Gilberto Gil botou Kofi Annan para tocar percussão na ONU

Neste sábado (18), acordamos com a notícia da morte de Kofi Annan, que foi Secretário Geral das Nações Unidas entre 1997 e 2006.

Quando estava à frente do Ministério da Cultura, no governo Lula, Gilberto Gil fez um show na ONU.

Na hora de cantar Toda Menina Baiana, chamou Kofi Annan ao palco, e o diplomata tocou percussão.

Gilberto Gil e Kofi Annan tocando juntos fala mais do mundo com que sonhamos do que do mundo real.

Vejam o vídeo.

Prêmio Nobel da Paz, Kofi Annan tinha 80 anos e morreu num hospital na Suiça.

Sexta de Música: o lado B de Gil

Gilberto Gil fez 76 anos na terça-feira (26).

A Sexta de Música, minha coluna na CBN, foi dedicada a ele.

Selecionei músicas do lado B de Gil.

Segue o áudio da conversa com a âncora Carla Visani.

POR CAUSA DA MULHER

Quem sabe

O Super-Homem venha nos restituir a glória

Mudando como um deus o curso da história

Por causa da mulher

Gilberto Gil

Morreu Margot Kidder.

Tinha 69 anos.

Ela não foi uma grande atriz.

Não teve uma grande carreira.

Mas entrou para a história do cinema ao interpretar Lois Lane, a eterna “namorada” de Superman.

O voo dela nos braços de Christopher Reeve, em Superman, The Movie, é inesquecível!

Funk mostra que Caetano Veloso, aos 75, permanece atual e ousado

Há 35 anos, Gilberto Gil bradou:

Funk-se quem puder

É imperativo dançar

Sentir o ímpeto

Jogar as nádegas

Na degustação do ritmo

Há 20, Chico Buarque cantou:

Hoje tem baile funk

Tem samba no Flamengo

Há 12, o mesmo Chico cantou:

Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae

Teu hip hop 

No ano passado, Chico deu clara indicação de que não está alheio ao funk carioca quando convidou Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, para participar da gravação da música As Caravanas.

Bem antes, Caetano Veloso compôs e gravou o Funk Melódico e fez Miami Maculelê para Gal Costa cantar:

Era dança de alegria

Putaria e coisa e tal

Por que você vem com santo

Anjo e galera do mal? 

No show que agora está fazendo com os filhos Moreno, Zeca e Tom, Caetano apresenta uma música inédita.

É o funk Alexandrino.

Vejam a letra:

1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12!
1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12!

Alexandrino
Alexandrino
O baile é livre pra novinha
E pro menino
Alexandrino
Alexandrino
O baile é livre pra novinha
E pro menino

1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac
1, 2, 3, 4
1, 2, 3, 4
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Moça bonita

Moça bonita, Lucas e vigário geral

Moça bonita (Lucas)
Vigário geral!

Lucas e vigário geral
Lucas vigário geral

E vejam o vídeo:

Lembro dessas coisas quando vejo pessoas de matizes ideológicos diversos horrorizadas com o funk.

Umas se prendem mais a questões de ordem moral.

Outras invocam mais a má qualidade.

Penso que a recusa ao funk envolve muito preconceito.

E remete ao nosso apartheid social tanto quanto a letra de As Caravanas.

Tropicalismo faz 50 anos. Cinco discos para entender o movimento

O Tropicalismo está fazendo 50 anos.

O marco inicial é o 21 de outubro de 1967, data em que a final do mais importante de todos os festivais da MPB deu projeção nacional a Caetano Veloso (com Alegria, Alegria) e a Gilberto Gil (com Domingo no Parque). Eles e suas canções que propunham a retomada da linha evolutiva da música popular do Brasil.

Há dois anos, quando percorriam o mundo com um duo acústico, perguntei a Caetano e a Gil como eles viam o Tropicalismo de longe.

As respostas:

CAETANO

“Para mim, a luta continua sempre. É uma luta contra o mundo, contra nós mesmos, contra o medo de tentar a grandeza. Quando canto ‘Tropicália’ e Gil canta ‘Marginália II’, reaprendo a canção que deu nome ao movimento, observo sua estranha atualidade. O pessimismo da letra de ‘Marginália II’ produz expressões de interrogação no rosto de espectadores, interrogação sobre o presente, sobre o tempo que vai do Tropicalismo a nossos dias. ‘Em suas veias corre muito pouco sangue’, ‘E no joelho uma criança sorridente, feia e morta estende a mão’, ‘Aqui é o fim do mundo’, ‘Aqui o Terceiro Mundo pede a bênção e vai dormir’ são frases que contam o Brasil de 1967 e fazem pensar sobre como agora parece que a realidade mal roça a possibilidade de superá-las”.

