Música Vídeos 8:12

RETRO2020/Lives foram luz e bálsamo em ano muito difícil

Em 2020, com casas de shows e teatros fechados por causa da pandemia do novo coronavírus, as lives tentaram substituir as grandes performances que víamos ao vivo, a alguns metros dos artistas que tanto admiramos.

2020 foi o ano das lives. Artistas sem plateia. Plateia em casa.

Na coluna desta quarta-feira (30), resgato um pouco do que escrevi quando vi algumas dessas lives.

E destaco também o projeto Ô de casas, que não é ao vivo.

Foi tudo luz e bálsamo num ano muito difícil.

ROBERTO CARLOS

O dia era de comemoração (o aniversário de 79 anos), mas a consciência do momento trágico que a humanidade atravessa imprimiu uma indisfarçável tristeza no semblante desse artista imenso a quem nós, brasileiros, tão justamente chamamos de Rei.

Além de cantar, Roberto Carlos nos deu uma verdadeira ordem:

“Fiquem em casa e usem máscara”.

GILBERTO GIL

O sacro e o profano que se fundem nas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro estavam naquele palco caseiro, sintetizados por Gil em sua festa de aniversário.

No final, ele mencionou nomes e mais nomes dos que fizeram a música nordestina ser o que ela é.

Tinha lágrimas nos olhos quando fechou a longa lista com Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.

Nós também tínhamos.

Gilberto Gil, esse artista imenso, é uma das belezas do Brasil.

MILTON NASCIMENTO

O artista cantou as nossas dores, mas também o amor em todas as formas que percorre o seu trabalho autoral.

O roteiro priorizou canções dos anos 1970, o período mais importante da carreira de Bituca, e também incluiu músicas das décadas de 1960 e 1980.

Milton Nascimento é um homem frágil, marcado por um quadro severo de diabetes, mas nada macula a riqueza enigmática da sua música nem a beleza da sua performance ao vivo.

Milton é um dos mistérios de Minas.

Seu canto enriqueceu nossas vidas.

TERESA CRISTINA

Na pandemia, ela se transformou na rainha das lives.

Todas as noites, longas lives que atraíram todo mundo. Nós, os ouvintes, e eles (Caetano, Chico, Gil), os artistas que amamos.

Alegre ou triste, sorrindo ou chorando, na luta, indignada com o que estamos vivendo. Mas, sobretudo, cantando – assim é Teresa Cristina em suas lives.

Não tem produção. Não precisa.

É ela, sua voz à capela e seus argumentos.

Teresa Cristina ilumina nossas noites nesses tempos escuros.

CAETANO VELOSO

Ao acolher pedidos e sugestões e ao fazer delicadas e ternas dedicatórias, Caetano compartilhou sua obra e sua generosidade com todos os que o ouviram, como se dissesse que essas canções também nos pertencem porque são canções das nossas vidas.

Uma amiga ainda bem jovem me disse que essa live acalentou muitas almas aflitas. Ela encontrou boas palavras se pensarmos na gravidade da pandemia e nas incertezas do nosso cenário político.

Caetano fechou com Gente.

“Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome” – como fala alto esse verso, entre belezas como Caetano e tanta desigualdade.

MÔNICA SALMASO

Técnica, emoção, belíssimo timbre e um repertório primoroso – é o que ela nos oferece (no palco ou no estúdio) numa admirável carreira iniciada há mais de duas décadas.

Mônica Salmaso está enfrentando esses tempos difíceis da pandemia do novo coronavírus com um projeto chamado “Ô de casas”.

Ela recebe virtualmente seus convidados e, com eles, nos brinda com performances que são verdadeiras joias.

Com Marco Pereira ao violão, ela fez a Suite Gabriela, de Tom Jobim.