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O BBB21, racismo e Angela Davis, por quem fiquei fascinado há quase 50 anos

Em 1972, aos 13 anos, duas músicas me apresentaram a Angela Davis:

Angela, de John Lennon e Yoko Ono (no álbum Some Time in New York City), e Sweet Black Angel, dos Rolling Stones (no álbum Exile on Main Street).

Aí está o áudio das duas canções.

Angela Davis – uma voz potente na América da democracia sólida, mas que, vergonhosamente, separava (ainda separa) os homens pela cor da pele.

Poder negro.

Sua coragem, seu lindo cabelo black power (fortíssimo símbolo daquele tempo), o ativismo que a levou à prisão.

A beleza do seu rosto.

A força da sua fala.

Como me impressionou aquela mulher homenageada pelo casal Lennon e pelos Rolling Stones.

Até hoje, quando penso em ativistas, desses imprescindíveis, que dedicam a vida a causas nobres, penso em Angela Davis.

Quando soube da sua existência, ela tinha apenas 28 anos.

Hoje, tem 77, e a sua luta continua.

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Não acompanho o BBB21, mas vejo as repercussões na mídia.

Vi, por exemplo, que o paredão da última terça-feira (06) foi marcado por um debate sobre racismo por causa de um episódio ocorrido na casa.

Assisti, depois, ao vídeo em que Tiago Leifert deu um oportuno puxão de orelha no cara que saiu do jogo arranhado por uma atitude racista – algo relacionado ao cabelo no estilo black power de um dos brothers.

Leifert disse coisas necessárias, dessas que têm que ser ditas.

Racismo é algo abominável, criminoso, e o Brasil é um país profundamente – mas muito profundamente! – racista.

Não tenho qualquer atração por programas como o BBB, mas não deixa de ser interessante que temas cruciais do Brasil real sejam levantados a partir das conversas daquele grupo de confinados.

Questões como esta do racismo conferem ao BBB um mérito que, por si só, o programa certamente não tem.