ABBEY ROAD FAZ 50 ANOS

Nesta quinta-feira (26), faz 50 anos que o Abbey Road, último disco gravado pelos Beatles, foi lançado no Reino Unido.

Eu tinha 10 anos e lembro quando o disco chegou às lojas de João Pessoa.

A capa tão simples que se tornaria tão icônica.

A edição brasileira seguia o padrão da Odeon, que distribuía entre nós os discos dos Beatles: capa sandwich, plastificada por dentro e por fora, com uma “costura” na parte superior e no dorso.

O selo dourado lá em cima avisava se o exemplar era stereo. Estereofônico – estava grafado assim.

Vi pela primeira vez na Discolândia, uma loja dos irmãos Lucena que ficava no térreo do Paraíba Palace Hotel.

Mas, antes, ouvi Here Comes the Sun no rádio. Foi meu primeiro contato com o Abbey Road.

Naquele tempo, você ligava o rádio e ouvia Hey Jude, Ob-la-di Ob-la-da, Get Back, The Ballad of John and Yoko.

Ouvia Gil cantando Aquele Abraço. Caetano, Irene. Os Mutantes, Ando Meio Desligado. Gal, Não Identificado. Roberto Carlos, As Curvas da Estrada de Santos.

Comecei com Here Comes the Sun. George Harrison. Depois, Something. Outra vez, George. Clássicos instantâneos. Something, uma das mais belas canções dos Beatles. Foi escrita sob a inspiração de Ray Charles.

Come Together trazia o rocker visceral que havia em John Lennon. O mesmo John que, na outra ponta, e com a ajuda de Yoko, nos presenteava com a imensa beleza de Because.

“Parece música clássica” – falei para a minha mãe, guiado pelos meus ouvidos ainda infantis, subindo a Diogo Velho a caminho de casa, com o disco na mão.

Parecia mesmo. Havia acordes invertidos da Sonata ao Luar, de Beethoven.

Oh! Darling era um legítimo Paul McCartney, grande baladeiro, numa performance vocal sem igual.

O lado A tinha faixas soltas. Seis. Duas de Lennon. Duas de McCartney. Uma de Harrison. Uma de Ringo. Dizem que foi concebido por John.

O lado B tinha um monte de faixas. Algumas bem curtas. Um medley interminável. Ou – se quisermos – mais de um. Foi ideia de Paul.

McCartney, o melhor melodista do grupo, estava completo em You Never Give Me Your Money.

Mais ainda: em Golden Slumbers, uma das mais belas entre todas as canções dos Beatles. Tão breve e tão devastadora.

No final do disco, há o solo de Ringo e as guitarras de John, Paul e George, todas solando. Até hoje, é como Paul fecha seus shows.

E há o epitáfio: No fim, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá.

O Abbey Road atravessou meio século.

É um dos discos mais amados do mundo.

Começa venda de ingressos para Roberto Carlos no Pedra do Reino

Começa nesta segunda-feira (23), às 10 da manhã, a venda de ingressos para o show de Roberto Carlos no Teatro A Pedra do Reino.

O show será no dia 10 de dezembro.

Os ingressos serão vendidos pelo site Eventim.

Vendas físicas na Mioche do Manaíra Shopping.

Plateia ouro: 400 (meia) e 800 (inteira).

Plateia prata: 300 (meia) e 600 (inteira).

Plateia bronze: 250 (meia) e 500 (inteira).

*****

O show de Roberto Carlos é sempre muito parecido. Como são os shows de Paul McCartney ou dos Rolling Stones. Não é defeito.

Uma série de sucessos, uma ou outra canção nova. A fórmula é essa. Não há grandes surpresas. Nem é necessário.

No caso de Roberto Carlos, o que é mais importante é a experiência de estar diante de um artista com a dimensão desse cantor a quem nós, brasileiros, há tantos anos chamamos de Rei.

O set list de hits percorre a carreira de Roberto Carlos. O show geralmente começa com um medley instrumental seguido de Emoções. E termina com Jesus Cristo e a distribuição de rosas.

As canções oferecem pequenos retratos do Rei. Falam do tempo delas e de como essas melodias e letras foram se inserindo na memória afetiva de milhões de pessoas. Isso está entre o que há de essencial no show de Roberto Carlos.

E há o seu extraordinário carisma, a voz tamanha, a grande banda conduzida pelo maestro Eduardo Lages.

Na música popular do Brasil, poucas coisas são tão boas quanto ver Roberto Carlos ao vivo.

Perde muitíssimo quem ainda não teve esse experiência.

Eu repito sempre!

