Bob Dylan lança em março disco triplo com clássicos americanos

Na velhice (76 anos em maio), Bob Dylan mais uma vez abre mão do repertório autoral e se debruça sobre os standards da música americana.

Depois de Shadows in the Night e Fallen Angels (ambos dedicados ao repertório de Frank Sinatra), o Nobel de literatura lançará, no dia 31 de março, o primeiro disco triplo de sua carreira. O título: Triplicate.

São 30 gravações inéditas de clássicos do cancioneiro dos Estados Unidos distribuídas em três CDs. Eles têm títulos: Til the Sun Goes Down, Devil Dolls e Comin’ Home Late.

Dylan e seus músicos fizeram as gravações nos lendários estúdios da Capitol, em Hollywood. Quando grava esses standards, Bob Dylan faz ao seu modo, com a voz estragada que nem de longe lembra Sinatra e outros grandes intérpretes da música americana.

Confira o áudio de uma das faixas: I Could I Have Told You.

Segue o repertório de Triplicate:

Disco 1 – Til The Sun Goes Down

1. I Guess I’ll Have to Change My Plans
2. September Of My Years
3. I Could Have Told You
4. Once Upon A Time
5. Stormy Weather
6. This Nearly Was Mine
7. That Old Feeling
8. It Gets Lonely Early
9. My One and Only Love
10. Trade Winds

Disco 2 – Devil Dolls

1. Braggin’
2. As Time Goes By
3. Imagination
4. How Deep Is The Ocean
5. P.S. I Love You
6. The Best Is Yet To Come
7. But Beautiful
8. Here’s That Rainy Day
9. Where Is The One
10. There’s A Flaw In My Flue

Disco 3 – Comin’ Home Late

1. Day In, Day Out
2. I Couldn’t Sleep A Wink Last Night
3. Sentimental Journey
4. Somewhere Along The Way
5. When The World Was Young
6. These Foolish Things
7. You Go To My Head
8. Stardust
9. It’s Funny To Everyone But Me
10. Why Was I Born

Os Rolling Stones são como um luar sobre a noite de Havana

Andam dizendo que 2016 foi um ano surpreendente. Eleição de Donald Trump, saída do Reino Unido da União Europeia, Nobel de Literatura para Bob Dylan.

Acrescento: o presidente americano em Cuba e um show dos Rolling Stones em Havana. Com o comandante Fidel Castro ainda vivo e o irmão Raul no poder.

Nove meses se passaram desde a noite de 25 de março, e o registro está disponível para vermos nos nossos cinemas caseiros.

É o documentário Havana Moon, que a Som Livre acaba de lançar no mercado brasileiro. O título vem de uma música de Chuck Berry.

Não sem alguma ironia, a voz em off de Keith Richards diz no início do filme que a ida de Barack Obama a Cuba foi como uma abertura para o show dos Rolling Stones.

A estreia da banda em Havana tem significado simbólico forte. Marca o reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba e ilustra os extertores do ciclo de poder dos irmãos Castro.

Se quisermos, o filme é sobre esse tema. Mas com abordagem sutil e olhar simpático e respeitoso.

Houve a Revolução e suas conquistas. E houve o declínio com o fim do subsídio soviético. Os ganhos na saúde e na educação sempre se contrapuseram às restrições das liberdades individuais.

Havana Moon toca nessas questões sem precisar entrar nelas. Indiretamente, aparecem nas falas de Mick Jagger e Keith Richards que abrem o documentário. E no que eles dizem no palco, durante o concerto.

Jagger se estende mais, ao mencionar a censura ao rock.

Richards resume: Havana, Cuba e os Rolling Stones. Isto é incrível!

As imagens falam mais alto. Da memória da Revolução estampada no muro à pobreza do povo.

Jagger conta para a multidão em êxtase que viu a rumba de perto na Casa da Música. O diálogo se dá através da arte. É mais fluente do que nas relações políticas.

Buena Vista Social Club tem um anticomunismo que soa mal. Havana Moon não tem.

