Fora Temer é tão legítimo quanto Fora Lula!

Escrevi sobre o Fora Temer usado como teste de amizade no Facebook. Algumas pessoas não entenderam. Pediram que eu explicasse melhor. Vou tentar.

Não é preciso defender a saída de Temer para achar legítimo o Fora Temer.

Não é preciso ser contra a volta de Lula para achar legítimo o Fora Lula.

Ambos são legítimos e exatamente iguais como manifestações às quais o cidadão tem direito.

Quem quer a volta de Lula, grita Fora Temer! Quem não quer, grita Fora Lula!

Os dois brados são muito interessantes como manifestações genuinamente democráticas!

É tão simples!

Quem é Fora Temer, é Fora Temer! Quem é Fora Lula é Fora Lula! E há quem não é nenhum dos dois!

O que condenei no meu texto foi o uso do Fora Temer como teste de amizade no Facebook. Como condenaria se o teste fosse feito com um Fora Lula.

Amigos, afeições, deveriam valer mais!

É muito difícil de entender?

Escola Piollin mexeu com a cena cultural há 40 anos!

O ano era 1977. Eu e Everaldo Pontes fomos à casa do representante da EMI, em busca do novo LP de Gonzaguinha, quando ouvi do jovem ator que ele e Luiz Carlos Vasconcelos estavam ocupando – sim, ocupando! – uma área abandonada por trás da Igreja de São Francisco e que, ali, fundariam uma escola de teatro.

Foi assim que nasceu a Escola Piollin. Hoje, o Centro Cultural Piollin, há muito instalado ao lado da Bica, comemora seus 40 anos.

Posso dar o testemunho porque sou contemporâneo do nascimento e da consolidação do projeto: a Piollin mexeu (e também incomodou!) profundamente com a cena cultural paraibana quatro décadas atrás. E como mexeu!

Havia o trabalho formador de atores, havia o pequeno teatro, o circo, havia a circulação de público e de gente que representava as mais diversas áreas da nossa produção cultural. Não era pouco!

Vimos os irmãos Lira (Soia, Nanego) crianças, já atuando. E Marcélia Cartaxo. E Eliezer Rolim. Todos, e tantos outros, participando de um grande encontro anual de teatro feito para garotos e garotas.

Resultado de um desses encontros, o espetáculo Os Pirralhos tinha uma força e uma beleza comovedoras. Vejam a foto. A garota em cena é Soia Lira.

O palhaço criado por Luiz Carlos a dialogar com a comunidade do Roger. Everaldo Pontes iniciando uma trajetória que o conduziria dos palcos para o cinema. O cineclube exibindo Nelson Pereira dos Santos. O show do Grupo Água, do Chile, numa noite mágica e inesquecível. Tadeu Mathias, Ivan Santos e Firmino a arrebatar o público. Elba Ramalho, começando, com Ave de Prata.

Logo, a ocupação da área foi questionada. Patrimônio e Governo entraram em cena e encontraram em Luiz Carlos Vasconcelos o homem que comandou a luta pela preservação da escola de teatro. Não era uma causa fácil, porque havia uma ocupação, mas prevaleceu o entendimento de que era importante manter a Piollin.

A questão foi parar no gabinete de Eduardo Portella. O intelectual, ministro da Educação do general Figueiredo, se fez aliado.

O desfecho veio com a transferência da Piollin para um velho casarão ao lado da Bica. Cobri, como repórter, a solenidade em que o governador Tarcísio Burity assinou a cessão. Luiz Carlos estava cheio de sonhos e responsabilidades.

Na nova Piollin, surgiu Vau da Sarapalha. Nunca vi nada igual!

Com a transferência, o projeto cresceu, mas tenho sempre a impressão de que perdeu algo de sua mística.

De todo modo, o Centro Cultural Piollin está aí, comemorando a marca dos 40 anos.

A luta continua!

“Fora Temer” agora testa amizades no Facebook!

Meu pai era de esquerda. O professor e artista plástico Archidy Picado, que dá nome à galeria do Espaço Cultural José Lins do Rego, caminhava, na melhor das hipóteses, do centro para a direita. Testemunhei longas conversas dos dois. Arte, ciência, filosofia, política, religião. Dois homens cultos a dialogar. Nunca presenciei uma briga.

Lembro deles na intolerância dos dias atuais.

O Facebook está cheio de correntes.

Vejo agora amigos a testar amizades, pedindo adesão ao “Fora Temer”. Do contrário – me pergunto – serão merecedores da amizade?

A questão não é o “Fora Temer”. Podia ser “Fora Lula”. “Fora PMDB” ou “Fora PT”. Tanto faz.

