Governo Bolsonaro é reacionário e antiquado, diz FHC

Foi o que li logo cedo na Folha de S. Paulo.

Governo Bolsonaro é reacionário e antiquado, diz FHC.

Está certíssimo o ex-presidente.

A despeito de tudo o que a esquerda diz dele, Fernando Henrique Cardoso continua tendo minha admiração.

Creio que terá sempre.

Admiro a inteligência dos argumentos.

Admiro o homem que pensa o Brasil.

Eles (os homens que pensam o Brasil) andam escassos.

Ainda ontem conversava com um amigo jornalista sobre essa escassez.

Quem são? Onde estão?

Quais são as grandes lideranças políticas?

Já tivemos quadros muito melhores.

Fernando Henrique Cardoso?

Sempre presto atenção no que ele diz, no que ele escreve. Mesmo para discordar dele.

Em 2018?

Acho que deveria ter apoiado o PT no segundo turno. Teria sido coerente com a sua biografia.

Mas ao PT também caberia ter aberto portas para o ex-presidente. Não custa reconhecer.

Sem a abertura dessas portas, o campo progressista terá muitas dificuldades para enfrentar 2022.

Desgosto mesmo é ter Bolsonaro como presidente da República!

Agosto, mês do desgosto.

Não é assim que a gente sempre ouviu?

Não levo isso a sério.

Nunca levei.

É somente uma rima.

Mas, para não perder o mote, neste agosto de 2019, eu diria que desgosto mesmo é ter Jair Bolsonaro como presidente da República.

Continuarei dizendo -ainda que sem rima – em setembro, outubro, novembro, dezembro.

Tudo está tão banalizado que as barbaridades que o presidente diz soam assim, banais.

Mas não são.

Deveriam ser levadas a sério.

Há aquelas falas de suma gravidade (a defesa de um torturador oficialmente reconhecido como tal) e há outras que parecem apenas engraçadas, mas que, no fundo, revelam que o Brasil, por opção de 58 milhões de eleitores, está sendo governado por um homem que não compreende a dimensão do cargo que ocupa.

É o caso do cocô, dia sim, dia não.

Li primeiro em O Globo.

Depois, li na Folha.

Mais tarde, ouvi o áudio.

Em seguida, vi o vídeo no Jornal Nacional.

Não é fake.

É verdade.

Comer menos e, como consequência, fazer menos cocô.

Dia sim, dia não.

Isso mesmo.

Dito pelo presidente da República.

Como resposta a uma pergunta sobre como compatibilizar desenvolvimento com preservação ambiental.

É Bolsonaro sendo Bolsonaro?

É.

Mas, de tão absurda que é a fala, parece Bolsonaro sendo Bolsonaro e um pouco mais.

O presidente estaria perdendo a noção de alguns limites?

Parece que sim!

É assim mesmo que deve se comportar um presidente da República?

Óbvio que não!

Os bolsonaristas acham isso normal?

Sim!

Uma doença chamada BRASIL! Você está doente de BRASIL?

“Doente de Brasil – Como resistir ao adoecimento num país (des) controlado pelo perverso da autoverdade”.

É o que leio no El País em extenso e oportuno texto de Eliane Brum.

Psicanalistas, psiquiatras, médicos de clínica geral, medicina interna e cardiologia foram ouvidos pela jornalista, e é no depoimento deles que ela baseia seu artigo.

Eliane Brum se refere à autoverdade como um fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal e, portanto, destrói a possibilidade da verdade.

É esse fenômeno que tem feito muita gente adoecer.

“Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos” – diz Brum.

Não vou aqui sair reproduzindo o texto do El País, mas quero deixar registrado um detalhe muito significativo que há nele:

“Mesmo pessoas que viveram a ditadura militar não têm recordação de algum momento da sua vida em que tenham pensado todos os dias no presidente da República”.

Eu vivi a ditadura militar!

Eu não pensava todos os dias no presidente da República!

Eu penso todos os dias em Bolsonaro!

Será que eu já estou doente de BRASIL?

Para derrubar Sérgio Moro, bastava um discurso de Pedro Simon

Ao ler as conversas do então juiz Sérgio Moro com o procurador Deltan Dallagnol publicadas pelo Intercept, lembrei muito do senador Pedro Simon.

Aos mais jovens, um pouco da sua história: gaúcho, militou no velho PTB. Migrou para o MDB quando o regime militar optou pelo bipartidarismo. Foi governador do Rio Grande do Sul, ministro do governo Sarney, mas, sobretudo, senador da República. Agora, fora da vida pública, está com 89 anos.

Pedro Simon era um político íntegro e um orador brilhante. Ponderado quando necessário, ostentava uma coragem e uma firmeza invejáveis nos momentos em que estas se faziam imprescindíveis.

Um discurso de Pedro Simon? Um discurso de Pedro Simon derrubava um ministro flagrado fazendo o que não devia. Por isto, lembrei muito dele de domingo para cá.

Sérgio Moro, o (ainda?) superministro da Justiça de Jair Bolsonaro? Moro não resistiria a um discurso do velho senador.

