Qual é o Rei DO Reis?

Roberto Carlos?

Acho que cada um tem o seu.

Depende de muita coisa. Da idade. Do tempo em que ouviu. Das lembranças que traz. Das associações que a música permite. De alegrias. De tristezas.

Com Roberto Carlos, é assim mesmo. Não adianta negar.

A pergunta é por causa de Nando Reis. Ele acaba de lançar um CD chamado Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes chego Perto.

Qual é, então, o Roberto Carlos de Nando Reis?

Ou: qual é o Rei DO Reis?

As 12 músicas do repertório respondem.

Nando é de 1963. Fez 56 anos em janeiro.

Seria natural imaginar que, vindo de uma banda como Titãs, o Rei DO Reis fosse o do rock.

Mas não é.

O Roberto de Nando é o dos anos 1970. Tem a ver com a idade em que ele, garoto, adolescente, foi apanhado por aqueles discos de final de ano.

OK. Nossa Senhora é dos anos 1990. Alô, também. Mas o que predomina no repertório são canções da década de 1970. Algumas, muito conhecidas. Outras, nem tanto. As escolhas de Nando têm essa vantagem: fogem do óbvio.

Em Nossa Senhora, a letra é substituída por um solfejo. Peço permissão para “viajar”: ficou parecida com a valsa Bebel, de João Gilberto.

Em A Guerra dos Meninos, a letra não é cantada, mas declamada. E sabem por quem? Por Jorge Mautner. É incrível ouvir o Rei por Mautner.

Não Sou Nenhum Roberto é, sobretudo, um disco reverente, uma homenagem feita por alguém que ama o homenageado. Esse amor sem preconceito.

A reverência começa pela capa. Nando tal como Roberto na capa dos seus discos.

Que Nando não é nenhum Roberto, isso a gente sabe. Aliás, ninguém é. Seu CD é mais um trabalho dedicado ao cancioneiro do Rei.

Há o de Bethânia, o de Cauby, o de Ângela, o de Lulu, o de Teresa Cristina, o da banda RC na Veia. Ouvi-los, gostar deles, vai depender muito da relação de cada ouvinte com as gravações originais. Elas são muito marcantes, e Roberto Carlos é o melhor intérprete de si próprio.

O que há no CD de Nando Reis é o respeito profundo, a grande admiração, a consciência plena de quem é esse cara que a gente chama de Rei.

E o desejo de dizer tudo isso cantando.

A Paraíba, que vai homenagear Jackson, falhou com Severino

Severino Araújo, o grande maestro da Orquestra Tabajara, nasceu num 23 de abril como hoje. Há 102 anos.

Agora em 2019, quando vejo a Paraíba se preparando para as justíssimas homenagens a Jackson do Pandeiro pelo centenário do seu nascimento, constato como o Estado foi injusto, em 2017, ao deixar passar em branco o centenário de Severino.

O maestro e sua extraordinária big band têm um lugar especial na minha memória afetiva.

Severino Araújo nasceu em Limoeiro, Pernambuco, em 23 de abril de 1917. O pai era mestre de banda. Foi seu primeiro professor.

Na Paraíba, tocou na banda da Polícia Militar antes de, em 1937, ingressar na Orquestra Tabajara como primeiro clarinetista. A orquestra pertencia à recém fundada Rádio Tabajara.

Severino assumiu o comando da orquestra em 1938, aos 21 anos, com a morte do maestro Olegário de Luna Freire.

O resto é História. Assim mesmo, com H maiúsculo.

A Tabajara foi para o Rio de Janeiro no início dos anos 1940 e se transformou na mais importante big band brasileira.

Severino esteve à frente da orquestra por 68 anos. Nela, acolheu seus irmãos: Zé Bodega (sax), Manoel (trombone), Jayme (sax) e Plínio (bateria).

Como autor, está nas antologias do choro com Espinha de Bacalhau. E nas do frevo com Relembrando o Norte.

A Tabajara foi criticada por tocar jazz. Bobagem. Era brasileiríssima. Mas também do mundo. Severino era um mestre. Compondo, arranjando, regendo. Band leader carismático, com um vigor e um charme invejáveis – quem viu ao vivo sabe!

