Pixinguinha fez arranjo sinfônico para “Carinhoso”. Veja/ouça

Neste domingo (23), é dia de homenagear Pixinguinha, um dos grandes da música popular que os brasileiros produziram. Ele nasceu em 23 de abril de 1897.

Por causa de Pixinguinha, o 23 de abril foi transformado no Dia Nacional do Choro.

Em 2017, podemos lembrar que faz 100 anos que Pixinguinha compôs a melodia de Carinhoso. Mas essa música, do jeito que entrou para as antologias, só ganhou a letra (de Braguinha) em 1937. E foi imortalizada por Orlando Silva.

Em 1938, Pixinguinha escreveu um arranjo sinfônico para Carinhoso.

Vocês conhecem?

Vale a pena dedicar alguns minutos desse feriadão para ver/ouvir esse Carinhoso Sinfônico!

Desabafo de Mayra Barros sobre São João é corajoso e necessário

A cantora Mayra Barros divulgou através das redes sociais um vídeo em que se posiciona sobre a programação das festas juninas.

É um desabafo contundente, corajoso e muito necessário! Vale para Campina Grande ou qualquer outra cidade!

Mayra é filha de Antônio Barros e Cecéu, ícones da música do Nordeste.

Nessa fala, ela representa os pais.

Vejam o vídeo.

 

No Dia do Índio, viva o índio do Xingu!

Em 1977, na turnê Refavela, no momento em que ficava sozinho no palco, Gilberto Gil cantava uma música nova. Era Um Sonho.

Uma moda de viola composta como manda o figurino das modas de viola.

Foi gravada, na época, por Marcelo, um cantor que acabou não construindo uma carreira sólida.

Gil só veio a gravá-la em 1991, no disco Parabolicamará.

Quatro décadas se passaram desde a turnê Refavela, e a moda de viola de Gil continua me emocionando com seus versos que atravessam o tempo.

Hoje, Dia do Índio, lembro dela por causa do verso final:

Viva o índio do Xingu!

Ouçam (vejam) nesse vídeo de cinco anos atrás. Dediquem alguns minutos do seu tempo a Um Sonho.

Por isso essa voz tamanha!

Roberto Carlos gravou três músicas compostas por Caetano Veloso: Como 2 e 2, Muito Romântico e Força Estranha.

Na primeira, o Rei foi porta-voz da tristeza de um exilado. Caetano já voltara para o Brasil quando compôs as outras duas.

Em 1979, na turnê Muito, tivemos a oportunidade de ouvir as três na voz do autor.

Retratos de Roberto Carlos tirados por Caetano?

Retratos de Caetano tirados por Roberto Carlos através de Caetano?

As duas coisas juntas?

O autor falava disso antes de cantá-las.

Das três, talvez a mais marcante seja Força Estranha. E a que de fato se incorporou ao repertório permanente do Rei.

Gosto muito dessa versão gravada ao vivo em São Paulo.

Vejam os metais. E a guitarra. E a voz tamanha do artista!

Vamos ouvir?

 

Os dias eram assim! O triste é que, hoje, não há festa a fazer!

Os Dias Eram Assim.

É a nova série da Globo. Estreia nesta segunda-feira (17).

O título é um verso da canção Aos Nossos Filhos, de Ivan Lins e Vítor Martins.

Foi magistralmente gravada por Elis Regina.

Se pensarmos nos compositores que se posicionaram contra a ditadura (Chico Buarque, Gonzaguinha, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vítor Martins, Milton Nascimento e seus parceiros) e escolhermos as canções engajadas que compuseram sobretudo ao longo da década de 1970, Aos Nossos Filhos é uma das mais fortes.

É uma canção de ninar. Nas três primeiras estrofes, a letra fala do presente (o momento em que foi escrita) como se ele já fosse passado. Perdoem por isso, perdoem por aquilo, os dias eram assim. Quem ouviu na época sabe o efeito que tinha!

As três últimas estrofes falam do futuro como se o autor (ou a intérprete) não fosse mais estar vivo. Quando ocorrer isso, quando ocorrer aquilo, façam a festa por mim.

A morte prematura de Elis Regina, intérprete definitiva da canção, acabou conferindo mais beleza e melancolia à letra de Vítor Martins.

Nos últimos tempos, sempre que ouço Aos Nossos Filhos, o “façam a festa por mim” cola nos meus ouvidos.

O verso vem sempre acompanhado por uma pergunta:

Que festa podemos fazer?

Sérgio Sampaio fez música para Roberto Carlos sem poupar o ídolo

Se estivesse vivo, o compositor capixaba Sérgio Sampaio faria 70 anos nesta quinta-feira (13). Morreu em 1994, aos 47 anos, sem conseguir manter uma carreira estável que fosse proporcional ao seu talento.

