Bolsonaro está perdido? Bolsonaro vai cair?

Bolsonaro é um estorvo. 

O melhor serviço que pode fazer ao Brasil é renunciar

Bresser-Pereira

Bolsonaro vai sofrer um impeachment?

Bolsonaro vai renunciar?

Bolsonaro vai dar um autogolpe?

Bolsonaro está contra os generais do governo?

Os generais do governo estão contra Bolsonaro?

O Brasil é um país ingovernável?

Bolsonaristas vão às ruas pedir o fechamento do Congresso?

Bolsonaristas vão às ruas pedir o fechamento do Supremo?

O filho zero um de Bolsonaro está envolvido em corrupção?

A família Bolsonaro está envolvida com milicianos?

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Essas perguntas são feitas a todo momento nos veículos de comunicação e nas redes sociais.

São perguntas muito negativas.

Perguntas sobre um governo que mal começou.

Foi assim com Sarney?

Foi assim com Collor?

Foi assim com Itamar?

Foi assim com FHC?

Foi assim com Lula?

Foi assim com Dilma?

Foi assim com Temer?

Claro que não!

É normal que seja assim?

Claro que não!

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O governo Bolsonaro está nos estertores?

Bolsonaro está perdido?

Bolsonaro vai cair?

Perguntas e mais perguntas.

O Brasil e seus impasses.

Bolsonaro e Lula e Bush. Quem muito se abaixa, o fundo aparece

Vi Lula contar essa história numa entrevista, pouco antes da sua prisão, e achei muito interessante.

O presidente brasileiro participava de um desses encontros de chefes de Estado.

Lula estava numa mesa com o chanceler Celso Amorim e Kofi Annan, que era secretário geral da ONU.

De repente, houve uma grande movimentação no local.

Claro! Era Bush, o presidente americano, que estava chegando.

Celso Amorim ficou todo empolgado e propôs a Lula:

Vamos lá cumprimentá-lo!

Ao que Lula respondeu:

Calma, Celso! Ele está chegando e vai cumprimentar todos, do mesmo jeito que eu fiz. Não é porque ele é presidente dos Estados Unidos que será diferente. 

Dito e feito. Bush foi de mesa em mesa cumprimentar os chefes de Estado.

E sabem onde ele sentou? Na mesa de Lula.

Menos por Lula, a quem Bush ainda não conhecia, mais por Kofi Annan, pelo cargo que este ocupava na Organização das Nações Unidas.

Nos oito anos em que foi presidente, com Celso Amorim à frente do Ministério das Relações Exteriores, Lula foi respeitado internacionalmente pelo seu carisma, pelo seu talento político, pela política externa adotada pelo governo brasileiro.

Com Bush, a despeito das posturas ideologicamente muito distintas, soube construir uma relação que acabou ultrapassando os limites formais que há entre os presidentes de duas nações amigas.

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Lula, Bolsonaro, Bush, Nova York, Dallas, Brasil/Estados Unidos.

Nos últimos dias, tenho pensado em algo que o povo diz em sua sabedoria, com maior ou menor sutileza.

Aqui na coluna, vai ficar assim:

Quem muito se abaixa, o fundo aparece!

Submissão de Bolsonaro aos Estados Unidos envergonha o Brasil!

Papo rápido.

Quando li, de tão absurdo, achei que era fake.

Depois vi o vídeo.

Na sua fala durante homenagem que recebeu em Dallas, Bolsonaro diz:

“O BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS ACIMA DE TUDO”. 

Acaba se atrapalhando na hora do “Deus acima de todos” e repete “o Brasil acima de tudo”.

A submissão do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos envergonha o Brasil!

Bolsonaro termina o mandato? FHC falou em impeachment

Em 1974, quando Nixon renunciou à presidência dos Estados Unidos, eu tinha 15 anos.

O escândalo de Watergate foi meu primeiro contato com um processo de impeachment.

Em 1992, quando Collor foi derrubado por um impeachment, eu tinha 33 anos.

