Michael Cimino, diretor de “O Franco Atirador”, morre aos 77 anos

O cineasta Michael Cimino morreu neste sábado aos 77 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada. Quem deu a notícia foi o diretor do Festival de Cannes, Thierry Fremaux, através do Twitter.

Cimino se projetou internacionalmente em 1978 quando dirigiu “O Franco Atirador”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme naquele ano. Seu projeto seguinte, “O Portal do Paraíso” foi um fracasso que praticamente arruinou sua carreira.

“O Franco Atirador” é considerado um dos grandes filmes sobre a guerra do Vietnã. Polêmico, expõe o contraste entre a vida numa cidade americana e a dura realidade da guerra.

Em seu dicionário de cineastas, Jean Tulard diz que “O Franco Atirador” marcou uma etapa na evolução do cinema americano, “um depoimento atulhado de símbolos sobre uma guerra que traumatizou a América”.

 

Coletânea de Paul McCartney (de tão boa) é irresistível!

O mercado de discos está repleto de coletâneas. A qualidade delas muitas vezes depende de um conceito. “O melhor de…” não é o suficiente para tornar atraente uma compilação.

Vejamos o caso de Paul McCartney. Aniversariante de junho (fez 74 anos), o beatle lançou uma caixa com quatro discos (no Brasil, temos a versão simplificada, com dois CDs).

“Pure McCartney” (Universal Music) teve o próprio Paul como curador. O conceito é dele: uma seleção para ouvir no carro durante uma longa viagem, em casa num final de tarde ou numa festa com os amigos.

O conceito é banal. Poderia ser outro: um extenso painel do cancioneiro solo de Paul McCartney montado por ele.

Mas o fato é que “Pure McCartney” desmente um pouco essa tese de conceito. As canções são tão boas que a coletânea se torna irresistível.

Uma das virtudes é que Sir Paul misturou lado A com lado B. Fora da ordem cronológica, canções menos óbvias se fundem aos grandes sucessos numa sequência de 39 números (na edição brasileira). Eles confirmam McCartney como um dos melhores do seu tempo quando o assunto é o artesanato da canção.

E fazem de “Pure McCartney” um excelente songbook.

Alceu Valença, 70 anos. Músico juntou Nordeste com o rock

O compositor pernambucano Alceu Valença, um dos nomes mais importantes da sua geração na MPB, chega aos 70 anos nesta sexta-feira (01/07).

Alceu despontou na primeira metade dos anos 1970, incorporando aos ritmos nordestinos elementos do pop/rock internacional. Essa fusão já havia sido experimentada pelos tropicalistas e reapareceu, lá na frente, no trabalho de Chico Science.

No seu primeiro grande show, em 1975, Alceu Valença era acompanhado pela banda pernambucana Ave Sangria e tinha ao seu lado, no palco, Zé Ramalho e Lula Cortes.

Alceu em João Pessoa 1975

(Na foto, apareço aos 16 anos entrevistando Alceu na passagem do show “Vou Danado pra Catende” por João Pessoa, em abril de 1975)

Mas o sucesso veio um pouco depois: no início da década de 1980, com os discos “Coração Bobo” e, sobretudo, “Cavalo de Pau”.

Fortemente influenciado por Jackson do Pandeiro, Alceu não brilha somente nos estúdios. É também um excelente performer nas apresentações ao vivo. E faz cinema: como ator, dirigido por Sérgio Ricardo, em “A Noite do Espantalho”, e como diretor, no recente “A Luneta do Tempo”.

Projeto McCartney é atração neste sábado no café da Usina Cultural

Waldir Dinoá

The McCartney Project é o show que Waldir Dinoá faz neste sábado (02) em João Pessoa. O repertório, com 29 músicas, reúne canções da época dos Beatles, do grupo Wings e da carreira solo de Paul McCartney.

O show, com duração de duas horas e meia, será apresentado às 21h no café da Usina Cultural da Energisa, no bairro de Tambiá.

Waldir Dinoá não é só um fã dos Beatles. É um estudioso do trabalho do quarteto e também da carreira solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Ele já apresentou The McCartney Project no Recife e agora está trazendo o show para João Pessoa.

Segundo Dinoá, o conceito do projeto é o mesmo em que se baseiam os shows que Paul McCartney vem realizando há mais de dez anos em suas turnês ao redor do mundo. Não faltarão homenagens a John Lennon e George Harrison, garante Waldir Dinoá.

