Milton: “Nosso lance mesmo era fazer música. Simples assim”

Trago hoje uma breve conversa do colunista com Milton Nascimento, que se apresenta nesta quinta-feira (22) no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa, com o show Clube da Esquina:

O que há de fusion no álbum Clube da Esquina, o primeiro? Se falava que o disco trazia um certo pioneirismo na área.

Sabe que a gente nunca fez nada assim muito pensado? As coisas sempre aconteceram naturalmente. Nosso lance mesmo era fazer música. Simples assim.  

O que dizer da relação do Clube 1 com o cenário político do Brasil daquela época?

Talvez a gente esteja vivendo momentos muito próximos um do outro. 

Qual o papel de Lô Borges na criação do álbum?

Sem Lô Borges não teríamos o Clube da Esquina. Foi da minha união com ele que a gente conseguiu fazer tudo isso que está aí até hoje. 

O Clube 2 é a melhor síntese da sua música e também do encontro desses amigos em torno desse conceito do Clube da Esquina?

Eu sou muito feliz com as coisas que o Clube da Esquina trouxe para a nossa vida. Jamais poderia imaginar que viveria tantas coisas através dele. 

Como é revisitar o Clube da Esquina?

Uma emoção muito grande. A gente acabou de voltar de uma turnê de nove países com o Clube. E isso depois de ter feito esse show em várias cidades do país. A recepção tem sido uma coisa que jamais vamos esquecer. 

Um grande país eu espero do fundo da noite chegar. O verso continua atual?

Eu espero que sim, apesar de tudo o que anda acontecendo, né? 

Nunca temi comunistas. Sempre desconfiei de anticomunistas

Lembro do tempo em que os comunistas brasileiros atuavam na clandestinidade.

Havia dois partidos que depois foram legalizados: o Partido Comunista Brasileiro (PCB), chamado de “partidão”, e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Com o fim da ditadura militar, o PCB e o PCdoB passaram a integrar, com todas as prerrogativas legais, o pluripartidarismo que vigora no Brasil.

Lembro da noite em que Roberto Freire, que dirigia o “partidão”, disse no Jornal Nacional que viveu para ser personagem daquele momento em que os partidos comunistas podiam atuar legalmente na política brasileira. Foi uma fala forte, principalmente porque difundida pelo Jornal Nacional.

No Brasil sob Bolsonaro, há uma nova onda anticomunista.

Onda irracional, anacrônica, desproporcional à realidade.

Estou tratando do tema porque li que um deputado pretende apresentar à Câmara um projeto que criminaliza o comunismo entre nós.

Nos Estados Unidos do macartismo, comunistas e não comunistas eram tratados como…comunistas.

Lá, na mais sólida democracia do mundo, existe um Partido Comunista e ele atua na legalidade.

Como seria no Brasil que viesse a proibir o comunismo?

O que caracterizaria um comunista?

A quem caberia dizer que fulano é comunista e sicrano não é?

Não pensei que voltaríamos a esse debate.

Nunca temi comunistas.

Sempre desconfiei de anticomunistas.

Bacurau é forte acontecimento político e é grande cinema!

Foi na sexta-feira (16), no Festival de Gramado, a primeira exibição pública de Bacurau no Brasil.

No sábado (17), o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi exibido em pré-estreia em várias cidades (João Pessoa entre elas).

A estreia será no dia 29, mas, nesta quarta (21), haverá outra pré em João Pessoa, já com lotação esgotada.

O Som ao Redor, 2012. 

Aquarius, 2016. 

Bacurau, 2019.

Kleber Mendonça Filho – que li tanto no Jornal do Commercio, que foi lá na Cultura do Paço Alfândega debater comigo e com Jomard Muniz de Britto o livro de Antônio Barreto Neto, que encontro no backstage do show de Caetano Veloso no Recife – é um dos grandes cineastas do mundo.

Assim, bem perto da gente, fazendo filmes que arrebatam as plateias onde quer que sejam exibidos.

Bacurau é uma experiência impactante.

Sabem aquela coisa? No dia em que vi o novo Tarantino, comprei ingresso (físico) antecipado e lá fui eu, no sábado à noite, para a sessão única numa sala de shopping. Não vi ninguém conhecido na plateia. Havia uma moçada que riu e vibrou com algumas cenas e aplaudiu entusiasmada na hora dos créditos finais.

