Elvis foi tão importante que influenciou até o punk!

Elvis Presley, se estivesse vivo, faria 82 anos neste domingo (08). Ao fundir o R & B dos negros com o country & western dos brancos, inventou o rock’n’ roll. Foi na gravação seminal de That’s All Right.

Elvis foi tão importante que influenciou até o punk! É só olhar a capa do seu primeiro LP na RCA, lançado em 1956, e a do London Calling, do Clash.

Está aí: Elvis Presley.

E, muito mais tarde, London Calling.

Elvis se transformou num fenômeno em 1956 ao ser contratado pela RCA Victor. Nos dois anos anteriores, gravara em Memphis, na pequena Sun Records, fonogramas fundadores do rock’n’ roll. As chamadas “Sun Sessions” reúnem as bases do rock na medida em que Elvis mistura blues, R & B, gospel e country. Dos Beatles ao U2, todos se curvam à importância daqueles registros e reconhecem neles matrizes do que vieram a fazer. O artista que o mundo conheceu a partir da chegada à RCA conservou muito do que encontramos nas sessões da Sun, mas também foi tragado pelas artimanhas da indústria fonográfica e pelos grandes estúdios de cinema.

Os anos 1950 foram extremamente produtivos, apesar do serviço militar prestado na Alemanha – uma jogada comandada pelo Coronel Parker, seu empresário. A volta, no disco “Elvis Is Back”, foi triunfal. O LP promove o reencontro do artista com suas fontes. A década de 1960 seria dedicada ao cinema, entre filmes medíocres e discos com suas trilhas sonoras. Felizmente, um outro retorno recuperaria a imagem de Elvis e o levaria a uma fase em que gravou grandes discos. O primeiro, e um dos melhores, se chama “From Elvis in Memphis”. É da época do especial de televisão que mostrou um intérprete vigoroso revisitando o que fizera nos tempos da Sun.

Elvis Presley vem de regiões profundas do ser da América. Estabeleceu um vínculo raro com milhões de ouvintes, interpretando com seu vozeirão kitsch um repertório irresistível para quem nasceu nos Estados Unidos. Ele não largou as raízes, ainda que as tenha submetido a um verniz que desagrada aos puristas. Não deve ser condenado por isto. Se tivermos boa vontade, verificaremos com facilidade que produziu música pop de ótima qualidade numa carreira relativamente curta, iniciada em meados da década de 1950 e encerrada em 1977, com a morte prematura aos 42 anos.

David Bowie, artista extraordinário, faria 70 anos neste domingo

Se estivesse vivo, David Bowie faria 70 anos neste domingo (08). Ele morreu dois dias depois de completar 69.

David Bowie é chamado ao palco do majestoso Royal Albert Hall para fazer dois números no bis do show de David Gilmour. É ovacionado pela plateia, recebido de pé. Agradece e solta a frase: “I hope I warrant that”. O comentário pode inseri-lo no grupo dos artistas que sabem o quão importantes são, mas às vezes se comportam como se não soubessem. O que se segue é um momento de grande elegância de um homem que começava a envelhecer e, ali, ao revisitar a canção psicodélica do Pink Floyd, funde a ousadia da juventude com uma contenção trazida pelo passar do tempo.

Ouvi David Bowie na primeira metade dos anos 1970 com um amigo que, num surto psicótico, disse ter sido levado pelos marcianos. O amigo, nunca mais vi. A música de Bowie, só reencontrei nos 40 anos de “Ziggy Stardust”, em 2012. Desperdicei mais de 35 anos – foi a sensação que tive. Corri atrás, mas, claro, perdi o prazer do olhar contemporâneo, da audição do disco no instante em que é lançado. Como havia feito um pouco, porém menos do que desejava, com “Ziggy”, “Aladdin Sane”, “Pinups”, “Diamond Dogs”, “Young Americans” e “Station to Station”.

