Folia cidadã das Muriçoquinhas pede socorro para a barreira

Uma pergunta que não sai da cabeça: será que existe alguma relação entre a luta pela recuperação da barreira do Cabo Branco e a folia de Momo? Se depender da guerreira/foliã Eliane Holanda, a resposta é: sim! As duas coisas estão intimamente ligadas! 

Transcrevo aí o que li há pouco no Facebook. Quem postou foi Ricardo Lombardi, do Grupo Amigos da Barreira.

Hoje (20), as Muriçoquinhas do Miramar vão descer a Epitácio Pessoa no final da tarde, como ocorre todos os anos na segunda-feira que antecede o carnaval.

E, dessa vez, o bloco se engaja na luta cidadã em defesa da barreira do Cabo Branco.

O tema do desfile será Barreira do Cabo Branco – me segura senão eu caio. “Unindo diversão com responsabilidade cidadã”, como lembra Ricardo Lombardi em sua postagem.

Bela iniciativa de Eliane Holanda e demais responsáveis pelo bloco.

Felicidades aos pequenos foliões!

O John Lennon que o mundo conhece deve muito a Yoko Ono

Os Beatles se separaram há quase cinco décadas, mas milhares de fãs ainda abominam Yoko Ono por atribuir a ela o fim do quarteto. Nunca fiz parte dos que viam a mulher de John Lennon com maus olhos. Sempre achei que ela, como artista de vanguarda, apontou novos caminhos para ele. Alguns, ainda na época do grupo. Outros, depois da separação. Yoko ia para o estúdio com John (as imagens do documentário “Let It Be” registram) e o influenciava em ousadias como “Revolution 9”. A tentativa de fazer música avan-garde que temos no “White Album” certamente não existiria sem Ono, que, embora não creditada, é, de fato, coautora da faixa.

John Lennon era sete anos mais novo do que Yoko Ono. Ele, nascido em outubro de 1940. Ela, em fevereiro de 1933. Os dois, crianças da guerra, conforme assinalava o livro “A Balada de John & Yoko”, editado há uns 35 anos pela revista Rolling Stone. No momento em que Lennon nasceu, Liverpool era bombardeada pelos alemães. Ono cresceu num país devastado pela guerra. Filha de uma família abastada, criada longe do pai, entre um professor que lhe apresentou a Bíblia e um criado que dava aulas de budismo. No meio, havia um piano. Quando os dois se conheceram, em meados dos anos 1960, Yoko não parecia destinada a se aproximar do universo do rock.

John e Yoko se encontraram em novembro de 1966 na Indica Gallery, em Londres. Ele foi à pré-inauguração da exposição dela. Lennon subiu uma escada que havia no meio da sala, olhou por um pequeno telescópio preso a uma tela pendurada no teto e leu a palavra “sim”. Também estava escrito: pregue um prego. Ele perguntou se poderia fazer isto. Ela disse que não. Afinal, a exposição ainda não estava aberta ao público. A história está no livro da Rolling Stone. E em muitos outros. Lenda ou realidade? Se for lenda, que prevaleça sobre a realidade quando aquela é melhor do que esta. Aprendemos com John Ford no clássico “O Homem que Matou o Facínora”.

Antes mesmo que os Beatles acabassem, o casal gravou três discos experimentais. “Two Virgins”, “Life With the Lions” e “Wedding Album” são trabalhos radicalíssimos que se contrapõem ao que John Lennon fazia ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Mas que enriquecem a trajetória do artista que ele era e, indiretamente, do grupo ao qual seu nome esteve vinculado durante toda a década de 1960. John não era o melhor músico dos Beatles, mas a personalidade mais importante, inquieta, polêmica e controvertida. Yoko desempenhou papel fundamental na consolidação da sua figura pública e do que o mundo guarda da sua memória.