No show, Dinoá, que toca baixo, guitarra e teclado, é apoiado por quatro músicos: Duda Jorge (guitarra e baixo), André Casimiro (guitarra), Nuno Mello Jr. (teclados) e Edu Montenegro (bateria).

No repertório, ele próprio destaca clássicos compostos por Paul na época dos Beatles (como “Let it Be” e “Get Back”), do grupo Wings (como “Band on the Run” e “Jet”) e na carreira solo (como “Coming Up”).

Aos fãs dos Beatles, Waldir Dinoá avisa: “we’re gonna have a party!”.

Alceu Valença faz 70 anos. Conheça os melhores discos

O compositor pernambucano Alceu Valença faz 70 anos nesta sexta-feira (01/07). É nome importante da música popular do Brasil, fundamental na Nação Nordestina. Em seguida, indico alguns discos de Alceu para audição (ou reaudição).

A NOITE DO ESPANTALHO

De 1974. Trilha-sonora do filme homônimo, dirigido por Sérgio Ricardo, também autor de todas as músicas. Alceu atua no filme (ao lado do seu conterrâneo e parceiro Geraldo Azevedo) e é o principal intérprete da trilha.

VIVO!

De 1976. O disco traz o registro, tecnicamente precário, mas historicamente muito importante, do show que projetou Alceu na cena musical dos anos 1970. Tem as presenças de Lula Cortes e do ainda desconhecido Zé Ramalho.

CORAÇÃO BOBO

De 1980. Disco que encaminha Alceu para o seu momento de maior sucesso comercial. Tem “Na Primeira Manhã” e deliciosas releituras de Luiz Gonzaga. A faixa-título era, originalmente, um dueto com Jackson do Pandeiro

Alceu Valença CDs

CAVALO DE PAU

De 1982. Com esse disco, Alceu conquista, afinal, o grande público. É muito executado nas emissoras de rádio e lota as casas onde se apresenta. No repertório, de apenas oito faixas, “Pelas Ruas que Andei” e “Morena Tropicana”.

ESTAÇÃO DA LUZ

De 1985. Disco maduro de um músico consolidado, artística e comercialmente. O hit “Estação da Luz”, adornado por belas cordas, puxa o repertório. A cidade de Olinda, onde Alceu mora, é homenageada nos versos do artista.

AMIGO DA ARTE

De 2014. Frevo, maracatu, ciranda. O músico revisita o que lhe é caro, como se olhasse de longe para seu próprio trabalho. O espírito carnavalesco, em vários frevos, domina o repertório. O dueto com a portuguesa Carminho é comovente.

 

 

“American Graffiti” é George Lucas antes de “Star Wars”

AMERICAN GRAFFITI

George Lucas

De 1973. O título em português é “Loucuras de Verão”, mas, nesse caso, prefiro o original. O jovem George Lucas, em seu segundo filme, já fizera ficção científica (em “THX 1138”), mas ainda não iniciara a franquia “Star Wars”, que o tornaria multimilionário.

A história de “American Graffiti” se passa em 1962, durante uma noite agitada numa cidadezinha da Califórnia. Rapazes e moças se divertem num ritual de despedida. Alguns vão para a universidade no dia seguinte.

Parece banal, mas não é. Fala do momento em que encaramos as responsabilidades da vida adulta. Fala também da geração de Lucas.

Harrison Ford faz sua estreia, numa ponta. Richard Dreyfuss, um dos rapazes, ficaria famoso em seguida. E Ron Howard trocaria a carreira de ator pela de diretor.

A trilha sonora é uma delícia!

George Lucas dizia que queria ganhar dinheiro com coisas como “Star Wars” para voltar a realizar filmes como “THX 1138” e “American Graffiti”. Não cumpriu a promessa.

Graffiti

Box com 15 CDs faz justiça à arte de Jackson do Pandeiro

Em crise, a indústria fonográfica há muito investe nos seus acervos para atingir o público que ainda tem o hábito de comprar CD. Nessa aposta, lança caixas que parecem inacreditáveis num tempo de poucas vendas. A mais recente é “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”.

O box da Universal Music foi recebido como um dos grandes lançamentos do ano. E é. São 15 discos que reúnem, não a íntegra, mas boa parte das gravações feitas por esse paraibano de Alagoa Grande entre a década de 1950 e o início da de 1980.

Não é à toa que Jackson ficou conhecido como o rei do ritmo. Ele de fato se notabilizou por uma muito peculiar divisão rítmica que marcava o seu jeito de cantar e tocar o instrumento que incorporou ao seu nome artístico.

