15 de janeiro é o dia de Martin Luther King

O reverendo Martin Luther King nasceu no dia 15 de janeiro de 1929. Se fosse vivo, estaria completando 88 anos.

Sua luta contra o racismo, sua crença na não violência e suas ideias generosas fizeram do Dr. King um dos grandes homens do século XX.

Gosto de lembrar dele nesse mundo convulsionado e intolerante.

Hoje, com o Happy Birthday que Stevie Wonder compôs e canta para ele.

Vamos ouvir?

Música que festeja TVs Cabo Branco e Paraíba lembra sambas de Gil

Um dos pontos positivos do primeiro dos três especiais que marcam os 30 anos das TVs Cabo Branco e Paraíba foi a música cantada por Chico Limeira no encerramento do programa.

Tocar Televisão é o nome da canção. Vejam. Em seguida, comento.

Tocar Televisão foi composta por Chico Limeira e Thyego Lopes. Thyego é o diretor da série Tempo de Trinta.

É um samba que remete às transformações a que o gênero foi submetido a partir dos anos 1960. No centro dessa transformação, há Jorge Ben e Gilberto Gil. Mas, no caso de Tocar Televisão, a matriz é Gil. Chamou minha atenção quando ouvi.

O ponto de partida dos sambas de Gil pode ser Serenata de Teleco Teco, música gravada bem antes da fama, lá na Salvador dos início da década de 1960. Esse velho samba de Gil, que muita gente não conhece, já contém os elementos que iluminariam o seu caminho como compositor de grandes sambas. Caminho que desemboca lá na frente nos sambas de Djavan e João Bosco.

Tudo isso está resumido num samba que Gil compôs por volta do ano 2000: Máquina de Ritmo. Ouçam na versão de 2012.

Máquina de Ritmo é matriz de Tocar Televisão. A influência de Gil faz crescer a música de Chico Limeira e Thyego Lopes. Ela tem um elemento de metalinguagem logo no começo. Comenta a encomenda. Os autores falam, na própria música, da música que estão compondo. E depois entram na homenagem às emissoras aniversariantes. Com uma letra inteligente, que não cede ao elogio fácil.

Perguntei a Chico Limeira por Gil. Em Tocar Televisão, no que diz respeito a ele, me disse que não há nada intencional. Mas, na conversa, me deu uma pista: Thyego é louco por Gil!

Perguntei a Thyego Lopes e ouvi que, sim, há muito dos sambas de Gil. Quando mencionei Máquina de Ritmo, ele confirmou a fonte de inspiração.

O samba de Gil fala de um monte de coisas. Do futuro. Das influências. Das fontes. Das matrizes. Das trocas. Das novas tecnologias. Do diálogo inevitável da música com elas. Tocar Televisão, mesmo que não seja um samba sobre o samba, pode, então, ser reconhecido como filho de Máquina de Ritmo.

O samba cantado por Chico Limeira, jovem compositor que tem a idade das TVs Cabo Branco e Paraíba, enriquece a comemoração.

Nove músicas resumem rock brasileiro dos 80. Falta a Blitz!

Em 101 Canções que Marcaram o Brasil, de Nelson Motta, nove músicas resumem o rock brasileiro dos anos 1980. Quase dez por cento do total do livro.

É muito? Pode até ser, mas ainda faltou, pelo menos, Você Não Soube me Amar, da Blitz, que foi o primeiro grande sucesso do rock que os brasileiros produziram naquela década.

Confiram as escolhas:

Pro Dia Nascer Feliz – Barão Vermelho

Inútil – Ultraje a Rigor

Fullgás – Marina 

Me Chama – Lobão

Será – Legião Urbana

Alagados – Paralamas do Sucesso

Comida – Titãs

Brasil – Cazuza

Lanterna dos Afogados – Paralamas do Sucesso

Essas escolhas são pessoais e muito subjetivas. Nunca satisfazem. Mas a lista é boa.

Claro que podia ter a Blitz no lugar de duas músicas dos Paralamas. E a banda de Herbert Vianna poderia estar representada por Óculos e não por Alagados e Lanterna dos Afogados.

Mas, aí, a lista não seria de Nelson Motta! Seria minha!

