De Obama a Trump. Da elegância de um à truculência do outro!

Nesta terça-feira (10) à noite, o mundo assiste ao último discurso do presidente Barack Obama. A pouco mais de uma semana da posse de Donald Trump.

A alternância de poder, tão necessária às democracias que conhecemos, permite que saiamos da elegância de um para a truculência do outro. Mas não sem riscos.

Os oito anos de Obama na Casa Branca deixarão saudades. O casal Obama deixará saudades.

Entre as muitas marcas do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, há a admirável retórica. Algo que ele, mais uma vez, deve exibir na despedida desta noite.

Fecho com música: a imagem comovente de Obama cantando o spiritual Amazing Grace e desejando que os negros assassinados numa igreja encontrem a Graça!

Complemento com Joan Baez e sua versão de Amazing Grace.

“Eu era cego, mas agora eu vejo!”, diz a letra.

Não é preciso crer. Essa oração comove até os corações ateus!

Os Rolling Stones são como um luar sobre a noite de Havana

Andam dizendo que 2016 foi um ano surpreendente. Eleição de Donald Trump, saída do Reino Unido da União Europeia, Nobel de Literatura para Bob Dylan.

Acrescento: o presidente americano em Cuba e um show dos Rolling Stones em Havana. Com o comandante Fidel Castro ainda vivo e o irmão Raul no poder.

Nove meses se passaram desde a noite de 25 de março, e o registro está disponível para vermos nos nossos cinemas caseiros.

É o documentário Havana Moon, que a Som Livre acaba de lançar no mercado brasileiro. O título vem de uma música de Chuck Berry.

Não sem alguma ironia, a voz em off de Keith Richards diz no início do filme que a ida de Barack Obama a Cuba foi como uma abertura para o show dos Rolling Stones.

A estreia da banda em Havana tem significado simbólico forte. Marca o reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba e ilustra os extertores do ciclo de poder dos irmãos Castro.

Se quisermos, o filme é sobre esse tema. Mas com abordagem sutil e olhar simpático e respeitoso.

Houve a Revolução e suas conquistas. E houve o declínio com o fim do subsídio soviético. Os ganhos na saúde e na educação sempre se contrapuseram às restrições das liberdades individuais.

Havana Moon toca nessas questões sem precisar entrar nelas. Indiretamente, aparecem nas falas de Mick Jagger e Keith Richards que abrem o documentário. E no que eles dizem no palco, durante o concerto.

Jagger se estende mais, ao mencionar a censura ao rock.

Richards resume: Havana, Cuba e os Rolling Stones. Isto é incrível!

As imagens falam mais alto. Da memória da Revolução estampada no muro à pobreza do povo.

Jagger conta para a multidão em êxtase que viu a rumba de perto na Casa da Música. O diálogo se dá através da arte. É mais fluente do que nas relações políticas.

Buena Vista Social Club tem um anticomunismo que soa mal. Havana Moon não tem.

É como se os Stones repetissem o que Obama disse ao discursar diante de Raul Castro: que o destino de Cuba está nas mãos dos cubanos.

Aquela alegria toda, no palco e na plateia, é, então, para dizer isso: celebremos com música, mas o destino de vocês está nas suas mãos.

A música que os cubanos ouvem ao vivo pela primeira vez tem seu ponto alto numa “blues suite”. É Midnight Rambler, que se estende por muitos minutos e resume o que os Stones são.

Naquela noite de 25 de março de 2016, eles se projetaram como a luz do luar sobre a noite de Havana. Velhos, mas ainda muito intensos.

Morre John Glenn, um dos heróis da corrida espacial

O astronauta John Glenn morreu nesta quinta-feira (08) aos 95 anos.

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Ele foi o primeiro americano a voar em órbita da Terra. O voo pioneiro de Glenn, a bordo da nave Friendship, ocorreu em 1962.

Glenn fazia parte do projeto Mercury, que marcou o início da corrida espacial nos Estados Unidos.

Foi senador pelo Partido Democrata, tentou sem sucesso disputar a presidência dos Estados Unidos e voltou a voar numa missão espacial nos anos 1990.

O filme Os Eleitos conta a história do projeto Mercury. Quem faz o papel de Glenn é Ed Harris (foto).

