“La La Land” traz musicais de volta. Que tal rever os melhores?

Os musicais de Hollywood estão entre o que há de melhor na história do cinema.

O gênero, em seu formato clássico, morreu há 50 anos com A Noviça Rebelde. Mas foi modernizado, de Bob Fosse às óperas rock e outras coisas mais.

O sucesso de La La Land marca um retorno ao musical como fenômeno comercial e artístico. Não vi ainda. Quem já viu assegura que há muito de Hollywood, mas também de Jacques Demy.

Aproveito a “onda” para pensar nos grandes musicais. Que tal vê-los de novo? Continuam belíssimos. Dos clássicos absolutos, como Cantando na Chuva, aos modernos, como o All That Jazz de Fosse.

Considero Cantando na Chuva o mais importante de todos, filme sobre cinema, guiado pelo talento extraordinário de Gene Kelly. Mas o meu preferido é West Side Story, com as inesquecíveis melodias do maestro Leonard Bernstein levadas para a tela pelas mãos firmes de Robert Wise.   

Eis algumas sugestões. Se quiséssemos, a lista seria imensa, mas vou ficar num top 6.

Cantando na Chuva

Sinfonia de Paris

A Roda da Fortuna

Amor, Sublime Amor/West Side Story

A Noviça Rebelde

O Show Deve Continuar/All That Jazz

Morreu Irene Stefânia, uma das musas do cinema brasileiro

Não posso deixar de registrar uma morte que foi mal noticiada.

Morreu Irene Stefânia. A atriz tinha 72 anos e estava hospitalizada desde dezembro, depois de sofrer um acidente vascular cerebral.

Quem viu o cinema brasileiro dos anos 1960 e 1970 sabe. Irene foi uma das musas da geração de Leila Diniz. Fome de Amor, Os Paqueras. Lembram? Ela está lá.

Filmes bons, filmes ruins. Não importa. O cinema possível no Brasil daquele tempo.

Fiquemos com a beleza e a juventude dela.

Cinema americano não seria o que é sem os estrangeiros!

No Globo de Ouro, a grande atriz Meryl Streep foi homenageada pelo conjunto da obra.

Fez um discurso dirigido ao presidente eleito Donald Trump. Exaltou a presença dos estrangeiros em Hollywood.

Meryl sabe, como o resto do mundo, que, sem os estrangeiros, o cinema americano jamais seria o que é.

Em muitas áreas, a América, aliás, tem uma tradição que é o oposto da xenofobia.

Como o assunto aqui é cinema, fecho lembrando cinco cineastas não americanos que atuaram em Hollywood.

Charles Chaplin.

Alfred Hitchcock.

Billy Wilder.

Elia Kazan.

Frank Capra.

Debbie Reynolds, mãe de Carrie Fisher, morre 1 dia após a filha

Os pais não foram feitos para enterrar os filhos!

Muita gente já disse isso. Foi o que me ocorreu quando vi, na noite desta quarta-feira (28), a notícia da morte da atriz Debbie Reynolds. Ela se foi apenas 1 dia depois da morte da filha, a também atriz Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars.

Debbie Reynolds tinha 84 anos e foi vítima de um AVC.

Aí estão as duas. Debbie e Carrie. Mãe e filha.

Neste momento, por causa da circunstância da morte, o nome de Debbie Reynolds está associado ao de Carrie Fisher. Uma mãe que não resistiu à morte da filha.

Mas, antes mesmo de Carrie nascer, em 1956, Debbie já era uma atriz consagrada. Tinha luz própria. Não entrou para a história do cinema como a mãe de Carrie Fisher.

Na memória afetiva dos que amam o cinema, o nome de Debbie Reynolds está guardado, sobretudo, como o da atriz que fez Cantando na Chuva, um dos maiores filmes do mundo.

Cantando na Chuva tem muitas cenas inesquecíveis. Uma delas é essa em que Gene Kelly, cantando You Were Meant for Me, desvenda os segredos do estúdio para Debbie.

Não. Para Debbie, não!

Para nós, os espectadores.

A morte de Debbie Reynolds entristece os cinéfilos nesse ano que não termina.

Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars, morre aos 60 anos

Morreu Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars. A atriz, de 60 anos, sofrera um ataque cardíaco durante um voo de Londres para Los Angeles.

É mais uma perda no universo pop num ano de muitas mortes.

