Política 6:56

SOU MARICAS, HOMOSSEXUAL, BICHA, VEADO, PEDERASTA, BOIOLA E TEMO A COVID-19

Podem rir com o título do post, mas a conversa é séria.

O Brasil precisa deixar de ser um país de maricas (porque tem medo da Covid-19), disse, nesta terça-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro.

O presidente ensaia, de vez em quando, um discurso mais moderado, mas, não se enganem, é isso mesmo o que ele é. Um governante que fala como ele falou hoje.

Psicopata? Perverso? Idiota? Burro? Moleque? Incapaz?

Há interrogações nas palavras porque não sou eu que vou classificá-lo.

A mim e a todos os outros que nele não votaram, cabem a indignação, a tristeza, a raiva, a vergonha.

Aos políticos, cabe encontrar o caminho que nos leve à normalidade da atividade política. Os do campo progressista, os do centro, até os de uma direita minimamente inteligente e civilizada.

O Brasil precisa se libertar dessas aventuras. Tivemos o brevíssimo Jânio, há 60 anos. Collor, não tão breve, há 30. Agora temos Bolsonaro, que se promete longo, muito pior do que os outros dois.

A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil no final de fevereiro, mais de oito meses se passaram, quase seis milhões de pessoas foram infectadas, mais de 160 mil morreram, e o presidente continua brincando com aquilo com que não se brinca. Sua fala, grave e irresponsável, foi homofóbica, grosseira e, infelizmente, minimizada pelos que acham que tudo é banal.

Vejam o caso dos Estados Unidos. A vitória de Joe Biden foi anunciada no sábado e, dois dias depois, o presidente eleito nomeou uma comissão para tratar da pandemia. Biden se comporta como estadista.

Bolsonaro briga com a doença, briga com a vacina e segue em frente com significativo apoio popular.

O Brasil está gravemente enfermo, polifraturado, e uma nova aventura já está sendo ensaiada.

Um apresentador de televisão e um ex-juiz de ultradireita se articulam para a disputa da presidência.

O jogo da política é para ser jogado pelos políticos. Muitos se encantarão com uma chapa Huck/Moro, quando, na verdade, na verdade mesmo, o que o Brasil precisa é de um pacto razoável para viabilizar a reconstrução do que está sendo desconstruído aos nossos olhos ou, às vezes, na calada da noite.

Não há problema algum em ser maricas.

Ruim é ser como Bolsonaro.

Bolsonaro pode ser o nome da doença que está destruindo o Brasil.