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John Glenn (na foto, sendo condecorado pelo presidente Barack Obama) é um dos heróis da corrida espacial.

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Gump e Kennedy. Hanks e Obama. A vida a imitar a arte!

O ator Tom Hanks foi condecorado pelo presidente Barack Obama na Casa Branca.

Inevitável a lembrança do que vimos em Forrest Gump. Hanks, no papel de Gump, sendo condecorado pelo presidente John Kennedy na Casa Branca. Os dois aparecem juntos graças a uma trucagem muito convincente.

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Agora, Hanks e Obama, aplaudidos por Bill Gates, que está ao fundo.

Não é preciso saber o diálogo, a foto, por si só, já sugere que Obama está dizendo algo sobre Forrest Gump, não?

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Realidade e ficção. Vida e arte. Tudo misturado!

Obama a Springsteen: O presidente sou eu. O chefe é você!

O presidente Barack Obama realizou pela última vez, dois meses antes de deixar o governo, a cerimônia de entrega da Medalha da Liberdade.

Escolhi a imagem de dois dos homenageados para registrar aqui na coluna.

O músico Bruce Springsteen.

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O ator Robert De Niro.

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A Bruce Springsteen, Obama disse:

O presidente sou eu. O chefe é você!

Bruce é conhecido como The Boss.

“Michelle” vira “Michel Pastel”. Os Beatles não merecem!

Está nas redes sociais. No Brasil de hoje, “Michelle”, a linda canção afrancesada dos Beatles, virou “Michel Pastel”.

OK! Não vou tirar as razões de quem fez a letra, mas, convenhamos, o resultado é infame! Os Beatles não merecem!

Para não restar dúvida: também acho detestável quando gente de direita faz esse tipo de coisa com as canções de Chico Buarque!

Fiquem, agora, com Paul McCartney, o autor da música, cantando “Michelle” na Casa Branca. Para Michelle Obama, claro! Que se diverte ao lado do presidente Barack Obama!

De Lincoln a Obama: 21 nomes que orgulham os americanos

O mundo está voltado para os Estados Unidos. Numa eleição disputadíssima, os americanos escolhem nesta terça-feira (8) o novo presidente. Hillary ou Trump?

Pensando na presença dos Estados Unidos no mundo, escolhi 21 nomes que falam da contribuição dos americanos.

Claro que é uma escolha subjetiva e incompleta.

O presidente Abraham Lincoln.

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O compositor George Gershwin.

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O músico Louis Armstrong.

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O compositor Duke Ellington.

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O escritor F. Scott Fitzgerald.

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O compositor Cole Porter.

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O cantor Frank Sinatra.

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O cineasta John Ford.

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O presidente Franklin Delano Roosevelt.

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A cantora Billie Holiday.

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O dançarino Fred Astaire.

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O maestro Leonard Bernstein.

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O ator Marlon Brando.

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O cantor Elvis Presley.

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A atriz Marilyn Monroe.

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O boxeador Mohamed Ali.

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O presidente John Kennedy.

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O compositor Bob Dylan.

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O pastor Martin Luther King.

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O astronauta Neil Armstrong.

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O presidente Barack Obama.

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De Kennedy a Obama. E agora? Hillary ou Trump?

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Eu tinha pouco mais de quatro anos, mas a lembrança ainda é nítida em minha memória. Meu pai ouvindo na Voz da América a notícia do assassinato do presidente Kennedy. Posso dizer que os americanos entraram na minha vida naquela tarde do dia 22 de novembro de 1963. Nas semanas seguintes, vieram as muitas revistas que minha mãe comprava. E, alguns meses mais tarde, também por iniciativa dela, a foto autografada do casal Kennedy ao lado dos dois filhos. Meu pai era comunista, mas admirava JFK. A um só tempo, respeitava a sólida democracia dos americanos e lamentava que eles separassem os homens pela cor da pele.

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Cinco anos depois, mais duas tragédias americanas. Os assassinatos do reverendo Luther King e do senador Bob Kennedy pareciam sugerir que a América teria grandes dificuldades para avançar na luta pelos direitos civis. Estávamos em 1968, o ano em que os estudantes puseram a França de cabeça para baixo, e os militares brasileiros endureceram o regime, promovendo o que Brizola chamava de o golpe dentro do golpe.