GIL

“Difícil vê-lo de longe. Ainda que eu entenda que você está se referindo ao tempo que passou já que tudo tem que passar!. Sim, o Tropicalismo passou no tempo, mas, como eu ainda não passei no tempo, ou seja, como meu tempo ainda não passou, o Tropicalismo também ainda não passou em mim!.  E, se o Tropicalismo continha, em seu tempo jovem, um significado de luta, como diz Caetano, para mim também, em quem o Tropicalismo ainda não passou, a luta continua!”

Como o Tropicalismo chega aos jovens desse Brasil convulsionado de 2017?

Não sei.

A eles, os das gerações Y e Z, sugiro a audição de cinco discos.

CAETANO VELOSO

GILBERTO GIL

TROPICÁLIA, álbum coletivo

OS MUTANTES

GAL COSTA

50 anos esta noite. Nunca houve um festival como aquele!

Na noite deste sábado, 21 de outubro de 2017, faz 50 anos de um momento muito importante para a música popular brasileira.

Na noite de 21 de outubro de 1967 (um sábado como hoje), foi realizada em São Paulo a final do III Festival da Música Popular Brasileira.

As quatro primeiras colocadas dão a dimensão do que aconteceu naquele festival.

Caetano Veloso ficou em quarto lugar com Alegria, Alegria.

Chico Buarque ficou com o terceiro lugar com Roda Viva.

Gilberto Gil foi o segundo colocado com Domingo no Parque.

E Edu Lobo foi o grande vencedor com Ponteio.

O festival teve Roberto Carlos (Maria, Carnaval e Cinzas), Erasmo Carlos (Capoeirada), Geraldo Vandré (Ventania), Nana Caymmi (Bom Dia), Nara Leão (A Estrada e o Violeiro), Elis Regina (O Cantador), Sérgio Ricardo (Beto Bom de Bola), Johnny Alf (Eu e a Brisa).

As quatro primeiras colocadas apontam para a divisão que havia na MPB.

Edu e Chico se identificavam com a esquerda nacionalista, pós Bossa Nova.

Caetano e Gil propunham uma ruptura, incorporando as guitarras elétricas à MPB.

Os quatro apareceram ali com canções que hoje estão nas antologias da música popular brasileira.

O festival deu dimensão nacional a Caetano Veloso e Gilberto Gil e marcou o início do movimento tropicalista.

Um bom programa para este sábado: ver (ou rever) o documentário Uma Noite em 67.

Segue o link da minha coluna Sexta de Música, na CBN João Pessoa, que ontem foi sobre o festival que agora completa 50 anos.

Nunca houve um festival como aquele!

 

A Trinca de Ases “invade” a cidade com música e amor no coração

Tem um momento em que o público da casa de shows grita:

Fora, Temer!

Eu também acho um horror esse governo, mas o brado me pareceu tão fora de contexto!

O que temos no palco é uma outra coisa.

Naquelas duas horas, estamos diante de um grande artista brasileiro, agora com 75 anos, voltando aos palcos após uma série de problemas de saúde. Ao lado dele, uma mulher de 72 anos, uma das maiores cantoras da música brasileira. Completando o trio, um jovem impetuoso e viril, que veio de uma banda de rock e se afirmou, sozinho, com suas belas canções.

Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis. A Trinca de Ases do título do show.

Eles se reuniram originalmente para homenagear o Dr. Ulysses Guimarães, um dos artífices da nossa jovem democracia. Depois, decidiram montar o show e a turnê.

Foi o que vimos nesta sexta-feira (13) em João Pessoa.

Trinca de Ases tem algo dos Doces Bárbaros de 41 anos atrás.

Eles “invadem” a cidade cheios de amor no coração. Alegres, felizes, esfuziantes.

E dizem assim:

É isso. Vamos cantar e tocar. Vamos celebrar a deusa música. A musa única do samba de Gil que está no set list.

Aí alguém pergunta (e eu ouvi):

E vai dar certo Gil e Gal com Nando?

Claro que sim!

Gil é de 1942. Gal é de 1945. Nando é de 1963. Agora que Gil celebra os 40 anos de Refavela, Nando lembra que viu a Refavela original, de 1977, quando tinha apenas 14 anos.

Ou seja: ele é um fã que se junta aos ídolos.

Gil e Gal acolhem o jovem impetuoso e viril, e tudo dá certo.

Lembram daquela “pegada” rock que nunca abandonou os tropicalistas?

Nando traz Gil e Gal para junto dela de novo. O encontro dos dois violões (o de Gil com o de Nando) confirma. Tão diferentes e tão eficazes no diálogo que vemos no palco.

