Gonzaga Rodrigues e as lições de um grande mestre do jornalismo

Gonzaga Rodrigues e meu pai foram vizinhos no bairro da Torre.

Anos 1950.

Meu pai, na Aragão e Melo, começando o amor pelas estrelas, pela astronomia.

Gonzaga, na Maroquinha Ramos, pelo jornalismo. Pela palavra muitíssimo bem escrita.

Muito depois, eu estava saindo da infância quando vi Gonzaga de perto pela primeira vez.

Um assunto da astronomia levou meu pai à redação de O Norte. Fui junto.

E lá estava ele.

O “Neguinho”.

O cara que, àquela altura, já era mestre absoluto do seu ofício.

Profissionalmente, meu vínculo com Gonzaga começou na redação de A União.

Final dos anos 1970.

Eu, levado para o caderno de cultura por Agnaldo Almeida, o editor.

Gonzaga, diretor técnico do jornal.

A diretoria e a administração ficavam na sede do Distrito Industrial, longe da notícia.

A redação, na João Amorim, entre Jaguaribe e o Centro, numa casa por trás do Bompreço da Praça Castro Pinto.

Gonzaga chegava sempre no final da tarde.

Ficava até a noite.

Àquela altura, não sentava mais para fazer o jornal, para editar.

Discutia conteúdo.

Dava pitacos.

O mais importante era a conversa dele.

A conversa com ele.

Muito mais produtivo – que me perdoem os melhores da academia – do que cadeiras completas do curso de jornalismo.

Lições diárias de como fazer. Dadas com a simplicidade dos que sabem, mas não precisam ostentar.

A fala matuta, com os traços do lugar de onde veio.

O gestual expressivo.

A erudição de quem leu muito.

O conhecimento compartilhado com os colegas, os que quisessem ouvi-lo.

A generosidade com os mais jovens, garotos ainda, como eu.

Gonzaga foi (é) mestre de todos nós.

Dos que quiseram (querem) a sua companhia.

O seu afeto.

É, sobretudo, mestre da palavra transformada em texto escrito.

Transitando ali entre o jornalismo e a literatura.

A redação da João Amorim passou.

O tempo em que estivemos juntos na Secom, também.

Mas as lições dele atravessaram as décadas.

Permaneceram (permanecem) à nossa disposição.

Somadas a um monte de coisas que acumulamos.

Não é só jornalismo que há em Gonzaga. É literatura, música, cinema, política, religião.

As histórias dos nossos sítios e seus personagens.

O humanismo. Sim. O humanismo que anda tão escasso.

Estar ao lado dele, escutá-lo, é um negócio que não tem preço.

Acho que ele nem sabe que a gente pensa assim.

Mas a gente pensa.

*****

Este texto não é novo. Fiz há dois anos, nos 85 anos de Gonzaga Rodrigues. Republico neste domingo (21), quando ele faz 87.

No dia do jornalista, lembro como é triste ser vetado por amigos

Hoje, sete de abril, é o dia do jornalista.

Se a Covid-19 não me levar, farei 61 anos em junho.

Aos 15, em outubro de 1974, comecei a publicar meus primeiros textos, conduzido pelo grande crítico de cinema Antônio Barreto Neto.

Saímos – Barreto e eu – numa rural da Secretaria de Divulgação e Turismo em direção ao velho Correio da Paraíba de Teotônio Neto, que ficava na Barão do Triunfo, e, lá, fui entregue ao editor, Jurandy Moura, homem culto que transitava entre o jornalismo, o cinema e a literatura.

A União da segunda metade da década de 1970 e início da de 1980.

A TV Cabo Branco nos seus primeiros 20 anos.

A essência do que sou como jornalista vem dessas duas experiências.

Antônio Barreto Neto, Agnaldo Almeida, Gonzaga Rodrigues – mestres em A União.

Erialdo Pereira – mestre na TV Cabo Branco.

