Caetano denuncia fascismo no Brasil atual e recomenda filme

Na ditadura militar, Caetano Veloso foi preso e exilado.

Meio século depois, ele diz que vive numa democracia na qual o fascismo mostra suas garras.

O compositor usou o Facebook para postar vídeo de um minuto gravado em inglês e legendado em português.

Sempre lúcido e corajoso em seu ativismo, Caetano encerra o vídeo recomendando que as pessoas vejam o filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que concorre ao Oscar de Melhor Documentário.

Democracia em Vertigem

As global democracy reaches a crisis point, knowledge is one of our greatest lines of defense. Petra Costa's Academy Award-nominated film THE EDGE OF DEMOCRACY is an essential documentation of the Brazilian government's backslide into fascism, and a must-watch for concerned citizens of the world. #CaetanoVeloso #PetraCosta #TheEdgeOfDemocracy

Publicado por Caetano Veloso em Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Noiva de Bolsonaro, Regina está com uma cara de deslumbrada!

Na manhã de 15 de março de 1990, dia da posse de Fernando Collor, vi na TV imagens de um grupo vip de apoiadores do primeiro presidente eleito pelo voto direto depois do golpe de 1964.

Era um encontro na Casa da Dinda.

A atriz Cláudia Raia estava no meio do grupo. Tinha apenas 23 anos.

Enxerguei nela um misto de arrogância e deslumbramento.

Só para começar, estávamos a pouquíssimas horas do confisco da poupança dos brasileiros.

As poucas imagens que vi de Regina Duarte nos últimos dias me remeteram, de alguma maneira, à Cláudia Raia que fora a Brasília para a posse de Collor.

A atriz no Rio com o presidente Bolsonaro.

A atriz chegando a Brasília para fazer um “teste” na Secretaria de Cultura.

Fotos e imagens em movimento.

Somadas às imagens, algumas declarações.

Regina se disse de corpo e alma com o governo.

Que coisa boba, melosa, piegas!

Além de incompatível com a difícil tarefa de gerir a cultura a partir do governo federal.

Sabem o que eu acho?

Que Regina Duarte está deslumbrada com as luzes do poder.

No tempo em que foi apoiadora de Collor, Cláudia Raia tinha 23 anos.

De namoradinha do Brasil a “noiva” de Bolsonaro, Regina Duarte está com 72 anos (73 em fevereiro).

Convenhamos. Já passou da idade de estar deslumbrada com cargos.

E, sobretudo, de acreditar num governo como o de Bolsonaro.

E Regina, que era Malu, foi parar num governo de extrema direita!

Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido

Música de Ivan Lins.

Letra de Vítor Martins.

Começar de Novo. Bela canção na voz de Simone.

Tema do seriado Malu Mulher, da Globo.

A produção discutia temas muito adequados ao momento brasileiro, ali no final dos anos 1970.

Regina Duarte fazia Malu.

Atriz e personagem se fundiram.

Parece que Regina, mais do que fazia Malu, era Malu.

Muitos anos mais tarde, desconfiei dessa fusão. Vi um admirador abordando Regina, remetendo-a a Malu, e ela não me pareceu nada à vontade com a associação.

Outros anos se passaram, e lá vem ela desempenhando aquele triste papel na campanha de Serra, derrotado por Lula na eleição de 2002.

Não havia problema com a escolha do candidato. Escolhas são legítimas. E, convenhamos, Serra é um nome normal dentro do jogo político.

O problema estava no seu discurso de difusão do medo num instante em que a vitória de Lula já havia sido assimilada até pelas elites.

A Regina Duarte de 2020 é apoiadora e admiradora de um governo de ultradireita. Iniciou um “noivado” que pode dar em “casamento” se ela realmente se transformar na substituta de Roberto Alvim na Secretaria de Cultura.

A atriz e o presidente se encontraram no Rio nesta segunda-feira (20).

Ela vai para Brasília fazer um “teste”, situação absolutamente inédita. Dependendo do “teste”, ficará ou não no cargo.

Regina Duarte, para preservar um mínimo de integridade, terá que desarmar algumas bombas deixadas por Alvim.

Sim. Mas como ela vai lidar com o que não é Alvim, mas é a própria visão que o governo Bolsonaro tem da cultura?

O tempo trará as respostas.

Por enquanto, fiquemos com o comentário de Lima Duarte, precisa descrição da cena:

“É Sinhozinho Malta na Presidência e a Viúva Porcina na Cultura”.

Nazistas? Admiradores de Hitler? Conheci muitos bem de perto!

O vídeo que levou à exoneração de Roberto Alvim não me surpreendeu.

Vindo de gente como Alvim, estava dentro do roteiro.

Mérito na decisão de Bolsonaro? Não enxergo nenhum. O presidente não teve outra saída.

