Os Rolling Stones, com carreira longa, dão vários lados B!

A stoneana Milita Maciel leu meu lado B dos Beatles e sugeriu um dos Rolling Stones.

Um, não! Vários! Por década! Afinal, a carreira é longa, e a discografia, extensa!

Não quero abusar da paciência dos não stoneanos. Fiz um. Vai de 1967 a 1981.

Complicated (Between the Buttons)

Something Happened To Me Yesterday (Between the Buttons)

The Lantern (Their Satanic Majesties Request)

Parachute Woman (Beggars Banquet)

Prodigal Son (Beggars Banquet)

Monkey Man (Let It Bleed)

Sway (Sticky Fingers)

Moonlight Mile (Sticky Fingers)

Hip Shake (Exile on Main Street)

Black Angel (Exile on Main Street)

Hide Your Love (Goat’s Head Soup)

If You Really Want To Be My Friend (It’s Only Rock’n’ Roll)

Hey Negrita (Black and Blue)

Melody (Black and Blue)

Down in the Hole (Emotional Rescue)

No Use in Crying (Tattoo You)

Um repertório lado B dos Beatles, atendendo a uma sugestão

Um leitor sugeriu que eu postasse um repertório lado B dos Beatles.

Atendo à sugestão nesta terça-feira (16) para coincidir com os 60 anos do Cavern Club, o clube de Liverpool onde o grupo tocou no início da carreira.

Pegunto o motivo, e o leitor explica: queria ver se é possível um repertório tão lado B que alguém ouça e não identifique que são os Beatles. Claro que não vale para fãs do quarteto.

Vamos ver:

Chains (Please Please me)

Thank You Girl (compacto)

I’ll Get You (compacto)

Slow Down (compacto)

Matchbox (compacto)

Bad Boy (compacto)

It’s Only Love (Help!)

Wait (Rubber Soul)

Love You To (Revolver)

Good Morning Good Morning (Sgt. Pepper)

Flying (Magical Mystery Tour)

The Inner Light (compacto) 

Why Don’t We Do It in the Road? (The White Album)

Honey Pie (The White Album)

Only a Northen Song (Yellow Submarine)

Old Brown Shoe (compacto)

You Know My Name (compacto)  

Carlos Malta e Quinteto da Paraíba numa noite para Pixinguinha. Salve!

O programa começou com uma peça de José Siqueira, grande músico paraibano que, a despeito da trajetória e da importância, o Brasil conhece pouco. É sempre bom lembrar dele e da sua música.

Depois, o Quinteto da Paraíba recebeu Carlos Malta, o convidado da noite.

Da Suíte Sertaneja de Siqueira fomos para uma outra suíte: Pixinguinha Alma e Corpo, concebida e arranjada por Malta.

É um belíssimo retrato de um mestre tirado a partir de dez das suas músicas. Das melodias que todos conhecem, Como Carinhoso e Rosa, a temas menos populares, como as valsas Dininha e Oscarina.

Os arranjos de Malta são belíssimos. Revelam a intimidade que tem com a obra do homenageado e o amor pela música de Pixinguinha, a quem chama de mentor espiritual.

O programa é um passeio irresistível que respeita as matrizes com suaves ousadias.

Tem Pixinguinha, do jeito que ele era, com suas refinadas melodias e toda a sua riqueza harmônica. E tem diálogos com o erudito e com o jazz que redimensionam esses nossos clássicos populares.

Redimensionam e atualizam. No fundo, confirmam a permanência. A melodia de Carinhoso tem 100 anos. O jovem Pixinguinha, brasileiríssimo e universalíssimo, foi criticado por flertar com o jazz.

A sua música passa pelo tempo. Carlos Malta, como outros mais, faz a sua parte nessa passagem. Com técnica, virtuosismo, emoção, promove o encontro do mestre com os músicos do Quinteto da Paraíba. O “casamento” é um deleite para quem o testemunha.