Saudades do Moleque Gonzaguinha!

Se estivesse vivo, Gonzaguinha faria aniversário neste domingo (22).

Luiz Gonzaga Jr. era como o chamávamos quando se projetou no início dos anos 1970. “Belo é o Recife pegando fogo/na pisada do maracatu” – ouvimos em Festa, na voz de Luiz Gonzaga, o pai, quando poucos conheciam o filho.

Circuito universitário, pequenos festivais, Som Livre Exportação, Gonzaguinha já estava nas imagens de um filme chamado Som Alucinante, no final de 1972. Ao vivo, fomos vê-lo pela primeira vez na caravana Setembro, em 1975.

A caravana era algo inacreditável. Não seria possível nos dias de hoje. Um ônibus, um grupo de artistas, shows de cidade em cidade. E que artistas! Paulinho da Viola, Fagner, Gonzaguinha, Moraes Moreira. Mais Sueli Costa, Copinha e sua flauta, Armandinho, Dadi e Gustavo, que depois formariam A Cor do Som. De dia, uma pelada com um time local, um filme (Chega de Demanda, Cartola), um bate-papo. De noite, o show. Em João Pessoa, no ginásio do Sesc, no centro. Público? Quase nenhum. Gonzaguinha estava lá, à época de Plano de Voo.

Começaria Tudo Outra Vez. Disco e show em 1976. No palco, somente voz e violão. O artista viajava numa Kombi, se hospedava na casa de um amigo. No ano seguinte, Moleque Gonzaguinha. Gonzaguinha e banda. Tinha Fredera na guitarra, Arnaldo Brandão no baixo. Tudo visto bem de perto, no Teatro Santa Roza. Parece mentira! Muita conversa na hora da coletiva, jantar depois do show. O poeta Caixa D’Água no meio. Vivíamos no Brasil da ditadura, sonhando com o Brasil redemocratizado. Estávamos em 1977.

Depois, a explosão. Gonzaguinha da Vida. O sucesso. Explode Coração na voz de Bethânia. “Não dá mais pra segurar…”. O moleque desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu. “Pensava que era um guerreiro/com terras e gentes a conquistar”. Na passagem por aqui, uma noite no Santa Roza, outra no ginásio do Astrea. Uma grande banda. Um grande show. Gonzaguinha estava incorporado ao primeiro time da MPB. Fazia parte das vozes que lutavam contra a ditadura. Como Ivan Lins e João Bosco, seus contemporâneos.

Luiz Gonzaga Jr. virou Gonzaguinha. Sua música tinha o baião do pai e o samba do morro de São Carlos, onde Dina o criou. E muitas outras coisas. Do bolero (Começaria Tudo Outra Vez) ao rock (Petúnia Resedá). Do fado (É Preciso) ao blues (Uma Família Qualquer).

No disco de 1979, o dueto com Luiz Gonzaga, em A Vida do Viajante, parecia o prenúncio do show que fariam juntos. Só quem viu sabe como foi bonito! Gonzaga, o velho, até virou Gonzagão. Saudades de Luiz Gonzaga Jr., saudades daqueles shows inacreditáveis!

Belo CD em homenagem a Mãe Carmen traz música e resistência

Iyalorixá, desde 2002, do Terreiro do Gantois, em Salvador, Mãe Carmen é a filha mais nova de Mãe Menininha.

Ela completou 90 anos no fim do ano passado e agora recebe como homenagem o CD Obatalá.

Distribuído pela Deck e com direção geral de Flora Gil, o disco traz música afro-sacra brasileira cantada em yorubá por grandes nomes da nossa música popular.

Idealizado por integrantes do Grupo Ofá, o projeto reuniu, entre outras vozes, as de Gilberto Gil, Gal Costa, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Jorge Ben Jor, Alcione e Zeca Pagodinho.

Gilberto Gil resume:

“Esse trabalho tem uma função importante de registro, uma função didática, uma função pedagógica, de instrução, de valorização e de referência para a Bahia e o Brasil como um todo. O candomblé é um elemento importante da civilização brasileira, e este disco será um aspecto importante do candomblé”.

A música é encantadora.

A sua imensa beleza foi o que me arrebatou logo nas primeiras audições.

Há, a um só tempo, a fidelidade à matriz e a familiaridade que temos com as vozes convidadas para esse registro.

À percussão, somam-se uma guitarra, um piano, um sax, um trompete, um cello. O uso sutil desses instrumentos faz com que eles não se sobreponham à força original dos cânticos religiosos.

Outro aspecto a destacar no CD é o seu admirável caráter de resistência.