O David Bowie que me restou, entre o quadragésimo aniversário de “Ziggy Stardust” (ainda de devastadora beleza) e o dia em que amanheci com a inesperada notícia de sua morte, tem o sabor inevitável de uma descoberta tardia. Mas não ouvi-lo teria sido muito pior. Não tê-lo a enriquecer a minha discoteca equivaleria, de resto, a ignorar o óbvio: o significado do que sua música e sua figura (aliadas à performance no palco, ao cinema, à moda, ao comportamento, à ousadia, ao experimentalismo) representam para a cultura pop da segunda metade do século passado.

A tese tropicalista de entrar em todas as estruturas e sair (inteiro) delas, Bowie viveu intensamente em sua carreira. Do pop mais banal ao experimentalismo mais ousado. Até o jazz que norteara a excepcional “Sue”, de 2014, que remete ao Milton Nascimento de “Cais” e “Trastevere”. Se me perguntam pelo Bowie que prefiro, digo que é o dos anos 1970, talvez pelo gosto do olhar contemporâneo. Mas o melhor é ouvi-lo todo. Só o conjunto dará a dimensão do artista extraordinário que ele foi.

Mulher é o negro do mundo em canção feminista de Lennon e Yoko

Uma garota da geração Y me fala do feminismo como grande novidade dos dias atuais. Argumentei que ela estava equivocada e que as lutas feministas vêm de longe, marcaram todo o século XX com importantes conquistas.

A conversa me fez lembrar de uma canção feminista muito ouvida no início da década de 1970. É a balada Woman Is the Nigger of the World, de John Lennon e Yoko Ono. Faixa de abertura do disco duplo Some Time in New York City.

Antes, um pouco do disco. Olhem a capa.

Some Time in New York City é de 1972. Tem, portanto, 45 anos. É um dos discos mais panfletários do rock. Traz na capa uma montagem com Nixon e Mao nus, dançando. As letras falam do Vietnã, da Irlanda, de Ática, dos negros, das mulheres, da esquerda americana, de John Sinclair, Angela Davis.

Woman Is the Nigger of the World é a faixa lançada em single na época. Um baladaço! Tipicamente Lennon!

A mulher é o negro do mundo!

Sim, ela é! Pense nisso!

A mulher é o negro do mundo!

Sim, ela é! Faça algo a respeito!

Vamos ouvir?

Primeiro, com Lennon.

Para encerrar, com a nossa Cássia Eller.

Carminho, uma fadista moderna, encontra Tom Jobim

Se estivesse vivo, Antônio Carlos Jobim faria 90 anos no dia 25 de janeiro. Um CD que acaba de ser lançado pode dar início à comemoração.

É Carminho Canta Tom Jobim (Biscoito Fino). O disco promove o encontro da jovem fadista portuguesa com remanescentes da Banda Nova, o grupo que acompanhou Tom nos muitos shows dos últimos anos de sua vida.

Três integrantes da Banda Nova acompanham Carminho: Paulo Jobim (violão e direção musical), Jaques Morelenbaum (violoncelo e contrabaixo) e Paulo Braga (bateria). A eles, juntou-se Daniel Jobim, filho de Paulo, neto de Tom, ao piano.

Os arranjos e a banda remetem à sonoridade dos discos e shows do compositor. Poderíamos traduzir assim: é Jobim pelos Jobins. Completo respeito, absoluta fidelidade ao universo musical de Tom. Um pouco mais intimista, um pouco mais camerístico, até porque o grupo é numericamente muito pequeno.

Aí vem o dado novo: Antônio Carlos Jobim, nosso maestro soberano, que já teve suas canções gravadas por gente do mundo inteiro, agora está nas mãos de uma fadista.

Carminho é uma jovem cantora portuguesa de 32 anos. Mais ou menos, a idade da Banda Nova.  Uma fadista moderna que traz para o grande cancioneiro jobiniano as marcas da música mais tradicional e mais representativa de Portugal.