Antes do conteúdo, a forma. Se há algo que me impressiona imensamente em Kleber é o domínio absoluto que ele tem do seu ofício. O cineasta está no grupo dos que migraram com êxito da crítica para a direção. Antes de qualquer coisa, aos cinéfilos, Kleber proporciona um grande prazer estético.

Bacurau é filme realizado por quem pensa o cinema. A habilíssima manipulação dos gêneros, a construção de climas, a tensão permanente, o uso de trilhas preexistentes, o diálogo com o passado (do cinema) e a rara capacidade de atualizá-lo – tudo junto e misturado para levar o espectador à catarse final.

Li em algum lugar que o conteúdo de Bacurau é claro como a água. Sim, a água que falta no Nordeste brasileiro de ontem e de hoje e que, fatalmente, faltará no de amanhã. As vozes de Gal, Sérgio Ricardo e Vandré falam sobre o cinema do Brasil dos anos 1960 (Brasil Ano 2000, Deus e o Diabo, Augusto Matraga) e conectam passado, presente e futuro.

Pensei em filmes do Cinema Novo que permanecem assustadoramente atuais. Mas sei que eles são herméticos. O filme de Kleber se passa num futuro próximo e conversa com a gente sobre o presente. Essa conversa é direta, só não entende quem não quer entender. Esse lugarejo chamado Bacurau sintetiza no micro o que vemos no macro.

Aterroriza o instante (instante mesmo) em que vemos, na tela da TV, a notícia sobre as execuções no centro de São Paulo.

Bacurau está sendo chamado de cinema de resistência. Sua estreia – e isto é de suma importância – ocorre no momento em que o governo brasileiro tenta dizimar a produção nacional de audiovisual. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles é um eloquente contraponto a esta ameaça.

É resistência como produto, é resistência como chamado à luta.

Bacurau é um significativo acontecimento político.

Mas é também um acontecimento estético.

É o que permitirá que atravesse o tempo como grande cinema.

Peter Fonda só precisou de um filme para ser ícone da contracultura

Peter Fonda morreu nesta sexta-feira (16) aos 79 anos.

Tinha câncer de pulmão.

O pai, Henry Fonda, foi um dos grandes atores do cinema americano.

A irmã, Jane Fonda, se notabilizou por muitos dos filmes nos quais atuou e também como ativista política e símbolo sexual.

Peter não fez uma carreira exemplar como ator, mas, sem ele, não haveria um filme que mudou o cinema americano há 50 anos.

Peter Fonda foi ator, produtor e roteirista de Easy Rider (no Brasil, Sem Destino).

A aventura dos dois motociclistas (Fonda e o diretor Dennis Hopper) que saem vagando pelas estradas americanas mexeu profundamente não só com o jeito de se contar uma história na tela grande, como também ofereceu novos parâmetros para a indústria do cinema.

A liberdade narrativa e a opção pelo baixo orçamento exerceriam forte influência sobre muita coisa que vimos depois de Easy Rider.

Peter Fonda morreu nos 50 anos de Woodstock. Há uma força simbólica nessa coincidência porque Easy Rider e o festival agora cinquentenário são marcos profundos da contracultura.

“Eu sei o que é estar morto” – John Lennon ouviu de Peter Fonda em 1965.

Inspirado na frase, e depois de trocar o “he” pelo “she”, Lennon compôs She Said, She Said, que os Beatles lançaram em 1966.

“Ergam seus copos pela liberdade” – disse a família de Peter Fonda ao anunciar a sua morte.

É preciso ser cinéfilo para sentir prazer no novo filme de Tarantino

Os créditos finais de Era Uma Vez em Hollywood começam com uma música instrumental.

Se você não a conhece, ela, certamente, não lhe dirá nada.

Ouvida assim, rapidamente, uma vez só, talvez nem dê tempo de perceber o quanto a melodia é bonita.

Se você conhece a música, aí é diferente.

E se, além de conhecer, sabe para que filme ela foi composta, melhor ainda.

Novo (e nono) filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood exige muito do espectador.

Tarantino, no fundo, sempre fez filmes sobre cinema, mas estes não se passavam no mundo do cinema.