É como se os Stones repetissem o que Obama disse ao discursar diante de Raul Castro: que o destino de Cuba está nas mãos dos cubanos.

Aquela alegria toda, no palco e na plateia, é, então, para dizer isso: celebremos com música, mas o destino de vocês está nas suas mãos.

A música que os cubanos ouvem ao vivo pela primeira vez tem seu ponto alto numa “blues suite”. É Midnight Rambler, que se estende por muitos minutos e resume o que os Stones são.

Naquela noite de 25 de março de 2016, eles se projetaram como a luz do luar sobre a noite de Havana. Velhos, mas ainda muito intensos.

A Academia Sueca não é lugar para Bob Dylan!

Acho muito importante que Bob Dylan tenha sido premiado com o Nobel de Literatura pela Academia Sueca. A escolha traz o reconhecimento da sua geração no campo em que o artista atua há mais de meio século.

Digam o que quiseram dizer os contestadores de plantão, o Nobel é, sim, uma grande premiação. Almejada por quase todos.

O anúncio foi feito em outubro. Seguiu-se o silêncio do homenageado. Depois, a surpresa e um agradecimento. Por fim, o anúncio de que não iria à solenidade de entrega do prêmio.

Neste sábado (10), na cerimônia em Estocolmo, foi representado pela cantora Patti Smith e mandou um discurso, belo, elegante e muito bem escrito.

La cantautor estadounidense Patti Smith canta "A Hard Rain's A-Gonna Fall", de Bob Dylan, durante la ceremonia de entrega de los premios Nobel en Estocolmo, el sábado 10 de diciembre del 2016. Smith tuvo que tratar dos veces antes de que le saliera bien el tema. Dylan fue el ganador de este año del premio Nobel de Literatura pero no asistió a la ceremonia porque dijo que tenía otros compromisos. (Jonas Ekstromer/TT News Agency via AP)

Vi as imagens e fiquei pensando:

Claro que, na velhice, nenhum desses artistas conserva mais o espírito rebelde da juventude. Eles foram colhidos pela indústria do disco, pelo mundo do espetáculo, e, assim, ficaram ricos e famosos.

Mas não vamos imaginar que tudo está restrito ao in gold we trust.

Se há, nessa geração, alguém que conservou algo da juventude, esse alguém é Bob Dylan. No seu recolhimento, no seu jeito estranho de ser, na sua postura de crooner pelo avesso, Dylan, velho e com a voz destruída, consegue, a um só tempo, o milagre de ser e não ser do mainstream.

Lembrei de Gilberto Gil. Depois da prisão, indo para o exílio, fez o seguinte com um prêmio que deram a ele: aceito + recuso = receito.

Dylan fez assim. Aceitou, mas recusou.

E acho que acertou, não indo a Estocolmo.

Vi pela pompa toda da festa: a Academia Sueca não é lugar para Bob Dylan!

RETRO2016/Bob Dylan não vai, mas o Nobel é dele!

Neste sábado (10), Bob Dylan deveria estar em Estocolmo para receber da Academia Sueca o Nobel de Literatura. Mas ele não vai. Mandou um discurso que será lido durante a cerimônia.

Surpreendente? Claro que não! É Bob Dylan sendo Bob Dylan!

Surpreendente foi a escolha da academia.

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Surpreendente porque a regra é que o prêmio da Academia Sueca vá para um nome da literatura. Não para um músico, um músico de rock, um letrista de música popular.

Dar o Nobel a Dylan é conferir aos letristas da música popular um status acadêmico nem sempre admitido. É reconhecer as inovações literárias processadas no seu campo de criação. É também premiar uma geração brilhante que, meio século atrás, enriqueceu o mundo com suas melodias, seus versos, suas ideias generosas.

O Dylan premiado com o Nobel representa todos. Os Beatles, os Rolling Stones, a musa Joan Baez, Paul Simon. Os daqui também. Caetano, Chico, Gil, grandes letristas, no nível dos melhores do mundo.

