Livro com texto atual acompanha estreia do remake de “Ben-Hur”

O remake de “Ben-Hur está chegando aos cinemas brasileiros, e o livro será colocado no mercado junto com o filme.

Só que não é o original de Lew Wallace, publicado em 1880, mas uma adaptação para uma linguagem contemporânea escrita por Carol Wallace, trineta do autor.

“Ben-Hur” conta a história de um príncipe judeu contemporâneo de Jesus Cristo e sua relação conflituosa com o melhor amigo. A edição brasileira tem tradução de Antônio Carlos Reis.

Carol Wallace, que atualizou o texto original, tem mais de 20 livros publicados.

“Ben-Hur” sai no Brasil pela editora Gutenberg.

No cinema, a versão 2016 de “Ben-Hur” tem Rodrigo Santoro no papel de Jesus Cristo.

 

Jaguaribe Carne volta às canções. Elas cabem nas transgressões de Pedro Osmar?

O grupo Jaguaribe Carne está de volta às canções. É o que se anuncia para a abertura do show de Tom Zé, no próximo sábado em João Pessoa.

Conheço Pedro Osmar, o mentor do grupo, desde 1971. Naquele tempo, ele só compunha canções, Paulo Ró ainda não fazia música, e o Jaguaribe Carne não existia.

Sua primeira safra de canções parece ter sido esquecida. Lembro pelo menos de duas: “Cogito Ergo Sum” e “Sobre o Tema Quase Três e o Mês”. Já revelavam o talento de Pedro.

“Baile de Máscaras”, que Elba Ramalho gravou mais tarde, é de uma fase mais madura.

Em meados dos anos 1970, Pedro Osmar passou um tempo no Rio. Quando voltou, articulou a Coletiva de Música da Paraíba. Nascia o Pedro preocupado com questões além da música, como se viu depois no Fala Jaguaribe e no Musiclube.

Era o começo do guerrilheiro cultural que estaria para sempre associado à figura dele.

Junto, vem o experimentalismo radical de quem ouviu os Beatles de “Revolution 9”, o Caetano Veloso de “Araçá Azul” e a música livre de Hermeto Pascoal. E vem o Jaguaribe Carne.

Em 1977, quando fez um circuito pelos colégios estaduais de João Pessoa (vi pelo menos quatro daqueles shows), Pedro Osmar não era só Pedro Osmar. Já era o Jaguaribe Carne, com o irmão (Paulo Ró) ao seu lado e com o percussionista Vandinho de Carvalho.

E, embora ainda houvesse canção, o tom experimental começava a marcar presença nas performances ao vivo. Depois nos discos.

Acho importante que Pedro tenha adotado o experimentalismo. Mas sempre considerei excessiva essa adoção. Como ouvinte, senti falta das canções. As que Paulo Ró nunca deixou de fazer.

Vamos ver como será essa retomada. Se haverá de fato uma retomada ou se ela ficará circunscrita a um show.

O personagem que Pedro criou para viver na nossa cena cultural é tão naturalmente transgressor que por vezes é difícil crer que caiba alguma canção dentro dele!

 

Com Usain Bolt no Brasil, dá vontade de ouvir reggae!

O velocista jamaicano Usain Bolt me motiva a reouvir o reggae. Claro que a partir de Bob Marley!

Não é de Marley, contudo, a primeira lembrança da Jamaica e da sua música. E sim das imagens e dos sons de “Dr. No”, o filme que, em 1962, inaugurou a série do agente 007. Ainda não é reggae o que ouvimos na aventura de James Bond, são algumas das suas fontes.

Reggae mesmo, ouvi quando o single “Vietnam”, de Jimmy Cliff, se incorporou à minha discoteca, por volta de 1970. E já ouvira, sem saber do que se tratava, em 1968, ano em que os Beatles gravaram “Ob-la-di Ob-la-da”. Uma versão branca do ritmo que Marley mostrou ao mundo.

A gravação dos Beatles não tem a “pegada” dos originais jamaicanos. Falta molho. Aponta, porém, para a força do fenômeno. E inaugura o que se consolidaria na década de 1970: a inequívoca adesão dos brancos à invenção que veio da Jamaica.

