Michael, Lennon, Elvis, a morte na mídia

Michael Jackson

“Tudo em Michael Jackson é feito de matéria pop: sua grande música, sua grande dança, sua vida mínima. Em nossos dias, só ele tem a mesma carga de popismo de Marilyn ou Elvis ou Elizabeth Taylor. Perto dele, Madonna parece uma mera teórica”.

Quem disse, em 1993, foi Caetano Veloso. Na época, Michael Jackson ainda não enfrentava as dificuldades com que conviveu nos seus últimos anos. “Dangerous” não fora tão bem sucedido quando “Thriller” ou “Bad”, mas mantinha o artista em evidência com sua música e não com a exposição da sua intimidade.

Se tomarmos como parâmetros a dimensão dos artistas, a surpresa e a repercussão na mídia, a morte de Michael Jackson é comparável a duas outras mortes das quais fui contemporâneo. A de Elvis Presley e a de John Lennon.

Parecido com Michael, Elvis foi encontrado morto em sua mansão depois de uma parada cardiorrespiratória. Diferente dos dois, Lennon foi morto a tiros por um fã quando voltava para casa.

A morte de Elvis Presley, em agosto de 1977, ocupou os principais espaços da mídia. O impacto inicial, o velório em Memphis, a descoberta de que o cantor usava drogas – tudo era notícia naqueles dias em que acompanhamos a cobertura pela televisão, jornais e revistas.

A morte de John Lennon, em dezembro de 1980, surpreendeu o mundo e transformou em fato sem importância a primeira visita do presidente eleito Ronald Reagan a Nova York. Todas as atenções se voltaram para o edifício Dakota, cenário do assassinato e, em seguida, da vigília dos fãs.

A morte de Michael Jackson, em junho de 2009, chegou pela Internet. Enquanto, na noite do dia 25, o Jornal Nacional dizia, em sua escalada, que o astro pop sofrera uma parada e estava num hospital em Los Angeles, um site americano dedicado a celebridades já dera a notícia.

A repercussão da sua morte foi ainda maior do que a de Elvis ou a de Lennon por causa da rede mundial de computadores cuja existência era coisa de ficção-científica tanto em 1977 quanto em 1980.

A música, síntese de elementos riquíssimos criados pelos negros americanos, e a dança fizeram de Michael Jackson o maior astro pop depois da geração de Elvis e da dos Beatles. Ele representou seu tempo com talento, graça, charme e elegância como nenhum outro que vimos dos 1980 para cá.

O menino que esbanjava talento nos tempos do Jackson 5, o adolescente que cantava baladas como “Ben”, o adulto recordista de vendas com “Thriller” – a música e a dança de Michael Jackson arrebataram milhões de fãs, mas não devolveram a felicidade que lhe foi roubada na infância.

Michael Jackson morreu há sete anos, no dia 25 de junho de 2009.

Beatles inspiraram até Jackson do Pandeiro

A capa de “Abbey Road”, dos Beatles, serviu de inspiração a muitos artistas. Não só a gente do rock. Até ao nosso Jackson do Pandeiro.

Na capa de “Aqui Tô Eu”, de 1970, Jackson também foi fotografado atravessando a rua. Como os Beatles fizeram um ano antes.

Compare as duas capas.

Capa Jackson

“Aqui Tô Eu”, lançado originalmente pela Philips, acaba de voltar ao mercado. O disco faz parte da caixa “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”.

Depois volto a Jackson do Pandeiro para falar do box.

Marchinhas de Antônio Barros são joias do nosso cancioneiro

Antônio Barros (sozinho ou com Ceceu) compôs centenas de músicas. Entre elas, dezenas e dezenas de sucessos. Um verdadeiro hit maker o autor de “Homem com H”.

Como hoje é São João, escolhi três marchinhas de Antônio Barros interpretadas pelo Trio Nordestino. Verdadeiros clássicos do nosso cancioneiro, “Brincadeira na Fogueira”, “Naquele São João” e “É Madrugada” remetem a regiões profundas do ser do Nordeste. Confiram na edição do DJ Jorgito. E viva São João!

 

Caetano, Gil e Elba entre os vencedores do Prêmio da MPB

Cae e Gil

Caetano Veloso e Gilberto Gil ganharam o prêmio de Melhor Álbum de MPB na 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Eles venceram com o álbum duplo ao vivo “Dois Amigos, um Século de Música”. Elba Ramalho, com o CD “Cordas, Gonzagas e Afins”, levou os prêmios de Melhor Álbum e Melhor Cantora na categoria regional. O evento, que este ano homenageou Gonzaguinha, foi realizado nesta quarta-feira (22) no Rio de Janeiro. 

O CD duplo de Caetano e Gil (também lançado em DVD) foi gravado em São Paulo em um dos muitos shows da turnê que os dois artistas realizam há um ano. O show – um duo acústico de voz e violão – percorreu diversos países da Europa e América do Sul. Também passou pelos Estados Unidos e Israel. No Brasil, foi apresentado nas principais capitais. O CD de Elba (também editado em DVD) traz a cantora interpretando um repertório que mistura Luiz Gonzaga com outros autores. 