Alvim está fora, mas governos de ultradireita estão cheios de pessoas que defendem o nazismo, que admiram Hitler, etc.

Nazistas?

Fãs de Hitler?

Conheci muitos.

Creio que ainda conheço.

Alguns confessavam sem qualquer cerimônia e até se empolgavam na hora da confissão.

Outros – os que dominavam o alemão – ouviam os discursos de Hitler no som do carro.

Chegavam – estou falando sério! – perto do orgasmo.

Os mais discretos se protegiam na palavra germanófilo.

Sim, eu sei. Os germanófilos são anteriores aos nazistas. São admiradores da Alemanha, sua gente, sua cultura.

Mas estou me referindo aos caras que tinham noção de que não deveriam assumir a simpatia por essa coisa abominável chamada nazismo e se abrigavam, digamos, num eufemismo.

Germanófilo. Palavra bonita.

Nunca me enganaram.

De sexta-feira para cá, durante e depois da queda de Roberto Alvim, as redes sociais se encheram de manifestações de caráter indisfarçavelmente nazistas.

Os nazistas de 2020 nem se resguardaram sob a germanofilia.

Eles saíram do armário e fecharam a porta!

A Vida Invisível é grande filme. Governo brasileiro é perverso

A Vida Invisível é um grande filme.

Venceu Bacurau no caminho por um indicação ao Oscar. Não sabemos ainda se vai dar certo.

Bacurau é mais forte, mais impactante, mais importante como evento político, melhor cinema. Mas talvez seja brasileiro demais para uma disputa como a do Oscar.

A Vida Invisível parece mais universal.

É um drama que trata com grande sensibilidade da história de duas irmãs. A vida as separa, e a trama segue as duas em busca de um reencontro impossível.

A história de Eurídice e Guida é uma dessas tragédias familiares. Não tem solução. Por isto, é profundamente melancólica.

O filme é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1950. Não esse Rio que o mundo conhece dos cartões postais, mas uma cidade com suas ruelas escuras, suas velhas edificações, suas casas de subúrbio. Sua vegetação úmida e seu calor por vezes insuportável. É nesse Rio que Karim Ainouz põe Eurídice e Guida, seus sonhos e suas tristezas.

No desfecho do filme, Fernanda Montenegro entra em cena por alguns minutos numa atuação absolutamente excepcional.

No dia em que vi A Vida Invisível, foi noticiado que a direção da Ancine havia proibido uma exibição do filme para funcionários da agência.

É difícil de crer.

A Vida Invisível é um grande filme.

O governo brasileiro tem se mostrado perverso com a cultura.

Mantovani, os Beatles não eram comunistas. Muito menos Elvis

Estou lendo a Folha e me deparo com o seguinte título:

BEATLES SURGIRAM PARA IMPLANTAR O COMUNISMO, DIZ NOVO PRESIDENTE DA FUNARTE

É difícil acreditar, mas é isso mesmo.

Dante Mantovani, o novo presidente da Funarte, disse que os Beatles surgiram para implantar o comunismo.

Ele diz coisa semelhante de Elvis.

E defende outras teses.

Uma delas: agentes soviéticos infiltrados na CIA distribuíram ácido em Woodstock para atingir os valores da família americana.

Ou: o rock leva às drogas que levam ao sexo que leva ao aborto que leva ao satanismo.

Ou ainda: os Beatles eram satanistas. Lennon fez um pacto com o demônio.

O cara que diz tudo isso é o presidente da Funarte.

Dante Mantovani deve desconhecer que os Beatles foram banidos da União Soviética. Nunca foram comunistas.

Ou que Elvis se identificava com os valores mais reacionários da América.

Mas não é isso o que importa.

O que de fato importa é que o Brasil é governado por gente que pensa assim.

E que há milhões de pessoas acreditando nessas maluquices.

Qual o nosso destino?

Melhor que Miguel Proença não esteja mais à frente da Funarte

O pianista Miguel Proença não é mais presidente da Funarte. Ele foi exonerado do cargo. Especula-se que a demissão ocorreu porque Proença não concordou e reagiu às críticas que Roberto Alvim, um dos diretores do órgão, fez a Fernanda Montenegro poucos dias antes da atriz completar 90 anos.

Melhor que Miguel Proença não esteja mais à frente da Funarte. Não convinha que ele misturasse a sua notável carreira como pianista ao atual governo.

Algo que li hoje cedo na coluna de João Máximo, no G1, a propósito do atual momento da Funarte:

“É verdade que a Funarte começou a desistir quando as verbas oficiais foram ficando a cada dia mais minguadas. Mas também é verdade, e mais triste, saber que ela continua empenhada em desistir de vez, quanto mais se faz desinteressada, preconceituosa, irresponsável, desinteligente, em nome da política cultural – esta sim, ideológica – adotada por aqui há quase um ano”.

