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All Things Must Pass, o melhor disco de George Harrison, chega íntegro aos 50 anos

All Things Must Pass foi lançado há 50 anos.

Eram três discos de vinil acondicionados numa caixa dura semelhante àquelas caixas que continham LPs de música clássica.

O álbum marcava a estreia fonográfica de George Harrison depois da separação dos Beatles.

O conteúdo impressionou tanto pela quantidade quanto pela qualidade.

Os dois primeiros discos reuniam canções.

Algumas – ou muitas – que o músico não conseguira gravar com o quarteto, escanteado por John Lennon, Paul McCartney ou pelo produtor George Martin.

O terceiro trazia uma jam session de George com os músicos que o acompanharam nas gravações.

De vez em quando, volto a All Things Must Pass.

Resistiu muito bem à ação do tempo nessas décadas que nos separam do seu lançamento.

Foi remasterizado mais de uma vez e teve, em 2000, uma reedição que o próprio Harrison supervisionou, um ano antes de morrer consumido pelo câncer.

O maior sucesso do repertório – My Sweet Lord – é sua única mácula. Por este hit de fundo religioso, o beatle sofreu uma condenação. Teria plagiado He’s So Fine, que o grupo The Chiffons gravara sete anos antes.

O episódio, com o qual o artista brincou mais tarde ao compor This Song, não atingiu a beleza do álbum nem fez menor o amor dos fãs por My Sweet Lord, esta balada irresistível.

I’d Have You Anytime, uma parceria George Harrison/Bob Dylan abre o programa. Mais na frente, George faz, ao seu modo, o Dylan de If Not For You.

Wah-Wah, Awaiting On You All e Beware of Darkness remetem ao histórico concerto para Bangladesh.

Isn’t It a Pity, lado B do single My Sweet Lord, aparece em duas versões. Na melhor (a primeira), a guitarra chora gentilmente nas mãos de Harrison.

Lançada em single, What Is Life fez muito sucesso. A outra face do compacto, Apple Scruffs, foi dedicada às garotas que ficavam na porta dos estúdios de Abbey Road, enquanto os Beatles gravavam lá dentro. Uma delas, a brasileira Lizzie Bravo.

E I Dig Love? E Art of Dying? Esse álbum tem muito o que ouvir, mas, para mim, nada supera a faixa All Things Must Pass.

Todas as coisas devem passar – diz o título do álbum e da canção.

Meio século se passou. E cá estamos nós a falar de George e suas músicas tão impregnadas de melancolia.