*****

Nesse dia do jornalista do ano de 2020, é imprescindível registrar o papel que a grande imprensa tem cumprido na cobertura da pandemia do novo coronavírus, enquanto todos nós – veículos e profissionais que neles atuam – somos chamados de podres e sebosos (isso mesmo!) pela ultradireita que chegou ao poder na eleição de 2018.

Antes da pandemia, e também é necessário dizer, a ultradireita e muitos dos que estão no outro extremo da luta política se juntavam em críticas duras e quase sempre improcedentes à imprensa. Não entendiam (não entendem) o quanto nossa frágil democracia precisa do jornalismo profissional e dos grandes veículos de comunicação.

*****

Às vésperas dos 61, ainda conservo algo (quase nada) de romântico quando penso no ofício que escolhi. Talvez por causa dos mestres que tive, da simplicidade deles, da capacidade que tinham de acolher os jovens que chegavam. Dos valores que me ensinaram.

Mas o restinho desse romantismo se desmancha se pensarmos no amanhã. Depois do terremoto digital, o que ficará para os jovens jornalistas – os garotos e garotas a quem caberá comandar as redações?

*****

No terreno pessoal, o jornalista que há dentro de mim não tem mais ilusões. Apenas contempla a luta insana por espaço, a vaidade sem tamanho dos que botam a cara no vídeo, o exercício tolo do poder, a falta de consciência de que as coisas – na vida e no trabalho – valem muito menos do que parecem valer.

No terreno pessoal, o jornalismo me deu muitas alegrias, mas também muitas tristezas.

A alegria pelo sucesso de uma cobertura importante, bem planejada e bem realizada.

A tristeza de ser cotidianamente violentado pela linha editorial do veículo onde você esteve.

A alegria pelo êxito de uma entrevista com a qual você sonhou durante anos.

A tristeza de ser vetado, impedido de publicar pelos amigos em cujo talento você apostou. Isso aí deixa feridas que o tempo não fecha.

Dois anos sem Nelma. “Nelma, a vida não se acaba com a morte”.

Nesta segunda-feira (30), faz dois anos da morte de Nelma Figueiredo. Acompanhar sua doença e vê-la morrer foram experiências muito dolorosas para mim. Hoje, lembrando dela, transcrevo um texto que escrevi em setembro de 2018:

Nelma me levou para perto da morte de um modo que eu nunca havia experimentado, a despeito de todas as perdas que já tive.

Nessa jornada que se estendeu por um ano e oito meses, fui puxado para junto dela e, igualmente, a quis junto de mim. Coisas que podem encontrar explicação nas religiões, para quem as tem, ou na força de uma amizade.

20 meses. Muito pouco tempo se pensarmos na sobrevida pela qual o paciente luta.

20 meses. Muito tempo se pensarmos no sofrimento de quem se vê consumido por uma doença devastadora como o câncer.

O diagnóstico inicial – um câncer de pulmão já com metástase – não deixava dúvidas sobre a gravidade do quadro. Não haveria cura. Uma cronicização da doença? Quem sabe?

Nelma era movida pela fé. Nela, encontrava forças para enfrentar o câncer. Trabalhava normalmente, tinha vida social ativa, aguardava ansiosamente o nascimento da neta Maria.

Eu não tinha qualquer otimismo, mas as nossas expectativas sobre a doença ficaram guardadas. Nelma vinha com a crença, eu ia com o silêncio. E ela parecia entender o quanto o meu silêncio era eloquente.

A metástase hepática, confirmada 40 dias antes da morte, trouxe a certeza de que não havia mais nada a fazer.

Vi minha amiga querida se entregar a uma tristeza profunda, a um recolhimento que não combinava com a sua natureza sempre muito inquieta.

Esperei que falasse comigo sobre a morte. O que eu diria? Que sim, que ela ia morrer? Não sei como seria essa conversa, mas estava certo de que ocorreria. E tentava estar pronto para enfrentá-la.

Houve um momento, numa das últimas consultas, em que Nelma perguntou ao oncologista:

E agora?

Ao que ele respondeu, com admirável serenidade:

A vida não se acaba com a morte.

Comigo, não. Nos dias finais, foi só silêncio.

