Disco de blues dos Rolling Stones só veio na velhice

Os Rolling Stones sempre tocaram blues.

O nome da banda vem de um clássico do blues.

Eles não seriam o que são sem o blues.

Mas esperaram pela velhice para gravar um disco inteiramente dedicado ao gênero.

Imaginemos um artista brasileiro da geração dos Stones. Chico Buarque? Ele não é do rock, mas ilustra bem o que quero dizer.

Então, que tal Chico Buarque gravando um disco somente com velhos sambas de Ismael Silva, Geraldo Pereira, Wilson Batista?

Foi mais ou menos o que os Rolling Stones fizeram em Blue and Lonesome.

Numa trajetória de mais de meio século, o grupo já gravou muitos blues. Autorais e não autorais. Mas eles aparecem soltos na extensa discografia.

Blue and Lonesome é um tributo que o grupo devia aos seus fãs. E uma homenagem que os Stones precisavam fazer ao gênero. Eric Clapton, que participa do disco, fez o mesmo antes dos 50, em From the Cradle.

O disco de Clapton tem o perfeccionismo como marca. E há o virtuosismo do guitarrista.

O dos Stones é mais despojado. Meio sujo, gravado em poucas sessões. Ao vivo em estúdio. Mesmo assim, é muito correto.

Está lá o respeito às matrizes. A mesma reverência às fontes que temos em Clapton e em outros músicos brancos do Reino Unido um dia atraídos pela força dessa música criada pelos negros da América.

Quando tocam esses velhos blues, os Rolling Stones soam como os Rolling Stones. A intimidade com o repertório é tão grande que eles se apropriam das músicas como se fossem seus autores. Talvez por essa razão Blue and Lonesome tenha tanta unidade.

Os Rolling Stones demoraram muitos anos para fazer um disco assim. Foi bom. Fizeram com sabedoria, com experiência. Com salutar distanciamento.

Já olham tudo de longe! Nós também!

RETRO2016/Eric Clapton, mesmo doente, ainda faz!

I Still Do”. Eu ainda faço. É o nome do novo disco de Eric Clapton. O lançamento coincidiu com uma notícia ruim: o guitarrista, que um dia foi chamado de deus, tem neuropatia periférica, uma doença grave que pode impedi-lo de tocar. Consequência dos excessos do passado.

Eric Clapton

Eric Clapton tem 71 anos. Seu disco novo parece antigo. O produtor é o velho Glynn Johns, que, há muito tempo, já trabalhou com os Rolling Stones, The Who, Led Zeppelin e o próprio Clapton. A capa foi desenhada por Peter Blake, o autor, no remoto 1967, da capa do “Sgt. Pepper”, o disco mais importante dos Beatles.

A sonoridade é de disco analógico, e o repertório, pouco autoral, vai do tradicional a Bob Dylan, de Robert Johnson a J.J. Cale. Mas o resultado é um primor para os que admiram o guitarrista. Tocando ou cantando, Clapton continua irresistível.

Na ficha técnica, há um dado intrigante: um músico chamado de anjo misterioso. No final dos anos 1960, num disco do Cream (o power trio de Clapton), o beatle George Harrison assinou como o anjo misterioso, no lugar de colocar seu nome na faixa “Badge”. Quem é, então, o anjo misterioso de 2016?

George Harrison, o mais discreto dos Beatles, morreu há 15 anos

Nesta terça-feira (29), faz 15 anos que morreu o beatle George Harrison.

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Numa banda em que o comando era disputado por John Lennon e Paul McCartney, para George Harrison, o mais discreto e também o mais místico dos quatro Beatles, só havia lugar de coadjuvante. Mesmo que ele fosse o guitarrista solo, como se chamava na época. No começo, quando os Beatles gravavam covers de outros artistas, Harrison fazia o vocal principal de algumas canções. Como “Chains” e “Roll Over Beethoven”. Depois, os discos do quarteto traziam uma música de sua autoria, ou duas. Três no “Revolver”. Quatro no “Álbum Branco” porque era duplo. John e Paul, trabalhando juntos ou separados, escreviam a maior parte das canções, e o maestro e produtor George Martin dava preferência a elas.

