Gênio do jazz, John Coltrane morreu há 50 anos

John Coltrane morreu no dia 17 de julho de 1967.

Há 50 anos.

Com seu sax, Coltrane não era só um músico extraordinário como tantos outros do seu instrumento no mundo do jazz.

Muito mais: ele era um daqueles que fundam, transformam, revolucionam.

Sim! O jazz e suas revoluções! Nos 50, nos 60. Coltrane estava lá. Junto de Miles Davis. Sozinho, comandando sua banda.

O jazz desconstruído e reconstruído por um homem de grandes inquietações e tormentos. Com a música, com a existência, com as religiões.

Coltrane tinha 40 anos quando morreu.

O melhor da sua arte está nesse disco: A Love Supreme.

O amor (ah, o amor!) em verso e prosa por Vinícius de Moraes

Houve um tempo em que muita gente não respeitava Vinícius de Moraes. De acadêmicos que não aceitavam o fato de ele ter migrado da poesia canônica para a letra de música até ouvintes ditos exigentes de música popular que não viam com bons olhos a sua parceria com Toquinho.

Desconsideravam o poeta da juventude e do início da maturidade. E o homem que redimensionou o artesanato da letra de música no Brasil a partir do advento da Bossa Nova. Antes de Toquinho, que não maculou sua arte, Vinícius foi extraordinário parceiro de Tom Jobim e Carlos Lyra e, com Baden Powell, escreveu os Afro-Sambas.

Quatro livros me levaram a essas lembranças de Vinícius.

Vamos a eles.

Organizado por Eucanaã Ferraz, o primeiro – Jazz & Co. – reúne textos de Vinícius sobre a história e a música dos negros americanos. Foram escritos pelo diplomata que morou nos Estados Unidos na década de 1940 e, de lá, saiu completamente fascinado pelo jazz.

Organizado por Carlos Augusto Calil, 0 segundo – O Cinema dos Meus Olhos – traz o Vinícius cinéfilo experimentando, ao seu modo, a crítica de cinema.

Debruçado sobre o jazz ou sobre o cinema, ele enche de paixão os seus textos. Ou não seria Vinícius de Moraes.

Organizado por Eucanaã Ferraz, o terceiro – Livro de Letras – reúne as letras de música escritas por Vinícius. O autor e seus parceiros (Tom, Lyra, Baden, Toquinho, etc.). Um texto admirável de Eucanaã (Uma reta ascendente para o infinito) guia o leitor, sob ótica acadêmica, nesse passeio pelo Vinícius dedicado à canção popular.

Organizado novamente por Eucanaã Ferraz, o quarto livro – Todo Amor – é o mais recente. O título já diz tudo. Em verso (poesia, letra de música) e prosa (crônica, carta), oferece um retrato de Vinícius através de um dos grandes temas – ou o principal? – do seu legado.

Um longo aprendizado do amor. É como o organizador do livro classifica a obra de Vinícius logo no início do texto de apresentação.

À leitura!

Game of Thrones no cordel. Capa é inspirada em Deus e o Diabo

Estreia neste domingo (16) mais uma temporada de Game of Thrones.

Leio que o paraibano Astier Basílio (jornalista, escritor, poeta, dramaturgo) fez um cordel chamado A Chegada de Jon Snow no Inferno.

A capa do cordel, segundo a matéria, tem arte de Emmanuel dos Anjos e mostra Jon Snow vestido de cangaceiro.

Faltou mencionar a inspiração da capa do cordel: o belo cartaz que Rogério Duarte fez para o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

O que Michel Temer e Charlie Watts têm em comum?

Reencontro um amigo que gosta de identificar semelhanças fisionômicas.

O ser humano se parece – costuma dizer.

Veja como Rômulo Arantes lembra Rick Danko! – me disse muitos anos atrás. Os dois ainda eram vivos.

A última desse amigo:

Repare como Michel Temer e Charlie Watts se parecem!

Será mesmo?

Ei, ela é gay!, disse Paul McCartney ao pai da garota

A cena ocorreu num show de Paul McCartney no estado americano da Georgia.

