Melhor Orquestra Sinfônica da PB foi com Burity governador

O primeiro concerto da Orquestra Sinfônica da Paraíba foi no dia 29 de maio de 1946.

O lugar: Cine Plaza, no centro de João Pessoa.

O maestro: Francisco Picado, o tenente Picado.

Cresci vendo a foto daquele concerto inaugural na parede da casa do meu avô materno. É que minha tia Ofélia tocava violino na orquestra.

A orquestra do tempo do tenente Picado era uma reunião de músicos amadores.

A profissionalização só se deu mais de três décadas depois, no primeiro governo de Tarcísio Burity. E quem tornou isso possível foi a parceria do Estado com a Universidade Federal da Paraíba.

Se é verdade que faltou a Burity deixar garantias para que a orquestra funcionasse muito bem com ele fora do governo, é verdade também que, com Burity, a OSPB viveu seus melhores momentos. E, sem ele, nunca mais foi a mesma.

Burity amava e conhecia profundamente a música erudita. Sabia, em todas as suas dimensões, o real significado que uma orquestra sinfônica tem.

Na segunda metade da década de 1980, sob a direção artística e regência do maestro Eleazar de Carvalho, a OSPB foi colocada no nível das melhores orquestras sinfônicas do país.

Quem viu a orquestra executando Also Sprach Zarathustra sob a batuta de Eleazar sabe do que estou falando.

Burity governou a Paraíba por duas vezes.

Não custa reconhecer que os governadores que o sucederam (Wilson Braga na primeira vez, Ronaldo Cunha Lima na segunda) não deram à orquestra o tratamento que ela merecia.

Se quisermos um exemplo recente, Ricardo Coutinho, em sua primeira gestão, cometeu o erro de entregar a sinfônica a João Linhares. O talento musical de Linhares não o credenciava ao posto.

Orquestra sinfônica é um organismo muito complexo.

Misturar música sinfônica com canção popular pode ser muito bom, mas é preciso não banalizar a coisa.

Levar música sinfônica ao povo também pode ser muito bom, mas não é necessário abrir mão do repertório erudito, como se o povo fosse incapaz de gostar dele.

Escrevo sobre a OSPB por causa de um livro que estou lendo:

Orquestra Sinfônica da Paraíba: trajetória artística e dimensões socioculturais é o seu título

O autor: Eduardo de Oliveira Nóbrega.

O livro é resultado de uma pesquisa de Eduardo, credenciado pela experiência como músico da orquestra, regente de corais e pelo currículo acadêmico.

A publicação, que faz parte da Coleção Humanidades, da Editora Universitária (UFPB), se debruça sobre toda a trajetória da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

O governo errou com Zé Ramalho. Tomara que acerte com Vandré!

No dia cinco de agosto de 2016, o governo estadual promoveu um concerto inesquecível de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Foi um evento histórico no palco do teatro Pedra do Reino, em João Pessoa.

Um ano e cinco meses depois, o que se viu naquela noite foi transformado num DVD de baixa qualidade com erros grosseiros de edição.

Os erros cometidos no DVD foram assumidos pelo secretário Lau Siqueira, mas o gesto decente de Lau não justifica o primarismo da produção.

Estou voltando ao assunto por causa de um outro personagem da música paraibana: Geraldo Vandré.

Vandré, que não gosta de ser reconhecido como Vandré, está em João Pessoa, cidade onde nasceu há 82 anos.

O que já é público?

Que a Orquestra Sinfônica da Paraíba se prepara para tocar peças compostas por ele.

O que é desejo de muitos?

Que Vandré suba ao palco para cantar acompanhado pela Sinfônica.

Quem está em João Pessoa?

O mito da MPB conhecido como Geraldo Vandré ou o cidadão que prefere ser chamado apenas de Geraldo e que não gosta de falar sobre o que aconteceu há 50 anos?

Geraldo Vandré, o artista que fez Caminhando no turbulento ano de 1968, está “morto” há meio século.

Desde que voltou do exílio, ele se recusa a ter qualquer vínculo com o que produziu na era dos festivais.

O homem que, numa canção, convocou o povo para a luta armada, fez Fabiana para a Força Aérea Brasileira.

A despeito disso, continua sendo venerado pela esquerda.

E, por sua vez, parece gostar de cortejar o poder.

Na Paraíba, o fez pelo menos duas vezes. No governo de Ronaldo Cunha Lima. E, agora, no governo de Ricardo Coutinho.