Agora, não. Era Uma Vez… é um filme sobre cinema ambientado no mundo do cinema.

Isso impede muita gente de saborear intensamente essa história que se estende por duas horas e 40 minutos.

Críticas negativas feitas ao filme falam do cansaço de uma fórmula usada pelo realizador.

Não é uma fórmula. É uma assinatura que deu certo. É a marca de um autor extremamente talentoso, que só tem feito grandes filmes.

Era Uma Vez… é mais um filme que a gente facilmente identifica como sendo de Tarantino.

O seu jeito de apresentar e seguir os personagens, o modo de contar uma história, o uso que faz das trilhas preexistentes, a maneira com que trata tanto o humor quanto a violência – está tudo em Era Uma Vez em Hollywood.

Mas há uma novidade: diminuíram os longos e tão bem escritos diálogos. Aqueles que temos desde a primeira cena do seu primeiro filme.

Era Uma Vez em Hollywood não é só uma declaração de amor ao cinema. Seria pouco. É também uma reflexão sobre cinema e realidade.

Filmes, diretores, atores e atrizes, estrelas da música, canções que marcaram uma época – o filme é um convite permanente ao espectador. Essas referências vão se somando durante a narrativa. Vão enriquecendo o diálogo entre o público e o realizador.

O ator decadente e seu dublê. O jovem casal Polanski. Charles Manson e as pessoas por ele arregimentadas. Ficção e realidade. Para onde todos serão conduzidos por Quentin Tarantino?

Bem, quem já contou à sua maneira como se deu o fim do nazismo, pode tudo por trás de uma câmera.

Era Uma Vez em Hollywood caminha lentamente para um desfecho surpreendente.

E eu não vou cometer spoiler.

Estreia novo filme de Tarantino. O cara sabe tudo de cinema!

Era Uma Vez em Hollywood estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros.

O novo filme de Quentin Tarantino foi lançado no último Festival de Cannes.

Nono filme do cineasta, Era Uma Vez em Hollywood se passa em 1969, no mesmo cenário do assassinato da atriz Sharon Tate, mulher do diretor Roman Polanski.

Tarantino é um craque no que faz. Nos oito filmes que realizou (de Cães de Aluguel a Os Oito Odiados), ainda não errou. São todos grandes filmes.

Seguem algumas anotações minhas sobre o cinema de Quentin Tarantino:

O Dicionário de Cinema/Os Diretores, na edição que tenho, é da época em que Quentin Tarantino havia realizado apenas seus dois primeiros filmes, mas já o apresenta como um dos grandes. Tanto que compara a sua estreia, pelo impacto que provocou, à consagração inicial de Stanley Kubrick e Steven Spielberg. O autor, Jean Tulard, diz que o seu estilo de filmar alterna cenas de violência com longos diálogos e que estes são tão bons que, se durassem uma hora, poucos reclamariam.

Como Kubrick, Tarantino filma pouco. A qualidade sobrepondo-se à quantidade. E, já que Tulard menciona Spielberg, lembro que este, há muitos anos, numa cerimônia do Oscar, defendeu o uso da boa palavra no cinema, como se ela estivesse escassa. Algo que chama atenção em Quentin Tarantino. O crítico Roger Ebert também se impressionava com os diálogos escritos pelo cineasta: “diálogo de tão alta qualidade que é digno de ser comparado com outros mestres da prosa enxuta e rude”, disse Ebert, referindo-se a Pulp Fiction.

Cães de Aluguel, o primeiro filme de Tarantino, começa com uma longa conversa numa mesa. Os homens, que depois veremos envolvidos num assalto frustrado, falam de Madonna, comentam a canção Like a Virgin. A câmera gira enquanto eles conversam.

Semelhante a uma conversa das quatro protagonistas de À Prova de Morte, que falam do carro utilizado em Corrida Contra o Destino, filme do início da década de 1970 que, a despeito de ser cult, nem todos os cinéfilos de hoje conhecem. Das quatro mulheres, somente duas viram e reverenciam Corrida Contra o Destino. Como Tarantino, que vai buscar nos filmes que viu a matéria-prima do seu cinema.