Há quem defenda o argumento de que, nos Beatles, George Harrison desempenhou papel semelhante ao de Brian Jones nos Rolling Stones. Com a diferença de que Brian foi aniquilado porque tentou ser o líder. George ficou meio à margem, mas, a despeito disto, o quarteto não pôde prescindir da sua contribuição. Foi ele que apresentou a música indiana aos companheiros de banda e ajudou a difundi-la no Ocidente. Não ouviríamos Ravi Shankar se não fosse George Harrison. Deve-se a ele a presença de um instrumento como o sitar em incontáveis manifestações musicais do mundo ocidental, não só no universo do rock. O mesmo sitar que aparece em algumas gravações dos Beatles.

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George era melhor instrumentista do que John. Sua guitarra é muito marcante na produção do quarteto. No início, fortemente influenciada pelo rock da década de 1950, pelos solos criados por Chuck Berry e Carl Perkins. Depois, com cores próprias. O músico inventou o seu jeito de tocar o instrumento. Um modo choroso de se expressar. “Enquanto minha guitarra chora gentilmente”, diz o título da canção que gravou em 1968, no “Álbum Branco”, com solo não dele, mas do amigo Eric Clapton. Não tinha virtuosismo, mas era um perfeccionista. Um músico aplicado que criou belos solos para as canções dos Beatles.

Se fôssemos escolher uma música, diríamos que o melhor do autor está em “Something”. Foi composta sob inspiração de Ray Charles. A gravação dos Beatles beira a perfeição. O vocal de George, as vozes de John e Paul, o solo de guitarra, as notas graves do piano, o caminho percorrido pelo baixo, as cordas arranjadas e conduzidas por George Martin. Há muitos registros de “Something”. De Joe Cocker, cover branco de Charles. De Elvis Presley, de Frank Sinatra, que, uma vez, atribuíu a autoria a Lennon e McCartney. Nenhum supera o dos Beatles. Foi a única composição de Harrison a ocupar o lado A de um single do grupo.

Longe dos Beatles, George gravou o antológico álbum “All Things Must Pass”, seu maior feito. Reuniu os amigos no concerto para Bangladesh, precursor dos grandes eventos voltados para o combate à fome no mundo. Produziu pouco e se manteve distante do show business. Deixou saudades, além de belas e melancólicas canções.

Chuck Berry faz 90 anos. Chuck Berry Fields Forever!

Chuck Berry faz 90 anos nesta terça-feira (18).

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Há quatro décadas, quando quis difundir sua adesão ao rock, Gilberto Gil foi buscar inspiração na Strawberry Fields Forever de John Lennon e compôs Chuck Berry Fields Forever!

E cantou:

Rock é nosso tempo, baby

Rock’n’n  roll é isso

Chuck Berry Fields Forever! 

Claro! Se o assunto é rock’n’roll, Chuck Berry aparece logo na frente.

Lennon, quando o viu de perto num programa da televisão americana, gritou:

Chuck Berry! Meu herói!

E falou sobre o seu senso rítmico, a sua métrica, os comentários sociais das letras. Se o rock’n’roll tivesse outro nome, seria Chuck Berry! Quem disse foi o beatle.

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Eric Clapton? Keith Richards? George Harrison? Beatles? Rolling Stones? Todos foram influenciados pela guitarra de Berry.

Se pensarmos num fenômeno poderoso como o rock, esse artista extraordinário que faz 90 anos hoje é um fundador. Se pensarmos num instrumento icônico como a guitarra, é um inventor. Seus riffs e suas soluções soam pelo mundo há 60 anos!

Há muitos anos, escrevi sobre ele e publiquei no meu livro Meio Bossa Nova, Meio Rock’n’ Roll:

Nascido em St. Louis, Chuck Berry é um músico simples, primitivo, mas, a despeito disso, carrega consigo uma força criadora que o transformou num grande artista popular. O que fez com a guitarra se insere no terreno da invenção. Ele ajudou a criar uma linguagem, a estabelecer os fundamentos de um gênero. Seus riffs se confundem com o próprio rock. A introdução que repete, com ligeiras alterações, em várias músicas, é uma marca registrada não apenas do seu estilo, mas do rock’n’ roll. 

E tem os rocks e blues absolutamente antológicos que compôs. Johnny B. Goode, o maior de todos.

