Moore! Roger Moore!

Morreu o ator Roger Moore. Aos 89 anos, travou uma breve luta contra o câncer, informam as agências.

Moore se notabilizou no papel de James Bond, o agente 007.

Teve a difícil tarefa de substituir Sean Connery, o primeiro e o melhor de todos. O eterno Bond!

Cumpriu bem. Foi o segundo melhor da franquia.

Fez sete filmes. Quando deixou o papel, já tinha quase 60 anos.

Era Sir Roger Moore. Marcou uma época.

Fecho com Paul McCartney: Live and Let Die.

“Sgt. Pepper”, o “Cidadão Kane” do rock, chega aos 50 anos!

Estamos a poucos dias dos 50 anos do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Dizer que é o disco mais importante dos Beatles é pouco.

Chamá-lo de o disco mais importante do rock lhe faz justiça.

Por isso, a comparação com o filme de Orson Welles aí no título. Cidadão Kane é o filme mais importante do cinema. É quase uma unanimidade.

Quando o Sgt. Pepper foi lançado, eu tinha oito anos e acabara de ver os Beatles no cinema em A Hard Day’s Night e Help!.

Nos dois filmes de Richard Lester, a imagem deles era aquela ainda ingênua que conquistara o mundo em 1964 como irresistível fenômeno pop.

No Pepper, tínhamos coisas que eu não conseguia entender aos oito anos. Daí, tenho a lembrança de que o disco me soava estranho e enigmático quando o conheci.

Sgt. Pepper remete ao status que a segunda geração do rock deu ao gênero. Esse status começa com Bob Dylan, em 1962, um pouco antes do surgimento dos Beatles.

Nos primeiros tempos, os Beatles parecem ingênuos demais para dar continuidade à linha evolutiva do rock.

Mas amadureceram rapidamente, guiados (ou traduzidos, se quisermos enfatizar o talento dos rapazes) pelo maestro George Martin.

O Sgt. Pepper – após os passos dados no Rubber Soul e, sobretudo, no Revolver – é a confirmação desse amadurecimento do quarteto. E do amadurecimento do próprio rock.

O rock será o que fizermos dele – disse John Lennon.

O disco agora cinquentenário assegura que sim!

(Voltarei ao Pepper em outros textos aqui na coluna)

A morte de Paulo Paiva, Jaguaribe e a música de João Pessoa

O domingo (21) me trouxe a triste notícia da morte do músico Paulo Paiva.

Paulo, irmão de outro músico, Babi.

Paulo e Babi, gente de um tempo que não existe mais. Tempo passado de Jaguaribe e da música de João Pessoa.

A casa ficava na avenida Monsenhor Almeida (antiga Minas Gerais), perto da esquina com a Vasco da Gama. Pai, mãe, dois filhos, duas filhas. Os homens – Paulo e Babi – eram músicos.

A gente chegava lá à tarde. Ouvia Thick as a Brick. Ou Never a Dull Moment. Eles pegavam os violões. Tocavam e cantavam While My Guitar Gently Weeps. Na performance, informal mas impecável, exibiam toda a sensibilidade e talento.

O rapaz que estava hospedado na casa simples da família Paiva era Carlinhos. Às vezes se juntava à sessão. Passava uma chuva em João Pessoa. Baterista. Tocava jazz. Muitos anos depois, o vimos na banda de Djavan. Ou Maria Bethânia. Ou Caetano Veloso. Virou Carlos Bala!

Paulo (como Babi) está associado a essas lembranças. A um tempo em que Jaguaribe era um bairro de muitos artistas. A uma João Pessoa com uma cena musical pulsante. Dos conjuntos de baile ao underground.

Vi os dois tocando muitas vezes. Fazendo solo, acompanhando colegas, em bailes, na noite.

Paulo, que agora se foi. E Babi. Não consigo separar um do outro.

Não eram só irmãos biológicos.

Eram irmãos na música.

Canções sobre as mães têm alegria, tristeza e dor

“Ser mãe é desdobrar, fibra por fibra, o coração dos filhos

Seja feliz! Seja feliz!”

(Mamãe Coragem – melodia de Caetano Veloso sobre versos de Torquato Neto)

A mãe é personagem importante do cancioneiro popular.

Homenagens, canções confessionais, histórias dramáticas, alegria, tristeza e dor.

Lembrei de algumas dessas canções na minha coluna na CBN João Pessoa.

Lady Laura, de Roberto Carlos, foi feita para uma mãe viva, mas é uma canção impregnada de melancolia.

Em Filho Único, de Erasmo Carlos, o filho diz coisas que a mãe não quer ouvir. A mãe não está nos planos do filho.

Em Edipiana, o jovem Alceu Valença sentiu medo e gritou pela mãe. Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, pode parecer que não, mas também é edipiana. O filho larga a mulher amada para não deixar a mãe sozinha em casa.

Em Clareana, de Joyce, é a mãe que fala ternamente para as filhas Clara e Ana. E quem mais chegar.

Coração Materno, de Vicente Celestino, e Coração de Luto, de Teixeirinha, são duas histórias dramáticas. Na primeira, o camponês arranca o coração da mãe para provar o que sente pela mulher amada. Na segunda, o adulto volta ao dia em que, criança, perdeu a mãe queimada.