Ou falas que não combinavam com a realidade:

E então, Sílvio, como foi o concerto de Geraldo Vandré?

Como se não quisesse ouvir o que eu, se abordado, não poderia deixar de lhe dizer.

Nelma se foi na tarde da sexta-feira santa. Vê-la morrer foi uma experiência dolorosa que só o tempo amenizará.

Sinto sua falta. Sobretudo das conversas diárias de anos e anos, já cheias de desencanto, sobre o ofício que escolhemos. Era o terreno das nossas maiores afinidades.

A morte de Heraldo Nóbrega e a abordagem do suicídio na mídia

Heraldo Nóbrega se matou. Amanhecemos a sexta-feira passada (29) com essa informação. O jornalista paraibano de 66 anos sofria de depressão, estava numa crise severa e pulou do décimo sexto andar do edifício em que morava.

A morte de Heraldo conduz a uma inevitável reflexão sobre um tema complexo para nós que somos jornalistas: de que modo o suicídio deve ser abordado pela mídia.

Aprendi logo cedo que, em televisão, mais até do que em outras plataformas, o suicídio é notícia que não deve ser dada. Salvo quando a dimensão que o morto tem – se for uma celebridade, por exemplo – torne o registro obrigatório.

O argumento é que noticiar o suicídio pode estimular outros suicídios. Está nas cartilhas, está nos manuais.

O músico Chet Baker, devastado pelos excessos, pulou de um prédio e morreu. O mundo inteiro noticiou. Era um grande nome do jazz.

O rapaz anônimo, por causa de uma desilusão amorosa, se atira de um edifício e morre. Os manuais vão recomendar que o fato seja ignorado.

E há uma derivação: às vezes, a morte é noticiada. A causa, não.

O que penso do assunto: tendo a discordar dos manuais. Se a morte é notícia, ainda que por sucídio, devemos dar.

Não vejo como estímulo a novos suicídios. Pelo contrário, vejo como alerta sobre uma questão importantíssima num mundo em que a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas.

Já escondemos casos de câncer. Já evitamos falar de pacientes com AIDS. Não devemos falar de suicídio? Devemos, sim. Com responsabilidade, com respeito às vítimas, às famílias, aos amigos. Com a consciência de que é um problema que deve ser encarado sem subterfúgios.

Como Heraldo Nóbrega, as pessoas se matam.

Não há eufemismos para o suicídio.

Larissa Pereira no Jornal Nacional confirma talento da âncora do JPB

O Jornal Nacional é o melhor, o mais completo e o mais importante noticioso da televisão brasileira.

Querelas ideológicas à parte, é isso mesmo!

O JN vai completar 50 anos em setembro.

Dentro da comemoração, uma novidade: durante algumas semanas, aos sábados, a bancada será ocupada por apresentadores e apresentadoras de emissoras que formam a Rede Globo.

O formato (inédito) amplia o diálogo com o jornalismo dessas emissoras e com o público dos seus estados, além de mostrar ao país inteiro talentos que são apenas locais ou, no máximo, regionais.

A seleção já foi feita e divulgada nesta quinta-feira (25).

A Paraíba será representada por Larissa Pereira, âncora do JPB2 da TV Cabo Branco.

Em março, Larissa sucedeu Edilane Araújo na apresentação do JPB.

A escolha dela para estar na bancada do JN confirma o talento da âncora do jornal noturno da TV Cabo Branco.

Ontem, Larissa Pereira era um misto de alegria e absoluta consciência da dimensão desse desafio.

“Nelma, a vida não se acaba com a morte”

Neste sábado (30), faz um ano que Nelma Figueiredo morreu.

Escrevi esse texto em setembro do ano passado, no dia do aniversário dela.

Nelma me levou para perto da morte de um modo que eu nunca havia experimentado, a despeito de todas as perdas que já tive.

Nessa jornada que se estendeu por um ano e oito meses, fui puxado para junto dela e, igualmente, a quis junto de mim. Coisas que podem encontrar explicação nas religiões, para quem as tem, ou na força de uma amizade.