Os filmes de Tarantino recuperam o melhor diálogo do cinema. A prosa enxuta e rude que Ebert enxergava em Pulp Fiction é a mesma que temos nas intermináveis conversas sobre sexo e cinema de À Prova de Morte. Ou no jantar de Django Livre. Elas se alternam com grandes sequências. Ou nos conduzem a elas. E aí surge outro elemento imprescindível ao cinema de Tarantino: a música que ele retira de uma discoteca afetiva, que não precisa existir fisicamente, apenas nas suas lembranças.

No início, poucos bancariam um filme como Cães de Aluguel. Mais tarde, Tarantino passou a encher as salas do mundo inteiro, conseguindo agradar até aos que não compreendem o seu complexo jogo de intertextualidade. Mas a percepção mais prazerosa fica para os cinéfilos. Aqueles que se deliciarão com cada cena recriada, com cada referência, com o que é dignificado por sua maestria e pelo absoluto domínio que tem da arte de fazer cinema.

Tarantino dá o status que um velho filme de kung fu não possui.

Ou nos faz ouvir uma música que não ouviríamos em outra circunstância.

No final, a forma se sobrepõe ao fundo.

O que Quentin Tarantino faz são filmes sobre cinema.

O cinquentenário Woodstock para (re) ouvir e (re) ver. Vamos?

Woodstock está fazendo 50 anos.

O festival foi realizado nos dias 15, 16, 17 e 18 de agosto de 1969.

A partir desta quinta-feira (15), uma emissora de rádio americana vai “transmitir” o evento como se ele estivesse ocorrendo ao vivo.

Serão apresentados todos os shows na íntegra, exatamente no horário em que eles aconteceram.

Mas há outros caminhos para curtir o legado de Woodstock.

WOODSTOCK

Lançado logo depois do festival. Originalmente, um álbum-triplo em vinil. Atualmente, um CD duplo remasterizado uma década atrás, na comemoração dos 40 anos.

As músicas não seguem a ordem do evento, nem a edição que está no documentário Woodstock. Mas o material é precioso. E, afinal, mostra como o mundo inteiro foi apresentado ao que 400 mil pessoas viram e ouviram ao vivo.

WOODSTOCK TWO

Lançado a partir do êxito comercial do álbum-triplo. Originalmente, um vinil duplo. Atualmente, um CD duplo remasterizado 10 anos atrás.

Um pouco mais da música vista e ouvida no festival. Performances não incluídas no filme.

WOODSTOCK, 40 Years on Back to Yasgur’s Farm

Lançado em 2009 nos 40 anos do festival. Box com seis CDs remasterizados e um generoso encarte cheio de fotografias.

As músicas seguem a ordem do evento.

Infelizmente, o Ten Years After ficou de fora com a sua arrebatadora I’m Going Home.

WOODSTOCK, o filme

Blu-ray (ou DVD) com o documentário de Michael Wadleigh.

Traz o “corte” do diretor – a montagem com uma hora a mais do que a que os cinemas exibiram em 1970.

Grande filme. É excelente cinema documental.

Um disco extra reúne material que Wadleigh não utilizou.

Hitchcock, mestre absoluto da direção, nasceu há 120 anos

Nesta terça-feira (13), faz 120 anos que Alfred Hitchcock nasceu.

Ele morreu em 1980, pouco antes de completar 81 anos.

Dirigiu 53 filmes numa carreira de cinco décadas.

De O Jardim dos Prazeres (1925) a Trama Macabra (1976).

Nasceu num 13 de agosto, mas foi um homem de sorte!

Hitchcock ficou conhecido como Mestre do Suspense. Ele era, mas é pouco, é reducionista.

Hitchcock era um mestre absoluto do seu ofício, tão grande quanto os maiores que o cinema conheceu.

Cineasta da angústia e do medo – como foi definido por François Truffaut.

Hitchcock foi detratado pela crítica.

Nele, diziam os críticos, os interesses comerciais sempre se sobrepunham aos méritos artísticos.

François Truffaut – como crítico e depois como cineasta – reparou esse equívoco grosseiro.

Entrevistou o mestre e, num livro, mostrou ao mundo da cinefilia a exata dimensão de Hitchcock.

