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A música de Heitor Villa-Lobos é um documento sonoro que traduz e eleva o Brasil

Heitor Villa-Lobos, o maior compositor do Brasil, morreu em 17 de novembro de 1959.

Há 61 anos, portanto.

Nesta terça-feira (17), a coluna traz um pouco de Villa-Lobos.

“A arte de Villa-Lobos significa a declaração de independência musical do Brasil” – resume Otto Maria Carpeaux no admirável livro Uma Nova História da Música, publicado um ano antes da morte do compositor.

Comecemos pelas Bachianas Brasileiras.

É sua obra maior. São nove peças que promovem o encontro do Brasil profundo com a herança de Bach.

O Trenzinho do Caipira é um dos movimentos da Bachiana No 2.

Na Bachiana No 4, escrita para piano e depois expandida para orquestra, a cantiga aprofunda o tema folclórico “ó mana deixa eu ir”, enquanto o prelúdio fica, para muitos, como seu movimento mais marcante.

A primeira parte da Bachiana No 5 é uma das melodias mais amadas do Brasil.

Até mesmo por quem não sabe de onde ela vem.

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha só filmou a cena do beijo de Othon Bastos e Ioná Magalhães (uma das mais expressivas da nossa cinematografia) para inserir o tema que ouvimos com Bidu Sayão ou Maria Lúcia Godoy, Elizeth Cardoso ou Joan Baez.

“O coração é o metrônomo da vida!”

Villa-Lobos

Para além das Bachianas, há muito o que ouvir em Villa-Lobos.

Tenho especial afeição pela Floresta do Amazonas.

É nela que está o canto Melodia Sentimental, que há muito migrou do terreno erudito para o popular.

São admiráveis A Prole do Bebê e o Rudepoema, escritos para piano.

Há quem destaque a série de 14 Choros.

Ou os Prelúdios, compostos para violão.

Ou o Concerto Para Violão e Orquestra.

Ou, ainda, O Descobrimento do Brasil.

Obra vasta, riquíssima, complexa, a desse imenso brasileiro.

Sua música é um documento sonoro a traduzir e elevar o Brasil.

É uma permanente declaração de amor ao lugar onde nascemos.

Mais do que nunca, precisamos ouvir Heitor Villa-Lobos.