O colunista está de férias por 30 dias

A partir desta quarta-feira (01) e até o dia 30 de março, estarei de férias!

Filmes, discos, livros, descanso! É bom!

Nesses 30 dias, não produzirei nenhum conteúdo para a coluna.

Obrigado aos que dedicam algum tempo lendo o que posto aqui!

Um abraço a todos!

Carnaval do Fora Temer dá saudade do carnaval de Itamar!

O governo Collor se tornou inviável em 1992!

Um impeachment – instrumento legal – derrubou o presidente. Com ou sem crime de responsabilidade!

O governo Dilma se tornou inviável em 2016!

Um impeachment – instrumento legal – derrubou a presidente. Com ou sem crime de responsabilidade!

José Eduardo Cardozo me disse que houve o crime em Collor e não houve em Dilma! OK!

O vice de Collor, Itamar Franco, assumiu e fez a transição para a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994.

O vice de Dilma, Michel Temer, está aí às voltas com impasses cujo desfecho ninguém ousa imaginar!

Lembrei de fazer essa comparação por causa do carnaval!

O carnaval de Itamar e o carnaval de Temer!

Itamar brincou nas ladeiras de Olinda! Lembram?

Itamar foi para o sambódromo e apareceu ao lado de uma modelo sem calcinha! Lembram?

Itamar podia andar na rua sem medo de ser vaiado! Lembram?

E Temer? Pobre Temer!

Nas ruas, nos blocos, a multidão grita Fora Temer! Como se fosse o maior hit desse carnaval! E é!

E nem precisa o presidente aparecer por perto para que o brado seja puxado pelo folião!

O Brasil e seus impasses sem fim!

Que venham outros carnavais!

O “haverão” do ministro: Marcos Bagno diz que problema é outro!

O professor Marcos Bagno, autor de Preconceito Linguístico, é conhecido nacionalmente como representante de  uma corrente da Linguística que não exige o cumprimento da norma culta.

Ele não vê nenhum problema que o ministro Mendonça Filho, da Educação, diga “haverão” (haverão mudanças no Enem, quando o correto é haverá mudanças).

Eu vejo! Mas o estudioso da língua é Bagno!

Ontem (23), tratei do assunto aqui na coluna. No texto, mencionei o professor, que conheci durante as férias que passou, há pouco, em João Pessoa.

Nos falamos in box sobre o “haverão” do ministro Mendonça Filho.

Agora, vejo a manifestação pública de Bagno, através do Facebook.

Não posso deixar de dividir com vocês.

Transcrevo a opinião de Marcos Bagno:

Problema nenhum em dizer “haverão”, acontece com qualquer ser humano normal. O problema é a criatura ocupar o cargo que ocupa e ser a criatura o que é: um pusilânime, um energúmeno, uma besta-quadrada ao quadrado. A concordância verbal me incomoda muitíssimo menos do que a discordância ideológica que, de minha parte, é absoluta. Problema nenhum em dizer “haverão”: problema é ser um réptil, um protozoário social, um vírus infeccioso. 

Ministro da Educação (logo ele!) não pode errar no verbo haver!

Sim! Eu sei que ninguém é obrigado a seguir a norma culta quando fala!

Claro que eu sei!

Viva os falares do povo! – dirão, com razão, muitos estudiosos da língua.

Mesmo no texto escrito, a necessidade da adoção de um tom coloquial (agora mesmo, no online!) pode justificar coisas que não fazemos quando seguimos rigorosamente o que mandam as regras do melhor português.

Sei de tudo isso!

Mas, vamos combinar!, que é triste ver o ministro da Educação (logo ele!) cometer um erro imperdoável, crasso (como registrou a Veja), lá isso é!

É tão triste que virou notícia!

“Haverão mudanças”, disse o ministro Mendonça Filho sobre o Enem.

Senti vergonha alheia!

O ministro da Educação não aprendeu a usar o verbo haver!

Não conhece aquela “regrinha” básica que a gente aprende cedo na escola!

Quando se trata de tempo, o verbo haver é impessoal, Sr. Ministro!

Pergunte ao presidente Temer, que ele sabe!

Estou sendo preconceituoso? O que diria Marcos Bagno, que sabe tudo de Linguística e é de uma corrente que questiona uma série de rigores que aprendemos na escola?

