Os Rolling Stones são demais, mas música nova não empolga

Os Rolling Stones lançaram uma música inédita nesta quinta-feira (23).

“Eu sou um fantasma, vivendo numa cidade fantasma” – canta Mick Jagger logo no primeiro verso.

Eles vinham trabalhando na canção de Jagger e Richards há algum tempo, mas fizeram adaptações para que Living in a Ghost Town ficasse como um breve retrato desses tempos de pandemia do novo coronavírus.

Faz tempo (15 anos!) que os Stones não lançam um disco autoral de canções inéditas.

E – convenhamos! – faz mais tempo ainda que não lançam um disco autoral de canções inéditas realmente arrebatador.

Mas isso não os torna menores. É normal para quem tem quase seis décadas de carreira.

Os Rolling Stones são demais, são o máximo, e confirmam isso permanentemente em suas magníficas performances ao vivo.

Sobre Living in a Ghost Town?

Ruim não é porque a banda não sabe fazer ruim.

Mas é comum, é banal.

Não empolga!

Caetano vai fazer uma live? Eu gostaria de ouvir Paisagem Útil

Uma lua oval da Esso
Comove e ilumina o beijo
Dos pobres, tristes, felizes
Corações amantes do nosso Brasil

Caetano Veloso, Paisagem Útil

Caetano Veloso vai fazer uma live?

O tema está nas postagens em que Paula Lavigne conversa com ele durante essa fase de isolamento social.

Tomara que faça.

Qual seria o repertório?

As pessoas foram chamadas a dar sugestões.

Eu tenho a minha:

Paisagem Útil.

Por três motivos:

01: porque é a primeira canção tropicalista.

02: porque adoro essa marcha-rancho que está no primeiro álbum solo de Caetano (o disco que tem Tropicália e Alegria Alegria).

03: porque nunca vi um show de Caetano (e já vi algumas dezenas!) em que essa canção estivesse no repertório.

Moraes Moreira no rock pesado. “Loucura Pouca É Bobagem”

Moraes Moreira, que morreu nesta segunda-feira (13) aos 72 anos, era muito bom de samba, frevo, choro, xote, reggae.

Moraes Moreira era muito bom no que fazia.

No rock também.

Quem conhece essa aí?

Loucura Pouca É Bobagem – Moraes e o power trio formado por Armandinho (guitarra), Dadi (baixo) e Gustavo (bateria).

É do disco de 1975, que ele gravou depois que deixou Os Novos Baianos.

Acordei é Moraes Moreira em 77. Tadeu Mathias fazia lindamente

Acordei é uma canção que está em Cara e Coração, o segundo disco solo de Moraes Moreira.

É uma canção de amor e dor.

Primeiro tem a voz aguda do cantor e o violão dedilhado.

Depois tem a voz uma oitava abaixo e o violão com a batida da bossa.

Em 1978, quando conheci Tadeu Mathias, havia o ensaio do coral universitário no prédio da antiga Reitoria, no Parque Solon de Lucena.

Às vezes, ele chegava por lá e impressionava a todos e todas com a sua voz, o seu violão e a sua beleza.

Acordei era uma das músicas que Tadeu cantava pra gente.

Será que ele lembra?

Jesus e os apóstolos em versão hippie da última ceia. Que tal?

Hoje (09), quinta-feira da Semana Santa, as igrejas católicas estariam relembrando, em suas missas, a última ceia de Jesus Cristo com seus apóstolos.

De portas fechadas, não o farão por causa da pandemia do novo coronavírus.

Gosto imensamente da Paixão de Cristo no cinema.

Vi e costumo rever muitas versões. A de Nicholas Ray, a de George Stevens, a de Pier Paolo Pasolini, a de Martin Scorsese.

Para esta quinta-feira, selecionei a última ceia tal como ela é mostrada em Jesus Cristo Superstar.

Governo testa campanha contra isolamento social. É verdade!

Começo a sexta-feira (27) com uma notícia da Folha:

PROPAGANDA DO GOVERNO BOLSONARO PEDE FIM DO ISOLAMENTO

É isso mesmo.

O governo do presidente Jair Bolsonaro está testando uma campanha na contramão do isolamento social a que estamos submetidos na luta contra o novo coronavírus.

“A divulgação de uma política leniente com a propagação do novo coronavírus no país virou objeto de um vídeo de divulgação institucional da Presidência de Jair Bolsonaro. Nele, a volta ao trabalho de regime de confinamentos é estimulada, contrariando orientações globais sobre o tema” – diz o texto assinado por Igor Gielow.

A matéria informa que a peça publicitária foi distribuída em forma de teste para as redes bolsonaristas.

Informa também que, em postagem no Facebook, o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente, “foi o responsável por dar o chute inicial desta etapa da campanha #BrasilNaoPodeParar”.

