Montreux: ao lado de Santana, músico paraibano garante: “um dos meus heróis!”

Santana e Washington

Nesta quinta-feira (14), o guitarrista paraibano Washington Espínola, radicado na Suiça desde os anos 1990, realizou um dos seus sonhos: conversar com o mexicano Carlos Santana, um dos maiores guitarristas do mundo. O encontro foi no Montreux Jazz Festival.

Washington, claro, não resistiu. Postou a foto no Facebook e escreveu: “one of my heroes”.

Santana não é um herói somente para Washington. É para milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. Um músico de grande talento que misturou os ritmos latinos com o rock, migrou para o jazz rock, flertou com a música brasileira e está em cena há quase meio século com sua guitarra de inconfundível assinatura.

Santana acaba de lançar um disco com músicos dos quais havia se separado em 1971. É um pedaço da sua banda da Era Woodstock. A última vez que o quinteto tocou junto foi em 1971, no disco “Santana III”, e, por isso, o novo disco se chama “Santana IV”.

Santana (guitarra), Gregg Rolie (teclados), Neal Schon (guitarra), Mike Carabello (percussão) e Michael Shrieve (bateria) lançaram “Santana IV” em abril. O disco talvez não produza clássicos como os que estão naquela trilogia da virada dos 60 para os 70. Mas, certamente, é um deleite para os fãs. Como nosso Washington Espínola.

“Caça-Fantasmas” estreia nesta quinta, e trilha chega às lojas amanhã

“Caça-Fantasmas” estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas brasileiros, e a trilha sonora oficial do filme será lançada amanhã pela Sony Music no mercado nacional.

Nomes como 5 Seconds of Summer, Zayn, Mark Ronson, Fall Out Boy e Missy Elliott fazem parte da trilha do filme inspirado no grande sucesso da década de 1980.

A faixa “Ghostbusters (I’m Not Afraid)”, resultado da parceria entre o Fall Out Boy e a rapper Missy Elliott, é um dos destaques do álbum. É uma regravação do tema da versão original de “Caça-Fantasmas”.

A versão 2016 de “Caça-Fantasmas” é dirigida por Paul Feig e tem no elenco Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones e Chris Hemsworth.

As faixas da trilha sonora:

01. Ghostbusters – Walk the Moon

02. Saw It Coming – G-Eazy X Jeremih

03. Good Girls – Elle King

04. Girls Talk Boys – 5 Seconds Of Summer

05 wHo – Zayn

06. Ghostbusters – Pentatonix

07. Ghoster – Wolf Alice

08. Ghostbusters (I’m Not Afraid) – Fall Out Boy feat. Missy Elliott

09. Get Ghost – Mark Ronson, Passion Pit & A$AP Ferg

10. Party Up (Up In Here) – DMX

11. Rhythm Of The Night – DeBarge

12. American Woman – Muddy Magnolias

13. Want Some More – Beasts Of Mayhem

14. Ghostbusters – Ray Parker Jr.

Hector Babenco, cineasta de “Pixote” e “Carandiru”, morre aos 70 anos

O cineasta Hector Babenco morreu no final da noite desta quarta-feira (13) aos 70 anos de uma parada cardíaca. Estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para fazer uma cirurgia. Argentino, Babenco começou a fazer filmes no Brasil na década de 1970.

Na sua filmografia, destacam-se “Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, A Lei dos Mais Fraco” (1981), “O Beijo da Mulher Aranha” (1985) e “Carandiru” (2003).

“O Beijo da Mulher Aranha” concorreu ao Oscar e deu projeção internacional ao diretor.

Quando Babenco começou a fazer cinema no Brasil, o país vivia sob a ditadura militar, e a produção artística era submetida à censura. O Cinema Novo havia acabado, e os sobreviventes do movimento lutavam por um lugar no mercado.