Acho que não! Estou apenas torcendo para que o ministro da Educação, por ser da Educação, trate bem a língua!

Mendonça Filho à frente da Educação, mostrando que não sabe ao menos conjugar o verbo haver, é apenas um dos tantos retratos das escolhas ministeriais regidas preferencialmente pelas questões políticas.

No Facebook, vi alguém defender o ministro com um desafio.

Algo mais ou menos assim:

Quem nunca errou na conjugação do verbo haver, que atire a primeira pedra!

Pois é! E ainda tentam justificar o injustificável!

Andy Warhol, mestre da pop art, morreu há 30 anos

Comprei o livro há quase 35 anos.

No papel amarelado pelo tempo, tem a anotação. Meu nome e a data.

Dá para ler? “Sílvio Osias set. 82”. É o que está anotado. E junto tem um selo comemorativo dos 20 anos do início da Beatlemania. Agora, já são quase 55!

O título do livro: THE BEATLES.

A capa:

A contracapa:

Sabem quem desenhou? Andy Warhol.

Um luxo! Uma biografia dos Beatles lançada em 1982 (apenas dois anos após a morte de Lennon) com capa de Andy Warhol e prefácio do maestro Leonard Bernstein!

Que caminho mais oblíquo estou percorrendo para lembrar de Warhol!!

Pois é! Mas é tudo pop!

Hoje (22), faz 30 anos que perdemos Andy Warhol, mestre da pop art.

Posso folhear os dois volumes dos seus diários ou, então, ouvir Sticky Fingers em sua homenagem!

Folia cidadã das Muriçoquinhas pede socorro para a barreira

Uma pergunta que não sai da cabeça: será que existe alguma relação entre a luta pela recuperação da barreira do Cabo Branco e a folia de Momo? Se depender da guerreira/foliã Eliane Holanda, a resposta é: sim! As duas coisas estão intimamente ligadas! 

Transcrevo aí o que li há pouco no Facebook. Quem postou foi Ricardo Lombardi, do Grupo Amigos da Barreira.

Hoje (20), as Muriçoquinhas do Miramar vão descer a Epitácio Pessoa no final da tarde, como ocorre todos os anos na segunda-feira que antecede o carnaval.

E, dessa vez, o bloco se engaja na luta cidadã em defesa da barreira do Cabo Branco.

O tema do desfile será Barreira do Cabo Branco – me segura senão eu caio. “Unindo diversão com responsabilidade cidadã”, como lembra Ricardo Lombardi em sua postagem.

Bela iniciativa de Eliane Holanda e demais responsáveis pelo bloco.

Felicidades aos pequenos foliões!

O John Lennon que o mundo conhece deve muito a Yoko Ono

Os Beatles se separaram há quase cinco décadas, mas milhares de fãs ainda abominam Yoko Ono por atribuir a ela o fim do quarteto. Nunca fiz parte dos que viam a mulher de John Lennon com maus olhos. Sempre achei que ela, como artista de vanguarda, apontou novos caminhos para ele. Alguns, ainda na época do grupo. Outros, depois da separação. Yoko ia para o estúdio com John (as imagens do documentário “Let It Be” registram) e o influenciava em ousadias como “Revolution 9”. A tentativa de fazer música avan-garde que temos no “White Album” certamente não existiria sem Ono, que, embora não creditada, é, de fato, coautora da faixa.

John Lennon era sete anos mais novo do que Yoko Ono. Ele, nascido em outubro de 1940. Ela, em fevereiro de 1933. Os dois, crianças da guerra, conforme assinalava o livro “A Balada de John & Yoko”, editado há uns 35 anos pela revista Rolling Stone. No momento em que Lennon nasceu, Liverpool era bombardeada pelos alemães. Ono cresceu num país devastado pela guerra. Filha de uma família abastada, criada longe do pai, entre um professor que lhe apresentou a Bíblia e um criado que dava aulas de budismo. No meio, havia um piano. Quando os dois se conheceram, em meados dos anos 1960, Yoko não parecia destinada a se aproximar do universo do rock.

