Viva Dorival Caymmi!

João Gilberto revolucionou a música popular do Brasil com a Bossa Nova. A chave está na batida que criou ao violão. E no diálogo do instrumento com a sua voz. Um negócio que parece simples, mas que é de alta complexidade.

Voz e violão. Antes de João, há Dorival Caymmi (foto de Evandro Teixeira).

Igualmente baiano. E inventor. A nossa canção moderna passa necessariamente por ele. O artesanato perfeito. Melodia, harmonia, letra. Casamento indissolúvel entre letra e música. Imagens extraordinárias criadas pelos dois elementos.

Caymmi, voz e violão. Não há violão brasileiro sem ele. Nem banquinho e violão, como vimos a partir da Bossa Nova.

Caymmi, mínimo e máximo. Obra numericamente pequena. Pouco mais de 100 músicas. Se pensarmos em qualidade, e em influência, imensas!

Canções praieiras. Um gênero. Originalmente, oito num disquinho de dez polegadas. Depois vieram outras. “É doce morrer no mar”. Ou “o pescador tem dois amor”. Ou “era só jogar a rede no mar”. Ou “a Estrela Dalva me acompanha”. Difícil acreditar que elas existam!

E tem os sambas. Os sambas de Caymmi. “Acontece que eu sou baiano”. “Amar é tolice, é bobagem, é ilusão”. “A vizinha quando passa”. João passa por eles. E Gil. E Caetano. Até Tom. Os primeiros versos do Samba do Avião – poucos sabem – são de Caymmi. “Ê, Xangô, vê se me ajuda a chegar”.

Caymmi, infinito em cento e poucas canções. Marina, moderníssimo samba-canção. Dora, o Recife visto por um baiano. Como poucos pernambucanos viram. João Valentão. O final beira a perfeição. Ou atinge.

E a família? A mulher, cantora que não fez carreira. Stella Maris. Estrela do Mar. Os filhos. Nana, Dori, Danilo, lindas vozes. A zelar pelo legado do pai.

Canções Praieiras. Sambas de Caymmi. Eu Vou pra Maracangalha. Caymmi e o Mar. Caymmi e seu Violão. Discos gravados na velha Odeon. Todo o Caymmi está neles.

Dorival Caymmi, o popular que melhor ouviu os eruditos.

Viva Caymmi!

Caetano nu com a sua poesia

Caetano Veloso faz 75 anos na próxima segunda-feira (07).

Vem na estrada há mais de 50.

É um (grande) artista brasileiro!

Na canção popular, o Brasil é um país de letristas extraordinários. No nível dos melhores do mundo. Caetano é um deles.

Hoje, vou me debruçar um pouco sobre os seus versos. Mexendo na memória e postando alguns que me são caríssimos.

Eu organizo o movimento

Eu oriento o carnaval

Eu inauguro o monumento no planalto central

Do país

 

Minha paixão há de brilhar na noite

No céu de uma cidade do interior

Como um objeto não identificado

 

Eu, você, depois

Quarta-feira de cinzas no país

E as notas dissonantes se integraram

Ao som dos imbecis

 

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior

Com todo mundo podendo brilhar num cântico

Canto somente o que não pode mais se calar

Noutras palavras, sou muito romântico

 

Vejo uma trilha clara pro meu Brasil, apesar da dor

Vertigem visionária que não carece de seguidor

Nu com a minha música, afora isso somente amor

Vislumbro certas coisas de onde estou

 

O samba é pai do prazer

O samba é filho da dor

O grande poder transformador

 

Gente é pra brilhar

Não pra morrer de fome

 

Você é linda

E sabe viver

Você é linda, sim

Essa canção é só pra dizer

E diz

 

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos não por ser exótico

Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto

Quando terá sido o óbvio

 

O Brasil tem ouvido musical

Que não é normal

 

Será que nunca faremos senão confirmar

A incompetência da América católica

Que sempre precisará de ridículos tiranos?

 

Aqui tudo parece que é ainda construção é já é ruína

Tudo é menino e menina no olho da rua

O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra lua

Nada continua

 

A mais triste nação

Na época mais podre

Compõe-se de possíveis

Grupos de linchadores

 

Americanos não são americanos

São os velhos homens humanos

Chegando, passando, atravessando

São tipicamente americanos

 

Terra, Terra

Por mais distante o errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

E deixa os Portugais morrerem à míngua

Minha pátria é minha língua

Fala Mangueira! Fala!

 

Mas eu também sei ser careta

De perto ninguém é normal

Às vezes segue em linha reta

A vida que é meu bem, meu mal

Edu Lobo nadou contra a corrente e fugiu do sucesso!

