Carminho, uma fadista moderna, encontra Tom Jobim

Se estivesse vivo, Antônio Carlos Jobim faria 90 anos no dia 25 de janeiro. Um CD que acaba de ser lançado pode dar início à comemoração.

É Carminho Canta Tom Jobim (Biscoito Fino). O disco promove o encontro da jovem fadista portuguesa com remanescentes da Banda Nova, o grupo que acompanhou Tom nos muitos shows dos últimos anos de sua vida.

Três integrantes da Banda Nova acompanham Carminho: Paulo Jobim (violão e direção musical), Jaques Morelenbaum (violoncelo e contrabaixo) e Paulo Braga (bateria). A eles, juntou-se Daniel Jobim, filho de Paulo, neto de Tom, ao piano.

Os arranjos e a banda remetem à sonoridade dos discos e shows do compositor. Poderíamos traduzir assim: é Jobim pelos Jobins. Completo respeito, absoluta fidelidade ao universo musical de Tom. Um pouco mais intimista, um pouco mais camerístico, até porque o grupo é numericamente muito pequeno.

Aí vem o dado novo: Antônio Carlos Jobim, nosso maestro soberano, que já teve suas canções gravadas por gente do mundo inteiro, agora está nas mãos de uma fadista.

Carminho é uma jovem cantora portuguesa de 32 anos. Mais ou menos, a idade da Banda Nova.  Uma fadista moderna que traz para o grande cancioneiro jobiniano as marcas da música mais tradicional e mais representativa de Portugal.

Em 14 faixas, há duetos com Chico Buarque (Falando de Amor), Maria Bethânia (Modinha) e Marisa Monte (Estrada do Sol). O repertório tem Tom e seus parceiros (Vinícius, Chico, Dolores Duran, Aloysio de Oliveira, Newton Mendonça) e Tom sozinho, fazendo música e letra. Tem o começo (A Felicidade, Estrada do Sol), o meio (Wave, Triste) e a fase final (Luíza).

Antes de ouvir o disco, qualquer pessoa que tem intimidade com a obra de Jobim perguntará: as canções combinam com uma intérprete de fado?

A resposta vem logo na primeira audição: no caso de Carminho, combinam, sim!

Há um equilíbrio perfeito entre a força dramática da intérprete e a execução cool da banda.

Carminho é uma cantora notável que dialoga há algum tempo com a música brasileira, e, nesse disco, o repertório de Jobim só vem ampliar e enriquecer esse diálogo.

Atenção, Paraíba sem memória! Paulo Pontes morreu há 40 anos!

Nesta terça-feira, 27 de dezembro, faz 40 anos que Paulo Pontes morreu.

Naquele remoto 27 de dezembro de 1976, vi a notícia na Globo. E, no dia seguinte, li o necrológio do Jornal do Brasil sentado num batente, em frente ao Cine Municipal.

(Bons tempos aqueles em que a gente comprava o JB todos os dias nas bancas! Aula permanente de jornalismo!)

Paulo Pontes morreu aos 36 anos, devastado pelo câncer. Vinha do êxito de Gota D’Água, parceria com Chico Buarque.

Deixe em paz meu coração,

Que ele é um pote até aqui de mágoa!

E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a Gota d’água!

Nunca gostei de Ipojuca Pontes, o irmão. Nem do seu cinema. Seria – para inverter uma expressão atual – a direita não transante. Pouco inteligente, muito pouco crível!

Paulo Pontes era diferente. Está entre os nomes essenciais da cena cultural brasileira da sua geração.

Pelo teatro, sim! Mas, também, pelo artista que pensava bem o seu tempo e a necessidade da arte.

Vou resumir assim: Campina Grande, Rádio Tabajara, Hermilo Borba Filho, CPC da UNE, Oduvaldo Vianna Filho, Opinião, Para-i-bê-a-bá, TV Tupi, Bibi Ferreira, Brasileiro: Profissão Esperança, Um Edifício Chamado 200, Dr. Fausto da Silva, O Homem de La Mancha, A Grande Família, Chico Buarque, Gota D’Água.

Sonhar mais um sonho impossível

Lutar quando a regra é ceder

Vencer o inimigo invencível

Negar quando a regra é vender

A letra da canção vertida para o Português acaba falando de Paulo Pontes e seus sonhos. Pena que ele não viveu para vê-los plenamente realizados.

Falar mal de Ferreira Gullar é como falar mal de Chico Buarque!

O Brasil está confuso!

Falam tão mal de Ferreira Gullar (até na hora da morte) porque ele era crítico da esquerda.

gullar

Falam tão mal de Chico Buarque porque ele defende a esquerda.

Chico Buarque Doc 3

Falam mal dos dois com argumentos por vezes pouco inteligentes e que desconsideram a arte que um produziu e o outro produz.

