Os Titãs não são a melhor banda de todos os tempos da música brasileira

Paulo Miklos deixou os Titãs referindo-se ao grupo como a melhor banda de todos os tempos da música brasileira. Como gentileza, vale. Mas é um exagero.

Os Titãs não são nem ao menos a melhor banda brasileira do rock dos anos 1980. Embora tenha feito um disco essencial (“Cabeça Dinossauro”), o grupo tem ao seu lado mais três bandas importantes nos 80:  o Barão Vermelho, que nos legou Cazuza; Os Paralamas do Sucesso, longevo power trio comandado por Herbert Vianna; e o Legião Urbana de Renato Russo.

Se me fosse pedido para escolher a melhor banda de todos os tempos da música brasileira, ficaria com Os Mutantes. O trio (depois quinteto) formado em São Paulo na segunda metade dos anos 1960 fez rock de vanguarda no nível do que se produzia de melhor no rock do mundo.

Nos anos 1970, citaria Os Novos Baianos, outro grupo fundamental para a música brasileira. Seu disco “Acabou Chorare” aparece sempre na lista dos melhores discos feitos no Brasil.

Os Mutantes foram tropicalistas. Os Novos Baianos, pós. Ambos incorporaram ao rock elementos da música popular brasileira. E foram muito felizes nessa fusão.

 

 

Vídeo da BBC sobre Olimpíadas do Rio é preconceituoso e estereotipado

A emissora britânica BBC divulgou vídeo que produziu para as Olimpíadas do Rio. É The Greatest Show on Earth.

Bonito e tecnicamente impecável, o vídeo, no entanto, é estereotipado e preconceituoso. Ao mostrar animais praticando as modalidades olímpicas dentro da floresta, reforça a imagem de que o Brasil ainda é um país selvagem.

Vejam e tirem suas conclusões.

 

Pedofilia já era tema da primeira entrevista de Dom Aldo na Paraíba

Primeiro semestre de 2004. Dom Marcelo Carvalheira estava de saída. Dom Aldo Pagotto estava de chegada. A Paraíba se preparava para ter um novo arcebispo.

Antes de vir em definitivo para assumir o comando da Arquidiocese, Dom Aldo fez uma visita a João Pessoa e deu uma coletiva de imprensa.

Como chefe de redação da TV Cabo Branco, escalei a repórter Danielle Huebra e a orientei: na sua vez, se apresente, mencione o nome da emissora onde você trabalha, diga que é afiliada da Rede Globo. Justifique a necessidade de fazer a pergunta e, não hesite, faça:

Dom Aldo, o senhor chega à Paraíba acusado de acobertar um caso de pedofilia dentro da Igreja no Ceará. O que o senhor tem a dizer sobre essa acusação?

Dom Aldo parecia ter a resposta pronta. Com serenidade, disse que não acobertara, apenas dera apoio psicológico ao religioso acusado de pedofilia.

Ao editar a entrevista para o telejornal da noite, confesso que duvidei da sinceridade do arcebispo. Dúvida que se juntou a outras dúvidas que foram se acumulando ao longo dos 12 anos em que esteve à frente da Arquidiocese da Paraíba.

Volto, aqui, a Dom Aldo Pagotto depois de ler a entrevista dele à revista Veja.

A entrevista de agora traz a lembrança daquela primeira coletiva de imprensa.

Na chegada e na saída, pesa sobre Dom Aldo a suspeição de que, na melhor das hipóteses, acobertou casos de pedofilia dentro da Igreja.

Paulo Miklos deixa os Titãs. Grupo divulgou nota para oficializar saída

O músico Paulo Miklos deixou a banda Titãs. A saída foi oficializada nesta segunda-feira (11) através de nota divulgada pelo grupo e também por Miklos nas redes sociais. O guitarrista Beto Lee passa a integrar a atual formação.

Na nota, os Titãs dizem que Paulo Miklos tomou uma decisão pessoal para se dedicar a projetos individuais. “O guitarrista Beto Lee se junta ao baterista Mário Fabre na dupla de músicos especialíssimos que acompanharão os Titãs a partir de agora”, diz a nota.

Nas redes sociais, Miklos classificou os Titãs como “a melhor banda de todos os tempos da música brasileira”.

