Há cinco paraibanos nas 101 canções que tocaram o Brasil

101 Canções que Tocaram o Brasil é o novo livro de Nelson Motta. Foi escrito com colaboração de Antônio Carlos Miguel. Na parceria, há uma lição de tolerância porque, hoje, Motta é grande crítico da esquerda, e Miguel, não.

Há quem diga que o cancioneiro popular fala do nosso destino como Nação. Se é verdade, um livro como esse, ao percorrer um século de canções, conta algo da nossa história.

Vou me prender apenas à presença paraibana.

Nas 101 canções escolhidas por Nelson Motta, há cinco autores e seis músicas que dizem respeito a nós, paraibanos:

Chiclete com Banana, que Jackson do Pandeiro gravou em 1959. Jackson, que o autor chama de “grande mestre do suingue e das divisões rítmicas”.

Caminhando, o hino de protesto composto por Geraldo Vandré no convulsionado ano de 1968.

A Lua e Eu, do soul man Cassiano. “Não era só um sucesso do momento, com o tempo se tornou um clássico”, diz Motta da balada de Cassiano.

Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, que o livro classifica como “o melhor exemplo da força, audácia e personalidade do estilo do autor”.

Alagados e Lanterna dos Afogados, dos Paralamas do Sucesso, grupo liderado pelo paraibano Herbert Vianna. Os Paralamas, na opinião de Nelson Motta, “sinalizavam versatilidade e muito bom gosto desde a sua entrada em cena”.

No posfácio, que justifica as ausências, há uma breve menção a Chico César (À Primeira Vista), outra a Zé Ramalho (Frevo Mulher) e mais uma a Geraldo Vandré (Canção da Despedida, parceria com Geraldo Azevedo).

Chico, 30 mil. Lucy, 70. É para divulgar cachê pago com dinheiro público!

Há duas semanas, fomos ao Hotel Globo gravar uma entrevista com o prefeito Luciano Cartaxo para a CBN. Eu, Rubens Nóbrega e Suetoni Souto Maior.

No meio da conversa, o competentíssimo Rubens olhou para o prefeito e disse:

Sem tergiversar! Quanto a Prefeitura vai pagar para Lucy Alves cantar no Ano Novo?

O prefeito, parecendo ter sido apanhado de surpresa, se refez rapidamente e respondeu:

70 mil Reais!

Rubens fez bem em perguntar, e o prefeito tinha que responder!

Cachê pago com dinheiro público é para ser do conhecimento de todos!

Muito bem. Divulguei, aqui na coluna, que Chico César recebeu um cachê de 30 mil Reais para cantar na inauguração do Viaduto do Geisel. E ainda cometeu a deselegância de dizer que odiava o nome do viaduto construído pelo governo Ricardo Coutinho.

Quem me forneceu o valor foi o jornalista Luís Torres, secretário de Comunicação do governo do Estado.

Tenho sido criticado por amigos meus que também são amigos de Chico. Soube até – mas não sei se é fato – que Chico César me excluiu do Facebook por causa da divulgação do cachê.

Repito: cachê pago com dinheiro público é para ser do conhecimento de todos! 

O que levaria Chico César a não querer a divulgação do cachê dele? É verdade mesmo o que dizem os amigos comuns?

Querer que o valor do cachê não seja divulgado não combina com o que passamos a vida toda defendendo!

É o inverso do que aprendemos na nossa formação e do que defendemos no nosso discurso!

Ou o equivocado sou eu?

Viaduto do Geisel: cachê de Chico César na inauguração foi de 30 mil

Chico César cantou nesta terça-feira (20) na festa de inauguração do Viaduto do Geisel, ou Viaduto Eduardo Campos, em João Pessoa.

Na véspera, usou o Facebook para cometer uma deselegância.

Transcrevo:

odeio que chamem viaduto do geisel, odeio que chamem geisel. confesso que nem gosto que chamem eduardo campos. homens, falíveis. mas com alegria vou com minha banda e minha música celebrar na rua a inauguração dessa passagem, abrimento de possibilidades. por ali passem sonhos, não apenas automóveis. 