Trinca de Ases é quase um show de rock. Nando tem papel fundamental com o violão que troca a cada número. Gil é um velho rocker. Com o violão em forma de guitarra, cheio de movimentos de corpo que lembram um velho homem do rock, Keith Richards. Entre eles, Gal, Fa-tal, evocando Melodia: tente esquecer em que anos estamos!

Fiquei vendo de longe. Essas belezas, a gente contempla em silêncio.

Os Beatles que há em Dois Rios. A força poética de Refavela. Stevie Wonder no dueto de Gal com Nando. A incômoda atualidade de Nos Barracos da Cidade. O Barato Total que eu vi ao vivo jovem, quase um garoto, com Gal e Donato no palco do Santa Roza.

Trinca de Ases é uma reunião de grandes afetos e muitas belezas.

Na minha idade, vejo essas coisas contemplando-as.

Os mil significados de um show assim, em sua permanência, são infinitamente maiores do que o grito da plateia, circunscrito a um momento que logo vai passar.

A força é bruta e a fonte da força é neutra e de repente a gente poderá!

Está lá, na letra da canção de Gil!

Gil, Gal e Nando Reis, a Trinca de Ases, hoje em João Pessoa

Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis fazem o show Trinca de Ases nesta sexta-feira (13) em João Pessoa, na Domus Hall.

A reunião dos três começou no ano passado em Brasília, numa homenagem ao centenário do nascimento de Ulysses Guimarães, e resultou nesse show que agora percorre o país.

A ideia original (a homenagem ao Dr. Ulysses, um dos artífices da redemocratização) foi do jornalista Jorge Bastos Moreno, que morreu antes da estreia de Trinca de Ases.

Vou ver e amanhã comento.

Por enquanto, segue o repertório.

O repertório

1- “Trinca de ases” (Gil)

2- “Dupla de ás” (Nando)

3- “Refavela” (Gil)

4- “Baby” (Caetano Veloso)

5- “All star” (Nando)

6- “Espatódea” (Nando) 

7- “O seu lado de cá” (Nando)

8- “Esotérico” (Gil)

9- “Cores vivas” (Gil)

10- “Água viva” (Nando)

11- “Retiros espirituais” (Gil)

12- “Copo vazio” (Gil)

13- “Meu amigo, meu heroi” (Gil)

14- “O segundo sol” (Nando)

15- “A gente precisa ver o luar” (Gil)

16- “Ela” (Gil)

17- “Tocarte” (Gil e Nando)

18- “Dois rios” (Lô Borges, Nando Reis e Samuel Rosa)

19- “Lately”/“Nada mais” (Stevie Wonder, versão de Ronaldo Bastos)

20- “Por onde andei” (Nando)

BIS 
21- “Nos barracos da cidade” (Gil e Liminha)

22- “Barato total” (Gil)

Campina Grande também é nome de baião!

Conheci Campina Grande muito cedo através da memória afetiva da minha mãe. Ela morou lá no início dos anos 1950 e deu aulas no Colégio das Damas.

O momento (e o impacto) do assassinato de Félix Araújo era uma história que ouvi repetidas vezes.

Havia a lembrança de um filme que comoveu muita gente nos idos de 1953/1954. Luzes da Ribalta, de Chaplin, com seu tema musical inesquecível.

Tão inesquecível que, 60 anos mais tarde, tocou no funeral do poeta Ronaldo.

Acordei de madrugada para pegar o ônibus das cinco no dia em que minha mãe me levou pela primeira vez a Campina Grande.

O menino que já gostava de cinema pediu para ir ao Capitólio.

O filme? Duelo em Diablo Canyon, western B de Ralph Nelson.

Capitólio, Babilônia, Avenida e São José. Quis ver onde cada um ficava.

Mais tarde, a cidade envolvida com cinema.

Os filmes inacreditáveis de Machado, os irmãos Azevedo e as críticas de Bráulio Tavares no Diário da Borborema. Ah!, as críticas de Bráulio no DB!

E aí veio Agnaldo Almeida e disse: o forró morou em Campina Grande!

Não era preciso mais nada! Campina Grande já me conquistara!

Foi Gilberto Gil (numa entrevista que Rômulo Azevedo e eu gravamos na TV Cabo Branco) que viu algo de Nova York em Campina Grande.

E foi Marcos Valle, músico refinado da segunda geração da Bossa Nova, que sentiu que a cidade merecia uma homenagem. E compôs um lindo baião moderno chamado Campina Grande.

Então, parabéns, Campina Grande! Ao som do baião de Marcos Valle!