Outros premiados ontem à noite no Prêmio da Música Brasileira: Roberto Carlos, melhor cantor na categoria popular; Cauby Peixoto, melhor álbum em língua estrangeira (“Cauby Sings Nat King Cole”); Adriana Calcanhoto, melhor DVD (“Loucura”); Xangai, melhor cantor, categoria regional; Caetano Veloso, melhor cantor categoria MPB.

Independence Day volta no cinema e em livro

Independence Day: o Ressurgimento” está chegando aos cinemas, e, junto com o filme, o público terá o livro com a novelização da trama. O autor é Alex Irvine, que já produziu quadrinhos do Demolidor e do Homem de Ferro.

O livro, segundo a Nemo, editora que traz o produto para o mercado brasileiro, contém os detalhes escondidos durante os vinte anos de paz, reconstrução e avanços tecnológicos, incluindo uma base na lua e aviões que utilizam tecnologia inimiga.

O novo filme, que chega aos cinemas brasileiros neste 23 de junho, mostra o fim do período de paz na Terra, quando os alienígenas voltam, afinal, para o acerto de contas, com naves ainda maiores e armas muito mais perigosas.

Realizado há duas décadas, “Independence Day” não é um grande filme, mas, além do sucesso comercial que obteve, marcou o cinema catástrofe dos anos 1990.

A sequência estreia nos cinemas brasileiros um dia antes das salas americanas. Nos Estados Unidos, o filme entra em cartaz nesta sexta-feira (24).

Já o livro “Independence Day: o Ressurgimento” tem 224 páginas e custa R$ 37,90. A tradução é de Antônio Carlos Vilela.

Independence

Elis e Hermeto. A versão dele

Hermeto Pascoal (80 anos nesta quarta-feira, 22) e Elis Regina foram as atrações da noite brasileira do Festival de Montreux de 1979. Hermeto fez um show devastador. Elis não saiu satisfeita da sua apresentação, tanto que morreu sem permitir que a Warner lançasse o disco.

Houve um momento em que Hermeto acompanhou Elis em alguns números. Reza a lenda que ele quis derrubá-la, usando acordes que dificultavam a performance vocal. Em 2010, ao entrevistar Hermeto, pedi que ele contasse a história.

Vejam o que ele me disse:

“Elis não estava numa fase muito legal, pessoalmente. Nós não sabíamos que íamos tocar juntos. Ela abriu, e eu encerrei. Quando acabou o meu show, Elis entrou, e nós, de mãos dadas, agradecemos à plateia. Nós saímos, eu voltei e fiz um número de improviso. Elis veio novamente para o palco, e nós nos apresentamos. Tudo improvisado. Os menos favorecidos pela concepção acharam que eu queria derrubá-la. Pelo contrário. Foi uma coisa que se chama improvisação e concepção juntas. Quando saímos, ela disse uns palavrões, apontou para o César Camargo Mariano e disse: olha césar, é assim que eu gosto!”.

A capa é do CD duplo “Um Dia”, lançado em 2012, com a íntegra dos dois shows de Elis em Montreux.

Elis um dia

Hermeto, bruxo de Alagoas, faz 80 anos

Silvio_Hermeto_1_foto_Andre_Cananea-2

Um dos grandes músicos do Brasil, o alagoano Hermeto Pascoal, que faz 80 anos nesta quarta-feira (22), nem sempre é lembrado como deveria por atuar numa faixa muito restrita do mercado. É um virtuose no nível dos melhores instrumentistas do mundo e tem um senso de improvisação que o coloca em pé de igualdade com os maiores nomes do jazz. Em Hermeto, tudo é música. Todos os sons que ele produz, seja em instrumentos como o piano, o sax ou a flauta, seja em chaleiras, bacias ou canos. Até em animais, como os porcos que já levou para estúdios e palcos.

Se quisermos escolher alguns discos para conhecer a música de Hermeto Pascoal, poderemos começar pelo “Quarteto Novo”, único LP gravado pelo grupo que levou este nome. É primoroso, mas o Hermeto que se ouve ali ainda não é o músico que ficou conhecido, um pouco depois, por suas ousadias.

Há um intervalo entre o disco do Quarteto Novo e “A Música Livre de Hermeto Pascoal”, gravado na primeira metade da década de 1970. Entre um e outro, o músico foi para os Estados Unidos e, lá, tocou com Miles Davis, um dos gênios do jazz. Melhor: esteve com Miles no momento em que este promoveu a fusão entre o jazz e o rock. Esta fusão não é exatamente o que vamos encontrar nos discos de Hermeto a partir dos anos 1970, mas é certo que ele trouxe para o seu trabalho a liberdade de criação que encontrou no período em que conviveu, tocou e gravou com Miles Davis.

