Chico Buarque diz que o Brasil é um país governado por loucos

“O Brasil é um país governado por loucos”.

Quem disse foi Chico Buarque.

A afirmação está num vídeo de um minuto que o compositor gravou para a campanha de divulgação do filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa.

Democracia em Vertigem, que, nos Estados Unidos, é The Edge of Democracy, concorre ao Oscar de Melhor Documentário.

A cerimônia do Oscar 2020 será no dia nove de fevereiro em Los Angeles.

Vejam o vídeo de Chico Buarque.

Linduarte Noronha morreu há oito anos. Estão lembrados dele?

Oito anos atrás, na noite seguinte à morte de Linduarte Noronha, sonhei com Antônio Barreto Neto. Sonhei porque fui dormir pensando neles. Os caras que me acolheram quando, adolescente, comecei a publicar artigos sobre cinema no velho Correio da Paraíba de Teotônio Neto, que funcionava na Barão do Triunfo. Barreto foi meu avalista. Jurandy Moura era o editor do jornal. Linduarte, procurei no Iphaep para pedir a lista dos melhores filmes do ano. É a primeira lembrança que tenho de um contato pessoal com ele. Fui recebido como se fizesse parte da turma. E falamos dos temas que frequentariam nossas conversas dali por diante: o cinema e os impasses brasileiros.

Em 1974, quando Antônio Barreto Neto me levou até Jurandy Moura na antiga redação do Correio da Paraíba, Linduarte Noronha já havia realizado seus três filmes e não atuava mais como crítico. Ainda muito jovem (tinha pouco mais de 40 anos), era visto com frequência nas salas exibidoras da cidade. Também participava ativamente dos eventos associados à produção cinematográfica paraibana. Era a época em que, no comando do Iphaep, começava a se dedicar à preservação do nosso patrimônio histórico, uma luta que sabia importante, fundamental, mas que o angustiava. E parecia aumentar as suas descrenças em relação ao nosso destino como Nação.

Quem primeiro me falou sobre a importância dele foi meu pai. Os dois se conheceram no Liceu Paraibano. Linduarte, professor de Geografia. Meu pai, estudante, seis anos mais jovem. Não precisei sair de casa para saber da existência de muita gente. As conversas cotidianas foram fundamentais na minha formação. Linduarte estava presente nelas. Ele e Aruanda. Comunista, meu pai gostava das questões que o filme abordava. Tinha uma natural identificação com as teses que o cineasta defendia. E o admirava por outras razões: a voz no rádio, os textos no jornal.

No início da década de 1980, Linduarte foi meu professor de cinema no curso de Comunicação Social, na UFPb. Paguei a disciplina, mas voltei à sua sala em outros semestres só como ouvinte. Era um privilégio ouvir suas divagações sobre filmes e cineastas. Lembro de uma manhã em que o tema da aula foi Casablanca, que ele revira numa madrugada qualquer na televisão. A análise do conteúdo, do roteiro exemplar, as explicações sobre a belíssima fotografia em preto e branco, as técnicas de montagem, uma minuciosa explanação a respeito da sequência final, o desempenho de Bogart e Bergman – nunca mais vi alguém falar de Casablanca com tamanha propriedade.

Nossa última conversa foi por telefone. Tentei marcar uma entrevista, mas ele disse que estava cansado. Não apenas o cansaço físico daquele momento. Era uma espécie de exaustão que tinha origem meio século atrás, na realização de Aruanda. O cineasta dava sinais de que precisava libertar-se do filme e das suas consequências. Pensei nisto enquanto editava o necrológio de Linduarte para o jornal noturno da TV. Fiquei comovido com o depoimento da filha sobre a dignidade do homem e as qualidades do pai. E enchi os olhos de lágrimas quando selecionei a cena em que ouvimos “ó mana deixa eu ir”. Com sua força e sua beleza, Aruanda atravessa o tempo como retrato dos nossos impasses.

Zé Ramalho abre Tour 2020 com show de sucessos na Paraíba

Em 2020, Zé Ramalho percorrerá o país com um show em que canta seus grandes sucessos.

A Tour 2020 do compositor paraibano começa nesta quinta-feira (30) em João Pessoa.

A apresentação será às 21 horas no Teatro Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

De João Pessoa, o artista segue para o Recife (sexta) e Fortaleza (sábado).