Em ordem cronológica, alguns grandes filmes realizados por Alfred Hitchcock:

O Homem que Sabia Demais (UK)

Os 39 Degraus

Rebecca

Sabotador

Um Barco e Nove Destinos

Quando Fala o Coração

Interlúdio

Festim Diabólico

A Tortura do Silênio

Disque M Para Matar

Ladrão de Casaca

O Homem que Sabia Demais (USA)

O Homem Errado

Cortina Rasgada

Frenesi

A esses 15, somo sete obras-primas, também em ordem cronológica (o meu preferido é Um Corpo que Cai):

A SOMBRA DE UMA DÚVIDA

PACTO SINISTRO

JANELA INDISCRETA

UM CORPO QUE CAI

INTRIGA INTERNACIONAL

PSICOSE

OS PÁSSAROS

Desgosto mesmo é ter Bolsonaro como presidente da República!

Agosto, mês do desgosto.

Não é assim que a gente sempre ouviu?

Não levo isso a sério.

Nunca levei.

É somente uma rima.

Mas, para não perder o mote, neste agosto de 2019, eu diria que desgosto mesmo é ter Jair Bolsonaro como presidente da República.

Continuarei dizendo -ainda que sem rima – em setembro, outubro, novembro, dezembro.

Tudo está tão banalizado que as barbaridades que o presidente diz soam assim, banais.

Mas não são.

Deveriam ser levadas a sério.

Há aquelas falas de suma gravidade (a defesa de um torturador oficialmente reconhecido como tal) e há outras que parecem apenas engraçadas, mas que, no fundo, revelam que o Brasil, por opção de 58 milhões de eleitores, está sendo governado por um homem que não compreende a dimensão do cargo que ocupa.

É o caso do cocô, dia sim, dia não.

Li primeiro em O Globo.

Depois, li na Folha.

Mais tarde, ouvi o áudio.

Em seguida, vi o vídeo no Jornal Nacional.

Não é fake.

É verdade.

Comer menos e, como consequência, fazer menos cocô.

Dia sim, dia não.

Isso mesmo.

Dito pelo presidente da República.

Como resposta a uma pergunta sobre como compatibilizar desenvolvimento com preservação ambiental.

É Bolsonaro sendo Bolsonaro?

É.

Mas, de tão absurda que é a fala, parece Bolsonaro sendo Bolsonaro e um pouco mais.

O presidente estaria perdendo a noção de alguns limites?

Parece que sim!

É assim mesmo que deve se comportar um presidente da República?

Óbvio que não!

Os bolsonaristas acham isso normal?

Sim!

PAI E FILHO. FATHER AND SON

Hoje (11) é Dia dos Pais.

A coluna marca a data com uma bela canção do começo dos anos 1970.

Father and Son, de Cat Stevens, de quem ouvimos tantas outras belas canções.

A música ganhou uma versão de Nara Leão.

Seguem áudio e letra em Português.

É tão cedo pra partir,
Devagar, não se apresse
Nessa idade você tem
Tanta coisa que aprender
Ache a moça dos seus sonhos
Monte um lar e um negócio
Como eu fiz e eu sou velho
Mas feliz

Eu já fui como você
E sei bem que é da idade
Se iludir com o sonho de um mundo irreal
Mas pense um pouco, no futuro
Pense em tudo que hoje tem
Pois o sonho se acaba
E você vai ficar só

Como posso lhe explicar
Quando eu tento ele não quer ouvir
Volta mesma, é sempre a mesma
Velha história

Desde o dia que aprendi a falar
Só faço ouvir vocês
Mas agora descobri
Que há um caminho e devo ir
Adeus, eu vou partir

(Adeus, adeus, adeus…
Eu sei que tenho que decidir sozinho…)

É tão cedo pra partir
Sente um pouco e reflita
Nessa idade você tem
Tanta coisa a realizar
Ache a moça dos seus sonhos
Monte um lar e um negócio
Como eu fiz e eu sou velho
Mas feliz

(Não vá, não vá…
Você vai ter que decidir sozinho)

Sofri tanto pra guardar
Sempre em mim tudo em que acreditei
Me doia, mas dói mas se enganar
Vocês pensam que me entendem
Mas é sempre de vocês, que vocês falam
Mas agora descobri
Que há um caminho e devo ir
Adeus, eu vou partir

E, para terminar, Father and Son com o autor.

Feliz Dia dos Pais!