Caetano recebe clarinete de Ivan Sacerdote em álbum de sutilezas

Caetano Veloso, 77 anos, é um mestre da música popular brasileira que dispensa qualquer apresentação.

Ivan Sacerdote, 32 anos, nascido no Rio de Janeiro e radicado na Bahia, é um jovem clarinetista em atividade na cena musical contemporânea de Salvador.

Os dois estão juntos num disco lançado nesta quinta-feira (16) nas plataformas digitais.

Chama-se Caetano Veloso & Ivan Sacerdote.

Quando penso na presença do clarinete na música do Brasil, lembro de Abel Ferreira, Severino Araújo e Paulo Moura.

Abel, vinculado principalmente à tradição do choro.

Severino, ao choro, ao frevo pernambucano e, na condição de grande band leader, ao jazz.

Em Paulo, há Abel, há Severino e há a modernidade da música brasileira que veio depois da Bossa Nova.

Ao puxar Ivan Sacerdote para o seu lado, Caetano Veloso dá novo protagonismo ao instrumento e nos apresenta a um notável músico.

Os sons do clarinete de Ivan, no diálogo com a voz e o violão de Caetano, revelam intimidade com o choro, o samba, o jazz e traz ainda algo do instrumentista de formação acadêmica.

Caetano e Ivan tocavam em casa, informalmente. A ideia de levá-los para o estúdio veio da sensibilidade de Paula Lavigne.

O disco foi gravado em Salvador e em Nova York. Transpõe para o estúdio a espontaneidade de quando eles apenas “faziam som” (não era assim que a gente dizia muitos anos atrás?).

Só que imaginem vocês a qualidade desses dois “fazendo som”!

São nove faixas. Caetano canta em todas e toca violão em oito. Cézar mendes toca violão em uma. Mosquito canta e toca cavaquinho em duas. Ivan põe os sons do seu clarinete em todas elas.

É um disco de grandes sutilezas. Quando não faz improvisações jazzísticas, o clarinete comenta as canções de Caetano, suas linhas melódicas, suas harmonias.

No repertório, há uma bela e melancólica canção que Caetano nunca havia gravado (Você Não Gosta de Mim). Onde o Rio É Mais Baiano e Desde que o Samba É Samba, adornadas pela voz e o cavaquinho de Mosquito, expande os laços que o autor enxerga entre a Bahia e o Rio quando o assunto é o samba. O Ciúme e Peter Gast são duas canções extraordinárias do Caetano dos anos 1980. Trilhos Urbanos é a música mais antiga do disco. Está originalmente em Cinema Transcendental, de 1979. Aquele Frevo Axé, Minha Voz, Minha Vida e Manhatã completam o repertório.

Caetano Veloso & Ivan Sacerdote soa como uma pequena (e nada óbvia) antologia. Canções que não são novas, mas renovadas pela juventude do convidado de Caetano.

Ao dividir um álbum inteiro com Ivan Sacerdote, Caetano Veloso reafirma, mais uma vez, sua atenção permanente aos que vieram depois dele.

Geraldo Azevedo faz 75 anos. Celebro com a Suíte Correnteza

O compositor Geraldo Azevedo fez 75 anos neste sábado (11).

É um dos grandes nomes entre os nordestinos que conquistaram dimensão nacional na década de 1970.

Geraldinho é inspirado melodista e toca seu violão com invejável habilidade.

É daqueles artistas que, ao vivo, não precisam de banda.

Com repertório autoral que conquistou um público muito fiel, tem domínio total do formato voz & violão.

Tenho particular admiração pelo seu disco de estreia, aquele da Som Livre.

É lá que está a Suíte Correnteza, depois registrada ao vivo no Cantoria 2.

A Suíte Correnteza reúne três músicas: Caravana, Talismã e Barcarola de São Francisco.

Com ela, celebro os 75 anos de Geraldo Azevedo.

Elvis Presley, que faria 85 anos hoje, influenciou até o punk!

Elvis Presley, se estivesse vivo, faria 85 anos nesta quarta-feira (08).

Ao fundir o R & B dos negros com o country & western dos brancos, ele inventou o rock’n’ roll.

Foi na gravação seminal de That’s All Right.

