Falam mal da Som Livre só porque ela é a gravadora da Globo

Leio que a Som Livre está completando 50 anos nesta terça-feira (12).

É uma data significativa num mercado que enfrenta tantas dificuldades como o fonográfico.

Falam muito mal da Som Livre.

Querem saber o motivo?

Porque ela é a gravadora da Globo. Nada mais.

Os que falam mal esquecem (ou desconhecem) que essa marca, esse braço fonográfico da Globo lançou artistas e discos muitíssimo importantes.

Seu catálogo mais conhecido é o de trilhas de novelas, e algumas são muito boas, mas quero destacar alguns títulos antológicos da Som Livre a partir do que tenho na minha discoteca.

Fotógrafo dos Beatles, Robert Freeman morre aos 82 anos

Os Beatles e seus mortos. Há mais um numa lista que já é extensa.

O fotógrafo britânico Robert Freeman morreu aos 82 anos.

Ele ficou famoso pelo trabalho que realizou com o quarteto.

Suas lentes testemunharam o auge da Beatlemania.

Freeman também fotografou grandes nomes do jazz e o primeiro calendário da Pirelli.

Mas é aos Beatles que seu nome está para sempre associado.

Freeman registrou o cotidiano do grupo – sua intimidade e suas aparições públicas – e também botou sua assinatura em várias capas de discos:

With The Beatles (e a versão americana, Meet The Beatles), Beatles for Sale, Help! e Rubber Soul.

Tinha especial afeição pelo preto & branco.

Robert Freeman era um mestre da imagem.

Na bancada do JN, Larissa Pereira engrandece jornalismo paraibano

Começo com algo que disse a Larissa Pereira quando ela foi escolhida para representar a Paraíba na comemoração dos 50 anos do Jornal Nacional:

Que eu torcia para que, no dia dela, o JN não fosse “morno” como costuma ser em suas edições de sábado.

E é natural que assim seja porque os dias úteis geram uma quantidade muito maior de fatos do que os sábados.

Na semana passada, fizemos – eu e ela – um exercício:

Com o julgamento da prisão em segunda instância marcado para o dia sete, era possível que o sábado nove coincidisse com a libertação do ex-presidente Lula.

Lula foi libertado na sexta (08), mas isso garantiu um bom factual para o sábado.

O Jornal Nacional apresentado por Larissa Pereira e Matheus Ribeiro (de Goiás) teve a reportagem sobre a volta de Lula a São Bernardo com a fala dele para a multidão reunida ao lado do Sindicato dos Metalúrgicos.

Teve também a comemoração, na Alemanha, dos 30 anos da queda do Muro de Berlim – um episódio marcante do nosso tempo.

Mas vamos à performance da paraibana.

Na bancada do JN, Larissa Pereira deu um show.

Exibiu para o país o seu talento e a sua maturidade.

Ao mesmo tempo em que reconheceu o significado de estar ali, apresentando o Jornal Nacional, não se intimidou com o tamanho do desafio.

Comportou-se e conduziu o telejornal com segurança e serenidade, com absoluto domínio do seu ofício.

No final, na hora do boa noite, se disse honrada e agradecida, do mesmo modo com que se dirige aos telespectadores da sua João Pessoa.

E deixou no ar um recado sutil: o orgulho de ser Paraíba.

Sim. Somos todos Paraíba!

Larissa Pereira, com seu talento, engrandece o jornalismo paraibano.

Missão cumprida com louvor!

Nos 30 anos da queda do Muro de Berlim, Cupido Não Tem Bandeira

Neste sábado (09), faz 30 anos da queda do Muro de Berlim.

Gerardo Parente, grande pianista e professor cearense que viveu e morreu na Paraíba, estava lá naquele nove de novembro de 1989, numa viagem de turismo.

Ele não resistiu: trouxe um pequeno pedaço do muro para casa.

Gerardo sabia da dimensão do fato que testemunhou com seus olhos sensíveis.

Você é dos que viram a liberdade na queda do Muro de Berlim?

Ou é dos que sofreram com a derrocada do bloco socialista?

Não importa.

Nesses 30 anos do episódio que reunificou a Alemanha, sugiro um filme, entre tantos que abordam os conflitos advindos da edificação do muro.

É Cupido Não Tem Bandeira.

Leva a assinatura do mestre Billy Wilder em uma das suas comédias implacáveis.

O bom é que o filme de Wilder é de 1961, o ano em que o Muro de Berlim começou a ser construído.

Hoje tem Larissa no Jornal Nacional

Chegou o dia de ver Larissa Pereira no Jornal Nacional.

Neste sábado (09), ela vai estar na bancada, apresentando o JN ao lado de Matheus Ribeiro, da TV Anhanguera, de Goiás.

Larissa representa a Paraíba na comemoração dos 50 anos do Jornal Nacional.

No final da edição de ontem, ela foi apresentada aos telespectadores.

Ali na bancada, naquela conversa rápida, Larissa disse coisas muito importantes.

Vou resumir assim: a fala dela foi sobre o papel do jornalismo profissional, sobre a necessidade do jornalismo profissional.