Na plateia, a jovem Becka exibia um cartaz.

Estava escrito:

Por favor, me ajude a dizer à minha família que eu sou gay!

O beatle mandou chamar a garota ao palco. Perguntou se havia mais alguém da família na plateia. Ela disse que sim: o pai!

Paul, então, foi rápido e certeiro:

Ei, pai, ela é gay!

Becka ficou emocionada e ganhou um autógrafo.

Vejam o vídeo.

O gesto confirma. Paul McCartney envelheceu (está com 75 anos) fiel aos muitos sonhos de liberdade da sua geração.

Quincy Jones e seus caminhos. Jazz e pop. Música e indústria

Ontem (13), no Festival de Montreux, o guitarrista paraibano Washington Espínola cumprimentou um gigante da música popular do mundo: Quincy Jones. Na foto, o maestro aparece com o CD de Washington nas mãos.

Aproveito para falar um pouco sobre Quincy Jones.

No final da década de 1980, Quincy Jones levou alguns rappers para um jantar em sua casa. Era o presente de aniversário do filho, um garoto apaixonado pelo rap. Durante a recepção, o maestro contemplou um pouco da relação fã/ídolo e lembrou da juventude, do tempo em que tinha o mesmo tipo de vínculo com as estrelas do jazz que admirava. Naquele jantar, começou a pensar num disco em que homenagearia a música negra americana num passeio que ia do jazz ao rap. O resultado se chama o conceitual Back on the Block, trabalho admirável que reúne grandes cantores e instrumentistas.

Back on the Block nos conduz por uma extraordinária viagem musical do Quincy Jones que já tinha experimentado tudo nos estúdios e nos palcos. Os puristas do jazz não tolerarão ouvir Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Dizzy Gillespie ao lado de cantores de rap. O disco é muito posterior à fusão de jazz e rock promovida por Miles Davis (que também está entre os convidados). Mais do que isto: é do Quincy pós Michael Jackson. É, portanto, do homem que nasceu no jazz, mas saiu deste para outras expressões da música negra americana. E também consolidou-se não só como instrumentista, autor e arranjador. Ainda como homem da indústria do disco.

No filme Ray, Quincy Jones aparece como amigo da juventude de Ray Charles. Ray nascido em 1930. Quincy em 1933. Lá na frente, os dois estão juntos num dos melhores discos de Charles: Genius + Soul = Jazz. O cantor já havia rompido com a Atlantic e cedido às tentações da indústria num contrato milionário com a ABC. O maestro ainda não se afastara tanto do jazz que cultivou no início da carreira. E que voltaria a abraçar, muitos anos depois, no último concerto de Miles Davis em Montreux. Ali, os dois visitam o repertório soberbo e impecável que Miles gravou sob os arranjos e a batuta de Gil Evans. Davis e Evans, um casamento perfeito.

Se quisermos o Quincy Jones que seduziu os amantes do jazz na década de 1950, ouçamos This Is How I Feel About Jazz. Aos 23 anos, em 1956, ele conduz uma big band a executar os números que arranjou. Apenas seis. E não é preciso mais. Em 1962, foi um dos primeiros a perceber, tão velozmente quanto Stan Getz e Charlie Byrd, a revolução contida na nossa Bossa Nova ao gravar Big Band Bossa Nova. Os puristas daqui talvez não gostem. Dirão, não sem razão, que a bossa não é daquele jeito que Quincy imaginou. Mas não há como ignorar a importância do gesto de músicos como Jones diante do fenômeno brasileiro.

Quincy no jazz em This Is How I Feel About Jazz. Quincy pós tudo em Back on the Block. Opostos que podem se atrair. Depende do ouvinte. Quincy relendo um mestre do cinema em Explores the Music of Henry Mancini. Já é muito pop, afirmarão seus críticos, mas como é bem resolvido. Quincy Jones produzindo Michael Jackson em Thriller, pérola do universo pop. E da indústria do disco. Da música como negócio, não há como negar. Que tal, então, Jones e Davis em Montreux? É o retorno a um encontro essencial da música popular do século XX. O de Davis com Evans. Quincy Jones e seus caminhos.