Sou contemporâneo da estreia de Star Wars e, entre os meus defeitos, incluo o de não ter gostado do filme. Como consequência, nunca me interessei pelos outros episódios da franquia.

A despeito disso, sei da importância de Star Wars e da relação profunda que milhões de fãs em todo o mundo estabeleceram com os (até aqui) sete episódios e seus personagens.

Na segunda metade dos anos 1970, quando realizou o primeiro filme da franquia, o jovem George Lucas vinha de duas experiências como diretor. E dizia que desejava ganhar dinheiro com Star Wars para voltar a realizar filmes como THX 1138 e American Graffiti.

Ganhou muito dinheiro, mas nunca mais voltou ao começo. Para o bem e para o mal, foi consumido por sua criação.

Filha da atriz Debbie Reynolds, Carrie Fisher foi refém da personagem que a projetou. Tanto que, na hora de noticiar a sua morte, não faz diferença para a mídia dizer que Carrie Fisher morreu ou que a Princesa Leia morreu.

Uma vez, por acaso, me misturei às pessoas que esperavam ansiosamente pela sessão de estreia de um dos filmes da franquia Star Wars. Não eram poucas as que estavam vestidas (e muito bem) como os personagens que logo mais iriam ver na tela grande.

Claro que havia muitas princesas Leia.

No meio dos fãs, pude sentir como era intenso o amor deles por aquele universo. E sei muito bem que isso não tem preço!

O ano de 2016 ainda não terminou!

Carrie Fisher está morta! A Princesa Leia vive!

Os Rolling Stones são como um luar sobre a noite de Havana

Andam dizendo que 2016 foi um ano surpreendente. Eleição de Donald Trump, saída do Reino Unido da União Europeia, Nobel de Literatura para Bob Dylan.

Acrescento: o presidente americano em Cuba e um show dos Rolling Stones em Havana. Com o comandante Fidel Castro ainda vivo e o irmão Raul no poder.

Nove meses se passaram desde a noite de 25 de março, e o registro está disponível para vermos nos nossos cinemas caseiros.

É o documentário Havana Moon, que a Som Livre acaba de lançar no mercado brasileiro. O título vem de uma música de Chuck Berry.

Não sem alguma ironia, a voz em off de Keith Richards diz no início do filme que a ida de Barack Obama a Cuba foi como uma abertura para o show dos Rolling Stones.

A estreia da banda em Havana tem significado simbólico forte. Marca o reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba e ilustra os extertores do ciclo de poder dos irmãos Castro.

Se quisermos, o filme é sobre esse tema. Mas com abordagem sutil e olhar simpático e respeitoso.

Houve a Revolução e suas conquistas. E houve o declínio com o fim do subsídio soviético. Os ganhos na saúde e na educação sempre se contrapuseram às restrições das liberdades individuais.

Havana Moon toca nessas questões sem precisar entrar nelas. Indiretamente, aparecem nas falas de Mick Jagger e Keith Richards que abrem o documentário. E no que eles dizem no palco, durante o concerto.

Jagger se estende mais, ao mencionar a censura ao rock.

Richards resume: Havana, Cuba e os Rolling Stones. Isto é incrível!

As imagens falam mais alto. Da memória da Revolução estampada no muro à pobreza do povo.

Jagger conta para a multidão em êxtase que viu a rumba de perto na Casa da Música. O diálogo se dá através da arte. É mais fluente do que nas relações políticas.

Buena Vista Social Club tem um anticomunismo que soa mal. Havana Moon não tem.

É como se os Stones repetissem o que Obama disse ao discursar diante de Raul Castro: que o destino de Cuba está nas mãos dos cubanos.

Aquela alegria toda, no palco e na plateia, é, então, para dizer isso: celebremos com música, mas o destino de vocês está nas suas mãos.

A música que os cubanos ouvem ao vivo pela primeira vez tem seu ponto alto numa “blues suite”. É Midnight Rambler, que se estende por muitos minutos e resume o que os Stones são.

Naquela noite de 25 de março de 2016, eles se projetaram como a luz do luar sobre a noite de Havana. Velhos, mas ainda muito intensos.

Não há filme natalino como A Felicidade Não se Compra!

No Natal, George, um homem acostumado a fazer o bem, resolve se matar. Um anjo é enviado para mostrar como seria o mundo sem ele. O final eu não vou contar. Sempre há os que não viram.