Elvis foi tão importante que influenciou até o punk! Vocês sabiam?

É só olhar a capa do seu primeiro LP na RCA, lançado em 1956, e a do London Calling, do Clash.

Está aí: Elvis Presley.

E, muito mais tarde, London Calling.

Elvis se transformou num fenômeno em 1956 ao ser contratado pela RCA Victor. Nos dois anos anteriores, gravara em Memphis, na pequena Sun Records, fonogramas fundadores do rock’n’ roll. As chamadas Sun Sessions reúnem as bases do rock na medida em que Elvis mistura blues, R & B, gospel e country. Dos Beatles ao U2, todos se curvam à importância daqueles registros e reconhecem neles matrizes do que vieram a fazer. O artista que o mundo conheceu a partir da chegada à RCA conservou muito do que encontramos nas sessões da Sun, mas também foi tragado pelas artimanhas da indústria fonográfica e pelos grandes estúdios de cinema.

Os anos 1950 foram extremamente produtivos, apesar do serviço militar prestado na Alemanha – uma jogada comandada pelo Coronel Parker, seu empresário. A volta, no disco Elvis Is Back, foi triunfal. O LP promove o reencontro do artista com suas fontes. A década de 1960 seria dedicada ao cinema, entre filmes medíocres e discos com suas trilhas sonoras. Felizmente, um outro retorno recuperaria a imagem de Elvis e o levaria a uma fase em que gravou grandes discos. O primeiro, e um dos melhores, se chama From Elvis in Memphis. É da época do especial de televisão que mostrou um intérprete vigoroso revisitando o que fizera nos tempos da Sun.

Elvis Presley vem de regiões profundas do ser da América. Estabeleceu um vínculo raro com milhões de ouvintes, interpretando com seu vozeirão kitsch um repertório irresistível para quem nasceu nos Estados Unidos. Ele não largou as raízes, ainda que as tenha submetido a um verniz que desagrada aos puristas. Não deve ser condenado por isto. Se tivermos boa vontade, verificaremos com facilidade que produziu música pop de ótima qualidade numa carreira relativamente curta, iniciada em meados da década de 1950 e encerrada em 1977, com a morte prematura aos 42 anos.

Direitopatas batem em Chico Buarque seguindo Toni Tornado

Há alguns anos, muito antes dessa polarização que tomou conta do Brasil, ouvi de um jovem músico que Chico Buarque não sabe compor.

O cara questionou as linhas melódicas, as harmonias, etc.

O comentário foi tão absurdo que respondi com o silêncio.

Agora há pouco, no apagar das luzes do ano de 2019, Toni Tornado disse que Chico Buarque não sabe cantar.

O jornal O Globo ouviu especialistas em voz, e eles foram unânimes: Chico, sim, sabe cantar, a despeito da voz anasalada e de um timbre que pode ser considerado feio se comparado a outros padrões vocais.

Há outra questão: Chico é de uma geração que, no Brasil e no mundo, mexeu com o modo de se cantar música popular.

E mais: uma geração de autores que cantam suas próprias músicas. Seja Chico aqui, seja Bob Dylan nos Estados Unidos.

Chico envelheceu cantando bem. Para constatar, basta vê-lo ao vivo.

Dylan envelheceu cantando mal, embora, na juventude, apesar do timbre igualmente nasal, tenha cantado lindamente suas protest songs e outras coisas mais.

Voltemos a Chico. E a Toni Tornado.

Ator e cantor, Tornado foi infeliz no que disse.

Sua opinião bombou nas redes sociais e deu lugar a outros comentários ainda mais infelizes.

O mote é o mesmo – CHICO BUARQUE NÃO SABE CANTAR! -, mas o tom é mais agressivo.

Alguns ressuscitaram até aquele vídeo em que Chico, brincando numa conversa de estúdio, diz que compra as canções que grava.

Curioso: os comentários partem da mesma gente que hoje defende os que, no poder, promovem uma verdadeira cruzada contra a produção cultural brasileira.

CHICO BUARQUE NÃO SABE CANTAR?

Não só sabe como, com uma outra exceção, é o melhor intérprete das canções que compõe.

