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Joan Baez faz 80 anos. Musa da canção de protesto da década de 1960 não abriu mão dos sonhos

Joan Baez fez 80 anos neste sábado (09).

Musa da protest song na América da década de 1960, ela já era famosa quando Bob Dylan começou a se projetar nacionalmente, em 1963. Foi sua intérprete e também namorada.

Soprano, impostava (ainda o faz) a voz, aproximando seu canto das intérpretes líricas.

Nesse sentido, era, portanto, uma cantora “antiga” numa época de grandes novidades. Mas o repertório estava perfeitamente afinado com as ideias mais generosas do seu tempo e da sua geração.

Seus melhores discos são os que lançou no selo Vanguard. No começo, somente voz e violão.

Mais tarde, passou a ser acompanhada por outros músicos e abandonou a sonoridade exclusivamente acústica.

Gravou lindamente a quinta Bachiana, de Villa-Lobos. Também as nossas Muié Rendeira e Manhã de Carnaval.

Dedicou um disco inteiro ao repertório das Américas Central e do Sul, cantando de Guantanamera a Gracias a la Vida.

Baez marchou sobre Washington com Luther King, em 1963, e estava ao lado do reverendo quando ele fez o discurso do “eu tenho um sonho”.

Cantou em Woodstock, em 1969, grávida e com o marido preso como desertor.

Foi um momento sublime da sua longa trajetória – seis décadas em que percorreu o mundo dividindo com suas plateias os sonhos dos quais nunca abriu mão.

Em Woodstock, sob luz púrpura, rosa e azul e cantando à capela, ela fez o spiritual Swing Low, Sweet Chariot.

Chovia fino, e saía vapor da sua boca.

O canto de Joan Baez soou como uma oração. Em seguida, a multidão adormeceu, comovida e em paz.