Tarcísio Pereira sugere política para ocupar teatros paraibanos

O escritor e teatrólogo Tarcísio Pereira usou as redes sociais para divulgar uma carta ao governador do Estado, ao secretário de Cultura e ao presidente da Fundação Espaço Cultural.

Ele sugere que seis casas de espetáculos administradas pelo Governo do Estado sejam disponibilizadas aos artistas paraibanos para que estes se apresentem, sem público, mas com transmissão virtual, durante o isolamento social.

Na carta, Tarcísio Pereira fala da crise que os artistas enfrentam atualmente por causa da pandemia do novo coronavírus e detalha a sua sugestão.

CARTA AO GOVERNO DA PARAÍBA
Excelentíssimo Sr. Governador,
João Azevêdo Lins Filho;
Ilmo. Secretário de Estado da Cultura,
Prof. Damião Ramos Cavalcanti;
Ilmo. Presidente da Funesc,
Walter Galvão Peixoto de Vasconcelos
Eu, Tarcísio de Sousa Pereira (Tarcísio Pereira), aqui na qualidade de Teatrólogo, Escritor, Jornalista, Publicitário e Produtor Cultural, venho, em face das condições de paralisação do movimento teatral no Estado da Paraíba, fazer as seguintes considerações, sugestão e apelo – salvo melhor juízo de todos que fazem teatro neste Estado:
1) Considerando que o movimento cultural na Paraíba encontra-se interrompido em suas realizações que envolvem a presença de público;
2) Considerando que as casas de espetáculo encontram-se há mais de 100 dias com suas portas fechadas;
3) Considerando que grupos e companhias de teatro na Paraíba, bem como as artes cênicas em geral e ainda outros movimentos artísticos que sempre utilizaram os palcos dos teatros administrados pelo Estado encontram-se parados;
4) Considerando que recentemente (guardadas as devidas proporções), o Governo da Paraíba autorizou a abertura dos estádios de futebol para a realização de jogos, mesmo sem a presença de torcedores;
5) Considerando, finalmente, que muitas atividades já estão voltando ao seu funcionamento, mesmo com restrições e limitações relativas à prevenção contra o alastramento da Covid-19;
6) Considerando que o Governo do Estado possui e administra, por intermédio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, seis casas de espetáculos tecnicamente bem estruturadas – como o Theatro Santa Roza, Teatro Paulo Pontes, Teatro de Arena, (estes em João Pessoa), Teatro Íracles Pires (Cajazeiras), Teatro Santa Catarina (Cabedelo) e Cine Teatro São João José (Campina Grande),
venho propor e sugerir o que segue:
1) Que o Governo do Estado, através da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), neste período de Isolamento Social, disponibilize os teatros públicos de sua responsabilidade, a fim de que os mesmos possam servir de palco neste período para apresentações de espetáculos de grupos, companhias ou qualquer outro movimento artístico, apenas para utilização de elenco e sem presença de público, para que os espetáculos possam ser transmitidos de forma virtual, ao vivo, utilizando-se de toda estrutura que os mesmos dispõem, tanto de equipamento como de pessoal técnico, sem nenhum ônus para os usuários em relação às taxas de locação ou de serviços;
2) Que o Estado, além de programar as casas de espetáculo para essa finalidade, garanta estrutura de logística para as apresentações e transmissão online, em termos de equipe de filmagem e disponibilização de canal para a transmissão ao vivo, com devida divulgação oficial para atrair o público remoto;
3) Que o Estado estabeleça, a seu critério, uma forma de remuneração para os grupos ou, pelo menos, a disponibilização do canal de transmissão com venda de ingressos pelas apresentações, a fim de que toda a arrecadação seja destinada aos grupos, caso os mesmos estejam de acordo;
4) Que essa política de ocupação dos teatros, caso venha acontecer, possa abranger não apenas espetáculos de teatro, mas também shows, concertos, dança, recitais ou qualquer outra atração que os artistas se disponham a participar.
Finalmente, é uma sugestão para uma política de ocupação dos teatros que irá favorecer as produções interrompidas e, ao mesmo tempo, dinamizar uma programação cultural do Estado utilizando a própria estrutura já existente, praticamente sem grandes despesas para a administração, conforme o critério que venha estabelecer.
Paraíba, 13 de julho de 2020
TARCÍSIO PEREIRA
– Teatrólogo –

Hoje é o Dia Mundial do Rock. Mas apenas para os brasileiros

Hoje, 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock.

É uma data comemorada somente no Brasil.

Toma como referência o Live Aid, evento realizado há 35 anos.

O Live Aid foi um grande acontecimento, mas há datas mais importantes na hora de estabelecer qual é o Dia Mundial do Rock.

De todo modo, nós, que gostamos de rock, aproveitamos a comemoração e escrevemos algo sobre esse tipo de música que mexeu com muita coisa nos últimos 65 anos.

Sim. Mexeu com comportamento, show business, indústria do disco, cinema, moda, política, religião.