Em sua formação clássica, o grupo tinha oito integrantes: Paulo Miklos, Branco Mello, Sérgio Britto, Tony Belotto, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Charles Gavin e Marcelo Fromer. Dos oito, apenas três estão na formação atual: Mello, Britto e Belotto.

 

Guitarrista paraibano conta como foi a Noite Brasileira no Festival de Montreux

Elba Montreux

O guitarrista paraibano Washington Espínola mora na Suiça desde a década de 1990. Todos os anos, ele assiste ao Festival de Jazz de Montreux. Ontem, ele viu de perto a Noite Brasileira. Pedi ao músico um breve relato que posto aqui:

“Um domingo de sol, céu azul! Nada melhor para a Noite Brasileira (Brazilian Night) no Montreux Jazz Festival, no seu aniversário de 50 anos!

Um verdadeiro time de primeira, apoiado pela banda do excelente bandolinista Hamilton de Holanda, abrindo com instrumentais.

Em seguida, Martinho da Vila, que fez todos cantarem seus sucessos.

Mazzola, como mestre de cerimônias, chama Ana Carolina, Vanessa da Mata…Muito bom!

Vêm então João Bosco, Elba Ramalho, Ivan Lins e David Moraes com Maria Rita…

Duetos belíssimos!

Como Ivan Lins e Maria Rita, homenageando a mãe desta, a inesquecível Elis Regina.

Fiquei, da passagem de som ao final do show, entre o backstage e a Sala Stravinsky, onde foi realizada a Noite Brasileira.

Uma noite de MÚSICA brasileira com qualidade, representada por gerações e estilos diferentes!”

Na foto, encontro de paraibanos no backstage do Montreux Jazz Festival: Elba Ramalho e Washington Espínola.

Filme sobre Janis troca a música pela tragédia pessoal da cantora

“Janis” e “Janis: Little Girl Blue” (em cartaz nos cinemas brasileiros) são os dois documentários de longa metragem sobre Janis Joplin, a maior voz feminina do rock. Quatro décadas separam um do outro.

“Janis” é de 1974. Foi realizado apenas quatro anos após a morte da cantora, ocorrida em outubro de 1970. “Little Girl Blue” é de 2015, 45 anos, portanto, depois da morte de Joplin.

Se não há distanciamento no primeiro, sobra no segundo.

“Janis” é do tempo em que íamos ao cinema ver documentários de rock. O elemento principal é a música. O filme é um retrato de Janis Joplin tirado por ela própria através da sua música e um pouco das suas falas.

“Little Girl Blue” é um retrato de Janis Joplin tirado a partir da opinião dos seus contemporâneos. Conta a história da artista sob a perspectiva da sua tragédia pessoal e não da sua música.

Da garota rejeitada na escola em Port Arthur à estrela destruída pela heroína, o filme parece por em segundo plano o maior legado da cantora, que é a sua música.

Howard Alk era de 1930. Tinha 44 anos quando realizou “Janis”. Amy Berg nasceu nove dias depois da morte de Joplin. Tinha 45 anos quando terminou “Little Girl Blue”.

O olhar contemporâneo de Alk emociona. O olhar distanciado de Berg entristece. Mesmo que os dois filmes se completem, fico com o primeiro.

Um passeio pelo western e os melhores filmes do gênero

Meus tios me apresentaram ao western. E me ensinaram algo sobre o gênero: que os americanos eram bons porque tinham poucos tiros e que os italianos eram ruins porque tinham tiros em demasia. Podiam ter dito simplesmente que os americanos, ao contrário dos italianos, eram os originais. O fato é que cresci detestando os westerns produzidos na Itália e nunca consegui gostar deles. Nem mesmo de “Era uma Vez no Oeste”, de Sergio Leone, que tem fãs até entre os mais exigentes e ortodoxos cultores do gênero.

Alguém já disse que enxerga no jazz e no western as mais importantes manifestações da arte produzida nos Estados Unidos. A formação do povo americano passa por elas. Se o jazz é uma forma originalíssima de expressão musical construída pelos negros a partir do contato deles com os instrumentos europeus e de um extraordinário senso de improvisação, o western é um retrato de episódios fundamentais do processo civilizatório da América do século XIX. O gênero se consolidou junto com o próprio cinema e atravessou todo o século XX. Viveu seus anos de apogeu nas décadas de 1940 e 1950 e depois entrou em decadência.