Com “Lúcio Flávio” e, sobretudo, “Pixote”, Babenco obteve o respeito da crítica e do público. E mostrou que tinha intimidade com temas que afligiam o Brasil.

Em “Pixote”, ficção e realidade se confundiram num desfecho trágico. O garoto Fernando Ramos da Silva foi retirado de uma situação não muito diferente da do personagem principal e transformado em ator. Mais tarde, acabou executado pela polícia num episódio que envergonha o Brasil.

Babenco fez cinema antes e depois da Era Collor, que dizimou a produção nacional. Conviveu com a luta pelo mercado no pós Cinema Novo e buscou afirmar-se outra vez a partir do que foi chamado de “retomada”.

Reencontrou o sucesso quando realizou “Carandiru”.

W.J. Solha diz que política tem muito de religião. E que não adianta discutir

Começo, hoje, transcrevendo texto que o escritor W.J. Solha postou no Facebook. Faz parte da série “Cenas Indeléveis”.

Com a palavra, W.J. Solha:

QUANDO SUA OPINIÃO DIFERE DA DE TANTA GENTE QUE VOCÊ ADMIRA

Chico Buarque é o gênio criador – entre muitas outras coisas – da Ópera do Malandro e da música de Morte e Vida Severina. Kleber Mendonça Filho foi o roteirista e o diretor – entre outros filmes – de O Som ao Redor, de que tive a honra de participar: também gênio. Bastam-me esses dois exemplos.

Porque abomino Lula e Dilma, que os dois veneram, e ao me perguntar por que não me sinto desconfortável com isso, respondo-me que política tem muito, muito de religião, inclusive com seus relapsos, adeptos e fanáticos, e não adianta discutir nenhuma das duas.

O fato de T.S. Eliot – imenso poeta, e Tólstoi – romancista maior – terem alardeado suas conversões ao cristianismo, não me fez retroceder um passo do que escrevi a respeito do evangelho, nem de minha enorme admiração pelos dois.

Velhos exemplos: Pound, grande poeta, grande teórico da poesia: fascista. Heidegger, o filósofo: nazista. Coisas do ser humano.

Saliento o que digo em meu último livro publicado – DeuS e outros quarenta PrOblEMAS:
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 um bilhão e duzentos milhões de muçulmanos têm fé absoluta de que os quinze milhões de judeus – contra os quais são irados – estão errados,
 e de que também estão errados os dois bilhões e cem milhões de cristãos 
e os ateus e os pagãos, 
além dos trezentos e trinta milhões de budistas, novecentos milhões de hinduístas.

Assim como os dois bilhões e cem milhões de cristãos têm fé em que os outros é que estão errados, e isso vale pra todos os lados.

 

O essencial de João Bosco está nos discos dos anos 1970

Os melhores discos de João Bosco (70 anos nesta quarta, 13) foram gravados e lançados na década de 1970. São do tempo em que tinha Aldir Blanc como parceiro. Reúnem o essencial do seu trabalho, mesmo que tenha produzido (e continue produzindo) muita coisa boa depois.

Aí estão eles:

“Caça à Raposa” (1975)

“Galos de Briga” (1976)

“Tiro de Misericórdia” (1977)

“Linha de Passe” (1979)

E as capas:

Bosco capas

Dia do Rock: Chuck Berry Fields Forever!

Chuck Berry, um dos fundadores do rock. Com sua guitarra e os riffs que criou.

Strawberry Fields Forever, a canção deslumbrante que John Lennon compôs no tempo dos Beatles.

Em 1978, ao difundir sua adesão ao rock, Gilberto Gil prestou atenção nas sonoridades semelhantes (Chuck Berry, Strawberry) e fez “Chuck Berry Fields Forever”. É assim:

E assim gerados

a rumba, o mambo, o samba, o rhythms and blues

tornaram-se os ancestrais, os pais

do rock’n’ roll

Rock é nosso tempo, baby

rock’n’ roll é isso

Chuck Berry fields forever

os quatro cavaleiros do após calipso

o após calipso

rock’n’ roll, capítulo um

versículo vinte

sículo vinte

século vinte e um!