Resistência pelo sentido de preservação de algo importante na formação do povo brasileiro.

Resistência também porque vem num momento em que o Brasil se vê diante de muitas intolerâncias. A religiosa entre elas.

Resistir é preciso.

Obatalá, nessa perspectiva, é um gesto corajoso.

Roberto Carlos no Pedra do Reino é presente de Natal antecipado

Roberto Carlos faz show em João Pessoa no dia 10 de dezembro.

Será no Teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

A venda de ingressos começa segunda-feira (23). O serviço está no fim da coluna.

Segue um texto em que percorro a extensa trajetória desse grande artista a quem chamamos de Rei.

*****

Roberto Carlos é o artista mais popular da música brasileira e um dos mais amados pelo público. Se voltarmos a 1965, podemos dizer que, àquela época, quando alcançou o topo das paradas com Quero que Vá Tudo pro Inferno, ninguém imaginava que o cantor que se consolidava como ídolo da juventude se transformaria nesta figura a quem chamamos de Rei – nem seus ouvintes, nem os críticos, muito menos os marqueteiros que criaram a Jovem Guarda, o programa de televisão comandado por Roberto todos os domingos na antiga TV Record.

Nascido em Cachoeiro do Itapemirim, Roberto Carlos Braga cantava desde menino. Começou a atuar profissionalmente no Rio de Janeiro em 1959, como crooner de boate. Suas primeiras gravações confirmam que tentou entrar na turma da Bossa Nova. Não conseguiu. O disco de estreia soava como um pastiche de João Gilberto. O caminho seguinte foi o rock, mas a contenção de sua performance vocal e o perfeccionismo que o acompanha desde cedo mostram que incorporou ao seu canto algo da lição de João, o homem que criou a batida da Bossa Nova ao violão ao gravar Chega de Saudade.

O espírito transgressor e a ingenuidade do rock primitivo estão presentes nas músicas que deram dimensão nacional a Roberto Carlos. E são marcas da Jovem Guarda. Mas os sinais de amadurecimento logo seriam notados. Como no disco Em Ritmo de Aventura, de 1967, que já incorpora ao seu repertório canções menos ingênuas e novos timbres fornecidos pelos arranjos de metais e pelas cordas. Ao se desvencilhar do programa de televisão, Roberto Carlos se curvaria às influências da soul music, adesão difundida nos discos gravados entre o final da década de 1960 e o início da de 1970.

Em 1970, gravou Jesus Cristo, inaugurando a extensa série de canções de inspiração religiosa. Em 1971, compôs (com o parceiro, Erasmo Carlos) Detalhes, que muitos costumam apontar como a melhor das suas canções. O espírito transgressor e a ingenuidade do rock primitivo ficavam para trás. Com a linha melódica toda construída a partir de dois acordes básicos (um maior, outro menor), em Detalhes, Roberto e Erasmo recorrem à fórmula simples, mas eficaz, que já tinham utilizado em Sentado à Beira do Caminho e que voltariam a usar diversas vezes dali por diante.

As imagens do documentário Uma Noite em 67, lançado em 2010, mostram que, aos 26 anos, em plena era dos festivais, Roberto Carlos já era um performer com total domínio do palco e da voz. Muito mais do que seus companheiros de geração. Mas a verdade é que o amadurecimento do grande artista que ele é só se deu plenamente na década de 1970. Tempo também em que consolidou uma relação única com o público, associando seus discos aos natais de milhões de brasileiros e se fazendo de fato merecedor do título de Rei, com o qual todos nós, afetuosamente, o tratamos já há várias décadas.

Curiosamente, Roberto Carlos não é uma unanimidade nacional. Ele ainda tem muitos críticos entre os ouvintes do que se convencionou chamar de MPB. Se pensarmos nas restrições que lhe são feitas, encontraremos desde os que defendem o argumento de que somente o repertório antigo é bom, até os que acreditam que suas canções sempre soam melhor nas vozes de outros intérpretes. Ou os que atribuem a Erasmo os méritos que teimam em não enxergar em Roberto. Parecem esquecer que nenhum artista conseguiu inserir tantas canções na memória afetiva dos brasileiros. E isto não é pouco.

Na última década do século XX, Roberto Carlos acabou quebrando a tradição do disco anual com canções inéditas. Na primeira do século XXI, fez duas coisas que nunca havia feito: rendeu-se ao formato acústico que a MTV difundiu em todo o mundo e dividiu um disco com outro artista. Em 2008, ao lado de Caetano Veloso, debruçou-se sobre o repertório de Antônio Carlos Jobim no instante em que eram comemorados os 50 anos da Bossa Nova. Ali, às vésperas de festejar meio século de carreira, Roberto voltou à bossa, por onde quis começar quando ainda era um cantor de boate.