Mexeu até com música! (rsrsrs)

Rock’n roll é uma coisa, rock é outra – nos ensinava Roberto Mugiatti em O Grito e O Mito, aquele livrinho fundamental que lemos na primeira metade dos anos 1970. O segundo é a expansão do primeiro.

Se quisermos escolher a figura mais icônica e individualmente poderosa do rock, ficaremos com Elvis Presley.

Elvis compreendeu no que daria a fusão da música dos negros com a dos brancos e, branco, produziu algo palatável num país que ainda hoje separa os homens pela cor da pele. Fez com muito talento e uma grande voz.

O rock fez do século XX o século da guitarra. Lá nos primórdios do fenômeno, foi Chuck Berry que inventou riffs incríveis e disse mais ou menos assim: “Guitarra no rock? É desse jeito que se toca!”. E era!

Há outros, mas Elvis e Berry podem resumir os anos 1950.

Os anos 1960 – os mais criativos – têm muitos nomes que operaram a tal expansão do rock. Nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Em primeiríssimo lugar, há os Beatles. Esses são absolutamente hors concours.

É impossível, contudo, falar em grupos sem mencionar os Rolling Stones, na estrada há quase 60 anos.

Voz feminina? É a de Janis Joplin, a despeito da carreira meteórica de três ou quatro anos.

Um músico de trajetória igualmente meteórica escreveu a gramática definitiva para o principal instrumento do rock: o guitarrista Jimi Hendrix.

Os elementos riquíssimos da black music americana estão condensados nos poucos discos que gravou e nas muitas performances ao vivo que, felizmente, foram gravadas para a posteridade em seus concertos na Inglaterra e na América.

E há aquele cara que veio da folk music e da protest song, com um violão, uma gaita e uma voz excessivamente anasalada. Depois, empunhou uma guitarra e disse que também era do rock. Bob Dylan, claro!

Se estiver vivo, Dylan fará 80 anos em maio de 2021.

Foi ele que deu um Nobel ao rock.

Conferiu à letra de música popular o status de poesia culta.

Não é pouco.

Muita coisa foi feita depois, mas ficarei por aqui.

Os Rolling Stones lançam música inédita com vídeo muito sensual

Os Rolling Stones lançaram uma música inédita nesta quinta-feira (09).

Criss Cross é inédita, mas, de nova, não tem nada. Tem quase 50 anos.

A música foi gravada para o álbum Goats Head Soup, de 1973.

Criss Cross aparece agora porque está incluída numa luxuosa edição do disco que será posta no mercado no início de setembro.

Goats Head Soup veio depois de Exile on Main Street, que muita gente considera o melhor álbum da banda.

Sob o impacto do Exile, de um modo geral os fãs se decepcionaram com o Goats Head Soup.

Mas o tempo, certamente, o fez melhor.

Criss Cross é, tipicamente, Rolling Stones.

O vídeo tem como protagonista Marina Ontanaya.

40 anos sem Vinícius de Moraes. Foi o branco mais preto do Brasil

Nesta quinta-feira (09), faz 40 anos que morreu Vinícius de Moraes.

Para a garotada, vou resumir assim:

Foi um grande poeta, no sentido clássico da palavra, que se transformou, de modo inovador, em letrista de música popular.

Em 1956, no espetáculo Orfeu da Conceição, inaugurou a parceria com Antônio Carlos Jobim.

Em 1959, junto com Tom e João Gilberto, foi protagonista da Bossa Nova, o movimento que deu dimensão internacional à música popular brasileira.

Foi parceiro de Carlos Lyra, Baden Powell e Toquinho.

Com Baden, inventou os afro-sambas, algo tão importante quanto as canções praieiras de Dorival Caymmi.

O branco mais preto do Brasil – assim ele se considerava.

Vinícius de Moraes foi um grande brasileiro!

Fiquemos com o Samba da Bênção, da parceria com Baden.

Vidas negras importam. Ringo se engaja na luta contra o racismo

Ringo Starr fez uma live de 60 minutos para comemorar seus 80 anos.

Foi, no fundo, uma grande celebração à música dos Beatles.

Divertida, alto astral.

Mas séria também.

Lá pelo meio, um trecho do programa foi dedicado ao “Vidas negras importam”, o movimento e o slogan antirracistas que, com muita justiça, se espalham pelo planeta.

Sim.

“Black lives matter”.

O apoio de Ringo ao movimento fala, pela milionésima vez, do quanto devemos nos orgulhar dos Beatles. Pela beleza da música que legaram ao mundo e por suas atitudes públicas.

O baterista, misto de músico e ator, está sempre a dizer paz e amor e exibir os dedos em V.

Não surpreende que marque posição quando a questão é a luta contra o racismo.

Era um tema crucial na década de 1960, o tempo dos Beatles. Permanece agora, mais de meio século depois.

John Lennon lutou pela paz.