Hoje cedo, falei das bandas. Posto agora a canção de Gil como homenagem a Chuck Berry. E a tantos artistas (Elvis, Dylan, Hendrix) que não mencionei.

João Bosco faz 70 anos como um dos grandes da música brasileira

“Responderei não!”. Bradava João Bosco no final de “Agnus Sei”, tal como o ouvimos pela primeira vez, 42 anos atrás.

O cantor/compositor/violonista, mineiro que foi para o Rio, entrava em cena num compacto simples de bolso do Pasquim (no outro lado, Tom Jobim e sua novíssima “Águas de Março”). Voz e violão num registro que impressionava, que provocava impacto: pelo canto, pela melodia, pelo domínio do instrumento, pelos versos do parceiro, Aldir Blanc.

Quase quatro décadas e meia se foram, e agora Bosco chega aos 70 anos (nesta quarta, 13) como um dos grandes nomes da música popular do Brasil. Domingo passado, cantou na Brazilian Night do Festival de Jazz de Montreux.

O melhor de João Bosco, para mim, é o que ele produziu ao lado de Aldir Blanc. Seus discos da década de 1970 são primorosos. Naquela época, como Ivan Lins e Vítor Martins e também como Gonzaguinha, Bosco e Blanc eram vozes engajadas nas lutas da sociedade civil contra a ditadura.

O engajamento às vezes limita o artista, o associa de tal modo a um momento histórico que sua produção logo se torna datada. João Bosco e Aldir Blanc correram este risco, mas a musicalidade do primeiro e o talento poético do segundo permitiram que as músicas que compuseram resistissem ao tempo. E, após a redemocratização, funcionassem como evocação daquelas lutas.

Bosco e Blanc tiveram uma intérprete extraordinária. Algumas das suas canções ganharam registros definitivos na voz de Elis Regina. Do samba “Bala com Bala” ao bolero “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”. Da crônica amarga de Blanc em “Bodas de Prata” ao hino da anistia, “O Bêbado e a Equilibrista”.

A técnica e a emoção de Elis foram colocadas a serviço da produção da dupla ao longo da década de 1970. Ela os gravou várias vezes nos grandes discos que fez sob a batuta de César Camargo Mariano a partir de 1972, justamente o ano em que Bosco apareceu no disquinho do Pasquim com “Agnus Sei”.

Nos 70 anos de João Bosco, volto a “Agnus Sei” num registro de quatro anos atrás (está no disco “40 Anos Depois”). A música ganha como adornos os falsetes de Milton Nascimento.

O “responderei não!” de agora soa mais brando. Curioso: serve como comentário sobre o presente. “Os heróis do bem prosseguem na brisa da manhã”. Será?

O verso de Blanc, retido na memória, continua belo. Como as melodias de Bosco.

Dia do Rock: bandas que ajudam a compreender o fenômeno

Hoje é o Dia do Rock.

O gênero que revolucionou a música popular e a indústria do disco na segunda metade do século XX já é sexagenário. “Rock Around the Clock”, com Bill Haley, é de 1954. E a explosão de Elvis Presley ocorreu em 1956.

Há muitos caminhos quando se quer falar sobre o rock. Aqui, escolhi os grupos que nos ajudam a compreender o fenômeno. Vamos a eles.

Grupos? Bandas? No passado, o público brasileiro chamava de conjuntos. Eram pequenas formações (três, quatro ou cinco elementos) comandadas por guitarras elétricas. Mais contrabaixo e bateria. No máximo, um teclado. Ou um saxofone.

Bill Haley and His Comets, Buddy Holly and The Crickets, Gene Vincent and His Blue Caps. Nos anos 1950, no advento do rock’n’ roll, os nomes indicavam que os músicos eram meros acompanhantes das estrelas.

