Música 6:18

A MTV Brasil era um verdadeiro lixo pop. De bom mesmo, só os especiais da série Unplugged

Leio que, nesta segunda-feira (19), faz 30 anos da chegada da MTV ao Brasil.

Um verdadeiro lixo pop – é a lembrança que guardo do que nela vi.

Com uma exceção: a série de especiais Unplugged.

O que veio de fora e o que aqui foi produzido.

Comecemos com um pouco de história.

Está redondamente enganado quem atribui à MTV a criação do formato unplugged.

Ele já está, integralmente, no célebre especial que a NBC gravou com Elvis Presley em 1968.

O artista e seus músicos em cima de um tablado, com pequena plateia ao redor, numa performance informal e quase 100 por cento acústica.

Mas é claro que a MTV aperfeiçoou a ideia e realizou especiais memoráveis.

O de Paul McCartney virou disco oficial porque havia um bootleg no mercado. Tanto que o CD se chama o bootleg oficial.

O de Rod Stewart põe o artista sentado e o manda de volta aos primeiros anos, a melhor fase de sua carreira.

O de Bob Dylan é sóbrio, contido e à altura desse gigante da música americana do século XX.

O de Eric Clapton talvez seja o melhor de todos. O grande guitarrista troca suas guitarras elétricas por violões acústicos e nos dá uma incrível aula de blues.

Clapton, sua grande banda e uma plateia inteiramente magnetizada, com impecável captação de áudio e vídeo.

Foi grande sucesso em CD e na versão em VHS (mais tarde, DVD).

No Brasil, destaco o unplugged de Gilberto Gil, que reconciliou o artista com uma fatia do seu público que se afastara dele na sua fase pop.

Depois da gravação, Gil excursionou com o show acústico, lançado em CD e vídeo.

Muita gente aderiu ao projeto da MTV. Gal Costa, Paralamas do Sucesso, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Paulinho da Viola, Cássia Eller, Titãs.

A marca conquistou espaço significativo no mercado fonográfico.

Até Roberto Carlos fez o seu MTV Unplugged.

Artista com contrato de exclusividade na Globo, o Rei gravou, mas a exibição, pela MTV, não foi autorizada.

Restaram aos fãs o CD e o DVD colocados no mercado algum tempo depois.

Todos esses especiais desplugados ficam, então, como evocação da MTV.

Do lixo pop e do modo de difundi-lo, prefiro esquecer.