O grupo, no ano passado, iniciou o projeto Quinteto da Paraíba Convida ao dividir o palco com Xangai. Acertou na escolha. Agora, traz Carlos Malta e seus instrumentos (saxofones, flautas). Acertou de novo.

Quem não viu ontem (13), pode ver hoje (14). Às 21 horas na Sala de Concertos José Siqueira, do Espaço Cultural.

Salve Pixinguinha!!

Música que festeja TVs Cabo Branco e Paraíba lembra sambas de Gil

Um dos pontos positivos do primeiro dos três especiais que marcam os 30 anos das TVs Cabo Branco e Paraíba foi a música cantada por Chico Limeira no encerramento do programa.

Tocar Televisão é o nome da canção. Vejam. Em seguida, comento.

Tocar Televisão foi composta por Chico Limeira e Thyego Lopes. Thyego é o diretor da série Tempo de Trinta.

É um samba que remete às transformações a que o gênero foi submetido a partir dos anos 1960. No centro dessa transformação, há Jorge Ben e Gilberto Gil. Mas, no caso de Tocar Televisão, a matriz é Gil. Chamou minha atenção quando ouvi.

O ponto de partida dos sambas de Gil pode ser Serenata de Teleco Teco, música gravada bem antes da fama, lá na Salvador dos início da década de 1960. Esse velho samba de Gil, que muita gente não conhece, já contém os elementos que iluminariam o seu caminho como compositor de grandes sambas. Caminho que desemboca lá na frente nos sambas de Djavan e João Bosco.

Tudo isso está resumido num samba que Gil compôs por volta do ano 2000: Máquina de Ritmo. Ouçam na versão de 2012.

Máquina de Ritmo é matriz de Tocar Televisão. A influência de Gil faz crescer a música de Chico Limeira e Thyego Lopes. Ela tem um elemento de metalinguagem logo no começo. Comenta a encomenda. Os autores falam, na própria música, da música que estão compondo. E depois entram na homenagem às emissoras aniversariantes. Com uma letra inteligente, que não cede ao elogio fácil.

Perguntei a Chico Limeira por Gil. Em Tocar Televisão, no que diz respeito a ele, me disse que não há nada intencional. Mas, na conversa, me deu uma pista: Thyego é louco por Gil!

Perguntei a Thyego Lopes e ouvi que, sim, há muito dos sambas de Gil. Quando mencionei Máquina de Ritmo, ele confirmou a fonte de inspiração.

O samba de Gil fala de um monte de coisas. Do futuro. Das influências. Das fontes. Das matrizes. Das trocas. Das novas tecnologias. Do diálogo inevitável da música com elas. Tocar Televisão, mesmo que não seja um samba sobre o samba, pode, então, ser reconhecido como filho de Máquina de Ritmo.

O samba cantado por Chico Limeira, jovem compositor que tem a idade das TVs Cabo Branco e Paraíba, enriquece a comemoração.

Quinteto da Paraíba e Carlos Malta festejam Pixinguinha em JP

No ano passado, o Quinteto da Paraíba recebeu Xangai para dois concertos em João Pessoa. Foi a abertura da série Quinteto da Paraíba Convida.

O projeto prossegue hoje (13) e amanhã (14) às 21 horas, na Sala de Concertos José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa. Dessa vez, o grupo paraibano recebe o músico Carlos Malta.

Na abertura, o quinteto executará a Suíte Sertaneja, de José Siqueira, escrita originalmente para violoncelo e piano e arranjada para o grupo por Adail Fernandes.

Vamos, então, ouvir o grande (e nem sempre lembrado) Siqueira na sala que tem o seu nome!

Depois, Carlos Malta sobe ao palco, e o concerto segue com Pixinguinha.

No programa, uma suíte chamada Pixinguinha Alma e Corpo, criada por Malta a partir de 10 músicas do mestre:

Naquele Tempo

Dininha

Lamentos

Oscarina

Proezas de Solon

Rosa

A Vida é um Buraco

1 x 0

Segura Ele

Carinhoso 

“Ficou elegante assim, com estilos variando entre choro, valsa, tango, polca”, me disse Malta.

