Há 60 anos, Chega de Saudade mudou história da música popular

Vai minha tristeza

E diz a ela

Que sem ela não pode ser

Chega de Saudade.

A melodia: Antônio Carlos Jobim.

A letra: Vinícius de Moraes.

A voz e o violão: João Gilberto.

O arranjo: Jobim.

Um 78rpm da Odeon cujo take definitivo foi registrado na quinta-feira 10 de julho de 1958, há exatos 60 anos.

Chega de Saudade, na versão de João Gilberto, mudou a história da música popular brasileira e a projetou internacionalmente sob o rótulo de Bossa Nova.

Classificada no selo do disco como samba-canção, Chega de Saudade funde o velho com o novo. Tom compôs a melodia a partir de parâmetros antigos. João Gilberto trouxe a novidade na batida do violão e no modo de cantar.

Certa vez, num texto sobre João, tentei explicar assim:

A batida que João criou é a síntese do samba e a sua reinvenção. A utilização dos baixos desaparece para dar lugar a uma mão direita que percute o ritmo, enquanto a esquerda oferece acordes dissonantes num refinado desenho harmônico. A execução ilude o ouvinte: ela parece simples, mas é muito complexa. A voz nem sempre se deixa guiar pelo instrumento que a acompanha. Ora está adiantada, ora atrasada, às vezes os dois se encontram. É misterioso, preciso, perfeito. É necessário entender este diálogo para que não se incorra no erro de diminuir o artista.

Salve João!

E Tom!

E Vinícius!

E toda a Bossa Nova!

A BOSSA NOVA FAZ 60 ANOS*

 

A Bossa Nova completa 60 anos agora em 2018.

Há quem defenda o argumento de que seria em 2019, no sexagésimo aniversário do lançamento do LP Chega de Saudade, de João Gilberto.

Fiquemos, no entanto, com 2018 porque foi em 1958 que Elizeth Cardoso lançou Canção do Amor Demais, disco dedicado à parceria de Antônio Carlos Jobim com Vinícius de Moraes.

Neste disco, está registrada pela primeira vez a batida da bossa ao violão: seu criador, João Gilberto, acompanha Elizeth em Chega de Saudade e Outra Vez.

Um pouco depois, em julho de 1958, o próprio João fez o seu registro de Chega de Saudade num 78 rpm da Odeon.

A gravação seria uma espécie de manifesto do movimento que mudou a música popular do Brasil e efetivamente lhe deu dimensão internacional.

Além de ter fornecido inúmeras razões para que nos orgulhássemos dela.

Um cantor e seu violão.

Um compositor quer quis ser arquiteto e estudou piano clássico.

Um poeta que resolveu fazer letra de música popular.

João Gilberto.

Antônio Carlos Jobim.

Vinícius de Moraes.

Há outros. Mas, se quisermos eleger apenas três nomes, são estes os que melhor representam a Bossa Nova.

E há um ano crucial, antes das gravações que servem de referência para que se comemorem as seis décadas do movimento: 1956, o ano de Orfeu da Conceição.

O espetáculo que transportava o mito grego de Orfeu para os morros do Rio promoveu o encontro de Tom e Vinícius e fez nascer uma das grandes parcerias da nossa música popular.

Sem ela e sem os sambas que João cantava acompanhado ao violão, não haveria Bossa Nova, apesar dos outros cantores, compositores e instrumentistas também inseridos no ambiente que permitiu o seu surgimento.

*ESTE TEXTO ABRE UMA SÉRIE SOBRE OS 60 ANOS DA BOSSA NOVA. 

“Os jornais querem saber de sua vida. Deveriam tentar saber melhor de sua música”

João Gilberto completou 87 anos neste domingo (10).

Agora à noite, Caetano Veloso usou o Facebook para postar este texto sobre João.