O problema é o policiamento da opinião, a patrulha à postura que cada um tem o direito de ter, a exigência do atestado ideológico.

O problema é o condicionamento da amizade a uma escolha política. Como se partidos e políticos valessem mais do que amigos.

Dilma e Temer formaram uma chapa. Governaram por quatro anos. Foram reeleitos. Um duvidoso movimento tirou Dilma do poder. O vice assumiu. Não gosto da palavra “golpe” tanto quanto lamento que Dilma não tenha podido terminar o mandato.

Mas não me chamem para correntes!

Fora Temer? Fora Lula?

No Facebook? Como teste de amizade?

Estou fora!

15 de janeiro é o dia de Martin Luther King

O reverendo Martin Luther King nasceu no dia 15 de janeiro de 1929. Se fosse vivo, estaria completando 88 anos.

Sua luta contra o racismo, sua crença na não violência e suas ideias generosas fizeram do Dr. King um dos grandes homens do século XX.

Gosto de lembrar dele nesse mundo convulsionado e intolerante.

Hoje, com o Happy Birthday que Stevie Wonder compôs e canta para ele.

Vamos ouvir?

Autor de “O Exorcista”, William Peter Blatty morre aos 89 anos

Morreu nesta quinta-feira (12) William Peter Blatty, autor de O Exorcista. O escritor, de 89 anos, tinha um tipo de câncer que atinge o sangue.

Na foto, Blatty aparece ao centro, no set de filmagem, ao lado de Jason Miller e Ellen Burstyn.

Sou contemporâneo do livro. Li antes de ver o filme. As primeiras edições lançadas no Brasil tinham essa capa.

O sucesso impediu que muita gente reconhecesse os méritos do livro e do filme. Hoje, passadas algumas décadas, podemos avaliar sem os preconceitos da época. De todo modo, tenho a impressão de que o filme tem mais qualidade como cinema do que o livro como obra literária. Mas não desprezaria nenhum dos dois.

O Exorcista, o filme de William Friedkin, chegou ao Brasil no final de 1974, depois de alguns problemas com os censores. O tempo já o transformou num clássico do gênero.

Hoje, creio que não assusta nem mais as crianças. Diferente da época em que muita gente perdeu o sono com a história da garotinha possuída pelo demônio.

 

Teatro de Shakespeare, um tesouro da humanidade em sua casa!

Uma vez, há muitos anos, o professor Tarcísio Burity me convidou para ir à sua casa ouvir música erudita. No meio da audição, ele me mostrou uma caixa semelhante a essa:

Peguei na caixa e pensei:

Puxa, estou diante de um verdadeiro tesouro da humanidade! A obra completa de Mozart!

Sem essa obra, a humanidade seria menos humana, diria Otto Maria Carpeaux.

De Mozart para William Shakespeare.

Não vou escrever sobre Shakespeare. Não acrescentaria coisa alguma a tudo o que já foi dito sobre ele e sua obra.

Mas quero fazer dois ou três registros.

Meu primeiro contato com Shakespeare foi no final da infância, quando vi o Romeu e Julieta de Zeffirelli.

Gosto até hoje. O filme me levou a ler o texto. O livrinho de capa preta das Edições de Ouro trazia ainda Tito Andrônico, um completo lado B do autor, que li na adolescência.

Quem, então, me conduziu a Shakespeare foi o cinema.

O Hamlet de Laurence Olivier.

O Júlio César de Mankiewicz, com o Marco Antônio de Marlon Brando.

Filmes sugerindo leituras. Como deve ter ocorrido com muita gente.

Entre meus livros, edições avulsas. Uma peça aqui, outra ali. Nunca o conjunto.

Agora, me vejo diante desse box editado no Brasil pela Nova Aguilar para marcar os quatro séculos da morte de Shakespeare. O seu Teatro Completo em três volumes. Tradução de Barbara Heliodora, que sabia tudo do autor.

Quando incorporei o box aos meus livros, lembrei do professor Burity e sua coleção de Mozart.

E pensei:

O Teatro Completo de Shakespeare! Puxa! Estou diante de um tesouro da humanidade!

De Obama a Trump. Da elegância de um à truculência do outro!

Nesta terça-feira (10) à noite, o mundo assiste ao último discurso do presidente Barack Obama. A pouco mais de uma semana da posse de Donald Trump.

A alternância de poder, tão necessária às democracias que conhecemos, permite que saiamos da elegância de um para a truculência do outro. Mas não sem riscos.

Os oito anos de Obama na Casa Branca deixarão saudades. O casal Obama deixará saudades.