Entre os discos de Hermeto, prefiro os que gravou durante os anos 1970. Primeiro, “A Música Livre de Hermeto Pascoal”, seguido do americano “Slave Mass” e do brasileiríssimo “Zabumbê Bum-Á”. Eles sintetizam o espírito da sua música. Da beleza dos temas que compõe ao virtuosismo revelado nas improvisações, do uso das convenções da música nordestina ao mais arrojado experimentalismo. Há um pouco de tudo isto em cada um daqueles discos. Eles nos põem em contato com um artista que o Brasil conhece pouco, mas que estarrece as plateias mais exigentes que o ouvem pelo mundo.

E há o álbum-duplo de 1979 que traz a sua apresentação no Festival de Jazz de Montreux. Tem alguns temas compostos por ele e muita música feita de improviso, no nível do melhor jazz produzido pelos americanos. Os ritmos nordestinos predominam, mas o formato é totalmente jazzístico – tema e improvisação. E muita experimentação: ruídos, instrumentos quebrados, “letras” feitas na hora, diálogos improváveis entre sax e aplauso. E um samba choro executado numa escaleta que cala qualquer plateia do planeta.

O disco de Montreux sugere que Hermeto é bom mesmo para ser ouvido ao vivo. Como os grandes músicos do jazz. No palco, ele nos arrebata com seu virtuosismo, mas também com suas invenções. Uma delas: transformar uma chaleira com água num instrumento. E usá-la para executar um clássico do repertório jazzístico, “Round Midnight”. Thelonious Monk e Miles Davis bateriam palmas.

Na foto (de André Cananéa), entrevisto Hermeto no Fenart de 2010.

Aguilera: música para as vítimas de Orlando

A cantora Christina Aguilera gravou uma música inédita em homenagem às vítimas do atentado ocorrido na boate Pulse, em Orlando. A canção, chamada “Change”, fala de igualdade e pede uma mudança que possibilite que as pessoas sejam elas mesmas, independente das diferenças. 

Num comunicado, Aguilera disse: “quero ajudar e ser parte da mudança de que esse mundo precisa para se tornar um lindo e inclusivo lugar onde a humanidade pode amar livre e intensamente”.

A renda obtida com o download do single será doada para o fundo criado para as vítimas e suas famílias. 

Uma aventura de amor ao cinema

Solha

A propósito de um texto que o jornalista Petrônio Souto postou no Facebook, lembro que “A Guerra Secreta” foi um curta-metragem em Super 8 realizado por Antônio Barreto Neto em 1975.

Barreto, nosso melhor crítico de cinema, dirigiu a partir de um roteiro de Marcos Luiz, que era também o produtor. Marcos, funcionário da Caixa Econômica, publicara na época um livro de contos chamado “O País dos Esquecidos”.

O filme contava a história de pessoas que desafiavam de forma violenta o princípio de autoridade. Um filho matava o pai e a mãe, um bancário matava o gerente da agência, um sacristão matava o padre. Entre um crime e outro, as pessoas fugiam da civilização em direção ao mar.

W.J. Solha (foto) era o filho que matava os pais (Mário e Vitória Chianca). Marcos Luiz, o bancário que matava o gerente (Petrônio Souto). Meu tio Roberto Osias, o sacristão que matava o padre (Meireles, um colega de trabalho de Barreto).

A cena filmada na casa de Solha foi tão realista que fiquei com a impressão de que Mário e Vitória Chianca saíram realmente machucados. Os filhos de Solha, Dmitri e Andrea, eram duas crianças lindas que atuaram como figurantes.

Eu era o assistente de direção. O fotógrafo foi o nosso querido João Córdula, diretor do Cinema Educativo. O filme não foi concluído, e, anos depois, meu pai, Onildo Lins de Albuquerque, fez uma montagem possível com o material que conseguimos filmar.

“A Guerra Secreta” ficou na minha memória como uma singela aventura de amor ao cinema comandada por Antônio Barreto Neto. Antes, Barretinho concluíra “O Estranho Caso de Leila” e deixara inacabado “Uma Aventura Capitalista”.

 

 

Saga de Don Rosa volta às bancas

Saga capa

A Editora Abril está lançando uma nova edição de “A Saga do Tio Patinhas”, que chegou às bancas e livrarias brasileiras há pouco mais de um ano. O livro, com capa dura e quase 400 páginas, faz parte da coleção Disney de Luxo, que já conta com 12 volumes lançados no Brasil.

“A Saga do Tio Patinhas” é considerada uma obra-prima, um verdadeiro clássico dos quadrinhos Disney. Seu autor é Don Rosa, cartunista americano que está com 65 anos. Muitos o têm como uma espécie de sucessor de Carl Barks, o maior de todos os cartunistas que trabalharam para a Disney.

O interessante é que, ao criar os episódios que compõem a saga, Rosa tomou como parâmetros algumas pistas dadas por Barks em antigas histórias do pato, famoso por sua riqueza e sua mão fechada. O livro reúne os 12 episódios originais, acrescidos de outros seis produzidos depois.

No final, há um texto muito elucidativo sobre cada episódio da saga. Os adultos de hoje que cresceram lendo os quadrinhos da Disney vão se deliciar com a publicação.