Dudu Braga, Roberto Carlos, ativismo, cidadania

Paizão!

É assim que ele chama o pai.

Ele é Dudu Braga.

O pai é Roberto Carlos.

Nesta quinta-feira (25), recebemos Dudu para uma entrevista na CBN João Pessoa.

Aos 58 anos, sou um homem desencantado com minha profissão. Poucas coisas nela ainda me alegram. Entrevistar (com o âncora Bruno Filho) Dudu Braga me proporcionou momentos de grande alegria.

Ele veio a João Pessoa fazer palestras.

Dudu conta a história do garoto que nasceu com um glaucoma congênito e enxergou normalmente até os 23 anos, quando, por causa de um descolamento de retina, perdeu a visão. É a sua história.

Dudu faz um ativismo sem a chatice do politicamente correto. Ele conversa abertamente sobre os temas relacionados à perda da visão. Usa a palavra cego. Tira os óculos escuros e mostra os olhos enquanto fala com você. Sabe que as pessoas vão usar o verbo ver com ele e não se importa nem um pouco.

Não quero dizer que Dudu Braga é um exemplo de superação porque não gosto da expressão. Acho tão lugar-comum!

Vou dizer de outro jeito:

Dudu Braga é um grande exemplo de cidadania!

Cidadania que se sobrepõe ao debate ideológico, aos limites dos partidos políticos.

Cidadania! Assim! Com exclamação!

O cara viaja, conversa com as pessoas, conta sua história, atua junto a entidades. Age com uma simplicidade que conquista de cara, em poucos minutos. O que há nele é o humano acima de tudo. A sensibilidade. A emoção. Também a consciência dos papéis sociais que cada um tem.

E ainda há a conversa sobre música. A música do pai e a relação do seu cancioneiro com regiões profundas do ser do Brasil. A música da sua banda (Dudu é baterista) RC na Veia. A música que ele ouve. Que nós ouvimos. Da contenção da Bossa Nova ao rock do Led Zeppelin, ao soul de James Brown.

Muita música! Muitas histórias!

Especial mesmo essa tarde com Dudu Braga!

Jornal traz capa dos Beatles para crise política brasileira

O Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o disco mais importante dos Beatles, vai completar 50 anos.

Nesta quarta-feira (24), o jornal Estado de Minas recriou, em sua primeira página, a capa do álbum.

Trouxe para a atual crise política brasileira.

Uma delícia para os fãs do quarteto!

Aécio, a memória de Tancredo e o outro nome de Minas

Tancredo (com Jango ao seu lado) sobre o caixão de Vargas. Mais tarde, seria Tancredo sobre o caixão de Jango coberto pela bandeira da anistia.

São cenas da História do Brasil que a banalização de tudo está apagando. Deletando da memória. Ou nem ao menos inserindo na memória.

Tancredo e Ulysses. Artífices (como tantos outros) da redemocratização. Personagens que, na longa noite brasileira, enxergaram o amanhecer. Como diziam as protest songs da época.

Liberdade é o outro nome de Minas!

Bradou Tancredo, da sacada do Palácio da Liberdade!

Os netos estavam por perto. Um rapaz chamado Aécio. Uma moça chamada Andrea.

Andrea chegava ao Rio Centro, naquela noite de 1981, quando a explosão dentro de um Puma evitou um ato de terror contra os que sonhavam com a liberdade.

Aécio, na agonia de Tancredo, ouviu do avô: “eu não merecia isto”.

Não faz tanto tempo que vimos essas cenas. Hoje, vemos garotos e garotas defendendo a volta dos militares (não sabem o que dizem!) num Brasil que nos deixa perplexos!

Aécio (voltando a Aécio) não rasgou sua biografia. Perdeu a oportunidade de ter uma biografia!

E fez muito pior: não foi justo com a memória do avô. Com a memória de um tempo.

Dr. Tancredo – um conservador que lutou por nossas liberdades – não merecia isto!

Jornalista William Costa lança livro de crônicas em JP

O jornalista William Costa lança o livro Para Tocar Tuas Mãos (Chronesis) nesta quinta-feira em João Pessoa.