Roque Santeiro – O Rock, uma música de Gilberto Gil, resume e homenageia o rock brasileiro da década de 1980.

Vamos ouvir?

Participante do The Voice Kids denuncia ofensas racistas

Domingo passado (08), Franciele Fernanda, uma garota de 14 anos, participou do The Voice Kids, programa da Rede Globo, cantando Maria Maria, de Milton Nascimento.

O número emocionou muita gente pela força da interpretação da menina.

Milton Nascimento usou as redes sociais para elogiar a performance: “você emocionou a todos nós”, disse o autor da canção.

Ao mesmo tempo, Franciele foi alvo de ofensas racistas: “essa neguinha não canta porra nenhuma”, alguém postou, comentando o desempenho dela no programa.

Nesta terça-feira (10), com a mãe ao lado, Franciele Fernanda foi à polícia prestar queixa contra quem a ofendeu.

Franciele fez o que deve ser feito. Racismo é crime! É uma prática abominável! E uma das muitas faces da intolerância que vemos crescer a cada dia!

De Obama a Trump. Da elegância de um à truculência do outro!

Nesta terça-feira (10) à noite, o mundo assiste ao último discurso do presidente Barack Obama. A pouco mais de uma semana da posse de Donald Trump.

A alternância de poder, tão necessária às democracias que conhecemos, permite que saiamos da elegância de um para a truculência do outro. Mas não sem riscos.

Os oito anos de Obama na Casa Branca deixarão saudades. O casal Obama deixará saudades.

Entre as muitas marcas do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, há a admirável retórica. Algo que ele, mais uma vez, deve exibir na despedida desta noite.

Fecho com música: a imagem comovente de Obama cantando o spiritual Amazing Grace e desejando que os negros assassinados numa igreja encontrem a Graça!

Complemento com Joan Baez e sua versão de Amazing Grace.

“Eu era cego, mas agora eu vejo!”, diz a letra.

Não é preciso crer. Essa oração comove até os corações ateus!

David Bowie, no jazz, ficou parecido com Milton Nascimento

Hoje (10) faz um ano que o mundo da música foi surpreendido pela morte de David Bowie. Dois dias antes, Bowie tinha feito 69 anos e lançado Blackstar, um novo disco. Falou-se até em suicídio assistido. O artista tinha câncer no fígado, mas ninguém sabia que ele estava doente.

Em Blackstar, Bowie é acompanhado por músicos de jazz. Mas não é um disco jazzístico, como se disse inicialmente. Não! São músicos de jazz tocando Bowie!

Jazzística – aí, sim! – é Sue (Or In a Season of Crime), a faixa inédita da coletânea Nothing Has Changed, de 2014.

E com um dado muito curioso e atraente para nós, brasileiros. A melodia sinuosa da canção lembra muito Cais, de Milton Nascimento. E a sonoridade da gravação remete ao jazz e também a um certo experimentalismo que há em Milton.

Vamos, então, ouvir Bowie pensando em Milton? Não é plágio, não! Se não for coincidência, é Milton influenciando um gigante do pop como Bowie!

“Haiti”, de Caetano e Gil, tem quase 25 anos e continua atual!

A crise nos presídios brasileiros parece surpreender o governo?

É preciso que ocorram episódios como esses dos últimos dias para que o governo volte os olhos para o sistema penitenciário?

Documentos colocam mal o ministro da Justiça! Uma fala desastrada e inaceitável derruba o secretário da Juventude!

Ilhados em Brasília, os políticos não sabem o que todos nós sabemos?

Bem, a coluna é de cultura, e vou ilustrar com música.

Haiti é do início dos anos 1990. Abre o disco que Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram para marcar os 25 anos do Tropicalismo. Já já vamos comemorar os 50!

Haiti continua atual! Era melhor que fosse apenas evocativa de uma época! Mas, infelizmente, não é!

Mulher é o negro do mundo em canção feminista de Lennon e Yoko

Uma garota da geração Y me fala do feminismo como grande novidade dos dias atuais. Argumentei que ela estava equivocada e que as lutas feministas vêm de longe, marcaram todo o século XX com importantes conquistas.

