“Pequeno Segredo” não disputa o Oscar. Bem Feito!

O Brasil está fora do Oscar!

A Academia “rifou” Pequeno Segredo.

Bem feito!

É o preço da mesquinharia política que norteou a escolha entre nós.

Não sei se Aquarius teria passado pelo crivo da Academia. Agora, que o filme de Kleber Mendonça Filho tem muito mais perfil para a disputa, isso tem!

É um grande filme realizado por um cineasta talentosíssimo. No nível dos grandes filmes feitos atualmente em qualquer lugar do mundo.

O protesto de Kleber contra o governo Temer, em Cannes, foi legítimo. Faz parte do jogo democrático.

O então ministro Marcelo Calero, aplaudido depois por denunciar Geddel Vieira Lima, se posicionou muito mal.

O governo Temer é pródigo em cometer erros!

RETRO2016/O ano de “Aquarius”

No cinema brasileiro, 2016 foi o ano de Aquarius. Algumas impressões minhas sobre o filme e Kleber Mendonça Filho, seu realizador:

Acompanho Kleber Mendonça Filho desde quando ele atuava como crítico de cinema no Recife. Excelente crítico. Como os melhores.

Depois vieram os filmes. Surpreendente o curta Recife Frio.

Mais tarde, a estreia na ficção de longa metragem. O Som ao Redor confirmava que Kleber era da linhagem dos cineastas bem-sucedidos quando migram da crítica para a direção. Feito Truffaut ou Godard, os exemplos que logo me ocorrem.

Kleber Mendonça Filho não venceu somente o primeiro grande desafio (deixar de ser crítico para ser cineasta). Acaba de vencer outro: realizar um segundo filme tão bom quanto o primeiro. Ou talvez melhor.

Sônia Braga Aquarius

Aquarius é um grande filme. No nível de qualquer grande filme realizado no mundo atualmente.

O tema da resistência, traduzido no comportamento da personagem de Sônia Braga, combina com os que aplaudem o filme com o mesmo sentimento que levou Kleber e equipe a um protesto legítimo contra o governo Temer no Festival de Cannes. Mas seria reducionista vê-lo apenas por esse prisma.

Um filme com os méritos que esse ostenta não pode estar circunscrito às paixões do Brasil de hoje.

Impressiona em Aquarius (como em O Som ao Redor) o fato de que estamos diante de um realizador excepcional. Como nenhum outro que vimos surgir no Brasil desde que o cinema nacional começou a se recuperar da destruição imposta pelo governo Collor.

Kleber Mendonça Filho soube, com maestria, transformar teoria em prática. O que ele escrevia como crítico virou filmes. O domínio da arte de fazer cinema está em cada momento de Aquarius.

A construção da trama, as suas tensões, o texto, as sutilezas da narrativa, as marcas de originalidade, a dimensão humana dos personagens, as referências, a direção de atores, o uso da trilha pré existente, os ruídos de fora – tudo é enormemente bem resolvido. Como já era em O Som ao Redor.

Posso dizer que ver Aquarius é uma experiência fascinante e perturbadora. Mas a verdade é que não há palavras que traduzam o prazer estético de assistir a um filme de Kleber Mendonça Filho!

Trilha de “Aquarius” precisa ser lançada em CD

Anotei as músicas da trilha de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, para usar num programa da CBN João Pessoa. Não existe ainda em CD, nem sei se será lançado.

Aquarius foto do cartaz

Compartilho com vocês:

Hoje – Taiguara

Another One Bites the Dust – Queen

Toda Menina Baiana – Gilberto Gil

Dois Navegantes – Ave Sangria

Jeito Estúpido de Te Amar – Maria Bethânia

O Quintal do Vizinho – Roberto Carlos

Sentimental Eu Sou – Altemar Dutra

Recife Minha Cidade – Reginaldo Rossi

Sufoco – Alcione

Pai e Mãe – Gilberto Gil

Fat Bottomed Girls – Queen 

A música tem um papel importantíssimo no filme. Quem viu Aquarius, sabe!

 

Tirar Aquarius do Oscar é erro tão grosseiro quanto botar Lula, o Filho do Brasil

Aquarius, excepcional filme de Kléber Mendonça Filho, era o favorito, mas perdeu, para um filme que ninguém viu (Pequeno Segredo), a chance de entrar na disputa pelo Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

O governo brasileiro atuou para que Aquarius não fosse o representante do Brasil na disputa? Se o fez, fez muito mal!