Paul Simon, Paul McCartney, Rolling Stones, Eric Clapton, Elton John, Led Zeppelin, Bob Dylan. Todos gravaram o reggae.

Numa entrevista que me deu há uns 25 anos, Cliff fez duras críticas à versão branca do reggae, mas não custa reconhecer que os grandes nomes do pop/rock internacional ajudaram a popularizar ainda mais a música criada pelos negros jamaicanos.

O melhor do reggae está em Marley, nos discos que gravou durante a década de 1970. Eles sintetizam a força do ritmo que os jamaicanos ofertaram ao mundo da música popular, exercendo uma influência notável sobre muito do que foi produzido depois por negros e brancos.

Cliff pode até ter razão na crítica ao que os astros brancos do pop/rock fizeram com o reggae. Pode estar certo ao afirmar que ninguém faz tão bem quanto os negros, que criaram e têm o domínio total da fórmula. Mas é necessário admitir que a adesão de artistas como Clapton e Dylan, Beatles e Stones, deu uma projeção internacional ao ritmo jamaicano que não pode ser desconsiderada.

O primeiro artista brasileiro a colocar a palavra reggae na letra de uma canção foi Caetano Veloso. Em “Nine Out of Ten”, composta e gravada no exílio londrino. Está no LP “Transa”, de 1972. A descoberta, no entanto, não foi dele, e sim de Gilberto Gil em suas andanças pela Londres da virada dos anos 1960 para os 1970.

Mais tarde, Gil verteria para o Português “No Woman No Cry”, do repertório de Bob Marley, que, em 1979, nos extertores da ditadura brasileira, transformou-se num dos hinos da anistia. Foi ele que apresentou o reggae a Dominguinhos, durante a turnê “Refazenda”, e ouviu do sanfoneiro uma definição tão simples quanto verdadeira: “É um xotezinho safado”.

O comentário de Dominguinhos remete a uma semelhança fácil de ser constatada. E antecipa o que ocorreria muito tempo depois. No início dos anos 2000, Gil gravou dois tributos: um a Luiz Gonzaga, o outro a Bob Marley. Um deu sequência ao outro. Mais do que isto: em algumas versões das músicas de Marley, Gil inseriu elementos da música nordestina. No ritmo, na melodia, até no uso da sanfona.

Mesmo que muitos cantem e toquem reggae no Brasil, é de Gilberto Gil o mérito de tê-lo difundido entre nós. Sua versão de “No Woman No Cry” acabou por incorporar-se ao seu repertório como se a canção tivesse sido escrita por ele.

“Garota de Ipanema” é mais procurada no Spotify depois da abertura da Olimpíada

Aumentou 1200% o número de pessoas que recorreram ao Spotify para ouvir “Garota de Ipanema” depois que a música de Tom Jobim & Vinícius de Moraes foi usada na abertura da Olimpíada, durante o desfile de Gisele Bundchen.

A música é uma das mais executadas no mundo e também uma das mais gravadas, com centenas de registros. A gravação que lhe deu dimensão internacional foi a de João Gilberto, Astrud Gilberto e o saxofonista de jazz Stan Getz. Está no disco “Getz/Gilberto”.

Quando cantada em inglês por algumas mulheres, tinha a letra alterada e virava “The Boy From Ipanema”, como nessa performance de Ella Fitzgerald.

Frank Sinatra e Tom Jobim cantaram “Garota de Ipanema” juntos, numa versão em inglês e português.

 

 

 

Zé Ramalho e Orquestra Sinfônica podem repetir concerto em praça pública

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Zé Ramalho e a Orquestra Sinfônica da Paraíba podem repetir o concerto apresentado na última sexta-feira (05) no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções. Só que, desta vez, será em praça pública, para uma plateia muito maior.

Conversei rapidamente com o governador Ricardo Coutinho depois do concerto, e ele me disse que estuda essa possibilidade. O concerto – me disse – poderia ser realizado na Praça do Povo, do Espaço Cultural.

Não é uma promessa. Por enquanto, é um desejo. Que se concretize.