Da esquerda à direita, quase todos entenderam que era hora de encerrar a aventura iniciada na eleição de 1989.

Pensei que nunca mais testemunharia outro impeachment no Brasil.

Em 2016, quando Dilma foi derrubada por um impeachment, eu tinha 57 anos.

Um grande acordo político do centro para a direita tirou a presidente do poder.

Golpe parlamentar. Assim foi chamado.

A banalização do impeachment não é saudável para as democracias.

Precisamos eleger presidentes que governem, que cumpram os mandatos para os quais foram eleitos.

É uma regra básica, assim me parece.

Mas também precisamos saber escolher nossos governantes, levando em conta a experiência, a capacidade, o talento político, o programa de governo, etc.

Em 1989, havia indícios de que Collor não daria certo.

Em 2018, era óbvio que Bolsonaro não daria certo.

A sua eleição parece confirmar o que ouvi de Celso Furtado às vésperas da eleição de Collor: que as elites brasileiras são muito atrasadas.

Nesta quarta-feira (15), as ruas começaram a acordar em dezenas de cidades brasileiras.

Em Dallas, o presidente chamou os manifestantes de “idiotas úteis”.

Aqui, foi chamado de “idiota inútil”.

Também nesta quarta-feira, O Antagonista postou uma fala de FHC que chamou minha atenção.

Era sobre impeachment.

O ex-presidente disse:

“Eu, a princípio, não sou favorável. O custo é alto. Mas, às vezes, é inevitável.”

FHC foi senador, ministro, presidente da República.

Aos 87 anos, o sociólogo é um homem de grande experiência política.

FHC não fala de graça.

Bolsonaro faz a gente sentir medo do futuro!

Estamos com medo do futuro. Isso é inédito.

Gilberto Gil

Em 1964, quando a ditadura militar começou, eu tinha cinco anos.

Em 1985, quando terminou, eu estava com 26.

É muito ruim viver numa ditadura.

Hoje, olhando de longe aquele período, faço uma constatação: sob governos de exceção, eu sentia medo do presente, não do futuro.

O futuro traria a redemocratização. Havia essa expectativa. Era praticamente uma certeza.

Agora em 2019, com um governo de extrema direita chancelado por 58 milhões de votos, tenho mais medo do futuro do que do presente.

O presente parece ser o que restou do processo de redemocratização iniciado em 1985 com a volta dos civis à presidência.

Ainda estamos num estado democrático de direito, ainda temos liberdade de expressão, ainda dispomos das conquistas que vieram a partir da Constituição de 1988, etc.

Amanhã, ninguém sabe. Como no velho samba do jovem Chico.

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Vou fazer 60 anos daqui a um mês.

Nessas seis décadas, de JK a Bolsonaro, o Brasil teve 16 presidentes.

Naturalmente, por causa da pouca idade, não lembro nem de JK nem de Jânio nem de Jango.

Creio que à exceção do desastre chamado Collor, nos demais, mesmo nos piores, havia algo que está se perdendo velozmente em Bolsonaro.

Sim. Havia um discurso de construção.

Em Bolsonaro, o que há é um rápido, desordenado e despudorado processo de desconstrução.

Nesta terça-feira (14), vi o ministro Paulo Guedes dizer que a economia está no fundo do poço e tentar jogar a responsabilidade no Congresso.

Também nesta terça-feira, li, de um analista político que não é de esquerda, que, no quinto mês de governo, o presidente já vive a solidão do poder cercado apenas por bajuladores.

Enquanto isso, o Estadão prevê em editorial:

“Um grande fiasco pode marcar o primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro”.

Não é, portanto, conversa de quem está ficando velho:

Bolsonaro de fato faz a gente sentir medo do futuro!

Bolsonaro jamais me decepcionará!

O que é decepção?

Decepção é quando você espera algo positivo de alguém e isso não ocorre.

Li que os generais estão decepcionados com o presidente.

Se é verdade, deve ser porque esperavam algo que não está acontecendo.

