Bolsonaro e Lula e Bush. Quem muito se abaixa, o fundo aparece

Vi Lula contar essa história numa entrevista, pouco antes da sua prisão, e achei muito interessante.

O presidente brasileiro participava de um desses encontros de chefes de Estado.

Lula estava numa mesa com o chanceler Celso Amorim e Kofi Annan, que era secretário geral da ONU.

De repente, houve uma grande movimentação no local.

Claro! Era Bush, o presidente americano, que estava chegando.

Celso Amorim ficou todo empolgado e propôs a Lula:

Vamos lá cumprimentá-lo!

Ao que Lula respondeu:

Calma, Celso! Ele está chegando e vai cumprimentar todos, do mesmo jeito que eu fiz. Não é porque ele é presidente dos Estados Unidos que será diferente. 

Dito e feito. Bush foi de mesa em mesa cumprimentar os chefes de Estado.

E sabem onde ele sentou? Na mesa de Lula.

Menos por Lula, a quem Bush ainda não conhecia, mais por Kofi Annan, pelo cargo que este ocupava na Organização das Nações Unidas.

Nos oito anos em que foi presidente, com Celso Amorim à frente do Ministério das Relações Exteriores, Lula foi respeitado internacionalmente pelo seu carisma, pelo seu talento político, pela política externa adotada pelo governo brasileiro.

Com Bush, a despeito das posturas ideologicamente muito distintas, soube construir uma relação que acabou ultrapassando os limites formais que há entre os presidentes de duas nações amigas.

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Lula, Bolsonaro, Bush, Nova York, Dallas, Brasil/Estados Unidos.

Nos últimos dias, tenho pensado em algo que o povo diz em sua sabedoria, com maior ou menor sutileza.

Aqui na coluna, vai ficar assim:

Quem muito se abaixa, o fundo aparece!

“Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?”

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais

Caetano Veloso – Podres Poderes

Recebo em casa três estudantes de jornalismo.

Duas garotas e um garoto na faixa dos 20 anos.

Vieram conversar sobre Archidy Picado (o pai), avô de uma das meninas. Será personagem de um trabalho acadêmico.

Gosto imensamente dessas conversas. Põem a gente em contato com a garotada, revelam um pouco do que pensam os jovens que estão na universidade, os profissionais de amanhã.

Perguntam sobre Archidy.

Respondo sobre Archidy, com quem convivi muito de perto.

Mas amplio a conversa. Acabo usando o personagem para falar do tempo em que ele viveu e tento puxar o papo para os dias atuais.

Archidy era um intelectual de direita.

Isso parece surpreender as meninas e o menino que me entrevistam.

É bom que surpreenda. É positivo. Traz para o presente a história de um homem que morreu há mais de 30 anos.

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O encontro foi longo.

Passou por Bolsonaro, por Lula.

Passou por Caetano, por Glauber (uma das meninas disse que viu Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol).

Numa conversa assim, misturo otimismo com pessimismo.

O pessimismo dos 60 anos que completo em junho com o otimismo de jovens que falam em resistência.

Que resistência?

Como será esse resistência?

De algum modo, Lula falou sobre ela na entrevista a Florestan Fernandes e Mônica Bergamo.

Mas Lula falou também de como fazem falta ao Brasil homens como Dr. Ulysses, Brizola e Arraes. De como o nosso parlamento empobreceu. No fundo, falou sobre como é difícil reorganizar o campo democrático – ou progressista, como queiram.

As opiniões de Lula, a despeito dos erros que possa ter cometido, nos fazem, com alguma nostalgia, pensar na política. Não nessa velha política que agora chamam de nova. Mas na política como uma atividade da qual o homem não pode prescindir.

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Como as garotas e o garoto que vieram à minha casa se veem nesse cenário?

Que perspectivas profissionais terão daqui a alguns anos?

Que país os espera depois desse furacão de extrema direita que atinge o Brasil?

Essas conversas, a um só tempo, me alegram e me entristecem.

Jovens estudantes passam por mim, vão embora com seus sonhos, e eu fico me perguntando:

Quem, afinal, nos salvará dessas trevas em que fomos atirados?

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“Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?” é um verso de Promessas do Sol, canção de Milton Nascimento e Fernando Brant. Está no álbum Geraes, de 1976.

Avôs e avós, netos e netas. A propósito de Lula e Arthur

Meu avô paterno se chamava Onaldo.

Minha avó paterna se chamava Isaura.

Meu avó materno se chamava José Osias.

Minha avó materna se chamava Stella.

Meu avô Onaldo era militar. Lutou em 32 pelas forças getulistas e levou um tiro na nuca. Sobreviveu e foi reformado. Militou na UDN, foi gráfico em A União, fez poesia, escreveu dois livros, era espírita. Com ele, ouvi Orlando Silva & Pixinguinha & Luiz Gonzaga. No Natal de 1967, me deu de presente o disco com as músicas do festival de Alegria Alegria e Domingo no Parque.

