Hitchcock ensinou que suspense é diferente de mistério

Alfred Hitchcock.

A classificação de mestre do suspense, embora inevitável, há muito me parece insuficiente para mensurar a sua estatura e avaliar a sua extensa filmografia.

É comum confundir suspense com mistério. Nos filmes de Alfred Hitchcock, o suspense não é necessariamente obtido através de um segredo que se revela no final da trama. O público pode saber desde o início quem é o assassino e sofrer pelos que não sabem. É este sofrimento que lhe tira o fôlego.

Cineasta da angústia e do medo, Hitchcock tinha uma obsessão: contar histórias de homens acusados por crimes que não cometeram. Católico de rígida formação moral, ele penetra no tema da culpa com uma profundidade que poucos cineastas alcançaram, a despeito dos que pensam que seu cinema é apenas o exercício formal levado às últimas consequências.

Uma lembrança inevitável, quando o assunto é Alfred Hitchcock, são as suas breves aparições. No início da carreira, na Inglaterra, ainda na época do cinema mudo, os estúdios tinham poucos recursos, e ele entrava em cena somente para aumentar o número de figurantes. Depois, já na América, a sua presença passou a ser um charme, uma assinatura utilizada até o último filme que realizou. De tal modo que o público esperava ansiosamente pelo momento de vê-lo na tela, nem que fosse – e sempre era – por alguns segundos. Para não desviar a atenção do espectador, Hitchcock tinha uma estratégia: costumava aparecer antes que a trama se desenvolvesse muito.

Considero Um Corpo que Cai sua obra-prima, embora alguns deem preferência a Janela Indiscreta. Pacto Sinistro, Intriga Internacional, Psicose, Os Pássaros – todos são mencionados entre os melhores de Hitchcock.

Por sua absoluta originalidade, gosto de citar Festim Diabólico, concebido para dar a sensação de que tem um longo e único plano-sequência, ousadia que ainda impressiona os cinéfilos. O cineasta tinha uma predileção pelo pouco lembrado A Sombra de uma Dúvida.

Rever Hitchcock é sempre uma alegria para os que amam o cinema. Debruçados sobre sua filmografia, vamos encontrar sequências extraordinárias (como a cena do chuveiro de Psicose), atores e atrizes inesquecíveis (James Stewart entre os mais marcantes), grandes colaboradores (o maestro Bernard Herrmann no topo da lista).

Mas seremos brindados, sobretudo, pela arte de um mestre. Não importa o que disseram seus críticos. Não interessa mais que muitos tenham defendido a tese de que, nele, os interesses comerciais se sobrepunham aos méritos artísticos. O tempo, felizmente, já confirmou que Alfred Hitchcock é mesmo um dos maiores cineastas do mundo.

Fundador da Playboy, Hugh Hefner morre aos 91 anos

Hugh Hefner, o fundador da revista Playboy, morreu nesta quarta-feira (27).

Tinha 91 anos.

O empresário era uma figura tão pop quanto a revista que criou ou seu coelhinho, símbolo da publicação.

Nos Estados Unidos e em muitos países (inclusive o Brasil), a revista se firmou como a melhor publicação adulta para o público masculino.

Aos politicamente corretos, vale lembrar que a nudez feminina não era o único atrativo da revista de Hugh Hefner.

A Playboy começou a circular em dezembro de 1953.

Trazia em sua capa uma das maiores figuras do universo pop do século XX, a atriz Marylin Monroe.

Reza a lenda que Hefner e Marylin nunca se conheceram.

O CD físico está morrendo! Viva o CD físico!

O CD físico está morrendo?

Parece que sim!

É só entrar numa livraria como a Cultura e verificar como as prateleiras estão vazias.

Em oposição a isso, tivemos nos últimos dois ou três meses uma série de ótimos lançamentos na música popular brasileira.

O objetivo desse post é listar alguns desses discos.

Fica, portanto, como sugestão aos leitores.

Caravanas, Chico Buarque – No primeiro CD de inéditas desde 2011, Chico oferece a quem o admira um grande disco. O repertório é formado por sete canções novas e duas já gravadas.

Cauby Canta Dick Farney, Cauby Peixoto – A despedida de um dos maiores cantores do Brasil. Dois meses antes de morrer, Cauby Peixoto se debruçou sobre o repertório de Dick Farney.

No Mundo dos Sons, Hermeto Pascoal – Hermeto e grupo voltam ao estúdio após um longo intervalo. Álbum duplo com tudo de bom que o bruxo de Alagoas sabe fazer. Música universal.

Sintetizamor, João Donato e Donatinho – João Donato se junta ao filho Donatinho para brincar com sintetizadores dos anos 1970. Vintage e contemporâneo. Que velhinho danado é Donato!