Enquanto os direitopatas (Sim! Eles existem!) detratam esse grande artista brasileiro, Prêmio Camões de Literatura pelo conjunto da obra, a gente, como naquele samba de Caetano, apenas brada:

SALVE O COMPOSITOR POPULAR!

Lolita morreu. Sue Lyon, atriz do filme de Kubrick, tinha 73 anos

“Fulana é uma Lolita”.

Se usarmos essa frase num comentário sobre alguma ninfeta, será menos por causa do romance de Vladimir Nabokov do que pelo modo como a jovem atriz Sue Lyon encarnou a personagem no filme de Stanley Kubrick.

Sue Lyon, de 73 anos, morreu nesta quinta-feira (26) de causa ainda não revelada.

A morte foi anunciada neste sábado (28) por um amigo da família.

O filme de Stanley Kubrick é de 1962.

É um grande filme com atuações excepcionais de James Mason, Peter Sellers e Shelley Winters.

Na época das filmagens de Lolita, Sue tinha apenas 15 anos.

Para conquistar o papel, derrotou centenas de candidatas.

Sue Lyon não conseguiu fazer uma grande carreira como atriz.

Será lembrada apenas por Lolita.

Simone faz 70 anos. O melhor está nos discos da EMI-Odeon

A baiana Simone nasceu no dia de Natal.

Ela faz 70 anos neste 25 de dezembro de 2019.

Seu disco mais popular se chama 25 de Dezembro e reúne repertório natalino.

Vendeu centenas de milhares de unidades e foi (ainda é) duramente criticado, sobretudo por causa da versão de Happy Xmas, de John Lennon e Yoko Ono.

Talvez tenha sido executado em excesso, mas, se ouvirmos sem preconceitos, é um bom disco de Natal.

Simone entrou em cena na primeira metade da década de 1970.

Contratada pela EMI-Odeon, lá gravou oito discos e participou de mais três projetos nos quais dividia as faixas com outros artistas.

Simone (1973) e Quatro Paredes (1974) não chamaram a atenção dos ouvintes da MPB.

O reconhecimento de Simone como uma voz marcante do seu tempo começou com Gotas d’ Água (1975), que iniciou uma sequência de poucos, mas grandes álbuns.

A conferir: Face a Face (1977 ), Cigarra (1978 ), Pedaços (1979 ) e Simone (1980 ).

Também em 1980, há o disco ao vivo. Àquela altura, por onde passava, a cantora reunia multidões ávidas por vê-la e ouvi-la ao vivo.

Em seus melhores álbuns, inseriu seu nome entre as grandes cantoras brasileiras e foi intérprete do que havia de mais significativo na MPB da década de 1970.

No início dos anos 1980, contratada pela gigante CBS, Simone trocou o prestígio que tinha por discos que jamais estiveram à altura do seu talento.

Nunca mais foi a mesma.

As músicas natalinas são tão tristes quanto o próprio Natal

Na infância, os temas natalinos parecem alegres. “Bate o sino pequenino, sino de Belém…”. Como o próprio Natal. A gente nem presta muita atenção nas letras. A de Boas Festas, de Assis Valente, foi composta por um homem solitário que depois se matou. E fala da infelicidade do autor: “Já faz tempo que eu pedi/mas o meu Papai Noel não vem/com certeza já morreu/ou então felicidade é brinquedo que não tem”. A despeito do seu conteúdo, incorporou-se ao repertório natalino dos brasileiros e é ouvida nos corredores dos shoppings, ano após ano, cantada ou executada por harpas paraguaias. Valente, que compôs também o samba Brasil Pandeiro, não imaginava que sua música seria um grande hit.

Quando se fala em música de Natal, a primeira melodia que nos ocorre é a de Noite Feliz, ou Silent Night, de Franz Gruber. É praticamente impossível gravar um disco natalino e deixá-la de fora. Foi invocada até pela rebeldia da década de 1960 numa versão curiosa, e algo irônica, de Simon & Garfunkel. O canto da dupla, que conquistou o mundo com The Sound of Silence, se mistura a vozes que leem notícias da guerra do Vietnã. Noite Feliz é tão popular quanto Jingle Bells, O’Tannebaum ou Adeste Fidelis. Não é preciso saber o título, nem o autor. Elas estão na memória de milhões de pessoas. E quem as conhece, imediatamente as identifica como música de Natal.