A Orquestra Tabajara teve seus anos de ostracismo. Voltou no início dos anos 1980, nas domingueiras do Circo Voador, no Rio. Em João Pessoa, naquela década, fez vários carnavais do Clube Cabo Branco. Também fez bailes não carnavalescos e shows. O sexagenário Severino parecia um garoto comandando a sua big band!

Conheci Severino Araújo naquele retorno a João Pessoa. Estive perto dele sempre que pude, nos carnavais e fora deles. Nunca me faltou a consciência do quão significativo era aquele vínculo. Fui recompensado por seu afeto e suas histórias.

Uma noite, no intervalo de um baile, ele me disse que, na juventude, sonhava em dar ao Brasil uma grande orquestra popular. E que esperava ter realizado o sonho com a Tabajara.

Claro que realizou!

Música que há em Paêbirú é muito menor do que a lenda

Leio que o álbum-duplo Paêbirú, de Zé Ramalho e Lula Cortes, está sendo relançado em vinil.

Vai deixar de ser raro e, certamente, não precisará mais ser vendido por até R$ 950 no Mercado Livre.

Gravado em 1974, o álbum se transformou numa verdadeira lenda. Mais do que Satwa, de Lula e Lailson, e No Sub Reino dos Metazoários, de Marconi Notaro. Todos, produtos de uma mesma cena musical – o Recife da primeira metade dos anos 1970.

Sou contemporâneo. Ouvi na época. Foram muito festejados pelo underground. Sobretudo Paêbirú, que teve quase todos os exemplares destruídos por uma daquelas dramáticas enchentes que atingiam Pernambuco décadas atrás.

Confesso que a música que há em Paêbirú nunca me impressionou. Preferia outras coisas igualmente “viajosas”. Àquela altura, o trabalho que Zé Ramalho fazia sozinho era muito melhor. O show Atlântida, do mesmo ano de 1974, já revelava os méritos do artista que logo conquistaria dimensão nacional.

Paêbirú é um álbum importante? Sim. Porque se tornou um disco raro. Porque é retrato de uma cena musical criativa. Mas, principalmente, por que tem o nome de Zé Ramalho.

Estão muitíssimo equivocados os que acham que se trata do melhor trabalho do artista paraibano (e há quem ache!). Não é. O melhor de Zé está nos três primeiros discos de gravou na velha CBS (o LP que começa com Avôhai, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu e A Terceira Lâmina). São três petardos com todas as marcas de originalidade do universo musical e poético de Zé Ramalho.

Sem medo de errar, digo hoje que a música que temos em Paêbirú não está à altura da lenda.

Um THE BEST do Roberto Carlos que não é tão antigo assim

Somente o Roberto Carlos antigo presta.

Há essa discussão, sobretudo entre os detratores desse grande artista a quem chamamos de Rei.

Claro que, de um modo geral, na música popular os artistas parecem produzir melhor na juventude. Dos Rolling Stones a Chico Buarque, aconteceu com todos, não só com Roberto Carlos. Mas isso não quer dizer que, a partir de um certo momento da vida e da carreira, todas as novas canções sejam desprezíveis.

Nesta sexta-feira (19), Roberto Carlos faz 78 anos. Vou, então, fazer um THE BEST da sua fase, digamos, ruim. A compilação começa em 1982, um ano depois daquele que muitos consideram o último grande disco autoral do Rei, o LP que tem Emoções.

Na ordem cronológica, seguem as canções:

PENSAMENTOS

FERA FERIDA

O CÔNCAVO E O CONVEXO

CORAÇÃO

EU E ELA

ALELUIA

CAMINHONEIRO

APOCALIPSE

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO

AMOR PERFEITO

AMAZÔNIA

TODAS AS MANHÃS

LUZ DIVINA

MULHER PEQUENA

NOSSA SENHORA

ALÔ

QUANDO DIGO QUE TE AMO   

EU TE AMO TANTO

AMOR SEM LIMITE

O CADILAC

ESSE CARA SOU EU

O romântico, o roqueiro, o religioso, o ecológico, o erótico, o nostálgico, o apaixonado – os vários ROBERTOS que conhecemos estão nessa lista, o cara que a gente chama de REI e que continua fazendo shows primorosos.