Minha avó Isaura era uma mulher melancólica. Parecia estar sempre triste. Uma foto que guardo cuidadosamente revela que fora muito bonita na juventude. Foi quem me mostrou Quem Sabe, de Carlos Gomes, dizendo o quanto aquela música era bonita. Ficou para sempre associada a ela. Morreu quando eu tinha quinze anos. Foi meu primeiro contato muito próximo com a morte.

Meu avô Osias dizia que era nobre. Pertencia à família do Barão de Lucena. O barão faliu e ficou conhecido como “barão do nada tem”. Meu avô veio de Olinda, conheceu minha avó no carnaval de 1920, em Bananeiras. Foi ele que me ensinou a andar de bicicleta e a jogar xadrez. Dizem que era durão, mas conheci seu lado terno. Lia compulsivamente e adorava As Mil e Uma Noites. Não gostava de música.

Minha avó Stella tinha liderança na paróquia do bairro. Comandava as Mães Cristãs. Era irresistivelmente eloquente. Conquistava pela fala. Juntos, ouvimos muita música, os clássicos e os populares, os antigos e os novos. Foi ela que me levou para ver A Noviça Rebelde na estreia. Na velhice, descobriu a música de Egberto Gismonti. Ficaram amigos – uma experiência humana riquíssima da qual fui testemunha.

Avôs e avós.

Figuras especialíssimas na vida da gente.

Um amor diferente do amor de pai e mãe, mas de uma força incomum.

Netos e netas.

Também muito especiais na vida dos avôs e avós.

Amores essenciais na travessia dos verdadeiros homens humanos.

FHC seria justo com a história de FHC se apoiasse Haddad

Fernando Henrique Cardoso com Lula. Os dois juntos, panfletando.

A velha foto fala sobre o papel que eles desempenharam na construção da democracia brasileira.

As paixões partidárias tentam negar, mas eles desempenharam, sim. Assim como seus partidos, o PSDB e o PT.

Pena que a cegueira de um lado impeça a visão do que há no outro lado. A política feita como se religião fosse impede.

O PT demonizou Fernando Henrique.

O PT errou ao demonizar Fernando Henrique.

Fernando Henrique é um democrata, um pensador do Brasil. Com os erros e os acertos dos homens que fazem política. Orgulho-me de ter votado nos dois. No Fernando Henrique de 1994. No Lula de 2002.

Li com grande interesse a entrevista de Fernando Henrique Cardoso no último final de semana.

Tem as razões dele. As críticas dele. As suas resistências ao PT que hoje disputa o segundo turno da eleição presidencial. Devemos ouvi-lo.

Há uma porta que pode levar Fernando Haddad a Fernando Henrique. Está dito pelo ex-presidente.

O bom era que fosse uma porta que não se abrisse só na hora em que um precisa do apoio eleitoral do outro.

O ideal era que fosse uma porta permanentemente aberta para o fortalecimento da democracia brasileira.

Muitos esperam gestos dos dois nesse momento tão grave da vida nacional.

Não sei o que acontecerá, mas continuo pensando que Fernando Henrique Cardoso faria justiça à história de Fernando Henrique Cardoso se apoiasse Haddad.

Lula é muito grande, mas o Brasil é maior do que ele

O ano era 1993.

Hospedado na casa de um deputado federal do PT de São Paulo, fui caminhar no Parque do Ibirapuera com o meu anfitrião.

A pergunta inevitável: por que o PT ajudou a derrubar o presidente Fernando Collor, mas não quis participar do governo de Itamar Franco, chegando ao ponto de punir Luiza Erundina quando esta aceitou um cargo no governo?

A resposta surpreendente: porque o projeto de poder do PT não é o Brasil, mas Lula, e Itamar atrapalha a sua concretização.

Ouvi com estranhamento, guardei e, de vez em quando, lembro da conversa.

Agora mesmo, em 2018, tenho lembrado bastante.

OK, Lula tem uma história extraordinária e fez um grande governo.

No caso do triplex, ele é inocente e está preso injustamente.

Mas o fato real é que o ex-presidente foi condenado em segunda instância por um colegiado e está inelegível pela lei da ficha limpa.

É aí que me vem a lembrança da conversa com o deputado petista.

A insistência do PT na manutenção da candidatura de Lula parece sugerir que o candidato e o partido se sobrepõem ao processo eleitoral, se colocam acima deste. Como se só a presença de Lula na sucessão presidencial conferisse legitimidade à eleição.

Lula livre? Sim.

Lula candidato? Não teremos.