O lançamento do primeiro livro de William, experiente jornalista com muitos anos de atuação no jornalismo cultural, será às sete da noite na Fundação Casa de José Américo.

Nesse livro, William Costa (em foto de Antônio David) reúne crônicas inéditas e outras publicadas em jornais.

Telespectador não tem informação sobre a ditadura

Considero importante, por motivos óbvios, que obras de ficção, no cinema e na televisão, falem sobre a ditadura militar brasileira.

No caso da televisão, Anos Rebeldes, de 1992, foi um marco.

Agora, temos Os Dias Eram Assim, super série que a Globo exibe no horário das 23 horas.

Leio que a super série, ambientada entre 1970 e 1984, enfrenta problemas com a audiência. Está mais baixa do que a média do horário.

Serão feitas mudanças na trama, provavelmente a partir da próxima semana. Entre elas, a entrada de novos personagens e uma contextualização histórica mais clara.

Chamada de super série, Os Dias Eram Assim tem características de uma novela. Mas, até aqui, tem um traço que a diferencia das tramas que costumamos ver nos demais horários que a Globo dedica à sua teledramaturgia: a história se desenvolve com um número menor de personagens.

É atraente como obra de ficção sobre a ditadura brasileira e tem na trilha sonora um forte elemento de conexão com a memória afetiva de quem viveu a época.

Um dos textos que li sobre a super série traz um dado que chamou minha atenção: os problemas com a audiência estariam relacionados ao fato de que, de um modo geral, o telespectador não tem informações sobre a ditadura militar brasileira.

Essa desinformação é tão grande que o impede de entender a trama.

Faço uma ilustração: certa vez, levei uma sobrinha adolescente ao cinema. Vimos um desses filmes sobre a ditadura. Após a sessão, ela confessou que não entendera nada e perguntou qual era o tema do filme.

Educação e memória estão juntas nesse debate.

Os dias (de hoje) SÃO assim!

A Veja mostrou sua cara naquela capa com Cazuza!

A capa da Veja com Dona Marisa deixou muita gente indignada.

Foi inevitável a lembrança de uma outra capa da Veja.

A Veja mostrou sua cara quando fez aquela capa com Cazuza!

A morte de Antonio Candido e um desejo da filha Marina

O crítico literário Antonio Candido morreu nesta sexta-feira (12) aos 98 anos.

Perdemos um grande brasileiro.

Hoje à tarde, li uma declaração de uma das filhas de Antonio Candido, Marina de Mello e Souza, que é professora da USP.

Transcrevo:

“Espero que a morte dele seja um momento para a sociedade brasileira pensar sobre ética, ele era um homem muito coerente com seus ideais. Eu acho que seria bonito se o Brasil pudesse colocar a mão na cabeça e lembrar da geração dele, da geração que ele representa, um momento do país e uma geração que prezava os valores da democracia, os ideais e se comportava conforme valores mais amplos do que interesses pessoais e privados”. 

Celular em show é triste retrato do homem refém da máquina

Ver um artista ao vivo é algo muito especial.

Estar diante de quem você admira. No mesmo espaço físico. Ele (ou ela) no palco, você na plateia. Os dois separados por alguns metros. A música produzida ali, ao vivo. Não tem preço.

Guardo na memória as melhores lembranças dos muitos shows que vi.

Tom, Vinícius, João Gilberto, Elis, Cartola, Caetano, Gil, Chico, Milton, Ray Charles, Dylan, McCartney, os Rolling Stones. Gente que continua atuando. Gente que já morreu. Grandes artistas. Grandes performances.

E tem o ritual. A confirmação, a compra dos ingressos, a expectativa, a ansiedade, (às vezes) a viagem, a espera no teatro, na casa, no estádio. E, finalmente, o show. Rápido, fugaz, mágico. Os momentos que você tenta reter na memória. Um pequeno detalhe, uma canção que evoca alguma coisa, uma performance mais arrebatadora.

Não tem disco, DVD, Blu-ray. Ao vivo é muito melhor!

A tecnologia, quando é nossa aliada, faz milagres. A qualidade do som, a beleza da luz, a nitidez dos telões em grandes ambientes. Os shows pensados para plateias de milhares de pessoas.

A mesma tecnologia que nos escraviza e nos faz reféns dela.

