Single dos Beatles com Hey Jude e Revolution foi lançado há 50 anos

Segunda-feira, 26 de agosto de 1968.

Nos Estados Unidos, ainda com o selo Capitol, é lançado o novo single dos Beatles.

No lado A, Hey Jude. No lado B, Revolution.

Sexta-feira, 30 de agosto de 1968.

Já com o selo Apple, Hey Jude e Revolution chegam às lojas do Reino Unido.

50 anos depois, qualquer garoto dirá que Apple é o nome da empresa de produtos eletrônicos fundada por Steve Jobs.

Meio século atrás, era outra coisa. Apple era o nome da empresa fundada pelos quatro Beatles para, fundamentalmente, comercializar os discos do grupo e lançar novos artistas.

Os singles (no Brasil, compactos simples) da Apple eram lindos.

No lado A, o verde da maçã ainda inteira.

No lado B, o branco da maçã partida ao meio.

Hey Jude/Revolution foi o primeiro single com o selo Apple.

Hey Jude é uma balada de Paul McCartney. Letra e música de Paul, apesar da assinatura Lennon/McCartney.

Revolution é um rock de John Lennon. Letra e música de John, apesar da assinatura Lennon/McCartney.

Hey Jude – O Jude do título na verdade é Julian, filho de Lennon que sofria com a separação dos pais. McCartney escreveu a canção pensando no garoto, que estava com cinco anos. É uma das suas melodias mais marcantes. E tem o “na-na-na-na” do longo coro que fecha a gravação. Hey Jude dura sete minutos, mas isto não impediu o seu sucesso radiofônico. A música atravessou meio século e ainda hoje fecha os shows de Paul McCartney, emocionando plateias do mundo inteiro.

Revolution – É a resposta dos Beatles aos acontecimentos de 1968, ao tema da revolução. Essa resposta só podia vir de Lennon, o mais politizado dos quatro. Como há duas versões (a do single e, em seguida, a do Álbum Branco), Lennon preferiu a ambiguidade. Podem contar com ele para a revolução? Uma versão diz que sim, a outra diz que não. No compacto, Revolution é um rock visceral, pesado, cheio de guitarras saturadas – do jeito que John gostava.

50 anos se foram e cá estamos nós falando de Hey Jude e Revolution.

Parece que os Beatles faziam boa música, não é?

Gravadora divulga versão inédita de Imagine, de John Lennon

Uma versão inédita de Imagine, de John Lennon, foi divulgada pela gravadora Universal Music.

A gravação, uma demo original da canção, foi encontrada no início dos trabalhos do projeto Imagine – The Ultimate Collection, que será lançado mundialmente no dia cinco de outubro.

O registro, até então desconhecido, foi localizado pelo engenheiro Rob Stevens nos arquivos de Lennon.

Imagine – The Ultimate Collection é um box com rico material de áudio e vídeo distribuído em quatro CDs e dois Blu-rays.

O projeto, supervisionado por Yoko Ono, revela todo o processo de gravação do álbum Imagine, que John Lennon lançou em 1971.

Os discos trazem o álbum original em versão novamente remasterizada, além de dezenas de takes que desnudam as canções.

Há também os filmes Imagine e Gimme Some Truth, restaurados e remasterizados em HD.

No Brasil, a Universal Music deve lançar uma edição com dois CDs e um DVD.

Se fosse vivo, John Lennon faria 78 anos no dia nove de outubro.

John Lennon fez Sunday Bloody Sunday muito antes do U2

Muita gente que conhece e ama Sunday Bloody Sunday, grande sucesso do U2, não sabe que há uma outra Sunday Bloody Sunday e que ela é anterior à da banda irlandesa.

Sim. Sunday Bloody Sunday está no álbum Some Time in New York City, que John Lennon e Yoko Ono lançaram em 1972. A música do U2 é do começo dos anos 1980.

Sunday Bloody Sunday de John e Yoko não fez sucesso.

Sunday Bloody Sunday do U2 é um mega hit.

As duas tratam do mesmo episódio. Um massacre ocorrido na Irlanda em 1972.

A música de John e Yoko foi feita no calor do fato.

A do U2 tem o distanciamento de uma década.

Ambas têm refrões poderosos.

