Paulinho da Viola é permanente guardião do samba e do choro

“Olá, como vai?” é a pergunta.

“Eu vou indo, e você? Tudo bem?” é a resposta.

E começa o diálogo breve de frases curtas. Duas pessoas conversando, paradas num sinal vermelho.

Na verdade, uma letra de música. Sim, uma obra-prima da canção popular brasileira.

É Sinal Fechado, que o carioca Paulinho da Viola compôs em 1969, quando estava iniciando a sua carreira fonográfica. Um sambista ligado à tradição do gênero surpreendia a todos ao escrever algo como Sinal Fechado.

Originalíssima, ousada, moderna. Digna da turbulência e da criatividade da época em que foi composta. Metáfora da noite em que vivíamos. Comentário sobre a incomunicabilidade humana. A música de Paulinho venceu um festival, provocou polêmica e confirmou que, ao seu modo, ele também estava antenado com as novidades da música popular de então.

Garoto ligado no rock e nos tropicalistas, tive uma certa resistência quando ouvi Paulinho da Viola pela primeira vez, entre o final da década de 1960 e o começo da de 1970. Os sambas que eu consumia eram os da Bossa Nova, os de Chico Buarque e os de Jorge Ben. Paulinho soou duro demais. Faltava entender muitas outras coisas da complexidade da nossa música popular para incorporá-lo aos meus discos.

Sinal Fechado ajudou. Como o viva de Caetano a ele, na letra de A Voz do Morto. Talvez pela percepção de que aquele cara que fazia sambas tradicionais também era moderno. Também se deixara influenciar, ainda que remotamente, por seus contemporâneos. Sei hoje que não era preciso tanta complicação para ouvi-lo. Bastava render-se ao seu talento e à sua elegância. O que, felizmente, fiz a tempo.

Na discografia de Paulinho da Viola, prefiro a fase da velha Odeon. Os 11 discos gravados durante cerca de 10 anos, a partir do final da década de 1960. A essência do seu trabalho está naquela fase, bem como suas melhores músicas.

Nervos de Aço se destaca na comparação com os outros. Também os dois volumes intitulados Memórias. Um é Cantando. O outro, Chorando. Paulinho nos leva a ouvir velhos sambas que conheceu quando era garoto e choros que seu pai – violonista do conjunto de Jacob do Bandolim, o Época de Ouro – executava com os amigos.

Este é, com certeza, um dos papéis desempenhados por ele em sua trajetória: chamar nossa atenção para a tradição do samba carioca e para o choro, grande expressão da música instrumental produzida pelos brasileiros.

Vi Paulinho da Viola ao vivo muitas vezes. Quando a turnê do projeto Memórias passou por João Pessoa, em meados dos anos 1970, ele contou à plateia que lotava o Teatro Santa Roza a história da chegada de Canhoto da Paraíba ao Rio, no final da década de 1950. Nunca esqueci o seu depoimento sobre o impacto que Canhoto provocou entre os chorões cariocas.

Naquela noite, como em muitas outras, quem estava na sua banda era o flautista Nicolino Cópia, o Copinha, figura lendária do mundo do choro, o músico que fez o solo da introdução de Chega de Saudade na gravação de João Gilberto.

Era o show em que ouvíamos sua versão de Pra que Mentir, de Noel e Vadico. E um novo arranjo para Coisas do Mundo, Minha Nega, um dos seus grandes sambas.

Paulinho da Viola fez 77 anos nesta terça-feira (12).

Nobreza carioca, ele é permanente guardião do samba e do choro.

Falam mal da Som Livre só porque ela é a gravadora da Globo

Leio que a Som Livre está completando 50 anos nesta terça-feira (12).

É uma data significativa num mercado que enfrenta tantas dificuldades como o fonográfico.

Falam muito mal da Som Livre.

Querem saber o motivo?

Porque ela é a gravadora da Globo. Nada mais.

Os que falam mal esquecem (ou desconhecem) que essa marca, esse braço fonográfico da Globo lançou artistas e discos muitíssimo importantes.

Seu catálogo mais conhecido é o de trilhas de novelas, e algumas são muito boas, mas quero destacar alguns títulos antológicos da Som Livre a partir do que tenho na minha discoteca.

Fotógrafo dos Beatles, Robert Freeman morre aos 82 anos

Os Beatles e seus mortos. Há mais um numa lista que já é extensa.

O fotógrafo britânico Robert Freeman morreu aos 82 anos.

Ele ficou famoso pelo trabalho que realizou com o quarteto.

Suas lentes testemunharam o auge da Beatlemania.

Freeman também fotografou grandes nomes do jazz e o primeiro calendário da Pirelli.

Mas é aos Beatles que seu nome está para sempre associado.

