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Chorei que solucei no ombro de Clementina de Jesus

Uma breve lembrança para o Dia da Consciência Negra.

Sérgio Cabral (o pai) conta que ficou estarrecido diante daquela força extraordinária da música negra brasileira.

Era Clementina de Jesus subindo, com sua voz poderosa, ao pequeno palco do Zicartola.

O ano? Talvez 1964.

Depois veio o espetáculo/disco Rosa de Ouro, que tinha em seu elenco o jovem Paulinho da Viola.

E também o Gente da Antiga, com Clementina, Pixinguinha e João da Bahiana, e tudo mais o que ela fez em sua carreira.

Nascida em 1901 e descoberta tardiamente, Clementina de Jesus passou por João Pessoa no Projeto Pixinguinha de 1978.

Temporada de cinco noites no Teatro Santa Roza. Clementina e Xangô da Mangueira.

O samba do Rio de Janeiro em seu estado natural, genuíno.

Impressionante fusão da África com o Brasil.

Vi todas as apresentações, quase de joelhos na frente do palco.

“Não vadeia Clementina, fui feita pra vadiar”.

Ou: ” Quem me vê sorrir, não há de me ver chorar”.

Era indescritível, meninos e meninas de 2020.

Na última noite, terminado o show, fui ao camarim, e lá estava Clementina de Jesus vestida de branco.

Fui dizendo um “que coisa mais linda”, e ela, me puxando para perto, me acolheu assim:

“Menino, deixe eu lhe dar um cheirinho”.

Encostei a cabeça no seu ombro e chorei que solucei.