George Harrison procurou a paz no misticismo.

Paul McCartney defende os animais e o meio ambiente.

O peace and love de Ringo Starr é mais do que uma evocação dos anos 1960.

Quinteto da PB Convida agora é em casa. Xangai abriu nova fase

Em 2017, o Quinteto da Paraíba deu início a um projeto que proporcionou grandes encontros.

Era o Quinteto Convida.

O grupo recebeu artistas como Xangai, Carlos Malta, Mônica Salmaso, Spok, Zeca Baleiro, Nelson Ayres, entre outros, em memoráveis performances na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, em João Pessoa.

Agora, por causa da pandemia do novo coronavírus, o projeto ganha outra feição. Passa a ser Quinteto Convida em Casa.

A estreia foi com Xangai.

As novas edições já estão agendadas:

Toninho Ferraguti – 07 de agosto.

Spok – 04 de setembro.

Mônica Salmaso – 02 de outubro.

Jessier Quirino – 06 de novembro.

Marcelo Jeneci – 04 de dezembro.

Quer dizer que Bolsonaro é um porco? Perguntem ao filho 03

O presidente Jair Bolsonaro testou positivo para a Covid-19.

O resultado do teste foi confirmado na manhã desta terça-feira (07).

Na Folha de S. Paulo, a colunista Mônica Bergamo lembra que, em junho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o filho 03 do presidente, “fez chacota quando a deputada federal Joice Hasselmann anunciou que tinha sido contaminada pelo novo coronavírus”.

No Twitter, Eduardo postou: “Não sabia que coronavírus dava em porco também”.

Cabe, então, a pergunta: Quer dizer que Bolsonaro é um porco?

Quem tem a resposta é o filho Eduardo.

Print Eduardo Bolsonaro

Ringo Starr faz 80 anos. Menino doente, foi um homem de sorte

John Lennon foi assassinado aos 40.

George Harrison morreu de câncer aos 58.

Paul McCartney acabou de fazer 78.

E Ringo Starr chega aos 80 anos nesta terça-feira (07).

Foi um menino doente, mas um homem de sorte, muita sorte.

Em 1962, o baterista dos Beatles era Pete Best. Ringo tocava num outro grupo de Liverpool.

Quando o quarteto foi contratado e se preparava para gravar o primeiro disco, o maestro e produtor George Martin reprovou Best.

Convocado a substituir o músico dispensado, Ringo, do dia para a noite, se transformou num Beatle.

Não imaginava o que o esperava.

Em 1964, o filme A Hard Day’s Night, de Richard Lester, ajudou a fixar a persona pública dos quatro Beatles.

Foi ali que Ringo revelou seu talento para ator. Tanto que, na narrativa, há uma espécie de intermezzo criado exclusivamente para ele.

Mais do que isso: em Help!, toda a trama gira em torno do seu personagem.

Ringo Starr é um grande baterista?

Muito provavelmente, não.

Mas tem uma marca, uma assinatura inconfundível.

Nos Beatles, gravou poucas vezes como cantor. Também assinou raras canções.

É dele o vocal de Yellow Submarine.

É dele a autoria de Octopus’s Garden.

Longe dos Beatles, tocou com John, Paul e George. Gravou muitos discos e percorreu o mundo fazendo shows com sua all star band.

Envelheceu como homem da paz e do amor, indicam sempre os seus dedos em V.

Mônica Salmaso recebe Chico Buarque, e fazem João e Maria

Mônica Salmaso é uma das melhores cantoras do Brasil.

Técnica, emoção, belíssimo timbre e um repertório primoroso – é o que ela nos oferece (no palco ou no estúdio) numa admirável carreira iniciada há mais de duas décadas.

Mônica está enfrentando esses tempos difíceis da pandemia do novo coronavírus com um projeto chamado “Ô de casas”.

Ela recebe virtualmente seus convidados e, com eles, nos brinda com performances que são verdadeiras joias.

O “Ô de casas” de número 85 é com Chico Buarque, a quem Mônica já dedicou dois CDs.

A música escolhida foi João e Maria.

Sivuca compôs a melodia dessa valsa em 1947. Chico escreveu a letra 30 anos mais tarde.

Teco Cardoso está na flauta.

Luiz Cláudio Ramos faz o violão.

Ennio Morricone morreu. Era um gigante da música para cinema

O compositor italiano Ennio Morricone morreu nesta segunda-feira (06) num hospital italiano.

Ele tinha 91 anos e foi hospitalizado depois de fraturar o fêmur numa queda.

Sua especialidade era fazer música para cinema.

Em sua longa carreira, compôs centenas de trilhas, algumas tão ou mais famosas do que os próprios filmes.

São dele os temas escritos para os westerns de Sergio Leone, assim como as melodias de Cinema Paradiso.

Também fez a trilha de Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino.

Era um gigante no seu ofício.

Uma homenagem a Morricone?

Fiquemos com a sequência final de Cinema Paradiso.