Yoko conduziu John por caminhos que talvez ele não tivesse trilhado sem ela. Nas exposições, nos filmes experimentais. Mas Lennon também levou Ono para os rocks e baladas do seu universo. O disco duplo “Sometime in New York City”, de 1972, confirma. É panfletário e ingênuo, mas irresistível. Flagra o casal em seu momento de mais intensa militância política em Nova York. Gritando contra as injustiças, a guerra. Sonhando com um mundo melhor. “A guerra acabou, se você quiser”, dizem os versos da canção natalina que ouvimos até hoje. John Lennon foi assassinado em 1980. Yoko envelheceu cuidando da memória dele. Neste sábado (18), ela faz 84 anos.

Zuckerberg faz discurso ideal, mas está longe da realidade!

Mark Zuckerberg publicou nesta quinta-feira (16) uma carta em que dialoga com os usuários do Facebook. Defende o conceito de uma comunidade global.

Fundador e CEO da rede social, Zuckerberg reage às críticas feitas ao Facebook.

O Face promove censura? Estimula discursos de ódio? Difunde notícias falsas? Acabou contribuindo com a eleição de Donald Trump?

Qual pode ser o seu papel no projeto de uma comunidade global?

Para a construção dessa comunidade global, Zuckerberg defende cinco mandamentos:

Comunidades solidárias. Comunidades seguras. Comunidades informadas. Comunidades civicamente engajadas. Comunidades inclusivas. 

Muito bom como lista de propósitos!

Tomemos o exemplo brasileiro. O que nós, usuários do Facebook, temos visto?

O que, na prática, o Face tem feito entre nós, um país mergulhado numa crise econômica e num impasse político, a não ser contribuir significativamente para acentuar as nossas divisões e a intolerância dos extremos?

Em que medida o Face que nós frequentamos, onde fazemos “amigos”, produz conteúdos que contribuem com a construção dessa comunidade global que possa melhorar o mundo?

O mundo de Zuckerberg, com suas comunidades solidárias, é belo e irreal como a letra de Imagine, essa balada do beatle John, que nós tanto amamos! Mas que nada pode fazer pelo caos do Espírito Santo quando é executada nas ruas por um motorista solitário!

O mundo está doente, disse o Papa Paulo VI. Faz tempo. Foi nos anos 1960, creio.

A frase continua valendo. Ou vale ainda mais!

As redes sociais têm um papel a desempenhar. O discurso de Mark Zuckerberg trata disso. É interessante como documento sobre a contemporaneidade. Inquieta, mas propõe caminhos difíceis nesse mundo convulsionado.

O progresso agora exige que a humanidade se una não como cidades ou nações, mas como uma comunidade global.

A frase de Zuckerberg parece mais com os versos utópicos de Lennon do que com a vida real!

As Muriçocas são do povo. Apoio a políticos maculou bloco

Encontrei Fuba casualmente nos corredores da TV Cabo Branco. Fazia tempo que não conversávamos.

Acabei dizendo algo que estava guardado comigo há muitos anos:

O apoio das Muriçocas do Miramar a políticos prejudicou o bloco.

Vou entrar no túnel do tempo:

Fevereiro de 1987. Na quarta-feira que antecedia o carnaval, fui abordado, também nos corredores da TV Cabo Branco, pelo repórter Saulo Moreno. Ele tinha uma sugestão:

Vamos cobrir um bloco novo que vai descer a Epitácio Pessoa numas carroças.

Era um pessoal ligado à professora Vitória Lima.

Eu topei. Mandei cobrir. Pouca gente. Nada indicava ainda que, ali, estava nascendo um fenômeno absolutamente espontâneo e muitíssimo importante para a vida da cidade de João Pessoa.

O resto é história. Não preciso contar. Está aí há 30 anos.

Desde então, como cidadão e jornalista, acompanho com grande interesse e muito respeito a trajetória do bloco e o papel que desempenhou na consolidação da prévia carnavalesca Folia de Rua.

Não é preciso recorrer a teses sociológicas para compreender o significado de manifestações como essa que nasceu no bairro do Miramar e conquistou uma cidade.

Conquistou como expressão verdadeira e genuína de um povo, com sua alegria fugaz, com a beleza de sua música.

Desci a avenida várias vezes e sei que não tem preço.

É tão bonito que você não sabe se cai na folia ou se fica parado a contemplar.

