Só mesmo um imbecil pode acreditar que a Terra é plana!

SÓ MESMO UM IMBECIL PODE ACREDITAR QUE A TERRA É PLANA!

Acordei pensando nisso.

Sabem o motivo?

É que nesta sexta-feira (12) faz 58 anos que Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a voar em órbita da Terra.

A Terra é azul.

Em 12 de abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin pronunciou a frase ao se transformar no primeiro homem que orbitou nosso planeta.

Eu tinha dois anos, claro que não tenho nenhuma lembrança do feito, mas cresci ouvindo meu pai falar da sua importância científica, do seu significado histórico e da força poética da frase.

A Terra é azul. 

A simplicidade do comentário de Gagarin não destoa da dimensão do seu voo pioneiro.

Antes, parece a mais perfeita tradução do impacto que aquela visão provocou.

O planeta visto de fora, como ninguém o havia observado antes.

Com seus próprios olhos, Gagarin viu também que a Terra é redonda.

E agora, em 2019, tem gente defendendo a tese de que a Terra é plana.

Não quero ser grosseiro, mas só mesmo os imbecis acreditam que a Terra é plana!

A Paixão de Cristo para ver (ou rever) na Semana Santa

Ver a Paixão de Cristo (ou um drama épico) no cinema era tradição na Semana Santa. Mas isso acabou, faz tempo.

Grandes cineastas (Ray, Stevens, Pasolini, Scorsese) filmaram a vida de Jesus.

Escolhi seis filmes que podem ser revistos em casa durante a Semana Santa. Ou – quem sabe? – apresentados à garotada.

O REI DOS REIS

Direção de Nicholas Ray. Jesus é Jeffrey Hunter. Tem um sermão da montanha filmado magistralmente. O narrador é Orson Welles. De 1961.

O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Direção de Pier Paolo Pasolini. Jesus é um ator amador. Versão neorrealista da vida de Cristo filmada por um homossexual, marxista e ateu. De 1964.

A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS

Direção de George Stevens. Jesus é Max Von Sydow, um dos atores de Bergman. A Aleluia de Handel dá rara beleza à sequência da ressurreição de Lázaro. De 1965.

JESUS CRISTO SUPERSTAR

Direção de Norman Jewison. Jesus é Ted Neeley. A Paixão de Cristo transformada num musical polêmico. A cena do Getsêmani é a mais bela do filme. De 1973.

JESUS DE NAZARÉ

De Franco Zeffirelli. Minissérie de televisão exibida nos cinemas em duas partes. Jesus é Robert Powell. de 1977.

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

De Martin Scorsese. Jesus é Willem Dafoe. Os dilemas da fé num filme que não agradou aos católicos. De 1988.

Beba por mim e por minha saúde, já que eu não posso mais beber

O ano era 1973.

Pablo Picasso, uma das figuras geniais do século XX, esteve com amigos à noite.

Pediu que bebessem por ele e por sua saúde já que não podia mais beber.

No dia seguinte, estava morto.

O homem que legou Guernica ao mundo tinha 91 anos.

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O ator Dustin Hoffman, num intervalo das filmagens de Papillon, contou essa história a Paul McCartney.

Paul pegou o violão e cantou mais ou menos assim:

Beba por mim

Beba por minha saúde

Você sabe que não posso mais beber

O resultado, mais tarde, foi uma bela canção chamada Picasso’s Last Words.

As últimas palavras de Picasso.

De Paul para Pablo.

O vídeo é do filme Rock Show, que mostra o grupo Wings em turnê pela América.

A gravação original de Picasso’s Last Words está no disco Band on the Run.

É uma pena que tudo aquilo tenha dado em Jair Bolsonaro!

10 de abril.

Nesta quarta-feira, faz 35 anos que, no Rio de Janeiro, foi realizado o comício da Candelária pela aprovação da emenda que restabelecia as eleições diretas para presidente.

Estavam todos lá. Ulysses, Tancredo, Lula, Brizola, Montoro – os líderes políticos unidos na luta pela redemocratização.

As diretas não passaram, mas o país se redemocratizou a partir da eleição, ainda indireta, de Tancredo/Sarney.

Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer. Dois presidentes derrubados pela via do impeachment. Foi o caminho que percorremos.

Agora estamos sob Bolsonaro.

Ele será varrido. Li hoje na Folha. Quem disse foi Jorge Mautner.