Harrison Ford faz 75 anos. Vamos vê-lo jovem e desconhecido?

O ator Harrison Ford fez 75 anos nesta quinta-feira (14).

O Han Solo da saga Star Wars e o Indiana Jones dos filmes de Spielberg são os personagens que o eternizam. Mas há ainda o Deckard de Blade Runner.

Muita gente não sabe que Ford fez um pequeno papel em American Graffiti, de 1973, do mesmo George Lucas que o levou para fazer Star Wars.

Ele é o visitante caipira que, na cidadezinha da Califórnia onde se passa o filme, desafia o rebelde John Milner para um “pega” ao amanhecer.

Eis a sequência.

12 álbuns ao vivo para celebrar, hoje, o Dia Mundial do Rock

Hoje é o Dia Mundial do Rock.

A data é por causa do Live Aid, que não é, certamente, o maior momento da história do rock. Mas, muito bem, ela existe, e vamos celebrar.

Escolhi 12 álbuns para a comemoração. Não necessariamente os melhores.

São todos gravados ao vivo. E me são muitíssimo caros.

BEFORE THE FLOOD – Bob Dylan e The Band

Dylan com The Band. Dylan sozinho ao violão. The Band sem Dylan. Em dois discos, um show vigorosíssimo, resultado da longa parceria do artista com o grupo canadense.

THE CONCERT FOR BANGLADESH – George Harrison e convidados

O beatle George recebe seus amigos (Dylan, Clapton, Russell, Preston, Ringo, Shankar) num concerto que angariou fundos para a população faminta de Bangladesh.

4 WAY STREET – Crosby, Stills, Nash & Young

David Crosby, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young estão juntos nesse álbum duplo com performances elétricas e acústicas. O que neles restou do sonho de Woodstock.

ELVIS AS RECORDED AT MADISON SQUARE GARDEN – Elvis Presley

Quando cantou em Nova York, em 1972, Elvis foi chamado de príncipe de outro planeta. O disco traz o registro integral de um dos seus shows no Garden.

JOPLIN IN CONCERT – Janis Joplin

Álbum duplo lançado dois anos após a morte de Janis Joplin. Reúne trechos de vários shows da grande cantora de carreira meteórica e vida muito curta.

HENDRIX IN THE WEST – Jimi Hendrix

Preciosos registros de Hendrix no palco. Um dos melhores dos muitos discos póstumos daquele que permanece na história do rock como o maior de todos os guitarristas.

MAD DOGS & ENGLISHMAN – Joe Cocker

Depois do sucesso em Woodstock, Joe Cocker fez uma excursão louca pelos Estados Unidos. Esse álbum duplo mostra como era, na íntegra, o show de Cocker e sua banda.

LIVE RHYMIN‘ – Paul Simon

Longe de Garfunkel, Paul Simon submete suas melodiosas canções e sua voz delicada e doce a novos formatos: do gospel dos negros americanos aos sons da América do Sul.

GET YER YA-YA’S OUT! – The Rolling Stones

Os Rolling Stones em concerto no Madison Square Garden, na excursão de 1969. Estão em plena forma numa apresentação vista e ouvida parcialmente no filme Gimme Shelter.

BRING ON THE NIGHT – Sting

Depois de integrar o power trio The Police, Sting partiu para a carreira solo. Nesse álbum ao vivo, trabalha com grandes músicos e mistura o seu rock com um sotaque jazzístico.

WINGS OVER AMERICA – Paul McCartney e Wings

Em meados dos anos 1970, McCartney e seu grupo, o Wings, percorreram a América com esse show registrado integralmente num álbum triplo. Em alguns números, Paul volta aos Beatles.

YESSONGS – Yes

Um dos grandes grupos do rock progressivo, o Yes mostra o seu melhor nesse álbum triplo. Grandes números, virtuosismo vocal e instrumental, repertório antológico.