Aquarius (como O Som ao Redor, primeiro longa de Kléber) é um grande filme, no nível do que se faz de melhor no mundo atualmente. Orgulharia o Brasil se fosse indicado pela Academia para disputar a estatueta.

Qual o problema do cineasta ser contra o governo Temer? Um eventual protesto dele na cerimônia do Oscar (como ocorreu em Cannes) seria legítimo e faria parte do jogo democrático.

Não escolher Aquarius é um erro tão estúpido quanto escolher Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto, uma cinebiografia medíocre do ex-presidente Lula.

Sim! E Lula, o Filho do Brasil, no último ano do governo Lula, foi o eleito para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de melhor filme em língua estrangeira!

Lembram? Eu não esqueci!

Trilha de “Aquarius” é ótima porque é desigual

A música é um dos destaques de Aquarius, o fascinante e perturbador filme de Kleber Mendonça Filho, em cartaz nos cinemas brasileiros desde a última quinta-feira (01).

A opção de Kleber foi por uma trilha preexistente. Como Tarantino e Scorsese gostam de fazer com absoluta maestria.

Muito tem se falado da canção “Hoje”, sucesso de Taiguara. Ela está na abertura e no encerramento do filme. É evocativa de uma época, mas não custa lembrar que Taiguara não era muito bem assimilado pela turma da MPB. O passaporte veio aos poucos, junto com o engajamento político do artista.

A trilha vai do popularesco ao erudito. Por isso é tão boa. Não há preconceitos na escolha. Ela é desigual. Reginaldo Rossi e Villa-Lobos. Roberto Carlos e Queen. Alcione e Gilberto Gil.

Tudo escolhido com muita propriedade.

Vejam o efeito dos vocais arrojados do Queen na cena em que a personagem de Sônia Braga põe “Fat Bottomed Girls” na vitrola, em contraponto aos ruídos que vêm da festa no apartamento do andar de cima.

Ou a delicadeza do choro canção “Pai e Mãe”, de Gilberto Gil, que o sobrinho e a namorada carioca oferecem à tia.

Ou, ainda, as falas sobre Maria Bethânia, provocadas por “Um Jeito Estúpido de te Amar”.

E a criança diante da música de Villa-Lobos? E o brega estilizado de Reginaldo Rossi na noite em que Clara sai para dançar com as amigas? E a voz de Alcione no aniversário em Brasília Teimosa?

Momentos antes, tem a fala sobre Boa Viagem e Pina, Copacabana e Leme. Ricos e pobres. Num pequeno comentário, um retrato do Brasil e suas divisões.

O momento musical que mais me emocionou em Aquarius não foi nenhum desses que mencionei. Foi na festa dos 70 anos da tia de Clara, logo no começo do filme.

No lugar do tradicional “Parabéns pra você”, a família canta um outro: “Saudamos o grande dia/em que hoje comemoras/seja a casa onde moras/a morada da alegria”.

Conhecem? É um “parabéns” com melodia de Heitor Villa-Lobos e letra de Manuel Bandeira!

Era a canção que, na infância, eu ouvia nas festas de aniversário da minha família!

 

Tensão permanente é uma das chaves de “Aquarius”

Comecei a segunda-feira (05) escrevendo sobre Aquarius. Volto ao filme de Kleber Mendonça Filho para um pequeno registro.

Aquarius foto do cartaz

Uma tensão permanente a criar, no público, a expectativa de que algo muito forte vai acontecer. E, quase sempre, não ocorre na dimensão que é esperada.

Essa tensão é marcante em O Som ao Redor e, novamente, em Aquarius.

E é uma das chaves da narrativa dos dois grandes filmes de Kleber Mendonça Filho.

Kleber trabalha essa tensão com um modo muito peculiar de construir a narrativa, que é a sua assinatura, mas ela está presente também em outros momentos do melhor cinema do mundo.

Remete, por exemplo, à angústia que o espectador experimenta ao ver De Olhos Bem Fechados, grande, mas subestimado filme do mestre Stanley Kubrick. Ou a tantas tramas do velho Hitchcock, cineasta da angústia e do medo.

Aliás, ver os filmes de  Kleber Mendonça Filho só nos remete a grandes filmes. E a mestres da direção.

Ainda volto a Aquarius. Para falar da trilha sonora.

“Aquarius” é um grande filme. Muito além dos protestos ao redor

Acompanho Kleber Mendonça Filho desde quando ele atuava como crítico de cinema no Recife. Excelente crítico. Como os melhores.