20 meses. Muito pouco tempo se pensarmos na sobrevida pela qual o paciente luta.

20 meses. Muito tempo se pensarmos no sofrimento de quem se vê consumido por uma doença devastadora como o câncer.

O diagnóstico inicial – um câncer de pulmão já com metástase – não deixava dúvidas sobre a gravidade do quadro. Não haveria cura. Uma cronicização da doença? Quem sabe?

Nelma era movida pela fé. Nela, encontrava forças para enfrentar o câncer. Trabalhava normalmente, tinha vida social ativa, aguardava ansiosamente o nascimento da neta Maria.

Eu não tinha qualquer otimismo, mas as nossas expectativas sobre a doença ficaram guardadas. Nelma vinha com a crença, eu ia com o silêncio. E ela parecia entender o quanto o meu silêncio era eloquente.

A metástase hepática, confirmada 40 dias antes da morte, trouxe a certeza de que não havia mais nada a fazer.

Vi minha amiga querida se entregar a uma tristeza profunda, a um recolhimento que não combinava com a sua natureza sempre muito inquieta.

Esperei que falasse comigo sobre a morte. O que eu diria? Que sim, que ela ia morrer? Não sei como seria essa conversa, mas estava certo de que ocorreria. E tentava estar pronto para enfrentá-la.

Houve um momento, numa das últimas consultas, em que Nelma perguntou ao oncologista:

E agora?

Ao que ele respondeu, com admirável serenidade:

A vida não se acaba com a morte.

Comigo, não. Nos dias finais, foi só silêncio.

Ou falas que não combinavam com a realidade:

E então, Sílvio, como foi o concerto de Geraldo Vandré?

Como se não quisesse ouvir o que eu, se abordado, não poderia deixar de lhe dizer.

Nelma se foi na tarde da sexta-feira santa. Vê-la morrer foi uma experiência dolorosa que só o tempo amenizará.

Sinto sua falta. Sobretudo das conversas diárias de anos e anos, já cheias de desencanto, sobre o ofício que escolhemos. Era o terreno das nossas maiores afinidades.

Nelma Figueiredo morreu há um ano

Neste sábado (30), faz um ano da morte da jornalista Nelma Figueiredo.

Às cinco da tarde, será celebrada uma missa na igreja São Pedro e São Paulo, no Brisamar.

Esse texto, que republico hoje, escrevi no dia em que Nelma morreu.

*****    

Nelma Figueiredo morreu.

Dizer que ela foi uma das melhores jornalistas da minha geração pode ser um clichê, mas é absolutamente verdadeiro.

Dizer que ela lutou bravamente contra o câncer que a consumiu em menos de dois anos é outro clichê, mas foi exatamente assim.

Nelma enfrentou a doença com uma força singular.

Sabia, desde o início, que a cura era uma impossibilidade.

A luta era por mais tempo de vida.

Movida pela fé, tinha uma esperança que só se foi nas últimas semanas, quando entendemos que não havia mais nada a fazer.

Quando entendeu que a batalha estava perdida.

Na juventude, éramos assim, como nessa foto do tempo da universidade.

1983. Ou 1984. Parecíamos felizes.

O Brasil que estava mudando.

Os sonhos com um exercício digno da profissão que escolhêramos.

Nelma está no centro.

Tinha 19 ou 20 anos.

Era uma garota inquieta que morava no mesmo bairro que eu e me levava para as aulas noturnas de fotografia.

A partir de 1988 – ela com 24 anos, eu com 29 – juntamos a amizade com a parceria no campo profissional.

Convergimos muito.

Também divergimos.

Tivemos grandes desencontros afetivos e profissionais.

Daqueles que o tempo e a capacidade de perdoar resolvem.

E que parecem confirmar as verdadeiras amizades.

Não serei modesto: quando começamos, na TV Cabo Branco, fizemos jornalismo pioneiro. A televisão acabara de chegar a João Pessoa, e tínhamos consciência de que fazíamos história no jornalismo paraibano. Abríamos caminho para o que viria em seguida. Brigávamos pelo cânone, mas temíamos, com razão, muita coisa ruim que mais tarde contaminaria nossas telinhas.