Palavra e Som, Joyce – Mais um disco gravado para o mercado japonês, que gosta mais de Joyce do que os brasileiros (uma pena). Aqui, ela apresenta um impecável repertório novo e autoral.

Caipira, Mônica Salmaso – Salmaso é uma das grandes cantoras do Brasil. Belíssimo registro vocal com técnica e emoção. Nesse CD, ela tira um retrato muito pessoal da nossa música caipira.

Omaggio a Jobim, Paula e Jaques Morelenbaum – O casal Morelenbaum volta mais uma vez ao repertório de Antônio Carlos Jobim. Paula e Jaques tocaram com Tom e sabem tudo dele.

Tribalistas, Tribalistas – Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte retornam a uma fórmula que fez muito sucesso. Os tribalistas de hoje são tão bons quanto os de 15 anos atrás.

Quero essa mulher assim mesmo! Baratinada! Alucinada!

É muito bom conversar sobre música. É o que a gente faz aqui nesse espaço.

Um jovem ouvinte de rock me propõe:

Escolha um rock brasileiro da pesada, demolidor, pouco conhecido! Somente um!

OK. O meu rock brasileiro da pesada, demolidor, pouco conhecido, é originalmente um samba.

Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo.

Vamos ouvir? Primeiro, como samba, na voz de Monsueto Menezes, o autor.

Agora, vamos ao rock.

Em Transa, último disco que gravou no exílio londrino, Caetano Veloso incluiu uma música de Monsueto, Mora na Filosofia.

De volta ao Brasil, depois do sucesso do LP ao vivo com Chico Buarque, com carta branca da gravadora para fazer o que quisesse, Caetano gravou Araçá Azul, um disco absolutamente (e radicalmente!) experimental. Foi campeão de devolução pelas lojas.

Numa das faixas, levou Monsueto mais uma vez para seu repertório, transformando num rock alucinado o samba Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo.

Um power trio (Lanny Gordin, guitarra, Moacyr Albuquerque, contrabaixo, e Tuti Moreno, bateria) o acompanha.

Vamos curtir?

Quem são Lizzie Bravo e Zé Rodrix? Vou responder!

Na semana passada, escrevi sobre a cantora Marya Bravo. Comentei seu disco Comportamento Geral – Canções da Resistência.

Lembrei que ela é filha de Zé Rodrix e Lizzie Bravo.

Alguns leitores perguntaram quem são Zé Rodrix e Lizzie Bravo.

Respondo.

Lizzie Bravo é a única brasileira que gravou com os Beatles. O nome dela é verbete na The Ultimate Beatles Encyclopedia.

Adolescente, Lizzie estava em Londres na segunda metade dos anos 1960. Vivia na frente do estúdio do grupo. Passou a vê-los entrando para as gravações e a cumprimentá-los.

Um dia, foi abordada por um deles e acabou lá dentro, gravando os vocais de Across the Universe.

No Projeto Pixinguinha de 1979, deixei de conversar com Lizzie para levar minha avó Stella ao camarim de Egberto Gismonti. Mas tive a consciência de que estava diante de uma pessoa que tinha gravado com os Beatles.

Zé Rodrix estava nos vocais de Ponteio, de Edu Lobo, naquele histórico festival de MPB que a Record realizou em 1967. Podemos identificá-lo facilmente nas imagens do documentário Uma Noite em 67.

Estava também no Som Imaginário, cantando e tocando. O grupo, hoje muito pouco lembrado, acompanhou Milton Nascimento no LP que começa com a canção Para Lennon e McCartney. O órgão que ouvimos na faixa é dele.

Em 1972, o seu trabalho autoral ganhou dimensão nacional através de Elis Regina, que gravou a sua (e de Tavito) Casa no Campo. Época do rock rural.

O Zé Rodrix que mais me marcou é aquele que formou um trio com Sá e Guarabyra.

Sá, Rodrix & Guarabyra lançaram apenas dois discos: Passado, Presente e Futuro e Terra. Juntos, inventaram um negócio que foi chamado de rock rural.

Eles faziam canções que tinham muito do rock e também da música rural brasileira. E falavam de um modo alternativo de vida que era adotado no tempo da ditadura como um tipo de contestação possível.

O trio teve vida curtíssima. Suas canções, contudo, resistiram ao tempo. E Terra ficou como um dos grandes discos da MPB.

Um enfarte fulminante matou Zé Rodrix em 2009.

Show do Who é incrível jornada pela história de uma grande banda!

“Come on the amazing journey

And learn all you should know”

Essa é a primeira imagem do The Who que guardei na minha memória afetiva. Foi quando vi o quarteto no cinema, em Woodstock, no comecinho dos anos 1970.

O Who que, mais tarde, vi em Tommy, delírio visual de Ken Russell, era assim.

Agora em 2017, sem Keith Moon e John Entwistle, restaram Roger Daltrey e Pete Townshend (foto de Fábio Tito). Foi como os vi neste sábado (23) no Rock in Rio.