Não é fácil conversar com Geraldo. A conversa dele não tem a necessária objetividade que a vida real pede.

O que surgirá, então, das conversas de Geraldo Pedrosa (ou Geraldo Vandré?) com a área de cultura do governo estadual?

Um concerto com músicas dele e um Vandré mudo no palco (como ocorreu no show de Joan Baez em São Paulo)?

Ou um concerto que faria ressurgir ao menos algo do artista de meio século atrás?

O tempo logo dirá.

Torçamos para que seja bem registrado em DVD!

Lau Siqueira assume insucesso do DVD de Zé Ramalho com Sinfônica

O secretário de Cultura, Lau Siqueira, se pronunciou nesta terça-feira (09) sobre o DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Segue a mensagem que ele me enviou:

Li atenta e respeitosamente sua coluna de ontem, mas queria fazer algumas observações sobre sua coluna de hoje.

Em primeiro lugar, não sei de onde se tirou essa ideia do “lançamento do DVD de Zé Ramalho e Orquestra”. Isso não chegou a ser pensado, uma vez que se trata de um DVD promocional e não comercial, cujo resultado seria disponibilizado nas redes sociais. Um “lançamento” seria totalmente inviável, uma vez que não seria vendido e a distribuição com a massa de fãs de Zé Ramalho seria impossível. Pode ser que eu esteja enganado, mas nenhum momento falamos em distribuição ou lançamento, mas em registro.

Quanto ao DVD propriamente dito, contratamos profissionais respeitáveis e experientes do audiovisual paraibano para a execução de um trabalho que, concordo, ficou muito aquém do esperado. Por exemplo, não poderíamos supor que não tivessem colhido imagens do público e do teatro se a orientação era de, inclusive, fazer entrevistas. Isso me parecia óbvio. Na edição, não haveria como recuperar ou incluir o que não foi registrado. Portanto, ficou como ficou. É o que temos. Permanece o nosso respeito aos profissionais que realizaram o trabalho. Mas, obviamente que também não nos agradou. Só não vamos fazer cavalo de batalha nisso nem transferir culpas. Assumo integralmente o insucesso do registro.

Alguém falou em concerto na Praça do Povo, mas isso não passou de um desejo de muitos. Inclusive meu. No entanto, jamais ocorreu qualquer encaminhamento neste sentido.

Quanto aos ingressos, foram distribuídos na totalidade. Com exceção, claro, de alguns para os convidados do Zé Ramalho e do governador (não passou de 100). Felizmente, o público do Zé Ramalho é infinitamente superior a capacidade do teatro. Não haveria como abrigar todo mundo. Administramos esse problema no dia. Sinto pelos que não puderam testemunhar a beleza do concerto. Tínhamos cerca de dez mil pessoas no Espaço Cultural querendo o ingresso e o teatro comporta cerca de 3 mil. Lembro de gente que entrou na fila às 3h. Certamente que muitos voltaram para casa sem conseguir. Uma questão de lógica. Se houve favorecimentos? Jamarri Nogueira, na época assessor de imprensa da FUNESC, ficou sem ingressos. Só pra exemplificar.

Ainda bem que vc estava lá e viu o quanto tudo foi pensado nos mínimos detalhes. O DVD jamais poderia retratar integralmente o que foi aquela noite que, algumas pessoas esquecem, mas foi fruto de um grande trabalho de equipe. Foi uma produção que envolveu mais de 250 pessoas. O concerto foi maravilhoso, certamente, porque muita gente trabalhou para que fosse. Técnicos, produção, etc. O registro seria uma consequência, mas já não dependia de nós.

DVD de Zé Ramalho com Sinfônica da PB não terá lançamento

O secretário Lau Siqueira me disse que não haverá um lançamento do DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

O DVD, segundo ele, “tem o caráter meramente institucional. Vai ser distribuído com os músicos da orquestra, com o governador, com Zé Ramalho e alguns da imprensa”.

Em breve, ainda segundo o secretário, estará no canal do Youtube da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Na foto, Lau Siqueira, Zé Ramalho e o maestro Durier na coletiva de imprensa.

O concerto foi realizado no dia cinco de agosto de 2016, no teatro Pedra do Reino.

A plateia era de convidados.

Houve distribuição de uma parcela dos convites em troca de alimentos não perecíveis. Não sei que parcela foi destinada a essa distribuição.

