Lula é líder de grandeza incomparável, diz Caetano em artigo

Brilhante, instigante, inteligentíssimo o extenso artigo de Caetano Veloso na revista online “Fevereiro”. Chama-se “Um voto”. Começa lá longe, no voto dele no marechal Lott, contra Jânio, e vem até o Brasil de Dilma. Contém as inquietações do artista sobre o destino do Brasil.

Deve ser lido com calma, na íntegra, posto que provoca reflexões muito oportunas sobre os impasses brasileiros. Mas caio na tentação de transcrever um pequeno trecho. Para provocar e estimular a sua leitura:

“Não quero ver o Brasil cindido. Estou certo de que desejo muito mais a grandeza do Brasil do que a prova da teoria da mais-valia ou o êxito total do capitalismo. Minhas motivações são de sonho de afirmação nacional, na crença de que podemos criar algo que ensine ao mundo a ternura de que falam tanto Mangabeira (Unger) quanto (Eduardo) Gianetti.

A volta de Lula? O pensamento sobre 2018 trouxe a hipótese. Lula é um líder de grandeza incomparável, talvez só Getúlio. Seu discurso em resposta à estranha decisão do juiz Moro de expedir uma condução coercitiva para levá-lo a depor sem que ele tivesse se negado a fazê-lo mostrou um político potente. Pouco depois, ele já aparecia como um ex-líder. Entristece, mas a fórmula de liderança populista é algo que me sugere retrocesso a velhos males latino-americanos”.

Morre guitarrista que ajudou Elvis a inventar o rock

Morreu o guitarrista que ajudou Elvis Presley a inventar o rock. Scotty Moore tinha 84 anos. Ele morreu nesta terça-feira (28) na sua casa em Nashville, nos Estados Unidos.

Scotty Moore estava com Elvis e o baixista Bill Black no estúdio da Sun Records em Memphis, na gravação de “That’s All Right Mama”. Para muita gente, aquele registro, de julho de 1954, é o marco zero do rock.

Foi naquela gravação que Elvis Presley fundiu o R & B dos negros com o country & western dos brancos e deu início a uma revolução.

Admirado pelos Beatles e pelos Rolling Stones, Scotty Moore trabalhou com Elvis de 1954 a 1968. Na despedida, num especial da NBC, foi parceiro de Elvis numa outra invenção: o unplugged, formato de show que a MTV difundiria com tanto sucesso na década de 1990.

 

Música, Vídeos

Trilha sonora de “Velho Chico” é tão diferente como a novela

O volume 1 da trilha da novela “Velho Chico” está disponível em sua versão física. Chama atenção pela qualidade do repertório escolhido. Não poderia ser diferente numa novela em que a música tem importância capital.

Do mesmo modo que “Velho Chico” tem ousadias estéticas, sua trilha se diferencia das de outras novelas. Traz até Elomar, o grande compositor baiano, que é totalmente avesso a televisão.

Gravações antigas se misturam com outras registradas especialmente para a trilha. Tema de abertura, “Tropicália”, de Caetano Veloso, foi recriada com um vigoroso arranjo de cordas.

Um dos momentos mais tocantes é a “Suíte Correnteza”, na versão do disco ao vivo “Cantoria”, de Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. É nessa suíte que está o belo tema “Barcarola do São Francisco”, de Geraldo Azevedo.

Vital Farias aparece, como autor, em “Veja Margarida”, cantada por Marcelo Janeci. E Chico César, como intérprete, na “Serenata”, de Schubert. As duas faixas foram gravadas para a trilha.

Surpreendente: Geraldo Vandré está na novela com seu “Réquiem para Matraga”, mas esta não aparece no disco. Deve ter ficado para o segundo volume.

Bud Spencer (com Terence Hill) lotou as matinês dos anos 1970

Bud Spencer e Terence Hill

Morreu aos 86 anos Bud Spencer, que fez dupla com Terence Hill nos filmes da série Trinity, muito populares na década de 1970.

Tenho que confessar: nunca gostei de westerns italianos, muito menos de westerns italianos cômicos. Mas não posso deixar de reconhecer a imensa popularidade da dupla que fez milhões de fãs pelo mundo.

Faço o registro da morte de Bud Spencer em respeito a essa legião. Terence Hill está vivo. Tem 77 anos. Os dois nasceram na Itália apesar dos nomes artísticos em inglês.

Livro de jornalista baiana fala de famílias homoafetivas

Famílias homoafetivas

Uma dica de leitura no Dia Internacional do Orgulho LGBT: “Famílias Homoafetivas: a insistência em ser feliz”. O livro, da jornalista baiana Lícia Loltran, fala de mulheres que constroem famílias com outras mulheres.

Segundo a Autêntica Editora, responsável pelo lançamento, a obra apresenta histórias que formam e transformam, sobre os encontros, as descobertas, as alegrias e as tristezas de mulheres que romperam com paradigmas de uma sociedade patriarcal e desconstruíram imagens criadas por estereótipos e generalizações.

As distintas vivências, os relacionamentos, a superação de preconceitos, a aceitação, a maternidade, são temas tratados nas histórias das personagens contadas em cada capítulo do livro.

“Elas mudaram a minha vida. Passei a lutar ainda mais em meu nome, em nome delas, de suas crianças, de todas as famílias homoafetivas e de tudo o que passam ou já passaram”, diz Lícia Loltran, uma jornalista baiana nascida em Juazeiro. Para escrever o livro, Lícia viajou pelo Brasil em busca das trajetórias desconhecidas dessas mulheres que formaram famílias com outras mulheres.