O Who estava em Monterey, Woodstock e Wight.

O Who cantou My Generation.

O Who inventou a ópera rock em Tommy. Voltou ao formato em Quadrophenia.

O Who fez Who’s Next.

O Who, para mim, está entre as cinco maiores bandas da história do rock, numa lista que começa, invariavelmente, com Beatles e Rolling Stones.

O baterista Keith Moon morreu cedo. O baixista John Entwistle viveu até o início do século XXI. Ambos foram levados pelos excessos que cometeram.

Ficaram o cantor Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend. Setentões, eles mostram pelos palcos do mundo o que foi o Who.

Daltrey desafina. Townshend não dá mais aqueles pulos, nem quebra a guitarra no final.

Mas ainda é o Who.

No Rock in Rio, durante 100 minutos, eles apresentaram uma espécie de antologia do quarteto.

Teve The Kids Are All Right, lá do começo, quando o Who soava como os Beatles. Teve – claro! – My Generation. E teve, sobretudo, canções do Who’s Next, Tommy e Quadrophenia.

Na bateria, Zak Starkey, o filho de Ringo Starr, parece dizer: meu padrinho Keith Moon fazia mais ou menos assim!

Três tecladistas, um guitarrista e um baixista completam o time. Juntos, reproduzem algo que se aproxima do som que o quarteto fazia no passado.

O show é simples. Um hit atrás do outro. Rock da melhor qualidade. A história do rock passando na frente do público que vê ao vivo ou na transmissão pela TV.

Amazing Journey!

Viva The Who!

Alicia Keys é uma mulher empoderada!

Tem gente que envelhece com antenas sempre direcionadas ao novo.

Vejam Caetano Veloso. Que grande exemplo. Agora mesmo, ele aparece nas redes sociais cantando os funks que ouve no rádio.

Mas Caetano é um artista permanentemente inquieto.

E nós, que somos apenas ouvintes?

Na minha idade (beiro os 60), tenho gosto consolidado há muito tempo.

Essa sedimentação é ruim, mas é difícil de ser vencida.

Tudo isso para falar um pouco sobre Alicia Keys.

Nós e nossas lacunas.

Para mim, Alicia Keys era uma diva do pop que não entraria jamais nas minhas audições.

Eis que me deparo com seu show no Rock in Rio. E, aí, tudo muda.

Que coisa bonita! Que voz! Que repertório! Que performance no palco!

Que negócio irresistível para quem gosta de black music.

O passo seguinte foi o disco. Here, o mais recente, lançado em 2016.

Irretocável! Impecável! Desses que você ouve sem parar, da primeira à última faixa (são 18!).

Alicia Keys, em Here, oferece um disco conceitual, longo (53 minutos), com faixas costuradas por pequenos interlúdios.

É refinado, elaborado, mas também é pop.

Alicia, com sua voz e seu piano, viaja pelo velho e pelo novo.

A sua música é absolutamente contemporânea, sintonizada com o que há de mais atual na black music americana.

Mas, por dentro dessa contemporaneidade, há as fontes, as matrizes da melhor música popular do planeta – aquela que os negros da América produzem há décadas.

Gospel, blues, R & B, jazz, soul, funk, rap, hip hop. Um pouco de tudo. Alicia olha para o passado, mas se afirma no presente como um grande talento.

Alicia Keys é uma mulher empoderada!

Canções contra a ditadura viram rock pesado com Marya Bravo

O nome é Marya Bravo.

Ela canta muito.

O pai é Zé Rodrix, aquele que compôs (com Tavito) Casa no Campo e integrou o trio Sá, Rodrix e Guarabyra.

A mãe é Lizzie Bravo, a única brasileira que gravou com os Beatles. Fez vocal em Across the Universe.

Marya estudou canto nos Estados Unidos e, no Brasil, já fez vários musicais.

De Pai Para Filha é o disco que dedicou ao repertório autoral de Rodrix. Ótimo trabalho.

Comportamento Geral – Canções da Resistência é o disco em que se debruça sobre músicas de protesto contra a ditadura militar.

Embora tenha Apesar de Você, Cálice e Roda Viva, o repertório não é de escolhas óbvias. Lá estão Gás NeonCorpos e Demoníaca. Nada óbvias!

Outra coisa: Marya mudou tudo ao resgatar essas 13 músicas. Fez um disco de rock pesado. Ela é acompanhada por um power trio (guitarra, baixo e bateria) e transforma todo o repertório em rock.

Combina bem com a sua voz. E dá uma nova força a essas canções compostas entre 1967 e 1977.

Os retratinhos reunidos na capa do disco são de mortos e desaparecidos.

O CD começa com Pesadelo. Você corta um verso, eu escrevo outro.