MURIÇOCAS ENGAJADAS

Chegaram as eleições municipais de 2004. O bloco decidiu apoiar uma candidatura a prefeito. E desceu a avenida numa espécie de quarta-feira de fogo fora de época.

A convicção de que Ricardo Coutinho era o melhor candidato (como, de fato, comprovaria em sua muito bem-sucedida gestão) não me impedia de enxergar o equívoco.

O bloco não pertencia aos 60 (ou pouco mais) por cento de eleitores que votaram nele.

O bloco não pertencia nem aos seus fundadores.

O bloco pertencia ao povo de João Pessoa.

Não podia e não pode, portanto, permitir que, a cada campanha, seja qual for o candidato, se produza uma quarta-feira de fogo fora de época.

Partidos e políticos representam pedaços. Mesmo que grandes pedaços. As Muriçocas do Miramar conquistaram o direito de representar o todo. O todo é o povo de João Pessoa, que canta com orgulho o hino do bloco e se vê nos versos escritos por Fuba.

Esse vínculo da população com as Muriçocas é um patrimônio que não pode ser maculado por campanhas políticas. Precisa ser preservado!

Já é hora de João Pessoa ter espaços pet friendly? Acho que sim!

Hoje, peço licença ao leitor para falar sobre cães.

Pet friendly, especificamente. Você sabe o que é isso?

Saindo da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, dou de cara, num dos corredores daquele centro comercial, com uma mulher e seu belo golden retriever. Um típico passeio de sábado à tarde.

Não resisto. Abordo a jovem e, em poucos segundos, lá estou eu recebendo as lambidas do cão. O golden – como costumam dizer – é tudo de bom!

Faz uns seis anos.

Foi a primeira vez em que pensei seriamente sobre a possibilidade de você levar seu cão para passear nesses lugares.

Shoppings, lojas, bares, restaurantes, padarias, cafés. Hotéis, pousadas, por que não?

Sei que não é tão simples.

Sei que é preciso considerar a resistência de quem não gosta de cachorros, mas vejo que os chamados espaços pet friendly estão crescendo. Graças a quem está atento ao papel que esses bichinhos desempenham nas vidas das pessoas. E, também, aos negócios que envolvem o mundo pet, que não são nada desprezíveis.

(a beagle foi fotografada por Urias Nery)

Os interessados no assunto podem, por exemplo, baixar o aplicativo do Guia Pet Friendly, de Cris Berger.

Chamou minha atenção. É uma plataforma sobre lugares pet friendly que ela, Cris, visita e recomenda.

Em outras palavras, como está dito lá: onde seu melhor amigo de quatro patas é bem-vindo.

Cris Berger já lançou livros com indicações sobre esses lugares. Primeiro, em São Paulo. Depois, no Rio de Janeiro. É um trabalho muito interessante.

JOÃO PESSOA

Mas o que pretendo mesmo, com esse texto, é ajudar a trazer a discussão para João Pessoa.

Temos espaços pet friendly na cidade, e eu simplesmente não conheço?

Ou: quando teremos, afinal, nossos espaços pet friendly?

Você já pensou em levar seu cão para um passeio dominical num shopping? Eu já!

Fica, então, a sugestão para os nossos legisladores.

E, naturalmente, para os donos dos lugares que podem se transformar, sim, em espaços pet friendly.

Creio que a cidade sairia ganhando!

Mulata é racismo? Pois salve a mulatada, como canta Martinho da Vila!

A parlamentar socialista vai num evento de teatro de bonecos e, ao discursar, diz assim:

Teatro de bonecos e bonecas!

Quem me contou foi um amigo, socialista como ela.

Custo a crer! Tento não me convencer de que falta inteligência ao politicamente correto!

Mas falta!

Lembro dessa história por causa da MULATA.

Não pode mais! É racismo!

Querem banir Tropicália de um bloco de carnaval (ou baniram?) por causa do verso “os olhos verdes da mulata”.

Caetano Veloso, autor da música, já falou ao The Economist“Penso em mim como mulato, eu amo a palavra”.