Trailer oficial de “Aquarius” é divulgado. Estreia será em setembro

O trailer oficial de “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, foi divulgado nesta segunda-feira (27). O segundo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho (o primeiro é “O Som ao Redor”) tem estreia marcada para o dia primeiro de setembro.

No Festival de Cannes, Kleber e elenco foram notícia por causa do protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas o protesto passa, e o filme fica.

Os paraibanos Fernando Teixeira e Buda Lira estão no elenco e aparecem no trailer. Vejam.

 

Safadão, Chico César, forró de plástico. Com a palavra, Pedro Osmar

No meu post anterior, escrevi sobre o cachê de Wesley Safadão, forró de plástico, Chico César, etc.

Compartilhei no Facebook, e o compositor Pedro Osmar, nosso querido guerrilheiro cultural, fez um comentário que transcrevo a seguir:

“Isso me cheira a ficar em cima do muro quando o assunto é ‘máfia do mercado’! O mercado mafioso é esse que protege uns poucos (de grandes cachês, com qualidade altamente duvidosa) e exclui a maioria dos artistas brasileiros, antigos e novos, de médios e pequenos cachês e que se fundamenta num trabalho cultural e politico melhor definido ao lado do povo que precisa de um futuro para se sustentar. Mercado são os meios de comunicação atrelados à essa máfia das empresas que contratam artistas e tem no poder público um de seus braços e pernas…pagar e receber R$575 mil reais por um show de baixa qualidade desse ‘Safadon’, de baixíssimo nível de informação, é uma safadeza só, putaria mesmo que ninguém merece. E quem decide essas contratações? Quando o então secretário de cultura da Paraíba, Chico César, opinou e se posicionou contra a contratação de artistas de forró de plástico pelo governo do estado foi uma postura altamente qualificada, consciente, de um gestor que não era apenas um executivo, mas sim um artista que nunca deixou dúvidas sobre suas intenções. Considerando que a SECULT não teria condições de investir em eventos que precisem contratar artistas que tenham esse nível de cachê. Vez em quando essa conversa vem à tona, revelando uma carniça administrativa que o estado brasileiro democrático não comporta e nem suporta. Não dá para ver e saber disso e ficar tirando uma de ‘joão sem braço’, que não sabe de nada. Sejamos sérios e sinceros com a verdade. As populações merecem essa atenção e cuidado”.

Safadão, Chico César e a polêmica do cachê

Wesley Safadão esteve no noticiário dos últimos dias por causa do cachê de R$ 575 mil que recebeu (e anunciou que vai doar) para cantar no São João de Caruaru. É muito para o poder público pagar? Sim. A parceria público-privada é o caminho para viabilizar esse tipo de show nas nossas festas populares.

Mas não é disso que quero falar.

Vi muita gente dizer que o absurdo não é pagar R$ 575 mil de cachê. O absurdo é pagar R$ 575 mil de cachê a Wesley Safadão. Não concordo.

No Facebook, a propósito de uma queixa de Joquinha Gonzaga, que se diz sem mercado, Chico César mencionou o tempo em que, como gestor público, lutou contra o forró de plástico.

Disse assim: “Eu tentei peitar a máfia do mercado quando fui gestor de cultura na Paraíba. Muita gente não gostou, poucos entenderam”.

Não entendo de máfia do mercado. Mas entendo um pouco e desconfio de critérios estéticos usados como argumento para incluir um e excluir outro. Ou, pior: incluir porque é politicamente alinhado, excluir porque não é.

Um dia, na juventude, ansioso para ouvir a condenação, perguntei a um dos nossos maiores artistas o que ele achava da má música brasileira. Sabem o que ele me respondeu? Que a música popular do Brasil é grande por causa de todos os que a fazem. Inclusive os que pensamos que não são bons. Simples assim.

Rápidas: Game of Thrones e Adele

Game

Duas informações rápidas de música internacional:

A série “Game Of Thrones” teve a trilha sonora da sexta temporada lançada nesta sexta-feira (24) pela Sony Music. O autor da trilha da premiada série da HBO é o compositor alemão Ramin Djawadi, que já havia produzido o conjunto sonoro das cinco temporadas anteriores.

O último disco de Adele, “25”, foi disponibilizado na íntegra nas principais plataformas digitais nesta sexta-feira (24). O novo álbum da cantora já vendeu mais de 17 milhões de cópias ao redor do mundo.

O poeta quer beber vento, Gilberto Gil e Caixa D’ Água

Gil Super 8

O ano, 1977. Gilberto Gil chega a João Pessoa com o show “Refavela”. É apresentado a Manoel de Lima, que, nas ruas da cidade, era conhecido como o poeta Mané Caixa D’Água.

Caixa D’Água diz, e Gil repete no palco do velho Teatro Santa Roza: ”os homens mais populares do Brasil são o presidente Geisel, Caixa D’Água e Gilberto Gil”.

Acho que só quem conheceu Caixa D’Água, figura popular da capital da Paraíba, entende direito o significado dessa história.

Gil entende. E, até hoje, imita o nosso Caixa: “o poeta quer beber vento!”.

Na foto, por sugestão de Jomard Muniz de Britto, Gilberto Gil é filmado em Super 8 imitando o poeta. Pedro Nunes operou a câmera. Eu seguro o microfone. Flora aparece de costas.

A foto, de 1982, é de Olga Costa e está nos meus arquivos. Posto aqui para homenagear Gil, aniversariante do dia.