Covid-19 mata Trini Lopez, que cantava La Bamba e America

A Covid-19 matou Trini Lopez.

O cantor e guitarrista morreu nesta terça-feira (11), informam as agências de notícias.

Tinha 83 anos.

Americano, Lopez era filho de pais mexicanos e fez grande sucesso nos anos 1960.

Ele conquistou ouvintes em todo o mundo com sua versão de  La Bamba.

Outro grande sucesso de Trini Lopez foi America, que faz parte, originalmente, do musical West Side Story.

Pobre jornalismo cultural. Rolling Stone e o prato-e-faca de Moreno

Pobre jornalismo cultural.

No último domingo (09), na legenda de uma foto, o centenário jornal paraibano A União maculou suas tradições ao mudar o nome de um poema de Carlos Drummond de Andrade.

Transformou Canção Amiga (sim, Canção Amiga, que ganhou melodia de Milton Nascimento há mais de 40 anos) em Na Barriga da Mulher.

Tudo porque, além de não conhecer o poema, quem editou a matéria não há de ter entendido o texto do colunista Kubi Pinheiro, que precisou recorrer às redes sociais para não ser identificado como autor de erro tão grosseiro.

Pegue Nova Reunião (Companhia Das Letras), esse volume de quase 1000 páginas com toda a poesia de Drummond, vá ao índice de títulos e, na letra C, confira: “Canção amiga”, 206.

“Eu preparo uma canção…” – lembram?

Na letra N, é claro que não há nenhuma Na Barriga da Mulher.

Só no anedotário do nosso jornalismo cultural.

Pobre jornalismo cultural.

Outro absurdo veio da revista Rolling Stone.

“Momento cômico e inusitado” – foi como a revista definiu o prato-e-faca tocado por Moreno Veloso na live em que, sexta passada (07), Caetano Veloso festejou seus 78 anos.

Não tem nada de cômico.

Nem de inusitado.

Fui apresentado ao prato-e-faca aos 13 anos, em 1972, quando Caetano Veloso lançou Araçá Azul, disco fortemente experimental.

Logo na faixa de abertura (Viola Meu Bem), ouvíamos a voz de Dona Edith do Prato e, naturalmente, o prato-e-faca que ela tocava.

É instrumento do samba-de-roda que se canta e dança lindamente na Bahia.

O próprio Moreno Veloso usava, em 1998, quando subia ao palco no show Livro Vivo e cantava How Beautiful Could a Being Be.

Também estava entre os instrumentos que Moreno tocava na turnê Ofertório, em 2018/2019, que reunia Caetano e seus três filhos.

O prato-e-faca me foi apresentado em 1972 graças a Caetano Veloso, mas há registros do seu uso 100 anos antes, na segunda metade do século XIX, e também no João da Bahiana ouvido na década de 1920, como assinala GG Albuquerque, jornalista de Pernambuco, em oportuno artigo postado nesta segunda-feira (10), já em resposta à burrice e à ignorância da revista Rolling Stone.

Pobre jornalismo cultural.

Rainha das lives, Teresa Cristina ilumina as noites de isolamento

Faz tempo que Teresa Cristina entrou na minha casa.

Foi quando ela gravou aqueles dois discos dedicados a Paulinho da Viola.

Um belo songbook do grande sambista carioca.

Passei a segui-la. Teresa e seus CDs.

Uma grande voz do samba. Isso já é muito.

Mas depois a gente descobre que, na verdade, o negócio dela é mais abrangente.

É Teresa Cristina e a música.

Melhor Assim – dizia o título de um dos seus CDs.

E uma gratíssima surpresa:

Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos.

Ouçam um pouco.

Teresa Cristina é da música.

Do samba ao metal – ela conhece tudo, tem uma memória incrível, é guiada por absoluta liberdade.

E é uma lindeza cantando.

Cartola?

Noel?

São sublimes na sua voz.

Na pandemia, se transformou na rainha das lives.

Todas as noites, longas lives que atraíram todo mundo. Nós, os ouvintes, e eles (Caetano, Chico, Gil), os artistas que amamos.