O talentoso compositor paraibano foi deselegante com a população, que espontaneamente chama a obra de Viaduto do Geisel, numa alusão ao conjunto habitacional.

Foi deselegante com a memória de Eduardo Campos, morto tragicamente, o maior líder nacional do PSB, partido do governador Ricardo Coutinho.

Foi deselegante, por fim, com o governo que o convidou para ser a atração principal da festa de entrega de uma obra importante para a cidade.

Postei a fala de Chico aqui na coluna e muitos leitores se manifestaram. Uns, contra. Outros, a favor.

A declaração do músico, segundo jornalistas presentes ontem na entrevista coletiva do governador Ricardo Coutinho, gerou desconforto no governo.

Alguns leitores me perguntaram o valor do cachê.

Segundo o secretário de Comunicação, jornalista Luís Torres, o cachê foi de 30 mil Reais.

Um leitor me abordou assim:

Quero mesmo saber quanto Chico César ganhou para dizer que odeia que chamem o viaduto de Geisel e que não gosta que chamem de Eduardo Campos! 

Chico César e o ódio ao nome do viaduto. O que disseram

Chico César veio a João Pessoa inaugurar o Viaduto do Geisel, ou Viaduto Eduardo Campos, e cometeu essa deselegância no Facebook:

odeio que chamem viaduto do geisel, odeio que chamem geisel. confesso que nem gosto que chamem eduardo campos. homens, falíveis. mas com alegria vou com minha banda e minha música celebrar na rua a inauguração dessa passagem, abrimento de possibilidades. por ali passem sonhos, não apenas automóveis. 

Tratei do assunto aqui na coluna, e muita gente comentou no Face.

Transcrevo algumas opiniões:

Totalmente deselegante. É intolerante e meio que revoltado. Hilma Braga Castelliano

Essa extremidade de Chio César é uma forma de censura. Não combina com estado de poesia. Lucas Pires

Realmente não combina em nada com a pessoa doce, querida e elegante que ele é. Iana Marinho

Chico erra mais uma vez, e com preconceito. Marcelo Gama

Chico, mais poesia e menos ódio, por favor. Karla Almeida

Chico tem razão! Ele é verdadeiro! Rejane Nóbrega

Deselegante é a nossa cidade, que já tem nome de político, estar repleta de ditadores nos nomes de bairros, escolas e outros prédios. Guga Limeira

Sinto pena de gente desta natureza. Francisco Pinto

Estamos falando de uma cultura que ainda tem o hábito de fazer show para inaugurar obra. Pedro Santos

Para mim, é ruim o nome, o cantor e inaugurar obra com show. Janne Lira Dinoá

Não precisa odiar. A obra é maravilhosa. Marcelo Tadeu de Albuquerque

Chico César vem inaugurar viaduto e diz que odeia nome popular da obra

Chico César é atração na festa de inauguração do Viaduto do Geisel, ou Viaduto Eduardo Campos, em João Pessoa.

O governo do Estado trouxe o artista para apresentar o show Estado de Poesia, nesta terça-feira (20) às nove da noite.

Uma beleza! O público vai ver de graça o novo show de Chico, que tem o mesmo nome do seu disco mais recente.

Mas o compositor cometeu uma deselegância no Facebook.

Transcrevo:

odeio que chamem viaduto do geisel, odeio que chamem geisel. confesso que nem gosto que chamem eduardo campos. homens, falíveis. mas com alegria vou com minha banda e minha música celebrar na rua a inauguração dessa passagem, abrimento de possibilidades. por ali passem sonhos, não apenas automóveis. 

Qual o problema que chamem Viaduto do Geisel? Vem de Geisel (Chico sabe!), que é como nós, moradores de João Pessoa, pessoenses ou não, chamamos há décadas o conjunto habitacional.