Tenho ouvido de vozes do PT: Lula conseguirá manter a candidatura, será eleito e a bomba só vai estourar no momento da diplomação.

É isso o que queremos?

É disso que seremos reféns?

Qual será o custo?

A vitória da direita na ausência do campo progressista pragmaticamente organizado para a disputa?

Lula é muito grande, mas o Brasil é maior do que ele.

Lula, Favreto, Noblat, Fidel e o anticomunismo burro ou desonesto

Esta foto apareceu em muitos posts no Facebook neste domingo (08), em meio à repercussão da decisão do desembargador Rogério Favreto, que mandou soltar o ex-presidente Lula.

Coisas assim: aí está o jovem Favreto, treinado por Fidel para trazer o comunismo para o Brasil. É este o homem que quis soltar Lula, etc.

Anticomunismo ora burro, ora intelectualmente desonesto.

Quando vi a foto, reconheci imediatamente. Claro!

Este não é o jovem Favreto coisa nenhuma!

É o jornalista Ricardo Noblat, numa foto – creio – da segunda metade dos anos 1980.

Quanta desonestidade!

Quanta burrice!

ENTÃO O FASCISTA SOU EU?

Meu pai era comunista.

Minha mãe era católica, envolvida, nos anos 1970, com comunidades eclesiais de base.

Eu tinha cinco anos quando Jango foi derrubado.

26 quando o último general presidente deixou o poder.

Cresci na ditadura.

E fui criado num ambiente onde se conversava tudo o que na rua era proibido.

Pretos, pobres, gays, cabeludos, maconheiros, ativistas na clandestinidade, artistas, intelectuais.

Todos eram recebidos lá em casa, no bairro de Jaguaribe, com afeto e respeito por meu pai e minha mãe, por mim e meu irmão.

De Rosário Pretinha, que mal tinha o que comer e chegava regularmente para o jantar, a Dom José Maria Pires, nosso grande arcebispo.

De Xangai  a Elomar, que minha mãe chamou de anjos.

De Pedro Osmar a Everaldo Pontes, que se jogou no chão quando viu em cima da mesa a cópia de Houve Uma Vez Um Verão em 16 mm.

Dos jovens estudantes que foram presos e nunca mais voltaram ao ativista Vladimir Dantas.

Do jovem WJ Solha a Jomard Muniz de Britto, guru tropicalista transitando entre a Paraíba e Pernambuco.

De Jurandy Moura a Gerardo Parente, com seu piano e sua imensa sensibilidade.

De Hermano Cananéa a Lúcio Lins, artistas do bairro.

De Carlos Aranha a Walter Galvão, mestres do jornalismo cultural.

Música, cinema, teatro, literatura, política, filosofia, ciência, religião, ausência de religião.

Tudo isso fazia parte do nosso cotidiano, do nosso repertório.

Era incrível!

Essas lembranças me ocorrem agora, nesse Brasil louco em que estamos vivendo.

Ocorrem por causa de um texto que escrevi sobre o ataque à TV Cabo Branco, na última sexta-feira, por manifestantes que foram às ruas protestar contra a prisão do ex-presidente Lula.

Eu estava dentro do prédio e podia ter levado uma pedrada.

Acho o protesto legítimo. Desde que pacífico. O ataque, não! Nem às pessoas, nem às instalações da emissora.

Eis que recebo, no privado, uma resposta de um amigo querido, desses de mais de 40 anos atrás, dos que frequentaram a nossa casa em Jaguaribe.

Dizia mais ou menos assim:

Contra os fascistas, tudo é legítimo!

Em público, outro me chamou de serviçal.

Digo a eles que continuo fiel ao nosso velho repertório.

Mas que não contam comigo para “quebrar essa porra”.

Não!

Votei em Brizola. Depois em Lula.

Com a crença de que eles cuidariam melhor da coisa pública.

Talvez dos nossos sonhos.

Prefiro sempre as conquistas dos nossos marcos civilizatórios.

Da nossa frágil democracia.

Sem elas, iremos para onde?

Contra os fascistas, tudo é legítimo!

O comentário, vindo de quem veio, me fez mal, me entristeceu – mais do que já estamos todos consternados com o impasse no qual fomos mergulhados.

A minha resposta vem, então, em forma de pergunta:

Quer dizer que o fascista sou eu?

O país vive o instante trágico da prisão de um ex-presidente

Em outubro de 1992, assim que Fernando Collor foi afastado pela Câmara dos Deputados, o paraibano Antônio Mariz foi escolhido relator, no Senado, do processo de impeachment do presidente.

Mariz era contra Collor e, em seu relatório, recomendaria o afastamento definitivo do presidente.