Você, que vai ao show, já sabe o que Zé Ramalho vai cantar?

Não sabe?

Então confira o set list:

O PROGRESSO

TÁ TUDO MUDANDO

BATENDO NA PORTA DO CÉU

BEIRA-MAR

ENTRE A SERPENTE E A ESTRELA

TÁXI LUNAR

A TERCEIRA LÂMINA

BANQUETE DE SIGNOS

ETERNAS ONDAS

AVÔHAI

VILA DO SOSSEGO

CHÃO DE GIZ

GAROTO DE ALUGUEL

ADMIRÁVEL GADO NOVO

GITÁ

MEDO DA CHUVA

FREVO MULHER

SINÔNIMOS

VIDA DO VIAJANTE

1917 é ótimo filme de guerra com uso eficaz do plano-sequência

Há um belo plano-sequência em A Marca da Maldade, que Orson Welles realizou em 1958.

Há outro – magnífico! – no desfecho de Passageiro, Profissão: Repórter (1975), de Michelangelo Antonioni.

Robert Altman lançou mão do recurso em O Jogador, de 1992.

Se pensarmos em filmes recentes, temos o da abertura de Gravidade (2013), de Alfonso Cuarón.

Sim, mas são todos planos-sequência que duram alguns minutos (mesmo que longos minutos, como em Gravidade).

Nenhum deles se compara a uma experiência radical que já tem mais de 70 anos. Refiro-me a Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock.

O filme, de 1948, não tem um plano-sequência. O filme é um plano-sequência.

Ou, para sermos bem precisos: é a simulação de um único plano-sequência.

Como não havia rolos de película virgem equivalentes à metragem do filme, Hitchcock usou fade várias vezes para fazer os cortes sem tirar do espectador a sensação de que ele está diante de um plano-sequência que se estende por 81 minutos.

1917 remete a Festim Diabólico.

A comparação de um com o outro é inevitável.

Cotadíssimo à mais importante estatueta do Oscar 2020, o filme de Sam Mendes também é a simulação de um longo plano-sequência em seus 119 minutos de duração.

Filmes assim exigem muito dos atores, obrigados a ensaiar à exaustão longas cenas, e da equipe responsável pela fotografia.

Correm o risco de se transformar no triunfo da forma sobre o conteúdo.

Não é o caso exatamente de 1917.

Ao menos para o espectador mediano, a história de dois homens do exército britânico a quem, durante a Primeira Guerra Mundial, é confiada uma missão quase impossível é suficientemente atraente e bem contada para sucumbir a um “truque”, um formato menos usual de montagem que na verdade ilude a plateia.

É fato, porém, que a parcela do público que gosta mais de cinema do que de filmes (será que me faço entender?) verá 1917 sem esquecer que está diante da simulação de um interminável plano-sequência e com a propensão a sobrepor a forma ao fundo.

O espectador que tem esse perfil não quer perder os momentos em que, num fade, existe um corte e tudo começa de novo. Provavelmente, estará mais atento a isto do que ao próprio desenrolar da história.

1917 é como um game? Há quem diga que sim.

Não vejo deste modo.

Se quisermos, Sam Mendes atualiza Alfred Hitchcock, adequando a experiência do velho mestre ao cinema que se faz atualmente.

Seu filme tem muito mais virtudes do que defeitos.

Governo não sabe fazer Enem. Será que Weintraub vai cair?

Estão aí todas as evidências:

O governo Bolsonaro não sabe fazer um Enem.

Falou tanto do exame realizado pelos outros governos que foi castigado.

O que Weintraub, com seu português ruim, imagina ter sido o melhor de todos, há de ter sido o pior.

E agora?

O ministro da Educação, desastre muito maior do que o do antecessor, vai cair?

Seria muito bem feito!

Mas de nada adiantaria:

O problema da Educação não é deste ou daquele ministro, é da visão mesquinha e atrasada que o governo tem de um setor essencialíssimo ao desenvolvimento de qualquer país.

Lula pode falar mal da Globo, mas precisar dizer a verdade

Li na Folha de S. Paulo que o ex-presidente Lula mencionou o nazismo ao comentar o tratamento jornalístico que a Globo deu às mensagens da Lava Jato obtidas pelo site The Intercept Brasil.