Chuck Berry se despede com disco que não decepciona

Chuck Berry fez 90 anos em outubro de 2016. Morreu em março de 2017.

Deixou um disco pronto. Ou quase pronto.

Temi que não estivesse à sua altura. Por causa da idade avançada. E do que acontece com tantos trabalhos póstumos.

Mas Chuck (que acaba de ser lançado no mercado brasileiro) é muito bom!

Seu último disco de inéditas (Rock It) tem quase quatro décadas. De lá para cá, lançou o álbum (ao vivo) comemorativo dos seus 60 anos e fez muitos shows pelo mundo. Disco novo, à medida em que a idade avançava, ninguém esperava mais.

Mas eis que o velho Berry surpreendeu no fim da vida.

Chuck é trabalho de um homem velho. Um artista que já fez tudo. Há “truques” de estúdio para suprir as limitações (a voz frágil, a guitarra imprecisa) trazidas pela idade. O filho, guitarrista como o pai, está no estúdio, tocando e aperfeiçoando o que foi gravado.

O resultado não decepcionará os admiradores do grande artista que Chuck Berry foi.

Está tudo lá: a voz inconfundível, a guitarra que influenciou tanta gente, as músicas irresistíveis, o universo poético (tão intuitivo quanto inteligente) do letrista. Blues, balada, country waltz e – claro! – o melhor rock’n’roll!

Como não havia mais o que inventar, Berry se reinventa. Dois exemplos: Lady B. Goode dialoga com seu maior sucesso, Johnny B. Goode. Jamaica Moon recria Havana Moon.

São 10 faixas. Apenas 35 minutos.

É o adeus de um dos pais do rock.

E inventor de um estilo de fazer rock que, de tão singular, deve levar seu nome!

Bethânia está zangada por não fazer show e anuncia nova data

Está confirmada a nova data do show de Maria Bethânia em João Pessoa: segundo a produção local, será no dia 17 de agosto no teatro A Pedra do Reino. O show estava marcado inicialmente para o próximo sábado (15).

Bethânia divulgou um comunicado ao público.

Transcrevo:

Meus amigos

Muito zangada por não poder fazer o show no sábado. 

Sentimentos fortes e extremados me abateram fisicamente, a perda da minha irmã Clara e logo o palco com seu ritmo de vida e movimento.

O planeta está cheio desses bichinhos ruins com nomes esquisitíssimos e um deles me deu uma rasteira.

Não poderei fazer o show. Mas revigoro logo e quero e vou fazer o show aqui dentro do abraço de vocês.

Esse show é pra ser feliz, namorar, dar beijo na boca, revirar os olhinhos. 

Quero tudo Isso muito e logo e com vocês.

Continuo zangada, mas confio em nós, vocês e eu, e Deus.

Maria Bethânia

A Casa de Taipa Produções – empresa responsável pelo show em João Pessoa – divulgou a seguinte nota:

Os ingressos adquiridos antecipadamente continuam valendo para a nova data do show. Aqueles que desejarem reembolso, devem procurar o mesmo canal em que a compra foi realizada, a partir da próxima terça-feira, dia 18 julho, até o dia 11 de agosto. 

Para os que efetuaram a compra através da Tudus, basta acessar o site tudus.com.br e solicitar o estorno da mesma. Já aqueles que adquiriram as entradas nos pontos de venda físico, é necessário que se dirijam ao local onde a compra foi realizada, a partir de segunda-feira (29), portando os ingressos. Os bilhetes serão estornados exclusivamente na modalidade da compra. Os endereços da bilheteria física são os seguintes: Salão L’estilo, em Campina Grande, Rua da Independência, 137, São José, de segunda a sábado, das 9h às 18h / CNA Manaira, em João Pessoa, Av. Esperança, 1265 – João Pessoa, de segunda à sexta 14h às 18h, sábado das 9h às 12h.

Sempre primando pela oferta dos melhores serviços ao público, a Casa de Taipa Produções se coloca à disposição de todos para quaisquer esclarecimentos.