Prestei muita atenção no show de Roberto Carlos, dois dias atrás em João Pessoa.

O uso de celulares pelo público é excessivo, abusivo. São centenas ao mesmo tempo. Todos acionados para registros que não têm qualidade nem de áudio nem de vídeo. Só impedem que você veja algo muito especial que está ocorrendo bem ali na sua frente.

A emoção de ver o artista é substituída pela “emoção” de vê-lo através de uma telinha que está nas suas mãos e que é colocada entre você e aquele (ou aquela) que está no palco. É no mínimo estranho.

E tem a selfie. Uma, duas, dez. Você de costas para o artista. Tentando eternizar numa imagem um momento que não está sendo eternizado na memória.

O mundo está doente!

A frase de Paulo VI permanece atual.

Celular em show é somente o triste retrato do homem refém da máquina!

Quando fui ver Roberto Carlos, deixei o meu em casa!

Gilberto Gil diz que é para pensar na morte todos os dias

Admirável a entrevista de Gilberto Gil no programa de Pedro Bial.

A morte como tema.

O tema tratado por um homem que fará 75 anos em junho e que, no ano passado, passou mais de 80 dias hospitalizado para tratar um quadro de insuficiência renal e hipertensão.

Um homem que orgulha o Brasil com sua música e suas atitudes.

Uma vez, num reencontro com Gil, no backstage de um show, disse a ele que havíamos perdido um amigo comum, o psiquiatra a quem chamávamos de Kali. E falei de outras mortes. Do meu único irmão. De Caixa D’Água, poeta das ruas de João Pessoa.

Ouvi como resposta:

Smetak me ensinou que devemos refletir todos os dias sobre a inevitabilidade da morte.

Lição transmitida. Lição que tento assimilar. Não é fácil.

Lição associada a outro tema: o envelhecimento.

Você é um menino!

Disse Gil a Bial, que está beirando os 60. Eu também estou. Faço 58 no dia em que Gil faz 75.

Outra de Gil, da época em que chegou aos 60 anos, 15 anos atrás:

É o limiar da velhice. 

Deve ser o momento em que se faz ainda mais necessária a reflexão diária sugerida por Smetak.

Gil é filho de um médico. Cresceu numa cidade pequena, vendo a morte de perto. As urgências que seu pai atendia, os pacientes que não conseguia salvar, os mortos velados nas casas.

Gil é luminoso. Luminoso na sabedoria acumulada. Luminoso na simplicidade. Nos gestos generosos. No afeto.

Falando da vida e da morte nas letras das suas canções.

Não Tenho Medo da Morte. Talvez a mais impactante. Não Tenho Medo da Vida. Essa foi pedida por Rogério Duarte, já com o câncer que lhe tiraria a vida.

Gosto muito de um samba de Gil dos anos 1970. Então Vale a Pena. Tão pouco lembrado! Simone gravou.

Fecho com ele:

Se a morte faz parte da vida

E se vale a pena viver

Então morrer vale a pena

Se a gente teve o tempo para crescer

O Brasil deve tirar alguma lição da derrota da direita na França

Testemunhei recentemente uma conversa curiosa entre um petista e um não petista.

Falavam de cenários para 2018.

O petista perguntou ao não petista:

Se for Lula e Bolsonaro, você vota em quem?

E o não petista respondeu:

Em Lula, ora!

Aí foi a vez do não petista perguntar ao petista:

E se for um candidato de centro e Bolsonaro, você vota em quem?

E o petista respondeu:

Claro que voto nulo!

Neste domingo (07), enquanto acompanhava a eleição na França, lembrei da conversa.

A expressiva vitória de Emmanuel Macron sobre Marine Le Pen é um não categórico à direita mais atrasada que avança pelo mundo.

Seis meses atrás, os americanos, elegendo Donald Trump, não deram a resposta que os franceses deram neste domingo.

Ainda que Macron não seja o melhor, mas o menos ruim, venceu a França da República, da Democracia.

Em 2018, que lição o Brasil poderá tirar da derrota da direita na eleição da França?

A conversa que testemunhei entre um petista e um não petista aponta para a tremenda dificuldade que ainda temos de assimilar lições como a da França.