Gil ganha, com OK OK OK, Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB

Com OK OK OK, Gilberto Gil conquistou, no Grammy Latino 2019, o prêmio de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira de 2018. A premiação coincide com a opinião que dei aqui na coluna sobre os melhores álbuns do ano passado. OK OK OK foi o meu favorito. Republico texto que escrevi quando o disco foi lançado.

Sei que não dei nenhuma opinião
É que eu pensei, pensei, pensei, pensei
Palavras dizem sim, os fatos dizem não

OK OK OK, a faixa que dá título ao disco, abre o repertório com uma resposta de Gil às cobranças que lhe são feitas. “E então, não vai se posicionar sobre a atual situação?” – coisas assim.

Vi num artigo alguém dizer que a letra é ambígua. Não me parece. Gil costuma olhar o mundo com riqueza e complexidade e não o faz de forma diferente quando o assunto é o Brasil e seus impasses.

Uma entrevista de dias atrás fala disso: o artista foi ao show Lula Livre na Lapa, cantou Cálice com Chico Buarque, mas disse depois que não votaria necessariamente em Lula.

Sua presença no evento tem a ver com princípios e preocupações que vão além do desejo real de que o ex-presidente seja posto em liberdade e da possibilidade de votar nele.

OK OK OK  me remeteu a Metáfora, de 1982. Aqui, acolá, nas soluções melódicas. Também na letra. Deixem o poeta em paz. Ele diz tudo sem dizer nada.

*****

Há algum tempo, a morte se incorporou às conversas que tenho com Gil. Por causa da passagem dos anos, por causa das perdas que vão se acumulando.

Uma década atrás, ouvi dele uma lição que recebeu de Walter Smetak: todos os dias, é preciso tirar um tempinho para refletir sobre a inevitabilidade da morte. Pode não ser fácil, mas é importante fazê-lo.

OK OK OK, o disco, é uma grande conversa sobre a vida e a morte. Ao modo de Gil.

A doença grave que enfrentou há dois anos, o envelhecimento, a família (após os filhos, os netos e bisnetos), os amigos, os colegas de ofício, os médicos, a ausência de Jorge Bastos Moreno (um “irmão” tardio) – tudo isso foi mexendo com o compositor. Foi se juntando para montar uma espécie de retrato que é esse primeiro disco da velhice, como Gil chamou OK OK OK.

É uma conversa serena. Uma conversa que é construída pelo conjunto das canções (12 + três bônus). Com essa serenidade e com a sabedoria que Gil foi acumulando ao longo da vida.

Musicalmente, tem o reencontro com João Donato (velho parceiro), o encontro com Yamandu Costa (exímio violonista), o diálogo profícuo com Bem, o filho músico, a quem se deve muito da sonoridade do disco.

Na hora de compor, Gil está afiado. É o Gil de ontem, o Gil de sempre, sem deixar de ser o Gil de hoje. É curioso como ele consegue ser o mesmo sendo outro. Como ele é perene e atual.

Esse disco começou num momento difícil, de doença, riscos e longas permanências no hospital.

Uma canção, outra, mais outra, aos poucos reveladas, ainda nuas, nas redes sociais.

Terminado, OK OK OK sobrepõe a vida à morte.

E reúne infinitas belezas para nós que amamos Gil.

Conversa de Gil com Haddad mostra que nem todos calçam 40

Amigos, Sons e Palavras é uma série exibida pelo Canal Brasil.

Está na segunda temporada.

É um programa de entrevistas comandado por Gilberto Gil.

O músico atua como entrevistador, mas não o entrevistador que nós, jornalistas, costumamos ser.

Ele não é mero perguntador. O que se vê sempre é uma conversa de Gil com os seus convidados.

O mais recente foi Fernando Haddad.

Os programas começam sempre com uma canção. Gil, sua voz, seu violão.

Para receber Haddad, pensei que seria O Fim da História, que o político disse ser sua música preferida.

Mas não. Foi Guerra Santa. É da segunda metade dos anos 1990, mas permanece muito atual.

“O nome de Deus pode ser Oxalá, Jeová, Tupã, Jesus, Maomé/Sons diferentes, sim, para sonhos iguais” – diz a letra.