Um público maior do que as quase três mil pessoas que foram ao teatro do Centro de Convenções merece ver o belo encontro de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica.

“Ben-Hur”, o de 1959, tem subtexto homossexual. Você sabia?

“Ben-Hur” está de volta. O remake que tem Rodrigo Santoro no papel de Jesus Cristo entra em cartaz dentro de alguns dias. Mas não é dele que quero falar e sim da versão de 1959.

O “Ben-Hur” de 1959, dirigido por William Wyler e estrelado por Charlton Heston, é um grande filme. Cinemão, sim, mas irretocável. Poucos épicos são tão bons quanto ele, não importa o que digam os seus críticos.

A corrida de bigas, então, é um momento à parte. Sobrevive fora do filme!

“Ben-Hur” salvou as finanças da Metro, ganhou o Oscar em 11 categorias e entrou para a história do cinema como um espetáculo extraordinário. Mas há um aspecto que nem sempre é lembrado quando o assunto é “Ben-Hur”: o subtexto homossexual do filme.

Você sabia que “Ben-Hur” tem um subtexto homossexual? Pois tem!

“Ben-Hur” conta uma história que se passa no tempo de Jesus Cristo. Jesus não é o personagem principal, mas está na trama. O personagem central é Judah Ben-Hur. Na corrida de brigas, ele duela com Messala, que no passado fora seu melhor amigo.

O escritor Gore Vidal, um dos roteiristas, inseriu uma nítida homoafetividade entre os dois personagens. Charlton Heston fez Ben-Hur sem saber. Mas Stephen Boyd fez Messala sabendo e trabalhou com esse dado ao construir o personagem.

Veja a cena do reencontro dos dois, com o depoimento de Gore Vidal, e tire suas dúvidas. É óbvio demais!

 

 

Celso Furtado dirigiu a pick up da Sudene para mostrar o Recife a Sartre

Celso Furtado e Kennedy

Entrevistei (junto com Otinaldo Lourenço) Celso Furtado para um programa da TV Cabo Branco. Foi numa noite qualquer do ano de 1989. Perto da primeira eleição presidencial depois do golpe de 64.

Fui buscar o professor numa livraria no centro de João Pessoa. Ele estava numa sessão de autógrafos. Fui com a consciência de que estava diante de um grande brasileiro.

Cresci ouvindo falar de Celso Furtado dentro de casa. O economista, o pensador, o primeiro superintendente da Sudene, o ministro de Jango, o professor no exílio. Celso estava sempre presente nas conversas e nas leituras do meu pai.

Os impasses brasileiros conduziram a entrevista. Os descaminhos da economia, as saídas que ele enxergava. E um pouco de memória: o encontro com o presidente Kennedy e a visita de Sartre ao Recife.

Celso Furtado dirigiu uma pick up da Sudene para mostrar o Recife a Sartre!

Depois da gravação, um tema inevitável: as eleições presidenciais que se aproximavam. Eu disse que votava em Brizola. Ele em Ulysses Guimarães. Mas temia que Collor fosse o vitorioso. Temíamos!

Foi aí que veio a frase inesquecível: “as elites brasileiras são muito atrasadas. Elas são tão atrasadas que não admitem nem Dr. Ulysses”.

Depois de Collor, tivemos o sociólogo Fernando Henrique, o operário Lula, a guerrilheira Dilma.

Celso Furtado estava equivocado em sua observação? Às vezes penso que sim. Muitas vezes, penso que não!

Na foto, Celso Furtado com o presidente Kennedy na Casa Branca.

Rolling Stones voltam desnudados, mas plugados

Em meados dos anos 1990, os especiais unplugged, da MTV, estavam na moda. O artista, desplugado, tocava para uma pequena plateia. Eric Clapton fez, Paul McCartney, Bob Dylan, Rod Stewart, até o Nirvana. Era um sucesso absoluto.

Em 1995, em meio à turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones resolveram aderir ao modismo. Como são politicamente incorretos, fizeram ao modo deles. Nem unplugged, nem na MTV. Foram intimistas, sim, mas apenas desnudados. Meio elétricos, meio acústicos.