Edu Lobo se projetou na época dos festivais. Era um vencedor com músicas como Arrastão e Ponteio. Na segunda metade da década de 1960, poderia ter se transformado num artista tão popular quanto alguns dos seus contemporâneos. Mas não era este o seu desejo e não foi esta a sua opção.

Nadou contra a corrente, contrariou as regras do mercado de música popular, trocou o Brasil pelos Estados Unidos e foi estudar composição, arranjo, regência. Quando voltou, já estava à margem do sucesso e não mais o procurou. Aprimorou seu repertório autoral, escreveu arranjos como os de Calabar, de Chico Buarque, atuou discretamente em suas performances ao vivo. Seguiu o caminho que escolheu.

Vi Edu Lobo no palco pela primeira vez no Projeto Pixinguinha de 1978. Era um show vigoroso que resumia o seu trabalho. Desde os sucessos da era dos festivais até as músicas mais recentes (o disco novo se chamava Camaleão). Seu desempenho ao vivo me surpreendeu. Não tinha nada com o hermetismo que eu imaginava ser marca dos shows que fazia. Edu, àquela altura, não era mais um artista popular, com um grande público, mas o repertório sofisticado não dificultava o seu diálogo com a plateia. O trabalho refinado era muito atraente quando executado ao vivo. O músico se acompanhava ao piano e ao violão e tinha ao seu lado uma banda que ia dos ritmos nordestinos ao jazz.

Edu Lobo tem grandes discos. Difícil escolher os melhores. Podemos pensar no LP em que é acompanhado pelo Tamba Trio (A Música de Edu Lobo por Edu Lobo). Ou naquele disco que começa com No Cordão da Saideira e marca a sua estreia como arranjador. É lá que está a belíssima Canto Triste. Em Cantiga de Longe, num estúdio de Los Angeles, junta-se a músicos brasileiros como Hermeto Pascoal e Airto Moreira. São todos dos anos 1960. Limite das Águas, dos anos 1970, traz o Edu mais sofisticado, bem depois da temporada americana. Camaleão teve uma faixa (Lero Lero) executada no rádio, mas não podemos dizer que a música escrita em parceria com Cacaso o reconciliou com o êxito comercial.

Edu & Tom é soberbo. Edu Lobo estava gravando um novo disco. Convidou Tom Jobim para participar de uma faixa. Tom chegou ao estúdio e foi ficando. O que era um projeto solo virou um encontro antológico. Um visitando o repertório do outro. Os dois dividindo vozes e instrumentos. Tudo muito cool. Formação acústica, diminuta. Piano, violão, contrabaixo, bateria, um trompete. Um mestre e um aluno aplicadíssimo, talvez o compositor mais jobiniano de sua geração. Depois, teríamos um outro encontro e uma nova parceria: O Grande Circo Místico. Melodias de Edu, letras de Chico Buarque.

“Até chegarmos ao orgasmo total! Orgasmo total!”

Gosto muito de datas.

Pois bem, hoje é o Dia do Orgasmo.

Meu editor sugere: que tal uma lista das músicas mais ousadas?

Vamos à pauta!

Quando eu era adolescente, tinha um disco chamado Super Eróticas. Só maiores de idade podiam comprar, e a capa vinha envolta em um plástico escuro. Saíram vários volumes. No primeiro, a faixa principal era Je T’ taime (Moi Non Plus).

Ousadia maior, mas pouco conhecida, foi a do casal John Lennon e Yoko Ono. No Wedding Album, tem uma longa faixa com a gravação dos dois fazendo sexo. Ela grita: John! E ele responde: Yoko! E assim por diante.

Em Homem, Caetano Veloso fala do que inveja nas mulheres:

Só tenho inveja da longevidade

E dos orgasmos múltiplos

Em Elegia, Caetano canta sobre versos de John Donne vertidos por Augusto de Campos e musicados por Péricles Cavalcanti:

Deixe que minha mão errante adentre

Atrás, na frente,

Em cima, embaixo, entre

Já em Medo de Amar No 2, o erotismo é com Simone, entre os gemidos da cantora:

E eu sinto o corpo mole

Eu quase que faleço

Quando você me bole e bole

E mexe e mexe

E me bate na cara

E me dobra os joelhos

E me vira a cabeça

Tem O Meu Amor, de Chico Buarque. Nas vozes de Marieta Severo e da estreante Elba Ramalho:

De me fazer rodeios

De me beijar os seios

Me beijar o ventre e me deixar em brasa

Desfruta do meu corpo como se o meu corpo

Fosse a sua casa

Roberto e Erasmo fizeram muitas canções eróticas ao longo dos anos 1970. Hoje, algumas parecem ingênuas. Como essa:

Cada parte de nós

Tem a forma ideal

Quando juntas estão

Coincidência total

Do côncavo e convexo

Assim é nosso amor, no sexo

De Rita Lee e Roberto de Carvalho, Mania de Você é outra que, com o tempo, ficou bobinha:

Nada melhor do que não fazer nada

Só pra deitar e rolar com você

E essa aí?