Puxa! Fiquei lembrando das músicas que serão banidas. Vão censurar Elizeth Cardoso cantando Mulata Faceira? E Mulata Assanhada na voz de Elza Soares? E Olhos Verdes com Dalva de Oliveira? E Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira com Moraes Moreira? Ah!, são muitas!

Nas redes sociais, vejo textos e mais textos sobre o assunto. A origem da palavra. É essa. É aquela. É racismo. Não é.

Os que agora censuram o uso da palavra MULATA parecem muito com os que, na ditadura, censuraram o Tiro ao Álvaro, de Adoniran. O contexto é outro, os motivos são outros, mas, no fundo, fazem a mesma coisa.

Fecho com Caetano Veloso:

Sou um mulato nato, no sentido lato, mulato democrático do litoral

E com Martinho da Vila:

José do Patrocínio

Aleijadinho

Machado de Assis que também era mulatinho

Salve a mulatada brasileira!

Ariano Suassuna era, sim, um grandessíssimo reacionário!

Em texto que postei sábado (11), fiz críticas a Ariano Suassuna. Especificamente a comentários dele sobre a língua inglesa.

Alguns amigos queridos não gostaram. Um deles me disse ao telefone:

Logo Ariano? Ariano é intocável!

E eu brinquei:

Intocável? Conheço Os Intocáveis, o filme!

Falando sério:

E há gente intocável? Que não pode ser criticada? É assim que vocês pensam?

Essa conversa de intocável me lembra o autoritarismo do próprio Ariano. Está na abertura do documentário O Senhor do Castelo, de Marcus Villar.

O escritor diz mais ou menos assim: que só há dois tipos de pessoas no mundo. As que concordam com ele e as equivocadas.

Acho tão perigosa a afirmação que não vale nem como brincadeira!

Quer dizer que você, se pensa diferente do outro, tem necessariamente que estar equivocado?

Era assim que Ariano pensava quando, sem qualquer respeito, tratava de forma pejorativa um artista só porque ele era americano?

Era assim que Ariano pensava quando desconsiderava um artista da dimensão de Antônio Carlos Jobim?

Era assim que Ariano pensava quando defendia um nacionalismo atrasado e anacrônico?

Ariano Suassuna é importantíssimo para a cultura brasileira pela obra que deixou. Ninguém está pondo isso em dúvida.

E era importante também pelas ideias que expunha. Concordemos ou não com elas.

Eu não concordo com muita coisa.

E tenho todo o direito de dizer:

Ariano Suassuna era, sim, um grandessíssimo reacionário!

Simples assim!

Ariano Suassuna abre mão da inteligência ao atacar língua inglesa

Ariano Suassuna era o que, no passado, se chamava de reacionário. Estética e ideologicamente (a despeito do vínculo que acabou estabelecendo com a esquerda).

Defendia um nacionalismo anacrônico e o fazia muitas vezes de forma simplista e grosseira. Ainda que fosse engraçado.

Seu reacionarismo não o diminuía como autor. Claro que não! A importância da obra não deve ser confundida com as ideias atrasadas que defendia.

Em 2010, estive na casa de Ariano, no Recife, junto com Gonzaga Rodrigues, Astier Basílio e Gustavo Moura (fazíamos uma entrevista para o Correio das Artes), e saí de lá positivamente impressionado com a sua erudição.

Mas também a me perguntar, com alguma inquietação: como esse homem erudito, com quem acabamos de conversar longamente, usa argumentos tão primários para defender seus pontos de vista?

De vez em quando, vejo vídeos de Ariano Suassuna. Ele e suas falas na aula espetáculo que costumava dar. Aquela fala sobre o guitarrista Ximbinha, Beethoven e o uso equivocado da palavra gênio é irresistivelmente engraçada.

Entre esses vídeos, há os que agridem a inteligência.

Como aquele em que o autor da Compadecida fala mal da língua inglesa.

O exemplo que Ariano dá com a palavra glass não serve nem como humor.

Ora, dizer que a língua inglesa é pobre porque glass é, ao mesmo tempo, copo e vidro, só ilude os incautos.