Os democratas ficaram oito anos com Kennedy e Johnson, depois veio o republicano Nixon. O desfecho foi o pior possível: o escândalo de Watergate e a renúncia, já no segundo mandato. De Carter, a gente lembra sobretudo da defesa dos direitos humanos. O eleitor não quis que ele ficasse oito anos. Os republicanos voltaram com Reagan, canastrão do cinema que governou a Califórnia e terminou presidente. Em 1980, admirávamos a velocidade da apuração dos votos nos Estados Unidos. A nossa era obsoleta, e os brasileiros estavam enferrujados se o assunto fosse eleição.

Esperávamos o pior de Reagan, um ultraconservador no comando da Casa Branca. Era assustador para nós, que vivíamos sob governos de exceção e sonhávamos com um país redemocratizado. A realidade foi menos sombria. O velho ator ficou oito anos e fez o sucessor, Bush pai, que não se reelegeu. Aí veio Clinton, um cara da geração que se rebelou nos anos 1960. Da Casa Branca ao show dos Rolling Stones – dá para traduzir assim. No ano 2000, seu vice, Al Gore, ganhou no voto popular, mas perdeu no número de delegados para Bush filho. Os oito anos que se seguiram confirmaram que o pesadelo não atendia pelo nome de Ronald Reagan.

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Em 2008, os democratas queriam uma mulher no poder. Quando vi Obama pela primeira vez, não pensei que ele ultrapassaria Hillary para ser o primeiro negro na Casa Branca. Na madrugada em que discursou como presidente eleito, a imagem mais forte, para mim, foi a do reverendo Jackson com lágrimas nos olhos, no meio da multidão. Resumia a longa caminhada. Havia muitos símbolos ali, embora a vida real fosse menor do que o sonho. Em 2012, sem a reeleição de Obama, teria vencido a América que ainda separa os homens pela cor da pele. Assinado, selado, entregue, eu sou de vocês – cantou Stevie Wonder na vitória. The best is yet to come, prometeu o presidente. Como na canção de Sinatra.

Alternância de poder é um negócio que os americanos levam a sério. Se ocorrer agora em 2016, a letra da canção será invertida. O pior estará por vir!

Dia de Finados: mortos que fazem muita falta

Finados. Dia de lembrar os mortos.

Na redação, uma colega sugere: lembre-se de pessoas famosas que você admira muito, mortos que você queria que estivessem vivos.

A lista é imensa, mas escolhi oito nomes.

Antônio Carlos Jobim. O maior compositor popular do Brasil, o que melhor nos projetou internacionalmente com uma versão refinada do samba. Morreu em 1994.

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John Lennon. Musicalmente, não era o melhor dos Beatles. Mas era o mais inquieto, a maior personalidade do quarteto. Foi assassinado em 1980.

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Billie Holiday. A mais verdadeira das vozes do jazz. Na juventude, nem sabia que seria cantora, de tão natural que para ela era cantar. Morreu em 1959.

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Federico Fellini. Um verdadeiro poeta do cinema. Em seus filmes, deu universalidade à pequena Rimini onde nasceu. Morreu em 1993.

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François Truffaut. Mestre do cinema francês e da Nouvelle Vague. O que teorizou na juventude, como crítico, levou para a tela em seus filmes. Morreu em 1984.

Francois Truffaut, realisateur francais, posant au debut des annees 80, lieu inconnu.

Nelson Rodrigues. No jornalismo, na literatura, no teatro, escreveu sobre o Brasil e, principalmente, sobre o homem. Como nos faz falta! Morreu em 1980.

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Martin Luther King. Pastor da não violência, do pacifismo, das ideias generosas. Deveria ter vivido para ver Barack Obama na Casa Branca. Foi assassinado em 1968.

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Nelson Mandela. Sua história diz que há outros modos de fazer política. Morreu em 2013.

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Obama e Michelle dançam “Thriller” no Halloween da Casa Branca

Todos os anos, o casal Obama recebe crianças para festejar o Dia das Bruxas. Nesta segunda-feira (31), no último Halloween que passam na Casa Branca, Obama e Michelle dançaram Thriller, de Michael Jackson.

Black music de primeira qualidade e muito popismo na White House. O casal Obama é uma beleza!