Mas quando, por telefone, o entrevistei sobre a indicação para a relatoria, ele me respondeu assim:

O país vive o instante trágico do afastamento de um presidente.

Lembrei muito da frase de Mariz quando Dilma foi derrubada.

Volto a lembrar agora que foi decretada a prisão do ex-presidente Lula.

Lula é inocente?

Lula é culpado?

Não importa.

Trago a frase de Mariz para o presente por que ela contém lucidez, bom senso, serenidade, equilíbrio.

Ela pode ser um contraponto aos que desde ontem usam as redes sociais para o júbilo, o regozijo, a comemoração exacerbada, a galhofa, o desrespeito.

O país vive, sim, o instante trágico da prisão de um ex-presidente.

E a prisão de um ex-presidente, seja ele inocente ou culpado, é um instante muito grave da vida nacional.

O Brasil não é para principiantes

Nesta quarta-feira (24), lembrei de Antônio Mariz.

Em outubro de 1992, quando foi escolhido relator, no Senado, do processo de impeachment de Fernando Collor, ouvi dele a seguinte frase:

O país vive o instante trágico do afastamento de um presidente.

Lembrei de Mariz, ontem, ao ver nas redes sociais manifestações de grande júbilo pela confirmação (com ampliação da pena) da sentença de condenação do ex-presidente Lula.

Atualizada, a frase de Mariz seria assim:

O país vive o instante trágico da condenação de um ex-presidente.

Penso que não há o que comemorar. Mesmo pelos que são contra Lula.

Mas esse post é sobre Tom Jobim (em foto de Evandro Teixeira).

Se vivo fosse, ele faria 91 anos nesta quinta-feira (25).

O nome completo: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

O nome artístico que gostava de usar: Antônio Carlos Jobim.

O nome que todos usam: Tom Jobim.

O que Chico Buarque usou na letra de Paratodos: Antônio Brasileiro.

Novamente Chico: Maestro Soberano.

Tom Jobim é o maior compositor popular do Brasil.

Nascido no Rio de Janeiro, Jobim se debruçou sobre o samba, grande expressão da música popular do Brasil.

Sua versão do samba carioca é, a um só tempo, popularíssima e (harmônica e melodicamente) complexa.

Como nas outras “praias” que visitou. Modinha, valsa, toada, baião, frevo – há uma marca de excepcional qualidade em tudo o que fez.

Seu vasto cancioneiro permanece vivo e atual como documento sonoro do país que nunca deixou de ser uma promessa de vida em seu coração.

Tão permanente e atual quanto as suas canções é a frase de Jobim que escolhi para fechar o post:

O Brasil não é para principiantes.

Em tempos estranhos, esquerda recorre até a Reinaldo Azevedo!

De vez em quando, saio da cultura para escrever sobre política.

Ou sobre jornalismo.

Hoje, uno as duas coisas com Reinaldo Azevedo.

O jornalista Reinaldo Azevedo, direitista confesso (um liberal de direita, como costuma dizer), faz críticas à Lava Jato. Ao Ministério Público. A Moro, a Janot. Desde que enxergue neles alguma ruptura com o estado de direito. Não é de hoje.

Não vou julgar se o faz em nome da sua consciência ou por alguma estratégia. Ou pelos dois motivos.

O fato é que, conduzido por uma lógica a que obedece no exercício jornalístico, pode defender (ou atacar) tanto Lula quanto Aécio. Para ele, não faz diferença. Desde que não violente a sua lógica.

Leio Reinaldo Azevedo sabendo quem ele é. Como, no outro extremo, lia Paulo Nogueira, que morreu recentemente. (A diferença é que este não escrevia tão bem quanto aquele!).

Como jornalista, mas também como cidadão, acho tão importante ler gente de esquerda quanto gente de direita.

Ser de esquerda ou de direita não é pré-requisito para pensar bem e saber traduzir, em texto escrito ou falado, o que se está pensando.

Tanto há esquerdistas que escrevem muito mal quanto direitistas que escrevem muito bem.

Essa conversa toda é por causa de algo que chamou minha atenção nos últimos dias.

Não o fato de Reinaldo Azevedo ter criticado a sentença que Moro aplicou a Lula. Já era esperado que o fizesse. Mas de muita gente de esquerda estar compartilhando conteúdos produzidos pelo jornalista. As redes sociais estão cheias desses compartilhamentos, típicos – como disse um amigo meu – de quem mistura política com religião.

O Reinaldo que inventou o termo petralha e agora, eventualmente, defende Lula é o mesmo que, grampeado numa conversa telefônica com a irmã de Aécio, teve que largar o blog que mantinha na Veja.

É razoável, portanto, que provoque algum estranhamento ver gente de esquerda chancelando Reinaldo Azevedo nas redes sociais.

Vivemos tempos realmente muito confusos!