A Felicidade Não se Compra tem 70 anos. É o melhor de todos os filmes natalinos. Uma das obras-primas do mestre Frank Capra. Tem James Stewart no papel principal.

É uma maravilha para ver (ou rever) no 25 de dezembro!

Feliz Natal a todos os leitores da coluna! 

Assassino do embaixador lembra Al Pacino em Um Dia de Cão

Um homem atira e mata o embaixador russo na Turquia. A violência sem limites.

Nem parece real. Parece coisa de cinema, andaram dizendo.

Está aí uma das imagens.

Sim, mas que filme?

Vasculhei na memória, e a imagem que me veio foi essa: Al Pacino em Um Dia de Cão.

Comparem!

Spielberg 70 anos. Cineasta tem lugar entre os grandes

Steven Spielberg faz 70 anos neste domingo (18).

Hoje, Alfred Hitchcock é considerado um cineasta genial, é chamado de mestre, mas nem sempre foi assim. Os críticos americanos o detratavam porque seus filmes faziam sucesso. Foi preciso que a crítica francesa descobrisse os méritos artísticos do seu cinema para que ele conquistasse o status merecido.

Há algo de Hitchcock em Steven Spielberg. Ele também é criticado por fazer sucesso. Só quando realizou filmes considerados sérios (A Cor Púrpura, A Lista de Schindler), a má vontade em relação ao seu trabalho começou a diminuir.

Mas muitos cinéfilos ainda o consideram menor, piegas, excessivamente comercial.

Uma pena. Spielberg já deu todas as demonstrações de que é um mestre do seu ofício, no nível dos melhores diretores de cinema do mundo.

Do jeito que ele é. Com uma obra irregular, sim, porque extensa. Mas com um conjunto absolutamente admirável.

Spielberg é da linhagem dos que realizam muito e, por isso, erram mais. Mas não faz mal. Cada filme que dirige tem a marca do seu talento, tem a sua assinatura. Na fantasia infantil, na aventura pura e simples, nos temas sérios. Nos gêneros mais diversos.

Ele é grande desde a juventude, desde a estreia com Encurralado. Um homem, em seu carro, perseguido por um motorista de caminhão que ele não consegue ver. Tensão permanente numa história fantástica de Richard Matheson.

Vi Spielberg quando ainda não era famoso. Sou contemporâneo da estreia de Encurralado.

É interessante porque vi com o olhar da época, de quem estava diante de filmes novos, ainda não testados pela audiência.

E posso rever hoje com o distanciamento de 30, 40 anos.

Seu cinema já passou no teste da ação do tempo, da permanência, e permanece íntegro.

Lembro de ter me perguntado, em 1982, como seria ET três décadas mais tarde. Já sabemos!

Não bastasse o cinema, há o cidadão que deu contribuição decisiva para a memória do Holocausto, colhendo depoimentos de sobreviventes em todo o mundo.

Steven Spielberg é um mestre. Vou rever Contatos Imediatos do Terceiro Grau (meu favorito) em sua homenagem.

Spielberg 70 anos. Dez filmes para rever

Steven Spielberg faz 70 anos neste domingo (18). É um mestre do cinema, a despeito das críticas a ele dirigidas por causa do seu sucesso.

Acompanho Spielberg desde a estreia de Encurralado, o primeiro filme. A filmografia extensa é irregular. Como costumam ser as filmografias extensas. Os pontos altos são muitos, mas é o conjunto que coloca o cineasta entre os grandes.

Escolhi dez filmes como sugestão para uma breve revisão do cinema de Steven Spielberg.

Encurralado. A estreia. Um telefilme perturbador.

Tubarão. O primeiro grande êxito comercial.

Contatos Imediatos do Terceiro Grau. O homem diante do desconhecido.

Os Caçadores da Arca Perdida. Aventura como nas matinês do passado.

ET. Uma bela e irresistível fantasia para crianças de todas as idades.

A Cor Púrpura. Spielberg fazendo cinema sério. Como se precisasse.

Jurassic Park. O Spielberg que impressionou Kubrick.

A Lista de Schindler. Para muitos, o melhor Spielberg.

O Resgate do Soldado Ryan. A sequência do desembarque é um (grande) filme à parte.

Inteligência Artificial. A improvável parceria de Spielberg com Stanley Kubrick.