Confiaram no candidato.

Apostaram nele.

Foram seus avalistas.

E a ele se juntaram quando chamados para a equipe de governo.

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Bolsonaro não me surpreende em nada.

Tudo o que sei do presidente vem dele.

Foi Bolsonaro mesmo que construiu a imagem que tenho dele.

Ninguém me disse que ele é homofóbico.

Ninguém me disse que ele é machista.

Ninguém me disse que ele é racista.

Ninguém me disse que ele é armamentista.

Ninguém me disse que ele é a favor da ditadura.

Ninguém me disse que ele é a favor da tortura.

Ninguém me disse que ele ataca as instituições democráticas.

Ninguém me disse que ele ataca a liberdade de imprensa.

Ninguém me disse que ele é intolerante com os adversários.

Ninguém me disse que ele não está preparado para dialogar com o parlamento.

Tudo isso, vi/ouvi nas falas e atitudes de Bolsonaro.

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Se estão decepcionados, os generais foram ingênuos?

Acreditaram que o mau militar de ontem (Bolsonaro foi um bom militar?) estaria agora à altura do cargo?

Ou que se deixaria tutelar?

Não sei.

O que parece inegável é que, sob Bolsonaro, o Brasil enfrenta um impasse político de difícil solução.

Vozes insuspeitas estão dizendo isso. Não é gente de esquerda, não. É Bresser, é Delfim, é FHC.

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O pior de Bolsonaro ainda não me surpreenderá.

Nunca acreditei nele.

Sempre soube quem ele é.

Em nenhuma hipótese teria o meu voto.

Nada de bom espero dele.

Posso, então, afirmar:

Bolsonaro jamais me decepcionará!

O prefeito de Nova York ofendeu os brasileiros? Não a mim!

Fiz o primário no Instituto Dom Adauto.

Fiz o ginásio no Colégio Estadual de Jaguaribe.

Fiz o científico no Liceu Paraibano.

Fiz o curso superior na Universidade Federal da Paraíba.

Fui formado pelo ensino público.

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O governo brasileiro anuncia cortes na educação.

Faz o inverso do que se espera dos governos: que invistam na educação.

O Brasil está sendo desmontado.

Não é lulismo.

Não é petismo.

Não é comunismo.

Não sou lulista nem petista nem comunista.

É uma questão de bom senso.

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O prefeito de Nova York comemorou o cancelamento da viagem de Bolsonaro.

Bill de Blasio ofendeu os brasileiros?

Alguns dizem que sim.

Não a mim.

O que me ofende está ocorrendo todos os dias no Brasil.

Bolsonaro não vai a Nova York! Nova York não quer Bolsonaro!

Comecei a sonhar com Nova York entre o final da infância e o início da adolescência.

Meu tio Humberto me mostrou Gershwin. Começou – claro! – pela Rapsódia in Blue, mas não ficou somente nela.

Muitos anos depois foi que Kaplan conversou comigo sobre “Gershwin é Nova York, Nova York é Gershwin”.

Lennon me pegou com aquele rock visceral: “Que pasa, New York? Que pasa New York?”.

Simon, com a doçura da melodia de American Tune.

E os versos? A Estátua da Liberdade navegando para o mar, e ele – o songwriter – a sonhar que estava voando.

Ou a Estátua da Liberdade vista pelo menino no navio de imigrantes, ao som de Nino Rota.

Mas o impacto definitivo veio numa sessão noturna do Cine Tambaú: o cinema e a música naquela telona, as imagens e os sons de West Side Story. Não havia só Gershwin. Agora havia também Bernstein.

Todos foram para Nova York ou vieram de lá.

Os homens e as mulheres do jazz.

Os cantores e as cantoras que passaram pelo palco do Teatro Apollo. O “Apollo of freedom” do verso de Lennon.

Os judeus como Gershwin e Bernstein.

Os italianos do cinema, como Scorsese.

Ou da música e do cinema , como Sinatra.