Ministro Sérgio Moro, vossa excelência não reúne mais as condições para permanecer no governo! Nem neste, nem em qualquer governo! – e, aí, ninguém segurava Simon na sua fala que tanta falta faz ao parlamento brasileiro. Nem nenhum presidente conseguia mais manter o ministro no cargo.

Num governo como outros que a gente viu, Sérgio Moro logo deixaria o ministério. Ou seria “deixado”. Até no governo Temer, como testemunhamos, há tão pouco tempo, o que ocorreu com Romero Jucá e Geddel Vieira Lima.

Mas, entre a inapetência do presidente, o despreparo para o cargo e a ausência de um projeto para o país, Bolsonaro não faz um governo normal.

E Moro segue ministro.

Bolsonaro está perdido? Bolsonaro vai cair?

Bolsonaro é um estorvo. 

O melhor serviço que pode fazer ao Brasil é renunciar

Bresser-Pereira

Bolsonaro vai sofrer um impeachment?

Bolsonaro vai renunciar?

Bolsonaro vai dar um autogolpe?

Bolsonaro está contra os generais do governo?

Os generais do governo estão contra Bolsonaro?

O Brasil é um país ingovernável?

Bolsonaristas vão às ruas pedir o fechamento do Congresso?

Bolsonaristas vão às ruas pedir o fechamento do Supremo?

O filho zero um de Bolsonaro está envolvido em corrupção?

A família Bolsonaro está envolvida com milicianos?

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Essas perguntas são feitas a todo momento nos veículos de comunicação e nas redes sociais.

São perguntas muito negativas.

Perguntas sobre um governo que mal começou.

Foi assim com Sarney?

Foi assim com Collor?

Foi assim com Itamar?

Foi assim com FHC?

Foi assim com Lula?

Foi assim com Dilma?

Foi assim com Temer?

Claro que não!

É normal que seja assim?

Claro que não!

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O governo Bolsonaro está nos estertores?

Bolsonaro está perdido?

Bolsonaro vai cair?

Perguntas e mais perguntas.

O Brasil e seus impasses.

Bolsonaro faz a gente sentir medo do futuro!

Estamos com medo do futuro. Isso é inédito.

Gilberto Gil

Em 1964, quando a ditadura militar começou, eu tinha cinco anos.

Em 1985, quando terminou, eu estava com 26.

É muito ruim viver numa ditadura.

Hoje, olhando de longe aquele período, faço uma constatação: sob governos de exceção, eu sentia medo do presente, não do futuro.

O futuro traria a redemocratização. Havia essa expectativa. Era praticamente uma certeza.

Agora em 2019, com um governo de extrema direita chancelado por 58 milhões de votos, tenho mais medo do futuro do que do presente.

O presente parece ser o que restou do processo de redemocratização iniciado em 1985 com a volta dos civis à presidência.

Ainda estamos num estado democrático de direito, ainda temos liberdade de expressão, ainda dispomos das conquistas que vieram a partir da Constituição de 1988, etc.

Amanhã, ninguém sabe. Como no velho samba do jovem Chico.

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Vou fazer 60 anos daqui a um mês.

Nessas seis décadas, de JK a Bolsonaro, o Brasil teve 16 presidentes.

Naturalmente, por causa da pouca idade, não lembro nem de JK nem de Jânio nem de Jango.

Creio que à exceção do desastre chamado Collor, nos demais, mesmo nos piores, havia algo que está se perdendo velozmente em Bolsonaro.

Sim. Havia um discurso de construção.

Em Bolsonaro, o que há é um rápido, desordenado e despudorado processo de desconstrução.

Nesta terça-feira (14), vi o ministro Paulo Guedes dizer que a economia está no fundo do poço e tentar jogar a responsabilidade no Congresso.

Também nesta terça-feira, li, de um analista político que não é de esquerda, que, no quinto mês de governo, o presidente já vive a solidão do poder cercado apenas por bajuladores.

Enquanto isso, o Estadão prevê em editorial:

“Um grande fiasco pode marcar o primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro”.

Não é, portanto, conversa de quem está ficando velho:

Bolsonaro de fato faz a gente sentir medo do futuro!

Bolsonaro jamais me decepcionará!

O que é decepção?

Decepção é quando você espera algo positivo de alguém e isso não ocorre.

Li que os generais estão decepcionados com o presidente.

Se é verdade, deve ser porque esperavam algo que não está acontecendo.

Confiaram no candidato.

Apostaram nele.

Foram seus avalistas.

E a ele se juntaram quando chamados para a equipe de governo.

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Bolsonaro não me surpreende em nada.

Tudo o que sei do presidente vem dele.

Foi Bolsonaro mesmo que construiu a imagem que tenho dele.

Ninguém me disse que ele é homofóbico.

Ninguém me disse que ele é machista.

Ninguém me disse que ele é racista.

Ninguém me disse que ele é armamentista.

Ninguém me disse que ele é a favor da ditadura.

Ninguém me disse que ele é a favor da tortura.