Entre as muitas marcas do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, há a admirável retórica. Algo que ele, mais uma vez, deve exibir na despedida desta noite.

Fecho com música: a imagem comovente de Obama cantando o spiritual Amazing Grace e desejando que os negros assassinados numa igreja encontrem a Graça!

Complemento com Joan Baez e sua versão de Amazing Grace.

“Eu era cego, mas agora eu vejo!”, diz a letra.

Não é preciso crer. Essa oração comove até os corações ateus!

Zé Américo nasceu há 130 anos!

Quando eu era criança, uma figura de dimensão nacional estava ali ao nosso alcance, bem perto de nós, no terraço da sua casa, no Cabo Branco.

Era José Américo de Almeida, o político, o escritor.

Eu ia à praia aos domingos, meu tio estacionava o Jeep em frente à casa dele e mostrava: lá está o homem que escreveu A Bagaceira!

Meu pai era dos comunistas que não gostavam de Zé Américo. Mas ele costumava dizer que havia os comunistas que gostavam. E citava sempre o amigo Vladimir Carvalho (na foto, com o irmão, Walter, filmando O Homem de Areia). Era bom. Eu ficava entre as virtudes e os defeitos do homem. Provocava meu senso crítico.

Vendo, agora, Zé Américo de longe, penso no quanto A Bagaceira é indispensável! E penso em A Paraíba e Seus Problemas. Tinha um na estante do meu pai. Os garotos de hoje, ricos de informação e pobres de conhecimento, certamente nem ouviram falar!

José Américo de Almeida! Tem a entrevista que derrubou a ditadura de Vargas! Tem o discurso a Prestes! Tem o enfrentamento da seca – as imagens, impressionantes, tive o privilégio de vê-las exibidas por quem as fez, o fotógrafo João Cordula! No tempo em que a Paraíba tinha um Cinema Educativo!

O Homem de Areia, o documentário de Vladimir Carvalho, está aí e pode apresentar Zé Américo a muita gente.

Nesta terça (10), faz 130 anos do nascimento de José Américo de Almeida.

Morreu Vida Alves, atriz que deu o primeiro beijo da TV brasileira

Morreu Vida Alves. Ela tinha 88 anos.

Vida ficou conhecida como a atriz que deu o primeiro beijo da televisão brasileira. Foi em 1951, na TV Tupi, na novela Sua Vida me Pertence. Ela contracenou com Walter Foster.

Não foi o único pioneirismo na carreira de Vida Alves.

Em 1963, no teleteatro A Calúnia, ela protagonizou o primeiro beijo gay, contracenando com Geórgia Gomide.

Vida Alves era autora do livro Televisão Brasileira: o Primeiro Beijo e Outras Curiosidades.

O Blu-ray está morto? Ao menos no Brasil, parece que sim!

Você entra na loja da Sony, num shopping de uma grande cidade, e diz que está à procura de um BD player (o aparelho que reproduz o Blu-ray).

O vendedor responde:

A Sony deixou de fabricar. Temos apenas esses dois aparelhos abertos no nosso mostruário. 

Não é só na Sony. Entre em qualquer loja em busca de um BD player. Dificilmente o aparelho será encontrado.

A conclusão é óbvia: o Blu-ray está morto no Brasil. Na melhor das hipóteses, agoniza.

 

 

No final do século XX, as fitas VHS foram substituídas pelo DVD. Menos perecível e com melhor qualidade de áudio e vídeo. Mais: o DVD motivou o consumidor a colecionar filmes e shows.

Uns 15 anos atrás, você entrava numa loja de departamentos, e lá estavam as pessoas comprando DVD para seus acervos domésticos.

No final da primeira década do século XXI, o negócio já era outro: Blu-ray, um disquinho com maior capacidade de armazenamento e um ganho sensível de áudio e vídeo.

Os colecionadores começaram, então, a trocar o DVD pelo Blu-ray. Operação complicada e, sobretudo, cara!

Até que, há uns dois anos, surgiram os primeiros sinais de que a nova mídia não teria vida longa.

A luz amarela acendeu quando verifiquei que grandes artistas brasileiros estavam lançando seus shows em DVD e não mais em Blu-ray. Ao mesmo tempo, havia a escassez de filmes no mercado (principalmente os clássicos), dificultando a substituição dos DVDs.

Por fim, veio o sumiço dos players.

Resultado da crise brasileira? O preço alto do produto? Constatação de que o DVD já satisfaz o consumidor? Crescimento dos serviços de streaming? Tudo junto?

A conclusão: preciso de um BD player de reserva!