Na década seguinte, vieram os grandes grupos, nos quais importava mais o conjunto do que os seus integrantes, embora, mais tarde, estes também tenham se projetado individualmente. Dentro ou fora das bandas a que pertenciam.

A fluidez melódica: Beatles. A presença do blues: Rolling Stones. O psicodelismo que desaguou no progressivo: Pink Floyd. O rock pesado: Led Zeppelin. A criação da ópera-rock: The Who. O conceito de power trio: Cream.

Seis grupos essenciais, seis fundamentos para quem quer se debruçar sobre a história e o papel desempenhado pelas bandas de rock. Está tudo nelas, dos rudimentos às maiores ousadias. E são todas inglesas.

Na América, os Byrds fundiram Beatles e Bob Dylan. O folk deste com as guitarras daqueles. Os Doors tinham no comando um cara que queria ser poeta: Jim Morrison. Sua personalidade, de tão forte, se sobrepôs ao sentido de grupo.

A década de 1960 resume tudo. Mas seguimos com Queen, Clash, Police, U2, Nirvana. Bandas que foram mudando o rock. A música, a atitude, o show, o negócio. Elas resistiram ao tempo, chegaram ao século XXI.

O rock provocou uma revolução. No vídeo que postei, os Beatles e sua “Revolution”, no convulsionado ano de 1968.

Dia do Rock: bandas da cena musical de João Pessoa lançam box com seis EPs

Subfolk

Seis bandas da cena musical contemporânea de João Pessoa lançam nesta quarta-feira (13) um box com seis EPs. O lançamento dos discos coincide com o Dia Mundial do Rock. Será com um show na Skate Plaza, em Manaíra, a partir das três da tarde.

As bandas reunidas no projeto são Zefirina Bomba, A.E.P., Urubu, Stress City, Venus in Fuzz e Hisbadself.

O músico Ilsom Barros (Zefirina Bomba), idealizador do projeto, disse que o box de EPs é fruto do esforço mútuo da Suffolk (selo de Ilsom), do estúdio Peixe-Boi, das seis bandas e do artista plástico Rael Brian, que fez a arte das capas.

É Ilsom que define: a ideia era entrar no estúdio e, com o mesmo backline, produzir materiais próprios que se integrassem. Cada banda gravou quatro números.

E é de Ilsom Barros a fala final:

Tem muita coisa acontecendo na cidade, emergindo da falta de espaços, destes tempos de demência, onde tudo chega pronto, da inconformidade com o total desinteresse de alguns em ouvir algo novo. 

Vamos ouvir!

Os Titãs não são a melhor banda de todos os tempos da música brasileira

Paulo Miklos deixou os Titãs referindo-se ao grupo como a melhor banda de todos os tempos da música brasileira. Como gentileza, vale. Mas é um exagero.

Os Titãs não são nem ao menos a melhor banda brasileira do rock dos anos 1980. Embora tenha feito um disco essencial (“Cabeça Dinossauro”), o grupo tem ao seu lado mais três bandas importantes nos 80:  o Barão Vermelho, que nos legou Cazuza; Os Paralamas do Sucesso, longevo power trio comandado por Herbert Vianna; e o Legião Urbana de Renato Russo.

Se me fosse pedido para escolher a melhor banda de todos os tempos da música brasileira, ficaria com Os Mutantes. O trio (depois quinteto) formado em São Paulo na segunda metade dos anos 1960 fez rock de vanguarda no nível do que se produzia de melhor no rock do mundo.

Nos anos 1970, citaria Os Novos Baianos, outro grupo fundamental para a música brasileira. Seu disco “Acabou Chorare” aparece sempre na lista dos melhores discos feitos no Brasil.

Os Mutantes foram tropicalistas. Os Novos Baianos, pós. Ambos incorporaram ao rock elementos da música popular brasileira. E foram muito felizes nessa fusão.