Quando o assunto é nudez, o Facebook também é obscurantista?

Meu post anterior, ilustrado com essa foto do espetáculo Macunaíma, foi removido pelo Facebook.

Dias atrás, meu post sobre a morte do fundador da Playboy também foi removido. Tinha uma foto de Marilyn Monroe nua.

Vou, então, perguntar:

Quando o assunto é nudez, o Facebook também é obscurantista?

Fecho com mais uma imagem de nudez:

O São Francisco de Assis interpretado por Graham Faulkner em Irmão Sol, Irmã Lua, de Franco Zeffirelli.

Zuckerberg faz discurso ideal, mas está longe da realidade!

Mark Zuckerberg publicou nesta quinta-feira (16) uma carta em que dialoga com os usuários do Facebook. Defende o conceito de uma comunidade global.

Fundador e CEO da rede social, Zuckerberg reage às críticas feitas ao Facebook.

O Face promove censura? Estimula discursos de ódio? Difunde notícias falsas? Acabou contribuindo com a eleição de Donald Trump?

Qual pode ser o seu papel no projeto de uma comunidade global?

Para a construção dessa comunidade global, Zuckerberg defende cinco mandamentos:

Comunidades solidárias. Comunidades seguras. Comunidades informadas. Comunidades civicamente engajadas. Comunidades inclusivas. 

Muito bom como lista de propósitos!

Tomemos o exemplo brasileiro. O que nós, usuários do Facebook, temos visto?

O que, na prática, o Face tem feito entre nós, um país mergulhado numa crise econômica e num impasse político, a não ser contribuir significativamente para acentuar as nossas divisões e a intolerância dos extremos?

Em que medida o Face que nós frequentamos, onde fazemos “amigos”, produz conteúdos que contribuem com a construção dessa comunidade global que possa melhorar o mundo?

O mundo de Zuckerberg, com suas comunidades solidárias, é belo e irreal como a letra de Imagine, essa balada do beatle John, que nós tanto amamos! Mas que nada pode fazer pelo caos do Espírito Santo quando é executada nas ruas por um motorista solitário!

O mundo está doente, disse o Papa Paulo VI. Faz tempo. Foi nos anos 1960, creio.

A frase continua valendo. Ou vale ainda mais!

As redes sociais têm um papel a desempenhar. O discurso de Mark Zuckerberg trata disso. É interessante como documento sobre a contemporaneidade. Inquieta, mas propõe caminhos difíceis nesse mundo convulsionado.

O progresso agora exige que a humanidade se una não como cidades ou nações, mas como uma comunidade global.

A frase de Zuckerberg parece mais com os versos utópicos de Lennon do que com a vida real!

Fora Temer é tão legítimo quanto Fora Lula!

Escrevi sobre o Fora Temer usado como teste de amizade no Facebook. Algumas pessoas não entenderam. Pediram que eu explicasse melhor. Vou tentar.

Não é preciso defender a saída de Temer para achar legítimo o Fora Temer.

Não é preciso ser contra a volta de Lula para achar legítimo o Fora Lula.

Ambos são legítimos e exatamente iguais como manifestações às quais o cidadão tem direito.

Quem quer a volta de Lula, grita Fora Temer! Quem não quer, grita Fora Lula!

Os dois brados são muito interessantes como manifestações genuinamente democráticas!

É tão simples!

Quem é Fora Temer, é Fora Temer! Quem é Fora Lula é Fora Lula! E há quem não é nenhum dos dois!

O que condenei no meu texto foi o uso do Fora Temer como teste de amizade no Facebook. Como condenaria se o teste fosse feito com um Fora Lula.

Amigos, afeições, deveriam valer mais!

É muito difícil de entender?

“Fora Temer” agora testa amizades no Facebook!

Meu pai era de esquerda. O professor e artista plástico Archidy Picado, que dá nome à galeria do Espaço Cultural José Lins do Rego, caminhava, na melhor das hipóteses, do centro para a direita. Testemunhei longas conversas dos dois. Arte, ciência, filosofia, política, religião. Dois homens cultos a dialogar. Nunca presenciei uma briga.

Lembro deles na intolerância dos dias atuais.

O Facebook está cheio de correntes.

Vejo agora amigos a testar amizades, pedindo adesão ao “Fora Temer”. Do contrário – me pergunto – serão merecedores da amizade?

A questão não é o “Fora Temer”. Podia ser “Fora Lula”. “Fora PMDB” ou “Fora PT”. Tanto faz.

O problema é o policiamento da opinião, a patrulha à postura que cada um tem o direito de ter, a exigência do atestado ideológico.

O problema é o condicionamento da amizade a uma escolha política. Como se partidos e políticos valessem mais do que amigos.

Dilma e Temer formaram uma chapa. Governaram por quatro anos. Foram reeleitos. Um duvidoso movimento tirou Dilma do poder. O vice assumiu. Não gosto da palavra “golpe” tanto quanto lamento que Dilma não tenha podido terminar o mandato.

Mas não me chamem para correntes!

Fora Temer? Fora Lula?

No Facebook? Como teste de amizade?

Estou fora!

Gil não criticou Moro. Justiça manda tirar do ar links com falsa entrevista

Claro que Gilberto Gil não chamou o juiz Sérgio Moro de terrorista!

Não combina com a sua serenidade, com o seu bom senso, com o homem íntegro que ele é!

Nós só vimos nas redes sociais porque, infelizmente, a mentira está se sobrepondo à verdade.

Vimos muitas vezes.