Orgasmo total! Até chegarmos ao orgasmo total!

Bem, essa é muito pouco conhecida!

Fecho com ela. Arrigo Barnabé.

Milton Nascimento tomou chá com Jeanne Moreau

Morreu Jeanne Moreau. Tinha 89 anos.

Conheci Moreau junto com Bardot. Assim. Em Viva Maria!. Numa inesquecível matinê do Cine Santo Antônio.

Mas quero lembrar dela assim. Em Jules e Jim.

Vou contar uma historinha.

Descobri, há muitos anos, que Milton Nascimento é louco por Truffaut. E por Moreau. Mais do que isso: fez sua primeira música depois de ver Jules e Jim.

Estive com Milton e, no lugar de falar sobre música, falei sobre Truffaut e Moreau.

Ele, então, contou que, certa vez, estava em Nova York e recebeu um convite misterioso de um amigo.

O amigo pegou Milton no hotel e o levou a um apartamento sem dizer quem os esperava.

Era um prédio antigo, com um velho elevador.

Quando tocaram a campainha, eis quem abre a porta:

Jeanne Moreau!

Bituca ficou tão em transe quanto no dia em que viu Jules e Jim pela primeira vez.

Seguiu-se uma tarde de chá e muita conversa.

Rock e cinema documental, um subgênero do documentário

O rock e o cinema documental se encontraram muitas vezes na década de 1970. Juntos, criaram um verdadeiro subgênero do documentário. Aqueles filmes de longa metragem exibidos nos cinemas para grandes plateias permitiam um contato mágico do público com artistas que dificilmente seriam vistos ao vivo. Em alguns casos, havia cinema e música de qualidade. Em outros, o forte era só a música.

Considero Woodstock o melhor momento desse tipo de documentário.

Woodstock não tem narrador em off, como tantos documentários. Alterna falas, locuções de palco e números musicais. Pode parecer cronológico, mas não é. Em sua narrativa, entendemos que, da tarde de uma sexta-feira à manhã de uma segunda, o festival começa, acontece e termina. A despeito desta certeza, os fatos gerados pela multidão, pelos artistas e pela natureza (o temporal que se abateu sobre o evento) estão misturados. Tudo é fragmentado. A montagem é uma aula permanente de cinema. Marco e influência no gênero, o documentário tem no uso da tela múltipla um grande trunfo. É o que lhe dá ritmo como espetáculo fílmico. É também o que permite uma tradução mágica da música que o festival ofereceu aos seus espectadores e legou ao futuro.

Martin Scorsese, ainda um jovem desconhecido, participou de Woodstock operando uma das câmeras. Em Elvis on Tour, esteve envolvido no trabalho de montagem. Mais tarde, realizou um dos grandes documentários de rock dos anos 1970: The Last Waltz.

Os irmãos Maysles sobrepuseram a violência de Altamont à música dos Rolling Stones no controvertido Gimme Shelter. Em The Concert for Bangladesh, é a música que se sobrepõe ao cinema. Mad Dogs & Englishmen e Elvis on Tour são belos registros de bastidores.

Nos anos 1980, o VHS levou os shows para dentro de casa. O acesso fácil banaliza as coisas. Hoje, temos esses filmes em nossos acervos. Mas nada se compara à emoção de tê-los visto na estreia.

Rock e cinema documental: meu top 6.

WOODSTOCK

THE LAST WALTZ

GIMME SHELTER

ELVIS ON TOUR

MAD DOGS & ENGLISHMEN

THE CONCERT FOR BANGLADESH

Esses são do tempo em que todos compravam discos

Com eles, meu mundo fica muito mais completo. Escrevi, há dois dias, brincando com o título do CD de Cássia Eller e falando de discos brasileiros indispensáveis.

Um leitor amigo me pediu então meus discos indispensáveis do rock.

Primeiro, uma explicação: não são OS discos. São discos. E há muitos outros.

Mas, atendendo ao leitor, vamos a alguns que me são caríssimos.

Que tal ouvi-los no fim de semana?

AFTER SCHOOL SESSIONS, Chuck Berry

MUSIC FROM BIG PINK, The Band

BLIND FAITH, Blind Faith

JOHN BARLEYCORN MUST DIE, Traffic

JOHN LENNON/PLASTIC ONO BAND, John Lennon

DEJA VU, Crosby, Stills, Nash & Young

TUMBLEWEED CONNECTION, Elton John

FRAGILE, Yes

TAPESTRY, Carole King

THE INNER MOUNTING FLAME, The Mahavishnu Orchestra

THICK AS A BRICK, Jethro Tull

SONGS IN THE KEY OF LIFE, Stevie Wonder

Pedro Osmar recupera suas canções em ótimo CD duplo

 

O ano era 1971. Pedro Osmar era meu colega no curso ginasial.