Júbilo para os ouvintes de Mr. Zimmerman! Principalmente os da geração dele, os que puderam ouvi-lo desde o início, há mais de 50 anos. Também para os da minha faixa etária, os que estão beirando os 60. Os que alcançaram Dylan num momento de grande criatividade, ainda com o frescor da juventude por perto.

Em maio, quando Dylan fez 75 anos, escrevi algo sobre ele. Transcrevo parte aqui:

Judeu, Robert Allen Zimmerman é, nos Estados Unidos, o maior compositor popular de sua geração. E o mais influente. Até os Beatles foram influenciados por ele. Quando John Lennon trocou as letras ingênuas da Beatlemania por versos que falavam das suas dores, o fez por causa de Dylan. As marcas principais do que Bob Dylan criou estão nos primeiros anos da sua trajetória. O artista que ouvimos no início da carreira une a tradição folk à canção de protesto. E logo em seguida rompe com essas duas opções. Abandona o acústico e adota o elétrico e abre mão do discurso engajado para falar de si próprio. Se quisermos sintetizar assim a sua produção, já teremos um retrato fidelíssimo do que ele é.   

Bob Dylan correu muitos riscos. Os primeiros, quando rompeu com a tradição folk e o engajamento político na América da primeira metade da década de 1960. Mas houve outros. De um, ao menos, ninguém esquece: o judeu convertido ao cristianismo na segunda metade dos anos 1970. Na década seguinte, voltou às origens e nunca mais cantou para Jesus. Assim é Bob Dylan. De cara limpa ou com o rosto todo pintado. Acústico ou elétrico. Engajado ou recolhido aos seus tormentos. Judeu ou cristão. Não importa. O que temos nele é um grande trovador do seu tempo. Com a beleza da voz nasal, da guitarra imprecisa e das imagens poéticas. Faltam respostas, mas o vento ainda está soprando ao seu lado.      

Bob Dylan não vai à Suécia receber o Nobel de Literatura

O compositor Bob Dylan não vai a Estocolmo receber o prêmio Nobel de Literatura. O músico alegou ter outros compromissos, segundo anúncio feito nesta quarta-feira (16) pela Academia Sueca.

A entrega do Nobel ocorre no dia 10 de dezembro.

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A ausência na solenidade não tira do artista o direito à premiação. Ele tem mais seis meses para receber o prêmio.

Um dos maiores compositores americanos do século XX, Bob Dylan, de 75 anos, foi anunciado vencedor do Nobel de Literatura no dia 13 de outubro.

Autor de “A Song for You”, Leon Russell morre aos 74 anos

A música americana perdeu um grande músico. Leon Russell morreu aos 74 anos.

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Conheci Leon Russell na época da foto a seguir. Quando trabalhou com Joe Cocker na turnê Mad Dogs and Englishmen, que virou disco e filme. À guitarra ou ao piano, também cantando, ele era o maestro. 1970.

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Depois, ele brilhou na banda montada pelo beatle George Harrison para o concerto que arrecadou fundos para a população de Bangladesh. Na foto, o momento da apresentação de Bob Dylan. Leon no baixo. 1971.

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Leon Russell viveu e morreu meio à margem, a despeito do seu imenso talento e de ter estado tantas vezes ao lado de grandes nomes do pop/rock.

Lembro de músicas admiráveis que compôs. This Masquerade, projetada internacionalmente por George Benson, é uma delas. Delta Lady, obrigatória no set list de Joe Cocker, é outra. E, claro, A Song for You, lindamente cantada por Ray Charles.

Também era um excelente intérprete. De Harrison em Beware of Darkness. De Dylan em A Hard Rain’s A-Gonna Fall. Dos Rolling Stones em Jumping Jack Flash.

Em 2010, dividiu um trabalho com Elton John. Um delicioso disco de sonoridade setentista.

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Na velhice, ficou assim. Totalmente brancos os longos cabelos prateados da juventude.

RIP, Leon!