John e Yoko se encontraram em novembro de 1966 na Indica Gallery, em Londres. Ele foi à pré-inauguração da exposição dela. Lennon subiu uma escada que havia no meio da sala, olhou por um pequeno telescópio preso a uma tela pendurada no teto e leu a palavra “sim”. Também estava escrito: pregue um prego. Ele perguntou se poderia fazer isto. Ela disse que não. Afinal, a exposição ainda não estava aberta ao público. A história está no livro da Rolling Stone. E em muitos outros. Lenda ou realidade? Se for lenda, que prevaleça sobre a realidade quando aquela é melhor do que esta. Aprendemos com John Ford no clássico “O Homem que Matou o Facínora”.

Antes mesmo que os Beatles acabassem, o casal gravou três discos experimentais. “Two Virgins”, “Life With the Lions” e “Wedding Album” são trabalhos radicalíssimos que se contrapõem ao que John Lennon fazia ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Mas que enriquecem a trajetória do artista que ele era e, indiretamente, do grupo ao qual seu nome esteve vinculado durante toda a década de 1960. John não era o melhor músico dos Beatles, mas a personalidade mais importante, inquieta, polêmica e controvertida. Yoko desempenhou papel fundamental na consolidação da sua figura pública e do que o mundo guarda da sua memória.

Yoko conduziu John por caminhos que talvez ele não tivesse trilhado sem ela. Nas exposições, nos filmes experimentais. Mas Lennon também levou Ono para os rocks e baladas do seu universo. O disco duplo “Sometime in New York City”, de 1972, confirma. É panfletário e ingênuo, mas irresistível. Flagra o casal em seu momento de mais intensa militância política em Nova York. Gritando contra as injustiças, a guerra. Sonhando com um mundo melhor. “A guerra acabou, se você quiser”, dizem os versos da canção natalina que ouvimos até hoje. John Lennon foi assassinado em 1980. Yoko envelheceu cuidando da memória dele. Neste sábado (18), ela faz 84 anos.

Zuckerberg faz discurso ideal, mas está longe da realidade!

Mark Zuckerberg publicou nesta quinta-feira (16) uma carta em que dialoga com os usuários do Facebook. Defende o conceito de uma comunidade global.

Fundador e CEO da rede social, Zuckerberg reage às críticas feitas ao Facebook.

O Face promove censura? Estimula discursos de ódio? Difunde notícias falsas? Acabou contribuindo com a eleição de Donald Trump?

Qual pode ser o seu papel no projeto de uma comunidade global?

Para a construção dessa comunidade global, Zuckerberg defende cinco mandamentos:

Comunidades solidárias. Comunidades seguras. Comunidades informadas. Comunidades civicamente engajadas. Comunidades inclusivas. 

Muito bom como lista de propósitos!

Tomemos o exemplo brasileiro. O que nós, usuários do Facebook, temos visto?

O que, na prática, o Face tem feito entre nós, um país mergulhado numa crise econômica e num impasse político, a não ser contribuir significativamente para acentuar as nossas divisões e a intolerância dos extremos?

Em que medida o Face que nós frequentamos, onde fazemos “amigos”, produz conteúdos que contribuem com a construção dessa comunidade global que possa melhorar o mundo?

O mundo de Zuckerberg, com suas comunidades solidárias, é belo e irreal como a letra de Imagine, essa balada do beatle John, que nós tanto amamos! Mas que nada pode fazer pelo caos do Espírito Santo quando é executada nas ruas por um motorista solitário!

O mundo está doente, disse o Papa Paulo VI. Faz tempo. Foi nos anos 1960, creio.

A frase continua valendo. Ou vale ainda mais!

As redes sociais têm um papel a desempenhar. O discurso de Mark Zuckerberg trata disso. É interessante como documento sobre a contemporaneidade. Inquieta, mas propõe caminhos difíceis nesse mundo convulsionado.

O progresso agora exige que a humanidade se una não como cidades ou nações, mas como uma comunidade global.

A frase de Zuckerberg parece mais com os versos utópicos de Lennon do que com a vida real!

As Muriçocas são do povo. Apoio a políticos maculou bloco

Encontrei Fuba casualmente nos corredores da TV Cabo Branco. Fazia tempo que não conversávamos.

Acabei dizendo algo que estava guardado comigo há muitos anos:

O apoio das Muriçocas do Miramar a políticos prejudicou o bloco.

Vou entrar no túnel do tempo:

Fevereiro de 1987. Na quarta-feira que antecedia o carnaval, fui abordado, também nos corredores da TV Cabo Branco, pelo repórter Saulo Moreno. Ele tinha uma sugestão:

Vamos cobrir um bloco novo que vai descer a Epitácio Pessoa numas carroças.