O problema é o nome do general presidente? Nem foi dos piores. Desempenhou um papel importante no processo de abertura política, no caminho que reconduziu o Brasil à vida democrática, não compactuou com a tortura, combateu a linha dura das forças armadas, etc.

E Eduardo Campos? Morto tragicamente, era a mais importante liderança nacional do PSB, o partido do governador Ricardo Coutinho, cujo governo teve Chico como secretário de Cultura. Ricardo, que convidou Chico para cantar hoje à noite.

Além da deselegância, tem ódio nas palavras de Chico César. Não sou eu que estou dizendo. Está no texto dele. Parece contaminado pela intolerância dos extremos, tão nociva no Brasil de hoje.

É ruim! Não combina com o estado de poesia!

Trilha sonora está entre as qualidades de “Velho Chico”

Há quanto tempo não ouvíamos Elomar numa novela da Rede Globo?

Lembro da voz dele em “Gabriela”, aquela dos anos 1970 estrelada por Sônia Braga.

Pois é! E Geraldo Vandré?

Nem lembro dele em nenhuma novela!

Mérito de “Velho Chico”. Colocar no horário nobre da televisão brasileira vozes como as de Elomar, Geraldo Vandré e Xangai.

Mas não somente eles.

Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico César, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Legião Urbana, Maria Bethânia, Raul Seixas. E outros mais. Suas vozes, suas canções, compondo a trilha sonora de uma telenovela.

Muito já se falou das qualidades de “Velho Chico”. Acrescente-se mais esta.

Uma telenovela onde ouvimos a Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo, e o Réquiem Para Matraga, de Geraldo Vandré. Incelença pro Amor Retirante, de Elomar, e Triste Bahia, de Caetano Veloso. Ou, ainda, Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país.

Que luxo! Uma novela na qual, todas as noites, esses versos de Caetano Veloso eram ouvidos logo na abertura.

Para ilustrar o texto, escolho uma das belezas da trilha. Barcarola do São Francisco, um dos três “movimentos” da Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo.

A trilha de “Velho Chico” está registrada em três CDs, um deles dedicado aos temas instrumentais.

Sai Dilma, entra Temer. Artistas da Paraíba protestam!

Confirmado o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, fui ao Facebook em busca das reações de artistas paraibanos. Selecionei algumas. Todas contra o novo governo:

Estou de volta. Foi um momento de revolta! Passei mal! Agora estou aos poucos aprendendo a conviver com o pesadelo do golpe! Flávio Tavares, artista plástico

Os parlamentares que deram o GOLPE DE ESTADO no Brasil em 31 de agosto de 2016, afastando Dilma Rousseff, eleita por 54.500.000 (cinquenta e quatro milhões e meio de votos), definitivamente do cargo de Presidenta da República, são continuidade dos mesmos que assassinaram muitos dos nossos, que torturaram muitos dos nossos, que entregaram riquezas brasileiras em troca de benefícios próprios, que achincalharam com as instituições mais importantes do país. Esses parlamentares são capazes das mesmas atrocidades e as cometerão para limpar o caminho que traçaram junto com todos os interesses econômicos. Estamos por um fio, assim como eles, não devemos tolerar absolutamente nada que não seja de interesse da maioria do povo brasileiro. Milton Dornellas, compositor

Os idiotas vão tomar conta do Brasil. Nosso povo não merece tanta canalhice. Pedro Osmar, compositor

Chico César

Por isso o golpe de estado. Não é contra Dilma, é contra a República. É contra o povo. Chico César, compositor

Tchau querida/choremos a dor/da pátria em carne viva/e seus tapurus. Seu Pereira

É muito difícil aceitar de forma passiva esse golpe! Não reconheço e não reconhecerei esse governo golpista e a todo lixo político envolvido. Ilsom Barros (Zefirina Bomba)

Às vezes dá um orgulho danado de não estar do lado vencedor. Lau Siqueira, poeta

Um Senado de maioria delinquente, com o poder de juiz. Só não é piada porque é matéria séria! Escurinho, músico

 

Chico César diz que está recebendo ameaças dos ruralistas depois de cantar em Fátima Bernardes

Hoje (21/07) cedo, no meu post anterior, comparei dois vídeos: “The Sweetest Thing”, do U2, e “Mama África”, de Chico César. Como a música do U2 é de 1987, e a de Chico, de meados dos anos 1990, sempre achei que o vídeo de “The Sweetest Thing” pudesse ter inspirado o de “Mama África”, já que os dois são muito parecidos.