Transcrevo:

“João Gilberto é o maior artista brasileiro. Ele não procura exibir capacidade neuronal para a música. Ele vai sempre mais para dentro do essencial da música (da canção escolhida, da música composta, da Música como instância humana) e mostra com simplicidade a complexa rede de sugestões de que uma peça poético-musical é capaz, abrangendo História, religião, política, plasticidade, matemática, psicologia, moral, afetos. Com ele não é gincana em que competem velocidade de execução, precisão de afinação do instrumento e enfeite harmônico (que tantas vezes ilude-se de enriquecer o que já é rico). Não. João vai ao fundo do que é a peça e analisa seu contexto. Mudou a história da música popular no Brasil, seu passado e seu futuro. Os jornais querem saber de sua vida. Deveriam tentar saber melhor de sua música. Sua música é vida”. 

A santíssima trindade de João Gilberto

João Gilberto faz 87 anos neste domingo (10).

Três discos resumem a importância da sua música.

Chega de Saudade, 1959.

O Amor, O Sorriso e A Flor, 1960.

João Gilberto, 1961.

Seminais, os três discos formam um conjunto de excepcional beleza e grande unidade.

São tão indissociáveis quanto a fusão da voz de João Gilberto com a batida do seu violão.

No Brasil, estão fora de catálogo por causa de uma longa batalha judicial do artista com a gravadora EMI.

Na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, são encontrados em edições não autorizadas.

Canção do Amor Demais faz 60 anos

Rua Nascimento Silva 107

Você ensinando pra Elizeth

As canções de Canção do Amor Demais

Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, está fazendo 60 anos.

Lançado pelo pequeno selo Festa, é um dos discos fundamentais da música popular do Brasil.

Sem ele, minha discoteca estaria incompleta.

Há muitas belezas nesse LP que a Divina lançou em 1958.

Há a grande voz e a percepção de que algo novo estava surgindo.

Vinda de um cenário de tradição, Elizeth intuíu que a novidade estava ali naquela coleção de canções.

Dois anos antes, em 1956, por causa do musical Orfeu da Conceição, Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes começaram a trabalhar juntos.

Vinícius já passara dos 40.

Jobim ainda não tinha 30.

Canção do Amor Demais é um disco inteiramente dedicado à nova parceria.

Digamos que é um pequeno songbook da fase inicial, muito camerística, da dupla Tom e Vinícius.

João Gilberto foi convidado a acompanhar Elizeth em duas faixas. Nelas (Chega de Saudade e Outra Vez), registrou pela primeira vez um jeito original de tocar o violão.

Era a batida da Bossa Nova, invenção dele, que logo depois, ainda em 1958, apareceria no 78rpm da Odeon em que João faria o seu histórico e definitivo registro de Chega de Saudade.

Em nove das 13 faixas, o disco de Elizeth tem o usual na parceria deles: Tom fazendo a música. Vinícius, a letra.

Mas tem Tom fazendo letra e música (As Praias Desertas, Outra Vez). Vinícius também (Serenata do Adeus, Medo de Amar).

Há ainda os arranjos primorosos de Jobim.

E uma série de joias do nosso cancioneiro (Eu Não Existo Sem Você, Estrada Branca, Modinha).

Canção do Amor Demais reúne belezas grandes e pequenas.

Ao juntá-las, nos oferece algo imprescindível.

Interdição de João Gilberto é nota triste na vida de um grande artista

João Gilberto foi interditado judicialmente a pedido da filha Bebel.

Aos 86 anos, com a saúde frágil e em situação de penúria financeira, ele não pode mais gerir sua carreira.

A interdição de João Gilberto é o desfecho de uma história que se estende, pelo menos, desde 2011, quando completou 80 anos e não pôde fazer uma série de shows que estavam programados.

E é uma nota muito triste na trajetória de um dos grandes artistas da música popular brasileira.

No texto a seguir, falo um pouco sobre João e sua arte sofisticada.