“O que a Globo está fazendo com o Intercept, era capaz que o nazismo não fizesse”, disse Lula.

Disse mais, referindo-se à denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald:

“A Globo não fez sequer matéria contra a fajutice da denúncia do Ministério Público. Então, isso é censura. ”

A reportagem registra também que Lula considera corretas algumas críticas feitas à Globo pelo presidente Bolsonaro.

O ex-presidente afirmou:

“Acho que tem crítica que ele faz que é correta. Dê a ele o mesmo direito que dá aos outros, direito de falar, abra para ele falar”.

Minhas impressões:

Sobre a Globo

Lula falar mal da Globo? Claro que pode. É legítimo. Só que é preciso dizer a verdade.

Vou citar um detalhe porque os detalhes falam das coisas grandes.

A Globo deu, sim, espaço à denúncia do Ministério Público contra Glenn Greenwald.

Deu longa matéria no Jornal Nacional e chamou o assunto em manchete na escalada.

Digo porque vi. Lula não deve ter visto. Ou acreditou no que alguém disse a ele.

Sobre Bolsonaro

Lula, com a dimensão política que tem, não deveria defender Bolsonaro, sobretudo no que diz respeito à relação do presidente com a imprensa.

Bolsonaro agride e ameaça jornalistas e veículos de comunicação.

Tem, nesse particular, uma postura inaceitável e indefensável num país em que a liberdade de imprensa é assegurada pela Constituição.

Lula não pode, nem remotamente, dizer coisas que o aproximem de Bolsonaro.

Não é justo com a sua passagem pela Presidência da República.

Nem com a sua história.

Rolling Stones fizeram show pela primeira vez no Brasil há 25 anos

Meninos e meninas, eu estava lá!

No dia 27 de janeiro de 1995 (portanto, há 25 anos), os Rolling Stones se apresentaram pela primeira vez no Brasil.

Era uma sexta-feira.

No Estádio do Pacaembu, em São Paulo, começava mais uma edição do Hollywood Rock.

Quatro atrações: Barão Vermelho, Rita Lee, a banda americana Spin Doctors e os Rolling Stones.

No final da tarde, o Barão Vermelho estava no palco quando uma tempestade tropical típica dos verões paulistanos caiu sobre a cidade.

O grupo liderado por Frejat não terminou o show, Rita Lee não pôde se apresentar, e o Spin Doctors tocou bem mais tarde, ainda sob forte chuva.

Mesmo que impaciente e debaixo d’água, o público de 50 mil pessoas esperou pelo melhor da noite.

Lá pelas 11 horas, chovia fino quando a enorme cobra colocada sobre o palco cuspiu fogo (literalmente!), e Mick Jagger entrou cantando Not Fade Away. A este número, seguiu-se Tumbling Dice.

Voodoo Lounge era um longo show de 150 minutos.

Naquele tempo, eles ainda tocavam ao vivo muitas músicas do disco mais recente (o homônimo Voodoo Lounge, lançado em 1994).

A estas, juntavam um ou outro B side e os clássicos obrigatórios em qualquer apresentação da banda (Satisfaction, Jumping Jack Flash, Honk Tonk Women, Sympathy for the Devil, Brown Sugar, Miss You, Start Me Up).

Na turnê 1994/1995, os Stones passaram a ser um quarteto (Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood). O contrabaixista Bill Wyman, da formação original, saíra depois da excursão anterior, de 1989/1990.

Mas havia os músicos convidados. Entre estes, o “maestro” Chuck Leavell (ex-Allmann Brothers) nos teclados, o contrabaixista Darryl Jones (ex-Miles Davis), o lendário saxofonista Bobby Keys (quase um Stone) e a cantora Lisa Fischer, que fazia os vocais de apoio e, em um número (Gimme Shelter, geralmente, mas podia ser Monkey Man), dividia o protagonismo com Jagger.

Ver os Rolling Stones ao vivo é uma experiência avassaladora.

Não fazem mais grandes discos autorais de estúdio, mas, no palco, tocando rock & roll, são imbatíveis.

Faz tempo, aliás, que desvendaram e dominaram todos os segredos do palco.