E teve o cara que chamou o grande artista brasileiro de “macaco filho da puta”.

Gil recorreu à Justiça e obteve uma liminar.

O Facebook e os sites Pensa Brasil e Folha Digital terão que retirar do ar os links com a falsa entrevista de Gil criticando o juiz Moro e defendendo Lula de acusações da Lava Jato.

Gil, simplesmente, não deu a entrevista!

A liminar obriga ainda o Facebook a fornecer informações sobre o autor do comentário racista em publicação que replicava a notícia inverídica.

A vitória de Gil é muito importante!

É a vitória da verdade na era da pós verdade!

Roberto Carlos usa Facebook para testar conhecimentos dos fãs

Roberto Carlos vai usar o Facebook para testar os conhecimentos dos seus milhões de fãs.

roberto-carlos

A ação, que vai se chamar Canal Emoções, começa neste domingo (11) no perfil oficial do Rei no Facebook.

Quase seis milhões de seguidores do artista vão conversar com a página pelo Messenger e receber mensagens com desafios. Esses desafios mostrarão o quanto as pessoas conhecem sobre a carreira de Roberto Carlos.

As mensagens serão enviadas todos os dias aos participantes. São perguntas sobre capas de discos, versos das canções, trechos de áudios e vídeos. Uma estrofe a ser completada corretamente, o título de um disco a ser descoberto apenas pela capa – muitas questões que vão mostrar se você realmente conhece a trajetória do Rei.

Os usuários participantes serão premiados. Dependendo do desempenho deles, somarão pontos e receberão distintivos de acordo com os assuntos que mais dominarem. São mais de 25 distintivos temáticos.

A ação será desenvolvida numa parceria do artista com a Sony Music.

Gilberto Gil não fez críticas a Sérgio Moro. Equipe GG desmente notícias

No fim de semana passado, postei aqui na coluna uma nota da assessoria de Roberto Carlos. O objetivo da nota: desmentir notícias segundo as quais o artista teria feito críticas ao juiz Sérgio Moro e, por isso, estaria perdendo seguidores nas redes sociais.

Nesta terça-feira (22), foi a vez de Gilberto Gil. No seu perfil no Facebook, através da equipe GG, o compositor também divulgou nota desmentindo as notícias de que teria criticado Moro, chamando-o de juizinho e terrorista.

noticias-falsas

Transcrevo a nota assinada pela equipe GG:

MENTIRA! Atenção: ao longo dos últimos dias voltaram a circular notícias falsas atribuídas a Gil.

Defendemos o direito de que todos devem ter sua opinião política respeitada, mas além de imoral e antiético, aproveitar-se da imagem de um cidadão para divulgar causas próprias, associando-a a declarações mentirosas com o intuito de gerar discórdia, constitui crime de injúria e difamação, passível de punição.

Pedimos a todos que chequem as fontes das informações antes de propagá-las, e, em caso de dúvidas, nos enviem a origem do material para que possamos atestar sua veracidade. As devidas providências estão sendo tomadas contra esses irresponsáveis.

Muito obrigado pela compreensão. Aquele abraço, equipe GG.

Roberto Carlos, que não costuma falar de política, dificilmente faria críticas ao juiz.

Gilberto Gil, que sempre se posicionou politicamente, não chamaria Moro de juizinho e terrorista. Não combina com ele.

É a era dos que, no uso das redes sociais, sobrepõem à verdade os seus interesses políticos, partidários, ideológicos.

Vale para a esquerda e para a direita. Não há diferença entre os que recorrem a esses expedientes.

Essa manipulação grosseira da verdade é inaceitável!

Roberto Carlos não criticou Sérgio Moro. Notícia falsa, diz assessoria

Roberto Carlos não fez críticas ao juiz Sérgio Moro. A notícia é falsa, diz em nota a assessoria do artista.

O episódio ocorreu na mesma semana em que o Dicionário de Oxford escolheu pós-verdade como a palavra de 2016.

Estamos na era da pós-verdade. Post-truth. A pós-verdade ajudou a eleger Donald Trump presidente dos Estados Unidos.

As mentiras disseminadas nas redes sociais se sobrepõem às verdades. As pessoas se deixam guiar pelo que não é verdadeiro.

Os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos às emoções e às crenças pessoais.

Em 1989, no debate às vésperas da eleição, Collor disse que não tinha dinheiro para comprar um equipamento de som como o de Lula. Collor mentiu. O eleitor acreditou nele. Se fosse hoje, a afirmação dele se enquadraria no conceito de pós-verdade.

O caso de Roberto Carlos: uma “notícia” no Facebook dizia que o artista estava perdendo seguidores nas redes sociais depois de criticar o juiz Sérgio Moro e apoiar o PT. Não é verdade.

A assessoria do Rei divulgou nota que está em seu perfil no Facebook.

O teor da nota: “Roberto Carlos, como a maioria dos brasileiros, tem orgulho do trabalho do juiz Sérgio Moro e de todos da equipe do Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público envolvidos na operação Lava Jato, exemplos de dignidade e competência. Novamente a internet é usada para divulgar notícias falsas e estamos tomando providências jurídicas para que fatos como este não tornem a acontecer”.

Roberto Carlos tem 75 anos, quase 60 de carreira. Ele não costuma se envolver com política. Direito dele. O que é grande nesse artista que chamamos de Rei é a singularíssima relação da sua música com milhões de brasileiros.

A pós-verdade sempre existiu. O que assusta é sermos dominados por ela.