Em 2012, o EP com Esse Cara Sou Eu vendeu tanto quanto seus velhos LPs. Em 2015, diante de uma plateia de convidados, regravou velhos sucessos com novos arranjos nos lendários estúdios londrinos de Abbey Road.

Da transgressão ingênua de Parei na Contramão ao grito ecológico de As Baleias, do erotismo de Cavalgada à manifestação de fé de Nossa Senhora – citaríamos dezenas de canções que oferecem um retrato de Roberto Carlos tirado a partir do que ele cantou. Mas ficaremos com quatro momentos emblemáticos: Quero que Vá Tudo pro Inferno, como síntese da sua rebeldia juvenil; Jesus Cristo, como a canção mais marcante do homem religioso; Detalhes, que se destaca entre as baladas maduras que falam de amor; e Emoções, sensível autorretrato que ele e Erasmo compuseram aos 40.

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Os ingressos serão vendidos pelo site Eventim.

Vendas físicas na Mioche do Manaíra Shopping.

Plateia ouro: 400 (meia) e 800 (inteira).

Plateia prata: 300 (meia) e 600 (inteira).

Plateia bronze: 250 (meia) e 500 (inteira).

Começa dia 23 venda de ingressos para Roberto Carlos no Pedra do Reino

Começa na próxima segunda-feira a venda de ingressos para o show de Roberto Carlos no Teatro A Pedra do Reino.

O show será no dia 10 de dezembro.

Os ingressos serão vendidos pelo site Eventim.

Vendas físicas na Mioche do Manaíra Shopping.

Plateia ouro: 400 (meia) e 800 (inteira).

Plateia prata: 300 (meia) e 600 (inteira).

Plateia bronze: 250 (meia) e 500 (inteira).

ROBERTO CARLOS VAI CANTAR NO TEATRO A PEDRA DO REINO

ROBERTO CARLOS vai cantar no Teatro A Pedra do Reino.

O show será no dia 10 de dezembro.

Os fãs do Rei, que costumam ver o artista em grandes e nem sempre confortáveis espaços (casas de shows, ginásios esportivos, até estádios), terão a rara oportunidade de assistir ao seu show no conforto de um teatro.

O Teatro A Pedra do Reino botou João Pessoa no circuito dos grandes shows da nossa música popular. Por lá passaram Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Gal Costa, Ney Matogrosso, Djavan, Erasmo Carlos, Paulinho da Viola, João Bosco e tantos outros.

Faltava Roberto Carlos.

E parecia impossível que fosse ocorrer.

Roberto Carlos em João Pessoa?

Já vimos no Forrock, Domus Hall, Ronaldão, Praça do Povo do Espaço Cultural, no velho ginásio do Astrea, etc.

Num teatro?

Era um sonho.

Logo será realidade!

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Começa na próxima segunda-feira a venda de ingressos para o show de Roberto Carlos no Teatro A Pedra do Reino.

Os ingressos serão vendidos pelo site Eventim.

Vendas físicas na Mioche do Manaíra Shopping.

Plateia ouro: 400 (meia) e 800 (inteira).

Plateia prata: 300 (meia) e 600 (inteira).

Plateia bronze: 250 (meia) e 500 (inteira).

Um bolsonarista raiz aceitaria homens vestidos de mulher?

No grupo Stoneanos, segue a briga entre stoneanos bolsonaristas e stoneanos não bolsonaristas.

Acho saudável.

Quanto menos stoneano bolsonarista no grupo, melhor.

É Brasil acima de tudo, Deus acima de todos ou Sympathy for the Devil?

É bandido bom é bandido morto ou sexo, drogas e rock’n’ roll?

É Bolsonaro fazendo arminha no rolls royce presidencial ou Keith Richards batendo com os punhos fechados na cabeça, no coração e no sexo?

Sabem aquela foto, ainda do tempo de Brian Jones, dos Rolling Stones vestidos de mulher?

É uma das imagens clássicas do grupo na década de 1960.

Pois é.

O que um bolsonarista raiz, não stoneano, diria a um bolsonarista stoneano, talvez mais nutella do que raiz?

Homens que se vestem de mulher?

Isso pode?

Pode para mim e para você.

Jamais para um filho que, ao visitar o pai no hospital, exibe ostensivamente a pistola que carrega na cintura.

O que Jagger diria a um stoneano bolsonarista? “A crock of shit”?

O último disco autoral de inéditas dos Rolling Stones já tem 14 anos.