Alegre ou triste, sorrindo ou chorando, na luta, indignada com o que estamos vivendo. Mas, sobretudo, cantando – assim é Teresa Cristina em suas lives.

Não tem produção. Não precisa.

É ela, sua voz à capela e seus argumentos.

Teresa Cristina ilumina nossas noites nesses tempos escuros.

Quinteto da PB faz com Mônica Salmaso o centésimo Ô de Casas

Mônica Salmaso e seus ouvintes festejam a centésima edição do Ô de Casas, vitorioso projeto que a cantora paulistana criou para enfrentar a pandemia.

Nele, a artista recebe seus convidados não presencialmente em primorosos números musicais.

Para os paraibanos, o centésimo Ô de Casas tem um sabor bem especial: é que, juntos, Mônica Salmaso e o Quinteto da Paraíba fazem Roendo Unha, de Luiz Gonzaga e Luiz Ramalho.

Caetano nos salva dessas trevas. Quão bonito um ser pode ser!

“Vejo uma trilha clara pro meu Brasil, apesar da dor/Vertigem visionária que não carece de seguidor”

Esse verso está numa das mais belas canções de Caetano Veloso.

Nu Com a Minha Música fica cada vez mais bonita.

É de ontem (tem quase 40 anos), mas sempre fala de hoje.

Foi um momento intenso da live que o artista fez nesta sexta-feira (7/8), no dia em que completou 78 anos.

Caetano reuniu Moreno, Zeca e Tom, seus filhos, e nos presenteou com uma performance lindamente informal.

“Seja a casa onde moras a morada da alegria” – lembrei do verso de Bandeira musicado por Villa-Lobos numa canção de aniversário.

O homem velho na sala do lugar onde mora e de onde não pode sair desde março, nesse ano atípico da pandemia do novo coronavírus.

A pandemia entrou no roteiro no momento em que Caetano defendeu os povos indígenas, duramente contaminados e mortos pela Covid-19, e fez crítica incisiva às atuações dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

Mas a conversa dele com nós todos, que vimos o show nas nossas casas, foi através das 27 canções do setlist.

Milagres do Povo já disse muito na abertura. Como Um Índio. E Podres Poderes. E Sampa.

O tributo ao concretistas – com Pulsar – foi comovente. A eterna gratidão aos irmãos Campos.

Santo Amaro, a sua nave mãe, se fez presente em Reconvexo e em Trilhos Urbanos.

“Será que esses olhos sãos meus?” – esse verso me arrebatou desde a primeira audição de Cinema Transcendental, o disco de 1979.

Santo Amaro também em Cezar Mendes. Melodia dele, letra de Tom, na inédita Talvez, que pai e filho cantaram juntos.

Moreno fez Sertão. Zeca, Todo Homem, que fica como legado do show Ofertório.

Houve Tigresa. E O Leãozinho. E Odara. E Qualquer Coisa. E Cajuína. E – surpresa! – Diamante Verdadeiro. Todas do Caetano dos anos 1970.

Também Desde que o Samba É Samba, Queixa e Luz do Sol, além da lembrança do exílio em Nine Out of Ten, a primeira música brasileira com a palavra reggae.

“I’m Alive”.

Sim. Nós estamos vivos. Apesar de tudo.

How Beautiful Could a Being Be – diz a música que Moreno compôs para presentear o pai. Foi o número que fechou a live.

Quão bonito um ser pode ser!

Caetano Veloso é uma das imensas belezas do Brasil.

Ele nos salva dessas trevas.

Caetano Veloso faz live hoje e canta música inédita com Tom

Caetano Veloso completa 78 anos nesta sexta-feira (7/8) e faz sua tão esperada live.

Será às nove e meia da noite pelo Globoplay.

Não precisa ser assinante para assistir. O sinal vai estar liberado.

O que se sabe da live de Caetano é muito pouco.

Os filhos Moreno, Zeca e Tom estarão com ele.