Vejam o vídeo.

Sonífera Ilha é um pop bobinho que todos nós adoramos

Foi mais ou menos assim:

Stevie Wonder disse a Gilberto Gil que não gostava muito de I Just Called to Say I Love You.

Achava banal a canção.

Gil, que verteu a música de Wonder para o português, respondeu: Essas é que são as boas.

Lembrei dessa conversa vendo/ouvindo o vídeo oficial da nova versão de Sonífera Ilha, sucesso que lançou os Titãs três décadas e meia atrás.

Em 2020, Sonífera Ilha volta com os Titãs em formato de trio acústico, num vídeo em que o grupo paulistano tem o auxílio luxuoso de amigos e amigas (lá está Fernanda Montenegro!).

É um pop bobinho, bem bobinho, talvez mais banal do que a canção de Stevie Wonder. Mas está colado aos nossos ouvidos desde meados dos anos 1980.

Está bem guardado na nossa memória afetiva.

E todos nós adoramos.

Kenny Rogers morreu. Fez muito sucesso com country estilizado

Morreu o cantor americano Kenny Rogers.

Tinha 81 anos e estava doente há algum tempo.

Sua turnê de despedida, iniciada em 2016, foi interrompida por causa dos problemas de saúde.

Kenny Rogers fez muito sucesso.

Sua música era classificada como country.

Mas, convenhamos, era um country pra lá de estilizado.

Fiquemos como um pouco de Rogers.

Collor, Zélia, Lula, Chico Mendes e Paul McCartney no Maracanã

15 de março de 1990.

Posse de Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo povo desde Jânio Quadros.

16 de março de 1990.

Anúncio do Plano Collor, que incluía o traumático confisco da poupança dos brasileiros.

Lá se vão exatos 30 anos nesta segunda-feira 16 de março de 2020.

21 de abril de 1990.

Paul McCartney fazia o último dos seus dois shows no Rio de Janeiro, em sua primeira vez no Brasil.

Havia 180 mil pessoas no Maracanã, número que foi parar no Guinness Book.

Especulava-se que o presidente Collor iria. Não foi.

Quem estava lá era a ministra Zélia Cardoso de Mello, da Fazenda, vaiada ao chegar à tribuna de honra do estádio.

McCartney havia gravado, no seu disco mais recente, uma canção dedicada a Chico Mendes, líder dos seringueiros e ambientalista brasileiro assassinado em dezembro de 1988.

How Many People não estava no set list do Maracanã, mas, no meio do show, McCartney falava um pouco sobre o seu compromisso com a defesa dos animais e do meio ambiente.

A fala terminava com um brado do músico: Chico Mendes!

A plateia reagiu cantando:

Olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!

Lula, quatro meses antes, fora derrotado na disputa eleitoral por Collor.

Em 1990, ele ainda não tinha a dimensão internacional que conquistaria depois, e McCartney, muito provavelmente, não entendeu o que a multidão cantava.

Pode ter parecido apenas um desses “gritos de guerra” entoados nos estádios de futebol.

Para mim, foi um sinal claro de que o confisco da poupança já levara parte da popularidade do presidente empossado há pouco mais de um mês.

30 anos se passaram, e cá estamos nós às voltas com mais um impasse brasileiro.

Antônio Barros faz 90 anos. Ele nasceu para compor sucessos

Antônio Barros faz 90 anos nesta quarta-feira (11).

O homem é um poderosíssimo hit maker.

Nasceu para isso. Para fabricar sucessos.

Se fosse americano, seria um milionário, de tanto que arrecadaria em direitos autorais.

Os que creem podem dizer sem medo de errar: Antônio Barros tem um imenso talento que Deus lhe deu.

Ele é um homem simples.

Sua música é feita com absoluta simplicidade, com os rudimentos de quem mal toca o violão.

Mas tem força.

Tem beleza.

Tem autenticidade.

É verdadeira.

Cola nos nossos ouvidos e não sai nunca mais.

Compôs um monte de sucessos. Alguns, a gente nem sabe, mas foi ele que fez.

Gravado por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, é dono de um songbook invejável na música popular do Nordeste.

O meu Antônio Barros? O que está muitíssimo bem guardado na minha memória afetiva?

Ele sabe. Já lhe disse inúmeras vezes.

É o daquelas três marchinhas juninas gravadas pelo Trio Nordestino.

Brincadeira na Fogueira, Naquele São João e É Madrugada.

São lindas demais.

Vêm de regiões profundas do ser do Nordeste.

É com elas, em versão de Spok e Orquestra Forrobodó, que faço minha homenagem ao compositor no dia dos seus 90 anos.

Viva Antônio Barros!