Se eu tivesse que escolher somente uma, entre essas 21 canções, ficaria com Alô, que é de 1994. Leva a assinatura de Roberto e Erasmo Carlos. Tocou um bocado, mas não foi um grande sucesso. É do momento em que o artista se preparava para quebrar a tradição do disco de final de ano.

Não por acaso, é a canção que Nando Reis escolheu para abrir o álbum que, neste 19 de abril, lança em tributo a Roberto Carlos.

Anitta não precisa da Bossa Nova para ser legitimada

Leio que Anitta tem vontade de gravar um disco de Bossa Nova.

É um desejo legítimo.

Mas penso que ela não precisa disso para afirmar seu talento.

Nós, que como ouvintes nos abrigamos sob o guarda-chuva de um negócio chamado “música de qualidade”, cobramos isso de artistas de quem, em tese, não gostamos. Ou achamos que fazem música de má qualidade.

Vou dar um exemplo pessoal. Anos atrás, quando vi que Ivete Sangalo é ótima cantora e sabe tudo de palco, esperei dela um repertório de MPB no lugar do que costuma cantar. Equívoco completo. Ivete não precisa da chamada MPB para brilhar. Ela é muito boa fazendo o que faz.

Anitta é assim. Está construindo uma carreira, e o êxito da sua caminhada virá de um talento genuíno que tem.

Se quer gravar Bossa Nova, que grave. Fará bem, certamente. Mas não dependerá disso para ser reconhecida.

Seus críticos são preconceituosos.

No fundo, não aceitam que ela seja o que é tendo vindo de onde veio.

Anitta é um fenômeno pop.

Sua voz estará no próximo álbum de Madonna. Não é pouco.

Ela merece o sucesso.

Beba por mim e por minha saúde, já que eu não posso mais beber

O ano era 1973.

Pablo Picasso, uma das figuras geniais do século XX, esteve com amigos à noite.

Pediu que bebessem por ele e por sua saúde já que não podia mais beber.

No dia seguinte, estava morto.

O homem que legou Guernica ao mundo tinha 91 anos.

*****

O ator Dustin Hoffman, num intervalo das filmagens de Papillon, contou essa história a Paul McCartney.

Paul pegou o violão e cantou mais ou menos assim:

Beba por mim

Beba por minha saúde

Você sabe que não posso mais beber

O resultado, mais tarde, foi uma bela canção chamada Picasso’s Last Words.

As últimas palavras de Picasso.

De Paul para Pablo.

O vídeo é do filme Rock Show, que mostra o grupo Wings em turnê pela América.

A gravação original de Picasso’s Last Words está no disco Band on the Run.

Cinco CDs póstumos de Bowie são bons retratos do artista ao vivo

Investir em carreiras póstumas tem sido um bom negócio para a indústria fonográfica. Sobretudo quando há muito material inédito nos arquivos das gravadoras e dos próprios artistas.

Creio que Elvis Presley está no topo quando o assunto é discografia póstuma.

O artista morreu em 1977, e, de lá para cá, dezenas de discos inéditos enriqueceram os acervos dos colecionadores.

David Bowie morreu em janeiro de 2016.

Dois dias antes, lançara um disco novo (Blackstar) e completara 69 anos.

Tinha câncer no fígado e é muito provável que tenha optado por suicídio assistido.

Nesses três anos que nos separam da morte de Bowie, cinco álbuns duplos ao vivo chegaram ao mercado em edições físicas.

São bons retratos do artista no palco.

As gravações – tecnicamente bem feitas –  são de 1974, 1978, 1983, 1987 e 2000.

Nesses cinco álbuns, há o retorno a turnês que, em seu tempo, já haviam gerado outros discos ao vivo.