E termina com Sinal Fechado. Por favor, não esqueça.

Comportamento Geral – Canções da Resistência não tem Caminhando, de Vandré.

Felizmente!

Qual foi o dia em que você conheceu os Beatles?

Quando vi a exposição dos Beatles, no Recife, gostei muito da cabine do trem de A Hard Day’s Night. O motivo: ela tem a ver com o dia em que descobri o quarteto.

Conto a história nesse texto.

Quando eu era criança, meu tio Humberto me levava ao cinema. Para a matinê daquele sábado, 18 de março de 1967, o programa era Deu a Louca no Mundo, no Cine Santo Antônio. Na véspera, descobri que a comédia maluca de Stanley Kramer fora substituída por Os Reis do Iê-Iê-Iê. No original, A Hard Day’s Night.

Pensei em não ir, não sabia do que se tratava, mas ouvi do meu tio: “é o filme dos Beatles, um conjunto inglês fabuloso que você precisa conhecer”. E foi assim que eles entraram em minha vida.

Luminosas imagens em preto e branco. Ficção com jeito de documentário. Narrativa ágil, música vibrante.

Na batuta, Richard Lester, homem de televisão fazendo cinema. Perfeitamente afinado com os cinemas novos da década de 1960. Coisas que entendi mais tarde. Na hora, só o impacto. E a alegria de senti-lo.

Os rapazes correndo dos fãs numa estação. A canção dentro do trem. Paul e seu “avô”, que às vezes roubava a cena. O humor de John. A timidez de George. A fuga de Ringo. A música dos quatro. Os ensaios no estúdio de televisão. O show final. O acorde mágico que abre a canção A Hard Day’s Night. Há duas ou três notas que, até hoje, me remetem ao momento em que descobri os Beatles.

Na madrugada daquele sábado em que vi Os Reis do Iê-Iê-Iê, Paul terminara de gravar She’s Leaving Home, uma das faixas do Sgt. Pepper, o disco que lançariam em junho de 1967. Haviam mudado muito em apenas três anos. Longe dos palcos, produziam o álbum que seria considerado o mais importante do pop/rock. Disco de ruptura e pura invenção.

“O rock será o que fizermos dele”, disse John Lennon.

Os Beatles deram ao rock um status que este não tinha.

Ninguém tem a dimensão deles. Ninguém os substituiu.

Chico Buarque faz música porrada sobre nosso apartheid social

Muita gente critica Chico Buarque por ele apoiar o PT, Lula, Dilma.

Muita gente não quer mais ouvir suas músicas por causa disso.

Acho uma confusão própria desse momento de intolerância que estamos vivendo. Uma pena.

Lembrei disso ouvindo pela enésima vez Caravanas, o novo disco de Chico.

Ele não leva preferências partidárias para seu cancioneiro. Pois é. E, quando sai do pessoal para o coletivo, escolhe outro caminho. É o que temos em As Caravanas, última faixa do CD.

As Caravanas é o que a gente pode chamar de música porrada!

Sim! Uma música porrada sobre nosso apartheid social!

Forte! Contundente! Corajosa! Admirável!

Chico Buarque no seu melhor!

Ouçam.

No início dos anos 1980, fui ao cinema e vi o trailer de A Idade da Terra, que era o novo filme de Glauber Rocha.

Uma frase do grande cineasta brasileiro, que ouvíamos na voz dele naquele trailer, ficou na minha cabeça:

“Na verdade, o que existe é o mundo rico e o mundo pobre”.  

Capitalistas ricos, capitalistas pobres. Socialistas ricos, socialistas pobres.

Parecia Dom Hélder Câmara, mas era Glauber Rocha.

A frase, jamais deletada, remete a um problema crucial do Brasil tanto quanto a música de Chico: as (até aqui) insolúveis desigualdades sociais. A necessidade de uma melhor distribuição de renda.

Tema antigo, permanente, mas sempre colocado em segundo plano. Como agora, enquanto quadrilhas de diferentes matizes ideológicas assaltam o Estado sem que precisem disfarçar que o fazem.

As Caravanas é sobre os pobres do subúrbio ou da favela que “invadem” a praia da classe média no domingo.

No verso “a culpa deve ser do sol”, a melodia se confunde intencionalmente com a de Caravan, clássico do repertório de Duke Ellington.

O arranjo tem o toque contemporâneo do funkeiro Rafael Mike, do Dream Team do Passinho. Quer dizer que Chico não está alheio ao funk carioca. Nem contaminado pelo preconceito que atinge as pessoas de “bom gosto” que idolatram sua música, mas fecham os olhos para manifestações que não deveriam ignorar.

A letra é devastadora!

Diz que malocam seus facões e adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
É, diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré

Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné

As Caravanas ficará, no futuro, como uma das grandes músicas de Chico Buarque?

Espero que sim!