Depois vieram os filmes. Surpreendente o curta Recife Frio.

Mais tarde, a estreia na ficção de longa metragem. O Som ao Redor confirmava que Kleber era da linhagem dos cineastas bem-sucedidos quando migram da crítica para a direção. Feito Truffaut ou Godard, os exemplos que logo me ocorrem.

Kleber Mendonça Filho não venceu somente o primeiro grande desafio (deixar de ser crítico para ser cineasta). Acaba de vencer outro: realizar um segundo filme tão bom quanto o primeiro. Ou talvez melhor.

Sônia Braga Aquarius

Aquarius, em cartaz nos cinemas brasileiros desde a última quinta-feira (01), é um grande filme. No nível de qualquer grande filme realizado no mundo atualmente.

O tema da resistência, traduzido no comportamento da personagem de Sônia Braga, combina com os que aplaudem o filme com o mesmo sentimento que levou Kleber e equipe a um protesto contra o governo Temer no Festival de Cannes. Mas seria reducionista vê-lo apenas por esse prisma.

O protesto de Kleber foi legítimo, como será se o filme for escolhido para representar o Brasil no Oscar e ele quiser repetir a manifestação na cerimônia de entrega das estatuetas.

Mas tudo isso parece diminuir Aquarius.

Um filme com os méritos que esse ostenta não pode estar circunscrito às paixões do Brasil de hoje.

Impressiona em Aquarius (como em O Som ao Redor) o fato de que estamos diante de um realizador excepcional. Como nenhum outro que vimos surgir no Brasil desde que o cinema nacional começou a se recuperar da destruição imposta pelo governo Collor.

Kleber Mendonça Filho soube, com maestria, transformar teoria em prática. O que ele escrevia como crítico virou filmes. O domínio da arte de fazer cinema está em cada momento de Aquarius.

A construção da trama, as suas tensões, o texto, as sutilezas da narrativa, as marcas de originalidade, a dimensão humana dos personagens, as referências, a direção de atores, o uso da trilha pré existente, os ruídos de fora – tudo é enormemente bem resolvido. Como já era em O Som ao Redor.

Posso dizer que ver Aquarius é uma experiência fascinante e perturbadora. Mas a verdade é que não há palavras que traduzam o prazer estético de assistir a um filme de Kleber Mendonça Filho!

Se “Aquarius” é o melhor, deve mesmo ser o Brasil no Oscar! Por que não?

“Aquarius”, o novo filme de Kleber Mendonça Filho, terá lançamento nacional na próxima quinta-feira (01/09). Já chega cercado por algumas polêmicas.

Em Cannes, o filme virou notícia porque Kleber e equipe fizeram um protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Não é preciso concordar, mas a manifestação é legítima, sim!

Depois, veio a questão da classificação. A produção almejava 16 anos. O Ministério da Justiça deu 18 anos. Retaliação? Se foi, é simples, depõe contra o governo Temer.

Agora, o Oscar. “Aquarius” será o representante do Brasil na disputa do melhor filme estrangeiro? O governo brasileiro atuará politicamente para evitar que isso aconteça? Dois filmes (“Boi Neon” e “Mãe Só Há Uma”) já se retiraram em favor de “Aquarius”.

Minha opinião: se “Aquarius” é mesmo o melhor filme brasileiro da temporada (vamos conferir!), deve ser o nosso representante no Oscar. O receio do governo Temer de que Kleber Mendonça Filho comande um protesto durante a cerimônia revela o quanto são atrasadas e mesquinhas as nossas relações políticas.

Antes de “Aquarius”, Kleber Mendonça Filho realizou “O Som ao Redor”. Um grande filme, no nível do que se faz de melhor no mundo inteiro.

O cinema de Kleber Mendonça Filho engrandece o Brasil!

Deixem o cineasta se manifestar livremente!

A livre manifestação dele também nos engrandece!

Trailer oficial de “Aquarius” é divulgado. Estreia será em setembro

O trailer oficial de “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, foi divulgado nesta segunda-feira (27). O segundo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho (o primeiro é “O Som ao Redor”) tem estreia marcada para o dia primeiro de setembro.

No Festival de Cannes, Kleber e elenco foram notícia por causa do protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas o protesto passa, e o filme fica.

Os paraibanos Fernando Teixeira e Buda Lira estão no elenco e aparecem no trailer. Vejam.