Em 14 faixas, há duetos com Chico Buarque (Falando de Amor), Maria Bethânia (Modinha) e Marisa Monte (Estrada do Sol). O repertório tem Tom e seus parceiros (Vinícius, Chico, Dolores Duran, Aloysio de Oliveira, Newton Mendonça) e Tom sozinho, fazendo música e letra. Tem o começo (A Felicidade, Estrada do Sol), o meio (Wave, Triste) e a fase final (Luíza).

Antes de ouvir o disco, qualquer pessoa que tem intimidade com a obra de Jobim perguntará: as canções combinam com uma intérprete de fado?

A resposta vem logo na primeira audição: no caso de Carminho, combinam, sim!

Há um equilíbrio perfeito entre a força dramática da intérprete e a execução cool da banda.

Carminho é uma cantora notável que dialoga há algum tempo com a música brasileira, e, nesse disco, o repertório de Jobim só vem ampliar e enriquecer esse diálogo.

Livro de Nelson Motta tem equívoco sobre música de Caetano

O jornalista, escritor e compositor Nelson Motta cometeu um equívoco em seu novo livro. Nada que comprometa a qualidade do trabalho. Estou lendo 101 Canções que Tocaram o Brasil com a admiração e o respeito que tenho pelo autor e por sua trajetória.

Registro o equívoco movido, sobretudo, pelo interesse que, como filho de astrônomo, tenho pelos temas ligados à conquista do espaço.

Quando eu me encontrava preso

na cela de uma cadeia

foi que eu vi pela primeira vez

as tais fotografias

em que apareces inteira

porém lá não estavas nua

e sim coberta de nuvens

Terra! Terra!

O equívoco está no texto sobre Terra, que começa com esses versos.

No livro, Nelson Motta diz que, quando estava preso, Caetano viu uma foto da Terra no espaço feita por um satélite artificial. Está errado.

As fotos que impressionaram o artista e, mais tarde, inspiraram a canção não foram feitas por um satélite artificial. Publicadas numa revista (a Manchete) que Caetano leu na prisão, as “tais fotografias” foram feitas pela nave Apollo 8. São históricas, belíssimas, impressionantes mesmo, as primeiras que mostram nosso planeta visto de longe, sob a perspectiva de quem está na órbita da Lua.

Pois é! Os três astronautas da Apollo 8 passaram o Natal de 1968 na órbita da Lua, numa missão preparatória para o voo de julho do ano seguinte, da Apollo 11, que levaria os primeiros homens ao solo lunar.

Há uma coincidência. Os astronautas da Apollo 8 voltaram à Terra em 27 de dezembro de 1968, o mesmo dia em que Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos em São Paulo e levados para o Rio de Janeiro, onde ficaram até o carnaval de 1969. À prisão, seguiram-se o confinamento em Salvador e, afinal, o exílio em Londres.

A canção, faixa de abertura do LP Muito, veio uma década depois. É uma das grandes canções de Caetano Veloso. Merecidamente, está entre as 101 que, segundo Nelson Motta, tocaram o Brasil.

Quando Terra foi gravada, em 1978, a ditadura que prendera o compositor já começava a entrar em seus estertores.

Disco de blues dos Rolling Stones só veio na velhice

Os Rolling Stones sempre tocaram blues.

O nome da banda vem de um clássico do blues.

Eles não seriam o que são sem o blues.

Mas esperaram pela velhice para gravar um disco inteiramente dedicado ao gênero.

Imaginemos um artista brasileiro da geração dos Stones. Chico Buarque? Ele não é do rock, mas ilustra bem o que quero dizer.

Então, que tal Chico Buarque gravando um disco somente com velhos sambas de Ismael Silva, Geraldo Pereira, Wilson Batista?

Foi mais ou menos o que os Rolling Stones fizeram em Blue and Lonesome.

Numa trajetória de mais de meio século, o grupo já gravou muitos blues. Autorais e não autorais. Mas eles aparecem soltos na extensa discografia.