João Gilberto ouviu Orlando Silva, os sambistas do Rio de Janeiro e os sambas de Dorival Caymmi. Ouviu também Chet Baker, estrela do cool jazz, artista de canto intimista que, para os americanos, está longe de ser tão importante quanto João é para nós, brasileiros. No início, muito antes da Bossa Nova, sua voz era como a dos cantores antigos, dizem os que o ouviram.

Em 1958, na gravação de Chega de Saudade, registro inaugural da bossa, está transformada: já tem a contenção que adotaria dali por diante, junto à originalíssima batida do violão. E tem o diálogo entre os dois elementos. Voz e violão, em avanços e recuos que embutiam uma revolução. A música brasileira depois de João atesta. O mundo todo reconhece.

Há um intervalo entre o período em que João integrava um grupo vocal de samba e o instante em que participa, em duas faixas, do disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso. Naquele intervalo, inventou a batida da bossa e adotou um jeito de cantar diferente de tudo o que se fazia no Brasil.

Com Elizeth, acompanha a intérprete, ao violão, em Chega de Saudade e Outra Vez. Mas falta a voz. E o casamento dela com o instrumento. É o que ouvimos, pouco depois, no 78 rpm que traz Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, arranjada por Tom. A voz e o violão de João, elementos indissociáveis. Uma gravação de dois minutos. Um corte: o antes e o depois daquele disco.

Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Milton Nascimento, Roberto Carlos. Todos (e muitos outros) dirão onde estavam quando ouviram Chega de Saudade pela primeira vez. E falarão sobre o efeito devastador que aquela gravação teve na vida e na música deles.

A essência da invenção de João Gilberto está nos três discos que gravou na velha Odeon entre o final da década de 1950 e o início da de 1960. A releitura dos sambas anteriores à bossa, um pouco de Dorival Caymmi, algo de Ary Barroso e muito dos seus contemporâneos, sobretudo Antônio Carlos Jobim – é o que se ouve naqueles LPs, que não estão oficialmente disponíveis em CD por causa da briga judicial entre o artista e a gravadora.

Violonista de formação erudita, Turíbio Santos conta que uma vez tentou tocar como João Gilberto, pensando que era fácil. Não conseguiu. A batida que João criou é a síntese do samba e a sua reinvenção. A utilização dos baixos desaparece para dar lugar a uma mão direita que percute o ritmo, enquanto a esquerda oferece acordes dissonantes num refinado desenho harmônico.

A execução ilude o ouvinte e até o músico: ela parece simples, mas é muito complexa. A voz nem sempre se deixa guiar pelo instrumento que a acompanha. Ora está adiantada, ora atrasada, às vezes os dois se encontram. É misterioso, preciso, perfeito. É necessário entender este diálogo para que não se incorra no erro de diminuir o artista.

Os três primeiros discos na Odeon, o encontro com o saxofonista Stan Getz (em Getz/Gilberto), o LP de capa branca, que começa com uma versão inigualável de Águas de Março, e Amoroso são os melhores registros da sua arte sofisticada, retratos de um país com que sonhamos e não do Brasil que temos.

Numa conversa com Caetano Veloso, pedi que falasse de Tom Jobim e João Gilberto. Ele disse que a invenção deste deflagrou uma possibilidade que o talento daquele estivera até ali esperando e que o resultado faz da gente um povo com muitas responsabilidades. Pena que tantos ainda não compreendam o som e o silêncio produzidos por João Gilberto.

Três discos seminais resumem a arte refinada de João Gilberto

Recluso e longe dos palcos há quase uma década, João Gilberto faz 86 anos neste sábado (10).

A síntese da sua arte está em três discos lançados entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1960.

O primeiro LP de João Gilberto, Chega de Saudade, de 1959, é o disco mais importante da Bossa Nova. A música popular brasileira era uma e passou a ser outra depois dele. Suas 12 faixas nos apresentam à revolução estética promovida, principalmente, por João Gilberto e Antônio Carlos Jobim. O disco é do primeiro, mas não existiria sem o segundo, suas canções e seus arranjos.