Vamos ouvir as duas?

Qual a que você prefere?

SUNDAY BLOODY SUNDAY, JOHN LENNON E YOKO ONO

SUNDAY BLOODY SUNDAY, U2

Yoko Ono faz 85 anos

Oh Yoko!

I’ll never-ever-ever-ever gonna let you go

Yoko Ono faz 85 anos neste domingo (18).

Notável artista de vanguarda da segunda metade do século XX, queiram ou não muitos fãs dos Beatles.

Filha de uma família abastada, Yoko nasceu no Japão e, desde cedo, estudou piano. Foi uma criança marcada pela guerra, num país devastado pela guerra.

Mais tarde, já morando em Nova York, envolveu-se com arte de vanguarda.

Artes plásticas, música, cinema. Com John Cage por perto.

Yoko Ono já era Yoko Ono quando conheceu John Lennon na segunda metade dos anos 1960, durante uma exposição na Indica Gallery, em Londres.

Mas é claro que sua arte de vanguarda conquistou uma dimensão que dificilmente conquistaria não fosse a presença de um beatle ao seu lado.

Yoko levou a ousadia do seu trabalho para a música de John.

Revolution 9 não existiria sem ela.

John levou o rock’n’roll para a arte de Yoko.

Sisters, o Sisters não existiria sem ele.

A troca enriqueceu os dois artistas.

Please remember

My life is in your hands

Juntos, eles foram também grandes ativistas.

Contra o racismo, pela paz, pelas mulheres, pelos presos políticos.

Duramente perseguidos pelo governo Nixon, lutaram para permanecer nos Estados Unidos, morando em Nova York, a cidade que seria palco de uma tragédia: o assassinato de Lennon em dezembro de 1980.

Sem John Lennon, Yoko Ono continuou atuando como artista de vanguarda.

Expondo seus trabalhos pelo mundo, compondo e gravando discos.

Sendo Yoko Ono.

E cuidando (muito bem) da memória dele.

Minha admiração (sempre) por Yoko!

Então é Natal! “Happy Xmas” é uma singela canção de Lennon

Ouvi Happy Xmas no início da década de 1970.

Uma canção nova.

Um disco novo de John Lennon e Yoko Ono.

No Brasil, o compacto simples de selo preto foi lançado pela Odeon.

Ouvi como música inédita que era e logo a incorporei ao meu repertório.

Muitos anos depois, com a versão cantada por Simone, é que ela foi banalizada entre nós, brasileiros, e, hoje, muita gente detesta a canção.

Eu, não.

Continuo gostando imensamente da gravação original.

O sussurro de John: Happy Xmas, Yoko.

O sussurro de Yoko: Happy Xmas, John.

A voz inconfundível de Lennon.

O coral infantil do Harlem.

A letra ingênua, mas perfeitamente adequada ao espírito das canções natalinas. E com o toque politizado do autor.

A melodia (“chupada” do folk Stewball) que fica para sempre colada aos ouvidos.

Happy Xmas é uma singela canção natalina de John Lennon.

Fecho com uma versão da música feita pelo grupo Blues Beatles.

Lembranças de John Lennon

Nesta sexta-feira (08), faz 37 anos que John Lennon foi assassinado em Nova York.

Se estivesse vivo, teria feito 77 anos em outubro de 2017.

A lembrança de Lennon em seu melhor disco:

Em 1970, “John Lennon/Plastic Ono Band” surge como um dos grandes discos do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos mínimos, o grito primal transportado do divã de Arthur Janov para o estúdio, os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração.

Após a dissolução dos Beatles, ninguém (nem o George Harrison de “All Things Must Pass”, nem o Paul McCartney de “Band on the Run”, muito menos Ringo Starr) fez nada parecido.

E ainda havia “God”, em cuja letra negava tudo e todos. A religião, os mitos, os heróis, os ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém é poupado.

Na parte final da canção, John pronuncia a frase que se tornaria emblemática para uma geração: o sonho acabou.

As ideias generosas que marcaram a década de 1960 não seriam postas em prática num mundo pragmático e desigual.

Lennon não era bom músico como McCartney, mas criou os Beatles

Se estivesse vivo, John Lennon faria 77 anos nesta segunda-feira (09).