No filme De Volta Para o Futuro, quando, sem saber, “inventa” o rock, o garoto que viajou no tempo toca Johnny B. Goode! E deixa a plateia estarrecida. Sim, porque ele vem de uma época em que a gramática do instrumento já está escrita, com todas as suas possibilidades. Associada também à presença cênica dos artistas do rock. Coisas que não existiam antes de Berry.

Portanto:

Hail! Hail! Rock’n’ Roll!

Chuck Berry Fields Forever!

Notas da guitarra de Hendrix são como cores que um gênio da pintura joga na tela

Neste domingo (18), são 46 anos da morte de Jimi Hendrix.

Jimi Hendrix

Quando pensamos em guitarristas, há nomes que não podem ser esquecidos. Falamos em jazz, e lá vêm Wes Montgomery e Django Reinhardt. Se formos para os primórdios do rock, Chuck Berry aparecerá entre os fundadores. No blues, temos as notas econômicas e essenciais de B.B. King. Claro, estamos antes dos anos 1960 do século passado, década em que os conjuntos de guitarras tomaram conta do mundo da música popular. É aí que chegamos à Londres que, em 1966, viu nascer o trio The Jimi Hendrix Experience. Um guitarrista americano, mestiço de negro com índio; um baixista e um baterista ingleses, brancos. Eles logo fariam história.

Jimi Hendrix é o maior guitarrista de todos os tempos. Um lugar comum. Mas está certo. Os garotos que hoje estudam o instrumento e têm às mãos todos os recursos tecnológicos, farão coisas inacreditáveis com uma Fender semelhante à de Hendrix. Mas não inventarão nada. Não escreverão a gramática, nem a história, como Jimi fez numa carreira tão intensa quanto meteórica, entre 1966 e 1970. Ele foi descoberto em Londres, na época em que os Beatles e os Rolling Stones comandavam a cena roqueira da cidade, e impressionou todos os que puderam vê-lo ao vivo. Os melhores guitarristas – gente como Clapton e Page – ficaram perplexos. E quiseram desistir.

Dois shows disponíveis em Blu-ray oferecem um grande retrato de Jimi Hendrix. No primeiro, ele debuta para o público americano. Em 1967, sua apresentação no Festival de Monterey provocou um impacto extraordinário sobre os músicos e os espectadores do evento. No segundo, o guitarrista está no auge. Em 1969, sua performance no Festival de Woodstock, mais extensa do que a de Monterey, figura entre os mais impressionantes momentos do rock produzido ao vivo. Os dois registros trazem o melhor de Hendrix no palco e também eternizam festivais que marcaram a cultura pop.

Dizer que a guitarra é extensão do corpo de Jimi Hendrix é outro lugar comum. Tanto quanto classificá-lo como o maior de todos os guitarristas. Mas também é verdade. Com o instrumento colado ao seu corpo, ou dando voltas ao redor deste, às vezes tocando com a boca, Hendrix ultrapassa os limites das convenções musicais. Produz ruídos que se misturam ao que não é ruído. Notas certas no lugar certo fundidas a notas que poderiam ser consideradas incorretas. Acordes que não estão nos manuais, dedos pressionando cordas e trastes como ninguém ousaria fazer. Invenção pura. Resultado excepcional. Como as cores que um gênio da pintura joga numa tela.

Hendrix lançou três discos gravados em estúdio antes de morrer aos 27 anos, em setembro de 1970. Mas a discografia é extensa. Os muitos discos póstumos estão à altura da sua importância. Há fabulosos registros ao vivo. Também em estúdio. Todo o material foi recuperado, restaurado à luz dos mais avançados recursos tecnológicos disponíveis nos estúdios da era digital. A família cuida bem da memória e do legado musical. Os sons que produziu na guitarra Fender já atravessaram quase cinco décadas desde que morreu. E permanecem ousados e modernos. Os garotos de hoje facilmente confirmarão.

Os Paralamas, outra vez um power trio, fazem retrospecto em show vigoroso

Os Paralamas do Sucesso tocaram nesta sexta-feira à noite no teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Estão de volta ao power trio, formato abandonado há três décadas, desde que passaram a subir ao palco acompanhados por outros músicos.

O power trio é uma formação fundamental no rock. Nos anos 1960, em meio aos conjuntos de quatro ou cinco elementos, o conceito se consolidou através daqueles caras que faziam o máximo com o mínimo.