Comentário lúcido num momento em que nós, jornalistas profissionais preocupados com o destino do nosso ofício, somos atacados cotidianamente nas redes sociais pela atuação de não jornalistas.

Na foto, Larissa Pereira e Edilane Araújo ao lado de William Bonner.

Bolsonaro dá comando da cultura a quem ofendeu Fernanda Montenegro

O teatrólogo Roberto Alvim é o novo secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro.

Ele era um dos diretores da Funarte e foi promovido.

Alvim é o homem que ofendeu Fernanda Montenegro poucos dias antes da grande atriz completar 90 anos.

É dele o post que transcrevo:

um amigo meu, bem-intencionado,
me perguntou hoje se não era hora de mudar de estratégia e chamar a classe artística pra dialogar.

não.
absolutamente não.

trata-se de uma guerra irrevogável.

a foto da sórdida Fernanda Montenegro como bruxa sendo queimada em fogueira de livros,
publicada hoje na capa de uma revista esquerdista,
mostra muito bem a canalhice abissal destas pessoas,
assim como demonstra a SEPARAÇÃO entre eles e o povo brasileiro.

temos, sim, que promover uma RENOVAÇÃO completa da classe teatral brasileira.
é o ÚNICO jeito de criarmos um RENASCIMENTO da Arte no Teatro nacional.

pq a classe teatral que aí está
é radicalmente PODRE.

e com gente hipócrita e canalha como eles,
que mentem diariamente, deturpando os valores mais nobres de nossa civilização,
propagando suas nefastas agendas progressistas,
denegrindo nossa sagrada herança judaico-cristã,
bom – com essa corja
NÃO HÁ DIÁLOGO POSSÍVEL.

A Secretaria Especial de Cultura foi transferida do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo.

É lá que estará sob o comando de Roberto Alvim.

Alvim – que enxerga uma “canalhice abissal” na classe artística.

Alvim – para quem a classe teatral está “radicalmente podre”.

Alvim – que não vê diálogo possível.

Que credenciais tem Alvim para ser secretário especial de Cultura do governo federal?

As ofensas a Fernanda Montenegro o credenciaram?

Que recado Bolsonaro manda aos agentes culturais ao nomeá-lo para o cargo?

“A classe artística deve ficar feliz aí”, ironiza Bolsonaro após nomear Alvim – li no Globo.

Disse mais: “Cultura sadia para o Brasil”.

Dias atrás, em editorial, O Globo afirmou que Bolsonaro não tem apreço pela democracia.

A nomeação de Roberto Alvim confirma o que sempre soubemos: que o presidente também não tem qualquer apreço pela cultura.

Quem ainda lembra de Anselmo Duarte e sua Palma de Ouro?

Nesta quinta-feira (07), faz 10 anos que Anselmo Duarte morreu.

Ele foi de galã a grande diretor.

Na juventude, na Atlântida ou na Vera Cruz, era um dos rostos mais bonitos do cinema brasileiro.

Como diretor, a estreia veio com Absolutamente Certo.

O triunfo, com O Pagador de Promessas.

O filme, baseado no texto teatral de Dias Gomes, levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962.

François Truffaut foi um dos articuladores da vitória.

O Pagador de Promessas não é somente um grande filme. É um dos grandes momentos do cinema brasileiro em todos os tempos.

Creio que, a Anselmo, bastaria tê-lo realizado. Garantiria seu nome em lugar de destaque na nossa cinematografia.

Anselmo Duarte e o Cinema Novo eram incompatíveis. Foram separados por temas ideológicos, também por questões estéticas. Todos perderam.

Na infância, vi o ator em Juventude e Ternura. Fazia o empresário da jovem cantora interpretada por Wanderlea. Empresário e contrabandista.

Talvez a decadência do personagem falasse sobre os fracassos do próprio Anselmo, as dificuldades que enfrentava para construir uma carreira estável, uma trajetória à altura de quem assinou O Pagador de Promessas.

Sua vida de homem de cinema, no fundo, conta uma história melancólica.

Censor quis saber o que é reggae para liberar show de Caetano

Uma vez, nos anos 1970, acompanhei um amigo compositor numa ida à Censura.

Ele levava músicas que seriam examinadas para o repertório de um show.

A conversa do censor com o artista era tão absurda quanto inacreditável, mas as coisas funcionavam daquele jeito, sim.

Lembrei disso, dois dias atrás, quando vi artistas participando de um debate sobre censura no STF.

Caetano Veloso – um dos convidados pelo Supremo – contou uma história do tempo em que voltou do exílio.

Era o ano de 1972.

Antes, lembrou que, em 1968, compôs uma canção chamada É Proibido Proibir.

Em seguida, vieram o AI-5, a sua prisão, o confinamento em Salvador e, por fim, o exílio de dois anos e meio em Londres.

Na volta, percorria o Brasil com o show do disco Transa, que gravara na Inglaterra.

Nine Out of Ten – do repertório do disco e do show – é a primeira canção brasileira em que aparece a palavra reggae, o ritmo jamaicano que Caetano conhecera em Londres.