O governo cogitou fazer outra apresentação num lugar maior. Talvez a praça do Espaço Cultural, mas isto não ocorreu.

Ficou, então, a expectativa de muitos com o DVD.

Viria como registro fiel do concerto para que aquela noite memorável fosse compartilhada com os que não a testemunharam.

No final, um ano e cinco meses depois, o DVD parece ser ainda menos acessível do que o concerto porque terá distribuição restrita.

Com o agravante de que, mal editado como foi, está longe de ser fiel à beleza daquela noite no teatro Pedra do Reino.

Concordo com os que dizem que o pessoal da cultura do governo estadual errou feio. E que o resultado tem cheiro de amadorismo, de coisa mal planejada e mal executada.

Pior: era previsível.

Ontem, conversando com um músico da Orquestra Sinfônica, ouvi dele o seguinte:

Todos sabiam que isso ia acontecer!

Edição ruim compromete DVD de Zé Ramalho com Sinfônica da PB

Recebi o DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba na última sexta-feira (05).

Exatamente um ano e cinco meses depois do concerto realizado no dia cinco de agosto de 2016 no teatro Pedra do Reino, em João Pessoa.

ze ramalho e rquestra sinfonica da pb foto francisco fran??a scom pb (7)

Antes de comentar, reproduzo o que escrevi na época sobre o concerto.

Os acordes iniciais e os primeiros versos de Avôhai arrebataram o público de quase três mil pessoas no teatro A Pedra do Reino. Que canção enigmática e mágica. Agora, vista de longe. Tão nordestina quanto universal.

Que beleza ver seu autor reapresentando a música na mesma cidade onde a cantou pela primeira vez, 40 anos atrás, num evento chamado Coletiva de Música da Paraíba, no velho Teatro Santa Roza.

Testemunhei os dois momentos. Separados por quatro décadas, eles podem sintetizar a longa caminhada de Zé Ramalho.

Essa noite dele com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi histórica. Doze canções retiradas de discos seminais ganharam os adornos luxuosíssimos de uma grande formação. Quase 140 músicos a executar os belos arranjos escritos por Emanoel Barros, um jovem de 21 anos. O solista era o próprio autor: Zé, sua voz e seu violão. Tudo sob a batuta de Luiz Carlos Durier, o maestro que não continha a alegria de estar ali.

AvôhaiVila do SossegoChão de GizAdmirável Gado Novo. Cada uma das canções do certeiro set list escolhido pelo compositor confirmava a força e a beleza da sua música. Mais do que isto: a permanência delas. O tempo, em sua inevitável passagem, já as tornou verdadeiros clássicos populares.

Clássico é o que diz respeito ao período do classicismo. Clássico é uma expressão utilizada para denominar a música de concerto. Mas clássico é também o repertório que fica. Explicou didaticamente o maestro Durier numa de suas falas à plateia.

O público do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi testemunha de um encontro repleto de significados. Uma noite inesquecível. Para ficar muito bem guardada na nossa memória afetiva.

Agora, o DVD.

Quem assistiu ao concerto não vai encontrar na gravação o que viu ao vivo.

Quem não viu, jamais saberá como foi.

O registro é inferior ao que Zé Ramalho e a Orquestra Sinfônica da Paraíba fizeram no palco do Pedra do Reino.

Não é um concerto com começo, meio e fim, como vimos ao vivo e como gostamos de ver em DVD ou Blu-ray.

É somente uma sequência de números musicais separados por fade.

O programa começa com Meu Sublime Torrão, de Genival Macedo.

Terminado o primeiro número, um fade nos separa do segundo. E, aí, Zé Ramalho já está no palco, iniciando Avôhai.

Ninguém vê a sua entrada triunfal nem a ovação da plateia.

Plateia, aliás, só se vê ao fundo, captada pela pequena câmera que está em frente ao maestro Durier.

No mais, fica a impressão de que não há plateia.

Faltam imagens das expressões dos espectadores enquanto as músicas são executadas.

Faltam imagens deles na hora dos aplausos.

São erros conceituais que parecem cometidos por quem não tem intimidade com as técnicas de montagem há tanto tempo estabelecidas e dominadas pelo cinema e pela televisão.

Há outro problema que diz respeito à edição: uma incômoda falta de sincronia entre áudio e vídeo (vejam, por exemplo, Garoto de Aluguel e constatem).

No final da sua apresentação, sem agradecimento, sem aplausos, sem pedido de bis, Zé Ramalho simplesmente “some” do palco depois de cantar Eternas Ondas.