Se pensarmos na figura do front man, no mundo da música popular, encontraremos poucos tão admiráveis quanto Mick Jagger. Nada se compara também à dupla que forma com Keith Richards. Na vida, nos discos, nos palcos, um parece sempre o oposto do outro.

A música simples, mas poderosa, que produzem sai do estúdio para ser amplificada nos concertos assistidos por multidões, ganhando o adorno dos melhores recursos técnicos (som, luz, telões de última geração).

Foi o que se viu deles em sua estreia brasileira, em cinco datas da turnê Voodoo Lounge, três em São Paulo (Pacaembu, 27, 28 e 30 de janeiro), duas no Rio (Maracanã, 03 e 04 de fevereiro).

Os Rolling Stones demoraram muito a tocar no Brasil.

Depois do Voodoo Lounge, vieram mais três vezes. Em 1998, em 2006 e em 2016.

Será que ainda voltarão?

Caetano denuncia fascismo no Brasil atual e recomenda filme

Na ditadura militar, Caetano Veloso foi preso e exilado.

Meio século depois, ele diz que vive numa democracia na qual o fascismo mostra suas garras.

O compositor usou o Facebook para postar vídeo de um minuto gravado em inglês e legendado em português.

Sempre lúcido e corajoso em seu ativismo, Caetano encerra o vídeo recomendando que as pessoas vejam o filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que concorre ao Oscar de Melhor Documentário.

Democracia em Vertigem

As global democracy reaches a crisis point, knowledge is one of our greatest lines of defense. Petra Costa's Academy Award-nominated film THE EDGE OF DEMOCRACY is an essential documentation of the Brazilian government's backslide into fascism, and a must-watch for concerned citizens of the world. #CaetanoVeloso #PetraCosta #TheEdgeOfDemocracy

Publicado por Caetano Veloso em Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Noiva de Bolsonaro, Regina está com uma cara de deslumbrada!

Na manhã de 15 de março de 1990, dia da posse de Fernando Collor, vi na TV imagens de um grupo vip de apoiadores do primeiro presidente eleito pelo voto direto depois do golpe de 1964.

Era um encontro na Casa da Dinda.

A atriz Cláudia Raia estava no meio do grupo. Tinha apenas 23 anos.

Enxerguei nela um misto de arrogância e deslumbramento.

Só para começar, estávamos a pouquíssimas horas do confisco da poupança dos brasileiros.

As poucas imagens que vi de Regina Duarte nos últimos dias me remeteram, de alguma maneira, à Cláudia Raia que fora a Brasília para a posse de Collor.

A atriz no Rio com o presidente Bolsonaro.

A atriz chegando a Brasília para fazer um “teste” na Secretaria de Cultura.

Fotos e imagens em movimento.

Somadas às imagens, algumas declarações.

Regina se disse de corpo e alma com o governo.

Que coisa boba, melosa, piegas!

Além de incompatível com a difícil tarefa de gerir a cultura a partir do governo federal.

Sabem o que eu acho?

Que Regina Duarte está deslumbrada com as luzes do poder.

No tempo em que foi apoiadora de Collor, Cláudia Raia tinha 23 anos.

De namoradinha do Brasil a “noiva” de Bolsonaro, Regina Duarte está com 72 anos (73 em fevereiro).

Convenhamos. Já passou da idade de estar deslumbrada com cargos.

E, sobretudo, de acreditar num governo como o de Bolsonaro.

Guerra, essa insanidade humana, numa lista de grandes filmes

A estreia brasileira de 1917 é nesta quinta-feira (23).

O filme de Sam Mendes está na disputa pelo Oscar 2020.

Muita gente aponta como favorito.

A guerra, essa insanidade humana, nunca me pareceu atraente.

Prefiro a paz e os que lutam por ela.

Trago hoje uma lista pessoal de grandes filmes de guerra:

GLÓRIA FEITA DE SANGUE

De Stanley Kubrick

PATTON, REBELDE OU HERÓI?

De Franklin J. Schaffner

M.A.S.H.

De Robert Altman

CORAÇÕES E MENTES

De Peter Davis

APOCALYPSE NOW

De Francis Ford Coppola

AGONIA E GLÓRIA

De Samuel Fuller

O RESGATE DO SOLDADO RYAN

De Steven Spielberg

A CONQUISTA DA HONRA

De Clint Eastwood