Abandonam a leitura de um. Abandonam a audição do outro.

Deixar de ler Gullar porque o comunista de ontem reviu suas posições nos fará muita falta. Deixar de ouvir Chico porque ele mantém suas posturas também nos fará muita falta.

A autocrítica de um é tão legítima quanto a manutenção, pelo outro, daquilo em que ele crê.

Ferreira Gullar e Chico Buarque são dois grandes artistas do Brasil. A produção deles é infinitamente maior do que os equívocos por acaso cometidos.

Sobre Ferreira Gullar, que morreu neste domingo (04), vale lembrar que o grande poeta maranhense lutou firmemente contra os governos de exceção, foi preso mais de uma vez pelos militares e viveu no exílio. Experimentou um sofrimento que os que hoje, depreciando sua poesia e sua inteligência, facilmente o chamam de “reaça” nunca conheceram!

Sigamos lendo Gullar! Sigamos ouvindo Chico! Não vamos confirmar que ficamos menos inteligentes!

Os políticos acabaram com o Rio de Janeiro de tantas canções!

Acredito que poucas cidades do mundo foram exaltadas em tantas canções quanto o Rio de Janeiro.

Do hino Cidade Maravilhosa ao samba Aquele Abraço. Da Valsa de uma Cidade ao Samba do Avião.

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Tom Jobim e Billy Blanco fizeram uma sinfonia para o Rio de Janeiro. Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, o Samba do Carioca. Braguinha, Copacabana. Caymmi, Sábado em Copacabana.

A lista não tem fim.

Penso nessas canções e em tantas mais agora que o Rio, por causa dos seus políticos, está mergulhado numa crise sem precedentes.

Também lembrei de outras que pareciam nos alertar sobre o futuro.

Nossa famosa garota não sabia a que ponto a cidade turvaria/esse Rio de Amor que se perdeu – cantou Vinícius na Carta ao Tom, que já tem mais de 40 anos.

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Flutua no ar um desprezo, desconsiderando a razão/que o homem não sabe se vai encontrar/um jeito de dar um jeito na situação – é Paulinho da Viola em Amor à Natureza. Também tem mais de 40 anos.

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São Sebastião crivado/nublai minha visão/na noite da grande fogueira desvairada – é Chico Buarque em Estação Derradeira. Há quase 30 anos.

Chico Buarque Doc 3

E tem aquela oração que Gil e Milton gravaram no ano 2000:

Sebastian

Sebastião

Diante de tua imagem, tão castigada e tão bela

Penso na tua cidade

Peço que olhes por ela!

Paródia de “Águas de Março” desrespeita memória de Jobim!

Águas de Março é o samba mais lindo do mundo!

Creio que quem disse foi Chico Buarque.

Waters of March é uma das grandes canções do século XX!

Quem disse foi o crítico de jazz Leonard Feather.

Letra e música de Antônio Carlos Jobim, Águas de Março é uma das maiores canções de Tom e um momento singularíssimo do vasto cancioneiro do Brasil.

Vejam e ouçam, então, essa paródia de Águas de Março que encontrei no Youtube.

Essa paródia é um absoluto desrespeito não só a uma joia do nosso cancioneiro, mas, sobretudo, à memória de Tom, nosso maior compositor popular.

Para enxergar o que há de simplório e pouco inteligente na paródia não é preciso ser Trump, nem Temer, nem Crivella. Muito menos Bolsonaro, abominável defensor do estupro e da tortura.

Há um verso imperdoável nesse atentado a Águas de Março: “Bolsonaro a caminho”.

O Brasil está num impasse, estamos a dois anos da eleição presidencial e, francamente, devemos acreditar que encontraremos uma saída que não seja essa. Nenhuma saída (nem as piores) pode ser tão indesejável quanto Bolsonaro.

Nenhuma desilusão com o jogo político deve levar à crença de que uma onda conservadora conduzirá o Brasil ao extremo que Bolsonaro representa.

Paródia com esse tipo de verso serve, no fundo, a quem?

Não tem a menor graça!

Aproveitando o que está na letra: isso, sim, é que é o fim da poesia!!

Milton Nascimento, um mistério que não se desvenda por completo

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Recife, março de 1979. Teatro do Parque lotado. Milton Nascimento entra sozinho no palco, vestido de branco, e, acompanhando-se ao violão, canta “Volver a los 17”, de Violeta Parra, que gravara com Mercedes Sosa.

Em seguida, os músicos vão ocupando seus lugares. Wagner Tiso no piano, Robertinho Silva na bateria, Novelli no baixo, Hélio Delmiro na guitarra. Mais Beto Guedes e Flávio Venturini.

