Música 8:07

RETRO2020/Moraes, documento da raça pela graça da mistura

Moraes Moreira morreu aos 72 anos.

Tudo indica que morreu dormindo.

É grande a história de Moraes na música popular do Brasil.

Primeiro tem os Novos Baianos na trajetória desse baiano de Ituaçu.

Primeira metade dos anos 1970.

Moraes, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, o poeta Galvão e mais um monte de músicos.

Eles inventaram umas coisas, reinventaram outras, fundiram mais algumas.

Samba, rock, baião, um regional, um power trio e o violão de João Gilberto, com quem fumaram muita maconha e aprenderam Brasil Pandeiro.

Acabou Chorare é um dos nossos discos imensos.

Depois tem o Trio Elétrico Dodô & Osmar no carnaval da Bahia.

Segunda metade dos anos 1970.

Moraes se transforma no primeiro cantor do trio, com Armandinho e suas guitarras ao seu lado.

“A nossa dor balança o chão da praça”.

Discos incríveis!

Frevos maravilhosos!

Bahia e Pernambuco. Ou Pernambuco e Bahia.

E tem a trajetória solo.

Tantos discos, tantas canções.

Os que prefiro?

Os quatro primeiros, lançados na segunda metade da década de 1970 pela Som Livre.

Moraes com Armandinho, Dadi e Gustavo, que logo formariam A Cor do Som, que era como todos eles chamavam o power trio dos Novos Baianos (Pepeu, Dadi e Jorginho).

Cara & Coração com sambas e choros envenenados. Além do Pombo Correio.

Alto Falante.

Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira.

Ouvi na época até furar, como dizíamos.

Ainda ouço sempre.

Apontaram novos caminhos para a música popular brasileira.

Festa do Interior veio um pouco depois, na voz de Gal.

Parecia um frevo, mas é uma irresistível marchinha junina.

“Deus me faça brasileiro, criador e criatura/Um documento da raça pela graça da mistura”.

Moraes Moreira foi isso aí.