Começa venda de ingressos do show de Gil em João Pessoa

Começa nesta sexta-feira (08) a venda de ingressos para o show de Gilberto Gil em João Pessoa.

A apresentação de OK OK OK será no dia seis de junho, às 21 horas, no Teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Confira os preços do lote promocional divulgados pela produção local:

Cadeira ouro:

180 reais (inteira) e 90 reais (meia).

Cadeira prata:

160 reais (inteira) e 80 reais (meia).

Cadeira bronze:

120 reais (inteira) e 60 reais (meia).

Pontos oficiais de venda:

Lojas Romannel (Manaíra Shopping e Tambiá Shopping).

Vendas online:

www.bilheteriavirtual.com.br

Gilberto Gil faz show no Pedra do Reino em junho

O novo show de Gilberto Gil passará por João Pessoa.

A data foi confirmada há pouco pela produção local.

OK OK OK terá única apresentação no dia seis de junho no Teatro A Pedra do Reino.

Ainda não foram divulgadas informações sobre preços e venda de ingressos.

IZA grava Divino, Maravilhoso e confirma atualidade da canção

É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE

NÃO TEMOS TEMPO DE TEMER A MORTE

Divino, Maravilhoso.

Essa é uma das canções mais fortes e mais políticas do Tropicalismo.

Composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil, foi gravada há 50 anos por Gal Costa.

Também deu nome ao programa de televisão dos tropicalistas.

Na época (e depois), não foi bem entendida por uma parcela da esquerda.

A letra era considerada alienada em relação ao quadro político nacional e à necessidade de enfrentamento do governo militar.

Quase uma década mais tarde, Belchior, em Apenas um Rapaz Latino Americano, ainda contestava o conteúdo dessa canção tropicalista.

O tempo passou (meio século!), e Divino, Maravilhoso continua atual.

Tem, aliás, uma incômoda atualidade nesse Brasil de agora, embora tenha sido composta para dar conta do Brasil de 1968.

Em releitura poderosa, com uma pegada contemporânea, a gravação de IZA (em dueto com Caetano Veloso) vem confirmar a permanência da canção.

Atenção para o refrão!

Caetano e Gil foram presos há 50 anos. País vivia sob força do AI-5

Nesta quinta-feira (27/12), faz 50 anos que Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos pela ditadura militar.

Não havia acusação formal contra eles.

A prisão, por homens da Polícia Federal, ocorreu ao amanhecer, em São Paulo.

Os dois artistas foram levados para o Rio de Janeiro e entregues ao Exército.

Fazia duas semanas que o governo editara o AI-5 e endurecera o jogo.

Era o golpe dentro do golpe.

É preciso estar atento e forte

Não temos tempo de temer a morte

Caetano Veloso e Gilberto Gil conquistaram dimensão nacional um ano antes no festival em que lançaram Alegria, Alegria (Caetano) e Domingo no Parque (Gil). As duas músicas levaram as guitarras elétricas da Jovem Guarda para a MPB e iniciaram o movimento tropicalista.

1968 foi o ano do Tropicalismo. O disco-manifesto do movimento reuniu Caetano e Gil + Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé, Nara Leão, Torquato Neto e Capinam. Todos sob a batuta do maestro Rogério Duprat. Os Beatles tinham George Martin, os tropicalistas tinham Duprat.

O Tropicalismo propunha a retomada da linha evolutiva da música popular brasileira. É uma boa definição.

Outra: o Tropicalismo juntava a Pipoca Moderna da Banda de Pífanos de Caruaru com a Strawberry Fields Forever dos Beatles.

Na MPB, havia a esquerda resguardada pós-Bossa Nova e, em 1968, passou a haver o conjunto de transgressões estéticas e de comportamento do Tropicalismo.

Os tropicalistas eram muito mais ousados. Mais subversivos – se quisermos usar a palavra da época.

Então é esta a juventude que diz que quer tomar o poder? – perguntou Caetano, entre a fúria e a lucidez, no discurso de É Proibido Proibir.

Caetano confessa que não tinha medo. Gil tinha.