A batida do violão, ouvida antes acompanhando Elizeth Cardoso em Canção do Amor Demais, e o canto contido de João redimensionaram o samba e projetaram a música do Brasil num cenário que seria transformado por ela. O que ouvimos naquele disco está presente em muito do que os artistas brasileiros produziram nas décadas seguintes. Influência que se estendeu pelo mundo, na Europa, Japão e, sobretudo, no jazz americano.

O repertório de Chega de Saudade reúne músicas de Tom Jobim e seus parceiros (Vinícius de Moraes na faixa que dá título ao disco. Newton Mendonça em “Desafinado”), mas também de autores que ficaram conhecidos através da Bossa Nova, como o Carlos Lyra de “Maria Ninguém” e o Roberto Menescal de “Lobo Bobo”. Compositor bissexto, João Gilberto assina “Oba-lalá” e “Bim Bom” e relê duas fontes: o Ary Barroso de “É Luxo Só” e o Dorival Caymmi de “Rosa Morena”.

Ao LP Chega de Saudade, seguiram-se mais dois discos: O Amor, o Sorriso e a Flor e João Gilberto. Os três me parecem suficientes como tradução do que foi a Bossa Nova. Seminais, formam um conjunto de excepcional beleza e grande unidade. São tão indissociáveis quanto a fusão da voz de João Gilberto com a batida do seu violão.

A batida que João criou é a síntese do samba e a sua reinvenção. A utilização dos baixos desaparece para dar lugar a uma mão direita que percute o ritmo, enquanto a esquerda oferece acordes dissonantes num refinado desenho harmônico. A execução ilude o ouvinte e até o músico: ela parece simples, mas é muito complexa. A voz nem sempre se deixa guiar pelo instrumento que a acompanha. Ora está adiantada, ora atrasada, às vezes os dois se encontram.

É necessário entender este diálogo para que não se incorra no erro de diminuir o artista e sua invenção.

Boas Festas é clássico natalino do cancioneiro do Brasil

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel

Bem assim felicidade

Eu pensei que fosse uma brincadeira de papel

No Brasil, creio que todos conhecem esses versos. São da marcha Boas Festas, de Assis Valente.

Linda e melancólica.

É o clássico natalino do nosso cancioneiro.

Vamos ouvir com João Gilberto?

Assis Valente compôs Boas Festas no Natal de 1932. Estava sozinho num quarto de pensão em Niterói, morrendo de saudade da família.

Carlos Galhardo gravou a marcha em 1933. Foi um grande sucesso.

Autor do clássico Brasil Pandeiro, Assis Valente se matou em 1958.

Volto mais tarde com mais música natalina.

Paulinho da Viola, a nobreza carioca, guardião do samba e do choro

“Olá, como vai?” é a pergunta.

“Eu vou indo, e você? Tudo bem?” é a resposta.

E começa o diálogo breve de frases curtas. Duas pessoas conversando, paradas num sinal vermelho.

Na verdade, uma letra de música. Sim, uma obra-prima da canção popular brasileira.

paulinho-da-viola

É “Sinal Fechado”, que o carioca Paulinho da Viola compôs em 1969, quando estava iniciando a sua carreira fonográfica. Um sambista ligado à tradição do gênero surpreendia a todos ao escrever algo como “Sinal Fechado”.

Originalíssima, ousada, moderna. Digna da turbulência e da criatividade da época em que foi composta. Metáfora da noite em que vivíamos. Comentário sobre a incomunicabilidade humana. A música de Paulinho venceu um festival, provocou polêmica e confirmou que, ao seu modo, ele também estava antenado com as novidades da música popular de então.

Garoto ligado no rock e nos tropicalistas, tive uma certa resistência quando ouvi Paulinho da Viola pela primeira vez, entre o final da década de 1960 e o começo da de 1970. Os sambas que eu consumia eram os da Bossa Nova, os de Chico Buarque e os de Jorge Ben. Paulinho soou duro demais. Faltava entender muitas outras coisas da complexidade da nossa música popular para incorporá-lo aos meus discos.