Nelma amava a profissão.

Respirava notícia.

Era jornalista o dia todo, onde quer que estivesse.

Tinha predileção pela editoria de política.

Gostava de cobrir os bastidores do poder, os processos eleitorais.

Adorava conversar sobre os cenários e seus personagens em longos telefonemas.

Era repórter por excelência. Ágil, brilhante, com um feeling extraordinário.

Tinha orgulho do que fazia porque fazia muito bem.

Amava estar na rua com sua equipe.

Quando retornava à redação, corria para a ilha de edição para compartilhar comigo o que conseguira.

Comumente, ia além da pauta, trazia o melhor.

Nessa foto, de 2017, ela aparece tão bonita.

Mas estava triste.

Segurava uma barra que optou por dividir com poucos, poupando família e amigos.

Na tarde desta sexta-feira santa, descansou.

É outro clichê.

Mas foi assim mesmo.

Com Nelma Figueiredo, experimentei ter uma amiga a quem a gente pode dizer que ama.

E ouve que é amado.

MERDA PRA VOCÊ, EDILANE ARAÚJO!

Merda!
Merda pra você!
Desejo merda!
Merda pra você também
Diga merda e tudo bem
Merda toda noite e sempre, amém

Caetano Veloso

Quando vão entrar em cena no teatro, atores e atrizes dizem “merda pra você!” uns aos outros.

No inglês, há o “break a leg!”. “Quebre a perna!”.

É como se dissessem “boa sorte!”.

Edilane Araújo não está entrando, está saindo de cena. Então, não caberia o “merda pra você!”.

Mas, como ela veio do teatro e ama o palco, tomo a liberdade de usar a expressão como desejo de sucesso nos seus novos desafios.

Incluindo – quem sabe?, quem sabe? – uma volta ao teatro.

Transcrevo o texto que escrevi para a homenagem que o JPB fez nesta segunda-feira (11) no último telejornal apresentado por Edilane Araújo:

Segunda-feira, 11 de março de 2019.

Hoje é dia de despedida no JPB2.

Despedida costuma ser coisa triste, mas aqui a gente tem mais motivos para celebrar.

Edilane Araújo está deixando o vídeo da TV Cabo Branco.

Foram 32 anos e mais uns 70 dias.

*****

Edilane Araújo.

A “maga”.

Ou a “bruxa”, como era chamada por Nelma Figueiredo.

Ou “Sinhá”, apelido carinhoso que nasceu no estúdio por causa de uma novela de época.

Edilane Araújo.

A garota pobre que veio do subúrbio começou jogando basquete.

Depois foi para o teatro.

Queria ser atriz.

Dizem que brilhava na comédia.

Do teatro para o rádio.

Do rádio para a televisão.

*****

Primeiro de janeiro de 1987.

Edilane Araújo apresentou ao vivo, na hora do almoço, o primeiro telejornal da primeira emissora de televisão de João Pessoa.

O resto é história.

*****

Edilane trocou o palco do teatro pelo estúdio da TV.

Fez do estúdio seu palco.

O telejornal passou a ser o seu teatro.

Afinal, ali ela era uma intérprete dos acontecimentos.

Dialogando com os telespectadores que foram conquistados pelo profissionalismo, pela ética, pela precisão, pelo jeito discreto daquela moça bonita.

Mas, sobretudo, pela credibilidade.

Sim. Credibilidade. A Palavra que resume tudo.

Edilane se transformou num ícone da televisão paraibana.

Assim reconhecida pelo público, cuidou de ser discreta como pessoa pública.

A Edilane extrovertida, a da família, dos colegas de trabalho, dos amigos que fez – esta, poucos conhecem.

No ar, no vídeo da TV Cabo Branco, só o passinho, o seu célebre passinho, parece revelar um pouco mais de Edilane para seus telespectadores.

A musa da televisão paraibana em leve momento de descontração.