A presença de Deus é o tema que abre o programa. Religião – da origem familiar do entrevistado – que vai desembocar em filosofia, direito e economia, as áreas de formação de Haddad.

A política vem depois. Da militância juvenil à disputa pela presidência.

A conversa de Gilberto Gil com Fernando Haddad aborda muitas questões. Uma das principais: a necessidade da política num instante em que tantos negam a política. A política como uma das atividades essenciais do homem.

Nem todos calçam 40. Nem todos são iguais. O parlamento que temos, os políticos que temos, é tudo representação do que somos.

Haddad é muito diferente de Bolsonaro. Diferente e muito melhor. Pode ser uma das conclusões desse episódio de Amigos, Sons e Palavras.

Outra conclusão está numa das falas de Gil. O grupo que hoje governa o Brasil não deve pegar ninguém de surpresa. O que se tem na prática foi posto na campanha. O Bolsonaro que governa é o Bolsonaro que vimos atuando por tantos anos na Câmara.

Mas a seta do tempo aponta sempre pra frente. Acho que Gil disse algo parecido numa entrevista recente. Ele e Haddad creem nisso. Pode ser outra conclusão do programa.

Fecho evocando Tom: que o Brasil continue a ser promessa de vida em nossos corações.

Gilberto Gil, Campina Grande e essa vontade de ser Nova York

Nesta sexta-feira (11), Campina Grande faz aniversário.

São 155 anos de sua emancipação política.

Aproveito a data para contar uma história.

Maio de 1988.

Gilberto Gil estava em João Pessoa para fazer uma conferência sobre racismo no campus da UFPb.

Depois do evento, foi à TV Cabo Branco gravar o programa A Palavra É Sua.

Eu e Rômulo Azevedo atuamos como entrevistadores.

Gil conversou sobre música, política, respondeu às perguntas que gravamos com alguns telespectadores.

Naquele ano, pretendia ser candidato a prefeito de Salvador, projeto que acabou não se concretizando.

Terminada a gravação, Rômulo Azevedo disse a Gil que estava preparando um especial sobre Jackson do Pandeiro para a série A Paraíba e Seus Artistas e que gostaria de ter um depoimento dele.

Gil, sempre muito solícito, disse que sim e começou a falar sobre Jackson, por quem tem grande admiração.

Foi aí que, ao lembrar de Jackson, lembrou de Campina Grande e do seu espírito cosmopolita.

E disse coisas que, com justa razão, envaidecem os campinenses.

 

João Gilberto em dois retratos tirados por Caetano e Gil

Caetano Veloso e Gilberto Gil estão entre os artistas mais fortemente influenciados pelas lições de João Gilberto.

Em 1968, aos 26 anos, Caetano fez – e gravou ao vivo com Os Mutantes – Saudosismo.

A letra fala da Bossa Nova, da quarta-feira de cinzas que se abateu sobre o Brasil e, naturalmente, de João, a quem sempre chamou de mestre supremo.

Em 2014, aos 72 anos, Gil lançou Gilbertos Samba, um disco no qual se debruça sobre o repertório de João Gilberto.

Em Gilbertos, faixa que fecha o repertório, Gil trata João como um mestre da canção, desses que aparecem a cada 100 anos.

Seguem letras e áudios de Saudosismo e Gilbertos.

Vamos ouvir?

*****

SAUDOSISMO, Caetano Veloso (1968)

Eu, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor
Um violão guardado
Aquela flor
E outras mumunhas mais
Eu, você, João
Girando na vitrola sem parar
E o mundo dissonante que nós dois
Tentamos inventar tentamos inventar
Tentamos inventar tentamos

A felicidade a felicidade
A felicidade a felicidade
Eu, você, depois
Quarta-feira de cinzas no país
E as notas dissonantes se integraram
Ao som dos imbecis
Sim, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor
A bossa, a fossa, a nossa grande dor
Como dois quadradões

Lobo, lobo bobo
Lobo, lobo bobo
Eu, você, João
Girando na vitrola sem parar
E eu fico comovido de lembrar
O tempo e o som
Ah! Como era bom
Mas chega de saudade
A realidade é que
Aprendemos com João
Pra sempre
A ser desafinados
Ser desafinados
Ser desafinados
Ser