Blue and Lonesome é um tributo que o grupo devia aos seus fãs. E uma homenagem que os Stones precisavam fazer ao gênero. Eric Clapton, que participa do disco, fez o mesmo antes dos 50, em From the Cradle.

O disco de Clapton tem o perfeccionismo como marca. E há o virtuosismo do guitarrista.

O dos Stones é mais despojado. Meio sujo, gravado em poucas sessões. Ao vivo em estúdio. Mesmo assim, é muito correto.

Está lá o respeito às matrizes. A mesma reverência às fontes que temos em Clapton e em outros músicos brancos do Reino Unido um dia atraídos pela força dessa música criada pelos negros da América.

Quando tocam esses velhos blues, os Rolling Stones soam como os Rolling Stones. A intimidade com o repertório é tão grande que eles se apropriam das músicas como se fossem seus autores. Talvez por essa razão Blue and Lonesome tenha tanta unidade.

Os Rolling Stones demoraram muitos anos para fazer um disco assim. Foi bom. Fizeram com sabedoria, com experiência. Com salutar distanciamento.

Já olham tudo de longe! Nós também!

Morreu Vida Alves, atriz que deu o primeiro beijo da TV brasileira

Morreu Vida Alves. Ela tinha 88 anos.

Vida ficou conhecida como a atriz que deu o primeiro beijo da televisão brasileira. Foi em 1951, na TV Tupi, na novela Sua Vida me Pertence. Ela contracenou com Walter Foster.

Não foi o único pioneirismo na carreira de Vida Alves.

Em 1963, no teleteatro A Calúnia, ela protagonizou o primeiro beijo gay, contracenando com Geórgia Gomide.

Vida Alves era autora do livro Televisão Brasileira: o Primeiro Beijo e Outras Curiosidades.

O CD morreu! Quem compra CD é gente do século passado!

Uma década atrás, conheci uma cantora contratada como backing vocal de uma importante banda brasileira. Conversamos nos bastidores de um show no Recife. Falamos do trabalho da banda, das melhores canções, e tive a curiosidade de perguntar o que ela achava dos discos do grupo. A resposta me surpreendeu:

Não conheço nenhum disco deles.

Claro! Simples assim! Ela é de uma geração que não dá valor a esse conceito. Disco – uma coleção de canções com começo, meio e fim, uma capa, um encarte para ser manuseado durante a audição.

A conversa com aquela moça foi, para mim, o primeiro indício forte da morte do CD.

 

Dez anos atrás, você entrava numa livraria como a Cultura do Paço Alfândega, no Recife Antigo, e a oferta de CDs era um deleite para o consumidor. Alguns milhares de títulos distribuídos por gêneros em seções que misturavam nacionais e importados, lançamentos e catálogo. A área destinada a jazz e clássicos era do tamanho de uma loja não tão pequena!

Hoje, as seções diminuíram, os títulos ficaram escassos, as prateleiras estão vazias. O consumidor pergunta pelo disco novo dos Rolling Stones, um dos lançamentos do final do ano, e a loja não tem o produto. Tive essa experiência, semanas atrás.

O CD morreu? Está morrendo? Vai ser substituído por esse revival do vinil?

Penso que nem CD, nem vinil! O disco como conceito, não importa o formato, é que parece condenado a um consumo cada vez mais restrito.

Não é só a transferência do físico para o mundo digital. O conteúdo que se baixa na Internet, os serviços de streaming aos quais se recorre. Não. O problema é o fim do conceito, é a mudança de hábito no ato de consumir música.

Ora, num tempo em que até a morte da canção está em pauta, por que não falaríamos da morte do disco?

Vou concluir com o que ouvi de um músico, meia dúzia de anos atrás, numa conversa descontraída de mesa de bar. Ele me disse:

Você é um homem do século passado!

Fiquei curioso. Quis saber o motivo. E ele explicou:

Você ainda compra discos!