Há também material que já era conhecido em vídeo. E até conteúdo lançado anteriormente em CD, só que numa edição limitada.

Mas nada disso, para quem admira Bowie, tira o sabor da degustação desses lançamentos.

Dos cinco títulos, o que mais me agradou foi o Glastonbury 2000.  Pena que a edição brasileira veio sem o DVD (ou Blu-ray).

Seguem as capas.

CRACKED ACTOR

WELCOME TO THE BLACKOUT

GLASTONBURY 2000

SERIOUS MOONLIGHT

GLASS SPIDER

Apesar da retração da indústria do disco, esses cinco CDs duplos de David Bowie foram todos lançados em edições físicas no mercado brasileiro.

Kisses, o novo álbum de Anitta, tem dueto com Caetano Veloso

Anitta lançou seu novo álbum nesta sexta-feira (05), o primeiro desde Bang, de 2015.

Kisses está disponível nas plataformas digitais.

O álbum em três línguas (português, espanhol e inglês) tem dez faixas.

A última faixa de KissesVocê Mentiu – traz um dueto de Anitta com Caetano Veloso.

Confira o áudio da canção.

O mundo quer saber qual é a doença que Mick Jagger tem

Mick Jagger está doente.

No sábado (30), os Rolling Stones anunciaram o adiamento da turnê que fariam, a partir de abril, pelos Estados Unidos e Canadá.

Na agenda da banda, estava uma apresentação no festival de jazz de New Orleans.

O frontman dos Rolling Stones tem 75 anos, completados em julho de 2018.

Mick Jagger usou as redes sociais para fazer o anúncio ao público e dizer o quanto lamenta pelo adiamento da turnê.

Os Rolling Stones são uma empresa que funciona muitíssimo bem.

Jagger não é só um excepcional artista de palco e um dos grandes nomes do rock.

Ele estudou economia numa tradicional escola da Inglaterra e levou os seus conhecimentos para a gestão empresarial do grupo.

Os Rolling Stones não caem na estrada sem que os seus integrantes se submetam a exames médicos. Sobretudo agora que são homens velhos.

Foi assim que se detectou em Ronnie Wood um câncer de pulmão em estágio inicial. Foi assim que o problema de saúde de Mick Jagger foi descoberto.

Naturalmente, o mundo quer saber qual é a doença que ele tem, mas isso ainda não foi revelado.

O que se sabe, por enquanto, é que o músico já iniciou o tratamento nos Estados Unidos e que deve retomar suas atividades em poucos meses.

*****

Se tomarmos como referência o primeiro single da banda (Come On/I Want To Be Loved, 1963), os Rolling Stones estão na estrada há 56 anos.

Já foram um quinteto, mas desde os anos 1990 são um quarteto.

Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts vêm da formação original, do início da década de 1960. Ronnie Wood, o caçula, entrou para o grupo em meados dos anos 1970.

Se pensarmos em discografia, a fase áurea da carreira deles foi entre o final dos anos 1960 e o começo dos 1970.

Mas, no palco, à medida que o tempo passou, se tornaram cada vez melhores.

Vê-los ao vivo é uma extraordinária experiência sonora e visual.

O futuro dos Rolling Stones depende da saúde do seu frontman.

Sem Mick Jagger, não há Rolling Stones.

55 anos do golpe militar de 64. Do Brasil, SOS ao Brasil

Neste domingo (31), faz 55 anos que um golpe militar derrubou o presidente João Goulart.

Durante 21 anos, o Brasil viveu sob uma ditadura.

Houve prisões, cassações, exílios, tortura, assassinatos, desaparecimentos.

Houve fechamento do Congresso, censura à imprensa e à produção cultural, e perseguição a lideranças civis, estudantes, padres e bispos.

*****

O presidente Jair Bolsonaro quer reescrever a História. Nem é papel dele, nem ele teria capacidade intelectual para fazê-lo.

O que se tem hoje no Brasil é uma direita burra a exaltar a ignorância.

Bolsonaro mandou que as forças armadas comemorassem o 31 de março.

Depois, num recuo, disse que rememorassem.