Saindo da cultura para a liberdade de imprensa, também chamou minha atenção nas leituras matinais o editorial de O Globo. O texto parte do que sabemos faz tempo: o desapreço do presidente Bolsonaro pela liberdade de imprensa:

“O presidente Jair Bolsonaro não tem apreço pela imprensa independente e profissional. Não tinha durante a campanha e continuou sem ter desde o primeiro dia no cargo. Ele diz que defende uma imprensa livre, mas suas palavras e atos comprovam que ele quer apenas uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem”.

Fecho com a ministra Carmen Lúcia durante debate que reuniu artistas (Caetano Veloso, Luiz Carlos Barreto, etc.) nesta segunda-feira (04) no Supremo:

“Eu li que este STF iria debater a censura no cinema. Errado. Censura não se debate, censura se combate, porque censura é manifestação de ausência de liberdades. E democracia não a tolera. Por isso a Constituição Federal é expressa ao vedar qualquer forma de censura”.

Temas para reflexão.

Globo faz jornalismo. Bolsonaro não reage como presidente

A manchete do G1 resume o que vimos no Jornal Nacional desta terça-feira (29):

Suspeito da morte de Marielle se reuniu com outro acusado no condomínio de Bolsonaro antes do crime; ao entrar, alegou que ia para a casa do presidente, segundo porteiro

Não adianta espernear.

A reportagem exibida no JN seguiu as regras do melhor jornalismo.

Contou toda a história que está aí resumida na manchete do G1, mas também informou que, no dia da execução de Marielle, o então deputado federal Jair Bolsonaro estava em Brasília, e não no Rio.

E ouviu o advogado do presidente.

Na Arábia Saudita, onde se encontra, Bolsonaro reagiu numa live durante a madrugada.

Estava descontrolado.

Xingou a Globo com palavras incompatíveis com uma manifestação pública de um presidente da República.

Não agiu como um presidente da República.

É o mínimo que se pode dizer.

Este episódio não pode ser banalizado.

Governo Bolsonaro é reacionário e antiquado, diz FHC

Foi o que li logo cedo na Folha de S. Paulo.

Governo Bolsonaro é reacionário e antiquado, diz FHC.

Está certíssimo o ex-presidente.

A despeito de tudo o que a esquerda diz dele, Fernando Henrique Cardoso continua tendo minha admiração.

Creio que terá sempre.

Admiro a inteligência dos argumentos.

Admiro o homem que pensa o Brasil.

Eles (os homens que pensam o Brasil) andam escassos.

Ainda ontem conversava com um amigo jornalista sobre essa escassez.

Quem são? Onde estão?

Quais são as grandes lideranças políticas?

Já tivemos quadros muito melhores.

Fernando Henrique Cardoso?

Sempre presto atenção no que ele diz, no que ele escreve. Mesmo para discordar dele.

Em 2018?

Acho que deveria ter apoiado o PT no segundo turno. Teria sido coerente com a sua biografia.

Mas ao PT também caberia ter aberto portas para o ex-presidente. Não custa reconhecer.

Sem a abertura dessas portas, o campo progressista terá muitas dificuldades para enfrentar 2022.

Desgosto mesmo é ter Bolsonaro como presidente da República!

Agosto, mês do desgosto.

Não é assim que a gente sempre ouviu?

Não levo isso a sério.

Nunca levei.

É somente uma rima.

Mas, para não perder o mote, neste agosto de 2019, eu diria que desgosto mesmo é ter Jair Bolsonaro como presidente da República.

Continuarei dizendo -ainda que sem rima – em setembro, outubro, novembro, dezembro.

Tudo está tão banalizado que as barbaridades que o presidente diz soam assim, banais.

Mas não são.

Deveriam ser levadas a sério.

Há aquelas falas de suma gravidade (a defesa de um torturador oficialmente reconhecido como tal) e há outras que parecem apenas engraçadas, mas que, no fundo, revelam que o Brasil, por opção de 58 milhões de eleitores, está sendo governado por um homem que não compreende a dimensão do cargo que ocupa.

É o caso do cocô, dia sim, dia não.

Li primeiro em O Globo.

Depois, li na Folha.

Mais tarde, ouvi o áudio.

Em seguida, vi o vídeo no Jornal Nacional.

Não é fake.

É verdade.

Comer menos e, como consequência, fazer menos cocô.

Dia sim, dia não.

Isso mesmo.

Dito pelo presidente da República.

Como resposta a uma pergunta sobre como compatibilizar desenvolvimento com preservação ambiental.

É Bolsonaro sendo Bolsonaro?

É.

Mas, de tão absurda que é a fala, parece Bolsonaro sendo Bolsonaro e um pouco mais.

O presidente estaria perdendo a noção de alguns limites?

Parece que sim!

É assim mesmo que deve se comportar um presidente da República?

Óbvio que não!

Os bolsonaristas acham isso normal?

Sim!