Ninguém me disse que ele ataca as instituições democráticas.

Ninguém me disse que ele ataca a liberdade de imprensa.

Ninguém me disse que ele é intolerante com os adversários.

Ninguém me disse que ele não está preparado para dialogar com o parlamento.

Tudo isso, vi/ouvi nas falas e atitudes de Bolsonaro.

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Se estão decepcionados, os generais foram ingênuos?

Acreditaram que o mau militar de ontem (Bolsonaro foi um bom militar?) estaria agora à altura do cargo?

Ou que se deixaria tutelar?

Não sei.

O que parece inegável é que, sob Bolsonaro, o Brasil enfrenta um impasse político de difícil solução.

Vozes insuspeitas estão dizendo isso. Não é gente de esquerda, não. É Bresser, é Delfim, é FHC.

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O pior de Bolsonaro ainda não me surpreenderá.

Nunca acreditei nele.

Sempre soube quem ele é.

Em nenhuma hipótese teria o meu voto.

Nada de bom espero dele.

Posso, então, afirmar:

Bolsonaro jamais me decepcionará!

Bolsonaro é um homem sincero. Eis a grande tragédia nacional

O presidente Jair Bolsonaro é um homem sincero.

Sempre achei que ele, comumente, fala a verdade.

Diz o que pensa. Sem traquejo. Sem reflexão. Sem pensar no que está dizendo.

Lembro de um vídeo dele, bem mais jovem, defendendo a tortura num programa de televisão.

É isso mesmo. Ele defende a tortura. Ele tem Ustra como um herói nacional.

Já vimos Bolsonaro em falas completamente inaceitáveis.

Racismo. Machismo. Homofobia.

Tudo isso já vimos em Bolsonaro.

Ataques às instituições, à liberdade de imprensa, à Constituição. Também já vimos.

Ninguém falou por ele. Ninguém inventou nada. Ninguém colocou palavras na sua boca.

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Quarta-feira que vem (10), o governo alcança a marca dos 100 dias.

É uma marca simbólica, muito usada.

Os governantes (prefeitos, governadores, presidentes) comemoram 100 dias.

Pensemos nos 100 dias de Bolsonaro.

As coisas estão indo bem?

Estão dando certo?

As primeiras promessas estão sendo cumpridas?

A equipe é boa?

O diálogo com o parlamento é produtivo?

O desemprego está diminuindo?

A popularidade continua em alta?

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Bolsonaro admitiu que está com um abacaxi nas mãos.

O abacaxi é governar o Brasil.

O abacaxi é ser presidente da República.

Foi mais longe.

Bolsonaro disse que não nasceu para ser presidente. Nasceu para ser militar.

É uma confissão gravíssima para um homem que, há pouco mais de cinco meses, foi eleito presidente com 58 milhões de votos dos brasileiros.

É uma confissão gravíssima para um homem que governa o Brasil há pouco mais de três meses.

O problema é que, num tempo em que tudo é banalizado, não é dada a uma fala como esta a dimensão que ela de fato tem.

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O presidente Jair Bolsonaro é um homem sincero.

Ele disse a verdade.

Bolsonaro não nasceu para ser presidente.

Esta é que é a grande tragédia nacional.

O pior dele ainda não me surpreenderá.

“Enfie o ministério no…” disse o guru Olavo ao ministro Vélez

Olavo de Carvalho, o guru do governo Bolsonaro, mandou o ministro Vélez Rodríguez enfiar o Ministério da Educação no cu.

Não no título, mas, aqui no texto, escrevi cu sem reticências porque foi assim mesmo que li na grande imprensa.

Os velhos manuais de redação vão se modernizando para que os veículos de comunicação sejam fiéis à realidade (um dia desses, li um palavrão num título da Folha).

Fiquei estarrecido com a “gentileza” de Olavo a Vélez?

Não.

Não fiquei.

Afinal, esse é o estilo do “filósofo” de extrema direita a quem são atribuídas as indicações dos atuais ministros da Educação e das Relações Exteriores.

Li também que Olavo e Bolsonaro iriam se encontrar pela primeira vez nessa viagem do presidente aos Estados Unidos.

Embora um seja guru do governo do outro, até este domingo (17) os dois ainda não se conheciam pessoalmente.

No sábado (16), depois de ser homenageado em Washington, o “filósofo” disse que o governo Bolsonaro vai mal.

Teme até que acabe em seis meses.

Trataria desse assunto no encontro com o presidente? – foi perguntado.

“Não. Vou lá pra comer” – respondeu.

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A avaliação que Olavo de Carvalho fez do governo Bolsonaro:

“Se continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. Mais seis meses, acabou”.

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A Secretaria de Educação Básica do MEC será comandada por Iolene Lima.

Ela defende uma educação baseada na palavra de Deus.

Vi/li uma entrevista dela e, de tão absurda, achei que era fake.

Mas a repercussão em espaços jornalisticamente críveis mostra que é tudo verdade.

Muito grave também para quem vai cuidar da educação básica:

Iolene não sabe a diferença entre sobre e sob.