A língua portuguesa, enaltecida até por Cervantes, também tem manga, que é do verbo mangar, manga de camisa e manga, a fruta. E tantas outras palavras com mais de um significado.

Depois, há os adjetivos pejorativos que Ariano usa contra a língua inglesa. Absolutamente incompatíveis com os estudos da linguística. E, se quisermos, com o respeito entre os povos.

Tudo em nome do seu reacionarismo e de um nacionalismo fora de moda.

Quando vejo esses vídeos, lembro de um conselho que, muito cedo, ouvi do meu pai:

Nunca se deixe enganar pelo reacionarismo estético e ideológico de Ariano Suassuna!

Já que falamos da língua inglesa, fecho com Shakespeare por Marlon Brando. Shakespeare, de quem o erudito Ariano tanto gostava!

Poucos metros separam Jair Bolsonaro de José Eduardo Cardozo!

Quero dizer algumas coisas sobre o deputado Jair Bolsonaro e José Eduardo Cardozo, o ex-ministro da Justiça de Dilma.

Começo por Bolsonaro.

Um colega de redação me pergunta: você acredita que Bolsonaro será eleito presidente?

E eu respondo: Não! Claro que não!

OK, pode ser mais desejo do que convicção, mas continuo acreditando que a maioria dos brasileiros não fará uma escolha tão estúpida e irresponsável!

Bolsonaro na presidência é tudo o que o Brasil não precisa! Constatamos por onde ele passa a difundir suas ideias. Acabamos de ver na visita de dois dias à Paraíba.

Agora, José Eduardo Cardozo.

O ex-ministro veio a João Pessoa fazer uma conferência e foi entrevistado no CBN Cotidiano, com Bruno Filho e equipe.

Conversa de alto nível. O oposto da truculência de Bolsonaro.

Zé Eduardo é um acadêmico, homem inteligente, discurso articulado. Não é preciso concordar com tudo o que ele diz, não é preciso ser petista para admirar o modo com que defende seus argumentos.

Participei da entrevista na CBN. Levantei uma questão que me inquietou durante o processo de impeachment: por que Dilma legitimou o golpe? Por que participou do rito?

Ele respondeu falando da necessidade que, na ditadura, se tinha de que advogados participassem de julgamentos na Justiça Militar, mesmo sabendo quais seriam os resultados.

Outra questão que coloquei: quando o governo Dilma percebeu que não contava mais com o PMDB?

Pela resposta, me pareceu que demorou muito a perceber. E o erro foi fatal.

Poucos metros separam Jair Bolsonaro de José Eduardo Cardozo!

Está escrito assim lá no título do post.

É preciso explicar: é que, praticamente na mesma hora, Bolsonaro estava na TV Tambaú e Cardozo na CBN. E poucos metros separam uma emissora da outra.

No mais, a distância é de muitos anos-luz.

FHC faz defesa digna de Jean Wyllys

Em 1948, o Partido Comunista Brasileiro foi colocado na clandestinidade.

José Américo de Almeida, que de comunista não tinha nada, fez um discurso em defesa de Prestes que se tornou histórico.

Um gesto admirável do autor de A Bagaceira. Gestos assim enriquecem as democracias.

Lembrei disso quando li a defesa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez do deputado federal Jean Wyllys.

O deputado do PSOL deu uma cusparada em Jair Bolsonaro e está sendo processado pelo Conselho de Ética da Câmara.

“Minha formação democrática e republicana levou-me a ser cuidadoso com quaisquer restrições a direitos, à liberdade e às decisões populares”, diz Fernando Henrique Cardoso.

E diz mais:

“Me oponho a que se procure cassar o mandato do deputado Jean Wyllys, que não é do meu partido e que em seu blog faz críticas ocasionais a mim que considero injustas”.

Ainda FHC:

“Eventuais excessos verbais ou gestuais cometidos – se é que existiram – devem ser resolvidos no âmbito parlamentar, com a supressão de referências a eles nos anais da Câmara, nunca, porém, apelando-se à violência da cassação ou suspensão de mandatos”.