O tempo passou. Aos 77 anos, John Lennon seria um velho senhor, juntando os recortes da trajetória com os Beatles e com Yoko Ono, numa casa à beira do mar da Irlanda – como ele sonhou certa vez. Ou estaria no apartamento do Dakota, em Nova York, compondo e gravando canções. Nunca saberemos. John Lennon se foi no final daquela noite trágica de oito de dezembro de 1980. Tinha 40 anos e acabara de gravar um disco no qual alternava as suas novas composições com as de Yoko. Era a dupla fantasia do casal que, uma década antes, usara o leito nupcial para pedir cantando que o mundo desse uma chance à paz.

Alguém já disse que os Beatles foram a maior invenção de John Lennon. Mais do que as canções que compôs, mais do que a militância política que assumiu a partir do final da década de 1960, mais do que a mistura de rock e vanguarda que promoveu. O grupo foi o caminho encontrado para canalizar as dores da infância e da adolescência, traduzidas mais tarde em Mother, canção desesperada, de melodia repetitiva e letra concisa, sinos sombrios na abertura, arranjo instrumental mínimo e gritos primais. Os Beatles surgiram no final dos anos 1950, comandados por Lennon. Ao seu lado, Paul McCartney e George Harrison, como ele, garotos de Liverpool apaixonados pelo rock’n’ roll que os americanos produziram a partir do surgimento de Elvis Presley. Ringo Starr viria em 1962, quando o quarteto estava prestes a gravar o primeiro disco.

Na época, era difícil imaginar que os Beatles dos primeiros registros fonográficos se transformariam no maior grupo da história do rock e num fenômeno de influência gigantesca sobre a música popular produzida em seu tempo e também sobre o comportamento do público jovem que consumiu as suas canções. A despeito desta dificuldade, Lennon intuiu que o rock seria o que os Beatles fizessem dele. E foi. Como confirmam a permanência do seu repertório na memória afetiva de milhões de pessoas e a lembrança ainda muito nítida de tudo o que eles representaram.

John Lennon não foi o melhor músico entre os quatro Beatles. Este título é de Paul McCartney. Mas foi a personalidade mais importante do quarteto. Começou como um bad boy que cantava rocks primitivos. Mais tarde, influenciado por Bob Dylan, passou a escrever letras que falavam de suas dores. Aos 25 anos, compôs In My Life como se fosse um homem velho enxergando de longe os amores, os amigos e os lugares que marcam uma vida. Rock, política, religião, drogas, arte de vanguarda – há tudo isto no artista que amadureceu rapidamente, se compararmos o início da carreira dos Beatles com a fase final, e que encontrou em Yoko Ono a parceira certa para levá-lo a fazer o que poucos fizeram no mundo do rock.

Strawberry Fields Forever, que compôs sozinho, sem a ajuda de Paul McCartney, flagra os Beatles no ponto alto da sua criatividade. A melodia enigmática, a letra escrita a partir de uma lembrança da infância em Liverpool, o arranjo deslumbrante de George Martin – ali está Lennon em seu melhor com os Beatles. Mais tarde, John Lennon/Plastic Ono Band surge como um dos grandes discos do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos mínimos, o grito primal transportado do divã de Arthur Janov para o estúdio, os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração – após a dissolução dos Beatles, ninguém (nem o George de All Things Must Pass, nem o Paul de Band on the Run, muito menos Ringo) fez nada parecido.

E ainda havia God, em cuja letra negava tudo e todos. A religião, os mitos, os heróis, os ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém é poupado. Na parte final da canção, John pronuncia a frase que se tornaria emblemática para uma geração: o sonho acabou. As ideias generosas que marcaram a década de 1960 não seriam postas em prática num mundo pragmático e desigual.

TOP 10 DE LENNON SOLO (SEM IMAGINE)

God

Mother

Working Class Hero

Gimme Some Truth

Woman Is the Nigger of the World

New York City

The Luck of the Irish

Mind Games

Aisumasen

Nobody Loves You

Os Beatles nasceram há 60 anos no salão de festas de uma igreja

O dia era seis de julho de 1957. Portanto, há 60 anos. Se há uma data que pode ser tomada como a do nascimento dos Beatles, é essa.