O disco “Stripped” foi lançado no final de 1995, no mesmo momento em que o primeiro volume da antologia dos Beatles chegava às lojas.

Agora, passados 21 anos, o “Stripped” está de volta e se chama “Totally Stripped”. No Brasil, a Som Livre já colocou no mercado a edição standard com um CD e um DVD.

Durante a turnê “Voodoo Lounge”, os Rolling Stones fizeram alguns shows para pequenas plateias e algumas regravações em estúdio. Esse conteúdo gerou o disco de 1995 e um documentário exibido na televisão.

O “Totally Stripped” revisita todo o material. Mas a edição brasileira contém apenas um DVD com o documentário da época e um CD com 14 faixas.

O “Stripped” de 1995 era mais acústico. O “Totally” de 2016 é menos. O de 1995 era mais lado B. O de 2016 tem diversos lados A. Não faz diferença, se você é fã da banda!

O essencial é: os Rolling Stones estão irresistíveis no formato. Vamos traduzir assim: plugados e desnudados!

 

 

 

 

Caetano Veloso, aniversariante do dia, em duas grandes frases

Neste domingo (07), Caetano Veloso completou 74 anos.

Aqui na coluna, marco a data com duas grandes frases dele. Foram pronunciadas em 1968, enquanto a plateia o vaiava, durante o discurso lúcido e enfurecido de “É Proibido Proibir”:

“Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos”.

“Então é esta a juventude que diz que quer tomar o poder?”.

São frases de 1968, mas elas não valiam somente para aquele ano convulsionado. Puderam ser invocadas muitas vezes ao longo dos anos. E creio que ainda podem!

Moonwatchers: Paraíba teve rastreador de satélites na corrida espacial

Hoje, peço permissão aos leitores da coluna para contar uma história.

A corrida espacial começou no dia quatro de outubro de 1957, quando a União Soviética colocou um satélite artificial (o Sputnik) em órbita da Terra. Os americanos vieram depois.

Satélites, voos suborbitais, animais em órbita (a cadelinha Laika) e, finalmente, o homem.

Yuri Gagarin foi o primeiro, no dia 12 de abril de 1961. O cosmonauta soviético, a bordo da nave Vostok, resumiu tudo numa frase:

A Terra é azul!

No início dos anos 1960, os americanos criaram um programa internacional de rastreamento de satélites. Eles queriam saber o instante exato em que aqueles pequenos pontos luminosos cruzavam os céus das cidades do mundo.

O programa se chamava Moonwatcher e foi desenvolvido pelo Smithsonian Institute. Os voluntários que o instituto reuniu foram batizados como moonwatchers e receberam riquíssimas cartas celestes, um cronômetro suíço de absoluta precisão, um pequeno telescópio e crédito telegráfico para o envio das informações.

O Brasil teve apenas dois moonwatchers. Um deles era paraibano. Montou seu modesto posto de observação no quintal da casa onde morava, no bairro de Jaguaribe, aqui em João Pessoa.

Foram centenas de observações. Milhares, talvez. Todas enviadas aos americanos. Um admirável trabalho num tempo de comunicações precárias e sem os recursos tecnológicos que a própria corrida espacial ajudaria a desenvolver.

Em 1968, o pequeno telescópio ficou obsoleto. O Smithsonian Institute enviou outro, mais moderno, mais potente. O equipamento ficou preso na alfândega. O governo brasileiro não facilitou a liberação. O moonwatcher não admitiu pagar propina e abandonou o programa.

O rastreamento de satélites saiu da sua vida no turbulento ano de 1968, mas não o amor à astronomia. Na virada da década de 1960 para a de 1970, ainda teve uma passagem pelo Observatório Astronômico da Paraíba.

Depois, apenas contemplava o céu à noite. E dividia com as pessoas a alegria de observar os astros.

O moonwatcher paraibano se chamava Onildo Lins de Albuquerque. Era meu pai. Comunista, ateu, homem dividido entre a precisão dos números e as angústias do ser. Se estivesse vivo, hoje (07) completaria 80 anos.

Ilustrei o texto com o Estudo Revolucionário, de Chopin, porque era uma das músicas prediletas do meu pai.