O golpe militar e a ditadura que a este se seguiu foram muito comentados nos últimos dias.

O debate me levou a pensar nas canções da época.

Músicas que a gente ouviu com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Geraldo Vandré, Tom Jobim, Chico Buarque, Gonzaguinha, Paulinho da Viola, Ivan Lins, João Bosco, Luiz Melodia, Elis Regina, Sérgio Ricardo, Belchior, MPB4.

O que temos a seguir é um painel montado a partir de versos de 25 canções lançadas entre a segunda metade dos anos 1960 e o início da década de 1980.

Canções de guerra, de amor, de luta, de tristeza, de esperança.

Há muitas outras, mas escolhi essas:

 

Aqui é o fim do mundo

Aqui é o fim do mundo

Aqui é o fim do mundo

 

Vamos passear nos Estados Unidos do Brasil

Vamos passear escondidos

Vamos desfilar pela rua onde Mangueira passou

Vamos por debaixo das ruas

 

Morte vela sentinela sou

Do corpo desse meu irmão que já se foi

Revejo nessa hora tudo que aprendi

Memória não morrerá

 

Eu já fui até soldado

Hoje muito mais amado

Sou chofer de caminhão

 

Vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há

Colher a flor que já não dá

E algum amor talvez possa espantar

As noites que eu não queria

E anunciar o dia

 

Esqueça que está desempregado

Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal

 

Meu amor eu não esqueço

Não se esqueça por favor

Que eu voltarei depressa

Tão logo a noite acabe

Tão logo esse tempo passe

Para beijar você

 

Um grande país eu espero

Espero do fundo da noite chegar

 

Sumir desse jeito não tem cabimento

Me conta quem foi, porque foi

E tudo que você passou

Preciso saber seu tormento

Preciso saber da aflição

 

Mas ovelha negra me desgarrei

O meu pastor não sabe que eu sei

Da arma oculta na sua mão

 

Tente usar a roupa que estou usando

Tente esquecer em que ano estamos

Arranje algum sangue, escreva num pano

Pérola negra, te amo, te amo

 

O Brazil não conhece o Brasil

O Brasil nunca foi ao Brazil

 

Minha fortaleza é de um silêncio infame

Bastando a si mesma

Retendo o derrame

A minha represa

 

Quem cala sobre teu corpo

Consente na tua morte

Talhada a ferro e fogo

Nas profundezas do corte

 

Ele, o artesão

Faz dentro dela a sua oficina

E ela, a tecelã

Vai fiar nas malhas do seu ventre

O homem de amanhã

 

Esse silêncio todo me atordoa

Atordoado eu permaneço atento

Na arquibancada pra a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa

 

Gente lavando roupa

Amassando pão

Gente pobre arrancando a vida com a mão

No coração da mata gente quer prosseguir

Quer durar, quer crescer

Gente quer luzir

 

Não se incomode

Quando a gente pode, pode

O que a gente não pode, explodirá

A força é bruta

E a fonte da força é neutra

E de repente a gente poderá

 

Olha o vazio nas almas

Olha um violeiro de alma vazia

 

A voz resiste, a fala insiste, você me ouvirá

A voz resiste, a fala insiste, quem viver verá

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim

 

A história é um carro alegre

Cheio de um povo contente

Que atropela indiferente

Todo aquele que a negue

 

Vejo uma trilha clara pro meu Brasil

Apesar da dor

Vertigem visionária que não carece

De seguidor

 

Você corta um verso, eu escrevo outro

Você me prende vivo, eu escapo morto

 

Do Brasil,

SOS ao Brasil   

*****

Marginália II/Enquanto seu lobo não vem/Sentinela/Ventania/Sabiá/Comportamento geral/Para um amor no Recife/Clube da esquina/Aparecida/Agnus sei/Pérola negra/Querelas do Brasil/Fortaleza/Menino/Primeiro de maio/Cálice/Gente/Realce/Calabouço/Não leve flores/Aos nossos filhos/Canção pela unidade latinoamericana/Nu com a minha música/Pesadelo/Querelas do Brasil.