“Sinal Fechado” ajudou. Como o viva de Caetano a ele, na letra de “A Voz do Morto”. Talvez pela percepção de que aquele cara que fazia sambas tradicionais também era moderno. Também se deixara influenciar, ainda que remotamente, por seus contemporâneos. Sei hoje que não era preciso tanta complicação para ouvi-lo. Bastava render-se ao seu talento e à sua elegância. O que, felizmente, fiz a tempo.

Na discografia de Paulinho da Viola, prefiro a fase da velha Odeon. Os 11 discos gravados durante cerca de 10 anos, a partir do final da década de 1960. A essência do seu trabalho está naquela fase, bem como suas melhores músicas.

“Nervos de Aço” se destaca na comparação com os outros. Também os dois volumes intitulados “Memórias”. Um é “Cantando”. O outro, “Chorando”. Paulinho nos leva a ouvir velhos sambas que conheceu quando era garoto e choros que seu pai – violonista do conjunto de Jacob do Bandolim, o Época de Ouro – executava com os amigos.

Este é, com certeza, um dos papéis desempenhados por ele em sua trajetória: chamar nossa atenção para a tradição do samba carioca e para o choro, grande expressão da música instrumental produzida pelos brasileiros.

Vi Paulinho da Viola ao vivo muitas vezes. Quando a turnê do projeto “Memórias” passou por João Pessoa, em meados dos anos 1970, ele contou à plateia que lotava o Teatro Santa Roza a história da chegada de Canhoto da Paraíba ao Rio, no final da década de 1950. Nunca esqueci o seu depoimento sobre o impacto que Canhoto provocou entre os chorões cariocas.

Naquela noite, como em muitas outras, quem estava na sua banda era o flautista Nicolino Cópia, o Copinha, figura lendária do mundo do choro, o músico que fez o solo da introdução de “Chega de Saudade” na gravação de João Gilberto.

Era o show em que ouvíamos sua versão de “Pra que Mentir”, de Noel e Vadico. E um novo arranjo para “Coisas do Mundo, Minha Nega”, um dos seus grandes sambas.

Sábado (22) que vem, Paulinho da Viola traz ao teatro A Pedra do Reino o show comemorativo dos seus 50 anos de carreira.

Lista da Billboard tem Caetano no topo. Mas peca por excluir João Gilberto

Lista é um negócio atraente. Top 5 disso, top 10 daquilo. A gente discorda, reclama, mas, no fundo, gosta! De ver e de fazer!

abracaco

Muito bem! Essa semana saiu uma lista da Billboard Brasil. Caetano Veloso é o número 1 como o artista mais completo da nossa música popular. Ótima escolha. Ele é grande mesmo e ponto final!

Podia ser Gil (que aparece em segundo lugar), podia ser Chico, podia ser Tom. São todos grandes. Os gigantes da música popular do Brasil!

Os dez primeiros são Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Rita Lee, Elis Regina, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Tim Maia, Raul Seixas e Maria Bethânia.

A escolha foi feita por 12 pessoas, entre críticos e gente que trabalha diretamente com música. Foram considerados quesitos como voz, presença de palco, capacidade de reinvenção na carreira, carisma, quantidade de hits, versatilidade e relevância da obra.

Como qualquer lista, essa da Billboard tem sua subjetividade, seus erros, seus acertos, não agrada a todo mundo, etc.

Tem também o intuito de conciliar nomes de ontem com nomes de hoje. Em alguns casos, ainda nem há distanciamento suficiente para avaliar um artista e colocá-lo entre os melhores. Mas está tudo OK.

Só quero registrar um pecado da lista. Uma falta imperdoável. Ora, como é que entre 0s 50 artistas mais completos da música popular do Brasil não coube João Gilberto?

Não dá para entender! A exclusão do cara que inventou a batida da Bossa Nova macula a lista da Billboard!