No tempo meteórico do movimento tropicalista, Caetano foi movido por um grande destemor. Gil, não.

Quando foram presos, Caetano viveu todos os medos.

Gil conseguiu um violão e compôs, na cadeia, músicas que seriam gravadas no seu LP de 1969. Chegou a fazer um show para a tropa do quartel para onde fora levado.

Presos em dezembro de 1968, soltos em fevereiro de 1969, os dois ficaram confinados em Salvador até julho daquele ano. Fizeram um show de despedida no Teatro Castro Alves e partiram para o exílio. London, London – onde viveram por mais de dois anos.

No livro de memórias Verdade Tropical, há um capítulo no qual Caetano Veloso fala do período em que esteve preso. Narciso em férias é o nome do capítulo. Ele tem vida própria. Parece um livro com começo, meio e fim. É um texto impressionante, além de muitíssimo bem escrito. Devia ser lido pelos jovens de hoje. Serve também de argumento contra os que andam dizendo que não houve ditadura militar no Brasil.

*****

Em 1992, no show Circuladô, Caetano Veloso revelou que Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos foi feita para ele, depois que recebeu a visita de Roberto Carlos no exílio londrino.

No show, antes de cantar a música, Caetano falava do quanto o entristecia a consciência de que a ditadura vinha de regiões profundas do ser do Brasil. Ao mesmo tempo, dizia que, de regiões não menos profundas, vozes asseguravam que aquilo não era tudo.

Se trouxermos para hoje a leitura ontológica que Caetano fez da ditadura militar, por certo, cabe a pergunta: até que ponto a eleição de Jair Bolsonaro não vem também de regiões profundas do ser do Brasil?

*****

Na semana passada, Roberto Carlos cantou Como Dois e Dois em seu especial natalino. Em seguida, na Folha de S. Paulo, Caetano escreveu que a canção composta no exílio para o Rei gravar continua tão violentamente atual.

Há três anos, perguntei a Caetano sobre como ele via o Tropicalismo de longe, e ele respondeu:

Para mim, a luta continua sempre. É uma luta contra o mundo, contra nós mesmos, contra o medo de tentar a grandeza. 

Fiz a mesma pergunta a Gil, de quem ouvi a seguinte resposta:

Se o Tropicalismo continha, em seu tempo jovem, um significado de luta, como diz Caetano, para mim também, em quem o Tropicalismo ainda não passou, a luta continua!

Naquele 27 de dezembro de 50 anos atrás, ao prender Caetano Veloso e Gilberto Gil, a ditadura parecia ter posto fim ao Tropicalismo do modo com que o movimento fora colocado ao longo de 1968. Mas – resistência!, resistência! – os tropicalistas ainda estão aí, ajudando a organizar o movimento.

RETRO2018/OK OK OK é o melhor disco do ano

OK OK OK, de Gilberto Gil, é, para mim, o melhor disco de música popular brasileira do ano que está terminando.

Na RETRO2018, republico o que escrevi quando o CD foi lançado.

Sei que não dei nenhuma opinião
É que eu pensei, pensei, pensei, pensei
Palavras dizem sim, os fatos dizem não

OK OK OK, a faixa que dá título ao disco, abre o repertório com uma resposta de Gil às cobranças que lhe são feitas. “E então, não vai se posicionar sobre a atual situação?” – coisas assim.

Vi num artigo alguém dizer que a letra é ambígua. Não me parece. Gil costuma olhar o mundo com riqueza e complexidade e não o faz de forma diferente quando o assunto é o Brasil e seus impasses.

Uma entrevista de dias atrás fala disso: o artista foi ao show Lula Livre na Lapa, cantou Cálice com Chico Buarque, mas disse depois que não votaria necessariamente em Lula.

Sua presença no evento tem a ver com princípios e preocupações que vão além do desejo real de que o ex-presidente seja posto em liberdade e da possibilidade de votar nele.

OK OK OK  me remeteu a Metáfora, de 1982. Aqui, acolá, nas soluções melódicas. Também na letra. Deixem o poeta em paz. Ele diz tudo sem dizer nada.

