Quando o cover é melhor do que o original?

Vi em algum lugar. Como um desafio. Quando o cover consegue ser melhor do que o original?

Muitas vezes! Depende de tantos fatores. Entre eles, a força do intérprete.

Quem ouve jazz não tem problemas com releituras. O jazz faz isso o tempo todo e abre caminho para que a gente goste em qualquer gênero.

Cover melhor do que o original?

O primeiro que me ocorre é With a Little Help From My Friends, dos Beatles, com Joe Cocker, na versão de Woodstock. É um negócio devastador!

Fico somente com mais um exemplo. Esse, vi ao vivo. Caetano Veloso cantando Jokerman, de Bob Dylan. A canção de Dylan ganha uma poderosa batida de samba, o violoncelo de Morelenbaum e, claro, a beleza da voz de Caetano.

Ver Paul ao vivo é experiência mágica! Não tem preço!

Paul McCartney está de volta ao Brasil. Faz quatro shows em outubro. No texto de hoje, falo um pouco da experiência de vê-lo ao vivo.

Vi Paul McCartney ao vivo pela primeira vez em abril de 1990, em duas noites no Maracanã. Também era a primeira vez dele no Brasil. Estava às vésperas de completar 48 anos e corria o mundo numa excursão em que resgatava muitas canções dos Beatles, como ainda não havia feito depois da dissolução do quarteto. O tempo passava, e o músico começava a sentir saudade da juventude. O longo vídeo que abria o show tinha a assinatura de Richard Lester, o cineasta que levara os Beatles ao cinema em A Hard Day’s Night e Help!. E seria dele o documentário (Get Back) com o registro da turnê. O set list ia do rock (novíssimo) Figure of Eight ao medley final do Abbey Road.

Voltei a ver Macca ao vivo em dezembro de 1993, no Pacaembu, em São Paulo. O lugar era menor e dava ao público a sensação de estar num show um pouco mais intimista. O longo set acústico reforçava a ideia. Era resultado do unplugged que o artista gravara para a MTV. Ele e a banda se juntavam num pequeno espaço, no meio do palco, e faziam vários números com violões e um pouco de percussão. Músicas novas, canções dos Beatles, clássicos da primeira geração do rock, soul music – Paul oferecia ao público um espetáculo que parecia ainda mais eficiente do que o da excursão anterior. E difundia, no vídeo de abertura, sua luta em defesa dos animais e do meio ambiente.

A doença e a morte de Linda McCartney tiraram o marido da estrada. O retorno coincidiu com a virada do século. Primeiro, com uma banda de garagem num pocket show no Cavern Club, em Liverpool. Puro rock’n’ roll. Um homem no limiar da velhice experimentava uma volta aos territórios da adolescência. Depois, em longas turnês semelhantes àquelas que haviam passado pelo Brasil em 1990 e 1993. Só que melhores. Tudo se aprimorara: o som, a luz, os músicos. E a ação do tempo ajudava. Paul já tinha idade suficiente para ver as coisas de longe. Como seu público. O resultado era muito mais tocante. Os fãs que o seguiam há décadas incorporavam filhos e netos à plateia.

No mercado, há vários registros disponíveis das turnês de Paul McCartney na primeira década do século XXI. Não só nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Também na Rússia, onde, com a derrocada do comunismo, ele pôde, afinal, cantar. E, com o presidente Putin no meio do público, fazer a Praça Vermelha tremer ao som de Back in the U.S.S.R., o rock outrora banido. Seus shows se consolidaram como extraordinárias celebrações de música, alegria e (para os mais velhos) saudade. Performances impecáveis nas quais Sir Paul não frustra ninguém. Passa três horas em cima do palco apresentando um repertório sem similar no universo da música pop. Com a vitalidade de um jovem roqueiro.

Em 2010, vi McCartney mais uma vez ao vivo em duas noites no Morumbi. Dois anos depois, no Recife. Vi pensando naquele vento abstrato e belo que os Beatles representaram na década de 1960. Testemunhar essas coisas após os 50 é certamente melhor, mas um pouco melancólico. Porque remete ao tempo que passou. Uma balada ingênua como All My Loving agora evoca uma época. Um hino pacifista como Give Peace a Chance traz a lembrança de John Lennon e dos sonhos de uma geração.

Nome de John Lennon é uma homenagem a Winston Churchill

Na quinta-feira (13), assisti a uma palestra do professor Felipe Negreiros sobre Winston Churchill. Aula de história sobre o homem que conduziu o Reino Unido durante a II Guerra. Churchill (e seu tempo) traduzido por um estudioso.