Tigresa, um sucesso de 1977, entrou no setlist.

E haverá uma canção inédita chamada Talvez, um dueto de Caetano com Tom.

A canção foi lançada hoje nas plataformas digitais.

Ouça.

Chico César chama bolsominions de demônios. Direita estrebucha

Bolsomínios são demônios

Que saíram do inferninho

Quem disse foi Chico César numa canção cujo vídeo repercutiu um bocado na Paraíba.

A direita paraibana não gostou nem um pouco.

Gente com mandato reagiu.

Gente sem mandato também reagiu.

Esse povo acha que o compositor é que está com o diabo no couro.

Vi nas redes sociais até uma manifestação de caráter racista.

A reação da direita é desproporcional.

A canção é apenas um desabafo do artista nesse país em desconstrução.

Chega a soar ingênua.

E não está à altura do seu melhor.

Os bolsominions, tão acostumados a postar mentiras e disseminar ódio, não deveriam ficar ofendidos assim tão facilmente.

A canção de Chico César não dá para tanto.

A direita paraibana estrebuchou à toa.

Meu setlist perfeito para a live de Caetano é este aqui. Qual o seu?

A mais esperada de todas as lives desta quarentena será sexta-feira que vem.

Caetano Veloso faz 78 anos e, no dia 7/8, canta pra todos nós, às nove e meia da noite, no Globoplay.

Durante quatro meses, vimos, em vídeos postados nas redes sociais, as conversas de Paula Lavigne com Caetano sobre a live.

Ela sugerindo. Ele dizendo não.

Ela pedindo que as pessoas mandassem sugestões para o repertório.

Até que veio o sim de Caetano.

Vai fazer no dia do seu aniversário, do mesmo modo que Gilberto Gil fez em 26 de junho, quando completou 78 anos.

Neste domingo (02), lá estava a pergunta no Face do artista: qual o seu setlist perfeito?

O fã pode montar seu próprio setlist na arte disponível nos stories e marcar Caetano.

Legal, não é?

Pode não ser fácil, mas a gente tenta.

Resolvi, então, fazer o meu.

É o que se segue:

UM ÍNDIO

UM ABRAÇAÇO

TROPICÁLIA

TIGRESA

TREM DAS CORES

PETER GAST

TRILHOS URBANOS

ENQUANTO SEU LOBO NÃO VEM

PAISAGEM ÚTIL

TERRA

NÃO IDENTIFICADO

O NOSSO OLHAR (SÉRGIO RICARDO)

NU COM A MINHA MÚSICA

CORAÇÃO VAGABUNDO

DESDE QUE O SAMBA É SAMBA

O LEÃOZINHO

FORÇA ESTRANHA

GENTE

FALOU AMIZADE

RECONVEXO

A LUZ DE TIETA

Encontro dos Rolling Stones com Axl Rose tem lançamento oficial

Em 1989, Axl Rose, do Guns N’ Roses, subiu ao palco dos Rolling Stones para um dueto com Mick Jagger.

Eles cantaram juntos Salt of the Earth.

Foi em Atlantic City, durante a turnê Steel Wheels.

Eric Clapton e Johnny Lee Hooker também participaram do show que, em setembro, afinal será lançado oficialmente.

Estará disponível em CD, DVD e Blu-ray.

Muita gente nem sabe, mas essas músicas são de Renato Barros

O guitarrista Renato Barros, que morreu nesta terça-feira (28) aos 76 anos, além de ter liderado por décadas o grupo Renato e Seus Blue Caps, era compositor.

Ele fez canções que se transformaram em grandes sucessos, mas muita gente as conhece pelo intérprete e não pelo autor.

Escolhi quatro.

A primeira e a quarta, mais populares do que a segunda e a terceira.

VOCÊ NÃO SERVE PRA MIM/Roberto Carlos

NÃO HÁ DINHEIRO QUE PAGUE/Roberto Carlos

VOCÊ NÃO SABE O QUE VAI PERDER/Roberto Carlos

DEVOLVA-ME/Adriana Calcanhotto