O maior cineasta dos Estados Unidos é o mais importante realizador de westerns. Com seus filmes, John Ford estabeleceu fundamentos e conduziu transformações. Se aqueles estão definidos em “No Tempo das Diligências”, estas estão colocadas em “O Homem que Matou o Facínora”. Pouco mais de duas décadas separam um do outro. Entre eles, há, pelo menos, “Paixão dos Fortes”, a trilogia do forte apache (“Sangue de Heróis”, “Legião Invencível” e “Rio Grande”) e “Rastros de Ódio” (veja o trailer), que muitos consideram a obra-prima do gênero, mesmo que o sentimento antiamericanista costume classificá-lo como racista.

Uma antologia do western não excluirá “Rio Vermelho” e “Onde Começa o Inferno”, de Howard Hawks, nem “Matar ou Morrer”, de Fred Zinnemann, e “Os Brutos Também Amam”, de George Stevens. Uma escolha mais pessoal talvez inclua “Um de Nós Morrerá”, de Arthur Penn”, e “Johnny Guitar”, de Nicholas Ray. Também “Meu Ódio Será Sua Herança”, que Sam Peckinpah realizou depois que os italianos entraram no gênero. Peckinpah envolve seus personagens com o paroxismo da violência num mundo em que parece não haver mais lugar para eles. Mostra, assim, a passagem para um novo estágio civilizatório e ainda comenta a decadência do western.

Americano que conquistou a fama como ator dos westerns de Sergio Leone, Clint Eastwood acabou fazendo o que não estava em nenhuma previsão. A partir da década de 1970, se consolidou como diretor de cinema e, entre seus filmes, estavam westerns que remetiam mais à tradição do que às experiências italianas. Chegou ao topo quando realizou “Os Imperdoáveis”. O filme recuperou o gênero com méritos que o colocam entre os grandes. Os fundamentos do western foram mantidos, mas o tema da violência foi reciclado por Eastwood. Apesar da dedicatória a Leone, “Os Imperdoáveis” tem pouco tiros.

Coletânea de David Bowie completa 40 anos e volta ao mercado

A coletânea “Changesonebowie” acaba de completar 40 anos e está de volta ao mercado. O disco foi lançado em maio, apenas quatro meses depois da morte de David Bowie, e agora está disponível em edição brasileira.

A grande vantagem é a qualidade do som, graças ao cuidadoso trabalho de remasterização. A capa, quando lacrada, pode parecer de má qualidade, mas não é. Reproduz em formato de mini LP um velho disco de vinil.

Quando “Changesonebowie” chegou às lojas, em 1976, David Bowie era um artista muito jovem com uma discografia ainda pequena. Mas já dissera a que veio. De todo modo, ele buscava consolidar-se no mercado americano. O disco o ajudaria nessa pretensão.

Com apenas 11 faixas, é um brevíssimo retrato dos primeiros anos de Bowie, que o tempo confirmaria como um dos grandes nomes do rock. Se o ouvinte quiser, numa compilação, um retrato mais abrangente do artista, aí a pedida é outra: o álbum duplo “Nothing Has Changed”. Ou o extenso “Sound + Vision”, com 4 CDs.

Para Alceu, Jackson do Pandeiro era uma verdadeira escola de canto

“Na minha opinião, existem duas escolas de canto no Brasil: a de João Gilberto e a de Jackson do Pandeiro”.

A frase é atribuída ao pernambucano Alceu Valença. Lembro dela porque, neste domingo (10), faz 34 anos da morte de Jackson.

Jackson do Pandeiro, o paraibano de Alagoa Grande, e sua originalíssima maneira de fazer a divisão rítmica. Há influência dele no canto de grandes artistas populares do Brasil, como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai.

Jackson, agora mais fácil de ser ouvido, graças à caixa O Rei do Ritmo, com 15 CDs, que acaba de chegar às lojas físicas e virtuais.

Salve Jackson!

Primeiro documentário sobre Janis Joplin foi exibido há quatro décadas

janis

O primeiro documentário sobre Janis Joplin exibido nos cinemas se chamava “Janis”. Sua estreia foi em 1975. Em João Pessoa, vimos no Cinema de Arte, no início de 1976. Fazia apenas cinco anos da morte da cantora.

Quatro décadas mais tarde, ela volta em “Janis: Little Girl Blue”. O documentário teve estreia nacional nesta quinta-feira (07) e está em cartaz em João Pessoa. Vou ver e depois comento aqui.