Chega de saudade
Chega de saudade
Chega de saudade
Chega de saudade

GILBERTOS, Gilberto Gil (2014)

Aparece a cada cem anos um
E a cada vinte e cinco um aprendiz
Aparece a cada cem anos um mestre da canção num país
Aparece a cada cem anos um
E a cada vinte e cinco um aprendiz

Foi Dorival Caymmi que nos deu
A noção da canção como Liceu
A cada cem anos um verdadeiro mestre aparece entre nós
E entre nós alguns que o seguirão
Ampliando-lhe a voz e o violão

É assim que aparece mestre João
E aprendizes professando-lhe a fé
Um Francisco, um Caetano, algum Roberto
E a canção foi mais feliz

Aparece a cada cem anos um
E a cada vinte e cinco um aprendiz
Aparece a cada cem anos um
E a cada vinte e cinco um aprendiz

Em OK OK OK, Gilberto Gil leva muitos afetos para o palco

Os músicos entram no palco do Teatro A Pedra do Reino às cinco da tarde.

Passagem de som é um barato.

Alguém puxa Upa Neguinho. Um adere à sugestão. Mais outro, mais outro. Nara Gil canta um pouquinho.

O rapaz do trompete gosta de Egberto Gismonti. É ele que toca Frevo. E Lôro, um maracatu que vira samba.

O clima é meio jazzy. Muito bom de ver e ouvir ali naquele teatro imenso e vazio.

Gilberto Gil entra no palco depois das seis.

Passagem de som com Gil é um barato total.

Ele faz o show quase completo.

Gil adora o palco. Gil é um grande homem de palco.

*****

Em seguida, tem a conversa no camarim.

Lembro do meu pai: “Sílvio, nada será tão sombrio quanto a gente teme”.

Ao que Gil complementa: “Nem tão luminoso”.

Segue-se o atendimento aos jornalistas.

Breves entrevistas, outra vez no palco.

Jackson do Pandeiro, Chuck Berry, etc.

*****

O show começa às nove e meia.

OK OK OK.

Todos querem a opinião do poeta.

Palavras dizem sim. Os fatos dizem não.

Ele vai falando de afetos. De pessoas. Família, amigos, médicos. Fala de finitude. E da circunstância em que as novas canções surgiram. Foram muitas. Geraram dois discos: o seu OK OK OK e o Giro, de Roberta Sá.

A banda é grande. Oito integrantes. Lá estão três dos seus filhos: Bem na guitarra, José (o caçula) na percussão e bateria, Nara (a primogênita) no vocal.

O set list traz o álbum OK OK OK quase na íntegra. Naturalmente, amplia as possibilidades das canções.

O repertório de hoje dialoga com o repertório de ontem.

As pérolas de ontem são deliciosos lados B.

O show vai crescendo, vai esquentando. Gil vai seduzindo a gente. Como faz todas as vezes em que sobe ao palco.

O pessoal, aqui, acolá, se mistura com o coletivo. Pro dia nascer feliz. Ou pra esse meu Brasil melhorar.

Marginália II, que dá conta do Brasil de 68, parece tão atual!

E ainda tem o poeta Mané Caixa D’ Água, que vagava pelas ruas de João Pessoa:

“Deixe o poeta beber vento!” – está na memória afetiva de Gil. E na nossa.

*****

No backstage, depois do show, tudo é muito breve.

Uma foto, um autógrafo na capa do disco, a delicadeza com os que vão estar com ele na porta do camarim.

Na despedida, dou um abraço e um beijo no rosto do meu amigo e digo:

A vida nos dá presentes. Você é um presente que a vida me deu. Ou Deus.

E lá vem ele com os versos: “Que Deus dá, que Deus dá”.

Gilberto Gil faz OK OK OK em João Pessoa. Confira o set list do show

Gilberto Gil se apresenta nesta quinta-feira (06) no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Ele está em turnê com o show OK OK OK.