Foi quando John Winston Lennon e James Paul McCartney se conheceram. John ainda não tinha 17 anos. Paul acabara de fazer 15.

John levou a banda dele – The Quarry Men – para se apresentar num evento no jardim de uma igreja, em Liverpool.

Era tudo muito rudimentar. Os garotos mal tocavam seus instrumentos. Ninguém podia imaginar que em poucos anos o líder daquele grupo de skiffle se transformaria numa das figuras mais importantes da música popular do seu tempo.

Paul estava na plateia. Ele e sua guitarra, com a qual tinha muito mais intimidade do que o futuro parceiro. Depois do show, os dois foram apresentados por um amigo comum no salão de festas da igreja.

Inicialmente, Lennon não foi tão receptivo. Mas não resistiu ao talento musical de McCartney quando ouviu a voz de autêntico rocker e viu os acordes e riffs da sua guitarra em Twenty Flight Rock, sucesso de Eddie Cochran.

A música que Paul tocou para John é esta que vemos no vídeo a seguir:

John Lennon tocava guitarra com alguns acordes de banjo ensinados por Julia, sua mãe. Paul McCartney conhecia melhor o instrumento e já aprendera os acordes corretos para tocar rock’n’roll.

Os dois tinham os mesmos sonhos. Queriam ser músicos, formar uma banda, tocar rock.

O encontro naquele remoto seis de julho de 1957 mudou as suas vidas. Ali, começou uma grande amizade, além de uma extraordinária parceria musical e da formação dos Beatles.

O resto é História.

O rock será o que nós fizermos dele – disse John Lennon.

E foi!

O Sgt. Pepper botou a banda pra tocar há 50 anos!

Nesta quinta-feira (01/06), faz 50 anos do lançamento do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (o álbum saíra seis dias antes no Reino Unido).

Prefiro o Abbey Road, o Álbum Branco, o Revolver. Muitos fãs preferem.

Mas o Pepper é o disco mais importante dos Beatles. O mais ousado, o mais influente, o mais marcante. Aparece quase sempre como o disco mais importante do rock.

O álbum é uma suíte pop com 13 faixas coladas.

Nasceu quando os Beatles gravaram Strawberry Fields Forever (de Lennon) e Penny Lane (de McCartney). As duas lembranças da infância em Liverpool ficaram de fora do LP, saíram em single, mas estão para sempre associadas ao impulso criativo que gerou o Pepper.

Sgt. Pepper é disco de uma banda. Se há, porém, alguém que pode ser de fato mencionado como autor do projeto, esse alguém é Paul McCartney.

A ideia é mais dele do que dos outros. O conceito, a capa. A predominância do autor no repertório. É fruto do interesse de Paul pelos eruditos contemporâneos, pela arte de vanguarda, pelo que ele viu e ouviu na Londres da sua juventude. (Está tudo no livro Many Years From Now).

A despeito disso, há grandes momentos autorais de John Lennon (Lucy, Mr. Kite) e um número de música indiana que insere George Harrison no projeto de forma brilhante. Ringo Starr faz seu número com uma pequena ajuda dos amigos.

O Pepper é diferente do que os Beatles faziam até então, apesar dos sinais claros que estavam no Revolver. É, a um só tempo, novo e velho. Ou vai buscar o novo no velho.

Sempre me pareceu assim. Rompe, define caminhos, diz como vai ser dali por diante. Mas evoca a bandinha da cidade interiorana, o espetáculo de circo, as cordas e a harpa a acompanhar um lied de um tempo remoto, o ritmo americano que embalava o pai de Paul.

Tudo dando forma a um produto que era, naquele junho de 1967, o que havia de mais contemporâneo no rock.

O ponto alto, a coda dessa grande suíte pop, se chama A Day in the Life. Duas canções distintas (uma de John, outra de Paul) que foram fundidas como se fossem uma só. A orquestra de muitos músicos, soando atonal, produzindo música aleatória, conduz o ouvinte ao majestoso acorde final.

O maestro e produtor George Martin, peça fundamental na engrenagem do Pepper, conta a história do disco no livro Summer of Love, The Making of Sgt. Perpper, leitura importante para quem ama os Beatles.

Leia o livro, ouça o disco. Celebre os 50 anos do Pepper!