Freeman registrou o cotidiano do grupo – sua intimidade e suas aparições públicas – e também botou sua assinatura em várias capas de discos:

With The Beatles (e a versão americana, Meet The Beatles), Beatles for Sale, Help! e Rubber Soul.

Tinha especial afeição pelo preto & branco.

Robert Freeman era um mestre da imagem.

Censor quis saber o que é reggae para liberar show de Caetano

Uma vez, nos anos 1970, acompanhei um amigo compositor numa ida à Censura.

Ele levava músicas que seriam examinadas para o repertório de um show.

A conversa do censor com o artista era tão absurda quanto inacreditável, mas as coisas funcionavam daquele jeito, sim.

Lembrei disso, dois dias atrás, quando vi artistas participando de um debate sobre censura no STF.

Caetano Veloso – um dos convidados pelo Supremo – contou uma história do tempo em que voltou do exílio.

Era o ano de 1972.

Antes, lembrou que, em 1968, compôs uma canção chamada É Proibido Proibir.

Em seguida, vieram o AI-5, a sua prisão, o confinamento em Salvador e, por fim, o exílio de dois anos e meio em Londres.

Na volta, percorria o Brasil com o show do disco Transa, que gravara na Inglaterra.

Nine Out of Ten – do repertório do disco e do show – é a primeira canção brasileira em que aparece a palavra reggae, o ritmo jamaicano que Caetano conhecera em Londres.

Walk down Portobello road to the sound of reggae
I’m alive

Quando o show chegou a Salvador, o artista foi chamado pela Censura.

Um dos seus professores da época em que cursou Filosofia na Universidade da Bahia havia se transformado em censor. Foi quem o recebeu.

O censor queria saber o significado da palavra reggae para poder liberar o show.

Caetano disse que reggae é um ritmo da Jamaica que ouvira na Inglaterra e que começava a se popularizar no resto do mundo.

O censor duvidou da explicação. Não encontrara a palavra nos dicionários, nem de gírias.

Caetano contra-argumentou: a palavra ainda não estava dicionarizada.

Ou seja: sob o AI-5, sob os mecanismos de censura advindos do endurecimento do regime, um show poderia ser proibido porque o censor não se convencera de que reggae é apenas um ritmo musical da Jamaica.

Esse relato de Caetano no Supremo não é uma mera curiosidade histórica do tempo da ditadura militar brasileira.

É, antes, a confirmação do quanto foi difícil aquele período.

E de que como é imprescindível atuar pela manutenção dos avanços obtidos a partir da redemocratização.

A presença de Caetano Veloso no STF enriqueceu o debate pelo grande artista que ele é.

Também por seu ativismo digno e corajoso.

Walter Franco era maldito, mas foi gravado pelo mainstream

É um grito que se espalha

É uma dor

Canalha

Walter Franco morreu nesta quinta-feira (24) em São Paulo.

Tinha 74 anos e estava hospitalizado em estado grave desde que sofrera um AVC.

Na década de 1970, seu nome foi fortemente associado à vanguarda da música popular brasileira.

O rótulo de maldito deixou o músico à margem do mercado.

Ou foi o inverso: ganhou o rótulo porque não conseguiu se adaptar a algumas regras do mercado.

Na capa do disco que começa com Feito Gente, há duas menções aos Beatles: o próprio título do álbum (Revolver) e a imagem do artista, caminhando, vestido de branco, que remete ao John Lennon da capa de Abbey Road.

Walter Franco era maldito, mas não disse não aos festivais.

Presença importante, desafiadora, participou deles para difundir sua música de difícil assimilação pelo público médio.

Apesar de estar sempre à margem, foi gravado por nomes do mainstream:

Sua Feito Gente foi parar num LP de Wanderlea, que tentava fugir do estigma da Jovem Guarda.

Sua Me Deixe Mudo acabou gravada por Chico Buarque num disco em que o autor censurado dava lugar a um intérprete que provocava a Censura.

Às vezes penso que, sem Walter Franco, não teria havido Arrigo Barnabé.

Maldito?

Marginal?

Não importa.

Ele era um desses caras muito necessários.

Fagner chega aos 70 frustrado por ter votado em Bolsonaro

A primeira lembrança que tenho de Fagner?

Será do disquinho de bolso do Pasquim?

De um lado, ele cantando Mucuripe (melodia sua, letra de Belchior). Do outro, Caetano, que voltara há pouco do exílio,  fazendo A Volta da Asa Branca.

Ou será da mesma Mucuripe na voz de Elis, no LP que começa com 20 Anos Blue?

Não sei. Ambos os registros são de 1972.

Depois veio o disco de estreia, Manera Frufru, Manera, que é de 1973.

E também o dueto com Chico em Joana Francesa.

Para mim, o melhor Fagner continua sendo aquele dos anos 1970.

O Manera, na Philips.

O Ave Noturna, na Continental.

E os primeiros álbuns na CBS.