O Blu-ray está morto? Ao menos no Brasil, parece que sim!

Você entra na loja da Sony, num shopping de uma grande cidade, e diz que está à procura de um BD player (o aparelho que reproduz o Blu-ray).

O vendedor responde:

A Sony deixou de fabricar. Temos apenas esses dois aparelhos abertos no nosso mostruário. 

Não é só na Sony. Entre em qualquer loja em busca de um BD player. Dificilmente o aparelho será encontrado.

A conclusão é óbvia: o Blu-ray está morto no Brasil. Na melhor das hipóteses, agoniza.

 

 

No final do século XX, as fitas VHS foram substituídas pelo DVD. Menos perecível e com melhor qualidade de áudio e vídeo. Mais: o DVD motivou o consumidor a colecionar filmes e shows.

Uns 15 anos atrás, você entrava numa loja de departamentos, e lá estavam as pessoas comprando DVD para seus acervos domésticos.

No final da primeira década do século XXI, o negócio já era outro: Blu-ray, um disquinho com maior capacidade de armazenamento e um ganho sensível de áudio e vídeo.

Os colecionadores começaram, então, a trocar o DVD pelo Blu-ray. Operação complicada e, sobretudo, cara!

Até que, há uns dois anos, surgiram os primeiros sinais de que a nova mídia não teria vida longa.

A luz amarela acendeu quando verifiquei que grandes artistas brasileiros estavam lançando seus shows em DVD e não mais em Blu-ray. Ao mesmo tempo, havia a escassez de filmes no mercado (principalmente os clássicos), dificultando a substituição dos DVDs.

Por fim, veio o sumiço dos players.

Resultado da crise brasileira? O preço alto do produto? Constatação de que o DVD já satisfaz o consumidor? Crescimento dos serviços de streaming? Tudo junto?

A conclusão: preciso de um BD player de reserva!

Centenário do “Carinhoso” que o Brasil ama será daqui a 20 anos

No documentário Meu Tempo É Hoje, realizado no início dos anos 2000, Paulinho da Viola diz que Carinhoso é nossa maior canção popular. Claro que há outras. Aquarela do Brasil, Garota de Ipanema, Asa Branca.

Mas Paulinho deve estar certo. Ele faz uma ilustração maravilhosa. Diz que se uma pessoa qualquer entrar num bar e puxar a letra (“Meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê”), todo mundo não resiste e sai cantando. É mais ou menos assim porque Carinhoso é uma música que todos sabem, todos gostam. Todos amam!

Em seu primeiro programa de 2017, o Fantástico fez uma matéria sobre o centenário de Carinhoso e levou Zeca Pagodinho para cantar a música de Pixinguinha e Braguinha.

As pessoas anônimas cantando e o argumento de Paulinho da Viola estavam na reportagem.

A pesquisa foi corretíssima. A melodia foi composta em 1917 por Pixinguinha. Passou 11 anos para, em 1928, ser gravada pelo próprio autor. Oito anos depois, em 1936, ganhou a letra de Braguinha e, finalmente em 1937, foi gravada por Orlando Silva do jeito que a conhecemos.

Não pretendo contestar o Fantástico. A melodia de Carinhoso – está certo! – está fazendo realmente 100 anos agora em 2017.

Faço apenas um pequeno reparo:

O Carinhoso que Paulinho da Viola considera nossa maior canção popular não tem 100 anos. Tem 80!

Sim, porque o Carinhoso que a gente sai cantando quando ouve o primeiro verso não é só a linda melodia de Pixinguinha. É o encontro dessa melodia com a letra de Braguinha. Somadas – melodia e letra – ao registro inaugural e definitivo de Orlando Silva.

Portanto, o Carinhoso que nós amamos ainda vai esperar 20 anos para ser uma canção centenária!

(A foto de Pixinguinha em sua cadeira de balanço é de Walter Firmo)