Gravar discos natalinos é tradição nos Estados Unidos. Bing Crosby, Frank Sinatra, Nat King Cole, Ray Charles, Elvis Presley, Stevie Wonder, Bob Dylan, todos gravaram. Se ouvirmos sem preconceito, veremos que alguns são muito bons. Stevie Wonder cantando Ave Maria é sublime. No Brasil, há o disco de Simone (25 de Dezembro), lançado no final do século passado. Não é ruim quanto querem seus críticos. Talvez tenha sido executado à exaustão. Nos Estados Unidos do século XX, surgiu uma maravilhosa melodia natalina, hoje totalmente incorporada à lista de clássicos do gênero: White Christmas, ou Natal Branco, de Irving Berlin. O autor, que viveu mais de cem anos e era um verdadeiro símbolo da América, escreveu algumas das melhores canções populares de todos os tempos.

A era do rock também nos legou uma música natalina. Happy Xmas foi composta por John Lennon para o Natal de 1971. Hino pacifista, John o escreveu como parte de uma campanha que promoveu ao lado de Yoko Ono contra a guerra do Vietnã. Seu subtítulo é War Is Over, a frase que o casal Lennon espalhou em outdoors pelas grandes cidades do mundo. Na gravação original, crianças do Harlem fazem o coro. Num DVD de 2003, a música vem acompanhada por imagens de crianças atingidas pelas guerras. Impossível não se comover. O que muita gente não sabe é que Lennon foi buscar a melodia de Happy Xmas na velha canção Stewball.

O Brasil tem um caso interessantíssimo de associação entre a música popular e o Natal. É o de Roberto Carlos. A partir da segunda metade dos anos 1960, e por três décadas, o artista lançou discos que se incorporaram aos nossos natais. Alguns tinham músicas de inspiração religiosa, mas só uma era natalina: Meu Menino Jesus, de 1998, que não fez sucesso.

Quando a gente não é mais jovem, as músicas natalinas parecem tristes. Remetem às perdas que acumulamos. Como o próprio Natal.

A negação de Pedro, a Paraíba e uma reflexão para o nosso Natal

EU NÃO O CONHEÇO!

Os acontecimentos recentes da cena política paraibana deixam muitas reflexões. Riquíssimas reflexões sobre a política e sobre a vida. Não pretendo enumerá-as nem fazê-las aqui. Cada um faça as suas. As minhas, faço eu mesmo.

Como é tempo de Natal, lembrei de um espetáculo de teatro e um filme que marcaram profundamente a minha adolescência. É Jesus Cristo Superstar, uma ópera rock muito polêmica em seu tempo.

Na manhã desta segunda-feira (23), vi/ouvi uma manifestação pública que me remeteu a um dos momentos do musical. Aquele em que, logo após a prisão de Jesus, vemos/ouvimos Pedro negá-lo (ou traí-lo) por três vezes. A cena termina com o apóstolo sendo admoestado por Maria Madalena.

No Brasil, Jesus Cristo Superstar foi vertido para o Português por Vinícius de Moraes.

Não ouso traduzir os versos. Posto em Inglês mesmo.

Maid by the fire
I think I’ve seen you somewhere
I remember
You were with that man
They took away
I recognize your face

Peter
You’ve got the wrong man, lady
I don’t know him
And I wasn’t where
He was tonight
Never near the place

Soldier
That’s strange
For I am sure I saw you with him
You were right by his side
And yet you deny it?

Peter
I tell you
I was never ever with him

Old Man
But I saw you too
It looked just like you

Peter
I don’t know him!!!

Mary Magdalene
Peter don’t you know what you have said
You’ve gone and cut him dead

Peter
I had to do it
Don’t you see?
Or else they’d go for me

Mary Magdalene
It’s what he told us you would do
I wonder how he knew?

Retrospectiva: Clube da Esquina e outros shows do ano de 2019

CLUBE DA ESQUINA – Dos shows apresentados em João Pessoa, o de Milton Nascimento foi o melhor de 2019. Bituca revisita grandes canções dos anos 1970 num espetáculo que é pura emoção.