The Jimi Hendrix Experience, o Cream de Eric Clapton. Guitarra, baixo e bateria. Mesmo o Who e o Zeppelin, que eram trios de instrumentistas acrescidos de um cantor, cabem no conceito. E muita coisa mais, quando o assunto é power trio.

Paralamas trio

Nesse show visto em João Pessoa, os Paralamas voltam ao começo para rever o conjunto da obra. O set list é um retrospecto. Momentos autorais importantes somados a influências e a alguma coisa de amigos & contemporâneos.

A fórmula funciona muitíssimo bem.

É bonito de ver. Bom para contemplar. Ainda mais num teatro, longe do desconforto das casas de show.

O conterrâneo Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone formam um grupo longevo. Produzem um som conciso e vigoroso.

Aqui, cada música é um pequeno retrato. Lembra um momento. Óculos na abertura não é uma escolha gratuita. Parece um convite para que o público junte cada retrato e se veja diante de um grande painel.

Nesse painel, há dores individuais em canções que são autorretratos. E dores coletivas em letras fortes que ainda guardam alguma atualidade.

Quando os Paralamas tocam em João Pessoa, Herbert está em casa. Lembra logo da maternidade do Grupamento de Engenharia, onde nasceu. “Na Epitácio”, referindo-se à avenida do jeito que nós, pessoenses, falamos. Tios e primos na plateia. Dessa vez, não foi diferente.

Os Paralamas atravessaram o tempo e as adversidades. Estão envelhecendo juntos. Voltam ao formato do início, apenas um trio, mas com o olhar de quem percorreu uma extensa trajetória. É sempre uma alegria revê-los ao vivo.

(A foto é de Maurício Valladares)

Paul e Ringo vão juntos à estreia de documentário sobre os Beatles

Paul McCartney e Ringo Starr foram à estreia, nesta quinta-feira (15) em Londres, do documentário Eight Days a Week: The Touring Years.

A viúva de John Lennon, Yoko Ono, e a viúva de George Harrison, Olivia, também estavam na sessão, além do guitarrista Eric Clapton.

O filme trata dos anos da Beatlemania e tem direção de Ron Howard, o cineasta de Apollo 13.

Com Usain Bolt no Brasil, dá vontade de ouvir reggae!

O velocista jamaicano Usain Bolt me motiva a reouvir o reggae. Claro que a partir de Bob Marley!

Não é de Marley, contudo, a primeira lembrança da Jamaica e da sua música. E sim das imagens e dos sons de “Dr. No”, o filme que, em 1962, inaugurou a série do agente 007. Ainda não é reggae o que ouvimos na aventura de James Bond, são algumas das suas fontes.

Reggae mesmo, ouvi quando o single “Vietnam”, de Jimmy Cliff, se incorporou à minha discoteca, por volta de 1970. E já ouvira, sem saber do que se tratava, em 1968, ano em que os Beatles gravaram “Ob-la-di Ob-la-da”. Uma versão branca do ritmo que Marley mostrou ao mundo.

A gravação dos Beatles não tem a “pegada” dos originais jamaicanos. Falta molho. Aponta, porém, para a força do fenômeno. E inaugura o que se consolidaria na década de 1970: a inequívoca adesão dos brancos à invenção que veio da Jamaica.

Paul Simon, Paul McCartney, Rolling Stones, Eric Clapton, Elton John, Led Zeppelin, Bob Dylan. Todos gravaram o reggae.

Numa entrevista que me deu há uns 25 anos, Cliff fez duras críticas à versão branca do reggae, mas não custa reconhecer que os grandes nomes do pop/rock internacional ajudaram a popularizar ainda mais a música criada pelos negros jamaicanos.

O melhor do reggae está em Marley, nos discos que gravou durante a década de 1970. Eles sintetizam a força do ritmo que os jamaicanos ofertaram ao mundo da música popular, exercendo uma influência notável sobre muito do que foi produzido depois por negros e brancos.

Cliff pode até ter razão na crítica ao que os astros brancos do pop/rock fizeram com o reggae. Pode estar certo ao afirmar que ninguém faz tão bem quanto os negros, que criaram e têm o domínio total da fórmula. Mas é necessário admitir que a adesão de artistas como Clapton e Dylan, Beatles e Stones, deu uma projeção internacional ao ritmo jamaicano que não pode ser desconsiderada.