Walk down Portobello road to the sound of reggae
I’m alive

Quando o show chegou a Salvador, o artista foi chamado pela Censura.

Um dos seus professores da época em que cursou Filosofia na Universidade da Bahia havia se transformado em censor. Foi quem o recebeu.

O censor queria saber o significado da palavra reggae para poder liberar o show.

Caetano disse que reggae é um ritmo da Jamaica que ouvira na Inglaterra e que começava a se popularizar no resto do mundo.

O censor duvidou da explicação. Não encontrara a palavra nos dicionários, nem de gírias.

Caetano contra-argumentou: a palavra ainda não estava dicionarizada.

Ou seja: sob o AI-5, sob os mecanismos de censura advindos do endurecimento do regime, um show poderia ser proibido porque o censor não se convencera de que reggae é apenas um ritmo musical da Jamaica.

Esse relato de Caetano no Supremo não é uma mera curiosidade histórica do tempo da ditadura militar brasileira.

É, antes, a confirmação do quanto foi difícil aquele período.

E de que como é imprescindível atuar pela manutenção dos avanços obtidos a partir da redemocratização.

A presença de Caetano Veloso no STF enriqueceu o debate pelo grande artista que ele é.

Também por seu ativismo digno e corajoso.

Melhor que Miguel Proença não esteja mais à frente da Funarte

O pianista Miguel Proença não é mais presidente da Funarte. Ele foi exonerado do cargo. Especula-se que a demissão ocorreu porque Proença não concordou e reagiu às críticas que Roberto Alvim, um dos diretores do órgão, fez a Fernanda Montenegro poucos dias antes da atriz completar 90 anos.

Melhor que Miguel Proença não esteja mais à frente da Funarte. Não convinha que ele misturasse a sua notável carreira como pianista ao atual governo.

Algo que li hoje cedo na coluna de João Máximo, no G1, a propósito do atual momento da Funarte:

“É verdade que a Funarte começou a desistir quando as verbas oficiais foram ficando a cada dia mais minguadas. Mas também é verdade, e mais triste, saber que ela continua empenhada em desistir de vez, quanto mais se faz desinteressada, preconceituosa, irresponsável, desinteligente, em nome da política cultural – esta sim, ideológica – adotada por aqui há quase um ano”.

Saindo da cultura para a liberdade de imprensa, também chamou minha atenção nas leituras matinais o editorial de O Globo. O texto parte do que sabemos faz tempo: o desapreço do presidente Bolsonaro pela liberdade de imprensa:

“O presidente Jair Bolsonaro não tem apreço pela imprensa independente e profissional. Não tinha durante a campanha e continuou sem ter desde o primeiro dia no cargo. Ele diz que defende uma imprensa livre, mas suas palavras e atos comprovam que ele quer apenas uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem”.

Fecho com a ministra Carmen Lúcia durante debate que reuniu artistas (Caetano Veloso, Luiz Carlos Barreto, etc.) nesta segunda-feira (04) no Supremo:

“Eu li que este STF iria debater a censura no cinema. Errado. Censura não se debate, censura se combate, porque censura é manifestação de ausência de liberdades. E democracia não a tolera. Por isso a Constituição Federal é expressa ao vedar qualquer forma de censura”.

Temas para reflexão.

Larissa Pereira é a Paraíba sábado que vem no Jornal Nacional

No próximo sábado (09), Larissa Pereira, a âncora do JPB2, da TV Cabo Branco, estará na bancada do Jornal Nacional.

Ela vai dividir a apresentação com Matheus Ribeiro, da TV Anhanguera, de Goiás.

Larissa é a representante da Paraíba nas comemorações dos 50 anos do Jornal Nacional.

Na quarta (06) e na quinta (07), Larissa e Matheus farão pilotos na bancada do JN.

Na sexta (08), participarão do encerramento do telejornal, conversando com William Bonner e Renata Vasconcellos.

E no sábado (09), viverão esse momento especialíssimo que é apresentar o mais importante noticioso da televisão brasileira.

Larissa Pereira, profissional talentosa e íntegra por quem tenho grande admiração, me enviou um texto sobre as expectativas dela.

É o que se segue:

Eu diria que, como todo fato histórico, números e datas marcam a comemoração dos 50 anos do Jornal Nacional.

É a celebração da credibilidade do principal telejornal do Brasil, o mais assistido, no ar até hoje.

Neste aniversário do patriarca dos jornais de TV vamos comemorar:

50 anos do JN.

33 anos do JPB na casa dos paraibanos.

Meus 33 anos de vida, representando a minha Paraíba e comemorando meus jovens 12 anos de experiência profissional.

Aliás, passar o próprio aniversário na bancada do Jornal Nacional é um presente generoso, resultado de uma construção edificada por um trabalho coletivo!

Levo, neste momento histórico: a Paraíba, especialmente João Pessoa (onde nasci) e todos os amigos jornalistas, que dividem comigo a tarefa difícil, mas prazerosa e fundamental para a democracia, de noticiar!

A missão é em outro estado e em outra bancada, mas o compromisso de fazer jornalismo sério não muda, independe do endereço!