Em Mamãe Coragem, de Caetano Veloso e Torquato Neto, quem fala para a mãe é o filho que foi embora. “Mamãe, mamãe, não chore, a vida é assim mesmo”, diz a letra.

Mother, de John Lennon, nasceu como resultado de um processo terapêutico. É uma canção cheia de dor, escrita pelo filho que nunca teve a mãe

Canção Amiga é uma canção de ninar feita para que todas as mães se reconheçam nela. Melodia de Milton Nascimento sobre versos de Carlos Drummond de Andrade.

Para acordar os homens. E adormecer as crianças.

Estamos precisando!

França vai às urnas dividida entre centro e extrema direita

Igualdade, fraternidade, liberdade!

Aprendi logo cedo como algo que remetia à França. Como contribuição da França ao mundo.

Em casa, acho que ouvi a Marselhesa antes de, na escola, saber da Revolução Francesa. Para mim, é o mais belo de todos os hinos nacionais.

Ainda hoje, encho os olhos de lágrimas na cena de Casablanca em que a Marselhesa se sobrepõe ao canto dos nazistas.

Com aquele “viva a França, viva a democracia!” do final da sequência.

Vamos ver?

A França e seus legados.

Balzac, Hugo, Sartre e Simone, Camus, Renoir, Godard, Truffaut, Debussy, Ravel, Bardot, Moreau, Delon, Piaf, Aznavour. A Resistência. A Nouvelle Vague. O maio de 68.

Neste domingo (07), os franceses estão indo às urnas.

Divididos entre o centro (Macron) e a extrema direita (Le Pen).

As eleições na França não têm a ver somente com o destino dos franceses. Nem da União Europeia.

As eleições na França falam alto ao mundo sobre o recrudescimento das forças de extrema direita.

Dalva de Oliveira nasceu há 100 anos

Nesta sexta-feira (05), faz 100 anos que nasceu Dalva de Oliveira.

Dalva é lembrada como uma das grandes cantoras do Brasil.

Estrela da era do rádio, atuando sozinha ou ao lado do primeiro marido, o compositor Herivelto Martins, notabilizou-se cantando samba-canção, tango, bolero e marcha carnavalesca.

Se brilhou como cantora, teve a vida fora do estrelato marcada por muitos dramas. Principalmente o casamento com Herivelto e o fim da relação. Seguiram-se os problemas com os filhos (um deles, o cantor Pery Ribeiro) e a morte prematura aos 55 anos, em 1972.

Houve também um período de ostracismo, mas duas músicas de carnaval devolveram o sucesso a Dalva de Oliveira no fim da vida: Máscara Negra e Bandeira Branca.

Até hoje, não há baile carnavalesco sem elas.

Quando o cover é melhor do que o original?

Vi em algum lugar. Como um desafio. Quando o cover consegue ser melhor do que o original?

Muitas vezes! Depende de tantos fatores. Entre eles, a força do intérprete.

Quem ouve jazz não tem problemas com releituras. O jazz faz isso o tempo todo e abre caminho para que a gente goste em qualquer gênero.

Cover melhor do que o original?

O primeiro que me ocorre é With a Little Help From My Friends, dos Beatles, com Joe Cocker, na versão de Woodstock. É um negócio devastador!

Fico somente com mais um exemplo. Esse, vi ao vivo. Caetano Veloso cantando Jokerman, de Bob Dylan. A canção de Dylan ganha uma poderosa batida de samba, o violoncelo de Morelenbaum e, claro, a beleza da voz de Caetano.

Vocês gostam da canção italiana? Vamos ouvir Chiara Civello?

Estava lendo o delicioso texto de Martinho Moreira Franco sobre Jerry Adriani. Lembranças da série As 14 Mais e das canções italianas cantadas pelo artista que nos deixou domingo passado.

O texto me fez pensar no cancioneiro da Itália e me levou a um disco que, agora, sugiro aos leitores.

Canzoni, de Chiara Civello. Conhecem?

Vejam a capa.

A foto é uma homenagem à atriz brasileira Florinda Bolkan. Confiram.

Chiara Civello é uma italiana nascida em Roma há 42 anos. É uma cantora moderna de jazz, mas transita pelo pop, pela MPB.

Seu disco Canzoni, de 2014, foi lançado no mercado brasileiro em 2015. É um apanhado de standards da música do seu país. Tem muito a ver com a música brasileira por causa da sonoridade e das soluções harmônicas de alguns arranjos e também pelos convidados: Chico Buarque, Gilberto Gil e Ana Carolina.

Com Chico, Chiara faz Io Che Amo Solo Te. Com Gil, Io Che Non Vivo Senza Te. São verdadeiros clássicos do cancioneiro pop do mundo.

Vamos degustar? Fiquem com o vídeo de Chiara e Gil.

Acho irresistível!

 

Chico, Tanto Mar, Revolução dos Cravos

Nesta terça-feira (25), 43 anos da Revolução dos Cravos.

Aquele 25 de abril de 1974 marcou o fim do Salazarismo em Portugal.

E encheu de esperança muitos brasileiros.

Tanto Mar, de Chico Buarque, ficou como evocação musical e eco da Revolução dos Cravos no Brasil.

 

Ella e Sinatra num dueto incrível!

Música para homenagear o centenário de Ella Fitzgerald!

The Lady Is a Tramp.

Ella e Frank Sinatra num dueto incrível!

Vamos ouvir? São apenas quatro minutos!