Perguntei por Pixinguinha. E ele respondeu: “mentor espiritual”.

Carlos Malta vai tocar saxofones tenor e soprano, flauta baixo, picolo e flauta soprano.

Serão duas noites de grande música ao vivo.

Nove músicas resumem rock brasileiro dos 80. Falta a Blitz!

Em 101 Canções que Marcaram o Brasil, de Nelson Motta, nove músicas resumem o rock brasileiro dos anos 1980. Quase dez por cento do total do livro.

É muito? Pode até ser, mas ainda faltou, pelo menos, Você Não Soube me Amar, da Blitz, que foi o primeiro grande sucesso do rock que os brasileiros produziram naquela década.

Confiram as escolhas:

Pro Dia Nascer Feliz – Barão Vermelho

Inútil – Ultraje a Rigor

Fullgás – Marina 

Me Chama – Lobão

Será – Legião Urbana

Alagados – Paralamas do Sucesso

Comida – Titãs

Brasil – Cazuza

Lanterna dos Afogados – Paralamas do Sucesso

Essas escolhas são pessoais e muito subjetivas. Nunca satisfazem. Mas a lista é boa.

Claro que podia ter a Blitz no lugar de duas músicas dos Paralamas. E a banda de Herbert Vianna poderia estar representada por Óculos e não por Alagados e Lanterna dos Afogados.

Mas, aí, a lista não seria de Nelson Motta! Seria minha!

Roque Santeiro – O Rock, uma música de Gilberto Gil, resume e homenageia o rock brasileiro da década de 1980.

Vamos ouvir?

Participante do The Voice Kids denuncia ofensas racistas

Domingo passado (08), Franciele Fernanda, uma garota de 14 anos, participou do The Voice Kids, programa da Rede Globo, cantando Maria Maria, de Milton Nascimento.

O número emocionou muita gente pela força da interpretação da menina.

Milton Nascimento usou as redes sociais para elogiar a performance: “você emocionou a todos nós”, disse o autor da canção.

Ao mesmo tempo, Franciele foi alvo de ofensas racistas: “essa neguinha não canta porra nenhuma”, alguém postou, comentando o desempenho dela no programa.

Nesta terça-feira (10), com a mãe ao lado, Franciele Fernanda foi à polícia prestar queixa contra quem a ofendeu.

Franciele fez o que deve ser feito. Racismo é crime! É uma prática abominável! E uma das muitas faces da intolerância que vemos crescer a cada dia!

David Bowie, no jazz, ficou parecido com Milton Nascimento

Hoje (10) faz um ano que o mundo da música foi surpreendido pela morte de David Bowie. Dois dias antes, Bowie tinha feito 69 anos e lançado Blackstar, um novo disco. Falou-se até em suicídio assistido. O artista tinha câncer no fígado, mas ninguém sabia que ele estava doente.

Em Blackstar, Bowie é acompanhado por músicos de jazz. Mas não é um disco jazzístico, como se disse inicialmente. Não! São músicos de jazz tocando Bowie!

Jazzística – aí, sim! – é Sue (Or In a Season of Crime), a faixa inédita da coletânea Nothing Has Changed, de 2014.

E com um dado muito curioso e atraente para nós, brasileiros. A melodia sinuosa da canção lembra muito Cais, de Milton Nascimento. E a sonoridade da gravação remete ao jazz e também a um certo experimentalismo que há em Milton.

Vamos, então, ouvir Bowie pensando em Milton? Não é plágio, não! Se não for coincidência, é Milton influenciando um gigante do pop como Bowie!

Meninos, eu vi Joan Baez de perto, e ela apertou minhas mãos!

Hoje (09) é aniversário de Joan Baez. 76 anos. Aproveito a data para contar como foi a noite inesquecível em que vi a musa da canção de protesto ao vivo.

“Cantei essa música em Woodstock, cantei para Martin Luther King, cantei ao redor do mundo. Agora, canto para vocês”. Foi o que Joan Baez disse antes de fazer “Swing Low, Sweet Chariot” para a plateia que lotou o Teatro Riomar, no Recife.