Ele já foi Jesus, jogou xadrez com a morte e enfrentou o diabo

Todo mundo lembra que ele tirou o diabo do couro de uma menininha rechonchuda.

Muita gente lembra que ele jogou xadrez com a morte.

Há, mas em menor quantidade, os que lembram que ele já foi Jesus Cristo.

Max Von Sydow, o grande ator sueco dos filmes de Ingmar Bergman, faz 90 anos nesta quarta-feira (10).

Para os cinéfilos, o melhor de Sydow é seu trabalho com Bergman.

Foram parceiros em muitos filmes.

O Sétimo Selo, certamente, é o mais importante.

Max Von Sydow se projetou internacionalmente filmando com Ingmar Bergman.

Da Suécia para a América.

Em Hollywood, foi Jesus em A Maior História de Todos os Tempos, belíssima Paixão de Cristo dirigida pelo mesmo George Stevens de Um Lugar ao Sol e Os Brutos Também Amam.

Em O Exorcista, de grande sucesso comercial, fez o padre Merrin, convocado para salvar uma garotinha possuída pelo demônio.

Em Hannah e Suas Irmãs, como um irascível artista plástico casado com uma bela mulher, levou algo de Bergman para o cinema de Woody Allen.

Sob Steven Spielberg, vimos Sydow em Minority Report. Sob Martin Scorsese, em Ilha do Medo.

Grande trajetória a de Max Von Sydow.

Cinco CDs póstumos de Bowie são bons retratos do artista ao vivo

Investir em carreiras póstumas tem sido um bom negócio para a indústria fonográfica. Sobretudo quando há muito material inédito nos arquivos das gravadoras e dos próprios artistas.

Creio que Elvis Presley está no topo quando o assunto é discografia póstuma.

O artista morreu em 1977, e, de lá para cá, dezenas de discos inéditos enriqueceram os acervos dos colecionadores.

David Bowie morreu em janeiro de 2016.

Dois dias antes, lançara um disco novo (Blackstar) e completara 69 anos.

Tinha câncer no fígado e é muito provável que tenha optado por suicídio assistido.

Nesses três anos que nos separam da morte de Bowie, cinco álbuns duplos ao vivo chegaram ao mercado em edições físicas.

São bons retratos do artista no palco.

As gravações – tecnicamente bem feitas –  são de 1974, 1978, 1983, 1987 e 2000.

Nesses cinco álbuns, há o retorno a turnês que, em seu tempo, já haviam gerado outros discos ao vivo.

Há também material que já era conhecido em vídeo. E até conteúdo lançado anteriormente em CD, só que numa edição limitada.

Mas nada disso, para quem admira Bowie, tira o sabor da degustação desses lançamentos.

Dos cinco títulos, o que mais me agradou foi o Glastonbury 2000.  Pena que a edição brasileira veio sem o DVD (ou Blu-ray).

Seguem as capas.

CRACKED ACTOR

WELCOME TO THE BLACKOUT

GLASTONBURY 2000

SERIOUS MOONLIGHT

GLASS SPIDER

Apesar da retração da indústria do disco, esses cinco CDs duplos de David Bowie foram todos lançados em edições físicas no mercado brasileiro.

Bolsonaro é um homem sincero. Eis a grande tragédia nacional

O presidente Jair Bolsonaro é um homem sincero.

Sempre achei que ele, comumente, fala a verdade.

Diz o que pensa. Sem traquejo. Sem reflexão. Sem pensar no que está dizendo.

Lembro de um vídeo dele, bem mais jovem, defendendo a tortura num programa de televisão.

É isso mesmo. Ele defende a tortura. Ele tem Ustra como um herói nacional.

Já vimos Bolsonaro em falas completamente inaceitáveis.

Racismo. Machismo. Homofobia.

Tudo isso já vimos em Bolsonaro.

Ataques às instituições, à liberdade de imprensa, à Constituição. Também já vimos.

Ninguém falou por ele. Ninguém inventou nada. Ninguém colocou palavras na sua boca.

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Quarta-feira que vem (10), o governo alcança a marca dos 100 dias.

É uma marca simbólica, muito usada.

Os governantes (prefeitos, governadores, presidentes) comemoram 100 dias.

Pensemos nos 100 dias de Bolsonaro.

As coisas estão indo bem?

Estão dando certo?

As primeiras promessas estão sendo cumpridas?