O show: “Clube da Esquina 2”. Histórico, antológico, inesquecível. “Canoa, canoa desce/no leito do Rio Araguaia desce” – a voz de Milton ecoa no teatro com os falsetes que encantaram o mundo. Lembranças da primeira vez em que o vi de perto.

Milton Nascimento entrara na nossa casa pelas mãos do meu pai, em 1967. No festival que o revelou com “Travessia”. “Solto a voz nas estradas…” – a voz mágica que vinha de Minas. Como um mistério que nunca desvendaríamos por completo. O rapaz nascido no Rio, adotado por um casal de mineiros, louco pelo François Truffaut de “Jules et Jim”. E pelos mesmos Beatles que vi correndo na quadra em “A Hard Day’s Night”.

Meus melhores contatos com a música de Milton Nascimento são dos anos 1970, o período em que gravou seus discos mais importantes. Sete discos que o colocaram no topo da nossa música popular, entre 1970 e 1978.

Já estava tudo ali, naqueles trabalhos realizados ao lado dos músicos que formaram o Clube da Esquina. Gente que veio de Minas. Gente que foi se agrupando mais tarde no Rio. “Noite chegou outra vez/de novo na esquina os homens estão” – Milton e os irmãos Borges, seus parceiros. Milton e Brant – seu principal parceiro de jornada.

Primeiro, o disco com o Som Imaginário. “Para Lennon e McCartney”, “Canto Latino”, “Pai Grande”. “A Felicidade”, de Tom e Vinícius, evocando Agostinho dos Santos. Depois, “Clube da Esquina”. Brancos e pretos. Lô e Milton. “Tudo o que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”, “San Vicente”.

E aí vem “Milagre dos Peixes”. Em estúdio, com as letras censuradas e a voz de Clementina de Jesus. Ao vivo, no Teatro Municipal de São Paulo, regência de Paulo Moura. As cordas que remetem ao barroco mineiro antecedem as palavras que se repetem em “Bodas”. “E a muitos outros que a mão de Deus levou” – a dedicatória irônica na noite brasileira.

“Minas” e “Geraes” consolidam o artista extraordinário. “Fé Cega, Faca Amolada”, “Saudade dos Aviões da Panair”, “Ponta de Areia”. A voz metálica misturada ao coro infantil. “Mi” de Milton, “nas” de Nascimento. As sílabas iniciais formando “Minas”. Para abrir caminho a “Geraes”, o disco seguinte. “Voltar aos dezessete, depois de viver um século” – os versos de Violeta Parra gravados com Mercedes Sosa. Ou “quem cala sobre teu corpo/consente na tua morte”.

No próximo passo, os amigos juntos em “Clube da Esquina 2”. Elis, Chico, todos. Há muita beleza nos anos seguintes. Mas nem precisava. Bituca é o aniversariante desta quarta-feira (26).

No Dia do Poeta, uma lista dos grandes letristas da nossa música popular

No Dia do Poeta (20), quero lembrar que o Brasil é um país de grandes letristas de música popular.

Podem até não ser poetas, dizem alguns acadêmicos, mas a música deles está, sim, cheia de poesia!

vinicius

Tem o caso de Vinícius de Moraes, que, antes de fazer letra de música, fez poesia seguindo o cânone. E tem os demais que quero citar aqui.

Tudo, ainda, por causa do Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan.

Que tal, então, uma lista dos nossos maiores letristas, começando pelos mais velhos?

Cartola

Noel Rosa

Vinícius de Moraes

Dorival Caymmi

Lupicínio Rodrigues

Caetano Veloso

Gilberto Gil

Chico Buarque

Aldir Blanc

Fernando Brant

 

Erick Von Sohsten faz Chico Buarque no café da Usina Cultural

Vejo que Erick Von Sohsten vai cantar Chico Buarque neste sábado em João Pessoa.

Achei bacana algo que ele escreveu no Facebook.

Vejam:

Sempre adorei interpretar as canções de Chico Buarque, sem dúvida uma das obras que me fazem sentir orgulho de ser um compositor brasileiro. 

erick-von-sohsten

Erick mal saíra da infância quando o conheci. Já dava para enxergar o grande talento musical revelado em seguida. Compositor, violonista, cantor do repertório autoral, intérprete sensível do repertório de outros compositores. Muito bom!

O show com músicas de Chico Buarque será neste sábado (15) no café da Usina Cultural, às 21h00. Participações confirmadas do violinista André Correia e das cantoras Bia Angelina e Helba Corrêa.

Bob Dylan, o bardo judeu romântico de Minnesota, é Nobel de Literatura!

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Começamos esta quinta-feira (13) com uma grande e surpreendente notícia. Bob Dylan é Nobel de Literatura!

Surpreendente porque a regra é que o prêmio da Academia Sueca vá para um nome da literatura. Não para um músico. Um músico de rock, um letrista de música popular, e não um poeta no sentido clássico da palavra.