Segue-se mais um fade, e a Orquestra Sinfônica da Paraíba executa Tico Tico no Fubá.

Outro fade e sobem os créditos.

O editor não esperou ao menos que o maestro se curvasse para agradecer ao público e receber os merecidíssimos aplausos.

Burocracia atrasa DVD de Zé Ramalho com OSPB, diz secretário

Uma pergunta que costumo ouvir:

Quando, afinal, será lançado o DVD do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba? 

O concerto, um evento para convidados, foi realizado no dia cinco de agosto de 2016, no teatro A Pedra do Reino, e, até agora, passados 15 meses, o DVD não chegou às mãos do público.

Nesta terça-feira (21), toquei no assunto durante o programa CBN João Pessoa, ancorado por Nelma Figueiredo.

E disse que ouvira, de uma fonte da Orquestra Sinfônica da Paraíba, que o DVD não foi lançado porque houve problemas técnicos com a captação do áudio do concerto.

É verdade? Não sei.

À tarde, por telefone, o secretário de Cultura Lau Siqueira me disse que isto não aconteceu.

Segundo ele, o que atrasou por tanto tempo o lançamento da gravação foi um problema burocrático com a capa do DVD.

Lau assegurou que o produto estará disponível antes do final do ano. Talvez até nos próximos 15 dias.

Perguntei, naturalmente, se ele já havia visto a gravação, e ele respondeu que não.

Aguardemos!

Memória afetiva: a última vez em que vi Sivuca

No post anterior, falei sobre a primeira vez em que vi Sivuca. Agora, falo sobre a última.

sivuca-e-silvio-osias

João Pessoa, novembro de 2006. 32 anos se passaram entre a primeira vez em que vi Sivuca ao vivo e a última em que estive perto dele. Não mais como espectador, sentado na poltrona de um teatro, a alguns metros do palco. Mas na sala do seu apartamento, no bairro de Manaíra, com a missão de entrevistá-lo.

Dias antes, recebi o convite num telefonema que fiz a Glorinha para parabenizar o casal pelo lançamento do DVD “O Poeta do Som”. Na conversa, ela disse que alguém precisava fazer uma longa entrevista com Sivuca. Ele estava no fim (todos sabiam), e Glorinha tinha o desejo de que contasse histórias para a posteridade. De que desse uma extensa entrevista. Certamente, a última.

Cheguei ao apartamento no final da tarde de uma terça-feira, dois dias antes do concerto em que Sivuca se despediria da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Levei o jornalista e amigo André Cananéa para fotografar a conversa. O casal nos recebeu, mas Glorinha optou por não acompanhar a entrevista.

Sivuca estava abatido, cansado, quase vencido pela doença que o consumiu durante mais de três décadas. Tinha um fio de voz, perdera muito peso. Vestia calças jeans e uma camisa xadrez, azul e branca. Conversamos durante duas horas sobre temas que levei anotados num papel. Uma conversa com pouca improvisação e, para poupar o entrevistado, menos extensa do que eu desejava.

Já era noite quando a entrevista terminou. Glorinha fez fotos minhas e de André Cananéa ao lado de Sivuca. Ainda conversamos rapidamente sobre a homenagem que ele receberia, dois dias depois, da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Seria sua última performance ao vivo, numa breve apresentação no Espaço Cultural José Lins do Rego.

Voltei para casa dividido. Profissionalmente feliz com a sensação de que tinha feito uma boa entrevista. Triste pela confirmação de que Sivuca estava no fim. Esgotavam-se todas as alternativas da luta contra o câncer, iniciada em 1974, quando Glorinha o conheceu, apresentados um ao outro pelo amigo comum José Bezerra Filho. Na época em que, vindo do Zaire, reencontrara seus conterrâneos naquela noite inesquecível, no palco do Teatro Santa Roza.

Três semanas se passaram até que, no dia 15 de dezembro, fui acordado logo cedo por André Cananéa. Ao telefone, ele me contava o que acontecera no final da noite anterior, no Hospital Memorial São Francisco, no bairro da Torre, em João Pessoa:

– Sivuca morreu!

Orquestra Sinfônica faz concerto em igreja no Valentina Figueiredo

A Orquestra Sinfônica da Paraíba leva o projeto OSPB nos Bairros ao Valetina Figueiredo.

