muito obrigado” em seu precário Português?

“Sir Paul, you are a modern Cole Porter!” – a frase ficou comigo, enquanto ele entrava no carro cercado por batedores e sumia em poucos segundos.

Deixei a comparação de lado e fiz o que todos ao meu lado fizeram: peguei o celular para dizer a alguém que estivera diante de Paul McCartney. E que não conseguira ao menos tirar uma foto. Ou gravar uma imagem em movimento. Nada.

Como se o desejo de fazer o comentário sobre Porter tivesse atrapalhado aquele momento.