É A Bigger Bang. A turnê passou pelo Brasil em 2006 com aquele show monumental em Copacabana.

A Bigger Bang não é um grande título da discografia deles. É somente mediano.

É lá que está a faixa Sweet Neo Con.

A letra começa assim:

Você se diz cristão
Eu te acho um hipócrita
Você se diz patriota
Eu acho que você está cheio de merda

Imaginemos a cena.

Um stoneano bolsonarista (pois é, descobri surpreso que eles existem!) no front stage do show dos Rolling Stones.

Uma maravilha ver os Stones ao vivo!

Ele se empolga, lembra do “mito” (seu novo guru), e começa a fazer arminha.

Arminha pra lá, arminha pra cá.

Como um autêntico bolsonarista.

Uma coisa louca, é claro: meio Bolsonaro, meio rock’n’ roll.

Aí Mick Jagger, depois de correr de um lado para o outro do palco, começa a cantar Sweet Neo Con.

A letra é um petardo!

Você se diz cristão
Eu te acho um hipócrita
Você se diz patriota
Eu acho que você está cheio de merda

Sejamos verdadeiros: COMBINA? 

Caros stoneanos: é óbvio que não combina!

Querem ser bolsonaristas? Que sejam!

Mas não misturem a truculência da extrema direita com o velho e bom rock’n’ roll dos Rolling Stones!

Stoneanos que são bolsonaristas deviam era ter vergonha na cara

Pleased to meet you
Hope you guess my name

Descobri num grupo que fãs brasileiros dos Rolling Stones estão brigando por causa de Bolsonaro.

Aqui na coluna, escrevi o que penso sobre o assunto: fãs dos Rolling Stones e bolsonaristas são incompatíveis.

Não estou censurando o gosto de ninguém, mas é que são mesmo.

É uma incoerência absoluta.

A menos que você só conheça muito superficialmente a banda e, a partir dessa superficialidade, diga que gosta.

Quem conhece de verdade, quem ama os caras e a música deles, quem tem todos os discos, quem viaja para vê-los ao vivo, quem acompanha há décadas – esses não podem ser bolsonaristas.

Não há como combinar uma coisa com a outra. Elas não se misturam.

Os Rolling Stones não coincidem em nada com a burrice da extrema direita brasileira.

Mick Jagger está para Obama, jamais para Trump.

Nesta quarta-feira (11), muitos comentaram meu texto, e a briga entre os stoneanos continuou.

Vou confessar: de tão estúpida, ficou engraçada.

Sabem o que fiz? Fui rever o documentário Havana Moon, lançado no final de 2016.

Minhas impressões?

Estão aí:

Não sem alguma ironia, a voz em off de Keith Richards diz no início do filme que a ida de Barack Obama a Cuba foi como uma abertura para o show dos Rolling Stones.

A estreia da banda em Havana tem significado simbólico forte. Marca o reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba e ilustra os estertores do ciclo de poder dos irmãos Castro.

Se quisermos, o filme é sobre esse tema. Mas com abordagem sutil e olhar simpático e respeitoso.

Houve a Revolução e suas conquistas. E houve o declínio com o fim do subsídio soviético. Os ganhos na saúde e na educação sempre se contrapuseram às restrições das liberdades individuais.

Havana Moon toca nessas questões sem precisar entrar nelas. Indiretamente, aparecem nas falas de Mick Jagger e Keith Richards que abrem o documentário. E no que eles dizem no palco, durante o concerto.

Jagger se estende mais, ao mencionar a censura ao rock.

Richards resume: Havana, Cuba e os Rolling Stones. Isto é incrível!

As imagens falam mais alto. Da memória da Revolução estampada no muro à pobreza do povo.

Jagger conta para a multidão em êxtase que viu a rumba de perto na Casa da Música. O diálogo se dá através da arte. É mais fluente do que nas relações políticas.

Buena Vista Social Club tem um anticomunismo que soa mal. Havana Moon não tem.

É como se os Stones repetissem o que Obama disse ao discursar diante de Raul Castro: que o destino de Cuba está nas mãos dos cubanos.

Aquela alegria toda, no palco e na plateia, é, então, para dizer isso: celebremos com música, mas o destino de vocês está nas suas mãos.

A música que os cubanos ouvem ao vivo pela primeira vez tem seu ponto alto numa “blues suite”.

É Midnight Rambler, que se estende por muitos minutos e resume o que os Stones são.

Naquela noite de 25 de março de 2016, eles se projetaram como a luz do luar sobre a noite de Havana.

Velhos, mas ainda muito intensos.