*****

Há algum tempo, a morte se incorporou às conversas que tenho com Gil. Por causa da passagem dos anos, por causa das perdas que vão se acumulando.

Uma década atrás, ouvi dele uma lição que recebeu de Walter Smetak: todos os dias, é preciso tirar um tempinho para refletir sobre a inevitabilidade da morte. Pode não ser fácil, mas é importante fazê-lo.

OK OK OK, o disco, é uma grande conversa sobre a vida e a morte. Ao modo de Gil.

A doença grave que enfrentou há dois anos, o envelhecimento, a família (após os filhos, os netos e bisnetos), os amigos, os colegas de ofício, os médicos, a ausência de Jorge Bastos Moreno (um “irmão” tardio) – tudo isso foi mexendo com o compositor. Foi se juntando para montar uma espécie de retrato que é esse primeiro disco da velhice, como Gil chamou OK OK OK.

É uma conversa serena. Uma conversa que é construída pelo conjunto das canções (12 + três bônus). Com essa serenidade e com a sabedoria que Gil foi acumulando ao longo da vida.

Musicalmente, tem o reencontro com João Donato (velho parceiro), o encontro com Yamandu Costa (exímio violonista), o diálogo profícuo com Bem, o filho músico, a quem se deve muito da sonoridade do disco.

Na hora de compor, Gil está afiado. É o Gil de ontem, o Gil de sempre, sem deixar de ser o Gil de hoje. É curioso como ele consegue ser o mesmo sendo outro. Como ele é perene e atual.

Esse disco começou num momento difícil, de doença, riscos e longas permanências no hospital.

Uma canção, outra, mais outra, aos poucos reveladas, ainda nuas, nas redes sociais.

Terminado, OK OK OK sobrepõe a vida à morte.

E reúne infinitas belezas para nós que amamos Gil.

BOAS FESTAS!

Boas Festas é a mais tradicional de todas as canções natalinas compostas no Brasil.

O autor, Assis Valente, estava sozinho num quarto de pensão, numa noite de Natal, quando escreveu a música.

Era um homem triste que acabou se matando.

A letra remete à tristeza do autor, mas a canção fez sucesso, e muita gente canta Boas Festas no Natal sem se dar conta do desencanto que há nos seus versos.

Aqui, Boas Festas com Caetano Veloso e Gilberto Gil.

A esquerda que me perdoe, mas FHC tem minha admiração

Não se iludam

Não me iludo

Tudo agora mesmo

Pode estar por um segundo

O programa de 25 minutos começa com Gilberto Gil, sozinho ao violão, cantando Tempo Rei.

Sentado à sua frente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ouve.

Quando o programa foi gravado, meses atrás, FHC tinha 86 anos. Gil, 75. Agora, têm um ano a mais.

Na série Amigos, Sons e Palavras, realizada pelo Canal Brasil, Gil atuaria como entrevistador, recebendo convidados.

Mas ficou diferente: a rigor, não há entrevistado nem entrevistador. Gil e os convidados conversam.

Vi há pouco a sua conversa com Fernando Henrique.

O ponto de partida é Tempo Rei.

Gil diz, cantando, o que FHC passaria horas para dizer, falando – admite o ex-presidente.

A letra serve de mote.

A conversa tem arte, filosofia, religião, política, avanços tecnológicos, memória, velhice, amor, morte.

Tem um jantar com Sartre, os cuidados de Simone com o marido, marxismo, existencialismo, a França de 68.

Tem tanta coisa!

No final, há a lembrança de Dona Ruth e o comentário (cantado) de Gil:

Até o fim, eu vou te amar

Até que a vida em mim resolva se apagar

Cerimonioso, Gil chama Fernando Henrique de professor. O ex-presidente diz que não precisa. E também atribui ao artista os méritos de um professor.

Depois que vi o programa, fiquei pensando em Fernando Henrique, com vontade de escrever algo sobre ele.

Lembro muito bem dele a partir da campanha de 1978. No velho MDB das lutas pela redemocratização. Numa sublegenda do partido, disputando o senado. O eleito seria Franco Montoro.