O primeiro artista brasileiro a colocar a palavra reggae na letra de uma canção foi Caetano Veloso. Em “Nine Out of Ten”, composta e gravada no exílio londrino. Está no LP “Transa”, de 1972. A descoberta, no entanto, não foi dele, e sim de Gilberto Gil em suas andanças pela Londres da virada dos anos 1960 para os 1970.

Mais tarde, Gil verteria para o Português “No Woman No Cry”, do repertório de Bob Marley, que, em 1979, nos extertores da ditadura brasileira, transformou-se num dos hinos da anistia. Foi ele que apresentou o reggae a Dominguinhos, durante a turnê “Refazenda”, e ouviu do sanfoneiro uma definição tão simples quanto verdadeira: “É um xotezinho safado”.

O comentário de Dominguinhos remete a uma semelhança fácil de ser constatada. E antecipa o que ocorreria muito tempo depois. No início dos anos 2000, Gil gravou dois tributos: um a Luiz Gonzaga, o outro a Bob Marley. Um deu sequência ao outro. Mais do que isto: em algumas versões das músicas de Marley, Gil inseriu elementos da música nordestina. No ritmo, na melodia, até no uso da sanfona.

Mesmo que muitos cantem e toquem reggae no Brasil, é de Gilberto Gil o mérito de tê-lo difundido entre nós. Sua versão de “No Woman No Cry” acabou por incorporar-se ao seu repertório como se a canção tivesse sido escrita por ele.

Rolling Stones voltam desnudados, mas plugados

Em meados dos anos 1990, os especiais unplugged, da MTV, estavam na moda. O artista, desplugado, tocava para uma pequena plateia. Eric Clapton fez, Paul McCartney, Bob Dylan, Rod Stewart, até o Nirvana. Era um sucesso absoluto.

Em 1995, em meio à turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones resolveram aderir ao modismo. Como são politicamente incorretos, fizeram ao modo deles. Nem unplugged, nem na MTV. Foram intimistas, sim, mas apenas desnudados. Meio elétricos, meio acústicos.

O disco “Stripped” foi lançado no final de 1995, no mesmo momento em que o primeiro volume da antologia dos Beatles chegava às lojas.

Agora, passados 21 anos, o “Stripped” está de volta e se chama “Totally Stripped”. No Brasil, a Som Livre já colocou no mercado a edição standard com um CD e um DVD.

Durante a turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones fizeram alguns shows para pequenas plateias e algumas regravações em estúdio. Esse conteúdo gerou o disco de 1995 e um documentário exibido na televisão.

O “Totally Stripped” revisita todo o material. Mas a edição brasileira contém apenas um DVD com o documentário da época e um CD com 14 faixas.

O “Stripped” de 1995 era mais acústico. O “Totally” de 2016 é menos. O de 1995 era mais lado B. O de 2016 tem diversos lados A. Não faz diferença, se você é fã da banda!

O essencial é: os Rolling Stones estão irresistíveis no formato. Vamos traduzir assim: plugados e desnudados!

 

 

 

 

Em novo CD, Eric Clapton garante que ainda faz. E é verdade

Eric Clapton

I Still Do”. Eu ainda faço. É o nome do novo disco de Eric Clapton. O lançamento coincide com uma notícia ruim: o guitarrista, que um dia foi chamado de deus, tem neuropatia periférica, uma doença grave que pode impedi-lo de tocar. Consequência dos excessos do passado.

Eric Clapton tem 71 anos. Seu disco novo parece antigo. O produtor é o velho Glynn Johns, que, há muito tempo, já trabalhou com os Rolling Stones, The Who, Led Zeppelin e o próprio Clapton. A capa foi desenhada por Peter Blake, o autor, no remoto 1967, da capa do “Sgt. Pepper”, o disco mais importante dos Beatles.

A sonoridade é de disco analógico, e o repertório, pouco autoral, vai do tradicional a Bob Dylan, de Robert Johnson a J.J. Cale. Mas o resultado é um primor para os que admiram o guitarrista. Tocando ou cantando, Clapton continua irresistível.

Na ficha técnica, há um dado intrigante: um músico chamado de anjo misterioso. No final dos anos 1960, num disco do Cream (o power trio de Clapton), o beatle George Harrison assinou como o anjo misterioso, no lugar de colocar seu nome na faixa “Badge”. Quem é, então, o anjo misterioso de 2016?