Há o grande disco de estreia, em 1973, puxado pelo êxito comercial da canção Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua. E há um (bom) segundo disco cujo título, Tem que Acontecer, apontava para as dificuldades que o artista tinha para se manter no mercado fonográfico.

Sérgio Sampaio é da geração que conquistou dimensão nacional na década de 1970, depois do Tropicalismo. Muito ligado a Raul Seixas, dividiu com o baiano (mais Edy Star e Miriam Batucada), antes da fama, o projeto coletivo Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10.

Fã de Roberto Carlos (e, como o Rei, filho de Cachoeiro do Itapemirim), Sérgio Sampaio compôs e gravou um blues dedicado ao ídolo. Mas Meu Pobre Blues acaba por não poupar o homenageado.

Vamos ouvir?

“Caçadora”, de Lucy Alves, é pra animar baladas, diz crítico

Lucy Alves lançou “Caçadora” na sexta-feira (07) passada. Alguns se decepcionaram, outros aplaudiram. Eu não gostei. Achei artificial, fabricado. Muitíssimo inferior ao grande talento de Lucy. Mas tomara que ela se dê bem nessa tentativa de conquistar espaço!

No JC, o crítico José Teles disse o seguinte:

Caçadora, como todas as músicas deste segmento popularesco de ocasião, já chega com data de validade. A ex-forrozeira, de voz segura, afinada, é agora concorrente de Anitta no pop descartável. São as exigências e apelos do mercado. A gravadora quis (no caso, a Warner Music), Lucy Alves aceitou. Mais uma caçadora de hits, num universo em que ele é obrigatório e volátil”.

Teles também escreveu que “Caçadora é pra animar baladas, local onde a música é o que menos importa”.

No G1, Mauro Ferreira deu duas estrelas de cotação e comentou:

Caçadora mostra que a cantora, compositora e atriz paraibana pode logo se transformar em mais uma vítima da natureza predatória da indústria da música pop”.

Jomard Muniz de Britto faz 80 anos em permanente transgressão

Hoje (08), Jomard Muniz de Britto faz 80 anos.

No Recife, será lançada a biografia Jomard Muniz de Britto, Professor em Transe, de Fabiana Moraes e Aristides Oliveira.

Às quatro da tarde, haverá exibição do filme JMB, o Famigerado, de Luci Alcântara, e às seis, sessão de autógrafos com os autores e o biografado. Tudo no cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby.

Hoje cedo, uma jovem de vinte e poucos anos me perguntou: quem é Jomard?

E eu resumi assim:

Jomard foi assistente de direção de Glauber Rocha.

Jomard trabalhou com Paulo Freire.

Jomard foi preso no golpe de 64.

Jomard esteve à frente do grupo nordestino (Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) que aderiu ao Tropicalismo.

Jomard foi afastado de suas atividades de professor na UFPB e na UFPE no endurecimento do regime militar.

Jomard voltou anistiado, professor que fazia a ponte entre o Recife e João Pessoa.

Jomard é escritor, poeta, cineasta.

Jomard é um professor em transe, diz muito bem o título do livro.

Jomard é um intelectual brilhante.

Jomard é um homem em permanente transgressão.

Salve Jomard Muniz de Britto!

Lucy Alves – uma pena! – se rende ao pop mais banal em “Caçadora”

Já escrevi várias vezes sobre Lucy Alves. Nunca duvidei do seu talento.

Ela começou a brilhar muito cedo no Clã Brasil. Quando revelou-se nacionalmente, para nós só confirmou o que já enxergávamos aqui.

Depois, veio Lucy, a atriz, com marcante atuação em Velho Chico.

Torço pelo seu êxito, pela conquista de novos espaços em sua carreira.

Mas não posso deixar de registrar que fui surpreendido, muito negativamente, pelo seu novo trabalho.

É a música Caçadora, primeiro produto do contrato de Lucy com a Warner, lançada nesta sexta-feira (07) nas plataformas digitais.

Vejam o clipe.

A rigor, não tenho nada contra esse pop banal que ela aparece fazendo em Caçadora. Só acho que não combina com Lucy Alves. Com seu talento, tocando e cantando música nordestina.

Lucy é muito melhor do que isso aí! Concordam?

A Lucy de Caçadora é artificial, excessivamente produzida para o sucesso, não tem a espontaneidade e a simplicidade de antes, da grande artista que conhecemos.

Essa “nova” Lucy é muito ruim!

Uma pena vê-la assim, rendida ao pop de baixíssima qualidade!

Como diz a letra: “pronta pra caçada”.