Grande notícia porque tem uma extraordinária força simbólica. Dar o Nobel a Dylan é conferir aos letristas da música popular um status acadêmico nem sempre admitido. É reconhecer as inovações literárias processadas no seu campo de criação. É também premiar uma geração brilhante que, meio século atrás, enriqueceu o mundo com suas melodias, seus versos, suas ideias generosas.

O Dylan premiado com o Nobel representa todos. Os Beatles, os Rolling Stones, a musa Joan Baez, Paul Simon, que hoje faz 75 anos. Os daqui também. Caetano, Chico, Gil, grandes letristas, no nível dos melhores do mundo. O nosso Zé Ramalho, em cuja música há tantos traços de Dylan, a quem já dedicou um disco inteiro.

Júbilo para os ouvintes de Mr. Zimmerman! Principalmente os da geração dele, os que puderam ouvi-lo desde o início, há mais de 50 anos. Também para os da minha faixa etária, os que estão beirando os 60. Os que alcançaram Dylan num momento de grande criatividade, ainda com o frescor da juventude por perto.

Em maio, quando Dylan fez 75 anos, escrevi algo sobre ele. Transcrevo parte aqui:

Judeu, Robert Allen Zimmerman é, nos Estados Unidos, o maior compositor popular de sua geração. E o mais influente. Até os Beatles foram influenciados por ele. Quando John Lennon trocou as letras ingênuas da Beatlemania por versos que falavam das suas dores, o fez por causa de Dylan. As marcas principais do que Bob Dylan criou estão nos primeiros anos da sua trajetória. O artista que ouvimos no início da carreira une a tradição folk à canção de protesto. E logo em seguida rompe com essas duas opções. Abandona o acústico e adota o elétrico e abre mão do discurso engajado para falar de si próprio. Se quisermos sintetizar assim a sua produção, já teremos um retrato fidelíssimo do que ele é.   

Sete discos nos oferecem o melhor Dylan. De The Freewheelin’ (1963) a John Wesley Harding (1968). Entre os dois, temos Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. As questões cruciais do artista e sua obra estão neles. Mas é claro que há muito o que ouvir nos anos seguintes. De New Morning a Desire, de The Basement Tapes a Blood on the Tracks. E o ao vivo Before the Flood, em que divide o palco com o grupo The Band, que o acompanhou muitas vezes em estúdios e turnês. 

Bob Dylan correu muitos riscos. Os primeiros, quando rompeu com a tradição folk e o engajamento político na América da primeira metade da década de 1960. Mas houve outros. De um, ao menos, ninguém esquece: o judeu convertido ao cristianismo na segunda metade dos anos 1970. Na década seguinte, voltou às origens e nunca mais cantou para Jesus. Assim é Bob Dylan. De cara limpa ou com o rosto todo pintado. Acústico ou elétrico. Engajado ou recolhido aos seus tormentos. Judeu ou cristão. Não importa. O que temos nele é um grande trovador do seu tempo. Com a beleza da voz nasal, da guitarra imprecisa e das imagens poéticas. Faltam respostas, mas o vento ainda está soprando ao seu lado.      

Quem chama Dylan de o bardo judeu romântico de Minnesota é Caetano Veloso, na letra de A Bossa Nova É Foda.

Top 20 do samba, o grande poder transformador

Na semana passada, fiz, aqui, por sugestão do colega Rubens Nóbrega, um top 10 da canção brega, gênero com o qual não tenho intimidade.

Uma leitora sugeriu que eu fizesse o mesmo com o samba, que está entre os meus amores.

Tentei um top 10, mas o número se mostrou insuficiente. Fiquei com 20. Podia ter sido muito mais!

Segue a lista, que mistura títulos obrigatórios com escolhas pessoais:

Feitiço da Vila – Noel Rosa

Camisa Amarela – Ary Barroso

Brasil Pandeiro – Assis Valente

A Primeira Vez – Bide e Marçal

Samba da Minha Terra – Dorival Caymmi

A Voz do Morro – Zé Keti

Desafinado – Tom Jobim e Newton Mendonça

Você e Eu – Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Mas que Nada – Jorge Ben

O Sol Nascerá – Cartola

Juízo Final – Nelson Cavaquinho

Saudosa Maloca – Adoniran Barbosa

Canto de Ossanha – Baden Powell e Vinícius de Moaes

Na Cadência do Samba – Ataulfo Alves

Coisas do Mundo, Minha Nega – Paulinho da Viola

Aquele Abraço – Gilberto Gil

Construção – Chico Buarque

Águas de Março – Tom Jobim

O Bêbado e a Equilibrista – João Bosco e Aldir Blanc

Desde que o Samba É Samba – Caetano Veloso