Foi grande cantando forró e também muita música de carnaval (frevos e sambas). E exerceu notável influência sobre artistas como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai. Era urbano, enquanto Luiz Gonzaga era rural.

Os dois – Gonzaga e Jackson – se completam para orgulho da nação nordestina.

Questões autorais impediram que os discos fossem relançados em seus formatos originais. Apenas dois estão no box da Universal. Os demais (13 CDs) estão distribuídos em seis coletâneas duplas e uma simples. Os registros da fase Philips estavam bem preservados e permitiram uma remasterização muito boa.

O nome do produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour não pode ser esquecido. Sem ele, não haveria a preciosa caixa de Jackson do Pandeiro.

“Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo” é um lançamento cinco estrelas!

Lucy Alves brilha em “Velho Chico”. E uma história de Sivuca

A novela “Velho Chico” confirma o talento múltiplo de Lucy Alves. Já faz algum tempo que ela brilha como cantora e instrumentista. Agora também se destaca como atriz, atuando com muita desenvoltura ao lado de profissionais da teledramaturgia.

Sempre que vejo Lucy Alves, lembro de uma história de dez anos atrás, que quero contar aqui.

O ano era 2006. Fui ao apartamento de Sivuca e Glorinha Gadelha assistir ao DVD “O Poeta do Som”, que ainda não havia sido lançado. Um luxo. Ver ao lado de Sivuca, ouvindo a música e os comentários que ele ia fazendo sobre cada número gravado um ano antes no palco do Teatro Santa Roza.

Quando chegou a vez do número com o grupo Clã Brasil (“Visitando Zabelê”, tema composto por Glorinha), Sivuca me disse: “preste muita atenção nessa menina, ela é um grande talento”.

A menina ainda não se chamava Lucy Alves, mas já se destacava à frente do grupo formado com sua família.

Claro que lembrei de Sivuca quando a vi no “The Voice…”. E lembro novamente agora quando a vejo em “Velho Chico”.

Lula é líder de grandeza incomparável, diz Caetano em artigo

Brilhante, instigante, inteligentíssimo o extenso artigo de Caetano Veloso na revista online “Fevereiro”. Chama-se “Um voto”. Começa lá longe, no voto dele no marechal Lott, contra Jânio, e vem até o Brasil de Dilma. Contém as inquietações do artista sobre o destino do Brasil.

Deve ser lido com calma, na íntegra, posto que provoca reflexões muito oportunas sobre os impasses brasileiros. Mas caio na tentação de transcrever um pequeno trecho. Para provocar e estimular a sua leitura:

“Não quero ver o Brasil cindido. Estou certo de que desejo muito mais a grandeza do Brasil do que a prova da teoria da mais-valia ou o êxito total do capitalismo. Minhas motivações são de sonho de afirmação nacional, na crença de que podemos criar algo que ensine ao mundo a ternura de que falam tanto Mangabeira (Unger) quanto (Eduardo) Gianetti.

A volta de Lula? O pensamento sobre 2018 trouxe a hipótese. Lula é um líder de grandeza incomparável, talvez só Getúlio. Seu discurso em resposta à estranha decisão do juiz Moro de expedir uma condução coercitiva para levá-lo a depor sem que ele tivesse se negado a fazê-lo mostrou um político potente. Pouco depois, ele já aparecia como um ex-líder. Entristece, mas a fórmula de liderança populista é algo que me sugere retrocesso a velhos males latino-americanos”.

Morre guitarrista que ajudou Elvis a inventar o rock

Morreu o guitarrista que ajudou Elvis Presley a inventar o rock. Scotty Moore tinha 84 anos. Ele morreu nesta terça-feira (28) na sua casa em Nashville, nos Estados Unidos.

Scotty Moore estava com Elvis e o baixista Bill Black no estúdio da Sun Records em Memphis, na gravação de “That’s All Right Mama”. Para muita gente, aquele registro, de julho de 1954, é o marco zero do rock.

Foi naquela gravação que Elvis Presley fundiu o R & B dos negros com o country & western dos brancos e deu início a uma revolução.

Admirado pelos Beatles e pelos Rolling Stones, Scotty Moore trabalhou com Elvis de 1954 a 1968. Na despedida, num especial da NBC, foi parceiro de Elvis numa outra invenção: o unplugged, formato de show que a MTV difundiria com tanto sucesso na década de 1990.