Um sociólogo de esquerda, um professor de esquerda entrando na política – assim era apresentado.

Sempre teve minha admiração.

Já há muitos anos, me causa espanto a virulência com que amigos de esquerda se referem a ele. Não deixam espaço para um elogio, para um reconhecimento, para uma defesa. Para a admissão das coisas positivas.

O argumento de que FHC direitizou-se tanto quanto o PSDB não me parece justo. Creio que é fruto do atual impasse brasileiro, de polarização e intolerância.

Fernando Henrique Cardoso tem um papel importante na construção da democracia brasileira. Os erros que a ele possam ser atribuídos não tornam menor esse protagonismo.

E, para além do político, há o homem que pensa o Brasil como poucos dos nossos políticos.

É bom ver a sua conversa com Gil. Ela aponta para tudo isso.

É preciso reconhecer o racismo no Brasil

Hoje (20) é o Dia da Consciência Negra.

Reproduzo aqui o que Gilberto Gil postou no Facebook:

Somos um país que se fez de misturas cromáticas e sincretismos culturais, que se afirmou diverso pela adversidade de sua história e formação. Carregamos em nossa história uma vasta carga de preconceitos e discriminações que reproduzem até hoje, ainda que de forma velada, a violência social do regime escravocrata.

Reconhecer o racismo no Brasil é passo fundamental para enfrentá-lo de forma mais efetiva e enérgica. Precisamos vivenciar uma nova extinção da escravatura, que transcenda o corpo da lei e faça prevalecer o seu espírito. Uma libertação que não fique só no papel, mas que conquiste também as consciências

A brasilidade, embora muitos ainda não admitam, é o que é hoje porque é principalmente negra. O negro nos deu resistência e coragem para sermos o que hoje somos, mas também nos deu ginga, cadência e generosidade para permitir que os outros também sejam.

A grandeza da existência humana é poder trabalhar com a pluralidade, é poder compreender nas diferenças o conjunto da igualdade humana. 

Música preferida de Fernando Haddad é de Gilberto Gil. Ouça

Qual a música preferida de Fernando Haddad, o candidato do PT à presidência da República?

Não é Blackbird, dos Beatles, que ele costuma tocar ao violão ou à guitarra.

Ela se chama O Fim da História.

É de Gilberto Gil e está no álbum Parabolicamará, de 1991.

Haddad revelou a preferência no final da entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (22).

Eis a letra:

O FIM DA HISTÓRIA

Não creio que o tempo
Venha comprovar
Nem negar que a História
Possa se acabar

Basta ver que um povo
Derruba um czar
Derruba de novo
Quem pôs no lugar

É como se o livro dos tempos pudesse
Ser lido trás pra frente, frente pra trás
Vem a História, escreve um capítulo
Cujo título pode ser “Nunca Mais”
Vem o tempo e elege outra história, que escreve
Outra parte, que se chama “Nunca É Demais”
“Nunca Mais”, “Nunca É Demais”, “Nunca Mais”
“Nunca É Demais”, e assim por diante, tanto faz
Indiferente se o livro é lido
De trás pra frente ou lido de frente pra trás

Quantos muros ergam
Como o de Berlim
Por mais que perdurem
Sempre terão fim

E assim por diante
Nunca vai parar
Seja neste mundo
Ou em qualquer lugar

Por isso é que um cangaceiro
Será sempre anjo e capeta, bandido e herói
Deu-se notícia do fim do cangaço
E a notícia foi o estardalhaço que foi
Passaram-se os anos, eis que um plebiscito
Ressuscita o mito que não se destrói
Oi, Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez
Lampião faz bem, Lampião dói
Sempre o pirão de farinha da História
E a farinha e o moinho do tempo que mói

Tantos cangaceiros
Como Lampião
Por mais que se matem
Sempre voltarão

E assim por diante
Nunca vai parar
Inferno de Dante
Céu de Jeová

Eis o que Gilberto Gil diz da canção:

A canção foi composta para responder à colocação do scholar nipo-americano Francis Fukuyama, que num artigo publicado um pouco antes defendeu a tese neo-liberalista de que, com o final do comunismo – que, segundo ele, teria desaparecido -, a história teria também acabado. O artigo se chamou justamente ‘O fim da História’, e foi escrito para provar o término da marcha das utopias. Para lançar minha contestação frontal a isso, eu fiz a advocacia do ‘eterno retorno’, tratando exatamente da questão de que tratava Fukuyama (a derrocada do socialismo enquanto configuração dos conjuntos nacionais do leste europeu), e trazendo à discussão o mito de Lampião (havia então a notícia de que, numa cidadezinha do Nordeste, tinham tentado tirar a sua estátua, o que gerou polêmica, sugerindo-se um plebiscito em que o povo acabou preferindo mantê-la).

Ouça O Fim da História:

CD de Gilberto Gil tem grande conversa sobre a vida e a morte

O novo trabalho de Gilberto Gil já está disponível em CD, LP e nas plataformas digitais.

OK OK OK é o primeiro disco de canções inéditas desde Fé na Festa, lançado há oito anos.

Sei que não dei nenhuma opinião
É que eu pensei, pensei, pensei, pensei
Palavras dizem sim, os fatos dizem não

Começo com o que diz respeito ao coletivo.

OK OK OK, a faixa que dá título ao disco, abre o repertório com uma resposta de Gil às cobranças que lhe são feitas. “E então, não vai se posicionar sobre a atual situação?” – coisas assim.

Vi num artigo alguém dizer que a letra é ambígua. Não me parece. Gil costuma olhar o mundo com riqueza e complexidade e não o faz de forma diferente quando o assunto é o Brasil e seus impasses.

Uma entrevista de dias atrás fala disso: o artista foi ao show Lula Livre na Lapa, cantou Cálice com Chico Buarque, mas disse depois que não votaria necessariamente em Lula.

Sua presença no evento tem a ver com princípios e preocupações que vão além do desejo real de que o ex-presidente seja posto em liberdade e da possibilidade de votar nele.

OK OK OK  me remeteu a Metáfora, de 1982. Aqui, acolá, nas soluções melódicas. Sobretudo na letra. Deixem o poeta em paz. Ele diz tudo sem dizer nada.

Agora vou ao pessoal.

Há algum tempo, a morte se incorporou às conversas que tenho com Gil. Por causa da passagem dos anos, por causa das perdas que vão se acumulando.

Uma década atrás, ouvi dele uma lição que recebeu de Walter Smetak: todos os dias, é preciso tirar um tempinho para refletir sobre a inevitabilidade da morte. Pode não ser fácil, mas é importante fazê-lo.

OK OK OK, o disco, é uma grande conversa sobre a vida e a morte. Ao modo de Gil.

A doença grave que enfrentou há dois anos, o envelhecimento, a família (após os filhos, os netos e bisnetos), os amigos, os colegas de ofício, os médicos, a ausência de Jorge Bastos Moreno (um “irmão” tardio) – tudo isso foi mexendo com o compositor. Foi se juntando para montar uma espécie de retrato que é esse primeiro disco da velhice, como Gil chamou OK OK OK.

É uma conversa serena. Uma conversa que é construída pelo conjunto das canções (12 + três bônus). Com essa serenidade e com a sabedoria que Gil foi acumulando ao longo da vida.

Musicalmente, tem o reencontro com João Donato (velho parceiro), o encontro com Yamandu Costa (exímio violonista), o diálogo profícuo com Bem, o filho músico, a quem se deve muito da sonoridade do disco.

Na hora de compor, Gil está afiado. É o Gil de ontem, o Gil de sempre, sem deixar de ser o Gil de hoje. É curioso como ele consegue ser o mesmo sendo outro. Como ele é perene e atual.

Esse disco começou num momento difícil, de doença, riscos e longas permanências no hospital.

Uma canção, outra, mais outra, aos poucos reveladas, ainda nuas, nas redes sociais.

Pronto, OK OK OK sobrepõe a vida à morte.

E reúne infinitas belezas para nós que amamos Gil.