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Leonard Cohen morre aos 82 anos

O músico canadense Leonard Cohen morreu aos 82 anos.

O anúncio foi feito pela gravadora Sony Music, que emitiu uma nota:

É com profunda tristeza que relatamos que o legendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen faleceu. Perdemos um dos mais venerados e prolíficos visionários da música. Um memorial ocorrerá em Los Angeles em uma data posterior. A família pede privacidade durante seu período de luto.  

A causa da morte não foi divulgada.

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Cohen acabara de lançar um disco pela Sony, You Want It Darker.

Nascido em 1934, só lançou o primeiro disco quando já tinha mais de 30 anos. É em Songs of Leonard Cohen, de 1967, que está Suzanne, uma das suas canções mais conhecidas.

Antes da música, Cohen publicou livros de poesia e romances. Era judeu, morou na Grécia, foi budista.

Leonard Cohen era reverenciado por um público seleto e pelos artistas, mas, a rigor, nunca esteve no mainstream.

Sua música e sua presença no mundo da música remetem inevitavelmente a Bob Dylan. Sobretudo por causa do tratamento literário dado às letras das canções.

Como Dylan, Cohen é um atormentado trovador contemporâneo. Mas, ao contrário do autor de Blowin’ in the Wind, Cohen foi o outsider que Dylan não conseguiu ser.

De Lincoln a Obama: 21 nomes que orgulham os americanos

O mundo está voltado para os Estados Unidos. Numa eleição disputadíssima, os americanos escolhem nesta terça-feira (8) o novo presidente. Hillary ou Trump?

Pensando na presença dos Estados Unidos no mundo, escolhi 21 nomes que falam da contribuição dos americanos.

Claro que é uma escolha subjetiva e incompleta.

O presidente Abraham Lincoln.

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O compositor George Gershwin.

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O músico Louis Armstrong.

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O compositor Duke Ellington.

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O escritor F. Scott Fitzgerald.

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O compositor Cole Porter.

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O cantor Frank Sinatra.

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O cineasta John Ford.

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O presidente Franklin Delano Roosevelt.

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A cantora Billie Holiday.

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O dançarino Fred Astaire.

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O maestro Leonard Bernstein.

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O ator Marlon Brando.

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O cantor Elvis Presley.

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A atriz Marilyn Monroe.

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O boxeador Mohamed Ali.

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O presidente John Kennedy.

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O compositor Bob Dylan.

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O pastor Martin Luther King.

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O astronauta Neil Armstrong.

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O presidente Barack Obama.

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No Dia do Poeta, uma lista dos grandes letristas da nossa música popular

No Dia do Poeta (20), quero lembrar que o Brasil é um país de grandes letristas de música popular.

Podem até não ser poetas, dizem alguns acadêmicos, mas a música deles está, sim, cheia de poesia!

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Tem o caso de Vinícius de Moraes, que, antes de fazer letra de música, fez poesia seguindo o cânone. E tem os demais que quero citar aqui.

Tudo, ainda, por causa do Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan.

Que tal, então, uma lista dos nossos maiores letristas, começando pelos mais velhos?

Cartola

Noel Rosa

Vinícius de Moraes

Dorival Caymmi

Lupicínio Rodrigues

Caetano Veloso

Gilberto Gil

Chico Buarque

Aldir Blanc

Fernando Brant

 

Top 10 das canções de Bob Dylan. Tarefa quase impossível!

Ainda surpreso com o Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan, divido com vocês um top 10 das canções dele. Uma tarefa quase impossível porque a lista deveria ser muitíssimo maior!

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Segue a lista em ordem cronológica (mais de clássicos obrigatórios do que de escolhas pessoais):

Blowin’ in the Wind 

It Ain’t Me Babe

Mr. Tambourine Man

Like a Rolling Stone

Highway 61 Revisited

Just Like a Woman

Forever Young

Simple Twist of Fate

Hurricane

Jokerman

E, para encerrar a postagem, Dylan e The Band sob as lentes de Martin Scorsese em O Último Concerto de Rock. Forever Young!