A conversa me fez lembrar de uma canção feminista muito ouvida no início da década de 1970. É a balada Woman Is the Nigger of the World, de John Lennon e Yoko Ono. Faixa de abertura do disco duplo Some Time in New York City.

Antes, um pouco do disco. Olhem a capa.

Some Time in New York City é de 1972. Tem, portanto, 45 anos. É um dos discos mais panfletários do rock. Traz na capa uma montagem com Nixon e Mao nus, dançando. As letras falam do Vietnã, da Irlanda, de Ática, dos negros, das mulheres, da esquerda americana, de John Sinclair, Angela Davis.

Woman Is the Nigger of the World é a faixa lançada em single na época. Um baladaço! Tipicamente Lennon!

A mulher é o negro do mundo!

Sim, ela é! Pense nisso!

A mulher é o negro do mundo!

Sim, ela é! Faça algo a respeito!

Vamos ouvir?

Primeiro, com Lennon.

Para encerrar, com a nossa Cássia Eller.

Doria com a vassoura na mão lembra o populismo de Jânio!

Varre, varre, varre, varre vassourinha!

Varre, varre a bandalheira!

Que o povo já tá cansado

de sofrer dessa maneira!  

Lembram? É o jingle da campanha de Jânio Quadros em 1960.

Uma vassoura como “esperança desse povo abandonado”!

No estilo do pior populismo!

Vamos ouvir?

Claro que lembrei de Jânio quando vi o prefeito de São Paulo, empossado neste domingo (01), com a vassoura na mão!

Lá estava João Doria, vestido de gari e com a vassoura na mão!

Francamente, não acho necessário que o prefeito de São Paulo vá para as ruas ajudar a limpar a cidade.

Melhor seria se o poder público oferecesse melhores condições de trabalho e vida aos encarregados da limpeza urbana.

Doria chegou à prefeitura da maior cidade brasileira vendendo a imagem do não político.

Sua estreia cheira ao populismo da velha política!

Quero estar enganado.

 

TV Cabo Branco, 30 anos: o dia em que entrevistei Jimmy Cliff

O reggae jamaicano entrou na minha vida antes que eu soubesse o que era reggae.

Foi por volta de 1970, através do single Vietnam, de Jimmy Cliff.

Achei irresistível.

Ouçam.

Vi Cliff ao vivo em 1980, no Recife, na turnê com Gilberto Gil. Cheguei muito cedo ao Geraldão, acompanhei a passagem de som, conheci o executivo Midani, à época na Warner. Foi uma grande noite!

Uma década mais tarde (creio que no início de 1991), Cliff, sozinho, fez uma nova turnê pelo Brasil. O show passou por João Pessoa, no Espaço Cultural José Lins do Rego.

Horas antes, fui entrevistá-lo no Hotel Tambaú. Eu costumava atuar só nos bastidores da TV Cabo Branco, chefiando a redação e editando o JPB2, mas, naquele dia, fui para a externa. Dei uma de repórter.

Levei o amigo Waldir Dinoá como intérprete. É dele a minha foto com Cliff. Aí está.

Cumprimentei Jimmy Cliff efusivamente. Mas ele foi frio. Formal. Certamente eu não entendi que, ali, não cabia nenhuma efusividade.

Eu perguntava em Português. Waldir traduzia para o Inglês, e Cliff respondia. Mais tarde, coloquei minha voz em off sobre as perguntas e respostas.

Conversamos exclusivamente sobre reggae. O significado da música, a força extraordinária do ritmo, a repercussão internacional, a adesão dos brancos.

Achei curioso Cliff não reconhecer como importante o fato de músicos como Paul Simon, Eric Clapton, Paul McCartney, os Rolling Stones e Bob Dylan terem gravado reggae.

Para ele, todos os méritos eram dos negros da Jamaica e ponto final.

Nunca entrevistei Bob Marley, nem Peter Tosh, mas, ao entrevistar Jimmy Cliff, estive com um dos gigantes do reggae.

Acrescento:

Depois de ver a matéria postada, Waldir Dinoá me manda uma foto que eu não conhecia: Jimmy Cliff e ele, atuando como intérprete. Eu estou de costas.