Na nova gravadora, o início foi com Raimundo Fagner. Tem aquela versão incrível de Sinal Fechado, com vozes ásperas e superpostas.

Orós, que veio em seguida, foi feito em parceria com Hermeto Pascoal e, de certo modo, contraria a busca do sucesso.

Eu Canto fez de Fagner um artista de grande sucesso. Tem Revelação e Jura Secreta e As Rosas Não falam.

Beleza, com o êxito comercial de Noturno, fecha os anos 1970.

O uso indevido dos versos de Cecília Meireles ficou como mácula, mas os discos eram (ainda são) muito bons.

Fagner, mais como intérprete do que como autor, é um artista com uma notável marca de originalidade, mas acho que, a partir da década de 1980, ele, aos poucos, foi comprometendo sua discografia com trabalhos muito inferiores ao talento revelado nos primeiros discos.

Bem, há os dois álbuns com Luiz Gonzaga, gravados no fim da carreira do Rei do Baião.

E, recentemente, há o belo encontro com Zé Ramalho num registro ao vivo. Duas vozes, dois violões e muitos sucessos.

*****

No ano passado, Fagner votou em Jair Bolsonaro para presidente.

Dizia crer numa mudança.

Há poucos dias, li que está frustrado com o amadorismo do governo que ajudou a eleger.

Li também que está desencantado com o mercado de música popular no Brasil.

Raimundo Fagner fez 70 anos neste domingo (13).

Zé Ramalho e a cocaína: “Eu apenas parei”

Zé Ramalho fez 70 anos na quinta-feira passada (03/10).

Na sexta, foi ao programa de Pedro Bial.

O jornalista, naturalmente, perguntou sobre o tempo em que o artista foi usuário de cocaína.

Zé foi franco e corajoso na resposta.

O que ele disse:

“Quando cheguei, o cartel de Cali estava investindo essa substância no Rio, botando da melhor qualidade para viciar. Pessoas das gravadoras, gerentes, presidentes, políticos usavam. Eu apenas parei. Nunca fiz tratamento, psicanálise, simplesmente disse: ‘hoje é a última vez’ e nunca mais retornei”.

“Sofri bastante, mas o mais importante era recuperar a carreira. Eu fiquei sem gravar, as gravadoras não se animaram mais a trabalhar comigo. Você vai até onde dá para ir. Nesse limite eu parei, foi uma decisão importantíssima para mim. Eu tinha sentido tudo o que eu queria sentir com essa experiência. Eu só tomo vinho hoje em dia, diariamente a caneca de vinho que tenho direito”.

Ginger Baker, um dos maiores bateristas do rock, morre aos 80

O baterista Ginger Baker morreu neste domingo (06).

Tinha 80 anos.

O músico estava hospitalizado em estado crítico.

Integrante, nos anos 1960, do power trio Cream, ao lado de Eric Clapton e Jack Bruce, Baker foi um dos maiores bateristas do rock.

Em maio de 2005, o Cream se reencontrou em Londres.

Foi numa pequena temporada de quatro shows no Royal Albert Hall.

O guitarrista Eric Clapton acabara de completar 60 anos.

O baixista Jack Bruce estava às vésperas dos 62.

O baterista Ginger Baker logo faria 66.

O registro dos concertos em áudio e vídeo de alta definição é extraordinário.

Velhos companheiros de volta ao palco, sem o frescor da juventude, mas com a experiência da trajetória longa.

Não necessariamente por ser o mais jovem, Clapton estava inteiraço com sua guitarra Fender e seus blues.

Bruce, que morreria aos 71 em 2014, era, visivelmente, um homem sem saúde.

Baker, não por ser o mais velho, parecia cansado diante da sua enorme bateria.

Nada, no entanto, tirou a beleza e o vigor daquelas performances. Volto sempre a elas. É um reencontro nosso com um grupo de rock essencial, fundador.

*****

O Cream teve vida curtíssima. Atuou entre 1966 e 1969.

Lançou apenas quatro discos (Fresh Cream, Disraeli Gears, o duplo Wheels of Fire e Goodbye).

Estabeleceu pelo menos dois conceitos no rock: o de power trio e o de supergrupo.

O blues é uma das suas marcas. Há também a psicodelia tão em voga no rock da segunda metade dos anos 1960. E – claro – o som pesado, pesadíssimo, do hard rock.

Quando o Cream acabou, Ginger Baker permaneceu ao lado de Eric Clapton numa nova experiência, resumida a um álbum: o Blind Faith, outro supergrupo, dessa vez um quarteto.

Sozinho, Baker (como Bruce) não teve uma carreira sólida como a de Clapton.

Só precisou do tempo brevíssimo do Cream para inserir seu nome na história do rock.

Era uma lenda. Sei que é um clichê, mas é isso mesmo.

Seu longo solo em Toad sintetiza tudo.