Tomo a palestra de Felipe Negreiros como “gancho” para falar duas ou três coisas sobre Churchill, Orson Welles, Peter Lorre e John Lennon! Mas o que há de comum entre eles?

Orson Welles. Pode não ter sido um gênio, mas realizou um dos maiores filmes do mundo. Para tanta gente, o maior! O diretor de Cidadão Kane lembra Churchill! Ou não?

Peter Lorre. O grande ator que vimos em M, Relíquia Macabra e Casablanca, também tem alguma semelhança fisionômica com Churchill.

Quando vejo Churchill, sempre lembro de Welles e Lorre. Mas, sobretudo, de John Lennon. Não por causa do dedo em V, que o político inglês usava, mas por causa do nome. O beatle foi batizado como John Winston Lennon. A guerra mal começara quando ele nasceu, em outubro de 1940, mas Churchill já conquistara a admiração dos britânicos de tal modo que muitas crianças nascidas naquela época tiveram o seu Winston no nome.

Muitos anos mais tarde, no casamento com Yoko Ono, Lennon mudou o nome. Passou a se chamar John Ono Lennon. E ela, Yoko Ono Lennon.

Chuck Berry fields forever!

O disco de inéditas que Chuck Berry gravou nos meses que antecederam sua morte será lançado em junho.

Desde 1979 que ele não lançava material novo.

Nem precisava!

Chuck Berry é um fundador. O que ele produziu e deixou como extraordinário legado está concentrado nos anos iniciais de sua longa carreira. O resto foi manutenção.

Em Berry, temos uns 20 hits absolutamente imbatíveis e antológicos. Neles, há as letras com os  “comentários sociais” para os quais John Lennon chamava atenção. Na guitarra, foi um inventor e, com ela, compôs uma introdução que se repete em vários números e se confunde com o próprio rock. Ele criou um modo de tocar o instrumento, influenciando grandes músicos que surgiriam nos anos seguintes, sobretudo na década de 1960. E ainda há que se destacar a liberdade e a vitalidade de sua performance no palco.

O resumo de tudo isso é que Chuck Berry foi parte fundamental da invenção do rock.

Beatles?

Rolling Stones?

Não seriam o que foram sem ele!

A cultura pop o reverenciou em dois momentos marcantes do cinema. Nos anos 1980, sua Johnny B. Goode reapareceu numa sequência inesquecível de De Volta Para o Futuro.

Mais tarde, Quentin Tarantino resgatou You Never Can Tell em Pulp Fiction, na cena em que Uma Thurman e John Travolta participam de um concurso de dança.

Antes, na década de 1970, ao difundir sua adesão ao rock, Gilberto Gil foi buscar na Strawberry Fields Forever dos Beatles o título do seu tributo a Berry e ao rock’n’ roll.

E bradou:

Chuck Berry fields forever! 

Beatles foram fotografados para capa do Pepper há 50 anos

Nesta quinta-feira (30), fez 50 anos que os Beatles foram fotografados para a capa do Sgt. Pepper.

O autor da capa é Peter Blake.

O disco, considerado o mais importante do grupo, foi lançado em junho de 1967.

A capa do Pepper se transformou num ícone da cultura pop.

“Beatles Mono Masters” tem excelente qualidade de áudio!

Comprei por acaso!

Mono Masters – CD duplo dos Beatles em caprichada edição japonesa!

Sabem do que se trata?

É a versão mono do Past Masters.

Ah, mas tem diferenças sensíveis!

A primeira delas (e talvez a mais importante): tem uma qualidade sonora estupenda!

Essas versões todas em mono reservam grandes alegrias para os verdadeiros fãs dos Beatles!

É só fazer o teste: comparemos com as versões do Past Masters! Eu fiz!

Outra coisa muito bacana: a inclusão daquelas quatro faixas que eram inéditas no LP Yellow Submarine e que sempre ouvimos na mixagem stereo.

Na época (início de 1969), a gravadora cogitou reuni-las num EP (ou é lenda?). Teriam composto um EP estranhamente belo!

A audição delas num álbum como o Mono Masters (que é um disco de compactos) dá a ilusão de que o EP de 1969 existe!

Querem mais? O som dos rocks do primeiro disco é devastador! Sobretudo quando ouvidos no volume máximo possível!

Chega de conversa! Vou ouvir Mono Masters mais uma vez!