OK OK OK – O excelente CD que Gilberto Gil lançou no ano passado foi transformado num belo show. As novas canções se misturam com pérolas do repertório do artista. No palco, Gil, sua banda e seus filhos músicos.

A MULHER DO PAU BRASIL – Depois de passar um tempo em Portugal, Adriana Calcanhotto voltou com esse show em que exibe todo o seu talento. Encerrada a turnê, lançou Margem, um dos melhores discos do ano.

QUARTETO JOBIM E ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL – Na abertura do Festival Internacional de Música Clássica de João Pessoa, uma homenagem aos 60 anos da Bossa Nova. O Quarteto Jobim e a Sinfônica Municipal proporcionaram um inesquecível reencontro com a música do Maestro Soberano.

BLOCO NA RUA – Ney Matogrosso, aos 78 anos, continua atento aos sinais. Agora, trocando músicas novas por verdadeiros standards do nosso cancioneiro. O show dialoga fortemente com o Brasil de hoje.

A PELE DO FUTURO – O CD A Pele do Futuro traz canções inéditas com roupagem retrô. O show mistura as novas canções com velhos sucessos de Gal Costa, sobretudo dos anos 1970. O resultado é sublime.

VESÚVIO – Djavan continua afiado. Fez um ótimo CD no final do ano passado e seguiu em turnê. O set list traz as músicas compostas para o disco e também as canções que os fãs esperam ouvir.

ROBERTO CARLOS TOUR 2019 – Pela primeira vez, Roberto Carlos se apresentou num teatro em João Pessoa. Que voz! Que banda! Que noite! – foi realmente especial para quem admira o Rei.

Roberto Carlos em João Pessoa. Que voz! Que banda! Que noite!

Roberto Carlos é um artista imenso, um dos maiores da música popular produzida pelos brasileiros.

Roberto Carlos é um grande cantor.

Roberto Carlos domina o palco como poucos.

Ver Roberto Carlos ao vivo é sempre uma experiência extraordinária.

Pois é. Não foi diferente nesta terça-feira (10), quando o artista fez em João Pessoa o último show da turnê 2019.

Mas houve, sim, uma diferença.

Dessa vez, o Rei cantou num teatro, o Pedra do Reino.

E tudo ficou mais perfeito ainda.

Roberto Carlos traz seu show a João Pessoa desde a década de 1960, no auge da Jovem Guarda. A cidade sempre esteve incluída no seu roteiro. Os lugares onde se apresentou – sejamos verdadeiros – nunca estiveram à altura da sua performance ao vivo. Da qualidade do que oferece ao seu público fidelíssimo. Num teatro, foi a primeira vez. Certamente, algo com que seus fãs sonhavam, mas sabiam que não era possível antes que tivéssemos uma sala do porte do Pedra do Reino.

Em 2019, Roberto Carlos fez uma grande turnê. Percorreu o Brasil e passou por vários países. Seu show tem uma ou outra surpresa (o medley em homenagem ao parceiro Erasmo Carlos, por exemplo), mas, no fundo, tem um formato que sofre poucas alterações. É como o show de Paul McCartney. Ou o dos Rolling Stones. E não precisa ser de outro modo.

O set list reúne somente hits. Grandes hits. Canções que já estão muitíssimo bem guardadas na memória afetiva de quem as ouve. De Emoções a Detalhes, de Como É Grande o Meu Amor por Você a Jesus Cristo, de Outra Vez a Lady Laura. Sua Estupidez – uma das mais bonitas – é menos frequente. Dela, o artista diz que, por cavalheirismo, elegância e ética, jamais revelará para quem foi composta.

O show de Roberto Carlos tem a indescritível emoção de uma grande performance ao vivo, mas traz também a perfeição das execuções em estúdio. A voz do Rei, os arranjos, a condução do maestro Eduardo Lages, o nível excepcional dos músicos, a sonorização – tudo envolve altíssima qualidade e profundo respeito por quem paga caro para assistir ao espetáculo.

Roberto Carlos vem de regiões profundas do ser do Brasil. Quem disse foi Caetano Veloso. É verdade. Seu show confirma.

Roberto Carlos no Pedra do Reino. Que voz! Que banda! Que noite!