O Rei dos Reis tem a melhor música de uma Paixão de Cristo

Em O Evangelho Segundo São Mateus, Pasolini usou música erudita e o spiritual dos negros americanos.

Em A Maior História de Todos os Tempos, Stevens botou a Aleluia, de Handel, na cena da ressurreição de Lázaro.

Em Jesus Cristo Superstar, Jewison transpôs para a tela as canções da ópera-rock original.

Em A Última Tentação de Cristo, Scorsese trabalhou com um homem do rock, o ex-Genesis Peter Gabriel.

Em O Rei dos Reis, Ray teve Miklos Rozsa como autor dos temas musicais.

O húngaro Rozsa era um gigante no seu ofício. Fazer música para cinema foi sua especialidade.

A trilha de Ben-Hur é dele. A de El Cid, também.

A música de O Rei dos Reis é a melhor escrita para uma Paixão de Cristo.

Quem não a conhece?

Quem não a associa imediatamente à Semana Santa e aos dramas da Paixão?

Beba por mim e por minha saúde, já que eu não posso mais beber

O ano era 1973.

Pablo Picasso, uma das figuras geniais do século XX, esteve com amigos à noite.

Pediu que bebessem por ele e por sua saúde já que não podia mais beber.

No dia seguinte, estava morto.

O homem que legou Guernica ao mundo tinha 91 anos.

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O ator Dustin Hoffman, num intervalo das filmagens de Papillon, contou essa história a Paul McCartney.

Paul pegou o violão e cantou mais ou menos assim:

Beba por mim

Beba por minha saúde

Você sabe que não posso mais beber

O resultado, mais tarde, foi uma bela canção chamada Picasso’s Last Words.

As últimas palavras de Picasso.

De Paul para Pablo.

O vídeo é do filme Rock Show, que mostra o grupo Wings em turnê pela América.

A gravação original de Picasso’s Last Words está no disco Band on the Run.

Kisses, o novo álbum de Anitta, tem dueto com Caetano Veloso

Anitta lançou seu novo álbum nesta sexta-feira (05), o primeiro desde Bang, de 2015.

Kisses está disponível nas plataformas digitais.

O álbum em três línguas (português, espanhol e inglês) tem dez faixas.

A última faixa de KissesVocê Mentiu – traz um dueto de Anitta com Caetano Veloso.

Confira o áudio da canção.

Brasil é um abacaxi, e Bolsonaro não tem apetite para o cargo

Fulano não tem apetite para governar.

Como jornalista, desde cedo ouvi essa frase.

Diz respeito a políticos que, de fato, não conseguem se adaptar à dura rotina de um governante.

O óbvio ululante: governar é difícil. Um negócio de altíssima complexidade.

Na linguagem de hoje: governar não é para os fracos.

Ou, como diria Bolsonaro: governar o Brasil é um abacaxi.

Diria, não. Ele disse.

Disse e tentou corrigir.

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Surpresa?

Zero!

Tenho defendido essa tese desde o início do governo.

Bolsonaro não tem apetite para o exercício do cargo.

Ele queria chegar lá, mas, na prática, parece não se adequar a todos os rituais exigidos de um presidente da República.

Bolsonaro nunca foi tão verdadeiro. Nunca foi tão sincero.

Sabem aquelas coisas que a gente diz bem naturalmente, quase sem sentir que está dizendo? E que são de uma sinceridade absoluta?

Foi o que Bolsonaro disse sobre o abacaxi que é governar o Brasil e sobre a sua brevidade no cargo.

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Nesta quarta-feira (03), vi o ministro Guedes – agora articulador da reforma da Previdência – ser chamado de “tchuchuca” por um deputado e responder com um “tchuchuca é a mãe”.

Nesta quarta-feira, li a entrevista em que o ministro Vélez negou o golpe e a ditadura e defendeu a mudança progressiva nos livros de história.

Nesta quarta-feira, vi o presidente Bolsonaro admitir que governar o Brasil é um abacaxi.

O Brasil é que está com um gigantesco abacaxi para descascar!

Neil Sedaka, o cara que botou açucar no rock, faz 80 anos

Parecem personagens saídas 

De uma balada

De Neil Sedaka

No começo dos anos 60

Neil Sedaka faz 80 anos nesta quarta-feira (13).

Lembram dele?

Não?

Mas, certamente, lembram de Oh! Carol, sua balada mais famosa.

Na segunda metade dos anos 1950, Sedaka açucarou o que a primeira geração do rock vinha fazendo.

Ele ainda não tinha 20 anos quando lançou The Diary, em 1958.

Oh! Carol, seu maior sucesso, veio no ano seguinte. É, portanto, uma sexagenária.

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O rebolado de Elvis, que a TV americana censurou.

Os comentários sociais das letras de Chuck Berry.

A performance de Little Richard, primeira bicha louca do rock.

Neil Sedaka não tinha nada disso.

Era apenas um rapaz bonitinho tocando ao piano baladas pra lá de melosas.

O diabo é que elas também ficaram, atravessaram o tempo e hoje estão aí, evocando uma época, guardadas na memória afetiva de milhões de pessoas.

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Na primeira metade dos anos 1970, no Brasil, o rock rural de Sá, Rodrix e Guarabyra já tratava Sedaka como uma referência positiva de uma década atrás.