Confira o (provável) set list:

  1. OK OK OK
  2. Quatro Pedacinhos
  3. Sereno
  4. Uma coisa Bonitinha
  5. Lugar Comum
  6. Lia e Deia
  7. Pai e Mãe
  8. Yamandu
  9. Prece
  10. Se eu Quiser Falar com Deus
  11. Sol de Maria
  12. Na Real
  13. Seu Olhar
  14. Tocarte
  15. Pro Dia Nascer Feliz
  16. Nossa Gente (Avisa Lá)
  17. Marginália II
  18. Ouço
  19. Afogamento
  20. Extra

O dia em que Gilberto Gil conheceu Jimi Hendrix

Nesta quinta-feira (06), vamos ver Gilberto Gil no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Ele está em turnê com o show OK OK OK.

Aproveito para contar uma história do tempo em que Gil estava exilado em Londres.

*****

Conversei com Gilberto Gil pela primeira vez em abril de 1975. Eu tinha 15 anos. Ele, 32.

Foi no final de uma coletiva, em João Pessoa. Perguntei pelo conjunto (ainda não usávamos banda) que o acompanhava, e ele disse que formara um trio inspirado no Experience de Jimi Hendrix.

Quem toca a guitarra?, indaguei.

E ele respondeu:

Momó no baixo, Chiquinho Azevedo na bateria, eu na guitarra.

Era incrível!

Àquela altura, eu já sabia da paixão de Gil por Hendrix, mas somente anos depois ouvi o relato sobre o dia em que ele se viu diante do maior de todos os guitarristas.

Exilado em Londres, Gilberto Gil foi ao festival da Ilha de Wight.

Seu companheiro de exílio, Caetano Veloso, estava lá, e os dois chegaram a tocar no segundo dia da edição de 1970.

Uma das atrações era Miles Davis, gênio consumado do jazz. O percussionista brasileiro Airto Moreira tocava na banda. Tempo de fusion.

De repente, Gil e Caetano foram chamados ao backstage pelo serviço de som do festival:

Brazilians composers Gilberto Gil and Caetano Veloso! Invited to the backstage by Miles Davis!

Airto os recebeu. E os apresentou a Miles.

Miles Davis, então, levou Gil para conhecer um amigo.

Como será que ele disse?

“Gil, venha comigo, quero que você conheça alguém!”.

Ou, simplesmente, não disse nada.

Puxou Gil pelo braço e abriu a porta de um camarim.

E lá estava, pronto para entrar no palco, Jimi Hendrix.

O músico e sua guitarra Fender.

O show de Jimi Hendrix em Wight foi no domingo, 30 de agosto de 1970.

Ele morreu menos de três semanas depois, no dia 18 de setembro. Tinha somente 27 anos.

Jimi Hendrix.

Miles Davis.

Gilberto Gil.

Música negra para gente de todas as cores.

Novo show de Gilberto Gil vem de belo disco com canções inéditas

Na próxima quinta-feira (06/06), Gilberto Gil se apresentará no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Ele vem com o show OK OK OK. 

A base do set list é o repertório do CD de canções inéditas lançado em 2018.

Para mim, o melhor disco de MPB no ano passado.

OK OK OK, a faixa que dá título ao disco, abre o repertório com uma resposta de Gil às cobranças que lhe são feitas. “E então, não vai se posicionar sobre a atual situação?” – coisas assim.

Vi num artigo alguém dizer que a letra é ambígua. Não me parece. Gil costuma olhar o mundo com riqueza e complexidade e não o faz de forma diferente quando o assunto é o Brasil e seus impasses.

OK OK OK  me remeteu a Metáfora, de 1982. Aqui, acolá, nas soluções melódicas. Sobretudo na letra. Deixem o poeta em paz. Ele diz tudo sem dizer nada.

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Há algum tempo, a morte se incorporou às conversas que tenho com Gil. Por causa da passagem dos anos, por causa das perdas que vão se acumulando.

Uma década atrás, ouvi dele uma lição que recebeu de Walter Smetak: todos os dias, é preciso tirar um tempinho para refletir sobre a inevitabilidade da morte. Pode não ser fácil, mas é importante fazê-lo.