Janis Joplin ainda é a maior voz feminina do rock

Janis Joplin morreu há 49 anos (quatro de outubro de 1970).

Tombou num quarto de hotel depois de tomar uma dose de heroína.

Tinha somente 27 anos e estava terminando seu segundo disco solo.

Nos dois anteriores, ainda era a cantora do grupo Big Brother & Holding Company.

Uma branca que canta como os negros. É o que se diz dela.

Ninguém canta como os negros, mas Janis tentava chegar perto. Prefiro assim.

Seu negócio era a black music. Há muito blues, mas também soul no que gravou.

Tanto há Bessie Smith quanto Otis Redding.

Era um diamante em estado bruto, já revelavam as precárias gravações feitas nos bares onde se apresentava, antes do sucesso, e só lançadas postumamente.

Trouble in Mind é dessa fase. Nua e crua. Por isto, tão bonita.

Kozmic Blues e Pearl, seus dois discos solo, são um pouco aveludados. Talvez fosse a gravadora tentando domar a fúria da intérprete, adequá-la ao mainstream do rock.

Os registros ao vivo, discos póstumos como o Joplin in Concert, mostram Janis livre nos palcos. A cantora, sua voz rouca e seus gritos incontidos.

Janis Joplin é de uma linhagem de grandes cantoras à qual pertencem mulheres atormentadas que levaram suas dores para o que cantaram.

O que elas sentiam (ou o que faltava a elas) estava explícito na performance vocal. Sobrepunha-se ao idioma da canção.

Bastava ouvir, com alguma sensibilidade, para entender.

Isso é o que há de extraordinário nela. Como em Billie Holiday, Maysa, Edith Piaf, Nina Simone, Elis Regina, Amy Winehouse. Não importa o estilo que abraçaram, nem o lugar de onde vieram.

Janis Joplin ainda é a maior voz feminina do rock.

Zé Ramalho, o cara de Avôhai e Admirável Gado Novo, faz 70 anos

José Ramalho Neto, Brejo do Cruz, três de outubro de 1949.

Zé Ramalho, o cara que compôs Avôhai e Admirável Gado Novo, faz 70 anos nesta quinta-feira (03).

Lembro dele jovem, na João Pessoa do início dos anos 1970.

Vindo dos conjuntos de baile, misturava o Nordeste com o rock dos Beatles, já era louco pelos nossos violeiros e por Bob Dylan.

Foi o Zé que vi ao vivo em 1974 num show que me impressionou muito. Atlântida. Tinha uma pegada profissional. Revelava a força do artista no palco. Vinha com um repertório autoral incrível.

Zé Ramalho trocou a medicina pela música. Quando fez Avôhai, cantou a música de joelhos diante do avô. O velho José Ramalho, que era, a um só tempo, seu avô e seu pai. Seu Avôhai.

O homenageado acabara de morrer quando a música foi mostrada pela primeira vez ao público. Na Coletiva de Música da Paraíba, em 1976. Eu estava na plateia do Teatro Santa Roza e senti o que havia de belo e enigmático naquela canção.

Uns três anos depois, apresentado ao LP A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, o grande músico Egberto Gismonti parou ao ouvir Admirável Gado Novo. “É essa aí!”, disse Egberto, resumindo tudo.

Avôhai e Admirável Gado Novo.

Para mim, são os dois maiores momentos do caminho autoral desse artista paraibano.

São canções que trazem a sua originalíssima assinatura. Que podem sintetizar o seu cancioneiro.

Vejam como elas atravessaram o tempo.

Vejam como permanecem com o frescor da juventude, do momento em que foram escritas.

Uma trilogia reúne o melhor do seu trabalho, a fase de maior criatividade, as canções que estão bem guardadas na memória afetiva do público fiel que conquistou.

Editados pela velha CBS, são os primeiros títulos da sua discografia: o LP que leva seu nome e começa com Avôhai, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu e A Terceira Lâmina.

Quando comemorou 20 anos de carreira, Zé Ramalho regravou seu The Best num álbum duplo chamado Antologia Acústica.

Não maculou os originais e conseguiu recriá-los de um modo que poucos fariam com canções que, àquela altura, já eram verdadeiros clássicos do nosso cancioneiro popular.

Hoje, aos 70 anos, celebra a data mexendo novamente nos seus arquivos pessoais. Dessa vez, lança um CD com um registro, de quatro décadas atrás, do show A Peleja do Diabo com o Dono do Céu.

Já cantou Dylan, Beatles, Raul, Gonzaga, Jackson, a Nação Nordestina. É intérprete singular, além de autor. Como intérprete, faz com que algumas canções pareçam suas.

José Ramalho Neto. Zé Ramalho da Paraíba. Zé Ramalho.

Com suas canções, o cara que fez Avôhai e Admirável Gado Novo orgulha seus conterrâneos.