A fala traz a cantora e sua história para junto de nós numa noite mágica e inesquecível. Não mais a capela, como em Woodstock, agora com voz e violão, o spiritual pode resumir o que é ver Baez de perto. Grandeza e absoluta simplicidade. A sua dimensão projetada ali num concerto que dura pouco mais de uma hora. A voz de soprano, já com registros menos agudos, mas igualmente bela. O violão com suas cordas de aço e uma sonoridade muito familiar. A mesma que ouvimos através das décadas do nosso tempo. E continuamos a ouvir. Depois de todos esses anos.

Vi Joan Baez a três dias da data em que o golpe de 64 completa meio século. A coincidência tem uma força simbólica. Aos 73 anos, ela é parte dos sonhos e das ideias generosas de uma geração. A impossibilidade de realizá-los torna ainda mais bonito o seu recital. É uma evocação. Nostálgica, sim. Melancólica, por que não?

Baez, sua voz, seu violão, dois músicos, 21 canções. Dos spirituals ao Vandré de “Caminhando” ou ao nosso “Cálice”, que os censores impediram Chico e Gil de cantar em 1973. De Dylan a Lennon. Do folk de lá ao folk de cá, em “Muié Rendeira”. Mais a latinidade de “Gracias a la Vida”, que remete a Violeta Parra, Mercedes Sosa e Elis.

Fiz com Joan Baez o que nunca havia feito em tantos anos de amor à música e de muitos shows ao vivo. Na reta final do programa, corri para a beira do palco e me pus a fotografá-la com o celular. Olhei nos olhos dela, contemplei as expressões do seu rosto e os movimentos da sua boca em “Imagine” e “Blowin’ in the Wind”. Também no spiritual “Amazing Grace”, feito a capela com as vozes de uma plateia emocionada.

Fui recompensado. Depois de abraçar um rapaz ao meu lado e de ouvir um “quero também” no meu Inglês precário, ela estendeu as duas mãos e apertou as minhas com força. Quando as soltou, olhou para mim, sorriu e repetiu o gesto. Entre um aperto e outro, a foto sem qualidade tenta eternizar o momento.

Mãos quentes e firmes. As dela. As minhas estavam geladas.

“I don’t believe it!”, foi tudo o que consegui dizer.

Há cinco paraibanos nas 101 canções que tocaram o Brasil

101 Canções que Tocaram o Brasil é o novo livro de Nelson Motta. Foi escrito com colaboração de Antônio Carlos Miguel. Na parceria, há uma lição de tolerância porque, hoje, Motta é grande crítico da esquerda, e Miguel, não.

Há quem diga que o cancioneiro popular fala do nosso destino como Nação. Se é verdade, um livro como esse, ao percorrer um século de canções, conta algo da nossa história.

Vou me prender apenas à presença paraibana.

Nas 101 canções escolhidas por Nelson Motta, há cinco autores e seis músicas que dizem respeito a nós, paraibanos:

Chiclete com Banana, que Jackson do Pandeiro gravou em 1959. Jackson, que o autor chama de “grande mestre do suingue e das divisões rítmicas”.

Caminhando, o hino de protesto composto por Geraldo Vandré no convulsionado ano de 1968.

A Lua e Eu, do soul man Cassiano. “Não era só um sucesso do momento, com o tempo se tornou um clássico”, diz Motta da balada de Cassiano.

Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, que o livro classifica como “o melhor exemplo da força, audácia e personalidade do estilo do autor”.

Alagados e Lanterna dos Afogados, dos Paralamas do Sucesso, grupo liderado pelo paraibano Herbert Vianna. Os Paralamas, na opinião de Nelson Motta, “sinalizavam versatilidade e muito bom gosto desde a sua entrada em cena”.

No posfácio, que justifica as ausências, há uma breve menção a Chico César (À Primeira Vista), outra a Zé Ramalho (Frevo Mulher) e mais uma a Geraldo Vandré (Canção da Despedida, parceria com Geraldo Azevedo).