Era um pessoal ligado à professora Vitória Lima.

Eu topei. Mandei cobrir. Pouca gente. Nada indicava ainda que, ali, estava nascendo um fenômeno absolutamente espontâneo e muitíssimo importante para a vida da cidade de João Pessoa.

O resto é história. Não preciso contar. Está aí há 30 anos.

Desde então, como cidadão e jornalista, acompanho com grande interesse e muito respeito a trajetória do bloco e o papel que desempenhou na consolidação da prévia carnavalesca Folia de Rua.

Não é preciso recorrer a teses sociológicas para compreender o significado de manifestações como essa que nasceu no bairro do Miramar e conquistou uma cidade.

Conquistou como expressão verdadeira e genuína de um povo, com sua alegria fugaz, com a beleza de sua música.

Desci a avenida várias vezes e sei que não tem preço.

É tão bonito que você não sabe se cai na folia ou se fica parado a contemplar.

MURIÇOCAS ENGAJADAS

Chegaram as eleições municipais de 2004. O bloco decidiu apoiar uma candidatura a prefeito. E desceu a avenida numa espécie de quarta-feira de fogo fora de época.

A convicção de que Ricardo Coutinho era o melhor candidato (como, de fato, comprovaria em sua muito bem-sucedida gestão) não me impedia de enxergar o equívoco.

O bloco não pertencia aos 60 (ou pouco mais) por cento de eleitores que votaram nele.

O bloco não pertencia nem aos seus fundadores.

O bloco pertencia ao povo de João Pessoa.

Não podia e não pode, portanto, permitir que, a cada campanha, seja qual for o candidato, se produza uma quarta-feira de fogo fora de época.

Partidos e políticos representam pedaços. Mesmo que grandes pedaços. As Muriçocas do Miramar conquistaram o direito de representar o todo. O todo é o povo de João Pessoa, que canta com orgulho o hino do bloco e se vê nos versos escritos por Fuba.

Esse vínculo da população com as Muriçocas é um patrimônio que não pode ser maculado por campanhas políticas. Precisa ser preservado!

Já é hora de João Pessoa ter espaços pet friendly? Acho que sim!

Hoje, peço licença ao leitor para falar sobre cães.

Pet friendly, especificamente. Você sabe o que é isso?

Saindo da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, dou de cara, num dos corredores daquele centro comercial, com uma mulher e seu belo golden retriever. Um típico passeio de sábado à tarde.

Não resisto. Abordo a jovem e, em poucos segundos, lá estou eu recebendo as lambidas do cão. O golden – como costumam dizer – é tudo de bom!

Faz uns seis anos.

Foi a primeira vez em que pensei seriamente sobre a possibilidade de você levar seu cão para passear nesses lugares.

Shoppings, lojas, bares, restaurantes, padarias, cafés. Hotéis, pousadas, por que não?

Sei que não é tão simples.

Sei que é preciso considerar a resistência de quem não gosta de cachorros, mas vejo que os chamados espaços pet friendly estão crescendo. Graças a quem está atento ao papel que esses bichinhos desempenham nas vidas das pessoas. E, também, aos negócios que envolvem o mundo pet, que não são nada desprezíveis.

(a beagle foi fotografada por Urias Nery)

Os interessados no assunto podem, por exemplo, baixar o aplicativo do Guia Pet Friendly, de Cris Berger.

Chamou minha atenção. É uma plataforma sobre lugares pet friendly que ela, Cris, visita e recomenda.

Em outras palavras, como está dito lá: onde seu melhor amigo de quatro patas é bem-vindo.

Cris Berger já lançou livros com indicações sobre esses lugares. Primeiro, em São Paulo. Depois, no Rio de Janeiro. É um trabalho muito interessante.

JOÃO PESSOA

Mas o que pretendo mesmo, com esse texto, é ajudar a trazer a discussão para João Pessoa.

Temos espaços pet friendly na cidade, e eu simplesmente não conheço?

Ou: quando teremos, afinal, nossos espaços pet friendly?

Você já pensou em levar seu cão para um passeio dominical num shopping? Eu já!

Fica, então, a sugestão para os nossos legisladores.

E, naturalmente, para os donos dos lugares que podem se transformar, sim, em espaços pet friendly.

Creio que a cidade sairia ganhando!