Longe daqui, Elton John, ao conquistar as paradas com Crocodile Rock, revelava que Sedaka estava entre as influências que recebeu, era uma das suas fontes.

Não somos nós, agora, que vamos questionar o legado de Neil Sedaka, esse artista de 80 anos.

Bob Dylan já foi mulher, eu sei! Seu Jorge pode ser Marighella!

I’m Not There.

Não Estou Lá.

Já viram?

É um filme incrível sobre Bob Dylan.

Direção de Todd Haynes.

Se quisermos, tem algo de cinebiografia, mas é evidente que não é uma cinebiografia do artista.

Falta linearidade para que seja.

Melhor dizer que é uma grande “viagem” pela vida privada, pela persona pública, pela música e pelo universo poético de Dylan.

Jamais será devidamente compreendido e saborosamente degustado por quem não tem intimidade com o que ele produziu.

Quanto mais intimidade, melhor.

Cinco atores e uma atriz (!) intepretam Bob Dylan em Não Estou Lá.

Destaco que o Dylan criança não é branco.

E que o Dylan de meados dos anos 1960 não é homem.

Sim! É uma mulher!

Cate Blanchett, em impecável performance, é o Dylan tal como vimos o artista no documentário Don’t Look Back, clássico do gênero, dirigido por D.A. Pennebaker. Lembram?

Cate Blanchett é o Dylan que trocou o violão folk pela estridência da guitarra elétrica. O cara que dialogou com os Beatles e com o poeta Ginsberg.

Em Não Estou Lá, há cinco homens fazendo Dylan, mas ninguém faz tão bem quanto Blanchett.

É impressionante!

Vejam o trailer.

Por falar em Oscar, uma canção que atravessou meio século

Mexendo na memória.

Belas músicas de grandes filmes premiados com o Oscar.

Que tal uma de 50 anos atrás?

Everybody’ s Talkin’, na voz de Nilsson, que a gente ouve logo na abertura de Perdidos na Noite.

O “cowboy da meia-noite” do título original é o jovem Jon Voight.

Já viram Gilberto Gil e Stevie Wonder fazendo Desafinado?

Gilberto Gil e Stevie Wonder são amigos há muitos anos.

De Wonder, Gil verteu para o português I Just Called to Say I Love You.

O brasileiro percebeu na canção composta para o filme A Dama de Vermelho uma beleza que o autor não reconhecia.

Os dois artistas já se apresentaram juntos algumas vezes.

No documentário Tempo Rei, realizado há pouco mais de duas décadas para celebrar os 30 anos de carreira de Gil, há um momento incrível.

Gilberto Gil (voz e violão) e Stevie Wonder (voz e teclado) “brincam” com o tema de Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Justamente Desafinado, a primeira canção da Bossa Nova a se popularizar nos Estados Unidos.

Segue o vídeo de Gilberto Gil e Stevie Wonder fazendo Desafinado.

 

“Você, meu amigo de fé, meu irmão, camarada…”

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, João Bosco e Aldir Blanc. Há muitas parcerias famosas na música popular brasileira. Roberto e Erasmo Carlos é uma delas. Pouco se sabe, no entanto, da intimidade do trabalho dos dois. Até onde eles compuseram juntos? Um é mais melodista do que o outro? Um é mais letrista? Um faz tudo sozinho e coloca o nome do outro? Um é mais roqueiro em oposição ao que é mais romântico? Quem faz o quê? As perguntas são inúmeras quando os parceiros não revelam os métodos de trabalho, muito menos fornecem a real autoria de cada canção.

O livro de memórias Minha Fama de Mau não é revelador, embora Erasmo dedique um capítulo ao parceiro. Lá estão algumas histórias já conhecidas. Sentado à Beira do Caminho foi feita a quatro mãos. Exaustos, os parceiros não conseguiam terminá-la. Roberto adormeceu. Quando acordou, disse duas frases que completaram a canção: preciso acabar logo com isso/preciso lembrar que eu existo. Outro exemplo: Erasmo fez uma melodia, Roberto escreveu uma letra em segredo para homenagear o parceiro. O resultado é Amigo. Na primeira audição, apanhado de surpresa, Erasmo não conteve as lágrimas.

Podemos especular ouvindo a discografia de Roberto e a de Erasmo. O primeiro arrisca menos. O segundo transgride mais. O primeiro é um baladeiro. O segundo, um roqueiro incorrigível. Em Roberto, tudo sugere que o intérprete supera o autor. Em Erasmo, o que temos é um autor que interpreta suas canções. Roberto está sempre perto dos limites que estabeleceu para seu trabalho. Erasmo sai deles e flerta mais livremente com a turma da chamada MPB. Chega a ser um homem do rock’n’ roll que faz sambas, como no antológico Coqueiro Verde. Ou em Cachaça Mecânica, nitidamente inspirado em Chico Buarque.

Os dois se completam nas diferenças? Pode ser que sim. Com John Lennon e Paul McCartney, a parceria funcionava deste modo. Seja como for, o fato é que Roberto e Erasmo Carlos assinaram dezenas de canções que os brasileiros guardam cuidadosamente na memória e as associam às suas vidas. Nelas, enxergam seus amores, suas famílias, suas alegrias e tristezas. Passa por esta identificação a força incomum de Roberto Carlos. E não há quem possa negar que Erasmo Esteves, o garoto pobre do subúrbio carioca apaixonado por Elvis Presley, desempenhou um papel relevante na construção deste mito.