O concerto será nesta quinta-feira (06) às 19h00 na igreja de Nossa Senhora Aparecida, com entrada gratuita.

No programa, a Orquestra Sinfônica executará compositores eruditos, como Tchaikowsky e Sibelius, e populares, como Luiz Gonzaga e Felinho. A regência será do maestro Luiz Carlos Durier.

Luiz Carlos Durier

O objetivo do projeto é levar música para os moradores das comunidades. Na semana passada, a OSPB se apresentou em Mangabeira.

Sinfônica da Paraíba toca nesta quinta. Concerto para viola é destaque no programa

A Orquestra Sinfônica da Paraíba realiza concerto nesta quinta-feira (01/09).  Será às 20h30 na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural José Lins do Rego.

A OSPB será regida por seu maestro titular, Luiz Carlos Durier, e terá como solista o violista Gabriel Polycarpo.

Luiz Carlos Durier

No concerto desta quinta-feira, a Orquestra Sinfônica da Paraíba executará três preças:

“Romeu e Julieta – Suíte No 2 para Orquestra”, de Sergei Prokofiev.

“Concerto para Viola e Orquestra em Sol Menor”, de Cecil Forsyth. Solista: Gabriel Polycarpo.

“Sinfonia No 1 em Ré Maior”, de Schubert.

Reaudição de domingo: o melhor de Zé Ramalho num box com quatro CDs.

O recente concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba me leva a reouvir A Caixa de Pandora e a resgatar um texto em que comento o box e narro um reencontro com o artista.

Quatro discos oferecem uma síntese da carreira de Zé Ramalho. O autor e o produtor Marcelo Fróes escolheram um repertório que funde o que é previsível ao que não é.

Dois discos reúnem os sucessos. As canções retiradas dos primeiros discos de Zé reavivam a lembrança do instante em que ele se consolidou como um artista de dimensão nacional, na segunda metade da década de 1970. Conservam a beleza e a força originais. Atravessam o tempo. Permanecem colocadas aos nossos ouvidos e à nossa memória afetiva. É bom compará-las com as regravações da Antologia Acústica. Cada versão tem vida própria. As mais antigas flagram o artista num momento de intensa criatividade, com a voz jovem e os desejos da conquista. Aquelas feitas 20 anos depois trazem o distanciamento da maturidade.

A caixa segue com um disco dedicado ao intérprete. De Caetano, Gil, Milton, Tom, Roberto & Erasmo. Lá estão também Raul Seixas, Gonzaguinha, Renato Teixeira, Lulu Santos e Guilherme Arantes. Muitos fonogramas vieram do álbum duplo Estação Brasil. Zé e Fagner brilham na releitura de Amigo, de Roberto & Erasmo, transformada num choro canção que está entre as faixas inéditas.

O quarto disco é o das raridades. Nele aparecem algumas gravações feitas para o CD dedicado a Raul e não liberadas à época do lançamento. Nos últimos anos, nos trabalhos em que o intérprete se sobrepõe ao autor, temos a confirmação de que, ao gravar outros compositores, Zé Ramalho confere às canções um toque tão pessoal que algumas soam como se fossem suas. É uma marca registrada quando se debruça sobre repertório não autoral.

Reencontro Zé Ramalho. O artista no seu refúgio paraibano, na praia de Areia Dourada. A conversa tem a serenidade da passagem do tempo. As músicas interpretadas ao violão, no sofá da sua casa, mostram o autor na intimidade, com um registro vocal mais grave. Um privilégio ouvi-las assim bem de perto. E poder observar cada detalhe das performances. Elas são muito diferentes do que vemos no palco. Têm um despojamento que valoriza a beleza das melodias e realça a magia dos versos.

Zé continua apaixonado por tudo o que ouviu. Não apenas pela música que criou. Ele não perdeu o prazer de ouvir os artistas que admira desde a juventude. No reencontro com amigos dos anos 1970, faz como nos velhos tempos: promove uma audição repleta de comentários, tal como se fazia há mais de 40 anos nas intermináveis reuniões em que ouvíamos discos de vinil.

Imagens e sons de uma época. Os músicos com as canções que se transformaram na trilha sonora de nossas vidas. Uma revisão que mistura empolgação e nostalgia. E reafirma a convicção do quanto tudo aquilo foi e continua sendo essencial.

O anfitrião nos conduz a um passeio por números que estão retidos nas nossas memórias. Uma alegria poder compartilhá-los com um artista como Zé Ramalho!