Uma noite, chegou lá em casa com um disco dos Beatles (a segunda metade do Álbum Branco) e um violão.

Não pare na reta biconexa.

Dizia o primeiro verso da música que ele cantou.

Eu vi (meu pai também viu) que Pedro, apesar da pouca idade, sabia fazer!

Acompanho seu trabalho desde então.

Essa fase, anterior à sua primeira ida ao Rio, parece ter se perdido no tempo.

Ainda lembro de uma canção completa: Sobre o tema quase três e o mês. Cantou no Festival Nacional de Vanguarda, no Teatro Santa Roza, em 1971. Acho que nem ele lembra mais.

A barra enfrentada no Rio conferiu maturidade ao trabalho de Pedro. Ele voltou cheio de canções. E trouxe na cabeça a ideia da Coletiva de Música da Paraíba, realizada em 1976.

Nascia o cara que queria organizar o movimento.

Jaguaribe Carne (já com o irmão Paulo Ró). Shows com canções. Ruptura com elas. Música aleatória, experimentalismo total. Fala Jaguaribe. Guerrilha cultural.

No meio, Zé Ramalho. Pedro e sua viola na banda de Zé. Uma trilha para o mainstream, por ele logo recusada. Não era o seu caminho.

Entendo (embora lamente) o abandono das canções. Entendo o experimentalismo e o papel exercido pelo guerrilheiro cultural.

Mas discordo de muitas posturas públicas de Pedro. São de intolerância, de não aceitação das diferenças. Isso não combina com o artista, o melodista, o poeta, o experimentador de sons. As suas dores já estão na arte que produz. Bem como seus credos, seus heróis.

Esse post sobre Pedro Osmar tem um motivo: ele acaba de lançar um CD duplo (Quem Vem Lá?) só com canções. São 32! De várias fases da sua trajetória, incluindo as mais conhecidas, aquelas que se tornaram os clássicos do seu repertório (Baile de Máscaras, Nó Cego, Mote do Navio, etc.).

Gostei imensamente do disco! É muito bom!

É algo que Pedro nos devia. Seu songbook registrado com o cuidado merecido. Com bons músicos e arranjos que dão contemporaneidade às canções mais antigas.

Quem Vem Lá? é guiado por uma unidade, tem um conceito formulado por Pedro e os que o produziram. O retorno às canções se dá depois que o artista já ultrapassou o limiar da velhice. Tem o olhar distanciado, mas mantém o desejo pelo novo. Ou não seria Pedro Osmar!

A voz conserva inflexões que eu ouvi no rapaz que foi lá em casa há quase meio século. Elas estão na assinatura do autor e do intérprete. Sempre estiveram. São fortes, têm uma marca de originalidade.

O seu cancioneiro agora está impregnado pela passagem do tempo. Até pelos sons que ele produziu quando rompeu com as canções. Tem muito também da música que ouviu. Pedro foi bom ouvinte nas noites de Jaguaribe.

O que ficou de tudo está sintetizado nesse disco duplo.

Que bom que ele tenha dado esse presente a quem o admira!

Chico Buarque lança música nova. Ouça “Tua Cantiga” aqui

O primeiro single do novo CD de Chico Buarque foi lançado nesta sexta-feira (28) nas plataformas digitais pela gravadora Biscoito Fino.

Tua Cantiga é uma parceria de Chico com o pianista Cristóvão Bastos.

Caravanas, o CD que Chico Buarque está gravando (o primeiro desde 2011), vai estar no mercado em agosto.

Ouça Tua Cantiga.

Com eles, meu mundo fica muito mais completo

O título – claro! – é uma brincadeira com o disco de Cássia Eller. Com Você, Meu Mundo Ficaria Completo.

Você é um homem do século passado, ainda compra discos.

Ouvi a frase de um amigo, há alguns anos.

Os discos estão sumindo. Não exatamente os objetos. Mas o conceito.

Conversem com garotos e garotas das gerações Y e Z e comprovem. Eles ouvem música. Não ouvem discos.

Disco, com capa, encarte, é um fenômeno comercial da segunda metade do século XX.

Conversando sobre esse tema com um leitor, indiquei seis discos para mim indispensáveis.

Quem quer ouvi-los?

CANÇÕES PRAIEIRAS, Dorival Caymmi

CANÇÃO DO AMOR DEMAIS, Elizete Cardoso

VOCÊ AINDA NÃO OUVIU NADA!, Sérgio Mendes e Bossa Rio

COISAS, Moacir Santos

OS AFRO SAMBAS, Baden Powell e Vinícius de Moraes

JOÃO GILBERTO, João Gilberto