OK OK OK, o disco, é uma grande conversa sobre a vida e a morte. Ao modo de Gil.

A doença grave que enfrentou em 2016, o envelhecimento, a família (após os filhos, os netos e bisnetos), os amigos, os colegas de ofício, os médicos, a ausência de Jorge Bastos Moreno (um “irmão” tardio) – tudo isso foi mexendo com o compositor. Foi se juntando para montar uma espécie de retrato que é esse primeiro disco da velhice, como Gil chamou OK OK OK.

É uma conversa serena. Uma conversa que é construída pelo conjunto das canções (12 + três bônus). Com essa serenidade e com a sabedoria que Gil foi acumulando ao longo da vida.

Musicalmente, tem o reencontro com João Donato (velho parceiro), o encontro com Yamandu Costa (exímio violonista), o diálogo profícuo com Bem, o filho músico, a quem se deve muito da sonoridade do disco.

Na hora de compor, Gil está afiado. É o Gil de ontem, o Gil de sempre, sem deixar de ser o Gil de hoje. É curioso como ele consegue ser o mesmo sendo outro. Como ele é perene e atual.

Esse disco começou num momento difícil, de doença, riscos e longas permanências no hospital.

Uma canção, outra, mais outra, aos poucos reveladas, ainda nuas, nas redes sociais.

Pronto, OK OK OK sobrepõe a vida à morte.

E reúne infinitas belezas para nós que amamos Gil.

Público de João Pessoa não vê Gil em teatro há mais de 30 anos

No dia seis de junho (quinta-feira da semana que vem), Gilberto Gil se apresentará no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Ele está em turnê com o show OK, OK, OK, título do CD com canções inéditas que lançou no ano passado.

Ver Gil ao vivo é sempre algo muito especial.

Melhor ainda quando o show é num teatro.

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Entre 1967 e 1987, Gilberto Gil cantou nove vezes em teatros de João Pessoa.

Uma vez em 1967, duas em 1975, duas em 1976 (Refazenda), três em 1977 (Refavela), uma em 1987 (O Poeta e o Esfomeado).

À exceção de O Poeta e o Esfomeado, no Teatro Paulo Pontes, os shows foram no Teatro Santa Roza, que o artista achou parecido com uma embarcação do Mississipi.

Na primeira vez, em 1967, Gil passava uma temporada no Recife e ainda não conquistara dimensão nacional. Dali a poucos meses, com Domingo no Parque, estaria entre os vitoriosos do mais importante de todos os festivais da música popular brasileira.

Quando voltou, em 1975, era um artista consagrado. E já passara pelas experiências da prisão e do exílio.

Na década de 1970, seus shows no Teatro Santa Roza foram memoráveis, inesquecíveis.

Só quem viu sabe o que era testemunhar Refazenda ou Refavela num teatro com 500 pessoas.

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Ao longo de sua carreira, Gil fez 19 shows em João Pessoa. Além das performances em teatro, se apresentou ao ar livre (Praia de Tambaú, Ponto de Cem Réis) ou em grandes ambientes fechados (Praça do Povo, Domus Hall).

Em teatro, a última vez foi em 1987 no Teatro Paulo Pontes, com Jorge Mautner em O Poeta e o Esfomeado.

Há 32 anos, portanto.

Mais um motivo para ir ao Pedra do Reino no dia seis de junho.

Já viram Gilberto Gil e Stevie Wonder fazendo Desafinado?

Gilberto Gil e Stevie Wonder são amigos há muitos anos.

De Wonder, Gil verteu para o português I Just Called to Say I Love You.

O brasileiro percebeu na canção composta para o filme A Dama de Vermelho uma beleza que o autor não reconhecia.

Os dois artistas já se apresentaram juntos algumas vezes.

No documentário Tempo Rei, realizado há pouco mais de duas décadas para celebrar os 30 anos de carreira de Gil, há um momento incrível.

Gilberto Gil (voz e violão) e Stevie Wonder (voz e teclado) “brincam” com o tema de Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Justamente Desafinado, a primeira canção da Bossa Nova a se popularizar nos Estados Unidos.

Segue o vídeo de Gilberto Gil e Stevie Wonder fazendo Desafinado.