Mas um colega de redação me alertou: o vídeo do U2 foi feito 11 anos depois da música (em 1998) para um relançamento. Então, se um inspirou o outro, foi o U2 que tomou como parâmetro o nosso Chico César.

O post acabou provocando uma conversa minha com Chico César através do Facebook. E, aí, entrou em cena um outro tema: a canção “Reis do Agronegócio” (letra de Carlos Rennó).

Estou impressionado com a força e a beleza da música, que é uma autêntica protest song e remete, naturalmente, ao jovem Bob Dylan. Na extensão da letra, no acompanhamento ao violão e em algumas inflexões da voz.

Chico cantou a música no programa de Fátima Bernardes e anda recebendo ameaças dos ruralistas, me contou na conversa no Facebook, que reproduzo aqui para dividir com os fãs do artista:

Francisco César Gonçalves Querido Sílvio Osias, na verdade eu e Anna Muylaert (a diretora do clipe) nos inspiramos num documentário sobre a primeira visita que um bailarino e músico africano de sobrenome Keita faz a sua aldeia depois de conquistar êxito na carreira na Europa. Eu só vim conhecer esse belo clipe do U2 depois mas deixo a palavra com Anna, muito mais ligada na cena rock do que eu na época. É muito boa a comparação. Eu gosto. Abraços.

Sílvio Osias
Sílvio Osias Beleza, Chico! Como disse, gosto muito dos dois vídeos. E dessa coisa de um poder ter inspirado o outro. Abraços. 
Sílvio Osias
Sílvio Osias Chico, a música do U2 é de 1987, mas o vídeo só foi feito em 1998 para um relançamento, me avisa um colega de redação. Portanto, um pouco depois de Mama África. Então, Muylaert não se inspirou no U2. Será que foi o contrário? O mundo é pequeno! De todo modo, as semelhanças existem e é bacana compara-las. 
Sílvio Osias
Sílvio Osias Outra coisa. Estou muito impressionado com a força e a beleza de Reis do Agronegocio. Uma autêntica canção de protesto nos tempos atuais. Com as suas marcas autorais e com traços que nos levam a melhor protest song do jovem Dylan. Até na extensão dos versos. Também no violão que acompanha e em algumas inflexões da voz. Muito bonito! 
Francisco Cesar Goncalves
Francisco Cesar GoncalvesObrigado,  Sílvio. Os ruralistas não gostaram nada que eu tenha cantado um trecho dela no Encontro com Fátima Bernardes. Estão me xingando e ameaçando pelas redes sociais, inclusive as minhas de artista – que são abertas. Dylan foi mesmo a inspiração para encarar esse belo poema de Carlos Rennó. Eu tinha escutado falar que o clipe do U2 era posterior ao nosso mas não tinha certeza. A gravadora usou o nosso clipe em uma convenção internacional na época, nos EUA. E os canais de wolrd music também o divulgaram bastante pelo mundo todo.

Quando Chico César e o U2 são parecidos. Veja os vídeos e compare

Você sabe quando Chico César e o U2 ficam muito parecidos?

A resposta é simples: é só comparar os vídeos de “The Sweetest Thing” e “Mama África”.

A ideia é praticamente a mesma. Do uso do plano sequência aos elementos que vão entrando para compor a cena na medida em que a música se desenvolve. O resultado de ambos é muito bom.

A música do U2 é de 1987. O vídeo, dirigido por Kevin Godley, é de 1998.

O de Chico César, dirigido por Anna Muylaert, foi realizado um pouco antes.