Mais Cultura 6:35

Eliminação de Karol Conká do BBB foi acompanhada por milhões de brasileiros. E daí?

Fui “apresentado” a Karol Conká em julho de 2016.

Minha editora sugeriu que eu registrasse na coluna o show que a cantora ia fazer em João Pessoa.

Argumentou que era bacana. “Mulher, negra, empoderada” – disse algo assim.

Aceitei a sugestão e, ilustrando o post com o vídeo Tombei, escrevi o seguinte:

A cantora Karol Conká, que se projetou no universo do rap, se apresenta neste sábado (16) em João Pessoa. O show será na praça do Espaço Cultural. A abertura está marcada para as 20 horas.

O show faz parte da programação do N Design Parahyba, evento que começa hoje e vai até o dia 23 de julho. O encontro nacional é voltado para as áreas de moda, games, web, interiores e economia criativa.

Karol Conká começou a se projetar nacionalmente em 2013. O vídeo ‘Tombei’ teve mais de 3.5 milhões de visualizações no Youtube, e a cantora conquistou o prêmio Multishow como artista revelação.

Quase cinco anos se passaram, e, nesta terça-feira (23), milhões de brasileiros pararam para acompanhar a eliminação de Karol Conká do Big Brother Brasil.

Teve 99,17 por cento dos votos. A maior rejeição em todas as edições  – já são 21 – do BBB.

A “mulher, negra, empoderada” de quem a editora do jornal me falou em julho de 2016 se transformou numa vilã.

Já vi fã de Karol morrendo de decepção. Já vi gente dizendo que o que aconteceu com ela é extremamente negativo para a luta das mulheres e dos negros. Já vi um monte de coisas a propósito dessa telenovela ao vivo que é o BBB.

Não acompanho o BBB, mas sei da sua gigantesca repercussão.

É um dos muitos retratos possíveis do Brasil nesse início do ano de 2021.

O futuro colocará mais luzes sobre o seu significado.

Por enquanto, é BBB + Bolsonaro + pandemia, etc.

Karol Conká saiu da “casa” com uma rejeição de 99,17 por cento.

O número é importante pra você?

Não pra mim.

Há outros números brasileiros, estes sim, assustadoramente importantes:

Mais de 10 milhões de infectados pela Covid-19.

Quase 250 mil mortos.