“New York, New York! It’s a hell of a town!”.

Um Dia em Nova York.

Sonhei com vários dias.

A vida toda.

Estudei os mapas com afinco.

Nunca fui.

Talvez morra sem ir.

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Bolsonaro não vai mais a Nova York.

O prefeito não quis.

O senador do Partido Democrata não quis.

O museu não quis.

O restaurante não quis.

O hotel ficou em dúvida.

Os patrocinadores começaram a chiar.

O presidente brasileiro é racista?

O presidente brasileiro é homofóbico?

O presidente brasileiro é machista?

O presidente brasileiro defende a tortura?

O presidente brasileiro é tudo isso?

Meus Deus! Que presidente o Brasil tem!

Nova York não quer Bolsonaro!

Nova York não ama Bolsonaro!

Nova York amava Tom Jobim!

Ainda bem!

“Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?”

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais

Caetano Veloso – Podres Poderes

Recebo em casa três estudantes de jornalismo.

Duas garotas e um garoto na faixa dos 20 anos.

Vieram conversar sobre Archidy Picado (o pai), avô de uma das meninas. Será personagem de um trabalho acadêmico.

Gosto imensamente dessas conversas. Põem a gente em contato com a garotada, revelam um pouco do que pensam os jovens que estão na universidade, os profissionais de amanhã.

Perguntam sobre Archidy.

Respondo sobre Archidy, com quem convivi muito de perto.

Mas amplio a conversa. Acabo usando o personagem para falar do tempo em que ele viveu e tento puxar o papo para os dias atuais.

Archidy era um intelectual de direita.

Isso parece surpreender as meninas e o menino que me entrevistam.

É bom que surpreenda. É positivo. Traz para o presente a história de um homem que morreu há mais de 30 anos.

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O encontro foi longo.

Passou por Bolsonaro, por Lula.

Passou por Caetano, por Glauber (uma das meninas disse que viu Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol).

Numa conversa assim, misturo otimismo com pessimismo.

O pessimismo dos 60 anos que completo em junho com o otimismo de jovens que falam em resistência.

Que resistência?

Como será esse resistência?

De algum modo, Lula falou sobre ela na entrevista a Florestan Fernandes e Mônica Bergamo.

Mas Lula falou também de como fazem falta ao Brasil homens como Dr. Ulysses, Brizola e Arraes. De como o nosso parlamento empobreceu. No fundo, falou sobre como é difícil reorganizar o campo democrático – ou progressista, como queiram.

As opiniões de Lula, a despeito dos erros que possa ter cometido, nos fazem, com alguma nostalgia, pensar na política. Não nessa velha política que agora chamam de nova. Mas na política como uma atividade da qual o homem não pode prescindir.

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Como as garotas e o garoto que vieram à minha casa se veem nesse cenário?

Que perspectivas profissionais terão daqui a alguns anos?

Que país os espera depois desse furacão de extrema direita que atinge o Brasil?

Essas conversas, a um só tempo, me alegram e me entristecem.

Jovens estudantes passam por mim, vão embora com seus sonhos, e eu fico me perguntando:

Quem, afinal, nos salvará dessas trevas em que fomos atirados?

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“Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?” é um verso de Promessas do Sol, canção de Milton Nascimento e Fernando Brant. Está no álbum Geraes, de 1976.

Os bolsonaristas fanáticos sabem o que é macartismo?

Dias atrás, li uma entrevista com Cacá Diegues.

Homem de cinema e agora membro da Academia Brasileira de Letras, ele está naturalmente preocupado com os ataques do governo Bolsonaro à produção cultural.

Cacá é lúcido. Também sabe enxergar os erros da esquerda.

Nos anos 1970, o cineasta cunhou a expressão “patrulhas ideológicas”.

Na entrevista, diz que não existe marxismo cultural.

O que, segundo ele, há no Brasil de hoje é macartismo cultural.

Faz sentido.

Será que os bolsonaristas fanáticos sabem o que é macartismo?

Duvido!