O John Lennon que o mundo conhece deve muito a Yoko Ono

Os Beatles se separaram há quase cinco décadas, mas milhares de fãs ainda abominam Yoko Ono por atribuir a ela o fim do quarteto. Nunca fiz parte dos que viam a mulher de John Lennon com maus olhos. Sempre achei que ela, como artista de vanguarda, apontou novos caminhos para ele. Alguns, ainda na época do grupo. Outros, depois da separação. Yoko ia para o estúdio com John (as imagens do documentário “Let It Be” registram) e o influenciava em ousadias como “Revolution 9”. A tentativa de fazer música avan-garde que temos no “White Album” certamente não existiria sem Ono, que, embora não creditada, é, de fato, coautora da faixa.

John Lennon era sete anos mais novo do que Yoko Ono. Ele, nascido em outubro de 1940. Ela, em fevereiro de 1933. Os dois, crianças da guerra, conforme assinalava o livro “A Balada de John & Yoko”, editado há uns 35 anos pela revista Rolling Stone. No momento em que Lennon nasceu, Liverpool era bombardeada pelos alemães. Ono cresceu num país devastado pela guerra. Filha de uma família abastada, criada longe do pai, entre um professor que lhe apresentou a Bíblia e um criado que dava aulas de budismo. No meio, havia um piano. Quando os dois se conheceram, em meados dos anos 1960, Yoko não parecia destinada a se aproximar do universo do rock.

John e Yoko se encontraram em novembro de 1966 na Indica Gallery, em Londres. Ele foi à pré-inauguração da exposição dela. Lennon subiu uma escada que havia no meio da sala, olhou por um pequeno telescópio preso a uma tela pendurada no teto e leu a palavra “sim”. Também estava escrito: pregue um prego. Ele perguntou se poderia fazer isto. Ela disse que não. Afinal, a exposição ainda não estava aberta ao público. A história está no livro da Rolling Stone. E em muitos outros. Lenda ou realidade? Se for lenda, que prevaleça sobre a realidade quando aquela é melhor do que esta. Aprendemos com John Ford no clássico “O Homem que Matou o Facínora”.

Antes mesmo que os Beatles acabassem, o casal gravou três discos experimentais. “Two Virgins”, “Life With the Lions” e “Wedding Album” são trabalhos radicalíssimos que se contrapõem ao que John Lennon fazia ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Mas que enriquecem a trajetória do artista que ele era e, indiretamente, do grupo ao qual seu nome esteve vinculado durante toda a década de 1960. John não era o melhor músico dos Beatles, mas a personalidade mais importante, inquieta, polêmica e controvertida. Yoko desempenhou papel fundamental na consolidação da sua figura pública e do que o mundo guarda da sua memória.

Yoko conduziu John por caminhos que talvez ele não tivesse trilhado sem ela. Nas exposições, nos filmes experimentais. Mas Lennon também levou Ono para os rocks e baladas do seu universo. O disco duplo “Sometime in New York City”, de 1972, confirma. É panfletário e ingênuo, mas irresistível. Flagra o casal em seu momento de mais intensa militância política em Nova York. Gritando contra as injustiças, a guerra. Sonhando com um mundo melhor. “A guerra acabou, se você quiser”, dizem os versos da canção natalina que ouvimos até hoje. John Lennon foi assassinado em 1980. Yoko envelheceu cuidando da memória dele. Neste sábado (18), ela faz 84 anos.

Aretha Franklin anuncia aposentadoria

Aretha Franklin, uma das maiores cantoras do mundo, anunciou sua aposentadoria nesta quinta-feira (09).

Aos 74 anos, a diva da Soul Music disse que vai gravar um disco com Stevie Wonder e que 2017 será seu último ano de shows.

Ela disse que o anúncio tem, ao mesmo tempo, algo de amargo e doce.

Com mais de meio século de carreira, Aretha Franklin luta há algum tempo contra um câncer no pâncreas.

Fiquemos com Aretha e sua extraordinária versão de Eleanor Rigby, dos Beatles.

Fittipaldi, que chega hoje aos 70, tinha um amigo beatle

Emerson Fittipaldi faz 70 anos nesta segunda-feira (12).

Foi nosso primeiro campeão de Fórmula 1. Campeão em 1972, bi em 1974. Quando ainda não sonhávamos com Piquet, nem com Senna.

Como a coluna é de cultura, vou puxar para a música.

Sim! Nosso piloto tinha um amigo beatle. George Harrison.

Recorro ao doce George para homenagear Emerson.

Vejam o vídeo.