*****

Hoje é dia de despedida no JPB.

Despedida costuma ser coisa triste, mas não a de Edilane.

Porque ela escolheu a hora de sair.

Ela planejou a sua saída e quis que isso acontecesse na hora certa, fechando uma longa trajetória no vídeo.

Na Rede Paraíba de Comunicação, Edilane sai do vídeo para se dedicar à gerência de Qualidade.

Qualidade – palavra que tem tudo a ver com ela.

A atleta da juventude, Edilane reencontrou há alguns anos e hoje é dedicada maratonista.

E o teatro?

Será que, agora, haverá uma volta aos palcos?

*****

Edilane Araújo!!

Muitos aplausos pra você!!

Edilane Araújo, musa do telejornalismo paraibano, sai do vídeo hoje

Edilane Araújo deixa de apresentar o JPB2 nesta segunda-feira (11).

A despedida dela será no telejornal de hoje à noite.

A partir desta terça-feira (12), quem apresenta o telejornal de maior audiência da televisão paraibana é Larissa Pereira.

Conheci Edilane Araújo em 1983/84.

Ela fazia teatro e rádio. A televisão parece ter sido a soma das duas experiências.

A estreia no vídeo foi na fase em que a TV Cabo Branco operou em caráter experimental.

A TV Cabo Branco entrou no ar em caráter definitivo no primeiro dia de 1987, como afiliada da Rede Globo. Antes, entre outubro e dezembro de 1986, ficou no ar em fase experimental, transmitindo o sinal da Band.

O primeiro telejornal posto no ar foi o Câmera 7. Depois veio o Jogo Aberto. Com o nome emprestado de um programa radiofônico e editado por Werneck Barreto, ia ao ar na hora do almoço e era apresentado por ela.

Nos primeiros tempos da TV Cabo Branco como afiliada da Globo, os telejornais se chamavam JCB. O nome JPB veio depois. Quando Edilane, depois de passar pelo JPB1, assumiu a bancada do JPB2, não era usual que os telejornais da noite fossem apresentados por uma mulher. Havia pioneirismo na decisão do jornalismo da emissora, comandado por Erialdo Pereira.

Fomos parceiros por muitos anos. Eu, na edição. Ela, na apresentação.

Seu profissionalismo, seu perfeccionismo, seu alto nível de exigência – sua postura era admirável naquela luta diária para que oferecêssemos ao telespectador a melhor informação, a mais correta e mais crível.

Era compromisso nosso. Profissional, ético.

Edilane Araújo logo se transformou na cara da televisão paraibana. Um verdadeiro sinônimo de apresentadora. De credibilidade, de qualidade. A musa do nosso telejornalismo.

Hoje ela sai do vídeo.

É o fim de um belo capítulo da televisão paraibana.

OBVIUS BOSTIS!

Faz tempo que quero contar uma historinha.

Divertida historinha das redações de João Pessoa de algumas décadas atrás.

Vou omitir nomes para não correr o risco de ofender alguém.

É mais ou menos assim:

Um jornalista experiente, mais velho do que todos nós, gostava de brincar com os colegas nos textos que escrevia.

Uma brincadeira ferina que não agradava nem um pouco aos que eram escolhidos como alvos.

A ideia era trocar os nomes verdadeiros por nomes falsos, mantendo as iniciais do nome e do sobrenome.

Feito isto, vinha o comentário irônico, mordaz, nada abonador.

Faço um exercício. Nunca fui escolhido por ele, mas, se tivesse sido, meu nome poderia ficar assim: no lugar de Sílvio Osias, S de Sílvio e O de Osias dariam origem a – digamos – Silvícola Osário.

Um dos “eleitos” ficou verdadeiramente ofendido, magoado, e anunciou uma vingança à altura.

E como foi à altura!

Na sua coluna, no caderno de cultura, pegou o O do nome do autor das brincadeiras e o B do sobrenome e mandou ver:

OBVIUS BOSTIS!

Sim!

Você é um OBVIUS BOSTIS!

Preciso traduzir?