A equipe é boa?

O diálogo com o parlamento é produtivo?

O desemprego está diminuindo?

A popularidade continua em alta?

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Bolsonaro admitiu que está com um abacaxi nas mãos.

O abacaxi é governar o Brasil.

O abacaxi é ser presidente da República.

Foi mais longe.

Bolsonaro disse que não nasceu para ser presidente. Nasceu para ser militar.

É uma confissão gravíssima para um homem que, há pouco mais de cinco meses, foi eleito presidente com 58 milhões de votos dos brasileiros.

É uma confissão gravíssima para um homem que governa o Brasil há pouco mais de três meses.

O problema é que, num tempo em que tudo é banalizado, não é dada a uma fala como esta a dimensão que ela de fato tem.

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O presidente Jair Bolsonaro é um homem sincero.

Ele disse a verdade.

Bolsonaro não nasceu para ser presidente.

Esta é que é a grande tragédia nacional.

O pior dele ainda não me surpreenderá.

Flávio Tavares pergunta se artistas plásticos têm medo de protestos

O artista plástico paraibano Flávio Tavares tem participado ativamente das manifestações populares convocadas pela esquerda.

Neste domingo (07), ele estava no ato em defesa do ex-presidente Lula realizado na Lagoa.

Nesta segunda-feira (08), Flávio Tavares usou o Facebook para falar sobre a ausência dos artistas plásticos nessas manifestações.

O questionamento de Flávio:

FRIEZA? DESCASO? ALIENAÇÃO? MEDO? Talvez seja a clausura dos seus ateliês…

Ou um execrável auto polimento nos seus EGOS.

Sinto uma AUSÊNCIA quase total da “classe” de artistas plásticos nos múltiplos PROTESTOS atuais. 

1968 a coragem tinha CARA E COR. 

Maior mérito de Coppola foi ter realizado O Poderoso Chefão

O cineasta americano Francis Ford Coppola faz 80 anos neste domingo (07).

Seu maior mérito foi ter realizado O Poderoso Chefão, um dos maiores filmes do mundo.

Coppola é muito diferente de Steven Spielberg e Martin Scorsese, seus contemporâneos. Ele filmou menos e tem uma obra mais irregular.

Mas até Spielberg e Scorsese, a despeito dos grandes filmes que realizaram, não fizeram nada que se compare a O Poderoso Chefão.

A primeira parte da trilogia baseada no romance de Mario Puzo é um desses filmes perfeitos.

Realizado em 1972, O Poderoso Chefão é extraordinariamente bem construído, tem um grande elenco (do experiente Marlon Brando ao jovem Al Pacino) e temas musicais marcantes do mesmo Nino Rota dos filmes de Federico Fellini.

O Poderoso Chefão fala dos subterrâneos do poder muito mais do que da máfia, daí a permanente atualidade da sua trama e dos seus personagens.

Na filmografia de Francis Ford Coppola, destaco também as duas sequências de O Poderoso Chefão (sobretudo a segunda parte), A Conversação e Apocalypse Now.

Há ainda a bela versão do Drácula de Bram Stoker.

O jornalista tem alguma coisa a comemorar em seu dia?

Neste domingo (07), logo cedo, sou lembrado por alguns amigos: hoje é o dia do jornalista.

A pergunta que logo me ocorre:

O jornalista tem alguma coisa a comemorar em seu dia?

Sim e não.

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Começo pelo não.

um. O terremoto digital estabeleceu parâmetros que apontam para um futuro absolutamente incerto.

dois. Nas redes sociais, muitos imbecis pensam que são jornalistas.

três. As notícias falsas se confundem com as verdadeiras.

quatro. A redução de quadros atinge todas as redações, mesmo as maiores.

cinco. Os salários continuam baixos.

seis. Os jornalistas que se dedicam às piores práticas aprimoraram seus métodos.

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E o sim?

A liberdade de imprensa.

Mas isso não existe, muitos dirão.

O que existe é a liberdade de empresa, argumentarão.

Mesmo assim, o sim vai para a liberdade de imprensa. A que temos. A que é possível ter. Com todos os seus defeitos, com todas as suas limitações.

Sem ela, saberíamos muito pouco.

Quando ela foi suprimida, soubemos muito pouco.

Sem ela, não haveria um título assim:

“Os brasileiros botaram um idiota na presidência da República”.